sábado, 26 de fevereiro de 2011

FELIZ ANIVERSÁRIO ARMANDO!



Trabalho do artista plástico Jorge Palheta

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

TUDO PARA O CUVÃO


O “cuvão” era um local conhecido, antigamente, em Manaus, onde as pessoas jogavam lixos, na realidade, era um grande buraco, uma lixeira a céu aberto, servia de depósito para tudo o que não prestava mais, jogavam móveis velhos, fogões, geladeiras, animais mortos, lixo e muito lixo. O nome pegou, tanto que as pessoas falavam “pode comer e beber a vontade, pois tudo para o cuvão” -, o menino perguntava: - Maaaé, onde eu jogo esta bicicleta velha? Ela respondia: - Joga no cuvão, meu filho! Era cuvão prá lá, cuvão prá cá. Hoje, os mais antigos ainda utilizam esta palavra para exprimir tudo o que não presta, além das decisões erradas dos governantes, por ai vai, então, vou mandar muita gente e coisas erradas para o cuvão. Quando foi ventilado que a Prefeitura de Manaus iria implantar o sistema binário de trânsito, com mão única nas Avenidas Djalma Batista e Constantino Nery, a primeira providencia foi retirar centenas de Palmeiras Imperiais que estavam no canteiro central; passado quase um ano, não se fala mais no sistema binário, quem pagou o pato foram as palmeiras e o povo de Manaus, pela merda que eles fizerem, o Prefeito de Manaus e os seus asseclas merecem ser jogados num cuvão bem grande. Os grandes shopping center de Manaus, além de venderem produtos mais caros, ainda cobram pelo estacionamento dos veículos, um absurdo, o cliente vai comprar e ainda tem de pagar para estacionar o carro, quando há um furto ou danificação no veiculo, eles de esquivam de pagar o prejuízo – os administradores dos shopping merecem ser jogados no cuvão. A sociedade civil organizada de Manaus conseguiu a duras penas, o tombamento provisório do Encontro das Águas, o procurador geral do Estado do Amazonas ingressou com uma ação na Justiça Federal contra o tombamento, pois o governo que ver destruído aquela imensa beleza que Deus nos deu – o governador, o senador e o procurador geral devem ser jogados dentro do cuvão. Certo Deputado Estadual criou um projeto de lei para a redivisão do Estado do Amazonas, tentou no final do mandado emplacar a sua idéia goela abaixo do povo amazonense, não ouviu as pessoas, fez audiências públicas nas coxas, não houve plebiscito e nem estudos de viabilidade econômica e de georreferenciamento (descrição dos imóveis), ainda bem que ele não conseguiu se eleger para Deputado Federal, o povo o mandou direto para o cuvão. Vou parar por aqui, pois poderei mandar muitas pessoas para o cuvão, o espaço seria pequeno. Mas a pergunta que não quer calar: Quem, nobre leitor, você mandaria para o Cuvão? Pode escrever que eu publico!


quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

OS CARNAVAIS DE MANAUS

A terça-feira de carnaval deste ano será no dia 08 de março – é uma data móvel, ou seja, cada ano acontece num dia diferente; a data é definida de acordo com o ano lunar no Cristianismo – tem tudo a ver com a Semana Santa e a Páscoa – contando do dia 09 de março (cinzas) até 17 de abril, perfazem 40 dias, durante este espaço de tempo é conhecido por Quaresma (do latim quadragésima = 40 dias) – é o adeus a carne, pois no carnaval tudo pode (carne vale = carnaval).

Sendo assim, a nossa Banda da BICA, sairá no sábado magro de carnaval – no dia 26 de fevereiro de 2011 – o tema será “No reinado do Belão, todo mundo mete a mão” – A Banda é uma das mais irreverentes de Manaus, todo ano escolhe um político ou uma “otoridade” que pisou na bola, para ser “homenageada” pelos foliões.

Na verdade, ninguem quer ofender ninguém, tudo é brincadeira de carnaval, tanto que, faz alguns anos a BICA tirou saro com a própria filha do Armando, com um imbróglio com as carteirinhas da OAB/AM - este ano, estão gozando o próprio tio de um dos diretores da banda, o Anchieta Lins - todo mundo vai dançar e brincar até a madrugada, depois, tudo volta ao normal e o Belão será esquecido pelo povão! 

O escolhido desse ano é o Deputado Estadual Belarmino Lins, conhecido como “Belão”. O citado parlamentar nasceu em Fonte Boa/Amazonas, advogado, entrou na política em 1991, foi presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas, de 2005 a 2010. A mídia do Amazonas, sempre destacou as inúmeras denúncias de corrupção envolvendo o nome do Deputado. Segundo o Belão “Eu não sei nem engatinhar na oposição. Não conheço os passos da oposição porque nunca fui de oposição. A minha índole é governista, é apoiar os programas para o Estado e para a população e não vender dificuldades para ganhar facilidades. Faço parte, atualmente, do grupo político comandado por Omar Aziz, Eduardo Braga e Átila Lins”.

A marchinha é atribuída a membros da confraria que já se foram: Celito Chaves e Carlinhos Genesiano (música), Flávio Gerson e Jorge Mota (letra) e Maestro Carriço (arranjos). Como a letra chega aos mortais? Os autores são médiuns, recebem na mesa branca e sai a marchinha. É mole?

A letra oficial para 2011 é esta:

No reinado do Belão todo mundo mete a mão
No reinado do Belão
A minha bica vai entrar
Vai fazer mais um cordão
Pro Belão e sua turma rebolar
Rebola Belão aquí, rebola Belão prá lá
Ô Belão seu rebolado é bom prá Bica entrar
Veja que reinado é esse
A babita anda correndo solta
O Dudu puxou o dindim prá fora
E encheu de voto a urna da Vanessa
E a malandragem no reinado vai a mil
E dar-lhe Bica puta que o pariu
Pau é pau, Bica é Bica
Não diga que protesto é votar em Tiriricas
Coitado do Arthur
Já era o nobre senador
Se lascou todo nesse fight
Só le resta o tatame do judô
A Lourdes disse e o Armando confirmou
De beleza nada tem esse Belão
Um Gajo desse lá em Portugal
Vai se acabar na masmorra da prisão
pau é pau....



Mas, mudando de pau para cavaco – o blog é um pouco saudosista – vou falar um pouco dos carnavais da minha infância e adolescência, vamos lá foliões:

Curti os primeiros carnavais no Cube do Amazon Hotel, ficava na esquina da Rua dos Andradas com a Rua Rocha dos Santos; o prédio ainda resiste até hoje, ainda bem! O meu pai reunia toda a família, comprava as fantasias e levava toda a turma para brincar a folia de momo. Lembro muito bem, deveria ter uns dez anos de idade; o clube ficava no segundo andar, gostava de brincar na escada de madeira que dava acesso ao salão de danças; curtia também apanhar no chão, os restos de confetes e serpentinas, para jogar novamente nos pequenos foliões, lembro do papai tomando aquela cerveja genuinamente cabocla, a famosa "XPTO" e, eu e a molecada no Graphete & Baré Cola. Lembro, também, das “Batalhas de Confetes” e dos desfiles dos "Blocos de Sujos", na Avenida Eduardo Ribeiro; gostava de toda aquela movimentação, adorava juntar tampinhas em miniaturas de refrigerantes que eram jogadas pelos brincantes dos blocos. Na minha adolescência, presenciei os desfiles dos primeiros blocos carnavalescos, que seriam mais tarde as primeiras Escolas de Samba de Manaus, lembro da Unidos da Selva, Unidos do Rio Negro e Barelândia. A Avenida Eduardo Ribeiro não suportava mais tanto foliões e espectadores, foi quando resolveram mudar o palco do carnaval para a Avenida Djalma Batista, os desfiles ocorrem até o ano de 1990 e, depois para o Sambódromo.

Agora sou um cinquentão; faço parte da  banda mais irreverente de Manaus "A Banda da Bica", bem como, frequento os ensaios da Escola de Samba Aparecida, assisto todos os anos aos desfiles das Escolas no Sambódromo de Manaus, ou seja, o carnaval corre nas minhas veias!

Vocês sabem qual é a melhor Banda de Manaus? Alguns dirão: É a Banda da BICA, outros, a Banda das Piranhas – Erraram, a melhor é a "BANDA DE TAMBAQUI NA BRASA" – com bastante vinagrete, farinha e tucupi! Brincadeiras à parte – vamos curtir o carnaval com muito respeito a si mesmo e ao próximo, nada de violência. Fui para o carnaval! Eu, hein!

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

SERINGAL MIRIM DE MANAUS


Quem passar pelo início da Avenida Djalma Batista, antiga João Alfredo e, olhar para o lado esquerdo, no sentido centro/bairro, verá um monstrengo da Eletrobrás, uma estrutura de redistribuição de energia elétrica para aquela parte de Manaus, muitos, com certeza, não imaginará que, aquele lugar já fora uma belíssima praça, onde existiam cento e vinte seringueiras, a famosa “Hevea brasiliensis” fornecedora do “ouro branco” para a construção do primeiro ciclo de desenvolvimento do Estado do Amazonas – o lugar era conhecido como “Seringal Mirim” (pequeno seringal).

Segundo os historiadores, em 1913, o Sr. José Claudio de Mesquita, antigo proprietário daquela área, encontrou no local oito seringueiras, ao qual deu os nomes de A a H, depois, fez outras 112 plantações com sementes vindas do Rio Jamari. Em 1944, foram encontradas as 120 seringueiras (todas preservadas), segundos os estudos realizados pelos pesquisadores da época, as nativas eram mais produtivas, sendo que a planta “E” morreu - restando as sete, com idade desconhecida e as outras 112 com idade de trinta anos.

Na década de 40, o local pertencia ao Estado do Amazonas, estando sob a administração do Dr. Admar Thury, Diretor do Serviço de Fomento Agrícola, na foto antiga, pode-se vê-lo dando uma aula racional de extração do “látex da Hevea” às professoras estagiárias – também é possível ver como era o local, com as seringueiras todas enfileirada. Uma beleza!

Fomos à bancarrota (falência, ruína) no início do século passado, em decorrência de explorarmos somente as seringueiras nativas, enquanto, os malásios plantaram, racionalmente, as sementes pirateadas pelos ingleses na Amazônia. O Sr. Cláudio Mesquita teve a brilhante idéia de fazer o mesmo, depois de trinta anos, o local estava servindo de laboratório para os pesquisadores.


Na outra foto, mostra os soldados da guarnição militar de Manaus, fazendo aprendizagem da extração do leite de uma seringueira do Seringal Mirim. Veja como foi importante aquele local, serviu de escola para os “soldados da borracha”, nome dado a milhares de brasileiros que foram alistados e enviados para a Amazônia, entre 1943 e 1944 (segunda guerra mundial), com o objetivo de extrair borracha para os Estados Unidos da América (Acordos de Washington).

Mas, como tudo é bom, tem logo o seu fim! O local ficou esquecido, serviu por muito tempo de praça e, aos poucos foram fazendo a derrubada das seringueiras, finalmente, o governo do Amazonas, cedeu o local para a antiga Eletronorte, ao qual derrubou as últimas sobreviventes, o local virou uma subestação de energia.

E agora? Como é que fica? Reclamar para quem? Imagine os senhores, um Estado que teve o seu primeiro ciclo de desenvolvimento econômico, creditados ao látex extraído das Seringueiras, com o qual conseguiu, com o dinheiro ganho, construir o Teatro Amazonas, o Palácio da Justiça, as Pontes da Sete de Setembro, embelezar a cidade de Manaus, fazer muita gente enriquecer do dia para a noite – não tem uma única praça que o homenageie a árvore que foi a responsável por tudo isto – os insensatos derrubaram o “Seringal Mirim”!Uma Seringueira vive mais de cem anos, caso tivessem preservardo o Seringal Mirim, muitas delas ainda estariam de pé!
Para a construção do "Novo Seringal Mirim" e resgatar parte da nosso memória, tenho a seguinte sugestão a fazer para os nossos governantes:

1. Conseguir outro local para a atual Eletrobrás construir a sua subestação de energia, pode ser no terreno da antiga fábrica da Coca-Cola (está abandonado faz muito tempo);

2. Revitalizar o local, fazer convênios com os pesquisadores do INPA e UFAM, para coleta, análise e plantio de 120 pés de Seringueiras;

3. Fazer uma ampla divulgação junto aos estudantes do ensino médio e fundamental, para que conheçam um pouco mais da nossa história e valorize o novo “SERINGAL MIRIM DE MANAUS”;

4. O local deverá ser permanentemente cuidado, com um administrador e auxiliares, poderá ser transformado em um parque, com a administração da Prefeitura Municipal de Manaus.

Acredito que se tomarmos esta decisão, ainda hoje, daqui a trinta anos, a futura geração poderá retomar o processo de pesquisas, além de servir de local de respeito aquela árvore que tanto contribuiu para o nosso Estado e, quem sabe, um dia ainda irá contribuir muito mais. É isso.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

MUSEU DE CIÊNCIAS NATURAIS DA AMAZÔNIA

Está localizado na Rua Cachoeira de São Gabriel, s/nº, na Cachoeira Grande, bairro da Cidade Nova, telefone para contatos 92 3644-2799, fica numa área de 2 hectares (em anexo 3,5 hectares de bosque naturais), com uma área construída de 600m2.

Tem como objetivo a educação sobre a natureza às crianças brasileiras. Orientação aos estrangeiros que visitam Manaus. Exibe mais de 120 espécimes de peixes, com 1 aquário de 200t (com exemplares vivos de Pirarucu), 6 aquários de 2t e mais de 120 espécimes de insetos e mais de 50 itens de outras espécimes.

Segundo o site http://amazontower.net/po/museuinf.html  apresenta uma mensagem do Diretor Shoji Hashimoto:

“Tendo muito interesse em insetos, principalmente em borboletas, desde a infância, cheguei a Manaus como um imigrante japonês em 1975. Na época, com cerca de 600 mil habitantes, um terço da população atual, Manaus já demonstrava indícios de grande desenvolvimento em diversos pontos, baseado na política de Zona Franca adotada pelo governo federal do Brasil.Todavia, a urbanização e o desenvolvimento das áreas periféricas da cidade não trazem somente benefícios. O rápido desenvolvimento econômico pós-guerra no Japão destruiu a natureza da minha terra natal, transformando o ambiente natural onde passei a minha infância em campos de golfe, poluindo os lindos riachos, e exterminando a biodiversidade com uso descontrolado de agrotóxicos. Temendo que no futuro próximo aconteça o mesmo em Manaus, decidi construir o Museu de Ciências Naturais, realizando o sonho de muitos anos.Em junho de 1988, no mês e ano em que comemorava os 80 anos da Imigração Japonesa no Brasil, inauguramos este Museu de Ciências Naturais da Amazônia. No dia 22, no dia de sua abertura, tivemos a presença do Príncipe Akishino, o neto do Imperador Hirohito, da época, quando pudemos apresentar-lhe com grande honra, os espécimes que eu mesmo colhi da natureza local e preparei. (na foto acima, à direita, o Príncipe Akishino e o Diretor Hashimoto, ao centro).O principal objetivo da construção deste museu foi de proporcionar às crianças amazônicas a possibilidade de conhecer melhor o ambiente natural desta região. Tinha a convicção de que não haveria o futuro para a Amazônia, sem que as crianças locais tivessem o interesse pela preservação desta maravilhosa natureza. Mesmo em Manaus, onde o desenvolvimento econômico colocava as crianças no meio da “guerra educacional”. As crianças começavam a preferir os vídeos-game que os insetos da natureza. Hoje restam apenas poucos bosques naturais, incluindo o do meu museu e alguns poucos parques municipais, que era abundante na época em que cheguei aqui.Felizmente, em 1980 consegui adquirir o terreno por um valor bastante acessível, e dois amigos do Japão, Sr. Masanori Mizuno e Sr. Yuji Shiraishi, nos apoiaram muito. Estes senhores, embora tivessem muitos interesses em insetos da Amazônia, tiveram que continuar tocando os negócios herdados de seus pais. Disseram-me: “Você vá atrás do seu sonho, que também é nosso!”, oferecendo a ajuda financeira para a construção do museu. O sucesso deste museu tornou-se minha obrigação, perante a “AMIZADE” de muitas pessoas que me apoiaram, como o Sr. Susumu Horibe, o idealizador da torre de observação Amazon Tower, e muitos outros.Com a autorização concedida pelo IBDF (Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Florestal), o Museu recebeu nestes treze anos de seu funcionamento mais de 150 mil visitantes, um fato que me orgulha muito, por nossa contribuição na divulgação da natureza amazônica ao mundo.Desejo retribuir à geração do futuro, em sinal de gratidão, pelo que a Amazônia e o Brasil proporcionaram para mim esta oportunidade de conhecer as maravilhas desta terra. É um modesto museu com a exibição de apenas 2,5 % da biodiversidade, entre peixes e insetos. Entretanto, mesmo com apenas 2,5%, é possível mostrar uma pequena amostra da rica diversidade da fauna amazônica, através da qual, os visitantes brasileiros e turistas estrangeiros possam marcar na sua lembrança a importância da preservação desta natureza”.

Passados mais de duas décadas da inauguração do museu, o sonho do Sr. Shoji Hashimoto vai acabar, brevemente, infelizmente, pois a instituição está dois anos no vermelho, não tendo mais condições financeiras para manter-se aberto à visitação pública, irá fechar no final de março deste ano.

A idéia dos administradores do museu será de embalar todo o material, secar os tanques, soltar os Pirarucus num lago (irão morrer de fome, pois, eles não sabem mais procurar o seu alimento, em decorrência de estarem muito tempo em cativeiro). Eles pensam em reabri-lo próximo a Copa do Mundo de 2014, em decorrência do grande fluxo de turistas estrangeiros que virão para Manaus; acho que será muito improvável isso acontecer, pois eles não tem o dinheiro suficiente para manter aberto agora, imaginem, conseguir um grande aporte financeiro para começar tudo de novo em 2013, mas, tudo é possivel. 

Talvez, pela sua formação e origem japonesa, eles não gostam de pedir ajuda, preferiram manter o museu com a colaboração da colônia japonesa e com a cobrança de ingressos - resistiram até o fim. Se houvesse um pouco de sensibilidade do Prefeito Manaus ou do Governador do Amazonas, poderiam muito bem fazer um convênio, dando um suporte financeiro para manter o museu aberto.

Para os senhores terem uma ideia, o governo do Amazonas fez no ano passado (ano de eleições), uma doação milionária para as ONG´s e OSCIP´s ligadas à políticos da situação, enquanto isso, muitas criancinhas passam fome em Manaus e no interior do Estado. Com certeza, os homens do governo não estão nem ai se o museu vai fechar ou não!

Os próprios moradores da nossa cidade poderiam ajudar, fazendo campanhas para manter aberto o museu, incentivando as pessoas a visitarem o local, bem como, os empresários do Distrito Industrial poderiam muito bem dar a sua contribuição.

Vamos todos ajudar o museu de ciências naturais, manter vivo o sonho do Sr. Shoji. Um museu jamais poderá ser fechado, assim como uma escola, uma faculdade, um hospital, dentre outros estabelecimentos importantes para a sociedade. É isso.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

OS NOSSOS XERIMBABOS

Algum tempo atrás, era um muito comum entre as famílias pobres de Manaus, criarem animais em seus quintais, os mais comuns eram as galinhas, os patos, os papagaios, as araras, os jabutis, os cachorros, os gatos e até porcos, ainda é comum na periferia e no interior, onde eles chamam de xerimbabo (tupi = minha criação) – a minha família, inicialmente, criou um cachorro vira-lata, chamado Duque, era considerado o nosso mascote, fazia o papel de segurança da casa, porém, ele pegou a hidrofobia, ficou doido, mordeu a minha irmã e a minha mãe – o meu pai resolveu sacrificá-lo, pegou um terçado para degolá-lo, o animal abaixou a cabeça, chorou nos pés do papai, não o mordeu, o velho chorou também, deu uns passos para trás, foi embora e, deixou o cachorro morrer com a doença – a família nunca mais quis saber de criar outro cachorro.

Tempo depois, a minha avó paterna, comprou umas galinhas e um galo, os primeiros ovos foram da cor azul, a molecada de casa ficou extasiada, ela resolver guardá-los em cima da Cristaleira, não deu outra – eu e os meus irmãos escalamos o móvel, com o peso, ela tombou e caiu em cima da gente, foram ovos, copos de cristais, xícaras de porcelanas e o escambau para o chão, foi caco para todos os lados, ficamos todos cortados, assim mesmo pegamos sova de galho de goiabeira um ano e três meses – ela resolveu botar o galo e as galinhas na panela.

Tempo depois, ganhei uma Marreca-cabocla, a ave era muito arisca, foi muito difícil domesticá-la, cuidei com muito carinho, ela ficou comigo até a sua morte, resolvei, em seguida, criar um Pombo que apareceu doente na oficina do meu pai, ele tinha uma enorme ferida nas costas, curei com Andiroba (do tupi = óleo amargo, utilizado na medicina popular) – ela ficou bonita, toda empenada, voava e voltava, não queria mais ir embora, construí uma casinha para ela no quintal de um vizinho, ela arranjou um namorado e deu bastantes filhotes, virou um pompal, depois foram morar na Praça de São Sebastião.

A minha mãe ganhou uns pintinhos, eles eram daquela raça em que o pescoço fica pelado, cada um tinha um nome e tinha dono, o meu chamava-se Piu-Piu, virou um frangão e começou a brigar com os seus irmãos para virar o Galo do terreiro, apanhava todas, não teve jeito, foi parar na panela, apesar dos meus protestos.

O papai comprou um Papagaio lá no Mercado Adolpho Lisboa, deu de presente para minha mãe, ele era caladão e desconfiado, um verdadeiro interiorano, certo dia, resolveu voar para a casa da vizinha, foi atrás de uma fêmea, ficou por lá um tempão, num belo dia voltou e pousou bem no ombro da minha mãe, foi muita festa, para nossa surpresa o bicho voltou dançando e falando, abria as assas, balançava para um lado e para o outro e mandava ver uma música o dia todo, cantava até furar o disco: - Aleguá, quá, quá! Aleguá, quá, quá! De manhã cedo, acordava toda a galera, gritando para receber a sua broca matinal: pão molhado com café e frutas. A minha mãe falava que o louro tinha passado uns tempos estudando fora, voltou falante e dançarino – os dois conviveram juntos durante longos anos, até a morte natural do papagaio.

A minha irmã estudou enfermagem e começou a trabalhar no interior, fazendo cursos de capacitação para os ribeirinhos, ela recebia muitos presentes dos seus alunos, certo dia, voltou com uma macaquinha a tiracolo, era a Samantha, ficou uma “macacona”, foi criada dentro de casa, morreu de velhice, tempo depois, trouxe um macaquinho, era o Mingo, estava bastante doente, foi medicado e criado pela minha irmã mais velha, ficou bastante tempo com a gente, quando casei, levava os meus filhos para brincarem com ele, era o bobo da corte, aprontou todas e muito mais, cuidamos muito bem dele, era levado regularmente ao veterinário - viveu até a sua velhice. Com as novas leis de proteção da fauna e a flora, deixamos de criar animais em cativeiro. A minha irmã mais velha ainda criou alguns gatos e cachorros.

A minha saudosa sogra resolvei criar um Periquito australiano, o meu filho ficava doidinho pela ave, toda vez que eu o levava para visitar a avó fazia uma tremenda guerra, imaginem, gritava: - Eu quelo o periquito da vovó! Tive que comprar outro lá na Casa do Campo, na Avenida Djalma Batista – juntamos os dois, formaram um belo casal – deu uma “periquitada” e tanta! Foi necessário vendê-los, pois a produção foi muito grande, aliás, a minha sogra criava cachorros, gatos, passarinhos, papagaios, galinhas, patos e uma jabota, era um verdadeiro zoológico dentro da sua casa!

O último animal que eu criei foi uma cadela, fora abandonada aos três meses de idade, foi encontrado num final de ano, andando pela Rua Tapajós, um amigo perguntou se eu queria ficar com ela, foi amor à primeira vista, leve-a para os meus filhos, eles adoraram, passou a chamar-se Daha, era de raça, parecia um cão D´Água Português – ficou dez anos com a gente, deu três barrigadas e, resolvemos fazer uma cirurgia para não ter mais filhotes, morreu com a idade avançada, está enterrada ao lado do Conjunto dos Jornalistas.

Outro dia, fui visitar o meu brother Paulo Mamulengo, na Vila de Paricatuba (Iranduba), pasmem, ele estava criando um filhote de Urubu, santo Deus, nunca tinha visto algum sujeito criar uma ave Flamenguista! Pois é, o dito cujo caiu do ninho, ainda era branco, o Paulo cuidou do bicho a base de Cuscuz, Jabá e Jaraqui, é mole ou quer mais! Quando cresceu, arranjou uma parceira e foram comer carniça lá pelas bandas da Manaus Moderna, segundo o Paulo, ele colocou uma identificação, era uma aliança de ouro na pata do animal, afinal, foi seu xerimbabo por algum tempo! De vez e quando ele faz uns vôos rasantes por Paricá.

Os meus filhos estão adultos e são pais, mas, até hoje lembram com carinho da Samantha, da Dara e dos Periquitos da Vovó, enquanto eu, ainda lembro muito do Duque, do Mingo, da Samantha, do Papagaio falante (em tupi = sateré-mawé) da Daha e de todos os outros animais que passaram pelas nossas vidas!

Agora, os xerimbabos dos meus netos são todos eletrônicos, talvez criem um dia um Poodle ou um Gato Siamês, não sei, mas de qualquer forma, sempre que puder, os levarei aos zoológicos e ao interior, para apreciar e aprender a respeitar os animais e as aves.Está na moda brincar com os Botos Cor-de- Rosa e com a bicharada que fica solta no Hotel Ariaú Tower.

É isso aí macacada, viva os nossos xerimbados! Viva!

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

OS LUPANARES DE MANAUS AO LONGO DO TEMPO

A pacata cidade de Manaus, do final do século dezenove e início do século vinte, quando o dinheiro rolava solto, os ricaços da “belle époque” mandava ver nas prostitutas polacas, pagavam muitos contos de réis para detonar uma europeia, tudo era do bem e do melhor, com direito a champagne, caviar e charutos dos bons; o local da furnicação era nos hotéis e pensões de classe A, naquele tempo, eram chamados de "bordéis"; os pobres mortais, os lisos, tinham que se contentar em afogar o ganso com as próprias mãos ou casar, pois naquele tempo a mulherada somente abria as pernas depois da aliança no dedo  esquerdo, antes disso, nem pensar! Algum tempo depois, veio a decadência, as importadas foram dar em outros lugares, a cidade de Manaus virou ruínas, escura, esquecida por tudo e por todos, a negada tirava o atraso nas primas que frequentavam o entorno do “Cabaré Chinelo”, muitos preferiam uma “chofer de fogão”, a relação amorosa na maioria das vezes se dava num “Motel Calango”. Tempo depois, aparecem em Manaus os famosos “puteiros”, aos poucos foram se instalando nos lugares mais afastados do centro de cidade, os mais conhecidos eram assim conhecidos: Insinuante, Acapulco Clube, Guaraciaba, Quitandinha, Cananga do Japão, Saramandaia, Tia Chica, Lá Hoje, Maria das Patas, Ângelus, Verônica, Selvagem, Alonso´s Bar, Rosa de Maio, Piscina Club, Chica Bobó, Shangrila, Patrícia Bar, Tia Raí e Poço de Caldas. Lembro da Maria das Patas, ficava no bairro de São Francisco, a dona do puteiro criava patos, patas e putas, tudo misturado, era um pardieiro fedido a merda por todos os lados, no entanto, muito neguinho começou a primeira relação sexual naquele lugar, conheço um que declarou certa vez que, a primeira “trepada” foi com uma dama de quarenta e poucos anos, a mulher estava com a quilometragem zerada por duas vezes, ele falou que meteu no vácuo, não sentiu nada, foi uma péssima experiência, depois, ele saiu com uma “zero bala” (vou acreditar!), passou a ser frequentador assíduo daquele lupanar – num belo dia, a cafetina (a responsável pelas meninas) resolveu fechar o puteiro, foi um Deus nos acuda, não teve jeito, ela cansou dessa vida, resolveu ser uma católica praticante, fez do local um clube da paróquia do bairro, certa dia, alugou as dependências para o pessoal da Central Única dos Trabalhadores (CUT) – quem tem CUT tem medo – os militantes da central fizeram a maior faxina, pois iam utilizar o local para reuniões e ministrar Cursos (o tempo dos Cus já tinha passado) para as pessoas carentes do bairro, com aquela movimentação toda, começaram a aparecer dezenas de taxistas, correu na boca baixa que o puteiro ira ser reaberto, era uma tremenda sexta-feira de um final de mês, todo mundo com a bala na agulha, toda a negada do bairro foi avisada pela “Rádio Cipó”, começaram a se aglomerar em frente ao estabelecimento, foi muito difícil para a companheira Socorro Papoula (militante e fundadora do PT), convencer os tarados que ali não iria mais ser um puteiro, quase que ia tendo um quebra-quebra geral, até explicar que nariz de porco não serve para tomada, foi um sufoco. No bairro do Educandos, um cearense “cabra da peste”, começou a ganhar dinheiro vendendo botijas de gás, o cara tinha uma grande visão empresarial, conforme ia amealhando grana ia construindo uns quartinhos de alta rotação, foi o embrião dos Motéis de Manaus, quando completou a empreitada já tinha em torno de vinte cômodos, no dia da inauguração, mandou colocar uma placa enorme, foi pregada numa imensa mangueira, continha os seguintes dizeres “VENDE-SE GÁS E FODE-SE ATRÁS”, tudo estava rimando, mas, serviu de chacota por muito tempo. O tempo passa ,o  tempo muda, acabaram os puteiros, sugiram os Motéis, alguns disfarçam e põe o nome de Hotel – na década de setenta, dois grandes amigos meu, estavam a fim de pegar duas colegas de trabalho, eles planejaram tudo, o lance era o seguinte: deram um polimento caprichado no Opala, compraram uma beca nova, ficaram bonito na foto, a intenção era levá-las para jantar uma carne de sol no “ Rip Restaurante”, homónimo do “Rip Motel”, pois bem, este restaurante estava na moda, o lance era jantar por lá, era frequentado pela fina flor da sociedade manauense (o dono era um bicheiro, tinha também motéis e casas de jogos de azar); pretendiam depois de forrar a pança, dançar os esqueletos no “Clube Nostalgia”, no bairro da Cachoeirinha, o plano era partir para o ataque depois da meianoite, pois as meninas já teriam tomado todas, ficaria mais fácil convencê-las a irem para um motel – quando encontraram as lebres, um deles deu a sugestão: - Vamos ao Rip? Uma delas, imediatamente, respondeu: - Acho melhor irmos para o “Cobra´s”, lá é bem melhor, tem piscina, comida e bebida da melhor qualidade, é hoje o point da trepação! Não deu outra, o motorista olhou pelo retrovisor interno, deu uma piscada para o outro amigo, rumou para o motel sugerido, não foi necessário gastar dinheiro com um jantar caro, pagar entrada no clube e gastar grana com bebidas e tira-gostos, que coisa boa esta mancada da guria, as duas entraram na vara madrugada adentro. Os motéis continuam em voga, ainda temos muito “pé sujo”, porém, a cidade dispõe de outros de padrão internacional. Conheci uma figura que acertou “bater o bife” com uma amiga, ela era muito exigente, assim mesmo ele propôs levá-la ao “Motel Xavante”, ela chutou o pau da barraca: - Tu estás pensando o quê, eu lá sou mulher de trepar em motéis de quinta categoria, me respeite, topo somente a parada no “Motel Nirvana”, na Estrada do Turismo, e olhe lá! O cara para não ficar com a auto intitulada “um palmo e três dedos” nas costas, topou a parada, pegou um taxi, do centro para a Estrada do Tarumã, na bandeira dois, teve que desembolsar oitenta reais, mesmo assim, ela não teve pena do parceiro, escolheu uma suíte Triplex, equipada com ar condicionado split, televisão 32'' LCD, com 2 canais eróticos, aparelho de som com CD player, Home DVD, frigobar, secador de cabelos e o escambou a quatro -, moral da história: ele alisou, tiveram que seguir à pé até a Ponta Negra, esperaram o primeiro ônibus da manhã, ele passou a maior vergonha da vida, serviu de experiência, ela jurou que nunca mais ia querer saber do motel de luxo, muito menos andar com liso. Com toda as facilidades de hoje em dia para a “pratica do amor”, um colega meu sentiu saudades do antigos puteiros de Manaus, tanto que ele tomou umas cervejas no “Bar Caldeira”, chamou um taxi e mandou ver: - Amigo, boa noite, me leva, por favor , ao  puteiro “Veronica”! O motora tomou o maior susto e respondeu: - Meu senhor, o puteiro “Veronica” não existe mais, faz mais de trinta anos que foi desativado! Ai o bonitinho, retrucou: - Existe sim, os jovens é que chamam de “Millenium” (referindo-se a um grande shopping de Manaus, no mesmo local funcionava um lupanar), continua o mesmo puteiro, agente vá lá e come do bom e do melhor e eles metem a mão nos nossos bolsos, botam fudendo na gente! É mole ou quer mais? Brincadeiras a parte, este tema escrito de uma forma bem divertida e escrachada, faz parte da nossa história, consequetemente, da nossa cultura! É isso ai.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

A DEFESA DO ENCONTRO DAS ÁGUAS E A CAMPANHA DA FRATERNIDADE 2011

A organização da sociedade civil ocorre em diversas frentes de batalhas centradas na justiça e na garantia dos direitos sociais. Relativo à questão socioambiental, os militantes do Movimento S.O.S. Encontro das Águas voltou-se para a defesa da salvaguarda desse bem, recorrendo ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional para efetivar o Tombamento desse monumento por entender que a construção de um Terminal Portuário nessas imediações provocaria danos irreparáveis ao meio ambiente e a qualidade de vida dos moradores da vizinhança. Para isso, nem é preciso ser doutor e muito menos catedrático para se saber que tanto a edificação quanto o funcionamento do complexo portuário traria graves perturbações ao ecossistema e a população do em torno. Nesses três anos de luta, aproximadamente, temos estudado o local e confrontado várias informações com propósito de justificar e amparar as propostas que foram encaminhadas pelo Movimento. Nessa perspectiva contamos com apoio de pesquisadores em diversos campos, bem como também a colaboração direta dos ribeirinhos que há anos vivem no em torno do Encontro das Águas, buscando nessa fonte o sustenta para as suas comunidades. Além desses atores recorremos também ao Ministério Público Federal e Estadual em busca de encontrar guarida as nossas propostas conservacionistas e assim fazer valer o pleno Direito em favor da natureza e de sua singularidade. Reuniões, encontros, debates e tome trabalho para manter em pauta a discussão sobre o Tombamento do Encontro das Águas e pela não construção do Porto das Lajes. A Campanha da Fraternidade de 2011 é uma excelente oportunidade para se promover a conscientização e convencer as pessoas da importância de se proteger a Amazônia dos megaprojetos perpetrados para a nossa região. Para isso, temos definido uma Agenda de Luta respaldada numa metodologia participativa a envolver os militantes, simpatizantes e, sobretudo a direção do Movimento S.O.S. Encontro das Águas. Para fevereiro participaremos dos debates da Campanha da Fraternidade no Dom Bosco, nos dias 16, 17 e 18, das 19 às 21h; no dia 19 uma ampla reunião com os comunitários do em torno do Encontro das Águas para se formalizar o Comitê Gestor Água e Cidadania; dia 22 participação na Aula Magna que será proferida pela Senadora Marina Silva, no Campus da Universidade Federal do Amazonas; dia 03 de março, participação na coletiva de imprensa da abertura da Campanha da Fraternidade 2011; dia 09, realização da VI Caravana das Águas com destino ao Encontro das Águas, onde serão celebrados os ritos de Abertura da Campanha da Fraternidade; 17, 18 e 19 amplo debate com os Movimentos de Resistência contra os Megaprojetos na Amazônia brasileira e no dia 24, Audiência Pública em Manaus com a participação do presidente da Comissão Nacional de Direito Ambiental do Conselho Nacional da Ordem dos Advogados do Brasil, Dr. Gilberto Pisello e seu vice-presidente Dr. Miquéias Fernandes. Estas e outras manifestações fazem parte de nossa Agenda de trabalho. Para isso, apelamos a todos (as) para contribuir com nossa jornada participando e manifestando seu apoio contra a construção do Porto das Lajes e pelo Tombamento Já, cobrando da Ministra da Cultura Ana de Holanda a publicação do decreto de Homologação do Encontro das Águas como Patrimônio Cultural do Povo do Brasileiro. Em seguida faremos todo esforço para articular com a UNESCO pelo reconhecimento do Encontro das Águas como Patrimônio da Humanidade, é a nossa luta que compartilhamos com os justos e os bem-aventurados.

Segundo Notificação do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) nos termos do Processo n.º 1.599-T-10 (Processo n.º 01450.015766/2009-08), o Tombamento do Encontro das Águas dos Rios Negro e Solimões, no Estado do Amazonas, fez-se por razão do seu elevado valor arqueológico, etnográfico e paisagístico, lavrado, por sua vez, no Livro do Tombo Arqueológico, Etnográfico e Paisagístico, conforme poligonal de tombamento descrita a seguir:

"Tomando-se como partida o Ponto 1, de coordenadas 3°6'58.21"S e 59°54'21.30"O (conforme imagem Google Earth de 1/9/2010) traça-se uma linha reta de 4,5 quilômetros (quatro quilômetros e meio) até as bordas da margem direita do Rio Negro, no encontro do leito do rio com a Ilha do Xiborema, cortando esta por uma linha semi-circular de 4,5 quilômetros (quatro quilômetros e meio) de raio, cujo ponto central é o Ponto 1, até a margem direita do Rio Solimões, avançando uma faixa de terra de 200 (duzentos) metros e acompanhando, paralelamente a partir daí, a margem direita do recém formado Rio Amazonas até o ponto mais oriental da primeira ilha fluvial desta margem, de onde atravessa o leito do Rio Amazonas até a desembocadura da lagoa intermitente localizada à margem esquerda do mesmo rio, nas proximidades da Colônia Antônio Aleixo. O perímetro abarca a lagoa (lago do Aleixo) e ainda uma faixa de terra de 200 metros da margem esquerda do Amazonas até encontrar novamente o Ponto 1". A formatação das coordenadas na cartografia apresentada ao lado é de autoria da Comissão de Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM), em atenção à solicitação feita pelo Movimento S.O.S. Encontro das Águas. Confira: http://www.in.gov.br/imprensa/visualiza/index.jsp?jornal=3&pagina=13&data=11/10/2010

A Campanha da Fraternidade de 2011 coordenada pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) respalda-se num Texto bastante denso que tem por fim orientar os religiosos (as), agentes pastorais e militantes das bem-aventuranças sobre o tema do aquecimento global e das mudanças climáticas. A considerar as intempéries que estão sistematicamente assolando as populações, de forma cada vez mais intensa e em quantidade sempre crescente. É necessário dizer, afirma a CNBB em seu Texto-Base, que a questão é envolta de polêmica. A causa desse desequilíbrio climático é discutida pelos pesquisadores e basicamente existem dois grupos. Há os que entendem que o aquecimento global é oriundo do processo da própria natureza e os que afirma que o planeta está apresentando aquecimento devido às grande s quantidades de emissões de gases de efeito estufa, que se intensificaram a partir do momento da industrialização de muitos países, ou como alguns preferem, é resultante de causas antrópicas.

A resolução do impasse citado acima não parece ser fácil e, segundo a CNBB, não é o objetivo da Campanha da Fraternidade resolvê-lo. Mas uma coisa é indubitável, nossa experiência constata que mudanças climáticas estão em curso e que já alteramos substancialmente o planeta. E, considerando que o clima da Terra é resultante, em parte, da interação dos seres que o habitam, torna-se difícil negar que alterações, como as derrubadas de florestas, modificações nas águas marinhas e na atmosfera, que recebeu uma carga imensa de gases de efeito estufa não contribuam para as mudanças climáticas que verificamos. Por estas razões é que as Pastorais Sociais da Arquidiocese de Manaus tomou para si a defesa da Homologação do Tombamento do Encontro das Águas, mobilizando força para barrar definitivamente a construção do Porto das Lajes na parte frontal deste monumento que muito significa para o equilíbrio e a beleza do planeta. O agir coletiva da Campanha da Fraternidade tem como suporte o apoio do Movimento S.O.S. Encontro das Águas sediado na Zona leste de Manaus. As camisas e o Texto-Base da Campanha da Fraternidade podem ser encontrados na Livraria Paulinas, de Manaus.

Movimento Socioambiental SOS Encontro das Águas.

Manaus - Amazonas - Brasil


www.ncpam.com.br/

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

E O VENTO LEVOU

Quem não se lembra ou já ouviu falar do filme “E o Vento Levou”? Acredito que a grande maioria irá balançar a cabeça, afirmativamente, – uma longuíssima metragem (drama) lançado nos Estados Unidos, em 1939, com a presença marcante dos atores Clark Gable, Vivien Leigh, Leslie Howard e Olivia de Havilland – a primeira vez que eu tive a oportunidade de assisti-lo, tinha somente dez anos de idade, na época, vendia gibis usados em frente ao famoso Cine Guarany, centro antigo de Manaus. Sempre fui fissurado por cinema desde a minha tenra idade, ficava louco para entrar e assistir a um filme, não importava qual o gênero do filme, o importante era sentar numa poltrona e desfrutar da sétima arte. Depois de vinte e seis anos da sua estréia no Brasil, fiquei afoito para assisti-lo em Manaus, porém, tinham dois problemas, primeiro, era uma longa duração, em torno de quatro horas e, segundo, o juizado não permitia menores de doze anos de idade, entrarem para assistir a película. A minha intenção era entrar na marra, fiquei com um olho no gato e o outro no peixe, quando o porteiro abriu a guarda, dei aquela “furada”, corri na escuridão do cinema, fiquei quieto na última fila de um lugar chamado de “poleiro”, com um olho grudado na tela grande e o outro no “lanterninha”, para não ser pego de surpresa. As quatro horas passaram num passo de mágica, misturei-me na multidão e sai sem ser notado pelos porteiros. Quando me aproximava da cabeça da Ponte Romana I, uma multidão de pessoas veio ao meio encontro, não sabia o que estava ocorrendo, foi quando choveram de perguntas sobre o meu paradeiro, fiquei meio sem jeito, falei que estava assistindo ao filme “E o Vento Levou”, foram avisar aos meus pais, eles começaram a chorar de alegria quando me avistaram, depois, fiquei sabendo que eles tinham mobilizado todos os moradores da Rua Igarapé de Manaus e do seu entorno, para me procurar, inclusive, já tinham até notificado a Chefatura de Polícia, sobre o meu desaparecimento. A nossa cidade era pacata, as crianças brincavam na rua, porém, no máximo às oito horas da noite já estavam todos em suas casas, naquele dia, passavam das onze horas e, eu ainda estava dentro do cine, numa boa, assistindo aquele filme. Na minha infância era assim: fez alguma coisa errada, levava uma surra e ficava de castigo. No meu caso, levei surra durante uma semana e, fiquei proibido por uns meses de ir ao Cine Guarany – a peia eu encarei sem chorar, mas, ficar sem assistir a um filme, foi um martírio, chorava todo final de semana, não teve jeito, tive que cumprir o castigo. Passam os anos e não canso de assistir aos filmes “Ben Hur”/“Os Canhões de Navarone”/“Casa Blanca”/”O Mágico de Oz”/”ET – Extraterrestre”/”Embalos de Sábado A Noite”/”2001, Uma Odisséia no Espaço”/”Cantando na Chuva”/”O Poderoso Chefão”/”Cidadão Kane”, porém, o meu preferido não preciso nem escrever, acredito que dá para perceber qual é! O que mais sinto saudades na vida, com certeza, são dos meus pais (falecidos), dos meus colegas do Igarapé de Manaus (sumiram e o igarapé foi aterrado) e do Cine Guarany (destruído), todos eles “E o Vento Levou” para bem longe de mim! É isso ai.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

FILOSOFANDO COM O EMBOÁ

Manhã chuvosa na cidade de Manaus, eu estava “no trono”, naquela posição da estátua “O Pensador”, do Augusto Rodin, pensando na “obra” que eu estava fazendo, de repente, passa pela minha frente um “emboá”, um quilópodes que gosta muito de comer folhas e madeiras podres, ele estava no lugar errado, mesmo assim, não cansava de dar seguidas voltas pelo banheiro.

Fiquei a pensar: este inofensivo animalzinho vai passar toda a sua vida num pequeno espaço, dentro de uma imensa casa, onde tem próximo, inúmeras casas, inúmeros quintais, inúmeras ruas e avenidas, numa cidade que tem doze mil quilômetros quadrados, pertencente a um Estado que possui mais de um milhão e quinhentos mil quilômetros quadrados, dentro de uma país com mais de oito milhões e quinhentos mil quilômetros quadrados, dentro do planeta Terra com uma superfície de mais de quinhentos e dez milhões de quilômetros quadrados; ele não tem a mínima ideia da dimensão desse espaço e jamais terá!

Agora, eu também, conheço somente um ínfima parte do planeta Terra, que gira entorno da Estrela Sol, maior um milhão e trezentos mil vezes que o nosso planeta, ambos fazem parte do Sistema Solar, que está dentro da Galáxia Via Láctea, uma das milhares e milhares galáxias que existem no espaço infinito.

Sou também um emboá da vida, não tenho a mínima ideia da dimensão do mundo onde gira o meu planeta e, jamais terei!.

Fiquei a pensar sobre o nosso destino aqui na Terra, o tempo regressivo para a nossa autodestruição está zerando, outrora, fui contra a participação do Brasil na construção da Estação Orbital Internacional (ISS), agora, aplaudo, pois, penso que poderá ser a única opção futura para vivermos no espaço, quando da destruição total do nosso planeta, será o local onde alguns seres humanos poderão viver e procurar no espaço infinito uma nova morada, uma Nova Terra

Talvez, os seres humanos vieram de outros planetas, destruídos pela ganância, pelo materialismo, pelo desrespeito ao meio ambiente, enfim, o bicho homem matando o outro bicho homem e a casa onde moram.

Estamos fazendo tudo isso aqui no nosso planetinha azul - este ciclo será constante: encontrar uma nova morada, destruir, ir para o espaço para encontrar um novo local e começar tudo de novo!

De repetente, alguém bate à porta, parei de filosofar sobre vida, sem querer pisei no coitado do emboá, fui para o trabalho e o meu superior pisou na minha cabeça, pois chequei atrasado ao trabalho, pois passei muito tempo filosofando com o emboá e esqueci-me do horário. Eu, hein!

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

RESTAURANTE CANTO DA PEIXADA & A CALDEIRADA DE TUCUNARÉ

A culinária amazonense tem por base o peixe, uma herança dos nossos ancestrais indígenas, o mundo gira, gira, mudando as coisas a cada segundo, porém, o nosso gosto por peixes continua o mesmo ao longo dos milênios; para satisfazer ao paladar dos amazonenses, existem inúmeros restaurantes da cozinha regional, porém, o mais tradicional, o mais conhecido, o mais famoso, o mais e mais é o “Canto da Peixada”.

O estabelecimento está localizado na esquina da Rua Emílio Moreira com a Avenida Ayrão, sob o numero 1677, no bairro da Praça 14 de Janeiro -, os clientes podem ligar para os telefones 92 3234-3021/1066 para obter maiores informações e fazer reservas, está aberto de segunda a sábado para o almoço e jantar, no domingo, somente para o almoço. Vale saliente que, o nosso blog é amador, não ganhamos nada pela indicação, apenas fazemos postagem para divulgar a nossa cultura amazônica.

Segundo consta nos jornais antigos, este restaurante foi fundado no dia 1º. de Maio de 1974, completará 37 anos no ramo, sempre com a batuta do seu cofundador e proprietário Aldenor Ernesto de Lima, 73 anos de idade, conta com a ajuda do seu filho mais velho. Ele se orgulha de ter servido o seu mais ilustre cliente, o Papa João Paulo II, foi no dia 10 de Julho de 1980, ele mandou fazer um vitrina no restaurante, onde guarda um prato, um talher, a toalha da mesa e as taças utilizadas pelo santo padre. Este restaurante já ganhou as páginas de “O Globo” e “Folha de São Paulo”, o proprietário faz também questão de frisar que o seu restaurante “foi frequentado também pelo embaixador da Noruega e da Tailândia, pelos diretores da Rádio BBC de Londres, pelo ex-ministro do STF Nelson Jobim, ex-governador Amazonino Mendes, ex-Senador Bernardo Cabral, ex-governador Gilberto Mestrinho, ex-ministro do Exército Zemildo Lucena”. Além dos famosos, o local também é frequentado pelos pobres mortais, turistas e filhos de Ajuricaba, são os que realmente pagam a conta e mantém de portas abertas o restaurante por décadas.

Os antigos boêmios de Manaus, depois de uma noitada de bebedeira, tinham por hábito, tomar aquela “Caldeirada de Tambaqui ou Tucunaré”, para equilibrar o organismo e curar a famosa ressaca, procuravam as inúmeras “peixarias” que existiam na cidade, todas lotadas madrugada adentro, muitas delas ficavam até o raiar do Sol. Lembro da minha mocidade, quando dava uma chegada nos lupanares “Iracema”, “Saramandaia” e “Posto Cinco”, gostava de encerrar a noite no “Canto da Peixada” - uma caldeirada sempre ia bem!

Tempos atrás, quando ainda não eram disseminados na nossa cidade, os importados “Fast Foods” e as Pizzarias da vida, bem como, as Sopas de Mocotó e os Caldos Verdes de cada dia, a pedida era “matar a broca” com peixes, dava para um pobre mortal comer bem, os preços eram convidativos, existiam peixes em abundância, muito diferente de hoje em dia, pois, para detonar uma caldeirada de costela de Tambaqui, para duas criaturas, o preço chega a bagatela de R$ 68,00!

Mas, afinal, o que é uma “Caldeirada de Tucunaré ou Tambaqui”? Para quem não é da nossa região amazônica, vai ai uma dica dos especialistas na gastronomia Baré: Ingrediente: 2 Tucunarés médios/Limão/Sal/5 dentes de alho amassados/2 cebolas cortadas em cubos pequenos/2 pimentões cortados em cubos pequenos/2 tomates cortados em cubos pequenos/1 maço de cheiro-verde picado/½ quilo de batatas cozidas cortadas ao meio/3 ovos cozidos inteiros. Como Fazer Caldeirada de Tucunaré - Modo de preparo: Corte cada tucunaré em pedaços médios, lave-os e tempere-os com sal e limão. Aqueça o azeite em uma panela grande e refogue o alho e a cebola, até dourar ligeiramente. Junte as verduras restantes. Mexa um pouco. Junte os pedaços de peixe e mexa cuidadosamente para misturá-los com as verduras, refogando-os por mais um pouco. Junte a água e deixe ferver por 25 minutos. Acrescente as batatas, os ovos cozidos e por último o cheiro-verde. Bom Apetite! Para, mano, assim você vai matar o velho aqui, de tanta água na boca!

Vou matar a saudade, irei neste final de semana ao “Canto da Peixada”, detonar aquela “Caldeirada de Tucunaré”, pois, vive mais, quem come mais peixes! É isso ai.

Cometários sobre a postagem:

ROGEL SAMUEL: Amigo, eu era frequentador assíduo do CANTO DA PEIXADA e da caldeirada. Quando eu chegava em Manaus, o primeiro lugar que eu visitava era esse, depois de tomar um Tacacá na Av. Getúlio Vargas, em frente aquele hotel. Eu já era cliente da mãe da tacacaseira. Você me trouxe uma boa lembrança. Vou fazer a sua caldeirada, aqui no Rio, pois sei onde comprar Tucunaré congelado. Não é o mesmo gosto do peixe fresco, no tempo em que se podia pescar no Careiro. . Só falta pimenta murupi, mas vou comprar também! Um abraço.

Resposta: Olá Rogel! Fico feliz por ter gostado do post (apesar da forma como escrevo) e por ter trazido lembranças dos velhos tempos! Espero que consiga fazer a tua "caldeirada", ai no Rio, vale a pena tentar, apesar das dificuldades dos ingredientes, o importante é manter acesa a nossa cultura. Abraços, Rocha.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

MERCADÃO DE MANAUS E SEUS ARREDORES

Todos os domingos pela manhã, era uma rotina para mim, passear e fazer compras no Mercado Municipal Adolpho Lisboa e no seu entorno, este hábito acabou faz muito tempo, tudo em decorrência do progresso, fica mais cômodo ir às freiras livres e aos supermercados, mas, uma vez e outra me dá uma nostalgia daquele lugar.

Para matar um pouco da saudade, dei um pulo por lá, fiquei a olhar as obras de reformas do nosso querido “Mercadão”, está ficando uma beleza, não sei quando irão entregar aos permissionários e aos manauenses, em todo caso, apesar de todos esses anos fechado, parabenizo a Prefeitura Municipal de Manaus em continuar com o processo de revitalização daquele espaço público.

Aproveitei para dar um rolé por todo o entorno do Mercado Adolpho Lisboa, o local é conhecido como “Manaus Moderna”, um nome escroto que deram para a nossa “Veneza dos Trópicos”, pois ali era entrecortado por igarapés, era muito bonito; foi tudo aterrado e fizeram uma pista ligando o Porto de Manaus (Rodoway) ao bairro de Educandos, com intuito de facilitar o transporte dos containeres para o Distrito Industrial.

Comecei pela “Feira da Banana”, no local, existem grandes quantidades de bananas (é claro!), os permissionários recebem em torno de dez caminhões “até o talo” por dia com este produto, dizem que a grande maioria vem de Boa Vista, em Roraima, uma vergonha para os nossos caboclos, pois existe uma grande demanda e eles não produzem o suficiente para atender o mercado de Manaus, apesar da imensidão do Estado do Amazonas, não venham me dizer que a culpa é somente da Sigatoka Negra – encontramos, também, grandes quantidades de melancias, laranjas, mamões e verduras, além de uma quantidade enorme de pupunhas, pois estamos na safra desse produto - a maior parte destina-se para a venda no atacado para as feiras de Manaus, porém, o fluxo de pessoas que compram no varejo é enorme. Houve uma intervenção do Ministério Público, a Prefeitura teve que melhorar a infra-estrutura do local, foram construídas bancadas para exposição das frutas, mesmo assim, o local continua muito sujo.

Depois, passei pela “Feira da Manaus Moderna”, no local, existem centenas de boxes, onde os consumidores encontram pequenas lanchonetes, restaurantes e bares e, uma grande variedade de peixes, carnes, verduras, queijo regional (coalho e manteiga), legumes, produtos regionais, hortifrutigranjeiros, frutas e muitas coisas mais. Senti um cheiro forte de cheiro-verde, chicória, pimenta de cheiro e Tucupi, deu uma vontade enorme de detonar uma “Caldeirada de Tambaqui”, fiquei somente na vontade, pois o preço é altíssimo, além do mais, não tem ninguém em casa que saiba fazer esta iguaria; encontrei um peixeiro cortando ao meio um puto de um Tambaqui de 35 quilos, não me atrevi a perguntar o preço, em todo caso, comprei uma dúzia de Sardinhas, todas ticadas e limpas, foi o meu almoço e da minha família.

Por último, dei uma olhadela no Rio Negro e naquela movimentação (muito doida) dos barcos, mercadorias e de pessoas, no embarque e desembarque na conhecida “Beira do Mercado”, dizem, que vão construir no local um tremendo Porto. Será? Parti para a “Feira Provisória do Adolpho Lisboa”, talvez, sejam os feirantes mais injustiçados de Manaus, pois, com o fechamento do “Mercadão”, eles foram jogados para os fundos, em casebres improvisados, sem a mínima estrutura possível, houve um grande incêndio, todos tiveram perda total das suas mercadorias, receberam uma migalha da Prefeitura de Manaus, passaram um tempão para receberem de volta os novos boxes. No local, encontramos uma variedade enorme de artesanatos amazônicos, goma, tucupi, aves, carnes, peixes, ervas e plantas, lotéricas, banheiros públicos, lanchonetes e restaurantes – o movimento é pequeno, mesmo assim é um dos locais preferidos pelos turistas estrangeiros, para comprarem o nosso artesanato - torço por todos os permissionários, em particular, pelo meu compadre Alberto Mattos, vendedor de artigos de umbanda e produtos naturais (andiroba, copaiba & Cia.), para que voltem ainda este ano ao Mercado Municipal Adolpho Lisboa.

O mercado é a cara de um povo! O nosso “Mercadão” é a cara do povo manauense, estou na expectativa para ter de volta a nossa cara! É isso ai.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

A PONTE QUE ENCRUOU

A Ponte de ligação de Manaus a cidade de Iranduba, sobressai sobre todas as demais obras tocadas pelo governo do Estado do Amazonas nos últimos anos, em decorrência do seu porte, valor e, principalmente, pela expectativa criada nos moradores da Região Metropolitana de Manaus, todos estão atônitos, pois não sabem quando realmente ela ficará pronta, a inauguração já foi adiada inúmeras vezes, apesar de ter sido superfatura em mais de cem por cento, mesmo sendo injetado quase um bilhão de reais na sua construção, ela simplesmente encruou, não anda e nem desanda, ou seja, nem Ford nem sai de Cinca.

Para os senhores terem uma idéia, a Banda de carnaval mais irreverente de Manaus, a BICA, lançou em 2007 uma marchinha de carnaval chamada “A Arca da Lambança”, uma estrofe da letra era mais ou menos assim:
"O Carnaval do arromba

É só na minha Bica

E a arca da lambança balançar
Mostrando que vai ter suruba

Na construção da ponte

Que vai lá pra Iranduba”.

Pois é, mano velho, os caras estão fazendo a maior surubada, muito neguinho comendo em todas as posições, de frente, de trás, de lado, de cima, de baixo, todo mundo no maior bacanal com o dinheiro público, desse jeito, a Ponte não sai nem com reza brava! Os recursos destinados a conclusão da ponte entram direto no ralo da corrupção.

Enquanto isso, o povo que precisa atravessar o Rio Negro, está passando por um sufoco danado, as balsas que fazem a travessia estão todas em final de carreira, caindo aos pedaços, quebram a toda hora, ocasionando filas quilométricas em ambas as margens, haja paciência!

Os “caras” do governo possuem muita cara-de-pau -, para iludir os eleitores, falaram que iriam inaugurar a Ponte em outubro, entes das eleições, até o Lula foi iludido, ela falou que teria o maior prazer em cortar a fita na inauguração e sair corrente pela Ponte, cruzar o Rio Negro e chegar do outro lado do Rio Negro. Já pensou se ele fosse fazer isso no final do seu governo, quando veio em dezembro a Manaus, para as suas despedidas, iria cair dentro do rio, pois a Ponte ainda não foi concluída.

Os otários votaram nos homens e mulheres da situação, depois de eleitos, veio a notícia de que ainda precisam fazer mais duas licitações, uma para a iluminação cênica e outra para o sistema de proteção dos pilares, serão mais 104 milhões de reais. Esta obra foi orçada em 578,4 milhões, o governador em plena campanha para o Senado, concedeu um Aditivo de 305,3 milhões de reais, não foi o suficiente, eles querem mais, mais, mais e mais!

Moral da história: Eu já vi a Ponte que Caiu, mas, a Ponte que Encruou, é a primeira vez! Eu, hein!





















quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

A DESTRUIÇÃO DA BOOTH LINE E A CONSTRUÇÃO DO SHOPPING POPULAR

Ao longo de vários anos, venho batendo na mesma tecla, pedindo e implorando pela revitalização do centro de Manaus e, denunciando sobre a destruição do nosso patrimônio cultural, em especial, do centro histórico de Manaus, neste particular, casou-me um profundo descontentamento com a destruição de dezenas de casarões que ficavam no entorno do Rodoway (Porto de Manaus). Este local era um dos mais belos da nossa cidade, hoje, faz vergonha, ainda bem que vão revitalizar e construir no local um shopping popular.

A idéia inicial do ex-senador Carlos Alberto Di Carli (detentor da concessão da exploração do Porto, com o aval do Amazonino Mendes) era de detonar todos os imóveis, deixar somente a “casca” das fachadas dos prédios e fazer estacionamentos, bares e restaurantes nos interiores, houve um reclamo geral da sociedade, porém, em curtíssimo prazo ele fez um estrago geral, foi a pique todo um quarteirão histórico, inclusive, no local foi encontrado resquícios do Forte de São José da Barra, a primeira edificação que deu origem a cidade de Manaus. A obra foi embargada somente depois do estrago total.

O negócio foi o seguinte: houve uma grande trapalhada, a licitação foi viciada, houve o aval do atual prefeito de Manaus, o senhor Amazonino Mendes, os caras receberam milhões e milhões do governo federal, fizeram um arrendamento com o dinheiro público, depois, destruíram tudo! Houve uma briga de cachorro grande (família Di Carli e Eduardo Braga) para a retomada do controle do porto, venceu o primeiro, depois, entrou em cena o ministro Alfredo Nascimento, perdeu também. Ouço falar, não posso afirmar que, agora o governo federal está entrando pesado para resgatar o Porto.

Enquanto isso, o grupo mineiro Uai, que administra o Shopping São José, entrou na jogada, abriu uma empresa chamada Booth Line empreendimentos e Administração de Propriedade Imobiliária, investiu pesado no Porto, no afã de construir um “Camelódromo” provisório, detonou vários armazéns, porém, a obra foi embargada pela Prefeitura de Manaus e pela Procuradoria Geral da República.

Este mesmo grupo resolveu comprar toda aquela área detonada pelo Di Carli, são mil metros quadrados, onde será construído o Shopping Popular do Centro, com três andares, onde serão obedecidas as determinações do Instituto do Patrimônio Histórico (IPHAN), com a revitalização das fachadas dos prédios, bem como, farão um piso de vidro para que o visitante possa conhecer o resquício de um sítio histórico.

A grande sacada desse empreendimento será a construção de lojas para serem disponibilizadas exclusivamente para mais de dois mil vendedores ambulantes (camelôs) que envergonham o centro de Manaus.

Não adianta mais chorar sobre o leite derramado, os prédios históricos foram seriamente danificados, não podemos fazer mais nada, o jeito será aprovar a construção, no local, desse tal shopping popular. É isso ai.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

BANDA DA BICA 2011


Estamos no mês do carnaval, porém, a famosa  terça-feira de folia será no dia 08 de março, a Banda Independente da Confraria do Armando-BICA sairá no sábado magro, exatamente no dia 26 do corrente.

Os diretores da banda mais irreverente de Manaus fazem sempre os famosos “esquentas”, geralmente são três apresentações antes do grande dia. Este ano não está nada definido com relação as movimentações carnavalesca pré-Bica, tudo em decorrência da estado de saúde do seu presidente maior, o português Armando Soares, proprietário do Bar onde acontece o fuzuê.

Para se conhecer um pouco mais sobre a BICA, fiz em dezembro de ano passado a seguinte postagem: Os organizadores da Banda Independente da Confraria do Bar do Armando – BICA, formado por juízes, advogados, promotores de justiça, médicos, músicos, jornalistas, compositores, atores, estudantes, comerciários, prestadores de serviços e desempregados, começaram cedo os preparativos para a grande festa carnavalesca. A BICA sairá no dia 26 de fevereiro – sábado magro de carnaval, haverá vários “esquentas” nos meses de janeiro e fevereiro. A Banda é uma das mais irreverentes de Manaus, todo ano escolhe um político ou uma “otoridade” que pisou na bola, para ser “homenageada” pelos foliões. Para o ano de 2011, o escolhido foi o Deputado Estadual Belarmino Lins, conhecido como “Belão”. Os compositores já entraram em campo, a melhor letra será escolhida pelos “biqueiros” de plantão. O nome do parlamentar será cantando em prosas e versos em toda a quadra momesca. Coisa boa ele não irá ouvir! O citado parlamentar nasceu em Fonte Boa/Amazonas, advogado, entrou na política em 1991 e está na presidência da Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas, deste de 2005, está em campanha para galgar mais um mandato, porém, em decorrência de inúmeras denúncias de corrupção, envolvendo o seu nome e da sua família, vai ser muito difícil conseguir tal feito. Segundo o Belão “Eu não sei nem engatinhar na oposição. Não conheço os passos da oposição porque nunca fui de oposição. A minha índole é governista, é apoiar os programas para o Estado e para a população e não vender dificuldades para ganhar facilidades. Faço parte, atualmente, do grupo político comandado por Omar Aziz, Eduardo Braga e Átila Lins”.

Segundo um dos diretores da BICA, a marchinha é atribuída a membros da confraria que já se foram: Celito Chaves e Carlinhos Genesiano (musica), Flavio Gerson e Jorge Mota (letra) e Maestro Carriço (arranjos). Como a letra chega aos mortais? Os autores são médiuns, recebem na mesa branca e sai a marchinha. É mole?

A letra oficial para 2011 é esta:

No reinado do Belão todo mundo mete a mão
No reinado do Belão
A minha bica vai entrar
Vai fazer mais um cordão
Pro Belão e sua turma rebolar
Rebola Belão aquí, rebola Belão prá lá
Ô Belão seu rebolado é bom prá Bica entrar
Veja que reinado é esse
A babita anda correndo solta
O Dudu puxou o dindim prá fora
E encheu de voto a urna da Vanessa
E a malandragem no reinado vai a mil
E dar-lhe Bica puta que o pariu
Pau é pau, Bica é Bica
Não diga que protesto é votar em Tiriricas
Coitado do Arthur
Já era o nobre senador
Se lascou todo nesse fight
Só le resta o tatame do judô
A Lourdes disse e o Armando confirmou
De beleza nada tem esse Belão
Um Gajo desse lá em Portugal
Vai se acabar na masmorra da prisão
pau é pau....

É isso ai foliões!