sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

ROCHINHA - A diferente história de um músico que nunca tocou nada.





Publicado no Jornal Diario do Amazonas, edição de 26 de maio de 1985


Texto: Patrícia Bartolotti
Fotos: Aureo Márcio


José Rocha Martins. Poucos conhecem esse nome, mas “Seo Rochinha” é conhecido por muitos, principalmente por aqueles que se dedicam à música, não só os músicos amazonenses, como também cantores e compositores de fama nacional.



Na primeira casa à direita de quem sobe a travessa Huascar de Figueiredo, num porão cedido pelos proprietários, há 32 anos o “seu” Rochinha se dedica à difícil arte de fabricar manualmente instrumentos musicais como violão, bandolins e cavaquinhos, montado a Artesanato Amazonense Rochinha e vivendo exclusivamente dessa pequena oficina.


Hoje, aos 62 anos de idade, tendo sofrido há um mês atrás uma congestão que resultou num derrame, ficando com o lado direito do corpo totalmente paralisado, o “seu” Rochinha não consegue realizar o seu maior sonho: abrir uma escola onde pudesse ensinar a difícil arte da construção de instrumentos. Tendo alegrado a tantas pessoas através das musicas que foram tocadas em instrumentos fabricados por ele, vê, com tristeza, uma antiga previsão sua ir se concretizando: a de morrer e não deixar ninguém no seu lugar, para continuar a arte a que tanto amou e dedicou os melhores anos de sua vida.


O COMEÇO – José Rocha Martins descobriu a sua vocação por “um acaso”, como ele mesmo diz. Aos quinze anos de idade e com poucas opções de trabalho, pois na época as profissões que poderia ter escolhido se resumiam a alfaiate, carpinteiro ou pedreiro, foi trabalhar como boy numa fábrica que já não existe mais, localizada na Rua dos Barés e registrada pelo nome de “Bandolim Amazonense”. Com pouco tempo na firma, o patrão, um português, o “seo” Nascimento, notou a aptidão natural do rapaz para a arte e colocou como aprendiz. Com muita ânsia de aprender e cheio de entusiasmo, logo em seguida foi promovida a operário, continuando nesse cargo por 13 anos, sem nunca ter tirado férias. Um dia, o dono da fabrica chamou o rapaz a seu escritório e o convidou para fazer parte da sociedade, de onde tiraria todos os meses 2% da renda liquida, mas Rochinha que nesse época acabava de constituir família e era o braço direito do patrão, pediu que ele aumentasse um pouco a porcentagem, pois o oferecido não daria para sustentar a mulher e a criança que em breve deveria chegar. Um pouco chateado com a situação, pela primeira vez ele pediu férias, o que lhe daria um tempo para melhor pensar na proposta. O patrão negou as férias, o que causou profundo desgosto no rapaz. Então, como gosta de lembrar, “acabei saindo de férias na marra”.


Dessas férias, não voltou mais para a fabrica, pois um “comadre” lhe financiou 3 contos de réis, o que deu para montar a sua própria oficina, primeiramente tendo sido instalada em um flutuante e dali para o porão onde continua até hoje.
“O patrão acabou tendo que fechar a oficina, porque não conseguiu ninguém para fazer os instrumentos”.


VIDA SACRIFICADA – com o passar dos anos, Rochinha foi conseguindo se firmar na sua pequena oficina, mas apesar de seu trabalho, nunca conseguiu ganhar dinheiro suficiente para guardar e realizar o seu maior sonho: o de ensinar tudo que sabia. “Naturalmente que a minha vida foi muito sacrificada, porque trabalho com musica. Só não estou realizado porque queria montar uma oficina de artesanato para ensinar e até hoje não consegui”. E continua: “encaro isso sem muito problema, pois a autoridades também têm os seus problemas e não podem se preocupar com todo mundo. Por isso nunca apelei diretamente a ninguém, faço apenas pedidos pelos jornais e televisões, na esperança de que antes de morrer possa ter esse sonho realizado, nem que seja por poucos dias”. Essas são as palavras de um homem que mesmo doente não de desespera e mantém a chama da esperança sempre acessa. Tendo se dedicado aos tantos anos à profissão que escolheu e amou não se sente amargurado ou frustrado e muito menos revoltado com o pouco reconhecimento que lhe foi dado.


O MÚSICO QUE NÃO TOCA
Diz-se de músico, a pessoa que tira melodias. Mas Rochinha é um músico diferente; pois, como confessou, nunca teve oportunidade de estudar música e nada entender de tocar os instrumentos que ele mesmo fabrica. Ele acha muita graça quando o chamam de músico e reponde que de músico não tem nada, no que foi firmemente contestado pelo famoso músico clássico Villa Verde que lhe disse “para ser músico é necessário ante de tudo ter muito sentimento. Você pode não tirar uma nota do instrumento, mas você o faz e com ele a musica, que mesmo não sendo tirada pelos seus dedos, é parte de você, então você é músico”.


Voltando ao passado, Rochinha lembra como foi aperfeiçoando a sua arte “No início, fiz muita bobagem, não conhecia violão nem cavaquinho e só depois e que fui aprendendo com os mestres. Por exemplo, eu não sabia que todos os instrumentos têm a clave de dó, um baixo, um médio e um alto. Quando descobri isso, fui aprender a “bater” violão, conhecer as escalas e tudo isso com os artistas”.


SITUAÇÃO FINANCEIRA – Ele não se importa em dizer que sua situação financeira não é boa e que nunca o foi porque a procura dos instrumentos sempre foi pequena, apensar de ser reconhecidamente um ótimo artesão, “A procura sempre foi um fracasso, detestei e detesto até hoje fazer serviço de carregação e principalmente naquela época. Só quem tinha capital de giro, como a Moto Importadora, é que vendia material de primeira. Como eu nunca fiz serviço barato e não podia competir com as lojas que tinham condições de vender por crediário, eram muito poucas encomendas que atendia. Então, o pouco dinheiro que ganhei foi reformando e consertando instrumentos. Poucos tinham dinheiro para comprar violão meu, a maioria vinham aqui para consertar.”


Atualmente, o violão mais barato fabricado pelo Rochinha, custa CR$ 400 mil cruzeiro e ele diz que sempre sai perdendo porque nas lojas existem uma grande quantidade de violões sendo vendidos até por 60 mil cruzeiros, por serem feitos em grande escala industrial, o que diminui consideravelmente os custos de produção.


Somente tem uma coisa que ele se orgulha muito, com o fruto de seu trabalho formou todos os seus filhos na faculdade e trabalham em suas profissões. “Os meus filhos, desde pequenos trabalhavam na plaina. Mas como o movimento era pouco e eu sabia que não teriam muito futuro nessa profissão, os afastei e mesmo com muito sacrifício conseguir que eles estudassem e se formassem na faculdade”.

MOMENTOS FELIZES – Como todas as pessoas, “seu” Rocha não teve apenas momentos de tristeza e sacrifício, preferindo lembrar-se dos momentos felizes quando de uma apresentação do famoso cantor Silvio Caldas que, lembra, era ídolo de sua geração, num show realizado aqui em Manaus no Olímpico Clube. “No meio do show, a tarraxa do violão de Silvio Caldas arrebentou, soltado a corda e então o Iran Caminha, que toca violão maravilhosamente, correu para mim e pediu o violão que sempre carregava comigo apesar de não tocar, então emprestei o violão para o Silvio. Ele adorou o meu violão e acabou vindo aqui para encomendar um para ele e disse também que eu era um grande artista”.



Não só o Silvio Caldas encomendou um violão a Rochinha, mas cantores tão mais ou menos famosos quanto ele, Gilberto Gil, Vando e outros menos famosos.
“O Villa Verde, não sei se você ouviu falar porque não é de sua geração, uma vez quando esteve aqui, me disse que o violão que eu fazia deveria ser vendido em dólar e que eu não sabia ganhar dinheiro. Perguntou também por que não mudava meu nome para um nome americano. “Aqui nesse País, Rocha, só ganha dinheiro quem tem nome estrangeiro” foi o que ele me disse”.


Rochinha diz que nunca sonhou alto e tampouco pretendeu mudar de nome, pois não pensava em montar uma indústria. Por não ter sonhado alto e mantido seu idealismo é que ele hoje não tem condições perfeitas para trabalhar. Mas nem por isso vive se queixando. Vai vivendo de um pequeno conserto aqui e outro ali. Cada dia mais perdendo a esperança de realizar o seu grande sonho.


Durante o tempo que durou a entrevista, apareceu um rapaz, amigo de seu filho, que queria trocar a pestana de seu violão, ainda não sabendo do problema de saúde do artesão. Mas Rochinha não deixou o rapaz voltar. Mesmo com o lado direito paralisado, com muita dificuldade e com a ajuda do rapaz, fez questão de trocar a peça, só fazendo um pequena observação melancólica “depois do derrame, um serviço que eu fazia em quinze minutos, como a troca de cavalete, passei a fazer em 2 horas e mesmo assim com a ajuda de outra pessoa, eu tive o propósito de trabalhar sempre, não desprezando um serviço sequer, não criando obstáculos, e sempre dando valor a arte. O meu ideal sempre foi trabalhar na arte que amo, tanto que não tenho dinheiro, nunca fiquei rico, mas ninguém saiu daqui de cara feia e essa foi a minha forma de contribuir para o mundo”.


Palavras de um homem que se realiza naquilo que escolheu, mesmo que daí não tenha tirado grandes recursos financeiros. Palavras de fé e coragem de um artista que nos seus últimos aos de vida, ainda tem a esperança de ter seu sonho realizado, passando para outras pessoas a bela arte de criar instrumentos e moldá-los com suas próprias mãos, consciente da importância que a musica tem para todos os seres humanos.


Nota do Blog: o meu saudoso pai faleceu aos 82 anos de idade, sem ter tido a oportunidade de realizar o seu grande sonho: formar novas gerações de Luthier. Foi ajudado pelo senador Arthur Virgilio Neto, na época prefeito de Manaus, com uma aposentaria especial de cinco salários mínimos, foi o suficiente para viver a sua velhice com bastante dignidade e em paz. Atualmente, existem inúmeros Luthier em Manaus, em sua grande maioria formados pela Escola de Lutheria da Amazônia, do mestre Rubens Gomes.



quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

MANÁOS TRAMWAYS




Bondes em Manaus ( Soraia Magalhães )
Desde o período provincial já se pensava nos benefícios que o bonde, meio de transporte coletivo, traria à população e ainda à urbanização da cidade, haja vista que ao facilitar a locomoção, estimularia a construção de edificações em áreas mais distantes. Uma das leis mais antigas que trata da implantação dos bondes de Manaus, data de 1882 e consiste na autorização para contratação de uma empresa para instalação de um completo sistema de viação pública por meio de “carros americanos sobre trilhos - railways sobre trilhos de sistema Bourgois para carga de passageiros.” Apesar dos esforços da administração pública voltados para a realização do empreendimento, haviam fatores que dificultavam a instalação deste benefício urbano em Manaus, aspectos topográficos e falta de interessados em custear e prover o assentamento do material, concorreram como os principais obstáculos deste período. Somente em 1896 durante o Governo de Eduardo Ribeiro, o serviço de viação por bondes foi inaugurado em Manaus. Funcionando em caráter provisório, estava sob a responsabilidade do Engenheiro Frank Hirst Heblethwaite e contava com apenas duas linhas que tinham por fim interligar a área urbana com o subúrbio, ou seja as áreas mais distantes com o perímetro central. Atendeu inicialmente aos limites compreendidos pela: “Estrada Epaminondas, entre a Praça Uruguayana e 5 de Setembro e entre esta praça e o Igarapé do Baptista/na estrada Epaminondas e o Cemitério São João no Alto do Mocó.“ Em 1900 os serviços estavam sob a responsabilidade da Manáos Railway Company, empresa inglesa que recebeu consideráveis auxílios para sua instalação na capital, entretanto seus serviços foram considerados precários. Deste período é válido ressaltar uma solicitação curiosa: a imprensa noticiava com freqüência que a população solicitava prolongamento do horário dos bondes até o fim dos espetáculos quando houvesse programações no Teatro Amazonas. Em 1909 a concessão dos transportes por bondes foi entregue à empresa The Manáos Tramways and Light, que gerenciou simultaneamente os serviços elétricos do Estado. A empresa, também de origem inglesa, destacou-se com traçar uma política com posicionamento rígido voltado para a eficiência dos serviços. Seus funcionários, todos estrangeiros, seguiam normas que favoreciam ao cumprimento de quadro de horário e freqüência no número de viagens. Trabalhavam uniformizados e atendiam com cortesia aos usuários dos bondinhos. Em janeiro de 1913, uma nota publicada no jornal O Tempo demonstrou haver, realmente, uma proposta de qualidade nos serviço desenvolvidos pela Manáos Tramways. A mensagem trazia a seguinte informação: “A Manáos Tramways. .. tem a honra de avisar ao respeitável público que nas noites da véspera e dia de São João, 23 e 24 de junho, haverá bondes para todas as linhas durante todas as noites e será aumentado o número das mesmas para a linha de Flores”. Por volta da década de 40, disputando passageiros com os bondinhos pelas vias de Manaus, passaram a circular os primeiros ônibus – confeccionados em madeira - que faziam linha para todas as áreas urbanas e suburbanas da cidade. Foi a partir desse período que a situação dos “Elétricos” começou a ficar comprometida. Em 1949 a economia de Manaus apresentava-se complemente desordenada, o fornecimento de energia era racionado, o que prejudicou instantaneamente o funcionamento dos bondes. A Manáos Tramways, pouco a pouco foi perdendo o interesse pelos serviços de viação e em 1950 apresentou um relatório no qual alegava que os bondes eram os principais responsáveis por seus prejuízos. Em 1951 o gerenciamento dos serviços elétricos e por conseguinte o transporte por bonde, passou a ser responsabilidade do Estado. O jornal A Crítica de 1951 publicou que “os serviços elétricos do Estado são presentemente, verdadeira calamidade, nem luz, nem bonde, nem força.” Apesar das inúmeras dificuldades, os bondinhos permaneceram atuantes por mais de 60 anos. Deixaram de trafegar em 1957 contra a vontade da população, deixando grande saudade naqueles que viam nas engrenagens da antiga companhia inglesa um eficiente e barato meio de locomoção, assim como uma alternativa a mais em termos de transporte coletivo. Fontes: 1. ÁLBUM do Amazonas- 1901-1902. (Governo de Silvério Nery) Ed. F. A. Fidanza. (fotos)2. ESTADO DO AMAZONAS. Mensagem: lida perante o congresso dos srs. representantes, em 1º de março de 1896, pelo Exm. Sr. Dr. Eduardo Gonçalves Ribeiro. Manáos: Imprensa Official, 1897. p.28.3. ESTADO DO AMAZONAS. Relatório: Livro de arquivo (1896-1897). [s. l.: s. n.], 1897.M4. ESQUITA, Otoni Moreira de. Manaus: história e arquitetura (1852-1910). Manaus: Editora da Universidade do Amazonas, 1997. 461p.5. JORNAIS: Acervo da Biblioteca do Estado do Amazonas6. A Crítica – 1949-1957.7. Amazonas: Órgão do Partido Republicano – 1900.8. Commércio do Amazonas – 1899-1900.9. O Tempo – 1913.



terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

CARNAVAL DO ARTISTA PLÁSTICO INÁCIO EVANGELISTA






Fui convidado pelo artista plástico amazonense Inácio Evangelista, para curtir um pouco do carnaval em sua residência, na Rua Lôbo D’Almada, próximo ao famosíssimo Rêmulos Hotel.
A sua antiga casa faz parte do patrimônio histórico da nossa cidade, seus pais Waldemar Barbosa Evangelista (engenheiro agrônomo, foi diretor do IBDF e dá Delegacia do Ministério da Agricultura de Manaus) e Dona Dalila Pantoja Evangelista, adquiriam o imóvel na década de 40; lá nasceram os gêmeos Inácio e Vicente, o Francisco Desales (mora em Santarém/PA), o José Maria e a Maria de Jesus.


A emoção foi muito grande, poucas pessoas ainda fazem isso: enfeitar a suas residências e convidar os amigos e vizinhos para brincarem as folias de momo.

O Inácio é conhecido pelo cognome de “Companheiro”, pela forma carinhosa como trata os amigos; através das suas telas desenvolve um grande trabalho cultural para a cidade de Manaus.


Fotos: José Martins Rocha



O PROJETO MONUMENTA E A ATUAÇÃO DOS PREFEITOS SERAFIM CORRÊA E AMAZONINO MENDES


O MONUMENTA é um projeto de recuperação do patrimônio urbano cultural brasileiro, executado pelo Ministério da Cultura e financiado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento – BIRD. A capital do Amazonas, juntamente com outras 22 cidades foram beneficiadas com vultosas verbas para serem direcionadas para este propósito (foram 5 anos de levantamento, com assessoria do Sebrae/AM, execução da Manaustur e suporte de dezenas de milhões de reais); infelizmente o ex Prefeito Serafim Corrêa, recebeu todo o apoio e não concluiu nenhuma obra do projeto. Passou dois anos azeitando a administração municipal e mais dois para fazer campanha para a reeleição, perdeu para ele mesmo; o adversário estava à beira da aposentadoria; o povo cansado da inoperância do “Sarafa” preferiu desenterrar o Negão, credo- em- cruz!
Quem mora em Manaus poderá visitar o centro antigo e conferir as obras não concluídas:
Paço da Liberdade;
As Casinhas da Rua Bernardo Ramos;
Casarios antigos da Praça Osvaldo Cruz;
Cabaré Chinelo;
Chafariz da Praça Dom Pedro;
Mercado Municipal Adolpho Lisboa;
Shopping dos Ambulantes J.G. Araújo;
Bar do Quintino;
Praça da Saudade;
Cemitério São João Batista;
Os pólos comerciais nas ruas Frei José dos Inocentes, Governador Vitório, Itamaracá e Henrique Antony.
Pólo turístico da Ilha de São Vicente – seria implantado à beira do rio, contaria com anfiteatro para 1.200 lugares, mirante, bares, lanchonetes, além de ciclovia, praças, ancoradouro e um embarcadouro flutuante com restaurante.


Além dos acima citados, a Prefeitura tinha em caixa a importância de R$ 2.600.000,00, para financiamento e recuperação de imóveis particulares instalados entre o Igarapé de São Vicente e a Praça dos Remédios, no sentido Leste/Oeste do Centro Histórico e as ruas Saldanha Marinho entre as Ruas Lobo D’Almada e Epaminondas, alcançando a orla do Porto de Manaus, na área Norte/ Sul, totalizando duzentos ou mais em processo de desgaste. Este projeto foi implantado com sucesso em Belém, Salvador e Recife; em Manaus, pergunte a alguns moradores se eles viram a cor do dinheiro, com certeza as respostas serão um grande e sonoro NÃO!


O atual prefeito de Manaus está mais perdido do que “cachorro que caiu da mudança!”. Faz uma campanha difamatória contra o prefeito anterior, com a intenção de justificar os milhões de reais, sem licitação, empregados em “obras” para fazer frente ao “estado de emergência” pela qual passa a cidade. A ordem é tapar buracos e terminar as grandes obras (viadutos e passagens de nível – valem milhões de reais); os prédios e monumentos da Manaus antiga não fazem parte das prioridades do alcaide e dos barnabés.

Estamos nas mãos de gestores públicos compromissados com os seus próprios bolsos, a cidade fica em segundo plano; o projeto MONUMENTA foi jogado na lata de lixo! Onde fica mesmo o IPHAM e o Ministério Público? Ninguém sabe ninguém viu!

domingo, 22 de fevereiro de 2009

AÇAÍ


Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Euterpe oleracea

Açaizeiro
Classificação científica
Reino: Plantae
Divisão: Magnoliophyta
Classe: Liliopsida
Ordem: Arecales
Família: Arecaceae
Género: Euterpe
Espécie: E. oleracea
Açaí ou juçara é o fruto da palmeira conhecida como açaizeiro, cujo nome científico é Euterpe oleracea. É uma espécie nativa das várzeas da região amazônica, especificamente dos seguintes países: Venezuela, Colômbia, Equador, Guianas e Brasil (estados do Amazonas, Amapá, Pará, Maranhão e Acre).

O açaí é um alimento muito importante na dieta dos habitantes da Amazônia, onde seu consumo remonta aos tempos
pré-coloniais. Hoje em dia é cultivado não só na Região Amazônica, mas em diversos outros estados brasileiros, sendo introduzido no resto do mercado nacional durante os anos oitenta e noventa, com modificações no modo de consumo.

O açaizeiro é muito semelhante à palmeira juçara (Euterpe edulis Mart.) da Mata Atlântica, diferenciando-se por crescer em touceiras de 3 a 25 estipes (troncos de palmeira) e podendo chegar até uns 25 metros. Da palmeira, tudo se aproveita: frutos (alimento e artesanato), folhas (coberturas de casas, trançados), estipe (ripas de telhado), raízes (vermífugo), palmito (alimento e remédio anti-hemorágico).
Pode ser consumido na forma de bebidas funcionais, doces, geléias e sorvetes. O fruto é colhido subindo-se na palmeira com o auxílio de uma trançado de folha amarrado aos pés - a peconha.

Para ser consumido, o açaí deve ser primeiramente despolpado em máquina própria ou amassado manualmente (depois de ficar de molho na água), para que a polpa se solte, e misturada com água, se transforme em um suco grosso também conhecido como vinho do açaí.

A forma tradicional na Amazônia de tomar o açaí é gelado com farinha de mandioca ou tapioca. Há quem prefira fazer um pirão com farinha e comer com peixe assado ou camarão e mesmo os que preferem o suco com açúcar (ainda assim, bem mais grosso que qualquer suco servido no sudeste).

As sementes limpas são muito utilizadas para o artesanato. Quando descartadas, servem como adubo orgânico para plantas.

Nas demais regiões do Brasil, o açaí é preparado da polpa congelada batida com xarope de guaraná, gerando uma pasta parecida com um sorvete, ocasionalmente adicionando frutas e cereais, o que não é bem visto pelos habitantes da região Norte, que encaram a mistura como um desperdício de açaí. Conhecido como açaí na tigela, é um alimento muito apreciado por frequentadores de academias e desportistas.

Origem do nome: A etimologia da palavra açaí encontra-se no vocábulo tupi ïwasa'i que significa "fruto que chora", ou seja, fruta que expele água

A Importância comercial: O açaí é de grande importância para a sua região de cultivo em virtude de sua utilização constante por grande parte da população, principalmente os ribeirinhos. Nas condições atuais de produção e comercialização, a obtenção de dados exatos e quase que impossível, motivado pela falta de controle nas vendas, bem como a inexistência de uma produção racionalizada, uma vez que a matéria-prima consumida se apóia pura e simplesmente no extrativismo e comercialização direta. No Pará, principal produtor, o consumo de açaí, em litros, chega a ser o dobro do consumo de leite.
A mistura com água e outros ingredientes, promovida fora da
região Norte do Brasil, reduzindo a participação efetiva de açaí na mistura, é devido ao alto custo que seria exportar açaí do Norte, sobretudo do Pará, para outras regiões do país. Para se tornar economicamente viável, comerciantes passaram a misturar o açaí original, adquirido a alto custo, com outros elementos de menor valor econômico, viabilizando a venda. O detalhe é que isso gerou uma distorção na concepção de consumo da fruta: muitos brasileiros não sabem que o fruto é nativo do Norte ou que é consumido puro. Na região Norte, tanto humildes ribeirinhos (moradores tradicionais das margens dos rios) como as classes economicamente mais favorecidas dos grandes centros urbanos consomem açaí sem os artifícios comumente empregados em outras regiões do país, considerando o açaí de duas classes: o açaí integral, sem tais artifícios, e o açaí misturado, que é aquele no qual se acrescenta água para dar mais volume e muitas das vezes até amido com intuito de obter mais consistência, comercializado com freqüência em todo o país.

Valor nutricional:
Por 100g (cem gramas) de polpa:
Calorias: 247kcal
Proteínas: 3,8g
Lipídios: 12,2g
Fibra: 16,90g
Cálcio: 118mg
Ferro: 11mg
Fósforo: 0,5mg
Vitamina B1: 11,80
Vitamina B2: 0,36
Vitamina C: 0,01

Apesar do alto teor de gordura do açaí, trata-se em grande parte de gorduras monoinsaturadas (60%) e poliinsaturadas (13%) [1], também presentes no abacate. Estas gorduras são benéficas e auxiliam na redução do colesterol ruim (LDL) e melhoram o HDL, contribuindo na prevenção de doenças cardiovasculares como o infarto do coração.

Lenda:
Conta a lenda que existia uma tribo indígena muito numerosa. Como os alimentos estavam escassos, era difícil conseguir comida para toda a tribo. Então o cacique Itaki tomou uma decisão muito cruel. Resolveu que a partir daquele dia todas as crianças recem-nascidas seriam sacrificadas para evitar o aumento populacional da tribo.
Até que um dia a filha do cacique, chamada IAÇÃ, deu à luz uma menina que também teve de ser sacrificada. IAÇÃ ficou desesperada, chorava todas as noites de saudades. Ficando vários dias enclausurada em sua oca e pediu a Tupã que mostrasse ao seu pai outra maneira de ajudar seu povo, sem o sacrifício das crianças.
Certa noite de lua IAÇÃ ouviu um choro de criança. Aproximou-se da porta de sua oca e viu sua filhinha sorridente, ao pé de uma grande palmeira. Lançou-se em direção à filha, abraçando - a . Porém misteriosamente sua filha desapareceu.
IAÇÃ, inconsolável, chorou muito até morrer. No dia seguinte seu corpo foi encontrado abraçado ao tronco da palmeira, porém no rosto trazia ainda um sorriso de felicidade e seus olhos estavam em direção ao alto da palmeira, que se encontrava carregada de frutinhos escuros.
Itaki então mandou que apanhassem os frutos, obtendo um vinho avermelhado que batizou de AÇAÍ, em homenagem a sua filha (IAÇÃ invertido). Alimentou seu povo e, a partir deste dia, suspendeu a ordem de sacrificar as crianças.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

VELHOS CARNAVAIS


Curti os primeiros carnavais no Cube do Amazon Hotel, ficava na esquina da Rua dos Andradas com a Rua Rocha dos Santos; o prédio ainda resiste até hoje, ainda bem! O meu pai reunia toda a família, comprava as fantasias e levava toda a turma para brincar a folia de momo.Lembro muito bem, deveria ter uns dez anos de idade; o clube ficava no segundo andar, gostava de brincar na escada de madeira que dava acesso ao salão de danças; curtia também apanhar no chão, os restos de confetes e serpentinas, para jogar novamente nos pequenos foliões, lembro de papai tomando aquela cerveja genuinamente cabocla XPTO e, eu e a molecada no Graphete e Baré Cola.Lembro também das “Batalhas de Confetes” e dos desfiles dos "Blocos de Sujos", na Avenida Eduardo Ribeiro; gostava de toda aquela movimentação, adorava juntar tampinhas em miniaturas de refrigerantes que eram jogadas pelos brincantes dos blocos.Na minha adolescência, presenciei os desfiles dos primeiros blocos carnavalescos, que seriam mais tarde as primeiras Escolas de Samba de Manaus, lembro da Unidos da Selva, Unidos do Rio Negro e Barelândia.A Avenida Eduardo Ribeiro não suportava mais tanto foliões e espectadores, foi quando resolveram mudar o palco do carnaval para a Avenida Djalma Batista, os desfiles ocorrem até o ano de 1990 e, depois para o Sambódromo.
Agora sou um cinquentão; faço parte da diretoria da banda mais irreverante de Manaus "A Banda da Bica", frequento os ensaios da Escola de Samba Aparecida, assisto todos os anos aos desfiles das Escolas no Sambodromo de Manaus, ou seja, o carnaval corre nas minhas veias!

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

MANAUS, SALADA DAS DÉCADAS DE 60 A 80

The Blue Birds, The Rocks, Os Embaixadores, Domingos Lima e Conjunto, The Sinners, The Golden Boys, Bancrévia Clube, Sheik Clube, Moranguinho, Boite dos Ingleses, Barés Club, Danilo´s Club, Rio Negro Clube, União Esportiva, Ideal, Amazon Hotel Club, Crocodilo´s Club, Mandy´s Bar, Cabana dos Barés, Chaim, Jander, Manoel Batera, Maranhense, Canto da Peixada, Solar da Olímpia, Garfo de Ouro, Restaurante Tucunaré, Frial, Lobo´s, A Gogô, Galeto´s, Insinuante, Acapulco Clube, Guaraciaba, Quitandinha, Cananga do Japão, Saramandaia, Tia Chica, Lá Hoje, Maria das Patas, Ângelus, Verônica, Selvagem, Alonso´s Bar, Rosa de Maio, Piscina Club, Chica Bobó, Shangrila, Patrícia Bar, Tia Raí, Poço de Caldas, Floresta, Gonorréia, Chato, Pó de Arroz, Mococa, Matamatá, Madeira, Astride, Manteiga, Little Box, Pepeta Close, Bar do Armando, Bar dos Cornos, Alex Bar, Cachucha, Katequero, Jangadeiro, Cocal, XPTO, Minster, Gaivota, Tabaco de Corda,Guaraná Luzéia, Baré, Magistral, Mirinda, X-9, Leão da Amazônia, Otinha, Melo Mato, Delegado do Diabo, Bumbalá, Carmem Doida, Gaivota, Xerife, Nega Maluca, Hospício Eduardo Ribeiro, Violão do Rochinha, Tiba, Simões, Orlando Sete Cordas, Salim Gonçalves, Moisés, Opala, Kombi, DKV, Chevete, Rural Willys, Fusca, Carroça, Ônibus de madeira, Carrapeta, Parque Amazonense, Colina, Tartarugão, Cachorro Quente, Disco Voador, Olímpico Clube, Ferroviária, Rio Negro, São Raimundo, Fast, Nacional, América, Sul América, Fada, Acleia, Arnaldo Santos, Leal da Cunha, Belmiro Vianez, Edson Piola, Afonso, Marialvo, Pepeta, Clóvis, Santarém, Cine Guarany, Odeon, Éden, Avenida, Popular, Polytheama, Ideal, Vitória, Jaú, Peixeiro Juizado de Menores, Dona Iaiá, Rádio Rio Mar, Difusora, Baré, Tropical, Crônica do Meio Dia, TV Educativa, Ajuricaba, Sadi Huache, Josué Cláudio de Souza, Baby Rizzato, Jornal do Commercio, A Crítica, A Notícia, Corrida Archer Pinto, Godot, Evandro Carreira, Fábio Lucena, Jéferson Peres, Coronel Teixeira, Canto do Quintela, Mocó, Castelinho, Canto do Fuxico, Rodoway, Teatro Amazonas, Beira do Mercadão, Cemitério São João Batista, Santa Helena, Igreja da Matriz, São Sebastião, Remédios, Aviaquario, Avenida Eduardo Ribeiro, Sete de Setembro, Getúlio Vargas, Barelândia, Unidos da Selva, Andanças de Ciganos, Colégio Estadual, Barão do Rio Branco, Brasileiro, IEA, Benjamin Constant, São Luiz de Gonzaga, Dorotéia, Militar, Dom Bosco, Primeira Ponte, Segunda e Terceira, Festival do General Osório, Bola da Suframa, Boi Corre Campo, Dança do Cacetinho, Tribo dos Andirás, Luz de Guerra, Maranhão, Paulo Gilberto, Parque Dez, Ponte da Bolívia, Cachoeira. do Tarumã, Tarumazinho, Ponta Negra, Igarapé de Manaus, Caxangá, Amarelinho, Tucunaré Clube, Guanabara, Praça da Polícia, Congresso, Saudade, Correto da Polícia, Avião da Saudade, Clube da Madrugada, Projeto Jaraqui, Papagaio do Russo, Bairro do Céu, Educados, Cachoeirinha, Adrianópolis, Boulevard Amazonas, Beneficente Portuguesa, Santa Casa de Misericórdia, Pronto Socorro São José, Dr. Conte Telles. Chega de Salada! Ufa! É iso aí!

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

PARA REFLETIR


Coopere com sua pátria, para engrandecer-se a si mesmo.
A pátria é a reunião de todos nós.
No entanto, evite buscar apenas vantagens pessoais, pois aquilo que você retirar a mais para você estará prejudicando a outrem, que receberá a menos.
Qualquer função é útil à comunidade, e o bem da coletividade se distribui a todos os cidadãos.
Não abuse de seus privilégios.

Ajude à Natureza!
Não destrua os bens que a natureza coloca a seu dispor, para ajudá-lo a progredir.
Coopere com as árvores, porque elas cooperam com a sua vida, na purificação do ar que você respira.
Colabore com a pureza das fontes, porque elas lhe fornecem água para dessedentar seu corpo.
Auxilie o solo a produzir, para que o pão seja sempre farto na mesa de todos.
Ajude à Natureza.
(Minutos de Sabedoria – C. Torres Pastorino).

CANTEIRO DE OBRAS DA MANAUS/IRANDUBA







terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

ETELVINA GARCIA*




Mãna Manaus
Querida mãna Etelvina
O teu amor pela terra
É sopro, é luz divina

Límpida e clara
Qual o sol do meio dia
És descendente de Espanha
Da nobre casta Garcia

Teu modo de narrar a história
De nossa bela cidade
Com simplicidade, prazer
Externando a verdade

De cada canto da aldeia
Cada ladeira ou esquina
Prédio, monumento histórico
Conheces tudo e ensinas

Com o teu jeito, cabôca
De professora menina
Mãna Manaus
Querida mãna Etelvina.


Letra e música: Afonso Toscano (90% de inspiração e transpiração) e Rochinha (10% de inspiração).

* Jornalista e escritora dedicada ao estudo da História e da problemática econômico-social da Amazônia, foi editora de Educação do "O Jornal", dos Diários Associados, Rio de Janeiro; editora de publicações técnicas do Geipot/Ministério dos Transportes; Consultora da Fucapi; Chefe de Gabinete e Coordenadora de Comuncação Social da Suframa; Subsecretária de Estado da Produção Rural e Abastecimento; Diretora da Empresa Municipal de Urbanização; membro do Conselho Consultivo de Governo do Estado do Amazonas, do Conselho Estadual da Cultura e do Conselho Estadual da Educação. Foi Subsecretária Municipal e Coordenadora do Programa Corredor Cultural do Centro Histórico de Manaus. Diretora-proprietária da Norma Editora, é autora dos seguintes livros: "O Poder Judiciário na História do Amazonas"; "O Ministério Público na História do Amazonas"; "Modelo de Desenvolvimento Zona Franca de Manaus - História, Conquistas e Desafios"; "Amazonas, Notícias da História - Período Colonial"; "Manaus, Referências da História"; "Alfândega de Manaus"; e "A Petrobras na Amazônia - A His'tória da Pesquisa de Combustíveis Fósseis".

ESTE PATRIMÔNIO BRASILEIRO ESTÁ AMEAÇADO COM A CONSTRUÇÃO DO PORTO DAS LAJES





Fotos: José Martins Rocha
Informações retiradas do blog www.rogeliocasado.blogspot.com
Porto das Lajes – Destruição do Encontro das ÁguasResumo das implicações socioambientais da construção do Porto das Lajes para subsidiar manifestações contrárias a destruição do Encontro das Águas*Dra. Elisa Wandelli e Pe. Gullermo CodernaI - Localização prevista para o Terminal Portuário:Os empresários pretendem construir o Terminal Portuário Porto das Lajes na margem esquerda do Rio Amazonas, no ponto mais estreito do Encontro das Águas do Rio Negro e do Rio Solimões em área pertencente a União de 60 ha situada na entrada do Lago do Aleixo. Nesta região afloram na estação seca belíssimas e imensas lajes de arenito, fenômeno raro na bacia sedimentar da Amazônia Central. O acesso via terrestre dá-se através da Alameda Cosme Ferreira, no km 17, no bairro Colônia Antônio Aleixo, onde vive a comunidade a comunidade homônima. O local previsto para o Terminal Portuário situa-se nas adjacências do Ponto de Captação de água da Zona Leste (500 mil pessoas) que está sendo construído pelo governo do Estado do Amazonas e do Parque Turístico que foi projetado pela Prefeitura de Manaus e ao lado da Unidade de Conservação Federal Reserva Particular de Patrimônio Natural das Lages.Encontro das ÁguasII - O empreendimento:O novo terminal portuário “Porto das Lajes” é um empreendimento privado de uso misto que consiste num complexo portuário próximo ao Pólo Industrial de Manaus (PIM), previsto para ser localizado na margem esquerda do Encontro das Águas, o que possibilitará que os grandes navios de carga evitem passar por toda a orla de Manaus para desembarcar no porto localizado no centro da cidade. A obra deste terminal portuário tem o objetivo de desafogar a carga e a descarga de contêineres do PIM, que hoje necessitam de grandes custos logísticos até chegar ao porto de Manaus, no centro da cidade. O complexo contará com um pátio com mais de 100 mil metros quadrados de área construída, um porto flutuante que se estenderá amplamente para o Encontro das Águas e deverá ser inaugurado no início de 2011. O porto terá capacidade para atender até 250 mil TEUS (unidade de contêiner de 22 pés), segundo Sérgio Gabizo, diretor da Lajes Logística S.A., empresa privada que vai implantar o porto.Segundo Laurits Hausen, diretor de implantação do porto, o projeto de construção do Porto das Lajes é desenvolvido pela Lajes Logística S.A., uma sociedade de propósito específico (SPE) criada para a captação de recursos, na qual a carioca Log-In Logística Intermodal S.A. (Bovespa e Vale do Rio Doce) detém 70% do capital total. Os outros 30% são da Juma Participações S.A., empresa sediada em Manaus acionista do Grupo Simões, que é o responsável pelo envasamento dos produtos Coca-Cola no Norte do país. Os investimentos estimados para o Porto das Lajes são de R$ 220 milhões na primeira fase, informaram os diretores da Juma Participações (Petrônio Pinheiro Filho) e da Log-In Logística Intermodal (Cláudio Loureiro). O lucro líquido da Log-In Logística no primeiro trimestre de 2008 alcançou R$ 36,8 milhões.III - Impactos ambientais e paisagístico que o Porto das Lajes provocará:1 - Impacto estético/paisagístico na região do Encontro das Águas – principal símbolo da natureza e dos povos do Amazonas, devido ao desmatamento e revolvimento das margens, destruição das encostas, destruição da floresta de terra firme para construção de pátio de 10 ha para armazenar os contêineres e concentração do fluxo de balsas e navios de grande porte e devido ao lançamento de resíduos sólidos e líquidos que geralmente os navios costumam realizar ao chegar em um porto.2 – A construção do empreendimento portuário provocará desmatamento de floresta de várzea de rio Internacional (inclusive ilhas), de floresta de margens de lagos, igarapés e nascentes, de floresta de encosta e de floresta de terra firme, que na propriedade em questão todas constituem Áreas de Preservação Permanente (APP) que em rios desta dimensão se estendem até 600 m das margens. Com a remoção da cobertura florestal a fauna terrestre e aquática será afetada inclusive algumas raras, endêmicas e ameaçadas de extinção, como o sauim-de-Manaus.3 – O derramamento de óleo e dejetos sólidos e líquidos das embarcações, o revolvimento de sedimentos do leito do rio e taludes, e o desmatamento das margens e encostas que o empreendimento provocará alterará a qualidade da água da região e poderá provocar assoreamento e poluição do Lago do Aleixo – principal lago pesqueiro da margem esquerda desta região de Manaus.4 – O impacto na qualidade da água e o aumento do fluxo de grandes embarcações que a construção do empreendimento e a atividade portuaria provocará afetará a rica vida aquática do Encontro das Águas, inclusive as populações de boto vermelho (Inia geoffrensis), boto tucuxi (Sotalia fluviatilis) e peixe-boi (Trichechos inunguis), espécies ameaçadas de extinção.5 - Impacto nas áreas de reprodução, pouso e descanso de espécies de aves locais e migratórias, a exemplo do maçarico solitário e o maçarico pintado, ambos pássaros migratórios provenientes do Hemisfério Norte que param na região das lajes no percurso em direção ao Sul do continente – Argentina e Patagônia – e são protegidas por acordos internacionais.6 - Impacto na reprodução de peixes e outros organismos aquáticos que desovam e nidificam no Lago do Aleixo.7 - Destruição de sítios arqueológicos de altíssima relevância, segundo o IPHAN.8 – Contaminação biológica com patógenos e espécies exóticas que serão trazidas pelas balsas e na água de lastro dos navios e que possivelmente encontrarão local propício para procriação, principalmente no Lago do Aleixo, e poderão inclusive se transformar em pragas de impacto ambiental e econômico de escala regional.9 - Impacto na Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Nazaré das Lajes que é uma Unidade de Conservação Federal de 52 ha localizada a oeste do local previsto para a construção do Porto das Lajes e que constitui um belíssimo presente da ONG pacifista Soka Gakai aos Manauaras, pois é um dos únicos locais do Distrito Industrial situado nas margens do Encontro das Águas que foi preservado e recuperado paisagisticamente e é utilizado para educação ambiental, visitas comunitárias e pesquisas científicas.10 - Impacto paisagístico no empreendimento turístico “Parque Turístico Encontro das Águas”, previsto para ser implementado pelo Município de Manaus nas adjacências da área prevista para construção do Porto das Lajes, que ser for construído irá inviabilizar a atividade turística.11 – Para permitir o atraque das grandes embarcações e construção do caís portuário possivelmente será necessário destruir as cênicas lajes rochosas areniticas que afloram na região no período seco e são usadas pela população para pescaria e área de lazer e constiruem um sítio geológico intitulado Ponta das Lajes e que possui o título de Patrimônio Natural da Humanidade.IV - Impactos sociais que o Porto das Lajes acarretará:1 - O Porto das Lajes acarretará na diminuição da atividade turística na região do Encontro das Águas, pois afetará alguns atrativos turísticos naturais porque será localizado no ponto mais estreito do rio, onde há hoje maior intensidade de visitação turística. O desmatamento, a poluição aquática e o aumento do número de embarcações de carga e os pátios de contêineres que se instalarão na área provocarão imensa degradação paisagística e impacto visual. Além disso, a presença do porto também afetará a visualização do grande número de botos no Encontro das Águas e da diversidade de aves e ninhais da região, que certamente serão afugentados.2 - Com a construção do Porto das Lajes a comunidade da Colônia Antonio Aleixo além de ser submetida aos impactos ambientais que ocasionarão a diminuição da qualidade de vida da população e dos recursos pesqueiros utilizados para subsistência, será submetida às diversas degradações sociais associadas à presença de um terminal portuário, como aumento da violência, de doenças contagiosas, da disponibilidade de drogas e da prostituição.3 - A diminuição do recurso pesqueiro que o terminal portuário acarretará além de atingir a comunidade de pescadores da Colônia Antônio Aleixo, formada por 500 pessoas cadastradas que tiram do Lago do Aleixo o sustento para suas famílias, irá atingir a subsistência de grande parte da população de baixa renda de Manaus que usa o lago para pesca devido à facilidade de acesso e a piscosidade.4 - O porto destruirá a área de lazer das comunidades da Colônia Antonio Aleixo e da Zona Leste de Manaus, pois a área é utilizada para pescaria e como balneário devido a ampla e belíssima laje de arenito, que deve ser preservada para este fim. A atividade turística através de passeios com pequenas embarcações no Encontro das Águas também é uma das atividades econômicas que vêm se organizando na comunidade e que será prejudicada pelo Terminal Portuário. Segundo os portadores do bacilo de hansen, a pescaria é o único lazer que possuem e que será inviabilizada com a construção do porto.5 - O aumento do fluxo de grandes embarcações dificultará e colocará em risco a navegação de pequenas embarcações regionais. O maior fluxo e concentração de grandes embarcações possivelmente transformarão esta área do Rio Amazonas em “espaço restrito” por questões de segurança hidroviária, o que prejudicará o principal meio de transporte local e as atividades econômicas das comunidades do entorno do Terminal Portuário.6 - A Colônia Antonio Aleixo foi instituída a partir de 1937 para moradia dos hansenianos, que foram transferidos de uma região a montante de Manaus para a jusante da cidade em área da União nas margens do Lago do Aleixo, nas proximidade do Encontro das Águas. O Núcleo de Cultura Política do Amazonas posiciona-se que a comunidade necessita de revitalização e valorização de seu território a partir da afirmação identitária de seu espaço e iconografia específicas e não de um porto flutuante que comprometa o usufruto comunal do lago. O Lago do Aleixo é um ícone comunal, símbolo de resistência e afirmação da identidade da comunidade, pois este representava o único elo da comunidade para com o restante da cidade, no tempo do leprosário. A partir dos anos 80 novas famílias foram incorporadas ao território, somando hoje 60.000 pessoas. A construção do porto na principal área de acesso ao Lago do Aleixo causará prejuízos aos comunitários que precisam do lago para locomoção, pesca e bem-estar.7 - Além da comunidade da Colônia Antônio Aleixo, também receberão os impactos negativos do Terminal Portuário Porto das Lajes as comunidades de Careiro da Várzea, Mauazinho e Puraquequera.8 – É incompatível a captação de água para consumo humano, em uma região como a Amazônia, ser realizada ao lado de um Terminal Portuário que trará tanta contaminação aquática. No entanto, o Terminal Portuário Porto das Lajes está previsto para ser implantado em área adjacente a área também prevista para implantação do novo ponto de captação de água de Manaus, obra do governo do Estado do Amazonas com custo de R$ 250 milhões oriundos do Governo Federal através do Plano de Aceleração do Crescimento do Governo Federal - PAC (http://www.casacivil.am.gov.br/solenidades.php?pr=7). A área da empresa ALUMAZON Componentes da Amazônia S.A., que desmatou toda a cobertura florestal inclusive a APP e removeu grande parte do relevo provocando grande degradação nos igarapés e nas margens do Encontro das Águas e é área de jurisdição da SUFRAMA, foi desapropriada pelo governo do Estado do Amazonas para ser instalado ali a estrutura de captação de água, segundo o discurso do Governador Eduardo Braga publicado em setembro de 2008 no site da Casa Civil. A estação de tratamento da água captada será instalada na área da Escola Agrotécnica Federal de Manaus, onde foi desmatado sem licenciamento ambiental 20 há de floresta da bacia da nacente do Igarapé do Quarenta e retirou 20.000m3 de riquíssimo e fértil húmus e depositou sobre as nascentes do Lago do Aleixo O governo do Estado do Amazonas indenizou o grupo ALUMAZON pela área, apesar de toda a degradação ambiental provocada no Encontro das Águas pela empresa e de ter desviado recursos de investimento públicos, ter permitido a deteriorização das máquinas adquiridas com financiamento federal e de não ter instalado linha de produção, o que fez com que a Controladoria-Geral da União (CGU) impetrasse processo para recuperar os recursos liberados pelo FINAM/BASA, segundo o relatório de auditória da CGU 06/2006 sobre os fundos de Investimento na Amazônia (www.integracao.gov.br/download.asp?endereco=/pdf/fundos/fundos_fiscais/relatorio.pdf&nome_arquivo=relatorio.pdf e http://www.portaltransparencia.gov.br/).V – Avaliação do Estudo dos Impactos Ambientais (EIA/RIMA) apresentado pelo empreendimento:Conforme a legislação ambiental determina, o empreendimento Porto das Lajes submeteu o Estudo de Impacto Ambiental (EIA/RIMA) em setembro/08 ao IPAAM (órgão ambiental licenciador do estado do Amazonas), que teria 45 dias para analisá-lo. Como a comunidade do Lago do Aleixo se mobilizou contra os impactos sociais e ambientais do empreendimento e solicitou Audiência Pública para avaliar a EIA/RIMA (que foi realizada na Colônia Antônio Aleixo em 20/11/2008), este prazo foi prorrogado e o IPAAM deverá se posicionar sobre o licenciamento do Porto das Lajes nos próximos meses. O professor da UFAM Carlos Edwar, do Projeto Piatam, foi o coordenador do EIA/RIMA.Segundo a Procuradoria do IBAMA e a Secretaria Municipal de Meio Ambiente (SEMMA), que foram intimados a se posicionar através de Inquérito Civel Público do Ministério Público Federal no Amazonas, o EIA/RIMA não contém as informações necessárias para avaliar os impactos ambientais que o Porto das Lajes trará para a paisagem e a ecologia da orla do Encontro das Águas, para a comunidade da Colônia Antonio Aleixo e para o Lago do Aleixo. Se os impactos não foram identificados e dimensionados devidamente no EIA e no RIMA apresentado pelo empreendimento ao IPAAM, estes documentos também não foram capazes de propor, conforme estabelece a lei, as medidas mitigadoras e compensatórias dos impactos ambientais e sociais, por isso o licenciamento do empreendimento não tem condições de ser aprovado pelo órgão ambiental.Para o Ministério Público Estadual o EIA/RIMA tem várias inconsistências e não respeita a Legislação Ambiental Federal, Estadual e Municipal, pois sequer identifica as Áreas de Preservação Permanente (APP). O local previsto para instalação do Porto das Lajes é área permanentemente protegida por lei e não pode ser degradada por: 1 - ser área de reprodução de pássaros e berçário da vida aquática; 2 - possuir espécies ameaçadas de extinção; 3 – possuir sítio arqueológico; e 4 – ser constituída em sua totalidade por margens de lago, de nascentes de igarapés, e de rio federal e ilhas.Segundo o MPE o EIA/RIMA, além de ser superficial e falho em vários aspectos importantes, é também incompleto principalmente por não apresentar outros possíveis locais para implantação do empreendimento e não justificar porque a localização do encontro das Águas e o do Lago do Aleixo seria a melhor opção social, ambiental e econômica para a construção do Terminal Portuário Porto das Lajes, conforme estabelece a resolução do CONAMA 01/87.Segundo a Polícia Federal e o IBAMA a propriedade da área prevista para a instalação do Porto das Lajes pertence à União e não ao Grupo Simões, que é acusado pelos moradores da Colônia Antônio Aleixo de ter “grilado as terras”, em prejuízo inclusive da comunidade de hansenianos que ali vivem. O porto flutuante se estenderá longamente sobre o Rio Amazonas e abrangerá parte de uma ilha, que é também propriedades da União e que para haver usufruto destas áreas seria necessário licenciamento de órgão Federal e não Estadual. A legislação Federal estabelece que quando não há comprovação do título da terra de um empreendimento, o licenciamento ambiental e empréstimos bancários de dinheiro público não poderão ser concedidos.Os direitos dos que vivem na área foram tolhidos, pois o EIA/RIMA não os respeitou devido a comunidade não ter sido ouvida e nem sequer o Estudo de Impacto de Vizinhança foi realizado. O EIA/RIMA apresentado pelos empresários prevê que haverá contratação de mão de obra local para construção do porto. A comunidade da Colônia Antônio Aleixo não acredita, pois esta nunca foi a relação das empresas madeireiras clandestinas e de terraplenagem que se instalaram na área que juntamente com as Indústrias do Distrito Industrial desrespeitam as leis ambientais e degradaram os recursos naturais e a qualidade de vida da comunidade sem que os órgãos ambientais exerçam a mínima governabilidade sobre a situação. Além do que parte significante da comunidade é portadora do bacilo de hansen, e dificilmente seriam contratados por empreendimento deste caráter. Na audiência pública a comunidade da Colônia Antônio Aleixo se posicionou firmemente contra a instalação do Porto das Lajes. Ao invés de empregos portuários, optaram por manter sua qualidade de vida e conservar os recursos naturais que restam na região principalmente o pesqueiro que constitui sua grande fonte de alimentação.O EIA/RIMA apresentado sequer propõe um plano de risco e contenção de acidentes, como um provável derramamento de óleo, e também não apresenta proposta de destino e tratamento dos resíduos sólidos e líquidos, estes produzido em imenso volume pelos barcos que costumam abrir as compotas ao atracarem nos portos, descarregando água de lastro com organismos exógenos, dejetos sanitários e óleo .O EIA/RIMA deveria ter sido submetido ao IBAMA, que é o órgão licenciador ambiental de esfera federal, e não ao IPAAM, órgão ambiental estadual, pois a área do Porto das Lajes esta sob jurisdição federal devido aos seguintes fatos: 1 – o Rio Negro, o Rio Solimões e o Rio Amazonas são cursos de águas internacionais, portanto são bens da União (art. 20, III, da Constituição Federal); 2 – compete a União a exploração, direta ou indireta, dos portos fluviais (art. 21, XII, da Constituição Federal); 3 – é atribuição da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (ANTAQ) atividades relacionadas à outorga da exploração da infra-estrutura aquaviária e portuária; 4 – Situa-se no Distrito Industrial da Manaus, subordinado a Superintendência da Zonas Franca de Manaus; e 5 – a área é propriedade da União.VI - Propostas aos empreendedores, aos órgãos ambientais e aos Ministérios Públicos:1 - Que outra área já degradada, desmatada (infelizmente é o que não falta na margem esquerda do Rio Negro) e afastada de populações que usam bens naturais de uso comum e de recursos pesqueiros e paisagísticos de maior relevância seja escolhida para implantação do terminal portuário.2 - Que para a nova área a ser escolhida para implementação do Terminal Portuário seja apresentado pelos empreendedores ao órgão de licenciamento ambiental federal - IBAMA um estudo mais completo dos impactos ambientais e sociais e propostas concretas com cronograma das ações mitigadoras e compensatórias dos impactos socioambientais.3 - Que toda a área de influência do Encontro das Águas nas duas margens e nas ilhas envolvidas, inclusive a área prevista para o Porto das Lajes, seja transformada em uma Unidade de Conservação na categoria de Parque ou Área de Relevante Interesse Ecológico (ARIE) para propiciar beleza cênica aos manauaras e aos turistas e preservação da biodiversidade. Também será necessário a implementação de programa de recuperação paisagística e ecológica de todas as áreas que o poder público degradou ou permitiu que fossem destruídas na região do Encontro das Águas. Esta proposta de transformar toda a região do Encontro das Águas em Unidade de Conservação foi apresentada pela comunidade manauara durante a III Conferência Municipal de Meio Ambiente realizada em fevereiro de 2008 e referendada na III Conferência Estadual do Meio Ambiente do Amazonas na III Conferência Nacional do Meio Ambiente.4 - Que a região do lago do Aleixo, que se tornou um porto intenso de chegada de madeira ilegal e de destruição das margens através de terraplenagem e exploração de argila por empresários que não pertencem à comunidade e que deterioraram a qualidade da vida dos moradores, passe a ser fiscalizada rotineiramente pelos órgãos ambientais e policiais.5 - Que um programa de controle ambiental, recuperação ambiental e educação ambiental seja realizado no Pólo II do Distrito Industrial que está sujeito a todo o tipo de crime e degradação ambiental por empresários, indústrias, especulação imobiliária e moradias irregulares sem que haja qualquer controle e monitoramento efetivo dos órgãos ambientais. Como por exemplo, a ALUMAZON que foi instalada dentro de uma APP provocando grande desmatamento de floresta e remoção de relevo, a Indústria de papel Sovel da Amazônia Ltda. que libera efluentes tóxicos diretamente no Lago do Aleixo e a Usina Termoelétrica do Distrito Industrial que diuturnamente despeja imensa quantidade de fuligem negra que se avista de toda a região do Encontro das Águas.6 - Que após a construção do novo porto em local sujeito a menor impacto socioambiental, a área destinada a deposito de contêineres da região portuária do centro de Manaus, seja revertida em área de espaço de lazer para a população Manauara e que a vista do Rio Negro a partir da Praça da Matriz seja resgatada.7 - Salientamos ainda o fato de que se existe demanda empresarial suficiente para construir um novo porto fluvial com o porte previsto para o Porto das Lajes no Encontro das Águas, é porque ao invés de asfaltar a BR 319 enquanto ainda não há governabilidade suficiente na região, o que causaria grande impacto ambiental e social, o Ministério dos Transportes deveria investir na melhoria da hidrovia do Rio Madeira.*Manifestações contrárias à construção do Porto das Lages devem ser encaminhadas ao: IPAAM (neliton@ipaam.am.gov.br), C/c ao Ministério Público Federal no Amazonas (denuncia@pram.mpf.gov.br), Ministério Público Estadual, Fórum Permanente de Discussão da Amazônia (cdh@argo.com.br) e mailto:ademiramos@hotmail.com

domingo, 15 de fevereiro de 2009

CONTRA O PORTO DAS LAJES, EM DEFESA DO ENCONTRO DAS ÁGUAS




Participei de uma carreata com destino ao Lago do Aleixo - saímos da Bola do Coroado, paramos no Mirante do Encontro das Águas dos rios Solimões e Rio Negro, ouvimos os comunitários, os professores e os cientistas; depois embarcamos num barco regional, passeamos pelo Lago e paramos próximo ao Encontro das Águas; recebi o manifesto, abaixo transcrito, para que os nossos leitores possam refletir e se engajarem nesta luta contra a construção do Porto das Lajes.

MANIFESTO
O NCPAM integra as forças do Movimento contra a construção do Porto das Lajes, formado por ambientalistas, religiosos, sindicalistas, professores, médicos, agentes comunitários, produtores culturais, jornalistas, comunicadores de rádio e televisão, donas de casa, estudantes, entre outras representações organizadas da sociedade civil manauara, que se identificam como Amigos de Manaus, manifestando-se contra a Construção do Porto das Lajes nas confluências do Encontro das Águas, cartão postal de nossa cidade. Leia o manifesto e participe desta Rede em Defesa da Nossa Amazônia, passando adiante esta mensagem e manifestando o seu apoio:
O Encontro das Águas dos Rios Negro e Solimões é uma das maravilhas naturais da Amazônia, do Brasil e do mundo. Este ícone é reconhecido como patrimônio local da humanidade, devendo ser preservado para que os povos da Amazônia no presente e no futuro desfrutem das riquezas naturais e humanas dessa paisagem. Este patrimônio é protegido pela Constituição Federal e pela Constituição do Estado do Amazonas por ser um Bem cultural paisagístico e simbólico, representativo da Amazônia e de seus povos.
Espetáculo da natureza, que despertou nos colonizadores atitudes de espanto e admiração, merecendo de Frei Gaspar de Carvajal (1542), a seguinte exclamação: “vimos a boca de outro grande rio que entrava pelo que navegávamos, pela margem esquerda, cuja água era negra como tinta e, por isso, o denominamos rio Negro. Suas águas corriam tanto e com tanta ferocidade que por mais de vinte léguas faziam uma faixa na outra água, sem com ela misturar-se”.
Este símbolo de Manaus está sendo ameaçado pelo terminal portuário Porto das Lajes que está na iminência de ser construído na confluência do Encontro das Águas do Rio Negro com Solimões, à margem esquerda do Rio Amazonas, na foz do Lago do Aleixo, nas vizinhanças da Reserva Particular de Patrimônio Natural Nossa Senhora das Lajes, do Pólo Industrial de Manaus e das comunidades do Bairro Colônia Antonio Aleixo. Nesta área, pretende-se construir o mirante do Encontro das Águas, projeto da Prefeitura assinado por Oscar Niemeyer e implantar também o Programa Água para Manaus, que visa à captação e tratamento de água para abastecimento de 500 mil pessoas, com recursos do Governo Federal.
No entanto, em Audiência Pública realizada no dia 19 de novembro passado, os comunitários da Colônia Antonio Aleixo, os Amigos de Manaus e o Ministério Público Estadual manifestaram-se contrários a construção do Porto das Lajes devido à degradação paisagística, ao desmatamento, a poluição e impacto na fauna aquática e a depauperação dos recursos naturais e culturais de uso comunitário do Lago do Aleixo, que o empreendimento acarretará. O órgão ambiental responsável pelo licenciamento deverá solicitar a escolha de uma área de menor importância paisagística e já degradada. Deverá também exigir estudos de impacto ambiental (EIA/RIMA) de melhor qualidade técnico-científica do que o já apresentado pelo empreendedor ao IPAAM, que respeite a legislação ambiental e a comunidade do entorno, sendo capaz de identificar os impactos ambientais e sociais do empreendimento. O EIA/RIMA deverá propor claramente medidas concretas de mitigação e compensação de todos os impactos ambientais e sociais negativos
O mega-projeto do terminal portuário irá construir um pátio com mais de 100 mil metros quadrados de área, com capacidade para atender 250 mil unidades de contêiner, prejudicando a qualidade de vida futura de Manaus, pois irá degradar nosso principal ponto turístico, destruindo também, uma bela área de lazer da população e afetando a qualidade da água no ponto de captação a ser construído, além de destruir o recurso pesqueiro da Comunidade da Colônia Antônio Aleixo e da circunvizinhança.
Nós representantes da Sociedade Civil, Amigos de Manaus, manifestamos nossa indignação frente ao descaso dos governantes, que permitem a degradação de nossos recursos naturais e culturais, sem compromisso com responsabilidade social e ambiental. Para tanto, exigimos que o Encontro das Águas seja transformado em Parque de Preservação Paisagístico, lazer e uso sustentável dos recursos naturais, garantindo esse Patrimônio às futuras gerações.
Manaus, 17 de dezembro de 2008.
Amigos de Manaus/ Associação, Cultural, Ambienta e Tecnológica/WOMARÃ/ Fórum Permanente de Defesa da Amazônia/ Associação de moradores da Colônia Antonio Aleixo/ Comissão de Direitos Humanos da Arquidiocese de Manaus/ Núcleo de Cultura Política do Amazonas – NCPAM/UFAM/ Sindicato dos Jornalistas do Amazonas/ Centro Social e Educacional do Lago do Aleixo/ Associação Jesus Gonçalves/ Associação Beneficente dos Locutores Autônomos de Manaus.
Fotos: José Martins Rocha

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

LUZES DA RAINHA


Tadeu Garcia / Paulinho Du Sagrado

Lua clareia os fios dessas águas
E faz espalhar pelas matas
As formas da mulher encantar

Lua é o espelho da bela morena
Nos sonhos é atriz das cenas
Que vivemos a sonhar

Moça bonita de lindos trançados
Dançando boi em forma de gingado
Traz novos passos
No compasso da toada
Que o mundo quer te ver

Risos nos lábios de tom encarnado
Suor nas curvas do corpo molhado
A tua beleza é realeza
No folclore que retrata o nosso boi
Clareia...

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

RÁDIO DIFUSORA DO AMAZONAS - HOMENAGEM AO FUNDADOR JOSUÉ CLAÚDIO DE SOUZA.



A Escola de Samba Vitória Régia homenageou em 1999, a Rádio Difusora do Amazonas, com o enredo “50 anos de amor no ar”; à época recebi do saudoso compositor e sambista Nivaldo Mota, a letra concorrente ao samba enredo, composta em parceria com o Pintinho do Samba e Tião Carioca, a interpretação ficou a cargo do Gegê Almeida e Paulinho do Samba; não sei se foi a vencedora, mas em homenagem ao Josué Pai e o Nivaldo, transcrevo a letra:

O MENINO SONHADOR

Chega-nos trazendo a alegria
Vitória Regia com um sonho genial
Conta a historia de um menino sonhador
Com alegria neste lindo carnaval.

Começa aqui a sua viagem
Na carruagem do reino Itajaí
Rasgou a selva o menino Guarany.

Brilhou!
Brilhou o sol!
Brilhou a lua!
De verde e rosa, minha vida continua! (bis).

À frente a pequena Manáos
O alicerce para o castelo construir
Inundou com som da Baricéia
Com a bravura de um pequeno curumim.

Dona Xandoca!
E Dona Bia!
Juntas constroem um castelo e euforia! (bis).

A crônica, a resenha da cidade
De suas torres, suas ondas de alegria
Trouxe-nos toda a liberdade
Transformaram num castelo de magia.

É Difusora!
É meu amor!
Essa é a história de um menino sonhador (bis).
Vamos conhecer um pouco mais sobre a Rádio Difusora do Amazonas - sitio http://www.difusorafmmanaus.com.br/
No dia 24/11/1948, a voz de Josué Cláudio de Souza, que as ondas do rádio tornaram inconfundível para os amazonenses, ganhou um tom especial de emoção, anunciando: "Está no ar a Rádio Difusora do Amazonas, estação ZYS-8, a mais poderosa da planície e a mais querida de Manaus, operando na freqüência de 4.805 kilociclos, ondasintermediárias de 62,40 metros". Josué Cláudio de Souza, o legendário fundador e diretor da Rádio Difusora do Amazonas, chegou a Manaus a bordo de um Catalina da Panair do Brasil, no dia 31/12/1942, invocando, como costumava dizer, as bênçãos de sua madrinha Nossa Senhora da Conceição, padroeira desta cidade. Jornalista, nascido em Santa Catarina, Josué acabava de receber de Assis Chateaubriand a missão de dirigir a única estação de rádio de Manaus, a Rádio Baré, antiga Voz da Baricéia, e o jornal mais tradicional e mais antigo do Amazonas, o Jornal do Commercio, há pouco tempo incorporados ao grande império de comunicações do Brasil daqueles tempos: a cadeia dos Diários e Emissoras Associadas do Brasil.
Emissário de Chateaubriand
O jovem emissário de Chateaubriand indentificou-se de tal forma com esta cidade, que se tornou amazonense por livre escolha e aqui deitou suas raízes. Grande comunicador de massa, Josué elegeu-se deputado estadual em três legislaturas, participando da Assembléia Estadual Constituinte em 1947. Foi o primeiro prefeito eleito de Manaus na era pós-getulista, no começo dos anos 1960, assumiu interinamente o governo estadual e conquistou três mandatos de deputado federal. Mas a força do seu carisma afirmou-se muito mais no jornalismo e no rádio, especialmente no rádio, veículo que ele efetivamente alavancou quando criou a sua própria emissora, a Rádio Difusora do Amazonas, em sociedade com sua esposa e grande incentivadora, Maria da Fé Xerez de Souza, e os amigos fraternos Jaime Bittencourt de Araújo, Agesilau Souza de Araújo, Fabiano Afonso, Alzira Figueira, Alberto Carreira e João Salomão (este e sua esposa, dona Camélia Cantanhede Salomão, eram padrinhos de casamento de Josué e Maria da Fé e padrinhos de batismo de Josué Filho).
A Difusora está no ar
No mesmo dia, às 20 horas, a Difusora abriu as portas de seu auditório, na Rua Joaquim Sarmento n.º 100, telefone 25-12, para o show de inauguração ansiosamente aguardado pelos manauenses. Os grandes astros e estrelas da mais poderosa emissora da planície apresentaram-se em noite de gala. Os "Cancioneiros da Lua" - conjunto vocal formado por Hiran, Tiba e Ivan Caminha, Raimundo Corrêa Lima, Hélcio Maia e Clóvis Bacury - deram o tom glebarista ao espetáculo, cantando Terra de Ajuricaba, samba ufanista do intelectual amazonense João Mendonça de Souza. E a grande atração do espetáculo, Orlando Silva, "o cantor das multidões", apresentou três de seus grandes sucessos: Lábios que beijei, valsa de J. Cascata e Leonel Azevedo; Carinhoso, samba de Pixinguinha e João de Barro; e Jornal de ontem, samba-canção de Romeu Gentil e Elisiário Teixeira.
Tempos Heróicos
Em tempos muito difíceis, quando os serviços de correios e telégrafos eram reconhecidamente precários e a comunicação telefônica para o interior não passava de um sonho, as ondas potentes da Difusora alcançavam os mais distantes pontos do nosso território, transmitindo mensagens ansiosamente aguardadas pelos amazonenses.
A Crônica do Dia
Desde a inauguração da Difusora, no dia 24 de novembro de 1948, Josué Cláudio de Souza passou a ler a sua crônica diária na sua própria emissora. Ao meio-dia, de segunda-feira a sábado, acompanhando as badaladas do sino da Matriz de Nossa Senhora da Conceição, Manaus parava para ouvir a Difusora e escutar "a Crônica do Dia".

Família Difusora
A História da Rádio Difusora do Amazonas se confunde com a saga de Josué Claudio de Souza, e de sua esposa Maria da Fé. Todos os meses seu companheiro de empresa e amigo Nelson vinha a Manaus ver o andamento da Baré e, observando a excelente performance do novo diretor, insistia para Josué fundar sua própria rádio. Mas Josué não se animava com a idéia, pois reconhecia que ele, não tinha poder aquisitivo para tal. Nelson era insistente e não vendo nenhuma reação do amigo, ele próprio escreveu uma carta solicitando aos Correios e Telégrafos a concessão da tão sonhada emissora de rádio. Josué, para se ver livre da insistência do bom amigo, assinou a carta sem nenhuma esperança, pois para ele parecia absurda a idéia da autorização de funcionamento de uma outra emissora de rádio em Manaus, que nesta epóca tinha aproximadamente 120 mil habitantes.
A surpresa inesperada aconteceu. O pedido foi aceito, mais como montá-la sem capital? Dr. Jaime Araújo, da família J. G. Araújo, com grande tradição e importância no comércio da borracha, ao ouvir a inusitada estória do amigo, disse: "Providencie a compra do material, em banco." Foi assim que os dois se tornaram sócios durante anos, junto com um pequeno grupo de amigos. Mais tarde, a sociedade se desfez, permanecendo apenas Josué e sua esposa Maria da Fé. Surgia assim em 24 de novembro de 1948 a ZYS-8 - 62,40 metros, onda intermediária da Rádio Difusora do Amazonas, que antes de ir ao ar teve (somente no contrato social) a denominação de Rádio Rio Negro.
Josué montou uma equipe de radialistas amigos e competentes, que toparam a parada sem mesmo saber quanto iriam ganhar, pois no princípio o pagamento era semanal, com a seguinte pergunta: Quanto você precisa para o mercado? Vicente Lauria, Miranda Braga, Dantas de Mesquita, Carlos Leal, Jaime Pascarelli, Luiz Gonzaga, Epifane Martins, Oswaldo Soares (Bico Doce), Índio do Brasil, todos formavam uma equipe unida prol emissora do povo, logo depois ampliada com Rômulo Gomes, Belmiro Vianez e tantos outros. A Difusora foi inaugurada por Orlando Silva, "o cantor das multidões. Mais tarde, ele e Josué se tornaram grandes amigos. Somente na década de 50 surgia a ZYB-21, onda média, e na década de 70 a freqüência modulada.
Josué era um homem fascinante e, como todo intelectual, dispersivo para administrar. Duas figuras ímpares, sua esposa Maria da Fé e o amigo e escudeiro Ismael Benigno, preencheram essa lacuna. A Difusora, durante muitos anos, foi administrada pelo super amigo Ismael Benigno e supervisionada por Maria da Fé, com a preciosa colaboração de Paulo Soares, Carlos Carvalho, João Bosco Ramos de Lima, J. Nunes, Paulo Xerez, Raimundo Clemêncio, Olavo Coelho, Delza Castro (Cavalcante), Mária Wilson, Geraldina Linhares, Leal da Cunha, Moza Castro, Maria do Carmo França, Zuleide Carvalho, Terezinha Tribuzzi e muitos outros.
Desde quando Josué, seu marido, ingressou na política, Maria da Fé integrou-se ao dia a dia da emissora, vivendo e acompanhando, com dedicação, competência, muita sensibilidade e muito amor, todos os passos da Difusora. Os primeiros anos foram difíceis. Josué e Maria da Fé só conseguiram ter casa própria no final da década de 50. Na década seguinte, quase no finalzinho, em 1968, a "emissora do coração do povo" saiu da Joaquim Sarmento n.º 100, quer dizer, atravessou a rua, mudando-se para o n.º 121, com sede própria num prédio de três andares que recebeu o nome de Nossa Senhora da Conceição, protetora de Josué e da Difusora, operando nas três faixas - AM, FM e OT.
No tempo difícil, tumultuado e covarde da ditadura militar, a Rádio Difusora foi penalizada pelo sistema de censura vigente, calando algumas vozes e lacrando a "Emissora do Povo" por algumas horas. A Difusora seguiu sua luta, trilhando o caminho da democracia, conquistando suas marcas junto ao público, que é o nosso grande parceiro na luta pelo progresso do nosso estado.
O escrete Difusora prossegue com Josué Filho, Fesinha, Carminha e Nozinha, e os outros irmãos de fé e de ideal: Valdir Correia, o garotinho, Crisanto Jobim, Sebastião da Mata, Carlos Luiz, Paulo Gilberto, Carla Silva, Chiquita, Beto, Hamilton, Rubens Natividade, Luciana, Leonor, Diogo, Romualdo, Cid Soares, Franciomar Lima, Roberto Cuesta, Elieyde Menezes, Ernandi (PC), Pitombinha, F. Cavalcante, J. Nunes, Jurandir, Rosa, Luiz Carlos, Manoel, Afonso, Ana, Edson Mello, Paulo Guerra, Eduardo Silva, Sandro, Josimar, Charles 45, Valdemir, Expedito Monteiro, Álvaro Campelo, Raidi Rebelo, Gerson Guerra, Tozzi, Turiel, Genival de Paula, Mônica, Izan Filho e Thiago Miranda (filhos da Carminha), Daniel e André Luiz Anzoategui (filhos da Fesinha), Lorena e Josué Neto (filhos do Josué Filho). Pois bem, chegamos à terceira geração da Difusora, com Josué Neto, Lorena Souza e Daniel Anzoategui. A eles cabe o continuar da emissora que durante esses anos plantou amor e colheu amigos. A eles cabe prosseguir esbanjando esperança, porque o amor de Manaus está no ar. A eles cabe, ainda, o desenrolar desta história interrompida aqui...