quinta-feira, 22 de março de 2007

Nasci no Hospital da Santa Casa de Misericórdia, na Rua 10 de Julho, a minha primeira moradia foi exatamente em um Flutuante (casa sob toras de madeiras), situada na Rua Igarapé de Manaus. O meu saudoso pai comprou um flutuante todo podre na década de 50, recuperou todinho, fez dois ambientes, a nossa casa e a oficina de violões, era enorme, talvez o maior do pedaço, tinha até água encanada, além de um motor de centro adaptado para cortar madeira.
Fui um ribeirinho, acompanhava a seca (vazante do rio), fazíamos o nosso campo de futebol, para as peladas diárias; jogávamos bolinha e cangapé; pegávamos Bodó no leito do rio, tinha também muito porrada com o pessoal lá rua Ipixuna e Major Gabriel, era uma beleza! Na cheia (enchente do rio), tudo mudava, o cenário era outro, o nosso flutuando era ponto para a meninada tomar banho de rio, pescar, andar de bote, canoa e bóia (tora de madeira). Ancoram vários barcos no nosso flutuante; o meu pai recebia madeiras beneficiadas (cedro, marupá e macacauba), entregues pelo seu compadre e, mandava cavaco e violões para os clientes do interior.
A famosa Cidade Flutuante começou a ser desmontada em 1964. Para não sermos pegos de surpresa, o meu pai vendeu o motor de centro, comprou um terreno na Vila Paraíso (entre a Avenida Getúlio Vargas e a Rua Tapajós), aproveitou parte da madeira do flutuante para construir uma pequena casa (em terra firme!).



terça-feira, 20 de março de 2007



Domingo passado, tive dois momentos muitos emocionantes: o primeiro foi uma mistura de deceppção, raiva, tristeza, revolta, etc। e etc. ao visitar a Praça Heliodoro Balbi, quando constatei
in loco a destruição dos prédios do entorno do Porto de Manaus, senti-me em Bagdá! O segundo momento, foi de alegria, euforia, enfim, um momento de felicidade, ao encontrar o Rogelio Casado e três outras pessoas: um professor, uma jornalista e uma estudante de Direito, que estavam imbuídas do nosso mesmo propósito। Viajamos no tempo, com a fala mansa, inteligente e poética do nosso querido Rogelio. Talvez esse encontro tenha sido o marco inicial da ressurreição da Associação dos Amigos de Manaus.

Querido leitor! Visite o local, entre nos prédios, faça um tour; com certeza, em breve tempo irá se unir ao nosso grupo. Somos um embrião, precisamos da tua ajuda para salvar o que ainda resta do patrimônio histórico da nossa cidade. Não adianta projetos das faculdades de Manaus, mobilização política e ajuda dos empresários, vai morrer no papel! Somente com os movimentos sociais, mobilização da sociedade civil, união de todos e que as coisas irão andar. Vamos à luta companheiros! No próximo domingo todos juntos na Praça Heliodoro Balbi!

A seguir um trecho dos comentário do Blog do Rogelio:
Domingo, dia 18 de fevereiro, Rochinha marcou encontro comigo às 10:00 horas no sítio histórico onde alguns artistas sonham ter o seu Teatro Municipal. O tempo chuvoso, comum nos meses de janeiro, fevereiro e março em Manaus não impediu o encontro, apesar do saudável hábito do manauara meter-se debaixo das cobertas e deixar-se ficar em estado letárgico toda vez que fecha o tempo e ameaça cair o aguaceiro. Antropólogos de botequim costumam dizer que a indolência nativa derivaria daí. Ledo e ivo engano.Em se tratando de resistência à destruição do patrimônio histórico e paisagístico da capital amazonense já fomos à rua, sim sinhô! Nos anos 80, quando o Banco Itaú destruiu o cine Guarany. Nos anos 90, quando o então prefeito, Amazonino Mendes, ameaçou desfigurar o coração de Manaus com a construção de um camelódromo no entorno do Relógio Municipal. Não conseguimos salvar o cine Guarany, mas evitamos que o pior acontecesse se o camelódromo fosse perenizado, embora concorde como o meu querido Marcio Souza, que destila sua indignação aos domingos em sua coluna, no jornal A Crítica: camelô no centro histórico de Manaus jamais será o "o do borogodó".Do primeiro, há um registro histórico: o livro "Hoje tem Guarany", de Selda Vale e Narciso Lobo. Do segundo, resultou num vídeo que realizei com Simão Pessoa, Pedrinho Sampaio, Carlos Dias e Carlinhos do Maranhão, intitulado "Manaus: Operação Memória". E mais: à época criamos a Associação dos Amigos de Manaus, que desapareceria com o tempo (O tempora, o mores). É hora de reativá-la, senão daqui a pouco até o glorioso Teatro Amazonas, que já foi depósito de borracha durante um período de guerra, vira estacionamento de carros.Pois bem! Lá estávamos - Rochinha e eu - inspecionando o sítio histórico abandonado, mais parecido como uma Bagdá sob escombros, com seus ocos de casa inteiramente detonados, quando apareceu uma jornalista, um professor de administração e uma jovem estudante de direito. Rochinha, que é também administrador e estudante de direito, e eu que sou um militante de causas (im)possíveis ficamos animados com encontro tão inusitado. Os nomes dos personagens serão mantidos em sigilo para não serem importunados pelo New York Times.Rolou uma longa conversa sobre Manaus e seu patrimônio histórico, sobre os movimentos que ofereceram resistência à incúria dos novos tempos - conversa que só seria interrompida após os primeiros pingos d'água.O encontro foi considerado um bom sinal. Afinal, o que dizer de um cenário em que o escritor Márcio Souza critica o poder público na gestão da cidade e o senador Jefferson Péres lamenta uma sociedade que demonstra desprezo pelas tradições e pelo seu passado? Como não sonhar com a revitalização do movimento em defesa do patrimônio histórico e paisagístico de Manaus? Senhores, não é hora de unirmos esforços? Anibal Beça, presidente do Conselho Municipal de Cultura, não pode ficar só. Ele é mais um dos que temem pelo futuro daquele sítio histórico abandonado, seguindo a trilha do meu amigo Rochinha, que levantou o caso no seu blog.No domingo da visitação ao sítio histórico, Jefferson Péres, em sua coluna em A Crítica, publicou o artigo "Retrato da incúria". Bem poderia ser uma referência ao sítio abandonado. No entanto, tratava-se de uma outra área degradada da cidade: a praça dos Remédios, onde nasci. O artigo tocou nossos corações. Vale lembrar que o movimento contra o camelódromo, Jefferson Péres, à época verador, presidente da Comissão de Patrimônio Histórico, conclamou os manauaras à resistência. Pariticipei intensamente da mobilização.Só tenho um reparo a fazer no seu artigo, meu querido senador: visitar a praça dos Remédios, tão cara para a sua memória de estudante de direito, e não citar a tacacazeira Pátria Barbosa, minha tia, é um pecado quase imperdoável, a menos que o tacacá não faça parte dos seus hábitos gastrônomicos. Tia Pátria, moradora da rua dos Barés, onde nasceu e morreu, serviu três gerações de sírio-libaneses, além dos estudantes da Faculdade de Direito, hoje, também, em estado de abandono. Verdadeiro patrimônio da memória afetiva daquela comunidade, tia Pátria foi o último ícone da Praça dos Remédios ao morrer em dezembro de 2006, quando a praça já não era nem a sombra do que foi. Intacto mesmo só o casarão que hospedeu a imperatriz em sua viagem ao Amazonas, local onde residiu o também senador Arthur Neto.Quanto a mim posso conviver com a idéia de que Jefferson Péres não gosta de tacacá, mas não poderia conviver com a idéia de que novas convocações pela defesa do nosso patrimônio histórico, afetivo e paisagístico venham a desaparecer da sua pena. Lembro-me quando, por questões éticas, o então vereador Jefferson Péres, declinou de participar do movimento de criação da Associação dos Amigos de Manaus: "ou matarei de inveja meus pares, ou serei tentando a usar politicamente o movimento". Optou por acompanhar a distância a movimentação da sociedade civil.Agora que o senador não tem mais pretensões políticas, haja vista sua declaração de que iria abandonar a política com o término do seu mandato, o apelo é meu, e estou certo de que teria muitos signatários: "Lidere o movimento em defesa do sítio histórico da antiga praça Osvaldo Cruz para dar lugar ao futuro Teatro Muncipal". Como sonhar não paga imposto, já antevejo a manchete: "SENADOR LIDERA A DEFESA DO PATRIMÔNIO HISTÓRICO DA SUA CIDADE". É mobilização pra ninguém botar defeito. Até os remanescentes do clube da Madrugada voltariam a se reunir debaixo do mulateiro na praça Heliodoro Balbi.

sexta-feira, 16 de março de 2007



O médico psiquiatra Rogelio Casado está mobilizando a sociedade civil manauense, para participarem de várias manifestações em favor da recuperação dos prédios do entorno do Porto de Manaus, o famoso “Roadway”, principalmente de um em especial, que servirá de abrigo ao Teatro Municipal de Manaus. Na oportunidade, transcrevo o trabalho do amigo Rogelio no seu Blog www.rogeliocasado.blogspot.com.

Com a palavra Aníbal Beça, presidente do Conselho Municipal de Cultura de Manaus.

Fachada do futuro Teatro Municipal de Manaus
E aí, querido Aníbal, o Sarafa (assim é conhecido popularmente o prefeito de Manaus), vai ou não vai criar o Teatro Municipal de Manaus, antes que todo esse sítio vire pó?

Detalhe do abandono do sítio histórico
Detalhe do sítio histórico abandonado, nas mediações do Porto de Manaus, em frente da baía do Rio Negro. Observe e compare com outra foto publicada neste blog: os prédios à direita foram desmoronando um a um. Conversando com alguns artistas da cidade, não foram poucos os que, como São Thomé, céticos quanto à preservação deste sítio histórico, declararam: "Só vendo para crer".
Chega de memória de cartão postal!
Eis o complexo arquitetônico, que irá abrigar o Teatro Municipal de Manaus, quando ainda tinha vida no final dos anos 1950. Nessa época, e até o final dos anos 1960, os habitantes da acolhedora cidade de Manaus tinham uma invejável qualidade de vida, com todos os seus igarapés preservados e suas respectivas matas ciliares.
Sítio histórico abrigará o Teatro Municipal de Manaus
Anote aí na sua agenda: 2007 - ano zero da proposta de criação do Teatro Municipal de Manaus. Comenta-se, à boca pequena, que o prefeito Serafim Corrêa estaria em adiantado entendimento com autoridades da administração do Porto de Manaus para a preservação de um sítio histórico - atualmente em estado de abandono, como se vê na fotografia acima -, em cujo local seria criado o Teatro Municipal de Manaus. Iniciativas como essas tardam, mas são bem vindas diante da depredação do nosso patrimônio arquitetônico. Chega de destruição!

segunda-feira, 12 de março de 2007

terça-feira, 6 de março de 2007

segunda-feira, 5 de março de 2007













FOTOS: 1. EVANDRO CARREIRA २. RIO AMAZONAS 3 PIROGRAVURA,4. SAMUEL BENCHIMOL, 5) PARICATUBA, 6) ARMANDO, 7) CHICO MENDES

















A Vila de Paricatuba está localizada no Município de Iranduba, próximo à Manaus, 40 minutos via terrestre pela AM-070, estrada Manoel Urbano. Foi concebida como hospedaria para imigrantes italianos e funcionou como Liceu de Artes e Ofícios de padres franceses, Casa de Detenção, Hospital para hansenianos, área de lazer para visitantes do Rio Negro.
Estive neste final de semana visitando o lugar para assistir ao Eclipse Lunar, no embarque fui pego de surpresa com o valor da passagem de ônibus, houve uma majoração de R$ 3,00 para R$ 5,00, um percentual de 66,67% !!
Segundo o filosofo Paulo de Tarso Mamulengo, os moradores e os usuários dos coletivos, estão fazendo um abaixo assinado e irão recorrer ao Ministério Publico Estadual (MPE), órgão responsável pelos direitos dos cidadãos, para acionar a empresa transportadora “Expresso Iranduba”, concessionária dos serviços, pois não existe nenhum documento oficial emitida pela Prefeitura Municipal de Iranduba, concedendo tal reajuste.
De acordo com CF./88, art. 30, V, o transporte coletivo é de competência do Município, que diretamente ou sob o regime de concessão ou permissão explora as linhas de ônibus. Dessa forma, pelo caráter essencial do serviço, o prefeito Nonato Lopes não pode ser omisso e deve imediatamente intervir na transportadora, voltando o valor da passagem para R$ 3,00 e, convocando todos os interessados para discutirem o valor da nova tarifa.