quinta-feira, 30 de junho de 2011

FOTOGRAFIAS DE PARINTINS 2011


Fotos: J. Martins Rocha
Posted by Picasa

Blog da Floresta - O "caboco" respeitável do Igarapé de Manaus que não sabe atar rede

Blog da Floresta - O "caboco" respeitável do Igarapé de Manaus que não sabe atar rede

quarta-feira, 29 de junho de 2011

DIÁRIO DE VIAGEM

Para quem tem bala na agulha, pode usufruir das suas férias em lugares exuberantes, viajar para Orlando, Miami e Paris; curtir as praias de Salvador, Fortaleza e até mesmo de Alter do Chão, em Santarém; alguns preferem pegar a estrada e ir até a Isla de Margarita, na Venezuela (destino preferido pelos amazonenses); agora, a turma da lisura, na qual me incluo, o único jeito de viajar é pegar um barco regional e curtir as férias no interior do nosso Amazonas, vale a pena conhecer Maués, Novo Airão, Barcelos, Figueiredo, São Gabriel da Cachoeira, Parintins, dentre outros - este ano o diário de viagem é de Parintins.

Comprei um pacote, com direito a ida e volta, dormir com segurança no barco, som ao vivo, et cetara e tal. Fiquei empolgado, pois segundo o vendedor, o barco era imenso, com capacidade para duas mil pessoas, feito todo de ferro, com equipamentos dos mais modernos da indústria naval – sempre a gente cai no papo do vendedor, eles prometem mil maravilhas, tudo do bom e do melhor, quando chega a hora do vamos ver, tudo muda de figura.

Quinta-Feira:
Cheguei bem cedinho para “esticar a minha baladeira”, fui até o “Catamarã Rondônia”, um tipo de embarcação de passeio com dois cascos esguios, ele é considerado o maior navio do baixo Amazonas, estava aportado na famosa e abandonada “Manaus Moderna”.

No meio daquela “muvuca” encontrei o meu “brother” jornalista Jersey Nazareno, ele estava fazendo uma matéria para o “Blogdafloresta”, fez questão de me acompanhar até a embarcação, tirou várias fotos e, achou muita graça da minha cara, pois eu não tinha nem um pouco de jeito para amarar a rede, apesar de eu ser um caboclo da beira do rio, ainda bem que eu escolhi um lugar bacana, bem longe dos sanitários - não sou doido de ficar cheirando merda a viagem toda!

O dia prometia muito, pela primeira vez na minha vida, tomei um café da manhã bem diferente, fui convidado pelo “Naza” para comermos “Jaraqui Frito” com feijão, arroz, farinha grossa, pimenta murupi, tucupi e bastante guaraná Baré (êta ressaca brava!). No navio, recebi uma pulseira de identificação na cor vermelha, sacanagem dos caras, não colou muito com a minha indumentária, pois estava todo de azul e branco, na cor do meu boi Caprichoso, não ficou nada legal aquele negócio vermelho no meu punho esquerdo, com a cor do “contrário”, por questão de segurança, tive que engolir essa na viagem toda.

Entrei para valer no barco antes da três horas, uma hora antes da hora prevista para zarpar, fiz a minha parte, mas, uma parcela deixou para a última hora, foi um corre-corre danado, o barco pegou gente no Rodoway, parou várias vezes no meio do rio para receber os retardatários, conseguimos sair “dos vera” somente às seis da tarde. Quando estávamos curtindo aquele vento “paidégua”, paramos na primeira inspeção da Marinha do Brasil – desceu todo mundo, primeiros as mulheres, depois os homens, com os “xibius” para um lado e os “bilaus” para o outro, ficamos por duas horas em pé aguardamos a liberação do barco – mas, tudo é festa!

Passei parte da noite na área de lazer do barco, com muita cerveja e mulher bonita na área. Pense num som “escroto”, estavam se apresentando uma “banda” de péssima qualidade, a única coisa que salvava eram as dançarinas, o resto era “fuleiragem”. Peguei um “comercial” na janta, ao preço de dez pilas, a servente fez um prato com três andares, comi que nem um desgraçado, chegando a passar mal e, fui visitar pela primeira vez a privada. Antes da dez da noite resolvi dormir, simplesmente não encontrava a minha rede, fiquei perdido entre centenas delas, era gente saindo pelo ladrão, foi um sufoco total; quando a encontrei, estavam duas atadas em cima da minha, ainda bem que eram de duas beldades, já pensou você ter que aguentar a noite toda “pum” e ronco de macho, preferiria me jogar no rio!

Sexta-Feira:
Acordei de madrugada, não estava aguentando dormir direito, uma das beldades colocou os dois pés na minha cara, fui para a área de lazer, estava tudo calmo, apesar de ainda ter uma turma bebendo pesado, estavam querendo pegar o Sol com a mão. Paramos em Itacoatiara, a terra da pedra pintada, estou devendo uma visita aos amigos daquela bonita cidade. Próximo ao passadiço do barco estava um casal de idosos, a senhora lamentava muito, pois fazia muito anos que não via uma prima que mora naquela terra, entrei na conversa, para minha surpresa, ela me apresentou o seu marido, chama-se Carlos Alberto Cunha Bringel, parente do Sr. João Bringel, amigo do peito do meu pai Rochinha, quase que eu choro na hora. Passamos por Silves e Itapiranga, tinha um casal que conhecia todos os lugares que passávamos, apesar de estarmos na escuridão da noite do Rio Amazonas.

Tomei o café da manhã (pago, é claro!). Acho que caprichei no leite de vaca e ainda tomei um copázio de mugunzá, não sei o que contribuiu mais para eu correr novamente para a privada. Fiquei invocado, tudo que batia na barriga, saia pela tangente – um baixinho falou: - Toma logo uma cerveja que ela vai estancar! Dito e feito! Tomei um tanque de cerveja, peguei sol, tomei banho de chuveiro, comecei a gostar da “banda” escrota e, esqueci de almoçar o meu comercial. A barriga ficou maneira (por hora!).

Terra à vista! Apareceu ao longe a torre da Catedral da Nossa Senhora do Carmo, foi um corre-corre total, a negada em peso desatando as redes, todos iria ficar em alguma casa em Parintins, fiquei meio atordoado, pois ficaram apenas algumas pessoas em suas redes.

Fiquei na minha, coloquei a camisa do Caprichoso, tênis e bermuda, visitei o novo Porto de Parintins, deu um pulo no Mercado Municipal, tomei uma Sopa de Mocotó, passei pelo “Chapão”, entornei algumas, peguei um “Triciclo” e rumei para o “Bumbodrómo”, tirei dezenas de fotografias, tomei cervejas e, entrei na “Galera” do meu boi bumbá.

O primeiro a entrar na arena foi o Boi Garantido, eu estava cansado, sentei e adormecei, somente acordei com a “Maruja da Guerra”, curti de montão o meu boi, porém, antes de terminar a apresentação, a minha barriga começou a roncar, corri novamente para a privada, voltei mais duas vezes, não estava mais aguentando, peguei um triciclo de volta para o barco. Mano velho, o bicho pegou, mudei a minha rede para frente do sanitário, dei um nó errado, cai no chão, não cheguei a me machucar.

Sábado:
Sem chance de ser feliz! Vim de tão longe para ver o meu boi, mas, alguma coisa afetou o meu estômago, tive que passar vinte e quatro horas dentro do barco, hora em hora correndo para a privada, ainda tive febre a noite toda. Um caboclo vendo a minha situação, deu logo a receita: - Pega um copo com coca-cola e bota um sonrisal, toma de uma vez, é bater e ver! Posso ser doido, mas não sou leso! À noite, fui até a área de lazer para ver o show pirotécnico dos bois e, nada mais! Acabou o festival para mim!

Domingo:
Bem cedo, fiz um esforço e fui até a Catedral da Nossa Senhora do Carmo, fiz as minhas oraçoes, depois, subi 162 andares da torre da igreja. Liguei para os meus familiares, fui aconselhado ir a um posto médico, peguei um “MotoCar”, um novo tipo de veículo urbano que está pegando no Amazonas, fui até o Pronto Socorro Emilia Cohen, fui atendido por um médico novinho, com sotaque de sulista, nem olhou para a minha cara e foi logo detonando: - O senhor está com infecção intestinal, vai ter que tomar Bacteracin + Reidrante Oral + Buscopan. Tudo o que eu ia gastar com comidas e bebidas tive que direcionar para remédios, água mineral, frutas e papel higiênico.

Segunda-Feira:
Mais um dia torturante, o barco estava previsto sair somente às dezessete horas, passei a manhã e a tarde intercalando entre a rede e a privada. Para complicar, o meu boi perdeu! Joguei a toalha, liguei para a digníssima, peguei um ralho, mas, fui resgatado pela minha família, fui colocado num avião Embraer da Trip, viajei as oito e meia da noite para Manaus, para completar, vinha a minha frente o Tony Medeiros, Amo do Boi Garantido, o cara passou três noites sacaneando na arena com o Boi Caprichoso.

Em pleno vôo, prometi que nunca mais iria ao festival dos bois, estava enjoado de tudo aquilo, nada mais de bebidas e, viagem de férias para o interior. As minhas tinham sido literalmente uma “caga”! Pretendo nas próximas férias ir para Alter do Chão ou Fortaleza, espero não mudar de idéia e fazer todo de novo em Parintins! Eu, hein!

terça-feira, 21 de junho de 2011

NESTE ANO “EU VOU LEVANTAR A MINHA BANDEIRA”.

Para quem é do ramo, ou seja, aquela pessoa que mora ou conhece o Amazonas, sabe muito bem o significado do nome do meu texto, pois, ele foi tirado da letra de uma conhecida toada (música) do Boi Caprichoso de Parintins “Eu vou levantar a minha bandeira/E cair na brincadeira/E ninguém vai me segurar”. O pessoal do Boi Garantido também ajudou “Neste ano eu vou pra minha ilha meu amor/Vou de canoa, a pé, de bubuia, no leme da embarcação/Vou até de asa dura”. Pois é, mano velho do peito - estou pensando seriamente em ir a Partintins. Quase tudo está remando a favor, estou de férias, com um pouco de “din-din" nos bolsos e, liberação total da “Dona Encrenca”; somente o que pode dar “capim na palheta” é o estado de saúde da minha caboquinha Maria Eduarda, mas, ainda tenho tempo até quinta-feira para decidir, inclusive, estive hoje na “Manaus Moderna”, local de atracação dos barcos que partirão para Parintins, com a sua grande maioria saindo amanhã; consegui fazer uma reserva para o “Barco Catamarã Rondônia”, com saída às quatro horas da tarde de quinta-feira, este barco é todo de ferro, oferecendo mais conforto e segurança, itens não muito levados à sério pelos proprietários dos barcos regionais, feitos, na grande maioria, de madeira. Todos os barcos estão tendo uma fiscalização muito rígida por parte da Capitania Fluvial da Amazônia Ocidental, os militares estarão com postos de fiscalização em Manaus, Itacoatiara e Parintins, além de contarem com navios, lanchas e até helicópteros da Marinha do Brasil. Quem não se adequar, vai dançar embaixo do boi! A viagem dura a noite toda, ao som de forró/brega/boi, além de muita gelada no gogó; bem cedo da manhã será servido um café regional. Depois, vale à pena ficar contemplando a nossa Amazônia, com 98% das nossas florestas preservadas, além do majestoso Rio Amazonas, o maior rio do planeta Terra. O comandante do barco vai mandar colocar na velocidade máxima, pois, eles não vão querer servir o almoço para a “cobocada”, com a previsão da chegada em Parintins para antes do meio-dia. Pela dimensão do barco, ele ficará ancorado no novo Porto de Parintins, recentemente reformado, o Ministro dos Transportes Alfredo Nascimento injetou a bagatela de R$ 9,3 milhões para aumentar a sua capacidade de atracação e elevação do piso, pois a estrutura anterior foi para o fundo na grande enchente de 2009, os parintinenses chamavam de “Porto de Submarino”, é mole! Se não der certo a minha ida, ficarei na saudade, quem sabe no próximo ano, o jeito será assistir a transmissão pela TV Bandeirantes. Caso positivo, serão três dias na ilha, com inúmeras opções de lazer durante o dia, não irei dispensar andar de triciclo e moto-taxi, detonar várias “caldeirada de Bodó”, visitar a Catedral de Nossa Senhora do Carmo (para ela interceder na cura da Maria Eduarda), frequentar os Curais dos Bois Caprichoso e Garantido, passear de barco no Lago Macurany, tirar fotos da beleza dos prédios antigos e, apreciar a beleza das cunhãs-porangas (as mulheres mais bonitas) da cidade. À noite, ficarei na galera do Caprichoso e, vou levantar a minha bandeira azul e branca do meu boi do coração. Eu, hein!

sexta-feira, 17 de junho de 2011

TUDO PODE ACONTECER NO FESTIVAL DE PARINTINS

Que não se lembra daquela famosa vidente paulista, conhecida como “Mãe Dinah”, pois bem, a dita cuja fez um tempo atrás, uma previsão que a Ilha de Parintins iria afundar, muita gente foi na conversa fiada da auto-intitulada “sensitiva e intuitiva com percepção extra-sensorial” e deixou de assistir ao festival dos bois


O lance é o seguinte: todo ano a cidade de Parintins entope de gente, vem neguinho de todo canto do Brasil, chega facilmente à casa de cem mil turistas no mês de junho, com a ilha de Tupinambarana tomada de gente de “cabo a rabo” e, a Dona Dinhah previu que iria afundar e seria tomada pelas águas do gigante Rio Amazonas, foi a maior mancada, previsão furada, os parintinenses largaram o “pau” na sensitiva, virando motivo da chacota por muitos anos.


O Rocha (meu xará) é um bem sucedido corretor de imóveis, ele é pernambucano de nascença e amazonenses de coração, o “cabra da peste” era chegado a um rabo de saia e aos bois de Parintins, certa vez, chegou até a sua digníssima esposa e mandou ver: - Meu amorzinho, vou passar uma semana no interior, tenho alguns negócios para fechar em Maués, antes, vou deixar a motocicleta na revisão, ta bom querida? Ela foi no papo do cara, ele simplesmente colocou a moto num porão de um barco e rumou para Parintins, em companhia de uma “cunhã” da melhor qualidade.


Em Parintins, botou para passear com a sua motocicleta de mil cilindradas, com a sua namorada na garupa, mostrando o seu bumbum empinado, deixando muita gente de água na boca! Ao passar pelo “Xapão”, um reduto dos torcedores do Boi Caprichoso, estava por lá o governador Amazonino Mendes, dando uma entrevista para um canal televisão, o Rocha era amigo do peito do “Negão”, chegou bem perto e cumprimentou o homem, mal ele sabia que estava sendo filmado, não deu outra: o Rocha apareceu no jornal televisivo de Manaus, na parte da manhã, da tarde e da noite.


Uma amiga da sua esposa do Rocha ligou para ela e entregou o jogo, pediu para ela ligar a TV, ela quase que teve um infarto ao ver o bonitinho todo bronzeado, na moto e tendo abordo aquele monumento de mulher, ela teve de engolir toda aquela traição. Naquele tempo, o celular não pegava em Parintins, o Rocha foi até um “orelhão” e ligou para a patroa: - Oi, meu amor, estou com uma danada saudade de você, estou numa tremenda solidão aqui em Maués, que falta que você faz! Ela respondeu: -  Vá meter a tua solidão no teu toba, seu filho de rapariga, Maués ó caralho, todo mundo tá vendo na televisão, pode ficar em Parintins com a tua nega, a tua mala já está preparada!


Aí o bicho pegou para o meu xará, ele botou a moto num barco, pegou um avião e se mandou para Manaus, não teve jeito, ele teve que morar por seis meses num “Apart Hotel”. Foi perdoado pela sua senhora, ele vendeu a moto e jurou de pés juntos que nunca mais iria atrás de um rabo de saia e muito menos ir à Parintins. Não sei se ele quebrou o juramento!


É mano velho, em Parintins tudo pode acontecer, já vi até boi voar! Eu, hein!

quinta-feira, 16 de junho de 2011

PRIMEIRA CORRIDA PEDESTRE RUY LINS


O nosso blog tem o imenso prazer em divulgar para os nossos leitores, a Primeira Corrida Pedestre Ruy Lins, promovida pela Superintendência da Zona Franca de Manaus-SUFRAMA, pois, além de promover uma melhor qualidade de vida para a nossa comunidade, presta uma honrosa homenagem ao Dr. Ruy Lins, um grande administrador público. Segundo o site http://www.suframa.gov.br/  o evento tem o seguinte objetivo:

“Objetivando melhor condicionamento e maior qualidade de vida. Com vistas a promover o bem-estar, estimular a criatividade, reduzir o número de doenças e promover a saúde dos seus servidores e colaboradores, bem como da comunidade no geral. A corrida presta uma justa homenagem ao exsuperintendente Ruy Alberto Costa Lins (1934-2010), que, dentre vários feitos de destaque, foi responsável pelo início da expansão do Distrito Industrial de Manaus e pela ampliação da presença da Suframa nos demais Estados da Amazônia Ocidental. Em sua gestão (1979-1983), a Suframa construiu ainda o Campus da Universidade do Acre, implantou os distritos industriais de Rio Branco/AC e Boa Vista/RR, construiu o mini-campus da Universidade do Amazonas, criou a Fucapi (Fundação Centro de Análise, Pesquisa e Inovação Tecnológica), estimulou a criação do Centro das Indústrias e da Associação dos Exportadores da ZFM, instituiu o Fundo Comunitário das Indústrias da Zona Franca de Manaus (Funcomiz), fundou o Consórcio do Distrito Industrial (Condin), para administração e conservação do Distrito e da Exposição Permanente dos Produtos da Zona Franca de Manaus, um showroom de tudo o que era produzido no parque industrial local, onde hoje funciona o Cecomiz, e criou, em 1982, os Prêmios Suframa de Jornalismo, História, Literatura e Artes Plásticas. A 1ª Corrida em homenagem a esse grande
administrador do nosso Estado será realizada no dia 10 de julho de 2011 com três percursos (três, seis e doze quilômetros) tendo como público a “SUFRAMA”, o “Distrito Industrial” e a Comunidade em Geral”.

Todos estão convidados para o evento, irei fazer a minha inscrição para os três quilômetros, não sei se terei pique para chegar até a reta final, mas, vale a pena tentar. É isso

terça-feira, 14 de junho de 2011

BOIZINHOS DE PANO DE MANAUS

Estamos no mês de Junho, época de folquedos de São João: Danças, Quadrilhas, Quentão, Fogueiras, Comidas Típicas e Brincadeiras de Boi de Pano. Pois é, ao ouvir a canção “Garrote de Ouro”, umas das faixas do CD “O Lago das 7 Ilhas”, do músico amazonense Antônio Pereira, lembrei dos nossos antigos boizinhos de pano.

A cidade de Manaus nas décadas de 50, 60 e 70, possuía uma grande variedade de bois, a brincadeira era muito apreciada pela população.

Os principais eram: Corre-Campo (São Francisco), Malhado (Praça 14), Mina de Ouro (não sei o bairro ), Tira Prosa (Santa Luzia), Campineiro (Glória), Luz de Guerra (Matinha), Brinco de Ouro (também não sei ), Rica Prenda (Praça 14) e Caprichoso (Praça 14).

A brincadeira era formada pelo Boi de Pano, Batucada do Boi (os surdos eram de couro de jibóia), Amo do Boi, Rapazes, Brincantes, Vaqueiros, Miolo do Boi, Índios, Pajé, Padre, Mãe Catirina e Pai Francisco.

As apresentações eram feitos nos Currais, lugar de origem dos bois e, no Campo do General Osório e posteriormente na Bola da Suframa (Distrito Industrial), estes locais serviam para apresentação oficial, concorrendo aos prêmios do festival.

O enredo da brincadeira é basicamente assim: Uma mulher negra, chamada Catirina, fica grávida, tem o desejo de comer a língua do Boi mais estimado da Fazenda; o seu marido, o Pai Francisco, mata o Boi para satisfazer a sua esposa grávida. O Amo do Boi, dono da Fazenda, fica furioso e após uma investigação descobre o autor da façanha. Força o Pai Francisco a trazer de volta o seu boi querido. Entram em ação o médico, o padre e os índios, com o Pajé fazendo ressuscitar o Boi. O Amo manda fazer uma grande festa para comemorar o milagre, todos são convidados para dançar e brincar no terreiro da Fazenda, com muitas toadas (cantoria) e batuques a noite toda.

Lembro de um causo, narrado pelo compositor Afonso Toscano, foi mais ou menos assim: o miolo do boi do Garrote Luz de Guerra, do saudoso Maranhão, era um negão que trabalhava nos Correios, considerado o melhor do pedaço, tinha uma destreza incomum com o boi de pano. Num belo sábado quente de Manaus, “secou” todos os botecos da Matinha, não era por menos que o seu apelido era "Secaboteco", estava tão porre que não se aguentava mais em pé, imaginem dançar embaixo do boi! Naquele dia, o boi iria se apresentar na Bola da Suframa, o miolo foi tratado com bastante água de coco, sucos, banhos de cacimba, sono reparador e "Sal de Fruta Eno"; melhorou bastante, dava para o gasto. Toda a turma foi à pé para o festival; no caminho, o negão começou a tomar umas batidas de maracujá, não deu outra: voltou o porre. Quando chegaram no local da apresentação, estava no palco o grupo folclórico "Tribo dos Andirás"; o miolo aproveitou o tempo de espera para tomar mais uns goles. O Paulo Gilberto, eterno apresentador do festival, fez a chamada: Eeeaaagoora com vooocês, é ele, é ele, é elê, ooo Gaarrrrooote Luuuuzzz de Gueeeerrrra! Fogos estourando, a noite virando dia, tambores rufando e a galera delirando! Todos os componentes subiram a rampa do Tablado, que era feito de madeira, na forma cilíndrica e com três metros de altura; o miolo foi ajudado pelos colegas, ficou bem no meio da arena, não conseguiu manter o boi em pé, resolveu dormir embaixo do boi, em plena apresentação. O Amo do Boi foi acordá-lo - deu umas bicudas no boi e gritou: - Acorda, negão, acorda, negão! Movimenta! Gira! Dança! Porra! Faz alguma coisa caralho! O negão se levantou, girou com o boi e correu direto, passou do Tablado, voou uns três metros e meio, foi direto para o chão! Foi "caco" de boi e do negão para todos os lados! O Boi Luz de Guerra passou a ser chamado pelos manauenses de “O Primeiro Boi Voador de Manaus”! É pouco ou quer mais?

Passados todos esses anos, ainda temos em Manaus a brincadeira de boi de pano, com o " Brilhante", do bairro de São José, "Garanhão", de Educandos e "Corre-Campo", de São Francisco, pena que eles aderiram a “batida” e a megalomania dos bois de Parintins (Caprichoso e Garantido); disputam, atualmente, na arena do Centro Cultural dos Povos da Amazônia.

Saudades dos boizinhos de pano de Manaus, do Estádio General Osório e do Tablado da Bola da Suframa! É isso.

Comentários:

Afonso Hipólito, disse...
Bacana o blog, vim parar aqui por um erro bobo,cliquei errado mas acertei,vou voltar aqui com tempo pra dar uma lida no aquirvo,gostei mesmo...

Roberto Góes Monteiro, disse...
Em 1969 assisti ao "Festival Folclórico" na praça General Osório. Era patrocinado, salvo engano, pelo falecido "O Jornal", dirigido pela Dona Lourdes Archer Pinto. Fiquei fascinado pela beleza desta festa. Enquanto foi na General Osório, sempre lá ia e tirei cententas de slides. Despois, mudou-se para a Bola da Suframa. Ainda existe o Festival? Sinto saudades.

Mauro Bechman ,disse...
Parabéns! Brinquei no Garrote Malhado da Praça 14 e tenho belas lembranças. Lamento os manauaras não lutarem pela preservação e continuidade de sua cultura. Brinquei nos anos 80 na Bola da Suframa. Infelizmente nós escrevemos pouco sobre nossa cultura e temos um péssimo vicio de lamentarmos pelo que perdemos. Sou efetivamente contra a "Parintinização" dos bois de Manaus. Se fôssemos mais briosos - falo da nossa elite econômica e política - não deixaríamos nossa cultura sucumbir. Temos ainda a chance de preservar o encontro das águas. Parabéns pelo post e pelo blog! Saudações Geográficas e Amazônicas!

Ana Cláudia Ayres Vasconcelos disse...
Quando criança, morava no Bairro da Raiz,e a nossa maior alegria era na época de festas juninas, quando o Corre Campo entrava no bairro. Que colorido!!! Era um misto de alegria e extase, quando eles faziam as apresentações. Lembro perfeitamente da riqueza cultural, das toadas e como dançavam lindo!!! Bons tempos aqueles, da ternura, poesia e inocência.......


Foto: Não sei o nome do Boi de Pano, foi tirada na década de setenta, o local é a Rua Igarapé de Manaus, no lado direito aparece o Bira (calção verde e camiseta regata), um bicheiro carioca que bancava todas as festas juninas no Igarapé de Manaus e, o meu saudo pai Rochinha (todo de branco), foi um luthier famoso na nossa cidade.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

CIDADE DE CODÓ

O município de Codó fica na parte leste do Maranhão, a cidade é cortada pela BR-316 e pela linha ferroviária que liga São Luiz-Teresina, foi um grande produtor de algodão no Brasil colonial, tendo como característica arquitetônica seus casarões e armazéns antigos; o carnaval é a sua principal festa, muito animado e sem violência; as pessoas que nascem nesta cidade são chamadas de codoenses.

A nossa cidade de Manaus recebe de braços abertos todos os codoenses, existe aqui uma colônia muito grande de maranhenses, por sinal, recebi das mãos do meu amigo Rony de Souza Meneses (codoense e empresário do ramo de embalagens plásticas) um exemplar da “Folha Popular”, um informativo de Codó, editado pelo Jonas Filho.

Neste informativo existe uma coluna do Professor Carlos Gomes (membro fundador do Instituto Histórico e Geográfico de Codó – IHGC), ele escreve sobre a história da cidade e, na edição de 07/15 de maio de 2011 descreve sobre os codoenses famosos. Vamos conhecê-los:

Alcenor Duallibe Garcia (Alex Brasil) - Nascido a 28 de dezembro de 1954, no povoado Santo Dumont (Saco). Jornalista e Radialista pela Universidade Federal do Maranhão. Autor de várias obras publicadas, dentre elas: Planeta Vermelho, Idade do Ouro, O Sonho Deve Continuar. Escritor Modernista, participativo dos problemas sociais que afetam à população brasileira. É membro da Academia Maranhense de Letras, ocupante da Cadeira no. 30, que tem como Patrono Teixeira Mendes.

Ambrósio Amorim - Nasceu no interior de Codó, em 1922, descendente de família humilde. Artista plástico, sua primeira exposição aconteceu em 1946, no seguinte, participou do II Salão Arthur Marinho e, em 1950 é agraciado com a Menção Honrosa do I Salão da Sociedade de Cultura Artística do Maranhão. Criador da logomarca do Guaraná Jesus. Patrono da cadeira no. 1 do IHGC. Faleceu em 2003, aos 81 anos de idade.

Clodomir Teixeira Millet – Nasceu em 17 de agosto de 1913. Médico e político. Foi Deputado Federal pelo PSP em 1950 e Senador da República em 1966, pela ARENA.

Manoel Felício Pinto – Nasceu em 1896, no sitio Brandão. Magistrado, escritor e poeta. Bacharel em Direito, pela Faculdade de Manaus (1918). Exerceu a magistratura no Amazonas, Maranhão e Piauí. Escreveu “Frutos Verdes e Floresta Lírica”, “Jardim de Flores” e outros.

Filomena Catarina Moreira – Nasceu em 25 de novembro de 1896. Primeira professora normalista a atuar profissionalmente, dirigiu o Grupo Escolar Colares Moreira.

O melhor governador que já tivemos em todos os tempos, chama-se Eduardo Ribeiro, um maranhense que deu toda a sua inteligência e garra para o progresso da cidade de Manaus e do Amazonas - seremos eternamente gratos a ele e aos maranhenses. É isso.

sexta-feira, 10 de junho de 2011

CARAPANÃ DANDO NA CARA QUE NEM PAPEIRA!

O carapanã é o termo conhecido na Amazônia para definir o mosquito e, a papeira é igual à caxumba, aquela infecção das glândulas salivares, então, para quem não é da região norte, o nome do nosso texto significa o local onde existem mosquitos em grandes quantidades e, ficam perturbando desde o dedão do pé até a cara do caboclo! Pense num aperreio!

Pois é, mano velho, certa vez, fui convidado para a inauguração de um “Barracão do Foró”, numa comunidade chamada de “Caldeirão”, no município de Iranduba/AM, no beiradão do Rio Solimões.

Para quem não sabe ou não é do ramo, o danado do carapanã não gosta muito do Rio Negro, pois a acidez das suas águas pretas geralmente impede a sobrevivência das larvas do mosquito, agora, nas águas brancas do Rio Solimões “o bicho pega com força”, misturando, ainda, com os “piuns” e “meruins”, não tem um sacristão que consiga dormir direito.

Fui numa caravana de carros, em companhia de uma turma de colegas de trabalho, na época, eu trabalhava numa fábrica do Distrito Industrial, alguns deles possuíam parentes na comunidade.

Chegamos bem cedo, encontramos uma casa abandonada, com mato para todos os lados, fizemos uma faxina geral e, montamos o nosso “QG” no local, para nossa surpresa, encontramos na cozinha dois “pés inchados”, eles forçaram a barra e fomos obrigados a “alugar” a casa em troca de quatro garrafas de cachaça, a branquinha “marvada”, conhecida também como “veludo no gogó”, credo!

O dia transcorreu numa boa, com banhos de rio, peladas no campo de várzea, bastante peixe assado na folha da bananeira, muito forró e cerveja até o tucupi!

Quando chegou à noite, a coisa toda mudou, corri para tomar banho pelado no rio, fiquei “de bubuia”, ou seja, na flor d'água, para driblar as carapanãs, não teve jeito, as diabas chegaram em “nuvem”.

Corri para o abrigo do meu barraco, passei repelente em todo o corpo, vesti uma meião até os joelhos, calça e camisa compridas e um casaco de frio, não teve jeito, elas entravam mesmo assim.

Tomei uma dose de pinga e fui para o forró, na entrada do barracão o porteiro me deu umas carimbadas, fiquei parecendo um boi marcado, depois, fui informado que era uma forma de controle, pois eu poderia sair e voltar para o barracão sem pagar novamente o ingresso.

Parti pra cima de uma cabocla gostosa, ela exalava aquele famoso perfume de “patchouli”, fiquei logo arretado, não tinha a mínima ideia como tirar uma mulher interiorana para dançar, mesmo assim, fui buscar no fundo do baú, mandado logo ver:

- A senhorita, me dar o prazer desta contradança? Ela respondeu: - Vixi! Fiquei um pouco desconcertado, dei um tempo e, partir novamente: - Vamos dança esta parte? Ela: - Vixi! É agora, José? Parti para o ataque final: - Olha aqui gatinha, vamos remexer os esqueletos, botar no toco, dançar até o Sol raiar, colar o cabo do meu remo na tua coxa, topa? Ela: - Vixi!

Sem chances para o garotão da cidade, o jeito foi pegar umas dicas com o dono do barracão, o cara simplesmente me mandou ficar perto de uma “cunhã” e ficar observando como é feito o pedido para dançar – chegou um cabocão e mandou o recado:

- Quer já? Ela respondeu: - Então, engata já! Porra, tão simples assim? Não deu outra, parti pra cima da minha caboquinha, fiz o pedido conforme a moda da casa, ela aceitou e, dançamos forró até depois da meia-noite, encostei o meu bigode no ouvido dela e botei para roçar o cabo do meu remo na “perseguida” dela – foi massa, tinha até esquecido das carapanãs desgraçadas!

A minha turma tinha montado um motel ambulante, ficava dentro de um fusquinha, a vez era tirada no par ou ímpar, primeiro, dei um banho de gato na cabrocha, fiz a dança do acalasamento e, entramos no “Fusca Motel”, com a companhia de duas centenas de carapanãs, sem falar nas três centenas que já estavam lá dentro. Pense num sufoco!

Voltei para o meu QG, atei a minha rede de dormir, quem disse que eu consegui pegar no sono, com milhares de carapanãs tocando violino no meu ouvido.

Fui para a cozinha, fazer companhia para os “pés-inchados”, contamos “lorotas” o resto da noite, tive que tomar muita pinga para ficar sedado e não sentir as picadas das carapanãs.

Quando consegui dar um cochilo, fui acordado com o canto de um Galo, ele batia as assas e detonava “Tem carapanã prá ca-ra-ra-ra-ra-lho!”. Imaginem, até o galináceo não estava aguentando!

Pela manhã fui ver o prejuízo, estava todo empolado e furado até o saco, arrumei as malas e zarpei para Manaus. Chega de carapanã dando na cara que nem papeira! Eu, hein!

quinta-feira, 9 de junho de 2011

FESTA NO INTERIOR

O Estado do Amazonas possui uma enorme diversidade cultural, difundida, principalmente, através de muita “festa no interior”, tendo como maior expressão o “Festival Folclórico de Parintins”, “Festa do Guaraná e Verão de Maués”, “Ciranda de Manacapuru”, “Festa do Cupuaçu de Presidente Figueiredo”, “Festival da Canção de Itacoatiara”, “Festejos de Santo Antônio de Borba”, “Festa Tribal de São Gabriel da Cachoeira” e da “Festa do Peixe Ornamental de Barcelos”, para complementar, a cidade Manaus realiza as seguintes festas: Festival de Ópera, Festival do Teatro, Festival de Jazz e Festival de Cinema, Carnaboi, Festa do Tururi, Festival Folclórico de Manaus, Boi Manaus, Bar do Boi e muito mais.

 

Parintins - cidade da margem direita do baixo Amazonas, distante 370 km de Manaus, por via fluvial, realiza no mês Junho um dos mais belos espetáculos do nosso Brasil, conhecido mundo afora, trata-se do “Festival Folclórico de Parintins”, com três dias de muita festa em toda a cidade, com os Bois “Garantido” e Caprichoso” se enfrentando no Bumbódromo (uma arena, projetada como uma cabeça de boi).

Maués - com uma distância de 356 km de Manaus, considerada como uma das cidades mais belas do Amazonas, conhecida como a cidade do guaraná, em decorrência disso, a cidade realiza a “Festa do Guaraná”, no mês de Dezembro, além disso, a cidade possui as mais bonitas praias da Amazônia, tanto que eles realizam o “Festival de Verão de Maués”, evento acontece na semana da pátria.

Manacapuru - conhecida como a “Princesinha do Solimões”, faz parte da Região Metropolitana de Manaus, ligada a capital pela Ponte Manaus/Iranduba, realiza no mês de agosto um grandioso espetáculo conhecido como “Ciranda de Manacapuru”, com apresentações da “Flor Matizada”, “Guerreiros Mura” e “Tradicional”, elas se apresentam no “Cirandódromo” (local construído especialmente para as apresentações dos cirandeiros).

Presidente Figueiredo - conhecida como a “Terra das Cachoeiras”, fica próximo a cidade de Manaus, ligada pela BR-174 (Manaus/Boa Vista), o nome foi em homenagem ao primeiro presidente da província (Estado) do Amazonas. Faz uma belíssima festa no mês de Maio, denominada “Festa do Cupuaçu” - uma fruta que é bastante cultiva nesta cidade – a festa é muita apreciada pelos jovens de Manaus, pois os organizadores sempre trazem artistas e bandas de renome nacional.

Itacoatiara - conhecida como “Cidade da Pedra Pintada”, distante 269 Km de Manaus, ligada pela AM-10, no mês de Setembro acontece uns dos maiores festivais da canção da região norte, o “Festival da Canção de Itacoatiara – FECANI), recebe inscrições de todo o Brasil, sendo selecionadas em torno de trinta canções para o evento.

Borba - fica no Rio Madeira, distante 150 km de Manaus, realiza no mês de Junho os “Festejos de São Antônio”, considerada uma das maiores festas religiosas do Estado do Amazonas, atraindo milhares de romeiros todos os anos.

São Gabriel da Cachoeira - fica no extremo do Amazonas, no Alto Rio Negro, com 852 km de distância de Manaus, a maioria da sua população é composto por índios, com o evento “Festribal” acontecendo no mês de Abril, com o comando das tribos “Barés” e “Tukano”.

Barcelos – foi a primeira capital do Amazonas, considerado o segundo maior município brasileiro (em extensão), fica no Rio Negro, distante 656 km por via fluvial – o lugar é propício para a pesca do Tucunaré e dos peixes de “aquário”, em Janeiro é realizado a “Festa do Peixe Ornamental”, com o comando dos peixes “Acará Disco” e “Cardinal”.

Manaus – capital do Estado do Amazonas - possui apenas 12 km de extensão, mas, com uma enorme concentração de pessoas e de rendas – realiza um grande número de festivais, ou seja, quase todo mês acontece um.

Como podem ver acima, o Estado do Amazonas é muito festeiro, com eventos o ano todo – os brasileiros tem o dever de conhecer o seu país, viajar mais, conhecer mais, respeitar mais a sua cultura e o seu povo. É isso.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

ANTIGA MORADORA DA RUA DR. MOREIRA, 250, CENTRO DE MANAUS

O nosso blog recebe muitos e-mails de pessoas que moram longe da nossa cidade, são pessoas que resolverem morar em outras plagas e nunca se esquece da sua querida Manaus. A correspondência abaixo foi enviada pela Márcia Rosana Reis Pinto, filha de uma conterrânea nossa, antiga moradora da Rua Dr. Moreira, numero 250, cento de Manaus.

Prezado José,

Em primeiro lugar, quero lhe parabenizar por seu excelente blog! Sua iniciativa é fantástica e os arquivos são muito interessantes! A biografia de seu pai é fantástica!

Vou lhe contar como tive a grata surpresa de encontrá-lo. Minha mãe é uma senhora manauense de 87 anos (nasceu em 31/10/1924) e, que há 64 vive em Belém. Apesar de tanto tempo longe de sua terra natal, A-M-A Manaus e não permite que ninguém fale mal da cidade, tampouco de seus conterrâneos. É uma figura minha mãe, super lúcida, altiva, além de muito espirituosa!

No ano passado, a presenteamos com um computador e agora a ajudamos a desfrutar das maravilhas do mundo virtual. Foi pesquisando sobre Manaus que chegamos a seu blog, em especial, porque lhe chamou atenção (de minha mãe) o nome de uma pessoa que afirma conhecer: Arminda Mendonça de Souza. Comenta minha mãe que ela supostamente seria filha da senhora Carmélia, amiga de minha mãe. Tentamos chegar ao email dela para confirmar essa informação, mas não conseguimos. Se você puder nos ajudar nisso, ficaremos eternamente gratos.

De repente, você conhece a família de minha mãe. Ela é filha da D. Florinda Reis e Emílio Reis e viveram anos na Rua Dr. Moreira, 250, no coração de Manaus. Meu avô tinha um restaurante que se chamava Mimosa. Minha mãe, saiu de lá, em 1947, mas minha tia - irmã dela -, D. Leonor Arruda viveu lá até uns 3 a 4 anos atrás. Hoje, aos 92 e igualmente lúcida, sente muita saudade do lugar onde viveu toda a vida.

Tia Leonor, foi casada com o Sr. Godofredo Arruda, e teve um único filho, Luis Frederico Arruda, que creio, é vice-reitor da UFAM. O filho dele, Alexandre Arruda, tem um cursinho de preparação ao vestibular famoso em Manaus.

Chamou-nos atenção na biografia de seu pai, a menção a um “Arruda”, na casa de que seu pai havia residido quando chegou do Ceará. Teria alguma relação com a família de meu saudoso tio Godofredo, cuja família era cearense?

Bom, prezado José, espero poder seguir em contato com você. Meu nome é Márcia Rosana Reis Pinto Martins e espero que os próximos emails já sejam escritos a você por minha mãe. marciarpm@gmail.com  

O nosso blog é de resgate, por consequente, publicamos cronicas, contos, causos, biografias, fotos antigas e atuais das cidades da região norte, e-mail dos nossos leitores, enfim, tudo o que podemos publicar para valorizar o nosso passado e presente. É isso.  

Foto: J. Martins Rocha

terça-feira, 7 de junho de 2011

IGARAPÉS DE MANAUS E BITTENCOURT

Posted by Picasa


Muito antes da “Manaus Moderna”, na enchente do nosso majestoso Rio Negro, ele entrava e inundava vários igarapés da nossa cidade, obrigando aos administradores públicos a construírem as seguintes pontes: Romana I (Igarapé de Manaus) Romana II (Igarapé do Bittencourt) e Benjamin Constant (Igarapé do Mestre Chico). Na foto antiga, mostra o entroncamento dos três, foram em parte aterrados em decorrência da construção da Avenida Beira Rio, fizeram uma grande barragem, impedindo a entrada das águas do Rio Negro, pois a ideia inicial era ligar o Porto de Manaus (Rodoway) até o Distrito Industrial, facilitando o transporte de containeres. Manaus já foi chamada de “Veneza dos Trópicos”, deveria ser uma maravilha, com rios entrecortando a cidade, com belas pontes e toda aquela frenética movimentação de barcos e pessoas. Tudo foi aterrado em nome do progresso, as pessoas mais humildes começaram a fazer, no local, as suas casas “palafitas”, até que surgiu um programa chamado PROSAMIM (Programa Sócio-Ambiental dos Igarapé de Manaus), com a retirada da maioria das casas que ficavam no entorno dos antigos igarapés e, implantação de vários conjuntos habitacionais e parques. Na local da foto antiga, foi construído o Parque Jeferson Péres e do Mestre Chico, além da Ponte que liga o centro ao bairro de Educandos, ficou tudo uma maravilha, porém, sinto saudade das enchentes e vazantes do Igarapé de Manaus, local onde nasci e morei por vários anos. E isso.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

O PLANETÁRIO DO AMAZONAS

O vereador Mário Frota (PDT), foi o autor de um belo projeto para a construção de um planetário na nossa cidade, para tanto, realizou na Câmara Municipal de Manaus, um Seminário de alto nível, contanto com a participação de políticos de Manaus e Belém, além de representantes UFAM, UEA, cientistas e estudantes.

O planetário é um local onde ocorrem apresentações sobre conceitos de astronomia, simulando o céu noturno, parecendo que o expectador está no exterior numa noite sem nuvens, dando uma noção exata da realidade – ele é constituído por uma abóbada ou cúpula, dotado de equipamentos científicos de alta tecnologia, incluindo grandes projetores e potentes sistemas de som, projetando diferentes objetos celestes.

Segundo o vereador Mário Frota “Existem planetários em Belém, São Paulo, Salvador. Podemos ter um aqui também, a Prefeitura de Manaus pode conseguir recursos do governo federal, por exemplo - é uma possibilidade também de atração para a Copa de 2014”, disse o vereador.

A assessoria de imprensa do nobre vereador informou que o projeto de emenda ao orçamento do Plano Plurianual da Prefeitura Municipal de Manaus (PMM), para a construção do Planetário do Amazonas, já foi aprovado pelo Poder Legislativo Municipal e encaminhado para sanção do prefeito Amazonino Mendes.

Qual a importância de um Planetário? Segundo os especialistas, ele atende a inúmeras finalidades, não apenas científicas, mas também didáticas, culturais, turísticas e de lazer. No Brasil, existem 29 planetários, com a maioria instalada nas regiões sudeste e sul, sendo o Estado do Pará o único da região norte a ter um.

“O Planetário do Pará “Sebastião Sodré da Gama” foi fundado 30 em setembro de 1999, vinculado à Universidade do Estado do Pará – UEPA tem a missão de criar possibilidades de melhorias do ensino e aprendizagem de ciências; discutir e divulgar a cultura local; bem como, consolidar-se como espaço interativo de geração, difusão e aplicação do conhecimento nos diversos campos do saber, principalmente da Astronomia, de modo a contribuir com as formações humanísticas, críticas e reflexivas da população paraense. A ideia de construir um Planetário em Belém do Pará surgiu com o fenômeno do último grande eclipse anular do Sol do século XX, visível no Brasil. Este evento atraiu a atenção da população local, de astrônomos, físicos e estudiosos de diversos observatórios e planetários brasileiros, além da impressa nacional e internacional. Assim, na tarde do dia 29 de abril de 1995, no Forte do Castelo, centenas de pessoas assistiram a este grande espetáculo celeste que provocou a motivação por parte das autoridades locais a implantar um espaço educativo e sociocultural de divulgação e popularização do conhecimento da Astronomia e Ciências Afins, voltados para a população em geral. Originou-se, desta forma, a ideia de criação do Planetário do Pará”

Bato palmas a iniciativa do vereador Mário Frota, espero que o prefeito de Manaus tenha sensibilidade e sancione o projeto, não engavete, consiga recursos e construa o nosso “Planetário”. É isso.

sexta-feira, 3 de junho de 2011

AS PEDRAS DE LIOZ

As calçadas da Manaus antiga eram feitas com as Pedras de Lioz, chamadas assim porque foram trazidas de Portugal, da vila que lhe empresta o nome.

Segundo os historiadores "Os navios de arribação colonial chegariam vazios se não trouxessem pedras em seus porões, flutuariam sem lastro, pois levavam mais do que traziam".

Hoje ainda encontramos essas pedras no entorno do Teatro Amazonas, Palácio da Justiça, Palácio Rio Negro, Mercado Municipal, Prefeitura de Manaus, Igreja dos Remédios e, em algumas ruas do centro de Manaus.

Segundo o geólogo Frederico Cruz, não existem informações sobre a localização das jazidas de onde foram retiradas, mas provavelmente ficavam em regiões banhadas no passado por grandes mares. Explica também que tanto mármores quanto calcários são formados por sais marinhos, sendo que os primeiros foram submetidos a grandes temperaturas, provavelmente por terem entrado em contato com lava vulcânica.

“É por isso que os mármores têm essa aparência vítrea e lustrosa, diferente das pedras calcaria que são mais opacas, o aquecimento dessas pedras também fez com que a forma circular dos estromatólitos ficasse deformado, mas internamente permanecerem intactas, sendo um campo de estudo valiosíssimo para paleontólogos, poucos lugares do mundo têm isso”, diz Fred.

O ilustre pesquisador foi contratado pela PMM, na gestão do Serafim Corrêa, para assessorar os técnicos que estavam reformando o Paço da Liberdade (antiga sede da Prefeitura), para indicar qual a outra pedra que poderia substituir as pedras de Lioz que estão bastante desgastadas.

Ele conta que ao fazer um exame químico com ácido clorídrico na amostra colhida na praça, a área avermelhada não regia, enquanto a borda, clara, reagia, como era de se esperar de um pedaço de calcário, explica o geólogo. “Levei a amostra ao microscópio e descobri o estromatólito, além do valor histórico, agrega um valor turístico e paleontológico, portanto, essas pedras não podem ser retiradas dos locais”.

O jornal “A Crítica fez” uma reportagem com o pesquisador em 2004 e, chegaram a este fabuloso achado, segundo o repórter, “as pedras de Lioz usadas no calçamento de boa parte do Centro histórico de Manaus, esconderam por dois séculos um tesouro paleontológico raríssimo, são estromatólitos, estruturas organo-sedimentares que serviam de casa para algas cianofíceas, os primeiros seres vivos a habitar a Terra, há aproximadamente 3,5 bilhões de anos”. “Estas descobertas agora, contudo, são do período paleozóico, entre 800 milhões e 200 milhões de anos atrás”, explica o geólogo.

Recentemente, estive conversando com o médico amazonense Rogélio Casado, o nosso papo não girou sobre a psiquiatria, mas, essencialmente sobre a nossa cidade que tanto amamos – neste dia, conversamos sobre o calçamento de Manaus. Muitas pessoas nem tem a menor idéia da importância e do valor histórico das “Pedras de Lioz”, alguns até jogam cimento em cima delas, que horror!

A partir de agora, todos tem o dever de respeitar mais o antigo calçamento da nossa cidade, pois ali guarda um grande tesouro: estão dentro das pedras as “algas cianofíceas”, uns dos primeiros seres vivos a habitar o planeta Terra! É isso.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

GRUPO PRÓ-ÁLCOOL

UMA NOITE INESQUECÍVEL
 by Chico Rocha -  chico.rocha2011@bol.com.br

Realmente foi uma noite maravilhosa. Mas antes de escrever sobre aquele sarau, devo recuar alguns anos. Retrocederei aos primórdios da ascendência do “Grupo Proálcool.”

Idos dos anos 70, mais precisamente o ano de 1978, quando um grupo musical (na época sem nome artístico) alegrava nos sábados e aos domingos o Parque Aquático do Olímpico Clube, cantando sambas e MPB. O grupo era composto por quatro rapazes que não eram de Liverpool, mais cantavam o que sabiam, pagavam o que consumiam e aplaudiam a si próprios. A banda tinha como formação os seguintes membros: Mário Toledo (atabaque), Arnaldo Marques (violão), Ary Castro (reco-reco) e Paulo José/in memorian (cantor). Após conquistar a simpatia e o respeito dos frequentadores daquele clube, a banda começou a tocar e cantar em outros locais.

Nos anos 80, com inserção de novos membros, tais como: Cid (poeta), Helinho, Toinho e Marinho (in memorian); a banda já batizada com o nome de Grupo Proálcool, começou a frequentar um barzinho situado a Rua Alexandre Amorim – bairro de Aparecida, onde se reunia para relaxar. Local esse, fonte de inspiração do grupo; naquele barzinho foram compostas belas músicas as quais foram gravadas em long-play (LP), posteriormente em compact disc (CD). O lançamento do disco foi feito numa noite de grande esplendor no Teatro Amazonas.

À noite em que meu coração acelerou, meu peito apertou, a emoção aumentou e o homem chorou. De fato foi uma noite inesquecível. Contava as horas os minutos e segundos do tempo que faltava para o início do espetáculo, estava ansioso. Mesmo tendo acordado bastante animado naquele dia – onde me levantei abri a janela e percebi mais nítidas as cores do dia. Um suave cheiro da mata úmida entrou pelo quarto, envolvendo-o aquele manto de frescor. Os pássaros faziam a festa nas árvores da redondeza. Era o prelúdio que aquele dia, uma quinta-feira de Corpus Crishti do dia 10 de Junho de 1993, seria um dia para ficar registrado nos anais da história da música amazonense.

O Teatro Amazonas transformou-se naquela noite em templo do verdadeiro samba amazonense, com o show de lançamento do primeiro disco com o título “Vozes da Mocidade” do Grupo Proálcool. Ainda hoje estão gravados em minha memória todos os momentos lindos daquele evento, desde o coquetel de recepção para as pessoas presentes, bem como, as imagens do belo cenário montado no palco daquele colosso da arte. Inesquecível, ainda, foi o show musical apresentado ao público – uma noite de mil e uma maravilhas.

Neste ano de 2011, ao completar 18 anos, o disco vozes da mocidade emplaca sua maioridade, com ele as belas poesias que são cantadas em prosa e verso, em forma de samba, e que ainda ecoam nos recintos do majestoso Teatro Amazonas.
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A GÊNESE MUITO LOUCA DO FANTÁSTICO GRUPO PRÓ-ÁLCOOL
Simão Pessoa - simaopessoa@uol.com.br
BLOG AMORDEBICA: http://amordebica.blogspot.com/2011/03/genese-muito-louca-do-fantastico-grupo.html

Lá pelos idos de 1978, quando o Olímpico Clube concluía o seu Parque Aquático sob a gestão de Ary Castro Filho e começava a atrair uma pequena parcela dos associados para eventos realizados na sede social, nos fins de semana, tudo era feito na base do improviso. O churrasco era assado em uma churrasqueira de meio camburão, tendo como grelha um aro de “fusca”, e cada sócio contribuía com uma parcela das carnes e dos acompanhamentos (picanha, maminha, chuleta, calabresa, frango, coxão de porco, arroz branco, feijoada, macarronada, farofa, saladas, molhos, etc). Ainda não havia sido colocado o piso em redor das piscinas e do salão do Parque Aquático, o que não impedia os bebuns de caírem n’água, sob a constante vigilância de Kako Caminha, campeão amazonense de natação e diretor de Natação do clube.

A música ambiente era proveniente de uma vitrola Belair a base de discos de vinil levados pelos próprios associados, o que acabava provocando confusões quando alguém interrompia um novo rock do Raul Seixas (“Maluco Beleza”, por exemplo) para colocar um antigo bolero do Orlando Silva (“Atire A Primeira Pedra”, por exemplo). Para evitar que os abusados DJs (e cada um dos 50 sujeitos presentes na muvuca era um abusado DJ!) partissem para o pugilato explícito em defesa de suas canções favoritas, um grupo de associados começou a fazer um discreto som ao vivo, em uma derradeira tentativa de acalmar os ânimos de gregos e troianos.

Composto por Zé da Manola (tamborim), Jander Cabral dos Anjos (pandeiro), Mario Toledo (atabaque), Arnaldo Marques (violão), Ary Castro Filho (reco-reco) e Paulo José (vocal), o grupo, no início, tocava meio envergonhado, meio desafinado, mas com o tempo foi pegando cancha, ficando mais confiante, mais entrosado e mais abusado.

O nome do grupo, bem como o número de participantes, era modificado ao sabor das circunstâncias. Nas noites de sextas-feiras, quando faziam o pré-show do iniciante Grupo Carrapicho, se chamava “Flor do Samba”. Aos sábados, “Som da Feijoada”. Aos domingos, “Somos Todos Irmãos”. Nos feriados, pontos facultativos e dias santos, “Samba da Diretoria”.

Eterno diretor de Marketing da Cervejaria Miranda Corrêa (que havia aposentado a cerveja XPTO para produzir a cerveja Brahma Chopp), o engraçadíssimo Paulo José começou a levar a turma do Bar do Caldeira para fazer um upgrade de qualidade nas rodas de samba do Olímpico.

Entre as novas “cobras criadas” que começaram a frequentar o clube estavam Luiz Oswaldo (violão de sete cordas), Boca Roxa (agogô), Rodrigo Caldeira, dotado de um vozeirão afinadíssimo e sabendo de cor e salteado todos os sambas em homenagem à Estação Primeira de Mangueira, e o pagodeiro Mauro Ferradura, que fazia uma impagável série de duetos com o Paulo José, deixando o cabaré em polvorosa.

Um belo dia, Paulo José, um emérito gozador, começou a tirar sarro dos freqüentadores do clube dizendo ao microfone que o grupo não precisava de aplausos e que podiam vaiar a vontade: – Meus amigos do Olímpico Clube, esse nosso conjunto é um conjunto independente! Independente de qualidade, independente de harmonia, independente de bom repertório... Nós não precisamos de vocês pra nada, porque a gente paga o que bebe, toca o que quer e aplaude o que toca. Não atendemos pedidos de fãs, mas também não recusamos oferendas dadivosas das louras estupidamente geladas!

A multidão (sim, a fama do grupo de pagode já arrastava umas 300 pessoas para o clube nos fins de semana) foi à loucura. Paulo José aproveitou a oportunidade para impor algumas regras, prontamente aceitas pela galera. Se alguém aplaudisse o grupo depois de uma música, pagaria a multa de uma cerveja Brahma para os músicos. Se alguém pedisse uma música, independente de o grupo tocar ou não, também teria de pagar uma cerveja para os músicos. No final das apresentações, o grupo contabilizava cerca de cinco grades de cerveja pagas pelos “infratores”. Uma verdadeira esbórnia!

Representante da geração saúde, o nadador Kako Caminha passou a apelidar o grupo de “Pró-Álcool”, já que ele era movido exclusivamente a birita.O nome acabou sendo adotado pelos músicos porque na mesma época o Brasil havia criado o revolucionário projeto “Pró-Álcool”, de substituição da gasolina pelo etanol da cana de açúcar. Como ninguém acreditava nos programas do governo, eles resolveram adotar o nome para ver quem acabava primeiro se o grupo ou o programa do governo. O grupo “Pró-Álcool” ganhou a parada.

Entre os músicos que participaram das diversas formações do “Pró-Álcool” estavam Manuel Batera, Cledson Cleclé, Oldeney Valente, Leonardo Martins, Jander Rubens, Abdon, Domingos Lima, Edson Gil (aka “Edinho da Oana”), Rubelmar (aka “Gato”), Pimenta, Vavá das Candongas, Mark Clark, Adelson Santos, Roberto Caminha, Joaquim Marinho, Porfirio Lemos, João Batista, Jorginho Devagar, Paulo Peruka, Carlos Moss, Carlos Peruka, Aldisio Filgueiras, Américo Madrugada, Aguinaldo do Samba, Paulinho da Viola e sua banda, Evandro Beatles e Serginho do Blue Birds. Nos anos 80, o combo original (Mário Toledo, Aryzinho Cachorro e Arnaldo Marques) resolveu engrossar a couraça e se dedicar mais profissionalmente às rodas de pagode, visando iniciar uma carreira internacional.

Aryzinho foi despachado às pressas para Cuba, para iniciar um intercâmbio com os músicos do Buena Vista Social Club, mas o guitarrista americano Ry Cooder havia chegado primeiro e lavou a burra. Para o lugar do gozador Paulo José, sem tempo para ensaiar devido suas inúmeras atividades profissionais, o “Pró-Álcool” convocou três puxadores de samba do GRES Mocidade Independente de Aparecida: Cid Cabeça de Poeta, Helinho do Parque e Marinho da Mia. Membros da Ala de Compositores da Aparecida, os cavaquinistas Marinho Lima, irmão de Cid Cabeça de Poeta, e Toinho do Cavaco também foram incorporados ao grupo com a incumbência de criarem músicas próprias para o “Pró-Álcool”, cujas letras seriam feitas em regime de mutirão.

Já agora com uma formação definitiva, o grupo deixou o Olímpico Clube e passou a se apresentar na mercearia Nossa Senhora de Aparecida (aka “Xicu’s Bar”), na Rua Alexandre Amorim, no bairro de Aparecida, onde ensaiavam suas primeiras composições. A partir daí, eles começaram a se apresentar em todos os bares da cidade (Xorimã, Refúgio, Amoricana, Kat Kero, Casinha Branca, Amore, Caldeira, Armando, Casa Ideal, São Marcos), em lupanares descolados (Maria dos Patos, Poços de Caldas, Saramandaia, Piscina), nas casas de amigos, feiras livres, aniversários, casamentos, batizados e funerais.

Quando o repertório cansava o público, o grupo “Pró-Álcool” simplesmente trocava de público e ia tocar em outro lugar. Nesse meio tempo, o grupo arregimentou a colunista Elaine Ramos (aka “Pimentinha Malagueta”), que mandava bem no repertório de Elis Regina e Gonzaguinha, além de se transformar em relações públicas e grande divulgadora do “Pró-Álcool”.

Em virtude de estar sempre reclamando do assédio sexual das “cachorras”, cada vez mais excitadas com as apresentações dos mancebos, a advogada Valdenira Thomé passou a ser a “mãezona do grupo”. Era a “mãe loura” que redigia os leoninos contratos de apresentação da moçada, fonte permanente de dor de cabeça dos contratantes, da Polícia Militar (para conter a horda de fãs histéricas), do Ecad e da Ordem dos Músicos, não necessariamente nesta ordem.

Os médicos Raimundo Fernandes Giffoni e Rogelio Casado, que de vez em quando participavam da fuzarca tocando flauta transversal e gaita de boca, respectivamente, passaram a ocupar o posto de psiquiatras oficiais do “Pró-Álcool”, para evitar que o sucesso subisse à cabeça dos músicos muito rapidamente. Não era pra menos. Os compositores do “Pró-Álcool” já haviam emplacado oito sambas enredos no GRES Mocidade Independente de Aparecida e a escola havia conquistado nove títulos entre os 12 disputados.

Sem contar que Cid Cabeça de Poeta era o projetista dos fantásticos carros alegóricos da escola de samba. Quer dizer, os caras estavam se achando as próprias pregas da Odete. Em 1993, eles começaram a gravação do primeiro disco, com músicas exclusivamente feitas pelo grupo, que recebeu o sugestivo título de “Vozes da Mocidade”.

“Nós éramos representantes da grande massa de músicos que deixaram a atividade artística em segundo plano e abraçaram outras carreiras profissionais porque sabiam que seria impossível viver somente de música em Manaus”, relembra Mário Toledo. pesar da fama justificada de “reis da esbórnia”, todos os membros do “Pró-Álcool” eram profissionais bem sucedidos. Alcides Queiroz, o “Cid Cabeça de Poeta”, é engenheiro civil. Arnaldo Marques também é engenheiro civil. José Hélio Simão, o “Helinho do Parque”, é contador. Mário Greco, o “Marinho da Mia”, é militar. Aristófanes de Castro Filho, o “Aryzinho Cachorro”, é advogado e foi três vezes presidente da OAB-Am.

“Nós resolvemos gravar o primeiro disco porque já tínhamos 80 composições próprias, ou seja, material suficiente para dez discos de vinil”, explica Ary de Castro Filho. “Ou a gente gravava logo ou corríamos o risco de esquecer as músicas porque birita e velhice fazem muito mal pra memória!”

Para dar mais peso às gravações no estúdio, o “Pró-Álcool” convocou vários músicos locais e criou a banda de apoio “Metanol”, formada por Claudio Nunes (maestro, arranjador, violão de 7 cordas, cavaquinho e bandolim), Deley (bateria), Claudio Abrantes (sax alto, clarinete e flauta transversal), Peixinho (trombone), Arcangelus (violão de 6 cordas), Domingos (contrabaixo) e Zé Pneu (percussão). O disco foi financiado com recursos dos próprios músicos, gravado no Amazonas Studio e prensado na gravadora Ariola. Ele teve uma tiragem inicial de 2 mil cópias.

Realizado no Teatro Amazonas, o show de lançamento do disco contou com a presença de 830 pessoas na plateia e foi um tremendo sucesso, de crítica e de público. A segunda apresentação do “Pró-Álcool” para a divulgação do disco ocorreu na Casa Ideal, em Educandos, mas o sucesso não foi o esperado em razão de ter ocorrido um racha na Banda da Bhaixa da Hégua, que era a banda onde o grupo tocava nos dias que antecediam o carnaval.

Em compensação, no lançamento do disco na quadra do GRES Mocidade Independente de Aparecida compareceu uma multidão estimada em 10 mil pessoas, com o “bolachão” se esgotando em menos de meia hora e os músicos ficando com cãibras na mão de tanto dar autógrafos.

O primeiro disco de vinil do “Pró-Álcool” se transformou em item de colecionador e até hoje tem gente que duvida da existência do mesmo. Em 1997, por exigência das “cachorras” e dos fãs mais radicais, foi lançado o CD “Vozes da Mocidade”, sendo considerado oficialmente o primeiro disco independente de samba “made in Manaus”.Durante a gravação do primeiro disco do “Pró-Álcool”, Marinho Lima havia se casado e estava morando em São Paulo, razão porque não foi incluída nenhuma de suas músicas naquele trabalho.


No segundo disco, entretanto, já estavam selecionadas as suas músicas que seriam gravadas juntamente com as novas composições que o grupo vinha produzindo (naquela época, já em torno de 150 músicas inéditas). Em razão da tragédia que foi a morte prematura de Marinho Lima na capital paulista, vítima de insuficiência renal, o grupo resolveu incluir no segundo disco o maior número possível de suas composições, objetivando fazer um registro definitivo e evitando, assim, que elas se perdessem na poeira do tempo por não terem sido gravadas.

Lançado em 2003, o segundo CD, intitulado “Vozes da Mocidade 2 - O Resgate” fazia parte do projeto Nossa Música, patrocinado pela Fundação Vila Lobos. Como o disco só podia conter 13 músicas, o “Pró-Álcool” resolveu gravar 10 músicas de Marinho Lima e três de Cid Cabeça de Poeta, seu irmão e parceiro, esperando, com isso, deixar registrado para a posteridade uma parte importante da história do samba de Manaus.