quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

A DESTRUIÇÃO DA BOOTH LINE E A CONSTRUÇÃO DO SHOPPING POPULAR

Ao longo de vários anos, venho batendo na mesma tecla, pedindo e implorando pela revitalização do centro de Manaus e, denunciando sobre a destruição do nosso patrimônio cultural, em especial, do centro histórico de Manaus, neste particular, casou-me um profundo descontentamento com a destruição de dezenas de casarões que ficavam no entorno do Rodoway (Porto de Manaus). Este local era um dos mais belos da nossa cidade, hoje, faz vergonha, ainda bem que vão revitalizar e construir no local um shopping popular.

A idéia inicial do ex-senador Carlos Alberto Di Carli (detentor da concessão da exploração do Porto, com o aval do Amazonino Mendes) era de detonar todos os imóveis, deixar somente a “casca” das fachadas dos prédios e fazer estacionamentos, bares e restaurantes nos interiores, houve um reclamo geral da sociedade, porém, em curtíssimo prazo ele fez um estrago geral, foi a pique todo um quarteirão histórico, inclusive, no local foi encontrado resquícios do Forte de São José da Barra, a primeira edificação que deu origem a cidade de Manaus. A obra foi embargada somente depois do estrago total.

O negócio foi o seguinte: houve uma grande trapalhada, a licitação foi viciada, houve o aval do atual prefeito de Manaus, o senhor Amazonino Mendes, os caras receberam milhões e milhões do governo federal, fizeram um arrendamento com o dinheiro público, depois, destruíram tudo! Houve uma briga de cachorro grande (família Di Carli e Eduardo Braga) para a retomada do controle do porto, venceu o primeiro, depois, entrou em cena o ministro Alfredo Nascimento, perdeu também. Ouço falar, não posso afirmar que, agora o governo federal está entrando pesado para resgatar o Porto.

Enquanto isso, o grupo mineiro Uai, que administra o Shopping São José, entrou na jogada, abriu uma empresa chamada Booth Line empreendimentos e Administração de Propriedade Imobiliária, investiu pesado no Porto, no afã de construir um “Camelódromo” provisório, detonou vários armazéns, porém, a obra foi embargada pela Prefeitura de Manaus e pela Procuradoria Geral da República.

Este mesmo grupo resolveu comprar toda aquela área detonada pelo Di Carli, são mil metros quadrados, onde será construído o Shopping Popular do Centro, com três andares, onde serão obedecidas as determinações do Instituto do Patrimônio Histórico (IPHAN), com a revitalização das fachadas dos prédios, bem como, farão um piso de vidro para que o visitante possa conhecer o resquício de um sítio histórico.

A grande sacada desse empreendimento será a construção de lojas para serem disponibilizadas exclusivamente para mais de dois mil vendedores ambulantes (camelôs) que envergonham o centro de Manaus.

Não adianta mais chorar sobre o leite derramado, os prédios históricos foram seriamente danificados, não podemos fazer mais nada, o jeito será aprovar a construção, no local, desse tal shopping popular. É isso ai.

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