terça-feira, 19 de outubro de 2010

DO OUTRO LADO DA PONTE


Domingo passado fui até a Vila de Paricatuba, com o objetivo de dar um abraço no meu amigo “Cocota”, tirar fotografias dele e das “Ruinas de Paricatuba”, além de curtir a praia e de rever os amigos.

Peguei um barco “a jato”, no Rodoway, a viagem dura em torno de vinte minutos, a minha surpresa foi no desembarque, na Ponta do Pepeta, no lado direito do Rio Negro, no município de Iranduba – a parada fica exatamente embaixo da grande Ponte que ligará Manaus a algumas cidades da Região Metropolitana.

Com o término da construção desta megaponte, este serviço de travessia de barcos e balsas ficará prejudicado, enquanto isso, o sufoco é total – na cheia do Rio Negro, o Porto do outro lado do rio fica em Cacau Pirêrera, com a vazante, passa para a Ponta do Brito, porém, este ano a seca chegou a 14,40 m, está chegando à marca de 30/10/1963 (13,64m), obrigando a SNPH a transferir para a Ponta do Pepeta, debaixo da referida Ponte.

Tudo está improvisado, com sujeiras, lixos, poeiras e lamaçal. A venda de passagens é feita dentro de um carro tipo Van, não existe informações a respeito de saída e chegada dos ônibus; banheiros, nem pensar, as necessidades fisiológicas estão sendo feitas no mato.

A Prefeitura Municipal de Iranduba, sempre omissa, não tem o menor respeito para com as pessoas que utilizam aquele local, pois, nem o mínimo de infraestrutura foi realizado. Não custaria muito aos cofres públicos, fazer uma padronização das barracas, dotar o local de sanitários públicos, construir um simples Terminal de Ônibus, podia ser de madeira, com um local apropriado para venda de passagens e com informações básicas aos usuários e turistas, além de um abrigo dos raios solares e das chuvas ocasionais, seria o mínimo, mas, nada!

Apesar de todo o descaso do Prefeito Nonato Lopes, a construção da Ponte chama muito a atenção das pessoas, a visão do outro lado do rio é muito bonita. Com a vazante, apareceu uma enorme pedreira, as pessoas estão pescando no local, muitas famílias se reúnem para tomarem banhos de rio, além de dois grandes flutuantes estarem fundeados no local, proporcionando muito lazer e diversão para todos.

Enquanto esperava o meu ônibus para Paricatuba, comecei a conversar com as outras pessoas - com relação às saídas dos ônibus, todas estavam mais por fora do que “bunda de índio”; bati papo com os pequenos comerciante e pescadores, todos eles foram unânimes em afirmar que a ponte trará o progresso e junto com ele as mazelas; dei uma caminhada pelo local, tirei fotografias, fiquei admirado com a enorme várzea; comprei algumas frutas; a sede estava naquela altura, resolvi tomar duas latinhas de cerveja; sentei num tronco de árvore, liguei o som do meu MP20 e fiquei a olhar aquela imensa ponte, nos pilares deu para visualizar as marcas das cheias de 2009 e 2010; um grupo de dez pés-inchados já fizeram moradia embaixo da ponte.

Apareceu um ônibus com o letreiro “Montenegro”, todos correram onde ele parou, o motorista avisa que ali não era a parada, arranca e para uns cem metros depois, todo mundo corre atrás, eram meninos, velhos, jovens, mulheres barrigudas, turistas e os escambau! O “motora” mudou o letreiro para “Paricatuba”, no meio do empurra-empurra consegui entrar e sentar numa cadeira ao lado da janela, para pegar um vento na cara – ficou rapidinho lotado, sentou ao meu lado um sujeito com um cê-cê daqueles, misturado com um calor insuportável, deu uma combustão total, ai eu gritei: – Socorro! Vou vomitar até as tripas! Chamei um vendedor de bebidas, pedi mais uma latinha de cerveja, tampei o nariz e bebi numa única golada, ufa, melhorei!

O ônibus deu a partida, olhei novamente para a Ponte e, pensei: - Com o término da construção, tudo vai mudar, acabará o sufoco, tudo será mais organizado, pegaremos o ônibus lá na Rodoviária de Manaus ou o sufoco somente mudará de nome e lugar! Para mim, não importa muito, gosto do outro lado do rio, principalmente, da minha amada Vila de Paricatuba, lá é um paraíso, vale a pena!

Para dizer a verdade, os homens do governo não estão nem ai para o bem-estar da população, o que interessa para eles é a construção da Ponte e superfaturar a obra, o resto é resto. Na campanha passada, foram muitos afagos nos pobres, beijinhos até nos cachorros vira-lata, tiveram ainda a cara-de-pau de comer Jaraqui Frito com Baião de Dois, na Feira da Compensa! Conseguiram ganhar a eleição, agora, o pobre que se exploda! Estão fugindo dos eleitores; para eles, eleitor pobre é muito chato e pidão!

Apesar dos pesares, vale à pena pegar um barco ou a balsa e conhecer o outro lado da Ponte, a natureza é bela e exuberante. É isso ai.

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