sábado, 23 de fevereiro de 2013

CHICO GOMES: O REI DO QUEBRA-QUEIXO DE MANAUS


Ao passar pela esquina da Avenida Eduardo Ribeiro com a Rua Barroso, em frente ao prédio de uma das lojas da Riachuelo, avistei o meu velho amigo Francisco José Gomes, mais conhecido como Chico do Quebra-Queixo, um trabalhador que completou cinquenta anos de profissão, vendendo o mesmo produto pelas ruas de Manaus.

O quebra-queixo possui vários significados, porém, o que estou me referindo é um preparado de caramelo com castanhas do Brasil, duro que nem uma pedra e, cortados em pedaços com uma espátula de metal, com o tamanho de acordo com o bolso do freguês (o menor custa dois reais) – ao colocar na boca, o gosto é indescritível, uma delícia, mas, gruda na arcada dentária de tal forma que, quem não tiver paciência poderá quebrar os dentes, a dentadura e até o queixo!  

Conheço o Chico desde quando eu estudava no Colégio Barão do Rio Branco, situado na Avenida Joaquim Nabuco, quase em frente ao Hospital da Beneficente Portuguesa – faz muito tempo, não é mesmo? Naquela época, eu e meus irmãos,  éramos todos curumins e, o Chico era um rapazinho que já trabalhava para ajudar a sua família.

Todo santo dia, rodava os colégios Dom Bosco, Brasileiro e Barão – na hora da merenda, colocava o seu tabuleiro bem em frente ao meu colégio, vendendo essa guloseima que era feita pelos seus pais.

Aliás, essa é uma tradição que vem do seu avô, que passou para o seu pai e, aos quinze anos, o Chico já fazia os seus doces, e, este já passou para a sua filha, que possui a sua própria banca de venda de quebra-queixo, nas proximidades da Esquina dos Sucos, na Avenida Eduardo Ribeiro com a Rua 24 de Maio.

Do produto da venda desse doce, ajudou os seus pais e irmãos mais novos, tirou o seu próprio sustento, constituiu família, criou os filhos e ainda dá para ajudar na educação dos netos.

Ele está com 65 anos idade, em plena forma física, vive sempre alegre e satisfeito, pois apesar de não ter completado o ensino fundamental, abraçou esta profissão que lhe dá um bom rendimento diário.

Por ter trabalhado durante muitos anos nas portas dos colégios, muitos moleques que compravam a sua guloseima naquela época, passam, ainda hoje, pela sua banca para comprar este doce; alguns são professores, doutores, políticos e até empresários – ele não esquece os seus nomes, tanto que ainda lembrou o meu nome (José), dos meus irmãos (Rocha, Henrique e Graciete) e até do papai (Rochinha do Violão), pois ele também vendia pela Rua Huascar de Figueiredo e Igarapé de Manaus – lembrou também do meu colega Roberto, um dos filhos do Doutor Conte Telles (um famoso médico que morava na Huascar).

Ficou famoso em Manaus, tanto que gosta de mostrar aos clientes e amigos, um recorde de uma matéria de página inteira, feita pelo Jornal Diário do Amazonas, em 2006, com o título “Chico Gomes: O Rei do Quebra-queixo de Manaus”.

Pelo visto, algumas tradições ainda persistem em nossa cidade, ainda bem! Parabéns ao nosso querido amigo Chico Quebra-queixo. É isso ai.

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