sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

PROMETO NÃO PROMETER MAIS NADA!

A princípio, parece uma contradição, pois, prometer que não irei prometer, já configura uma promessa em si, tudo bem, então serei um pouco mais claro: não irei mais prometer nada em 2012!

Todo mundo sabe que ninguém é obrigado a prometer nada, porém, prometeu, tem o dever de cumprir, acontece que, geralmente fazemos promessas quando estamos emotivos, numa ocasião especial, quando vem à razão, ai o bicho pega, fica aquele peso na consciência, fica martelando a nossa cuca, não tinha que prometer, mas, agora não tem mais jeito, terei de cumprir.

Quando se faz uma promessa a alguém, fazemos todo o esforço para cumprir, o complicado é quando prometemos para nós mesmos.

Todo final de ano é assim, fazemos uma listagem enorme de promessas para o ano seguinte, mais ou menos do tipo: prometo que irei concluir a faculdade, farei um curso de inglês, irei parar de fumar, darei um tempo na bebida, irei malhar numa academia, irei fazer um check-up, farei uma visita ao dentista, irei mudar para um apartamento melhor, irei comprar um carro novo, um novo amor vai bem no ano que vem, vou começar a escrever um livro, plantarei muitas árvores na urbe, viajarei de férias para o nordeste e sul do Brasil e, etecetera e etecetera e tal.

Muitas pessoas conseguem cumprir boa parte do que prometeram, outras tantas, nem um pouco. Estou no segundo grupo, não consigo realizar dez por cento das promessas de final de ano, dessa forma, não farei mais lista de promessas que não serão cumpridas.

Mas, afinal, por que não consigo cumprir com as minhas promessas?

Não sei explicar, talvez, o nobre leitor possa me ajudar, dando umas dicas. No entanto, estou careca de saber que, para se chegar a algum lugar tem que haver a partida, por exemplo, estou querendo conhecer a praia de Açutuba (Iranduba), não basta somente querer, tem de botar os pés na estrada, caminhar, pegar um buzão ou dar na partida do automóvel.

Toda promessa para ser cumprida tem de haver ação, ficar somente na vontade, não resolve nada. Recebi uma lição de um vendedor do “Shopping Bate Palmas”, da Rua Marechal Deodoro – fui comprar uma camisa branca com motivos de final de ano, nela vinha uma série de palavras importantes, tais como: sucesso, paz, felicidade, amor, muito dinheiro, saúde, etc. Ele falou o seguinte: - Tudo o que está escrito aqui o senhor poderá alcançar, desde que tenha vontade, fé e ação, sem isso, o senhor jamais alcançará!

Realmente, fiquei a pensar, vontade nunca me faltou, a minha fé anda um pouco em baixa, porém, falta-me esta palavra mágica que é a ação.

Será que é este o motivo maior que faz com que eu não cumpra com as promessas de final de ano? Não sei, no entanto, os especialistas dizem que deveremos ter dentro de nós um “Guerreiro”, aquele que vai à luta, que entra no campo de batalha para vencer - ele saberá colocar as ideias em prática, do planejamento à ação, com a necessária convicção de que é possível fazer acontecer, passando do dito ao feito.

Tai uma boa ideia: fazer planos, em vez de promessas. Um planejamento é essencial, mas, primeiro terei que aprender a fazer o tal planejamento. Não vou prometer mais, conforme o prometido, mas, irei estudar como fazer um plano, conhecer os meandros da minha mente, saber mais sobre o processo de motivação, fazer introspecção para me conhecer melhor e, outros lances mais.

Vou parar por aqui, pois, já comecei a prometer a conhecer como realizar as minhas promessas em 2012! Então, o que fazer? Não sei, somente sei, que nada sei, estou confuso! É agora, José? Chega de fazer abstrações, vou a ação e pronto! Chega de promessas! É isso aí.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

ARQUITETURA EM SÍNTESE - FABRÍCIA S.M.



Posted by Picasa

Oi! Tudo bem? É o seguinte, eu sou apaixonada por história e arquitetura, recentemente, comecei a divulgar através de fotos sobre a nossa Manaus no blog que criei http://arquiteturanasintese.blogspot.com  estou querendo uma dica sua, já que curto muito o seu blog também.
Sem mais,
Fabrícia

Olá Fabrícia!
Dei uma olhada no teu blog, realmente, as fotografias estão muito boas. Elas são suas? Caso positivo, peça a tua autorização para publicar algumas. Posso? Com relação em ajudá-la, estou a disposição no que estiver ao meu alcance, basta você ser mais especifica, caso esteja dentro dos meus conhecimentos, pode ter certeza, irei ajudá-la. Quero deixar claro que, não sou historiador ou pesquisador, apenas amo a minha cidade e a Amazônia, utilizo o blog para demonstrar este amor e, muitas das vezes para mostrar a minha indignação com a destruição do nosso patrimônio histórico e cultural - faço sempre uma colcha de retalhos, com informações da net, de livros e de comentários de algumas pessoas e, escrevo a minha maneira, dando os tropeços na língua portuguesa, mas, acredito que o mais importante é a mensagem. Gosto também de tirar fotografias, apesar de nunca ter feito nenhum curso, apenas sigo a minha imaginação e a sensibilidade, dizem, que fotografar é "escrever com a luz" - fotografar qualquer um faz, mas, para escrever com a luz tem que ter criatividade e sensibilidade, uma coisa muita rara - a maioria das fotografias do teu blog demonstra esta coisa boa e rara.
Abraços,
Rocha

Oi! Estou feliz com a resposta. Sim, as fotos são de minha autoria (pode publicar), eu também não sou historiadora, mas estou me formando em arquitetura e, amo história e Manaus. O curso de arquitetura tem um leque de informações nos quais eu me identifiquei na parte histórica. A intenção do blog é de certa forma mostrar a importância dos monumentos, do tipo patrimônio histórico, dando a ele através da divulgação, talvez, uma oportunidade de sobrevivência, pois a maioria dessas edificações fica no estado IRREVERSÍVEL. O nome dado ao blog ARQUITETURA NA SÍNTESE, onde que a minha ideia é detalhar (síntese) uma fachada, mostrando seus estilos e suas funcionalidades e técnicas construtivas, somente está faltando um pouco de tempo para fazer esse trabalho, mas vou fazer.

A ideia seria essa, pois, já tem o teu blog que tem um contexto histórico das edificações, e também tem o blog do baú velho, que vem com esta mesma semântica. Eu quero focar nas técnicas, no estilo, na ARQUITETURA.

E ai, o que você acha? Eu curto o teu blog. A propósito - o convido para participar do blog, você é bem vindo.
Sem mais,
Fabrícia S.M.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

O MAU MENINO



Tive um colega de infância que era conhecido pela alcunha de “Nego Mau”, era um capeta em forma de gente, tudo de ruim que acontecia na nossa rua, boa parte era atribuída a ele, o cara era mimado, filhinho de papai, era tratado do bom e do melhor, mas, era malvado, traíra, perseguidor dos pobres e oprimidos, tinha o dom da palavra, levava todo mundo no papo para tirar proveito próprio - passados muitos anos depois, não sei mais nada sobre o paradeiro do Nego Mau, vejo apenas a mídia comentar sobre um cara conhecido como “Mau Menino”, sei não, mas ele se comporta igualmente ao Nego Mau da minha infância.

Numa rádio famosa de Manaus, ouvi atentamente, uma entrevista de um secretário municipal, responsável pelo trânsito da cidade, o cara deu a maior “babada de saco” do ano, falou e disse que o homem era o melhor alcaide de todos os tempos, enalteceu aos extremos o seu superior, largando o pau nas pessoas que falam mal da sua administração, faltou apenas chamá-lo de santo, mas, chegou bem perto! Está explicado, no próximo ano tem eleição e, ninguém do poder vai querer perder essa boquinha!

Diz a boca pequena, eu não sei, também não posso provar, apenas vou escrever o que está na mídia – o Mau Menino foi líder estudantil, começou a carreira no antigo Departamento de Estradas e Rodagens (DER-AM), foi empresário da construção civil, fez sociedade com um peão que ganhou na loteria esportiva e, foram à falência tempo depois.

Em 1983, foi indicado pelo “Boto Tucuxi” para assumir a PMM, meses depois, elevou a tarifa de ônibus em 100%, houve uma revolta total dos estudantes e opositores, o movimento foi violentamente reprimido pela Polícia.

Em 1986, fez uma campanha de apologia ao crime ambiental, prometendo distribuir uma moto serra para cada caboclo do interior, recuou quando foi ameaçado de processo pela IBDF, mesmo assim, ainda distribuiu duas mil motos serras para os seus eleitores interioranos, aos quais foram vendidas a preços irrisórios para os madeireiros da região.

Em 1989, em um atentado a CF/88 (somente o Congresso Nacional pode legislar sobre polícias), extinguiu a Polícia Civil, declarando que ela era podre e corrupta, a briga foi feia, ele teve que recuar, pediu desculpas e, voltou ao que era antes. Urbanizou muitos bairros, sendo que dois deles levaram o seu nome e a do seu pai. Após o mandato, conseguiu se eleger para o senado federal.

Em 1993, volta para ficar mais dois anos na prefeitura, foram dois anos de muitas obras na cidade, abertura de ruas e avenidas, entrega dos dois primeiros viadutos da cidade, embelezamento da cidade, construção do complexo da Ponta Negra. Conseguiu com esses feitos ganhar em 1º. Turno para o governo do estado.

Em 1995, inventou o Terceiro Ciclo (dizia que o primeiro foi a da borracha, a segunda foi a Zona Franca e o terceiro foi obra dele), alguns opositores chamavam de “Terceiro Circo”. Criou a Universidade do Estado do Amazonas (UEA), mas, em 1997, os professores da rede estadual de ensino fazem uma manifestação por melhores salários, todos foram agredidos pela Polícia, sendo 25 deles foram parar nos prontos socorros da capital e, ainda foram presos.

Ficou no ostracismo por conta de duas derrotas para o governo do estado e prefeitura de Manaus, mas, conseguiu voltar ao poder em 2008. Fez o que o diabo mais gosta: aumentou violentamente a tarifa de ônibus, com promessa de renovação total dos ônibus (não cumprida); aumentou ao apagar das luzes o IPTU, bateu boca com pessoas pobres que moram em área de risco, ameaçou retomar a concessão da empresa Águas do Amazonas (a mesma foi vendida por ele em anos anteriores), tentou colocar os camelôs do centro da cidade dentro do Porto de Manaus e, foi barrado pela justiça e entregou a Ponta Negra para um grupo mineiro Uai.

É isso ai, qualquer semelhança do Mau Menino com o meu colega de infância Nego Mau e pura coincidência!

Fontes:


http://pt.wikipedia.org/wiki/Amazonino_Mendes   

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

DIVULGAÇÃO - REVISTA AMAZÔNIA

 Na banca do Millenium Shopping- Na banca do Largo de São Sebastião- No sebo O Alienista (na praça da Polícia)- Na banca do Augusto (rua José Paranaguá) Ou solicite através do e-mail: evaldo.am@hotmail.com   

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

PRAIA DA PONTA NEGRA DE MANAUS

Esta praia é um cartão postal de Manaus, um lugar encantador, onde a natureza (uma das coisas mais belas que Deus nos deixou) mostra-se muita generosa, apesar de tudo de ruim que fazemos com ela; a visão do Rio Negro é espetacular; muitas intervenções foram feitas, porém, com o tempo a prefeitura não faz a manutenção necessária e, os frequentadores, comerciantes e moradores do entorno, promovem paulatinamente a depredação aquela lugar.

É uma praia fluvial banhada pelo Rio Negro, fica a 13 km do centro de Manaus, o acesso poderá ser feito pela Estrada da Ponta Negra ou pela Estrada do Turismo (Tarumã). Para quem não dispõe de automóvel, o local é servido por inúmeras linhas de ônibus; o manauense que mora no centro ou o turista que deseja conhecer este paraíso deve pegar o 002 (Balneários) e, estar preparado para o sufoco, aos domingos fica totalmente lotado.


Desde a minha infância que frequento esta praia – na minha juventude curtia muito a Prainha (era um local da praia preferido pelos jovens enamorados), ainda dou uns pulos por lá! Falou em Reveillon em Manaus, lembra logo a Praia da Ponta Negra.


A mãe natureza fez a parte dela: água morna e areias finas e uma paisagem exuberante - muitas árvores, pássaros e água até onde a vista possa alcançar. Os primeiros habitantes foram os índios Manaós (mãe dos deuses) - deram o nome a nossa cidade. Os homens dotaram o local de uma excelente infra-estrutura: calçadões em ladrilhos hidráulicos, iluminação noturna a vapor de mercúrio, anfiteatro, quadras para a prática esportiva, dezenas de restaurantes e bares (todos padronizados).


Com o tempo ficou totalmente abandonada pelo poder público municipal, fazia vergonha caminhar pelas suas calçadas, todas tomadas por barraqueiros de venda de churrascos de gato, bebidas e artesanatos, com os sanitários quebrados, bares sem fiscalização sanitária e a praia poluída com vários esgotos a céu aberto.


Este local possui o metro quadrado mais caro de Manaus, a maioria dos bacanas de Manaus mora por aquelas bandas; o apartamento mais barato custa em torno de um milhão de reais. O Tropical Hotel o mais badalado de Manaus fica no pedaço, sem falar que o Aeroporto Eduardo Gomes fica bem próximo.

O atual prefeito de Manaus se sensibilizou com a situação da Ponta negra, segundo um folheto da PMM “A Nova Ponta Negra – Serão investidos 43 milhões, com fontes do Governo Federal e bancos internacionais, para reformular totalmente um dos principais cartões postais de Manaus. Será recriada dentro de uma concepção contemporânea, arrojada e de padrão internacional. Terá a ampliação dos espaços de entretenimento, lazer e serviços; o anfiteatro será revitalizado, e um complexo esportivo será construído para abrigar eventos nacionais e internacionais; construção de mirante e píer para atração de lanchas e pequenas embarcações, restaurantes, hotéis e centro de compras e serviços. O complexo obedecerá à concepção de preservação ambiental e de valorização do ser humano”.

A primeira etapa foi entregue à população, com um novo anfiteatro, três mirantes, Praça da Marinha, Espelho d’água, novo calçamento, estacionamento, cinco jardins e uma praia perene (ainda não concluída).


Estive lá para conferir, realmente, está muito bonita, pena que o povo já andou destruindo algumas plantas, pisam na grama e, jogam lixo no chão. O chafariz que fica no retorno do Tropical Hotel não estava funcionando; não tem banheiros, bares, restaurantes e lanchonetes na primeira etapa.


O contribuinte vai arcar com 43 milhões de reais e, a prefeitura de Manaus deu a administração do local para o grupo mineiro “Uai” – isto mostra que o poder público não tem capacidade gerencial para administrar os lugares públicos da nossa cidade. Estamos de olho! É isso ai.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

O MEU VELHO E SURRADO PALETÓ


Mais um ano terminando, uma boa hora para fazer uma triagem nas roupas e quinquilharias guardadas ao longo do tempo; aproveitei a ociosidade forçada e, comecei a separar o que não iria mais usar, para dar um destino certo, pois sempre encontramos alguém mais necessitado que faça, com certeza, um bom uso do que já foi usado – o problema maior foi descartar o meu velho e surrado paletó, ele está puído com o tempo e não fica nada bem alguém utilizar uma indumentária usada e rasgada – pensando bem, vou ficar com ele até entrar no paletó de madeira, pois o danado tem muita história.
Fiquei a olhar o meu velho e surrado paletó, voltei ao túnel do tempo, lembrei muito bem do sufoco que passei para adquiri-lo. Sabe com é um mancebo de vinte e poucos anos, o tesão fica a mil por hora, não teve jeito, avancei o sinal vermelho, engravidei a minha namorada e, ainda muito jovem tive que casar. E agora, José? Para casar tem que ter um paletó!
Nem pensar em comprar um “paletot” nas lojas famosas da Avenida Eduardo Ribeiro (Palácio da Moda, Casa Nova e Brumel) ou mandar um alfaiate fazer um sob medida, estava fora das minhas parcas economias – pedi ajuda dos amigos, dos colegas universitários, dos vizinhos, dos parentes e aderentes e, nada! Ninguém tinha um paletó para me emprestar!
Duas semanas antes do meu casório forçado, fui ao enlace matrimonial de um colega de rua, o enforcamento dele foi na Igreja de São Sebastião, fiquei na expectativa, não do casamento, mas do seu paletó, o tamanho dava certinho no meu figurino - no final da recepção, fui salvo pelo gongo, consegui o empréstimo do paletó.
Uma semana após o meu casamento, o paletó tinha acabado de voltar de uma lavadeira (lavanderia, nem pensar!), quando foi requisitado por outro colega de rua, o caboco também estava com a namorada prenhe de três meses, fui solidário com ele, emprestei o paletó que estava emprestado de outro colega. O dito cujo já estava famoso, em menos de um mês já tinha servido para três casamentos. É mole ou quer mais?
O meu colega embarcou com o meu terno emprestado, o safado foi passar a lua de mel (ou de fel) em outra cidade, fiquei no maior sufoco, pois o dono começou a cobrar a devolução. Como não tinha avisado que ele estava emprestado para outra pessoa, inventei uma desculpa esfarrapada, ele não engoliu, exigiu a entrega de imediato do paletó ou pagamento do mesmo, não teve jeito, propus o pagamento em suaves prestações.
Depois de um ano do ocorrido, conversando com o meu irmão do meio, comentei sobre a confusão do paletó e o pagamento, foi quando tive a maior surpresa, ele falou que o paletó era dele. Mas como é possível?  O negócio foi o seguinte: ele foi procurado pelo nosso colega de rua para comprar a prazo (no carnê) o dito paletó na Loja Palácio da Moda, as parcelas venceram e não foram pagas e, ele teve que assumir o débito, pagando com juros e correção, dessa forma, o paletó não pertencia ao nossa colega, pois ele não pagou. Caramba! O cara usou o credito do meu irmão, não pagou e ainda me fez pagar novamente por ele.
Pois bem, o paletó ficou na naftalina guardando por mais três anos, quando foi utilizado novamente para receber o “meu canudo de papel” no Teatro Amazonas – voltou a brilhar e, posei para as fotos do álbum de família. Depois, voltou para o armário, saindo de lá somente para ocasiões formais.
Com o passar do tempo, ficou no esquecimento, guardado para o todo e sempre, as traças deram em cima dele - não tem como doa-lo, ele tem história e já falei para os meus filhos que, quando eu for morar na cidade dos pés juntos, eles devem me vestir com o meu velho e surrado paletó. É isso ai.   

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

MANÁOS

Posted by Picasa

Estação dos ônibus de madeira/ldeal Clube/Casa Bolo Confeitado/Prédio da atual Churrascaria Búfalo/Aviaquario(Igreja Matriz)/Praça dos Remédios e o Bonde (desapareceu)/Obelisco (roubado) na esquina da Sete de Setembro com Getúlio Vargas ao fundo aparece o Cine Guarany (destruido)/Abrigo Municipal(destruido). 

BLOGDOROCHA: PASSEIO A VILA DE PARICATUBA

BLOGDOROCHA: PASSEIO A VILA DE PARICATUBA: Depois de uma semana estressante, cheia de cobranças por todos os lados, resolvi me isolar numa comunidade chamada “Vila de Paricatuba”, no ...

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

FAMÍLIA DOS NERY


Faz algum tempo atrás fiz uma postagem sobre o “Palacete dos Nery”, um imóvel que está abandonado pela família - http://jmartinsrocha.blogspot.com/2010/03/palacete-dos-nery.html  - em decorrência disso, recebo alguns e-mail dos descendentes que moram no Brasil afora.

Hoje, recebi um e-mail da Sr. Paiva Cardoso pedindo informações sobre os “Nery de Manaus”, pois o seus avós vieram da Itália e são Nery também, uma parte mora em Recife e outra no Rio de Janeiro.

Juntei a troca de email com a Sra. Inez Nery -, fiz esta postagem e, enviei ao Paiva. De antemão, quero esclarecer a todos que não sou historiador, apenas gosto do passado da minha cidade, faço uma colcha de retalhos com informações aqui e acolá e, publico no nosso humilde blog.

Troca de email entre José Martins Rocha e Inez Nery:

Bom dia José Martins,

Procurando sobre a minha família de origem de Manaus, encontrei o seu blog sobre o palacete dos Nery. Gostaria de saber se você tem mais informações sobre quem viveu neste palacete e se nele se encontravam mais fotos dos Nery ou em algum lugar de Manaus.

Sou uma Nery, meu nome é Maria Inez Nery Viegas, bisneta de um médico psiquiatra Márcio Philaphiano Nery e neta de seu filho Octávio Bandeira Nery que teve uma filha que se chamava Lygia Nery Viegas (já falecida) depois de casada. Não conheço muito sobre a história da nossa família, pois eles passaram um período na França e quando voltaram vieram morar no Rio de Janeiro. Não conheci nem meu bisavô e não tenho fotos dele somente do meu avô que faleceu quando minha mãe ainda era pequena. Na verdade da família não tenho muitos dados.

Gostaria de saber mais dados sobre eles se você tiver. Fico pensando se meus antepassados viveram nesta casa que hoje está em ruínas, seria bom saber mais, ver mais fotos. Minha mãe falava sobre o Barão de Santana Nery que era nosso parente, do Silvério também, mas nunca soube me dizer mais do que isso.

Fico no aguardo de informações ou não.

Desde já agradeço a atenção dispensada,
Inez

Boa Tarde Inez!

Fico feliz por ter lido a postagem que publiquei no nosso Blog. O Palacete em questão foi moradia da família Nery, isto na "Belle Époque", infelizmente, os descendentes deixaram abandonado, a mercê das intempéries, cada dia que possa fica mais feio e destruído - eles estão pedindo um preço absurdo pelo imóvel. O prédio é histórico, pois morou lá um governador do Amazonas. Por sinal, fiz uma postagem sobre a principal Avenida de Manaus, onde escrevi um pouco sobre os teus antepassados, o endereço é o seguinte: http://jmartinsrocha.blogspot.com/2011/07/avenida-constantino-nery.html  - Já vi um livro em Manaus onde tem bastante fotografias dos Nery, ele é raro, quando conseguir comprá-lo, irei tirar fotografias e mandar para você. O Silvério Nery foi o pai do Constantino Nery, quanto ao Barão, favor acessar a postagem do Blog do Coronel http://catadordepapeis.blogspot.com/2010/06/memorial-amazonense-xxiii.html  
Abraços,
Rocha

Boa noite José Martins!

Acabei de abrir seu e-mail e fiquei muito feliz, com calma vou ver os seus artigos e depois comento com você.
Quanto a esse livro adoraria se tivesse uma foto do meu bisavô Marcio Nery.
É uma pena mesmo que a casa esteja abandonada, aliás minha avó comentava que a família vivia em um palacete na época. Quem sabe um dia vou conhecer Manaus e posso conhecê-lo. Espero não ter arrepios hahaha. Poderia mesmo se transformar em um museo já que muitos da família contribuíram de alguma maneira para o estado do Amazonas e para o País, cada um dentro de sua área.
Muito obrigada pela atenção.
Um abraço,
Inez


Bom Dia Inez,
Existiu em Manaus, um médico chamado Márcio Nery, foi chefe da Comissão de Saneamento de Manaus, entre 1904 e 1906 combateu a malária e a febre amarela. O seu nome está no Colégio Estadual Márcio Nery, não sei esta pessoa é o teu bisavô. O livro ao qual me refiro é vendido nos sebos de Manaus, quando encontrá-lo irei tirar as fotos e mandar para você.
Abraços,
Rocha


Olá José Martins,
O médico a que você se refere é meu bisavô e ele era médico psiquiatra, foi para a França e também combateu a malária e a febre amarela em Manaus, exatamente o que você escreveu, só não sabia o período, mais um dado a acrescentar nas minhas pesquisas de família. Ele era irmão de Constantino Nery e também tinha um irmão com o mesmo nome do pai Silvério Nery e também irmão do Barão de Santana Nery que escreveu se não me engano um livro sobre a Amazônia. Li sobre isso ontem. Minha mãe já me falava do parentesco mas quando se é criança e jovem não nos interessamos muito por isso. Agora mais velha me interesso em saber e também para poder passar para a nova geração.
Gostei muitos dos seus artigos, me ajudaram bastante a conhecer um pouco mais dos meus antepassados. Parabéns!
Quanto ao livro, não se preocupe, se um dia você achar e puder me enviar as fotos eu agradeço.
Muito obrigada pela atenção.
Um abraço,
Inez

Quem puder mandar mais informações para o blog, será bem vindo, terei o maior prazer em publicar, o importante é o resgate da nossa memória. É isso ai. 



segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

CAMINHANDO A PÉ POR TODA A EXTENÇÃO DO RIO AMAZONAS, UM FEITO DO ED ESTAFFORD



Existem algumas proezas do ser humano que ficam para a história, uma delas é a de um ex-capitão britânico, o Ed Estafford, que teve a ousadia de fazer uma caminhada em toda a extensão do Rio Amazonas, desde a nascente nos Andes peruanos até a sua foz no Oceano Atlântico, no Estado do Pará.

Dizem que o Ed foi motivado a fazer esta expedição para “promover a conscientização e a sensibilização a respeito do desmatamento da maior floresta tropical do globo e ser o primeiro a fazer este percurso sem uso de barco à vela ou motor”.

Depois de quatro meses andando sozinho, encontrou o Gadial Sanches Rivera, conhecido como “Cho”, um guia peruano de 31 anos que ficou com ele até pularem no oceano atlântico, numa praia nos arredores de Belém.

 Foram exatos 860 dias (abril de 2008 a agosto de 2010) caminhando por mais de nove mil quilômetros a pé, um feito que foi parar no “Guinness Book”. Esta loucura custou 110 mil dólares. Além da ajuda do guia Cho, teve um apoio fundamental de todo um aparato tecnológico (notebook com energia solar, GPS e internet via satélite), o que possibilitou fazer postagens diretas nas redes sociais Twitter e Facebook, bem como, no seu blog http://www.walkingtheamazon.com/

No trajeto, foi preso pelos índios Asheninka (Peru), passou na zona vermelha dos narcotraficantes, pegou leishmaniose, berne (ferida na cabeça onde a mosca põe ovos), foi picado por milhares de mosquitos e, encontrou pela frente o temível escorpião e o peixe elétrico.

Ficou admirado com a solidariedade e alegria do povo brasileiro, chegou a postar no seu blog o seguinte: “Em muitas ocasiões, nos deram comida e abrigo sem que pedíssemos e as pessoas sorriam de volta sem aceitar nada em troca – um exemplo de generosidade. Os brasileiros fizeram deste último ano algo simplesmente fantástico. Já viajei o mundo e nunca encontrei uma nação tão simpática com estrangeiros. Aprendi com eles como tratar outras pessoas. Os brasileiros são um exemplo para o mundo”.

Com este feito, o Ed fez vários documentários, ministra muitas palestras motivacionais, escreveu um livro e conseguiu muita grana para várias ONG´s (uma do Brasil que cuida das crianças pobres da Amazônia).

Planeja se aposentar somente após fazer outra caminhada: entre os dois pólos! É mole! É isso ai.



domingo, 18 de dezembro de 2011

MANHÃ DE DOMINGO E A LEITURA DE UM JORNAL

Os jornais de domingo começam a circular em Manaus a partir das três horas da tarde de sábado, não sinto a menor graça em comprá-los ante, pois tenho o hábito de acordar cedo no dia do senhor, colocar uma bermuda e chinela, caminhar pela minha cidade, passar pelo mercado municipal, comprar goma, queijo coalho, tucumã, pamonha, açaí (coisas nossas, de caboclo) e, um jornal – me embalar na minha rede de dormir e, ler tudo, incluindo até os classificados.
Ao passar por uma banca de revistas, dei uma vista pelo jornal Amazonas Em Tempo, algumas manchetes prenderam a minha atenção: “Parintins – Berço das culturas japonesa e italiana”; “Dom Luiz – Deixo de ser arcebispo em Manaus em maio de 2012” e “História e moda no Castelinho”. Não deu para resistir - quebrei o meu hábito dominical, comprei o jornal no sábado e, comecei a lê-lo antes do dia.
Sobre a cidade de Parintins, a reportagem fala sobre a vinda, em 1931, de jovens japoneses, estudantes de agronomia, para trabalharem na Vila Amazônia. Eram conhecidos como “koutakusseis” – em 1942 produziram 3.685 toneladas de fibras de juta. Com a 2ª. Guerra mundial foram considerados inimigos, culminando com prisões e confisco de todos os seus bens. Os senhores Mamoru Chida e Zennoshi Shoji são os únicos remanescentes – com a proposição do deputado estadual Tony Medeiros, receberam no mês passado, o título de “Cidadão do Amazonas”, bem como, foi feito formalmente um pedido de desculpas aos “koutakusseis” e seus descendentes, pelos excessos aos quais foram injustamente submetidos enquanto trabalhavam pelo Brasil em solo amazonense. 
Sobre dom Luiz Soares Vieira, o arcebispo da Região Metropolitana de Manaus (RMM) -  o jornal fez uma longa entrevista com o religioso, ele comenta que já está com 74 anos de idade e, no próximo ano vai entregar a sua carta de aposentadoria ao governo da diocese. O repórter peguntou: - Qual a reflexão que o senhor faz destes 52 anos de sacerdório? Dom Luiz - Isso é muito interessante porque a gente adquire muita sabedoria, começamos a dar um peso de vida às coisas que vão acontecendo, a gente não se empolga com certas coisas. Depois, há  a mudança moral que, a meu ver é a coisa mais importante hoje. Temos ainda, a questão da ética na política, você faz um discurso político puritano, mas a prática é corrupta. Não há respeito à vida humana.
A revista Elenco faz parte do jornal, no seu caderno de Moda, abriu as portas do Castelinho da Vila Municipal, traz várias fotografias com um casal de modelos, mostrando detalhes desse maravilhoso imóvel. Para quem nao sabe, o Castelinho foi construído em 1906, na Rua São Luiz, num terreno de 5.500 m2, pelo  então prefeito de Manaus, o Adolpho Lisboa. Sem dúvida, o imóvel é um dos mais belos da nossa cidade.
Por ter quebrado um hábito do meu domingo de manhã, vou ter que preencher de outra forma, acho que vou passear com a minha caboquinha Maria Eduarda, levá-la a inauguração da “Cidade da Criança”, no antigo Horto Municipal, um local onde a petizada pode ter um contado direto com a natureza, além de atividades sócio-educacionais e assistir a atração musical nacional “Galinha Pintadinha”. É isso ai.

sábado, 17 de dezembro de 2011

A morte do samba apoteótico

 
 * Rogel Samuel
Com ele morre a gloria, o brilho, a ousadia. “Trevas! Luz! Explosão do universo” – tema com que levou o Viradouro ao primeiro lugar em 1997 – define bem o que ele foi ao longo de sua grande arte. Ele veio do Maranhão como marinheiro aos 17 anos.
Eu o conheci no “Flor do amanhã”, quando recebeu o Dalai Lama. Ali, Joazinho Trinta mantinha permanentemente uma criança ao colo, filho de uma menina de rua que ele abrigava.
A última vez que o vi foi no shopping de Manaus.
- Como vai o “Flor do amanhã”, Joazinho? – pergunto. O que aconteceu com ele?
O “Flor do amanhã” foi para mim o maior projeto social que já existiu no Rio de Janeiro: abrigava toda a população de rua, meninos, meninas, prostitutas, travestis, índios, mendigos, viciados – a todos Joazinho dava casa e comida e tinha o plano de ali instalar uma escola de primeiro grau onde eu pretendia trabalhar de graça.
- Mataram o “Flor do amanhã”, disse-me ele.
E depois de um suspirou de dor:
- Estávamos atrapalhando...
Rogel Samuel - Amazonense, poeta, escritor, webjornalista, colunista de BLOCOS ONLINE, de ENTRE-TEXTOS, doutor em letras, professor aposentado da Universidade Federal do Rio de Janeiro.
 

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

J. G. ARAÚJO

Na minha adolescência tive a oportunidade de conhecer diversos empreendimentos do mega empresário J.G. Araújo, a sede da empresa ficava na Rua Marechal Deodoro, centro de Manaus; o homem nadava em dinheiro, inclusive mandou fazer uma grande calçada, feita totalmente de borracha.

Conheci também uma bela casa que pertencia ao empresário, fica bem na entrada da Vila Amazônia, em Parintins (AM); tive também a felicidade de entrar na sua antiga residência, no Largo de São Sebastião, o local funciona o ateliê Renato Araújo e pertence ao governo do Amazonas, dizem que nos porões dessa casa, o famoso cineasta Silvino Santos revelou os negativos do filme “No Paíz das Amazonas”, rodado em 1922.

Presenciei, também, um grande incêndio em um prédio do J.G. Araújo, ficava na Rua Marechal, virou cinzas uma grande parte da memória de Manaus, diz as más línguas que o fogo foi de origem criminosa, o famoso “turco-circuito”.

O sitio http://www.museuamazonico.ufam.edu.br/  mostra a história do mega empresário J. G. Araújo:

– A firma J. G. Araújo, empresa com tradição de mais de um século atuando em Manaus e em outros municípios do Amazonas, assim como em estados vizinhos, fez a doação de todo o seu arquivo documental para a Universidade Federal do Amazonas, ficando, portanto, este acervo no Museu Amazônico. Tais arquivos são datados a partir do ano de 1877 até 1985. São milhares de documentos que registram os fatos administrativos da empresa, no ramo do extrativismo, da indústria, do comércio e do transporte. O acervo J. G. Araújo compõe-se de uma grande diversidade documental que complementam os documentos contábeis: originais de cartas manuscritas de aviados da empresa, coleção de letras de câmbio, guias de embarque, recibos de pagamentos, diário de navegação, entre outros. Histórico J. G. Araújo: Empresa considerada como a maior casa aviadora do final do século XIX até a metade do século XX. O estudo de suas atividades oferece a possibilidade de conhecer as práticas mercantis do período como o sistema de aviamento e o processo de acumulação dentro desse sistema. A história da empresa tem início com a chegada a Manaus em 1863, de Bernardo Gonçalves de Araújo, primeiro membro da família engrossando a colônia portuguesa já instalada na região. Em 1865, inaugura um comércio no ramo de panificação juntamente com seu irmão, José Gonçalves de Araújo para auxiliá-lo nas atividades comerciais Em 1877 juntamente com a grande imigração nordestina para o Amazonas, chega Joaquim Gonçalves de Araújo e juntamente com seu irmão criam a firma Araújo Rosas & Irmão, dando início a sua trajetória que está dividida em quatro períodos. Araújo Rosas & Irmão – 1877 a 1896 - Atividades: secos e molhados e fazendas (importadas) a retalho. Exportação: borracha, castanha, piaçava (para outros Estados do Brasil, além de Portugal) . Importação: produtos para aviamento: sal, batata, carvão, botas, capas, material de construção, instrumentos para pesca, manteiga, armas, munições, pólvora etc. Fornecia para Codajás, Tabatinga e S. Gabriel. Araújo Rosas & CIA – 1892 a 1904: Atividades: Além das anteriores, possuía armazéns de fazendas e estivas e tem início o processo de expansão da empresa, principalmente na área de exportação. Exportação: amplia o leque com outros países do estrangeiro, exportando pirarucu, tartaruga (banha), salsa, copaíba e madeira. Importação: vinhos, bacalhau, ameixa, azeite cerveja, instrumentos musicais, calçados etc. J.G. Araújo – 1904 a 1925: Atividades: expansão da empresa em Porto Velho, rio madeira, Iquitos, Rio Branco e Santa Izabel do Rio Negro. Fundação da Empresa Brasil Hévea, usina de beneficiamento da borracha para comercializar no exterior. Usina de beneficiamento de castanha. Atuação na pecuária em Roraima e a instalação de filiais fora do Estado. J.G. Araújo & Cia Ltda. – 1925 a 1989: Atividades: criação da Empresa Manacapuru Industrial Ltda., serraria e fábrica de pregos, criação da J.G. Araújo Exportação que representava e exportava produtos regionais, criação da Fábrica Rosas, drogaria e produção de perfumes a base de pau-rosa, criação da Sociedade de Comércio e Transportes, voltada para navegação e agropecuária, representante nacional da Texas Company (Texaco) comércio e representação de produtos derivados de petróleo -
É muita coisa para um mortal, não sei se os herdeiros continuam com os negócios do velho J.G. Araújo. Na foto colagem abaixo, a foto do centro é da sede da empresa, restou apenas a fachada e, nada mais. É isso aí.




quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

AVENIDA EDUARDO RIBEIRO – ONTEM, HOJE E AMANHÃ



ONTEM

O seu nome foi em homenagem a um dos melhores governadores do Estado do Amazonas, o maranhense Eduardo Ribeiro (1862-1900), para a sua construção foi necessário aterrar o Igarapé do Espírito Santo - tinha trinta metros de largura e mil e sessenta metros de comprimento, indo do Rodoway (atual Porto de Manaus) até o Palácio do Governo (atual Instituto de Educação do Amazonas – IEA).

O governador Eduardo Ribeiro deixou a gestão do executivo estadual em 1896 e, a avenida deve ter sida concluída em 1900, exatamente no ano da sua morte, - inicialmente, ela era conhecida como Avenida do Palácio, mas, apesar de muita rasteira do seu sucessor, o nome atual foi uma justa homenagem ao homem que trabalhou incansavelmente para a sua construção.

Tornou-se o centro comercial, cultural, econômico e viário da cidade, onde se instalaram os principais armazéns de venda de produtos finos, hotéis, restaurantes, bares, jornais, cinemas, bancos, etc. Por lá circulavam charretes, bondes elétricos, automóveis e ônibus – a nata da sociedade manauense fazia daquele logradouro um lugar da moda (point).

Na Praça Antônio Bittencourt (atual Praça do Congresso) era uma das mais belas de Manaus, tendo ao seu redor o Palacete Miranda Corrêa (atual edifício Maximino Corrêa), o Ideal Clube, o Prédio da Saúde (atual Loja dos Correios), um Palacete (atual biblioteca municipal) e várias residências em estilo de bom gosto.

Ao longo dos anos foram construídas várias edificações, tais como, o Palácio da Justiça, os Cines Odeon e Avenida, o Bar Americano, o Relógio Municipal, os Armazéns do empresário J.G. Araújo, os Jornais do Arnaldo Archer Pinto, dentre outros.

Ainda está na memória de muita gente o famoso “Canto do Fuxico”, a Lanchonete “A Gogô”, os desfiles de carnaval, a parada de 5 e 7 de Setembro, além da abertura do campeonato “Peladão”, do restaurante “A Maranhense”, da loja “4400”, dos bailes do “Moranquinho” e dos passeios de bondes. Muitas saudades!

HOJE

Está quase toda descaracterizada; suja em toda a sua extensão, toda pichada, com muito lixo, sem árvores; a violência impera, foi invadida pelos camelôs e flanelinhas; com a noite o local fica às escuras, com um ar triste e melancólico; os prédios antigos estão com as suas fachadas tomadas por placas de mau gosto, com uma enorme poluição visual.

Ainda bem que o Palácio da Justiça foi preservado, virou um Centro Cultural; o Relógio Municipal resiste ao tempo, apesar de não tocar mais aquela musica cativante; aos domingos a avenida é fechada para dar lugar a “Feira do Artesanato”, tornando um lugar mais humano, calmo, tranquilo onde as famílias manauenses e os turistas se deleitam com o café regional e compras de artesanato.

Apesar do abandono, o fluxo de automóveis e de pessoas é muito intenso, contando com muitas lojas de roupas e calçados, supermercados, bancos, lanchonetes e lojas de eletro-eletrônicos.

AMANHÃ

O governador Omar Aziz prometeu tornar aquela artéria um “Cartão Postal” – acredito que será mesmo, pois foi entregue a missão ao secretário de cultural Robério Braga, o homem é competente e ama esta cidade. Segundo o jornal D24 o amanhã será assim:

Sob a responsabilidade da Secretaria de Estado de Cultura (SEC), o projeto, orçado em R$ 11 milhões para investimentos até outubro de 2012, será dividido em várias fases. A primeira etapa da obra, que começa na próxima segunda-feira, consiste no restauro da Praça Antônio Bittencourt. Nas três fases seguintes serão feitas a revitalização das fachadas do entorno da Praça, seguida da recuperação das fachadas da avenida Eduardo Ribeiro (trecho entre as ruas Monsenhor Coutinho e 24 de Maio) e da urbanização do entorno da Praça do Congresso (pavimentação, calçamento, rede elétrica subterrânea, instalações diversas e equipamentos urbanos) e implantação da via permanente e rede aérea do bonde no trecho entre as ruas 10 de Julho e 24 de Maio.

A quinta etapa envolve a fabricação e fornecimento de bonde elétrico de época, que deverá funcionar quando concluída a urbanização até a rua 24 de Maio. As próximas etapas incluem a revitalização e urbanização do perímetro da rua 24 de Maio a avenida Sete de Setembro e, na sequência, da avenida Sete de Setembro até o Porto de Manaus, também na área central de Manaus, com a ampliação da linha do bonde.

“Restaurar praças ou revitalizar ruas do Centro de Manaus representam mais do que uma simples obra de urbanização, significa o resgate da nossa história - nossas crianças poderão futuramente estudar a nossa história em uma visitação ao Centro Histórico de Manaus, que muito nos revela sobre o nosso passado”, afirma o governador Omar Aziz".

Demorou muito, mas, existe uma luz no fundo do túnel, o importante é que a decisão política foi tomada, vamos acompanhar e incentivar a sua conclusão. É isso ai.



terça-feira, 13 de dezembro de 2011

GOVERNADOR OMAR AZIZ ANUNCIA PROJETO DE REVITALIZAÇÃO DA AVENIDA EDUARDO RIBEIRO - INÍCIO NA PRAÇA DO CONGRESSO


Noticia publicada no jornal eletrônico “D24”, edição de hoje, traz um grande presente para Manaus: O governador Omar Aziz fará amanhã um pronunciamento dando detalhes de um novo projeto de revitalização do centro histórico – Projeto Cartão Postal – com o resgate total da Avenida Eduardo Ribeiro, iniciando já na segunda-feira na Praça Antônio Bittencourt, mais conhecida como Praça do Congresso.

Matéria do jornal "Sob a responsabilidade da Secretaria de Estado de Cultura (SEC), o projeto, orçado em R$ 11 milhões para investimentos até outubro de 2012, será dividido em várias fases. A primeira etapa da obra, que começa na próxima segunda-feira, consiste no restauro da Praça Antônio Bittencourt. Nas três fases seguintes serão feitas a revitalização das fachadas do entorno da Praça, seguida da recuperação das fachadas da avenida Eduardo Ribeiro (trecho entre as ruas Monsenhor Coutinho e 24 de Maio) e da urbanização do entorno da Praça do Congresso (pavimentação, calçamento, rede elétrica subterrânea, instalações diversas e equipamentos urbanos) e implantação da via permanente e rede aérea do bonde no trecho entre as ruas 10 de Julho e 24 de Maio.



A quinta etapa envolve a fabricação e fornecimento de bonde elétrico de época, que deverá funcionar quando concluída a urbanização até a rua 24 de Maio. As próximas etapas incluem a revitalização e urbanização do perímetro da rua 24 de Maio a avenida Sete de Setembro e, na sequência, da avenida Sete de Setembro até o Porto de Manaus, também na área central de Manaus, com a ampliação da linha do bonde.


“Restaurar praças ou revitalizar ruas do Centro de Manaus representam mais do que uma simples obra de urbanização, significa o resgate da nossa história. Nossas crianças poderão futuramente estudar a nossa história em uma visitação ao Centro Histórico de Manaus, que muito nos revela sobre o nosso passado”, afirma o governador Omar Aziz".

Estou republicando uma postagem sobre esta praça. Vamos lá:

Esta Praça foi projetada no período áureo da borracha, chamava-se Praça Antônio Bittencourt, em homenagem ao homem que governou o Estado do Amazonas, no período de 1908-1912, depois, passou a chamar-se Praça do Congresso, em decorrência da realização do 1º Congresso Eucarístico da Igreja Católica, realizado no ano de 1942, ocasião em que foi erguido o monumento a Nossa Senhora da Conceição.

Foi a mais famosa e bonita de Manaus, pois foi exatamente naquele local em que o governador Eduardo Ribeiro, iniciou a construção de uma das mais belas edificações de Manaus, a futura sede governo estadual, o sucessor mandou derrubar e projetou um novo prédio, não conseguiu ir em frente, depois, fizerem um mais simples, onde funciona, atualmente, o Instituto de Educação do Amazonas (IEA). Existia também o Palacete Miranda Corrêa (atual edifício Maximino Corrêa) e o Prédio da Saúde (atual loja dos Correios), além de outro palacete, hoje ainda de pé, onde abriga a Biblioteca Municipal João Bosco Pantoja Evangelista.

No seu entorno fica o Ideal Clube, local onde a nata da sociedade manauense se encontrava para memoráveis bailes, além da Boite Moranquinho, onde somente os bacanas entravam. Existia também uma bela casa, pertencia ao empresário Moisés Sabá, foi derrubada e no local foi construído o Hotel Go Inn.

A praça em si não era tão bonita, não chegava aos pés da Praça da Saudade e da Praça Heliodoro Balbi, porém, todos os maravilhosos prédios em seu redor, formando um belo conjunto, davam um charme todo especial à Praça do Congresso, além dela ficar bem na cabeceira da famosa Avenida Eduardo Ribeiro, onde tudo de bom e de melhor acontecia.

Esta Praça faz parte da minha infância, adolescência e adulta. Estudei no Colégio Estadual Divina Providência, atual Faculdade da Uninorte; da janela da sala de aula presenciei a demolição do Palacete do empresário Miranda Corrêa, para construção de um espigão feio; segundo relatos da minha saudosa mãe, o meu bisavô trabalhou como carpinteiro na confecção das portas do Palacete.

Acompanhei também a demolição do Prédio da Saúde, construíram outro de mau gosto, para abrigar uma agência dos Correios. Alguns anos depois, fui estudar no Colégio Benjamim Constant, começaram as paqueras na praça e as rodadas de sorvetes na Lanchonete Pinguim; posteriormente fui estudar no Instituto de Educação do Amazonas, comecei a frequentar o Bar Pinguim, nesta altura do campeonato, já rolavam umas cervejas.

Fiz o terceiro grau na Faculdade de Estudos Sociais, ficava próxima a praça, todo santo dia passava por lá. Tive o privilégio de participar do comício em prol das eleições diretas para Presidente da República, em 1984, este movimento ficou conhecido nacionalmente como “DIRETAS JÁ”, no comando do Deputado Federal Ulysses Guimarães.

Tudo para mim girava no entorno daquela praça: nasci no Hospital da Santa Casa de Misericórdia; estudei em colégios e faculdade próxima da praça; divertia-me no Luso Sporting Club e no Clube Juvenil; bebericava e paquerava na praça; babava das festas promovidas pelos bacanas no Ideal Club; presenciava os desfiles de Carnaval, Sete de Setembro e Peladão; a minha formatura foi no Teatro Amazonas e casei na Igreja de São Sebastião.

A Praça do Congresso encontra-se, atualmente, abandonada, descacterizada, pichada pelos vândalos, quebrada, as saúvas tomaram conta dos canteiros, serve de dormitórios para mendigos, desocupados e de usuários de drogas. Mesmo com todo esse abandono, por parte da Prefeitura de Manaus, ela ainda é frequentada pelos estudantes secundaristas; nos finais de semana o pessoal do “heavy rock” toma conta do pedaço, além da turma destruidora do Skate e do Grafite; ainda existem barracas de vendas de comidas da culinária baiana e amazonense, além de ser o local preferido para manifestações e discursos de políticos. Aos domingos, um grupo de pessoas do bem, ligados o espiritismo, levam grandes panelas de Sopa de Legumes, distribuem para os moradores de ruas, levam também o conforto espiritual para os mais necessitados.

Não dá para entender o porquê do seu abandono, ela é histórica, está inserida no nosso cotidiano, é lamentável a omissão do atual Prefeito de Manaus. Era a Praça mais bela de Manaus, hoje, está feia, esquecida e abandonada!

Vamos acompanhar os trabalhos de revitalização – antecipadamente bato palmas para o governador e sua equipe. É isso ai.

BLOGDOROCHA: WALDICK SORIANO, UM ÍDOLO EM MANAUS.

BLOGDOROCHA: WALDICK SORIANO, UM ÍDOLO EM MANAUS.: Um baiano que ficou famoso na paulicéia desvairada e, foi ídolo de uma geração na manô de mil contrastes, cantando e encantando multidã...

domingo, 11 de dezembro de 2011

A MINHA CANOA SEM QUILHA

Existe canoa de todas as formas e tamanhos, porém, sem a quilha, o caboco pode remar, remar e remar, mesmo assim, apesar de todo o esforço empregado, não sairá do lugar onde está, ficará dando voltas e mais voltas em torno de si mesmo – sem esse pequeno leme fixo, que é colocado na parte inferior traseira dessa pequena embarcação, a pessoa ficará estacionada, da mesma forma quando não se tem objetivos firmes na vida – muitas pessoas (faço parte desse grupo) em alguns momentos afirmam ”a minha canoa não tem quilha nenhum, remei muito e, não cheguei a lugar algum!

Pois é mano velho, irei comentar um pouco sobre a canoa, a quilha, dos objetivos na vida e das remadas que não levam a lugar nenhum.

A nossa Amazônia é um mundo de águas, onde as estradas são os rios, com os barcos substituindo os carros – a canoa possui um significado todo especial para o amazônida (filho, descendente ou natural da Amazônia), por ser uma embarcação barata, serve em muito para o caboclo vencer pequenas distâncias.
A noção de espaço na nossa terra é diferente de outras plagas, em decorrência da imensidão do nosso Estado. Quando um caboclo diz “Vu bem acolá”, pode ter certeza que ele vai dar longas remadas de ida e volta – na cidade, as distâncias são marcadas pelos quilômetros marcados pelos automóveis, no interior, o ribeirinho o faz por horas de braçadas no cabo de um remo.


Num belo domingo, o caboclo resolve passear com a família: – Minha véia, arruma os troços e a curuminzada, vamos até a casa do cumpadre Marcão, na Costa do Marecão, serão duas horas de canua para chegar e duas para vortar!

A canoa é um patrimônio cultural que está sendo ameaçada de extinção, com a madeira sendo substituída paulatinamente pela fibra e alumínio e, o remo dando lugar ao motor de popa e de rabeta, perdendo, dessa forma, as tradições e conhecimentos milenares consubstanciado em cada barco regional.

As canoas não são mais construídas a partir de um tronco de uma árvore frondosa (herança dos nossos ancestrais indígenas). Alcançam em média uns 15 metros de comprimento, composta de cavername (conjunto das peças que dão forma ao casco da embarcação: quilha, roda-de-proa, cadaste, cavernas, longarinas, escoras, etc.) e costado (revestimento ou forro exterior), contando ainda com proa (detrás), cabina baixa, mastro curto, carangueija, retranca e, popa (parte da frente).

Para a canoa que desliza, calma e velozmente, quando a vibração do ar sopra na sua parte posterior (proa) e quando vai tudo bem na vida e nos negócios, faz sentido aquela frase “Ir de vento em popa”.

Todas essas peças são importantes, mas, a danada da quilha faz toda a diferença, sem esse pequeno pedaço de madeira – já era, meu irmão! Lembro-me da minha adolescência, quando gostava de pescar entre as boias (toras de madeiras) de uma serraria do bairro da Aparecida (acho que era a Serraria Mathias).

Certa vez, aluguei uma canoa velha, fiquei pescando numa boa, de repetente, começam a se soltar as toras que estavam amaradas no fundo do rio, foi um sufoco total, pois um tronco da madeira bateu exatamente na quilha, danificando-a. Dezenas de outros troncos estavam boiando, passante rente a minha canoa, caso uma batesse ao meio, o estrago seria total.

Acho que dei centenas de RPM - remadas por minuto -, mas, não saia do lugar, quanto mais braçadas dava no remo, mais a canoa rodava, o jeito foi pular dentro do rio, nadar entre as toras que boiavam a toda instante – abandonei os peixes, os apetrechos de pescaria e, a canoa velha sem quilha!


Penso que a minha vida continuou sendo uma eterna canoa sem quilha, pois estudei muito, feito um maluco beleza; fiz e conclui a duras penas a faculdade de estudos sociais; parei de estudar inglês e amazonês; tranquei o curso de Direito; fiz inúmeros concursos para ingressar na Administração Pública e, nada! Trabalhei durante muitos anos em assessoria em comércio exterior (prestador de serviços), sem direito a férias, décimo-terceiro, FGTS e o PL (o famoso “Pega Leso”, aquela “mereca” que os patrões dão aos seus colaboradores, como forma de participação nos lucros da empresa).

Remei, remei, remei sem parar, sem nunca ter saído do mesmo lugar. A minha sina será sempre como a velha canoa sem quilha? Acho que não, chega de desatino vou  consertá-la, colocar um calafeto novo, adquirir um remo e, chegar ao meu destino!

É isso ai, canoa sem quilha. Eu, hein!

Foto: J Martins Rocha (Canoa na Vila de Paricatuba)