quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

DESENHO ANIMADO, O ENCANTO DAS CRIANÇAS.



Ao rever esta fotografia, tirada no interior de uma imensa árvore de natal, no Largo de São Sebastião, em Manaus, onde aparece na tela de projeção de 180 graus, um detalhe de um desenho animado em mídia “bluray” -, voltei ao passado, comecei a lembrar dos velhos desenhos animados da minha infância e adolescência, bem como, dos curtidos pelos meus filhos quando eram pequenos e, agora, pelos meus netos, irei tentar compartilhar um pouco com vocês.

A primeira vez em que vi um desenho animado, deveria ter uns oito anos de idade, lembro muito bem, foi quando fui assistir à “Matinê do Nego Mau”, pertencia a um colega da Rua Igarapé de Manaus, onde ele montou o pequeno negócio nos porões da sua casa, passava filmes em caixinhas de sapato, cobrava o ingresso da molecada, aproveitava também para ganhar mais algum, vendendo KSuco de Uva com bolacha da Padaria Modelo.

Na época, pouquíssimas pessoas tinham aparelho de televisão, era um privilegio de alguns - costumava passar em frente de uma loja que ficava na esquina das avenidas Sete de Setembro e Joaquim Nabuco, somente para assistir um pouco de desenho, mesmo sem ter o áudio.

As sextas-feiras, o Sr. Airton, um vizinho mais abastado, abria os portões da sua bonita casa, deixando todas as crianças pobres entrarem para assistirem desenhos animados, eram passados num grande telão que ficava montado no jardim da sua residência.  Era o máximo!

Jamais poderei esquecer o Bat Fino & Caratê (em preto e branco), a Corrida Maluca, Manda Chuva, A Pantera Cor-de-Rosa, Riquinho, Gasparzinho, Tartaruga Atômica, A Bruxinha Sabrina, etc.

Os meus filhos nasceram na década de oitenta, eles são da época do “Balão Magico” e da "Xuxa", quando ainda passavam desenhos decentes e não faziam apologia à violência, eles gostavam muitos e, eu também: TandersCats, Caverna do Dragão, Tartarugas Ninjas, He-Man, Capitão Planeta, Tico e Teco, Zé Buscapé, Corrida Maluca,  Os Flintstones, Pica Pau, She-Ra, dentre outros.

Passados décadas, vem ao mundo a Maria Eduarda, a minha filha/neta, ela adora desenhos animados, tive de reaprender a assistir novamente aos desenhos – ela tem a oportunidade de ver na Net o “Discovery Kids”, onde passam somente desenhos criativos, educacionais e sem incitação à violência – A Maria se amarra em Milly e Molli, Angelina Ballerina, Octonautas, Marta Fala, Macanimais e, o famoso Backyardigans.


Comprei até um DVD portável para ela assistir aos seus filmes preferidos: RIO (da ararazinha azul brasileira, cuja música do Carlinhos Brown, foi preterida injustamente pela Academia) e DORA (uma menininha que ensina as criancinhas a falarem corretamente a língua portuguesa e a pronunciarem as primeiras frases em inglês).

Dos desenhos animados em caixinhas de papelão, de antigamente, aos bluray em três dimensões, de hoje, houve uma mudança monstruosa na tecnologia de exibição, mas, permanece para o todo e sempre encantando as crianças. É isso ai. 

Fotografia: J Martins Rocha

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

A FEIRA DA BANANA DE MANAUS



Quando o “Mercado Municipal Adolpho Lisboa” começou a ficar pequeno, para a comercialização dos produtos vindos do interior do Estado, alguns comerciantes resolveram montar uma pequena feira nas proximidades da “Manaus Moderna”, ficou conhecida como “Feira da Banana”.

Com o tempo, a Prefeitura de Manaus fez uma intervenção, construindo uma grande área coberta, dando maiores condições de trabalho para os pequenos comerciantes e, fornecendo uma maior segurança e comodidade para os compradores.

A feira passou a diversificar a oferta de produtos, mas, continuando com o carro chefe a venda da banana. Pode-se encontrar por lá: atacadistas de tomates, laranjas, cebolas e batatas portuguesas; varejistas de bananas, laranjas, tucumãs, melancias, pupunhas, mamões, gomas, tapiocas, queijos coalho, polpas de frutas, etc.
 Existem alguns comerciantes que possuem câmaras frigoríficas, com a grande maioria formada por goianos, comercializam frutas, legumes e verduras. Há também um pequeno restaurante, especializado em sopas de carne/mocotó e do tradicional peixe frito.

Os preços dos produtos são sempre mais baixo com relação às outras feiras e supermercados da cidade, o que motiva a um grande número de pessoas a se dirigirem todos os dias aquele local.

O Ministério Público Estadual obrigou a Prefeitura de Manaus a melhorar as condições de armazenamento dos produtos, foram construídos bancadas para evitar que as frutas ficassem expostas no chão, isto melhorou muito o visual da feira, bem como, ficou mais higiênica.

Os problemas ainda são muitos naquele lugar. A sujeira ainda é visível, falta limpeza no local, apesar de um carro coletor passar todos os dias; falta conscientização dos feirantes e de alguns consumidores, pois todos os restos são jogados em qualquer lugar, entupindo os bueiros, ocasionando um cheiro terrível quando chove.

A questão segurança é um problema sério, os próprios feirantes exigem uma maior segurança da 1ª Companhia Interativa Comunitária (1ª Cicom) e dos gestores da Secretaria Municipal de Produção e Abastecimento (Sempab).
Segundo eles, existem constantes furtos sofridos pelos proprietários das bancas e consumidores que frequentam o local, há muitos criminosos que trabalham como guardadores de carro, os chamados “flanelinhas”, a presença deles intimida o cliente, porque muitos são usuários de drogas.
Segundos estudos de alguns especialistas, esta feira compra 85% de toda a produção de banana de Boa Vista/Roraima. Diariamente chegam caminhões com toneladas de bananas, o que exige muita experiência e habilidade na descarga, um trabalho duro e com alto risco de acidentes de trabalho.

Fora os problemas acima, que precisam se equacionados de imediato, uma notícia merecedora de destaque, foi o pessoal que trabalha naquele logradouro, formou uma equipe de futebol o “AJ Feira da Banana” e foi campeã de 2011, da categoria master do Peladão. Os atletas foram os seguintes: Carlinhos, Everaldo, Donizete, Moisés, Adaílton, Ney, Cuí, João Carlos “Cavalo”, Deivis, Aldo e Zé Leite.  Técnico: Vilmar Farias “Cabeça”.

No próximo domingo é dia de feira, estarei lá na “Feira da Banana”. É isso ai.

Fotografias: J Martins Rocha

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

FAMÍLIA ANDRESEN



No dia 25 do mês passado fiz uma postagem sobre os “Armazéns Andresen” (http://jmartinsrocha.blogspot.com/2012/01/armazens-andresen.html) – a internet é uma ferramenta fenomenal, permite chegar uma mensagem instantaneamente a qualquer lugar do nosso planeta – este trabalho foi lido em Portugal, pelo Sr. João Andresen, trineto do fundador da empresa em Manaus. Trocamos alguns e-mail, conforme abaixo:

Fantástico. Estou sempre procurando dados sobre a minha família, já conhecia uma das fotografias dos armazéns, bem como outra semelhante que não está na montagem. Sempre acreditei que o edifício já tinha desaparecido. Parece que a zona do Tamandaré foi remodelada nos anos 50. Gostei de ver mais dados sobre os armazéns em Manaus. Será que pode mandar por e-mail as fotografias da montagem, separadas? 
João Andresen (trineto do fundador da companhia e bisneto do sucessor). Obs.: comentários feitos no blog sem informar o e-mail. 
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Sr. João Andresen (trineto do fundador) leia novamente a postagem, favor enviar o e-mail para envio das fotografias em separado. Obs.: informações colocadas na postagem.
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Obrigado pela sua resposta. Só depois de postar vi que não tinha deixado o contacto. Assim era impossível responder, claro. Estive a ver no Google Earth, realmente parece-me ver o edifício maior ainda existente na esquina daquelas duas ruas.

Algumas fotografias eu já conhecia, como a do navio Manaós. Encontrei também há algum tempo o álbum com fotografias de casas comerciais de Manaus, mas não me lembro de ver o interior dos armazéns.

Tenho aqui fotografias, bastante más, do navio Andresen, que navegou no  Amazonas e de outros que não consigo identificar. Como só agora cheguei a casa e é bastante tarde (quase 2 da manhã) mando amanhã os ficheiros, se estiver interessado.
Muito obrigado. João Andresen.
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Para mim é uma satisfação muito grande em manter contatos com um dos descendentes da família Andresen.

Uma das propostas do nosso blog (BLOGDOROCHA) é fazer um resgate da Manaus antiga, devo informá-lo que não sou historiador, mas, um apaixonado pela história da minha cidade Manaus.

Os amazonenses devem muito ao seu tataravô,  ele contribuiu muito para o progresso da Amazônia.

A cidade de Manaus está passando por um processo de revitalização do seu centro antigo, estamos apenas no começo, pois haverá aqui dois jogos da Copa do Mundo de 2014, a cidade está se preparando para isso. A parte onde fica o prédio dos teus antepassados, ainda não foi revitalizada, o local está abandonado, estamos aguardando com ansiedade que aquele local volte ao esplendor de antigamente.

Fico no aguardo do envio do ficheiro, inclusive, irei fazer outra postagem no Blog incluindo as fotografias e a nossa conversa por e-mail. José Martins Rocha
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Aqui vão algumas fotografias. Em algumas está um dos netos de João Henrique Andresen, que foi enviado aos 21 anos para Manaus para se iniciar nos negócios. Ao fim de algum tempo o pai queria mandá-lo de volta para Portugal, mas a boa vida que levava, como se vê nas fotografias,  convidava mais a ficar no Brasil. O pai teve de ameaçar mandar alguém buscá-lo. Algumas fotografias não estão identificadas, talvez sejam em Manaus. 

A fotografia do Vapor Andresen tem a marca da casa fotográfica, acho que diz: PHOTO  ALLEMA/G. HUEBNER & AMARAL/MANAOS

Não sei se o Vapor Cabral era da Companhia. Acho que já vi esse nome em algum lugar.
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Estou feliz com essa troca de e-mail, isto mostra para as novas gerações o quanto a cidade de Manaus é importante, pelo seu passado, presente e, futuro! É isso ai.


Fotografias: enviadas de Portugal, pelo Sr. João Andresen. 

UMA DAS ÚLTIMAS VIAGENS DA BALSA MANAUS-IRANDUBA



Fotografia de J Martins Rocha, mostrando a Balsa fazendo umas das últimas viagens da travessia Manaus-Iranduba, em decorrência da inauguração da Ponte que aparece ao fundo.

domingo, 26 de fevereiro de 2012

A ILHA DE MONTE CRISTO DE MANAUS


Onde é hoje a conhecida “Manaus Moderna”, existia uma ilha denominada “Ilha de Monte Cristo”, em homenagem a sua homônima situada na região da Toscana, na Itália - na realidade, o local era apenas uma pequena ínsula, que ficava bem em frente às ruas Miranda Leão e Andradas – com o tempo, fizeram a ligação com terra, deixando de ser uma ilha, mas, o nome permanece até hoje.

A cidade de Manaus já foi conhecida como a “Veneza dos Trópicos”, em decorrência de outrora ter uma semelhança com a Veneza dos italianos, por terem em comum uma extensa rede de drenagem, com inúmeros igarapés ou rios nas margens dos quais estão inúmeras construções, a segundo continua linda e conservada, enquanto a primeira, foi totalmente aterrada.

Segundo os historiadores, no local da antiga ilha, foi construído a RDC – Rubber Developmente Company, uma empresa norte-americana que na segunda guerra mundial comprava toda a produção de borracha dos amazonenses, um esforço do governo brasileiro para ajudar aos aliados que tinham perdido a borracha da Malásia para os japoneses.

Para carregar a produção de borracha, os americanos pousavam no Rio Negro os seus imensos aviões anfíbios “Clippers” e depois os “Catalinas”, eles entravam pelo Igarapé dos Educandos até a Ilha de Monte Cristo.

Com o término da guerra, o imenso prédio da RDC ficou abandonado, servindo tempo depois, como uma das fábricas do mega empresário Issac Benayon Sabá. Na década de 70, o local serviu para abrigar uma grande de loja da Moto Importadora Ltda., com vendas de motores de centro e de popa, peças, máquinas e equipamentos.

Um dos antigos clubes de Manaus, conhecido como “Monte Christo”, teve a sua origem naquele lugar, segundo o historiador Carlos Zamith, do blog Baú Velho.
Com a dita “Manaus Moderna”, a Ilha de São Vicente foi aterrada e o grandioso prédio histórico foi derrubado, ficando um enorme descampado até os dias atuais.

Depois de algumas brigas com o governo do Amazonas (o local pertencia ao Porto de Manaus e estava sob a tutela do Estado), a Prefeitura de Manaus conseguiu reaver o local, tentou implantar um “Camelodrómo”, para abrigar todos os vendedores ambulantes do centro de Manaus, mas, não deu certo, depois, transformou num grande estacionamento público, na tentativa de desafogar o centro da cidade, não deu certo também.

A Ilha de Monte Cristo serve hoje para estacionamentos de carretas, baús, automóveis das pessoas que vão fazer compras na Feira da Banana, contêineres frigorificados, etc.

A única coisa antiga que permanece no local é um tanque de cimento armado com capacidade para 120 mil litros, com serventia apenas para um vigia, ao qual fez uma casa de meia água e, monitora todo o local, além de um campo de futebol de chão batido, onde antigamente os jogadores do Monte Christo batiam a sua bola. É isso ai.

Fotografias:
Preto e branco: acervo do IBGE;
Coloridas: J Martins Rocha

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

E ÉRAMOS TODOS VELHOS.


Ao abrir o meu e-mail, o famoso correio postal dos antigos, deparei com inúmeros avisos da equipe do Facebook, informando sobre os aniversários dos meus amigos da rede social, para minha surpresa, boa parte já passou da casa dos cinquenta e, outros tantos, pularam a cerca dos sessenta, pois é, mano velho - está chegando aquela famosa fase de “E Éramos Todos Velhos”, parodiando o CD musical da Dra. Graça Silva.

Não tem essa quando a velhice chegar: se correr o bicho pega, se parar, o bicho come. Vai marcar presença no pedaço a famosa PVC (A Porra de Velhice Chegando).

Somente em pensar que, na Copa de Mundo de 2014, já estarei com o pé na terceira idade, isto me dar arrepios. Fazer o quê? Acabou aquela frase de aniversário “quanto mais velho, mais bonitinho”, te esperou!

No meu trabalho, os jovens gostam de tirar onda comigo: é velho prá cá, velho prá lá! Já me acostumei -, em alguns deles, os pés de galinhas já começaram a aparecer – eu acho é pouco! Alguns falam que eu brinquei o carnaval no Bloco da PM (não da Polícia Militar, mas, do Pau Mole!). É mole, mas, sobe!

Os salões de beleza, outrora, uma exclusividade das mulheres, foram invadidos pelos homens. Não tenho o menor constrangimento em mandar tingir o meu cabelo, fazer manicure e pedicuro, além da limpeza de pele ou pelanca, tanto faz!

Quando a grana começar a entrar, sabe Deus lá quando - irei substituir a dentadura surrada e amarelada, por dentes implantados da melhor qualidade, bem como, farei uma cirurgia plástica para mudar o visual. Pode esperar!

Uma amiga me perguntou: - Rocha, o que você e outros coroas conversam lá pelo Bar do Caldeira? Respondi: - Olha, conversamos sobre diversos assuntos, entra no papo política, economia, o dia-a-dia da cidade, piadas, causos, aposentadoria, doenças, remédios, Viagra, Cialis, próstata e a respectiva dedada no fiofó do véio, futebol atual e da antiga, Manaus de antigamente e, principalmente mentiras, um velho fala que deu duas, outro, que deu quatro e, por ai vai! Pense numa cambada de velhos mentirosos.

Um casal de velhos foi fazer uma avaliação de rotina no consultório de um médico geriatra. O médico foi logo direto ao assunto: - Como está a vida sexual do casal de pombinhos? O véio gaitato, respondeu: - Temos muito gás, damos é duas por semana sêo doutor! O médico espantado: - O quê, eu ouvi duas por semana! O véio: - É isso mesmo, uma na Semana Santa e outra na Semana da Pátria! O médico achando graça: - É o gás? A véia responde: - Ele bufa pro lado, eu bufo pro outo – é muito gás, doutor!

Os organizadores do “Bloco de Samba da Terceira Idade”, mudaram o nome para “Bloco da Melhor Idade” – o meu amigo médico Dr. Fernando Português, sempre foi contra esta mudança. Ele fala o seguinte: - O cara que não pode mais trabalhar, a aposentadoria vem descontada pela metade do tal empréstimo consignado, vive tomando remédios, utiliza o Viagra para dar uma lenhada e que já está com o pé na cova, não pode dizer que está na “melhor idade”, um caralho, a melhor idade é quando somos jovens!

Acho que ele deve começar a frequentar os “Clubes de Convivência dos Idosos”, com certeza, ele mudará de opinião, pois, fico feliz em ver aqueles senhores e senhoras todas fantasiadas, alegres, com muito samba no pé, eles voltam a serem crianças novamente, pode chover canivetes, mas, eles não arredam o pé da avenida do samba.

Para finalizar, reproduzo o que o Dr. Prado escreveu : “O envelhecimento é como o ciclo do todo ser humano. Alguns não chegam até esse estágio, mas quem chega deve começar a rever seus modos de vida. O envelhecimento do corpo do homem se inicia com seu nascimento. A partir do momento que deixamos para trás a barriga de nossas mães e entramos em contato com esse mundo, temos o nosso cordão umbilical cortado, está na hora de viver e envelhecer”

E Éramos todos velhos! É isso ai.


Foto: http://www.dicasdesaude.info/dicas/envelhecer-com-saude

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

FLUTUANTE ENCALHADO



Esta fotografia foi tirada no Careiro da Várzea - um município do Estado do Amazonas, pertencendo a Região Metropolitana de Manaus, o acesso se dá por via fluvial, em embarcações que saem diariamente do Porto de Manaus ou em lanchas rápidas que saem do Porto do Ceasa. Na parte principal da foto aparece um flutuante encalhado, ficou fora d´ água com a vazante do Rio Solimões; o que mais chama a atenção é o estilo da construção, parecendo com uma casa alemã dos alpes suíços, bem diferente dos construídos pelos nossos cabocos da Amazônia. Ao lado, aparece também encalhado um pequeno barco regional, presume-se que o proprietário abandonou momentaneamente os dois até a subida do rio.

Foto: J Martins Rocha

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

O RESTINHO DO CARNAVAL DE MANAUS



Ontem à tarde, após o resultado dos desfiles das Escolas de Samba de Manaus, a pedida foi ir até os barracões das campeãs e, curtir um pouco o som das baterias e toda aquela alegria estampada nos rostos dos foliões.

Pois bem, tive vontade de visitar a Reino Unido, Aparecida e Balaku Blaku, pois não tinha ido ao desfile das escolas no Sambódromo e muito menos ter assistido a transmissão pela TV Em Tempo (ela deu um bolo em todo mundo).

Encontrei com o casal amigo Jersey Nazareno (Naza) e Eridan (Baiana), passamos pelo Bar do Metal, na esquina da Rua Isabel, de lá ficamos observando toda a movimentação da comunidade que faz parte da Balaku Blaku, tiramos fotografias e filmamos o interior do barracão.

Antes de anoitecer, pegamos um taxi-lotação e fomos até o bairro do Morro da Liberdade, o acesso ficou facilitado com as obras do Prosamim – o local estava apinhado de gente, afinal, eles foram os campões do desfile – deu para curtir até às dez da noite.

Na volta, ainda paramos no bairro de Educandos, onde acontece a maior festa do bairro, na Praça do Amarelinho. Haja fôlego!   Mas, sem chaces de ir até a Pareca, no bairro da Aparecida. Eu, hein!

Hoje, em plena terça-feira de carnaval, a pedida é a Banda do Metal e a Banda do Frei. A primeira fica em frente à Balaku Blaku e, este ano calhou com o terceiro lugar da escola, deu para unir o útero ao agradável, com muitas marchinhas, confetes e serpentinas – uma coisa muita estranha foi o patrocínio do evento pela “Funerária Canaã”, coisa esquisita, será por que os frequentadores já estão chegando à terceira idade, ou seja, clientes em potencial! Égua, tô fora!

Quanto a Banda do Frei, juro que nem sabia da existência dela, fui convidado pelo DJ Tubarão, ele comentou que é o segundo ano da banda, fica na Rua Frei José dos Inocentes, no centro antigo de Manaus, ela ganhou o gosto dos artistas locais, com a cantora Lucinha Cabral sendo a sua maior incentivadora – uma banda no estilo da BICA, com marchinhas e bonecos do Frei, Nazinha (filha de escravos e baiana da Aparecida), Sr. Zé e Tita (donos do bar) – vale a pena conferir.

Parei! Tenho ainda que dar um tempo e, esperar uma foliã da família que está voltando do Rio de Janeiro, no voo da meia-noite. Haja carnaval! É isso ai.

BLOGDOROCHA: VIVA A CERVEJA!

BLOGDOROCHA: VIVA A CERVEJA!: Pela manhã, não pode faltar o pão francês com café e leite; no almoço, o Jaraqui frito com baião de dois e, no jantar, a pedida é a cerve...

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

BLOGDOROCHA: HOJE É DIA DE DOM BOSCO E DO COLÉGIO DOM BOSCO DE ...

Em homenagem a Escola de Samba do Reino Unido da Liberdade que fez uma bela homenagem ao Dom Bosco.

BLOGDOROCHA: HOJE É DIA DE DOM BOSCO E DO COLÉGIO DOM BOSCO DE ...: Hoje é dia de Dom Bosco, um sacerdote católico italiano, canonizado em 1934 e, aclamado pelo Papa João Paulo II como o “Pai e Mestre da ...

UNIDOS DA SELVA


O Mauro, um leitor do nosso blog, deixou uma mensagem que merece registro “Quando morei em Manaus, nos anos 1970, havia uma escola de samba chamada "Unidos da Selva". Não constou da relação postado por você, caro Rocha. Desapareceu?Grato por quem der a informação”.


Quem pode responder é o Daniel Sales, um pesquisador cultural que mais conhece da história do nosso carnaval. Diga lá, Daniel!

“A Unidos da Selva surgiu dentro do Centro de Instrução de Guerra na Selva (Cigs), do Exército brasileiro. Ora, como levas e levas de cariocas viam servir na Amazônia, eis que vários deles faziam nos finais de semana suas batucadas, o seu samba bem intimista. 
Até que, em 10 de dezembro de 1970, resolveram estes militares criar uma escola de samba nos moldes do que era feito no Rio de Janeiro. O nome? Há! Tinha que ser algo diferenciado… E aí surgiu a Grêmio Recreativo Escola de Samba Unidos da Selva.
A princípio, a maioria dos integrantes era composta de cariocas, depois foi se abrindo para a entrada de todos os que serviam no CIGS e, no ano seguinte, 1972, de moradores do bairro São Jorge. 
As suas cores: verde e branco.No primeiro desfile, a SELVA desceu a Avenida Eduardo Ribeiro com menos de 100 integrantes, mas, para a época, já era “muita gente”.
A Escola, que tinha como símbolo uma onça, desfilou até 1976. Nesses anos de glórias, nos desfiles na Avenida Eduardo Ribeiro, a Selva disputava com até três sambas de enredo, o que também era normal para Manaus. 
Disputava os desfiles com as escolas Unidos da Cachoeirinha, Boulevard e São Francisco. O único embate, com a então nascente Vitória Régia, foi em 1976.
A Unidos da Selva ganhou os campeonatos de 1971/1972/1973/1974 (tetra) e 1976. Portanto, só perdeu o de 1975.
À época, tanto as escolas de samba do Rio de Janeiro como as de Manaus tinham outra estrutura de desfile. Os carros alegóricos eram pequenos e feitos de madeira. Havia diversos tripés e as fantasias dos brincantes eram muito simples. Na verdade, foi somente em 1974 que surgiram os tais carros.
A Selva desfilava com uma média de 250 componentes, a partir de 1973 – assim como as outras escolas de Manaus. No Rio, esse número crescia para até 800 pessoas (há um vídeo do desfile da Portela, de 1981, onde o narrador da TV se surpreende com o “gigantismo” da escola, que contava naquele ano, com cerca de 1.500 componentes).
A bateria da Unidos da Selva era composta em média por 50 batuqueiros. Jailton Sodré era um dos “puxadores”.
Em 1972 desfilaram na Eduardo Ribeiro as Escolas de Samba da Cachoeirinha e a Unidos da Selva. A Unidos da Selva levou para o asfalto, três sambas de enredo, já que naquele tempo podiam concorrer quantos sambas fossem compostos. Um deles era “exaltação à Manaus”, de Costinha e Cabo Gilson;
Trecho do samba:
“Desde a legendária Fortaleza de São José do Rio Negro
Que Manaus surgiu
E tornou-se a “Maioral”
Nos Tempos áureos da borracha
Esta estrela magistral…”
Outro tinha o título: “Nem vem meu amor”, de composição do sargento Sílvio, e o terceiro samba da verde e branco, do soldado Ferreira, “Certo trecho da história”.
Em 1976, devido a crises internas, a escola fez seu último desfile campeoníssimo.Vários dos militares daquela época participaram da agremiação, dentre eles o ex-prefeito de Manaus Jorge Teixeira e o sambista Jailto Sodré, que é cronometrista da AGEESMA”.

Para finalizar, será importante frisar que os militares cariocas tiveram uma importância fundamental na formação de novas Escolas de Samba de Manaus. Valeu, Guerreiros do CIGS! Selva!

BLOGDOROCHA: PROFESSOR JOSÉ REZENDE


Sou sobrinha-neta do bailarino, me chamo Itaiara Rezende, e vim aqui comunicar que ontem pela tarde, José Rezende, veio a falecer no Hospital da Unimed. Hoje será o enterro as 15h. Muito obrigada pela homenagem.

BLOGDOROCHA: PROFESSOR JOSÉ REZENDE: Na última quarta-feira, tive a grata satisfação de encontrar o professor José Rezende, ele estava acompanhado com os familiares, passeando ...

domingo, 19 de fevereiro de 2012

A TRANSMISSÃO PELA TV DO CARNAVAL DE MANAUS FOI A MAIOR VERGONHA.



Imaginem os senhores o cenário montado: equipamentos de última geração, efeitos especiais, telões em toda a avenida, 260 profissionais a postos,  com 20 câmeras, incluindo a “queridinha” da emissora, a “FlyCam”, com cabos de aço para percorrer toda a passarela do samba, para proporcionar ao telespectador uma tomada aérea e panorâmica de toda a avenida, além de uma moderna cabine de transmissão montada em frente ao recuo da bateria (com mudança das cores conforme a escola) – tinha tudo para dar certo, mas, não deu, foi a maior falta de respeito para com os amazonenses, resolveram transmitir o carnaval de outras cidades.

Uma megaestrutura, com muita tecnologia que não serviram para nada! É isso mesmo, a transmissão foi uma vergonha, não sabemos de fato o que aconteceu, pois a TV Em Tempo, do Grupo Raman Neves, não informou ao público os reais motivos que levaram a emissora a transmitir o evento somente as duas da madrugada, quando todos os telespectadores já tinham ido dormir de raiva.

Eles transmitiram o carnaval de outras cidades e, nos intervalos passavam um “flash” do nosso carnaval, que vergonha! Foram malhados diretos nas redes sociais. 

É agora, José? O carnaval está passando, quem não pôde ir ao Sambódromo ficou a ver navios. Uma vergonha! 

sábado, 18 de fevereiro de 2012

BLOGDOROCHA: A MÚSICA E O MEDIUNISMO - CHICO DA SILVA E CHICO X...

BLOGDOROCHA: A MÚSICA E O MEDIUNISMO - CHICO DA SILVA E CHICO X...: Duas reportagens me chamaram a atenção,foram publicadas pelo jornal Diário do Amazonas, neste final de semana, ambas falam sobre dois Ch...

CARNAVAL DE MANAUS 2012









Estas fotografias foram tiradas hoje à tarde, esses carros alegóricos estarão logo mais à noite na passarela do samba.

Os enredos/sinopses são os seguinte:

Alvorada: David Assayag, numa alvorada em azul e branco... um canto de luz
O universo é infinito, formado por incontáveis via lácteas e sistemas... É infinito no somatório alcançado pelo homem, infindo ao olhar! Ele, o universo, é racional das observações humanas, mas lúdico ao sonho, ao permissível sonho ... E, é carnaval! Que é o universo dos artistas munidos do infinito sonho de se especular e, nesse carnaval o G.R.E.S. Unidos do Alvorada irá fazer um conto, um desses contos de carnaval, para definitivamente vislumbrar um mito, um mito amazônico, nascido do alinhamento cósmico que rege a força dos quatro elementos integrantes do corpo da Amazônia. O mito David Assayag, nasce da força das águas, nutrido da terra e seus beiradões. Ungido no fogo da existência elementar e, cingido no ar como eco das brisas e temporais, sendo trovador e versa dor desse rincão verde;

Aparecida: MMXII;
Antes de tudo e de qualquer coisa, a vida na Terra está em nossas mãos, nas mãos do homem! Preservar a natureza é manter o equilíbrio do planeta, é preservar a vida. O discurso que tinha de ser feito, já foi feito. É preciso agir! Do verbo ao ato, urgente!
Já existiram e ainda existem muitas datas para o Fim do Mundo e outras muitas ainda devem surgir. São várias as teorias de como vai ocorrer o chamado fim dos tempos. Quase todas guardam a salvação para as pessoas honradas, ou seja, os justos e honestos sobrevivem aqui ou em outro mundo. A data de 21 de dezembro de 2012 atribuída aos Maias, na verdade, é apenas mais uma delas. O certo é que até hoje o mundo não acabou, senão não estaríamos preparando mais um carnaval da grande campeã do carnaval dos caboclos, a Aparecida. 

Balaku-Blaku: Embrigados de alegria vamos ficar...com a cerveja mais gostosa é só comemorar;
Você já imaginou um mundo sem cerveja? Não seriam só suas happy hours que estariam comprometidos. Vários cientistas acreditam que a civilização poderia simplesmente não existir se o homem não tivesse inventado o pão... e a cerveja. Foi a descoberta da fermentação dos cereais – processo básico da fabricação desses dois alimentos – que incentivou o homem a abandonar a vida nômade de caçador e coletor e se reunir em comunidades agrícolas. Pela primeira vez, era possível comer e beber com prazer, já que o processo de fermentação era capaz de mascarar alguns sabores desagradáveis. Há 5 000  mil anos, isso foi um avanço e tanto.

Coroado: Manaus e suas maravilhas;
Manaus, capital do Estado do amazonas, cidade histórica e portuária. Localizada no centro da maior floresta tropical do planeta – a Hiléia Amazônica. Situa-se na confluência dos rios Negro e Solimões. O nome da cidade é oriundo de uma celebre nação indígena chamada Manaú ou Manaós, que habitou a região do Rio Negro, cujo significado quer dizer “Mãe de todos os Deuses”.
A cultura exerce um papel fundamental para a construção das características que diferenciam o povo manauara dos demais. Nas artes plásticas, há mais de 400 bons pintores como Rui Machado, Ademar Brito e outros. Mas o grande destaque é Moacir Andrade, pintor, desenhista e professor. É respeitado internacionalmente, pois suas telas tematizam os costumes e tradições dos amazônidas. Quanto ao artesanato manauara, misturam-se tradições indígenas com a criatividade dos caboclos, que resultam em peças utilitárias e decorativas que vão de desenhos Zôo e antropomórficos até replicas de barcos que navegam na bacia amazônica. A matéria – prima básica é a madeira, usada em brincos, colares, cocares, indumentárias ritualísticas, quadros, remos, zarabatanas, tacapes, arcos e flechas. 

Dragões do Império: A Dragões do Império é show...a história do circo chegou, vamos sorrir, vamos gargalhar;
Homenagear a Arte do Circo é um sonho para ser sonhado por todos é brincar com a ilusão e magia que o Circo tem, enfim é resgatar seus valores Artísticos e forma de entretenimento frente ao advento da televisão e outras tecnologias.
Como manifestação Artística mais tradicional e completa de todos os tempos, A “Dragões do Império” vem homenagear esse maravilhoso mundo do Circo! Esta arte tem origem na antiguidade, na China, no Antigo Egito, Grécia e Índia, passando também por Roma. É nessa época que se originam os shows com animais, cuspidores de fogo e cabeçadas, assim como passa pela Espanha com a prática das touradas. A versão do Circo com picadeiro de lona colorida e animais foi criado em 1770 pelo oficial Philip Astley que montou um espetáculo com orquestra, saltadores e palhaços.

Grande Família: Quem disse que o mundo vai acabar? A Grande Família te apresenta o futuro..
O homem sempre se questionou sobre sua origem e sobre o seu destino. E neste carnaval, a ciência e a tecnologia surgem como respostas a estas e tantas outras dúvidas que envolvem o pensamento humano.
Um desses questionamentos está ligado ao fim do mundo em que vivemos. Várias religiões despertaram a atenção e reforçaram a fé daqueles que as seguiam, através dessas previsões.
Mas, será que o mundo vai acabar?
A Grande Família, versão 2012, desvenda este mistério e faz uma viagem pela avenida, contando uma história que eu nem vocês, daqui a anos, poderemos assistir, pois o Galo, que reina absoluto na Zona Leste, apresentará neste espetáculo singular o futuro que nossos netos e bisnetos conhecerão muito bem, um intervalo de tempo que se inicia após o presente e não tem um fim definido.

Reino Unido: Um menino, um sonho, uma obra: O Amor de Dom Bosco virou realidade;
A Escola de Samba Reino Unido da Liberdade propõe-se, com o enredo escolhido para o desfile carnavalesco de 2012, um dos maiores desafios dos seus 30 anos de história: homenagear Dom Bosco e o maravilhoso resultado da luta de toda sua vida, a Família Salesiana, que hoje se espalha por mais de 130 países nos cinco continentes.
Carnaval e Igreja Católica podem até não ter uma ligação direta, é bem verdade, mas ao se estudar a vida e a obra de Dom Bosco notam-se vários paralelos com a Reino Unido da Liberdade, dos quais o mais importante é o fato de que tanto a Família Salesiana quanto a nossa Escola de Samba nasceram de sonhos de adolescentes humildes preocupados em construir um mundo melhor especialmente para a juventude carente, tendo a arte e a música como elementos vitais nesse processo.
Para os Meninos do Morro, que criaram a Reino Unido da Liberdade, as três décadas de existência da Escola de Samba se traduzem numa ação comunitária que tem seu foco mais intenso no projeto Reino do Amanhã, hoje transformado em instituto justamente para ampliar ao máximo a inclusão social de crianças, adolescentes e jovens do Morro da Liberdade e de outras áreas de Manaus através da arte-educação.
Assim, a Reino Unido da Liberdade acredita ter o necessário conhecimento de causa para falar de Dom Bosco e da Família Salesiana, porque foi o trabalho de inclusão social por meio da arte, do entretenimento, da educação e da retidão de caráter que levou a obra salesiana a se espalhar pelo mundo e a chegar, há praticamente um século, na capital amazonense.
Santo dos jovens e dos oprimidos, Dom Bosco costumava dizer que “o que somos é presente de Deus; no que nos transformamos é o nosso presente a Ele”. E nós, da Reino Unido da Liberdade, esperamos poder traduzir o presente de Dom Bosco ao Criador em um espetáculo carnavalesco pleno de arte, emoção e muito amor.

Sem Compromisso: A saga árabe na Amazônia de paz e amor;
A história registra conquistas e revoluções, revelando aventuras dos povos, sua força, vitalidade e vitórias, essenciais para ensinar futuras gerações. A Sem Compromisso entende que a história é a substância da sociedade e que o homem é substância da história, como portador da objetividade social, como construtor de seu próprio destino. Assim, a escola escolheu o povo árabe e sua migração para a Amazônia como eixo central de seu enredo para o Carnaval de 2012.
Os árabes têm a sua história vinculada a grandes lutas e fábulas fantásticas. Fixaram-se por várias regiões de terras distantes de sua pátria e, mesmo assim, cultivaram o amor por suas tradições, sem jamais esquecê-las. Decidimos então, homenagear este povo que, na Amazônia, contribui muito para a construção de uma região melhor. Os árabes sempre foram marcados por sua característica nômade, vivendo entre regiões desérticas e os riquíssimos oásis, mas aqui, na Amazônia, encontraram acolhida de braços abertos
e, desde então, estão construindo uma verdadeira historia de amor e paz. 

Vitória Régia: Vitória Régia faz o povo cantar num tributo ao Sambódromo: Palco do samba e da cultura popular.
A G.R.E.S. Vitória Régia sagrou para o enredo de 2012 um tema que, ao mesmo tempo, faz reverência a um dos maiores patrimônios de nossa cidade, como também revela a história do espaço público mais utilizado para os grandes eventos populares: o Sambódromo de Manaus. Em 2012 o Sambódromo ou Centro de Convenções de Manaus, completa 21 anos, maior idade absoluta, sempre abrigando os maiores acontecimentos da cidade o que, certamente, lhe confere o título de maior palco da cultura popular da região Norte do País, além de ser um celeiro da formação artístico-cultural do Estado, que cria oportunidade para centenas de jovens que ingressam no campo artístico do Amazonas, através do Liceu de Artes e Ofício Cláudio Santoro.
Administrado pela Secretaria de Estado de Cultura do Amazonas, o Centro de Convenções de Manaus, conhecido como Sambódromo, foi construído para sediar os Desfiles das Escolas de Samba de Manaus e eventos de grande porte. Com aproximadamente 405 metros de comprimento é considerado o maior do Brasil em extensão. Nos mesmos moldes do projeto desenvolvido no Rio de Janeiro, o Sambódromo de Manaus sediou, por pouco tempo, uma escola da Rede Estadual de Ensino, mas foi substituída por um Liceu de Artes e Ofícios, que desenvolve atividades de formação de jovens nas áreas de Dança, Teatro, Música, Artes Plásticas e Cinema.
Palco para shows nacionais e internacionais, o Centro de Convenções sedia grandes eventos do calendário turístico e cultural de Manaus, como o Carnaboi, Festas Juninas, Desfiles Cívico-Militar e o Boi Manaus. Com freqüência, abriga encontros religiosos de grandes proporções, competições automobilísticas, festivais de samba, de forró e festas natalinas. Mas é no Carnaval que a capacidade total de publico é tomada inteiramente para o desfile das Escolas de Samba do Grupo Especial de Manaus, quando o público presente chega a aproximadamente 200 mil espectadores, tornando-se o maior evento popular do Estado do Amazonas, graças à sua enorme capacidade e estrutura para atender eventos populares.

Fotografias: J Martins Rocha
Fonte: http://manausamba.com.br/sambas_de_enredo_2012.html

OBSERVAÇÃO:
A TRANSMISSÃO PELA TV DO CARNAVAL DE MANAUS FOI A MAIOR VERGONHA.Imaginem os senhores o cenário montado: equipamentos de última geração, efeitos especiais, telões em toda a avenida, 260 profissionais a postos,  com 20 câmeras, incluindo a “queridinha” da emissora, a “FlyCam”, com cabos de aço para percorrer toda a passarela do samba, para proporcionar ao telespectador uma tomada aérea e panorâmica de toda a avenida, além de uma moderna cabine de transmissão montada em frente ao recuo da bateria (com mudança das cores conforme a escola) – tinha tudo para dar certo, mas, não deu, foi a maior falta de respeito para com os amazonenses, resolveram transmitir o carnaval de outras cidades.
Uma megaestrutura, com muita tecnologia que não serviram para nada! É isso mesmo, a transmissão foi uma vergonha, não sabemos de fato o que aconteceu, pois a TV Em Tempo, do Grupo Raman Neves, não informou ao público os reais motivos que levaram a emissora a transmitir o evento somente as duas da madrugada, quando todos os telespectadores já tinham ido dormir de raiva.
Eles transmitiram o carnaval de outras cidades e, nos intervalos passavam um “flash” do nosso carnaval, que vergonha! Foram malhados diretos nas redes sociais.
É agora, José? O carnaval está passando, quem não pôde ir ao Sambódromo ficou a ver navios. Uma vergonha!

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

O ANIVERSÁRIO DO POETA MARCILEUDO BARROS


Marcileudo Barros, um amazonense polivalente, ele é poeta, escritor, compositor e artista plástico, vai ficar no berço amanhã, completará o seu 61º aniversário – o convite já foi distribuído pelo seu amigo dileto o Celestino Neto (Lé)

“Rochinha. Nesta quinta (16) vamos tomar umas “cervejotas” no Bar da Lior, na Avenida Castelo Branco com a Rua Barcelos, contamos com a tua presença a partir das 19 horas”

Não dá para perder esse 0800 e dar um grande abraço no meu amigo.


O escritor e poeta Simão Pessoa escreveu o seguinte sobre o seu amigo:

O poeta e escritor Marcileudo Barros é meu amigo de infância. Conhecemos-nos quando eu morava na Rua Waupés (atual Castelo Branco), nos anos 60, e depois de um longo tempo sem notícias um do outro, voltamos a nos encontrar nos anos 90, durante a fundação do Sindicato de Escritores do Amazonas. Autor do imperdível “O Boteco”, onde ele narra histórias acontecidas no “Boteco da Zeza”, que resiste bravamente até hoje, Marcileudo Barros já publicou dez livros de poesia e possui mais de cinco mil poemas inéditos.
Parte deste material está sendo musicado pelo seu filho, Marcel Barros, um talentosíssimo instrumentista e também artista plástico.
Marcileudo Barros também é um exímio contador de causos hilariantes, mas tem se negado a participar de um show no Teatro Amazonas, que pretendo produzir, colocando em cena ele, Paulo Paixão (um fantástico imitador do sotaque interiorano) e João Rodrigues (outro excelente imitador de vozes, além de artista plástico de alto calibre)”.
Alguns poemas do nosso poeta amazonense:

Favela
Para Mário (do Fino da Bossa)

Favela é um nome bonito
Pra tanta tristeza
Um nome sem atrito
pra tanta rudeza
O que não condiz
com a aquela pobreza

Fá, uma nota musical
Vela, algo que ilumina
não podem compor
o nome da sina
que banha o corpo
de quem vive lá.

A impressão que me dá
alguém quis disfarçar
com um nome bonito
uma vida levada
na base do grito
Grito que só é ouvido
A cada carnaval

Guerra Psicológica
Sérgio Eduardo Gomes

Até simplória
a estória do macaco
que paquerava
uma linda bananeira

E do cachorro
que vigiava
sem nunca marcar bobeira.

Veio outra safra
e a bananeira se portava
linda e altaneira
e de cachos reluzentes
E se o macaco mostrava a cara
Cachorro mostrava os dentes

E o macaco sem comer
e cachorro sem dormir
e a bananeira brotando
não estava nem aí
de tudo fica um lição
carregada de beleza
guerra psicológica

não afeta a natureza


Nódoa

Quando não se tem um amor
é solidão
Quando se tem e se perde esse amor
é solidão mais dor
Nas escolha entre as duas
preferiria nenhuma
Pois solidão é imprópria
gruda na gente a dor
gruda na gente o amargor
feito nódoa

O famoso Boteco da Lió, onde será feito o rega-bofe do nosso poeta, possui história, ele é tradição no bairro.

Quem conhece de montão  o estabelecimento é o Simão Pessoa:

No cruzamento das ruas Barcelos e Castelo Branco, na alta Cachoeirinha, existe um boteco no formato meia-água, que já estava no local quando eu nasci e provavelmente vai continuar lá depois que eu morrer. No meu tempo de criança ele se chamava “Boteco da Zeza”, apelido de dona Maria José, mãe do escritor Marcileudo Barros. Depois, cada vez que um dos filhos de dona Zeza começava a gerenciar o boteco, ele passava a incorporar o apelido do sujeito: “Boteco do Mundico” (aka Raimundo Arnaldo), “Boteco do Kid Márcio” (aka Márcio Barros), “Boteco do Leudo Brasinha” (aka Marcileudo Barros) e, atualmente, “Boteco da Lió” (aka Eleonora Barros). Desde que me conheço por gente, o boteco sempre vendeu cachaça, cervejas e refrigerantes. Só, somente só. Nos anos 70, o boteco era ponto de encontro dos boêmios daquela parte do bairro. Os verdadeiros pés inchados começavam a chegar ao covil assim que ele abria as portas, por volta das 6h da manhã. E haja Brandicana, Cocal, Correinha, Januária, Oncinha, Praianinha, Serra Grande, Tatuzinho, Pitu, Kokinho, Lobatinha, Chora Rita e Jurubeba Leão do Norte pra fazer frente à demanda, que o boteco era bem sortido”.

O Marcileudo e seu amigo Celestino Neto participaram ano passado do projeto “Café com o Escritor”, no Vanilla Caffé, uma empresa de gastronomia de Manaus, que teve uma grande sacada em aproximar um poeta ou autor de relevância, com os frequentadores do estabelecimento, com parceria da Editora Valer.

O Marcileudo escreveu "O Boteco" e a trilogia "Meninas, Meninos e Esquinas". Ele também é considerado o maior produtor de Haikai Pornô de Manaus (o haikai é uma forma poética de origem japonesa, que valoriza a concisão e a objetividade), estou aguardando com muito ansiedade o lançamento desse trabalho, aliás, já tive o privilegio de ouvir alguns do próprio poeta.


Tênue

O amor tem várias formas
de engate
Às vezes um olhar, um gesto,
um toque indevido,
parte



Feliz aniversário, meu amigo Marcileudo! Saúde e vida longa!

Fotos: acervo do Simão Pessoa e Celestino - 1. Marcileudo e Celestino; 2. Marcel Barros e Marcileudo; 3. Simas,Marcileudo, um amigo e Simão Pessoa, aparecendo ao fundo, o famoso Bar da Lió).