sexta-feira, 7 de maio de 2010

COLECIONADOR DE MOEDAS ANTIGAS

Na minha infância, tinha uma missão diária, era sempre escalado para comprar o pão nosso de cada dia, na Padaria Modelo, situada na Avenida Joaquim Nabuco, esquina com a Rua José Paranaguá; numa dessas idas e vindas, deparei com uma loja que estava vendendo moedas antigas, foi uma paixão a primeira vista, comprei de imediato a minha primeira pataca de 40 réis, uma moeda de bronze cunhada no século dezoito.

O meu dever diário de comprar pão passou a ser prazeroso, pois todo dia passava em frente da loja para admirar as moedas antigas, não tinha condições financeiras para adquiri-las, ficava apenas babando.

Tive que vender muitos picolés, bombons, bolhinhas de gude e gibis para sustentar os meus hobbys: assistir aos filmes no Guarany e colecionar moedas.

Consegui ter uma boa coleção, as minhas preferidas eram as moedas brasileiras da época do império, com carinho especial para a moeda de 40 réis e uma de prata de mil réis.

Dizem os historiadores que colecionar moedas é um costume da humanidade, pois contam a história dos povos e nações com culturas religiosas diferentes.

Os colecionadores atuais utilizam a internet para fazerem leilão de moedas, o preço será de acordo com o valor histórico e a raridade da peça.

Colecionar moedas envolve o afeto e a paixão, sentimentos que vão além da compreensão de muitos. Lembram do primeiro centavo de dólar do Tio Patinhas? Pois é, ele acreditava ser a sua fonte de riqueza e sorte.

Para matar a saudade, visito o Museu de Numismática, no Palacete Provincial, na antiga Praça da Polícia, no centro antigo de Manaus. Este museu foi criado em 30 de novembro de 1900, foi organizado pelo comerciante amazonense Bernardo D´Azevedo da Silva Ramos; contém um imenso acervo, inclusive, despertou o interesse do presidente Campos Salles em levá-lo para o Museu Nacional, felizmente recusado pelos amazonenses.

Segundo o sitio da Wikipédia, a história das moedas no Brasil é a seguinte:

Moedas propriamente brasileiras só vieram a surgir no final do século XVII. Salvador era então a principal cidade da Colônia, sua capital e o mais importante centro de negócios. Por isso foi lá que, em 1694, os portugueses instalaram a primeira Casa da Moeda do Brasil durante o reinado de D. Pedro II. As moedas eram cunhadas em ouro e prata, sendo que as de ouro valiam 1, 2, e 4 mil réis. As de prata observavam uma progressão aritmética de valores mais original: 20, 40, 80, 160, 320 e 640 réis. O povo logo lhes deu o nome de patacas, que tinha certo sentido depreciativo, pois ninguém acreditava muito no valor das moedas cunhadas no Brasil. De 1695 a 1702, foram postas em circulação peças de cobre (10 e 20 reis), cunhadas na Casa do Porto e destinadas a Angola, mas aqui introduzidas por determinação régia. Logo deixou de ser vantagem para a Coroa manter a Casa da Moeda em Salvador. Com a descoberta de jazidas de ouro pelos bandeirantes e a intensa exploração das "Minas Gerais", a fabricação do dinheiro foi transferida para o Rio de Janeiro, em 1698, aí se cunhando ouro e prata nos valores já mencionados. Em 1700, a Casa da Moeda mudou para Pernambuco, voltando, porém ao Rio de Janeiro dois anos depois. Em 1714, já no reinado de D. João V, havia duas Casas da Moeda: no Rio de Janeiro e novamente na Bahia. Em 1724 criou-se a terceira, em Vila Rica, que foi extinta dez anos mais tarde. A falta de troco era tanta que o Maranhão chegou até a ter sua própria moeda, fabricada em Portugal. Era feita em ouro e prata, nos valores usuais, e em cobre, valendo 5, 10 e 20 réis. O uso do dinheiro se restringia à faixa litorânea, onde se situavam quase todas as cidades e se realizavam as grandes transações. Nos distritos mineiros, que só produziam ouro e importavam tudo o que consumiam, o próprio ouro, cuidadosamente pesado, funcionava prevalecendo em todo o imenso interior brasileiro. Já as regiões agrícolas apresentavam um sistema econômico peculiar. As fazendas, com suas legiões de escravos, eram praticamente auto-suficientes, produzindo quase tudo que necessitavam. Nelas, o dinheiro mesmo tinha pouca importância. A riqueza era avaliada com base na propriedade imobiliária e o gado era visto como um meio de intercâmbio tão bom como qualquer outro. Até a vinda da Corte portuguesa para o Brasil, com D. João, em 1808, o valor total das moedas que aqui circulavam não ultrapassava a irrisória cifra de 10.000 contos (ou 10 milhões de réis). O sistema monetário, irracional, complicava-se cada vez mais: chegaram a circular, ao mesmo tempo, seis diferentes relações legais de moedas intercambiáveis. Além disso, ouro em barra e em pó passava livremente de mão em mão, e moedas estrangeiras, algumas falsas, eram encontradas com a maior facilidade.

Ao transferir-se para o Rio de Janeiro, a Corte acelerou consideravelmente o processo econômico. Crescendo a produção e o comércio, tornou-se imprescindível colocar mais dinheiro em circulação. Fundou-se então o Banco do Brasil, que iniciou a emissão de Papel-Moeda, cujo valor era garantido pelo seu lastro, ou seja, por reservas correspondentes em ouro. Entretanto, quando D. João VI retornou a Portugal, levou não só a Corte, mas também o tesouro nacional. Golpe grave: as reservas bancárias da Colônia reduziram-se a 20 contos de réis. No dia 28 de julho de 1821, todos os pagamentos foram suspensos. Passou-se a emitir papel-moeda sem lastro metálico suficiente, ocasionando a progressiva desvalorização do dinheiro. Assim, quando D. Pedro I se tornou imperador do Brasil em 1822, encontrou os cofres vazios e uma enorme dívida pública. A independência brasileira começava praticamente sem fundos. Sob D. Pedro II a situação melhorou um pouco, devido ao aumento da produção industrial, ao café, e à construção de ferrovias e estradas, que permitiam um escoamento mais eficiente das riquezas. A desvalorização, porém, já era um mal crônico e as crises financeiras se sucediam. Só em 1911 – em plena República – é que o dinheiro brasileiro registrou sua primeira alta no mercado internacional. De lá para cá, muita coisa mudou na economia brasileira, inclusive a moeda, que trocou de nome: ao real sucedeu, em 1942, o cruzeiro (e as subdivisões em centavos), que em 1967 se transformou em cruzeiro novo, valendo mil vezes o antigo. Três anos depois, voltou a ser apenas cruzeiro. Em 1986 surge o cruzado, em 1989 o cruzado novo, em 1990, no plano Collor, volta o cruzeiro, em 1993 o cruzeiro real e finalmente em 1994 o real.

Infelizmente, tive que vender toda a minha coleção, uma parte de mim foi embora, por mais que eu consiga adquirir novas moedas, não será mais a mesma coisa, a minha pataca de 40 réis não voltará mais para as minhas mãos. É isso aí.
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