sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

TEMA DA BICA PARA 2011


Os organizadores da Banda Independente da Confraria do Bar do Armando – BICA, formado por juízes, advogados, promotores de justiça, médicos, músicos, jornalistas, compositores, atores, estudantes, comerciários, prestadores de serviços e desempregados, começaram cedo os preparativos para a grande festa carnavalesca. A BICA sairá no dia 26 de fevereiro – sábado magro de carnaval, haverá vários “esquentas” nos meses de janeiro e fevereiro.

A Banda é uma das mais irreverentes de Manaus, todo ano escolhe um político ou uma “otoridade” que pisou na bola, para ser “homenageada” pelos foliões. Para o ano de 2011, o escolhido foi o Deputado Estadual Belarmino Lins, conhecido como “Belão”. Os compositores já entraram em campo, a melhor letra será escolhida pelos “biqueiros” de plantão. O nome do parlamentar será cantando em prosas e versos em toda a quadra momesca. Coisa boa ele não irá ouvir!

O citado parlamentar nasceu em Fonte Boa/Amazonas, advogado, entrou na política em 1991 e está na presidência da Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas, deste de 2005, está em campanha para galgar mais um mandato, porém, em decorrência de inúmeras denúncias de corrupção, envolvendo o seu nome e da sua família, vai ser muito difícil conseguir tal feito. Segundo o Belão “Eu não sei nem engatinhar na oposição. Não conheço os passos da oposição porque nunca fui de oposição. A minha índole é governista, é apoiar os programas para o Estado e para a população e não vender dificuldades para ganhar facilidades. Faço parte, atualmente, do grupo político comandado por Omar Aziz, Eduardo Braga e Átila Lins”.

Para quem não conhece o nosso carnaval de Rua, a BICA toca somente as velhas marchinhas de carnaval, comandado pela Banda Demônios da Tasmânia, eles tem ojeriza a “Toada de Boi” e “Axé Music” – fazem desfiles de grandes bonecos, pelas ruas de Manaus. O refrão mais repetido é o seguinte: “PQP! A gente não quer futrica, mas, eles (os políticos) roubam tudo e o povo entra na BICA! Hoje, no Bar do Armando, no Largo de São Sebastião, haverá a “Festa do Talco”, com muito carnaval para comemorar o Ano Novo.

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

EU QUERIA SOMENTE ENTENDER

Existem muitas e muitas coisas que, os pobres mortais, os chamados leigos, não entendem o seu real significado, como funcionam; faço parte também dessa turma, porém, resolvi fazer uma “pesquisa” para desvendar de uma vez por todas com esta nossa santa ignorância, vamos lá:Lei Ordinária – Para quem não é do meio, ou seja, um operador de Direito (Estudante de Direito, Advogado, Defensor Público, Promotor de Justiça, Delegado de Polícia, Juiz, Desembargador, Ministro dos Tribunais Superiores e do Supremo), o termo “ordinário” soa muito mal, possui uma conotação pejorativa, ou seja, de má qualidade, inferior, medíocre, vulgar e sem caráter. O que me chamou a atenção foi a aprovação, em regime de urgência, pela Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (ALE), de várias leis ordinárias, ao apagar das luzes, decorrentes de projetos de leis de autoria do Poder Executivo, modificando a estrutura do governo do Omar Aziz. Todas elas são polêmicas, não houve discussão das matérias, segundo o relator, o Deputado Estadual Francisco Souza (PSC) “Não é hora de fazer perguntas, e sim, de parabenizar o governador Omar Aziz, o Deputado Luiz Castro está estressado e com problemas mentais por fazer tantas perguntas sobre as mensagens governamentais”. Santo Deus! Aguçou a minha curiosidade, pois, uma lei que é aprovada sem discussão e a “toque de caixa”, deve ser “ordinária” na acepção da palavra. Porém, segundo os estudiosos da matéria, uma Lei Ordinária é um ato normativo primário e contém, em regra, normas gerais e abstratas, ficando somente abaixo das Leis Complementares. Para entender melhor: existem leis ordinárias, que seguem todo os trâmites para a sua aprovação, alcançando os seu objetivos na sociedade, porém, a grande maioria será “ordinária” com a conotação pejorativa acima descrita. Trocando em miúdos: existe a Lei Ordinária e a Lei “Ordinária”! Prédio Tombado – É comum ouvir dizer que um prédio foi tombado, em decorrência do seu valor cultural. Mas qual a diferença entre um prédio tombado por lei e outro, mesmo protegido, tombado (caído, derrubado)? Para dizer a verdade, não soa bem nos ouvidos das pessoas comuns, quando alguém comenta que um prédio tal será tombado, vem logo no imaginário popular que ele será destruído. Na realidade, o tombamento é um instrumento legal, reconhecendo o valor cultural de um bem e instituindo sobre ele um regime especial de proteção, considerando a sua função social, ficando inscrito no Livro do Tombo (Arquelógico, Etnográfico, Paisagístico, Histórico, Belas Artes e Artes Aplicadas). Agora entendi, por exemplo, quase cem por cento do Centro Histórico de Manaus foi “tombado”, ou seja, destruído, depois de cem anos de destruição, resolveram, por lei, Tombar (proteger) o que restou. Réveillon – O termo vem do francês réveiller, significa em português “despertar”, celebrando o fim de ano e o começo do próximo. Tudo começou com um romano chamado Júlio César, o cara fixou em 1 de Janeiro como o “Dia do Ano-Novo”, isto foi em 46 antes de Cristo. Por sinal, o mês de Janeiro deriva-se de Jano, o Deus dos Portões, ele tinha duas faces, uma voltada para frente e outra para trás. Voltando para o réveillon de 2010, a maior e melhor festa do Brasil está no Rio de Janeiro, o evento será custeado pela iniciativa privada, são gastos R$ 17 milhões de reais, não falaram quanto irão lucrar com evento, mas, com certeza, será uns R$ 30 milhões, mais ou menos. Na pequena Manaus, o Sr. Arlindo Júnior, presidente da Manaustur, terceirizou o evento, a Prefeitura de Manaus com todo a estrutura que tem, não tem a competência para fazê-lo. Simplesmente, escolheu duas instituições de “fundo de quintal”, passou para a Associação Sociocultural Noêmia Santana, sediada numa casa caindo aos pedaços, na Compensa II – a outra é o Clube das Mães Dr. Mário Cunha, na comunidade São Pedro, antiga Carbrás – foi repassado, segundo o Diário Oficial do Município, a bagatela de R$ 6 milhões de reais. Me ajudem a entender o que está acontecendo com o nosso dinheiro. Os caras repassam esta montanha de dinheiro para duas instituições sem nenhuma estrutura, sem nada, no entanto, nos eventos espera-se um público de 200 mil pessoas, com palcos para apresentações de bandas e telões de alta-definição, com painel com contador regressivo, um esquema especial de segurança, com estrutura física e logística similar ao adotado pelo mega evento “Boi Manaus” -, a Praia da Ponta Negra, por está em obras, receberá grupos praticantes de religiões africanas e a tradicional queima de toneladas de fogos. A pergunta que não quer calar: Usaram as duas instituições como “laranja” ou não? Acredito que sim, não tem lógica isso! O negócio é o seguinte: a duas instituições recebem a grana, repassam para outras empresas de eventos, todo mundo vai ganhar muito din-din, menos o povo, pois é ele quem vai bancar este orgia do dinheiro público. O Ministério Público Estadual (MPE) tem o dever de entrar em campo! Desculpe-me, mas, eu queria somente entender!

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

SALADA DE MANAUS


Quem nasceu em Manaus ou aqui viveu nas décadas de sessenta a oitenta, com certeza, os nomes que servem de ingredientes da nossa salada, tem tudo a ver, lembra do nosso passado, da nossa infância, adolescência e no início da nossa maioridade. Vamos conferir:

The Blue Birds, The Rocks, Os Embaixadores, Domingos Lima e Conjunto, The Sinners, The Golden Boys, Bancrévia Clube, Sheik Clube, Moranguinho, Boite dos Ingleses, Barés Club, Danilo´s Club, Rio Negro Clube, União Esportiva, Ideal, Amazon Hotel Club, Crocodilo´s Club, Mandy´s Bar, Cabana dos Barés, Chaim, Jander, Manoel Batera, Salim Gonçalves, Izinha Toscano, Kátia Maria, Abílio Farias, Maranhense, Canto da Peixada, Solar da Olímpia, Garfo de Ouro, Restaurante Tucunaré, Frial, Lobo´s, A Gogô, Galeto´s, Insinuante, Acapulco Clube, Guaraciaba, Quitandinha, Cananga do Japão, Saramandaia, Tia Chica, Lá Hoje, Maria das Patas, Ângelus, Verônica, Selvagem, Alonso´s Bar, Rosa de Maio, Piscina Club, Chica Bobó, Shangrila, Patrícia Bar, Tia Raí, Poço de Caldas, Floresta, Gonorreia, Chato, Cabeça de Galo, Pó de Arroz, Mococa, Matamatá, Madeira, Astride, Manteiga, Little Box, Pepeta Close, Bar do Armando, Bar dos Cornos, Alex Bar, Cachucha, Katequero, Jangadeiro, Pinguim, Natalia, Orion, Cocal, XPTO, Batida de Mangarataia, Minister, Gaivota, Tabaco de Corda, Guaraná Luzéia, Baré, Magistral, Mirinda, X-9, Leão da Amazônia, Otinha, Melo Mato, Papagaio do Russo, CEM, COSAMA, IAPETEC, Casa 22 Paulista, Casa Tem-Tem, Esquina das Sedas, Lobrás, Canto do Fuxico, Mocó, Rodoway, Galeria Avenida, Alfândega, Pag-Leve, Frial, Delegado do Diabo, Bumbalá, Carmem Doida, Gaivota, Xerife, Nega Maluca, Hospício Eduardo Ribeiro, Violão do Rochinha, Seresta, Festinha do Acocho,Tiba, Simões, Orlando Sete Cordas, Moisés, Opala, Kombi, DKV, Chevette, Rural Willy, Fusca, Carroça, Ônibus de madeira, Carrapeta, Goaiaba Nacionalino, Torcida Galo Gay, Boca de Bilha, Parque Amazonense, Colina, Tartarugão, Cachorro Quente, Disco Voador, Olímpico Clube, Ferroviária, Rio Negro, São Raimundo, Fast, Nacional, América, Sul América, Fada, FAF, Acleia, Arnaldo Santos, Leal da Cunha, Belmiro Vianez, Carlos Zamith, Flaviano Linmongi, Edson Piola, Afonso, Marialvo, Pepeta, Clóvis, Santarém, Cine Guarany, Odeon, Éden, Avenida, Popular, Polytheama, Ideal, Vitória, Jaú, Peixeiro Juizado de Menores, Dona Iaiá, Zorro, Durango Kid, Os Três Patetas, Rádio Rio Mar, Difusora, Baré, Tropical, Crônica do Meio Dia, TV Educativa, Ajuricaba, Sadi Huache, Josué Cláudio de Souza, Baby Rizzato, Jornal do Commercio, A Crítica, A Notícia, Corrida Archer Pinto, Godot, Evandro Carreira, Fábio Lucena, Jéferson Peres, Plínio Coelho, Gilberto Mestrinho, Coronel Teixeira, Canto do Quintela, Mocó, Castelinho, Canto do Fuxico, Ferro de Engomar, Bolo Confeitado, Rodoway, Teatro Amazonas, Beira do Mercadão, Cemitério São João Batista, Santa Helena, Igreja da Matriz, São Sebastião, Remédios, Aviaquario, Avenida Eduardo Ribeiro, Sete de Setembro, Getúlio Vargas, Barelândia, Unidos da Selva, Andanças de Ciganos, Colégio Estadual, Barão do Rio Branco, Brasileiro, IEA, Benjamin Constant, São Luiz de Gonzaga, Dorotéia, Militar, Dom Bosco, Primeira Ponte, Segunda e Terceira, Festival do General Osório, Bola da Suframa, Boi Corre Campo, Dança do Cacetinho, Tribo dos Andirás, Luz de Guerra, Maranhão, Paulo Gilberto, Parque Dez, Ponte da Bolívia, Cachoeira do Tarumã, Tarumazinho, Ponta Negra, Igarapé de Manaus, Caxangá, Amarelinho, Tucunaré Clube, Guanabara, Praça da Polícia, Congresso, Saudade, Correto da Polícia, Avião da Saudade, Clube da Madrugada, Projeto Jaraqui, Papagaio do Russo, Bairro do Céu, Educados, Bairro dos Tocos, Cachoeirinha, Adrianópolis, Bulevar Amazonas, Beneficente Portuguesa, Santa Casa de Misericórdia, Pronto Socorro São José, Dr. Conte Telles, Penicilina, Cibalena, Minacora, Jalapa Pião, Mamona, Garrafada, Lavagem no Toba, Penico, Charão, Ferro de Engomar a carvão, Pilão, Petisqueira, Leiteira, Rádio a Válvulas, Vitrola Nivico Hi-Fi, Discos de Vinil, Aladim, Lamparina, Rala-Rala, Refresco K-Suke, Pirulito, Filhós, Bolo de Milho, Bolo de Macaxeira, Alfenim, K-Chute, Conga, Suspensório, Cueca Samba Canção, Anágua, Espartilho, Corpete, Bata, Chapéu Panamá, Pente Flamengo, Brilhantina, Laquê, Bobes. Chega de Salada! É muito ou quer mais?


Foto Antiga: Modificada - "A Grade do Tempo" - J Martins Rocha

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

A NOVA PONTA NEGRA DE MANAUS

Posted by Picasa

A Nova Ponta Negra – Serão investidos 43 milhões, com fontes do Governo Federal e bancos internacionais, para reformular totalmente um dos principais cartões postais de Manaus. Será recriada dentro de uma concepção contemporânea, arrojada e de padrão internacional. Terá a ampliação dos espaços de entretenimento, lazer e serviços; o anfiteatro será revitalizado, e um complexo esportivo será construído para abrigar eventos nacionais e internacionais; construção de mirante e píer para atração de lanchas e pequenas embarcações, restaurantes, hotéis e centro de compras e serviços. O complexo obedecerá à concepção de preservação ambiental e de valorização do ser humano.

Fonte: Prefeitura Municipal de Manaus
Colagem: J Martins Rocha

INSTITUTO BENJAMIN CONSTANT



O Instituto Benjamin Constant foi concebido e construído pelo engenheiro militar e governador do Estado do Amazonas Eduardo Ribeiro, em 1894, em plena fase áurea de borracha (1890 a 1910).Fica localizado na Rua Ramos Ferreira, 1609, centro de Manaus, o prédio foi tombado através do Decreto numero 11.190, de 14.06.1988.Este prédio suntuoso abrigou várias instituições, como o Orfanato, para meninas com idade entre seis e quatorze anos, ficavam por lá até os vinte e um anos, recebendo uma educação com base na cultura religiosa.Funcionou como Colégio Estadual do ensino fundamental, tive a felicidade de estudar as antigas 6ª, 7ª. e a 8ª. séries do primeiro grau. Atualmente, abriga o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Amazonas, uma parte, foi desmembrada e formado dois colégios do ensino médio e fundamental, com entrada pela Rua Tapajós.

sábado, 25 de dezembro de 2010

CAUSO AMAZÔNICO

Na cidade de Parintins, no Baixo Amazonas, existia uma senhora de idade avançada, criavam uma Égua, chamada Thereza; ao lado do seu terreno, existia um grande fazendeiro, dono de milhares de cabeças de gados, da raça Nelore, criador, também, de cavalos “puro-sangue”, tipo Manga-larga. Certo dia, a égua da velha, entrou no cio, estava naqueles dias, de desejo sexual intenso; não deu outra, o cavalo do velho fazendeiro, por sinal, estava atrasadíssimo, pulou a cerca e mandou ver na fêmea. Quando deu para notar que a égua estava prenhe, o fazendeiro mandou um peão dá um recado à vizinha: - O patrão mandou avisar que, quando nascer o potrinho, ele será levado para a sua Fazenda, pois, pertence a ele e, ponto final! Falou de uma forma bastante ameaçadora. A velinha tentou argumentar:- Mas, senhor, diga ao seu patrão que foi o cavalo dele que quebrou a minha cerca, veio até meu terreno e cruzou na marra com a minha eguinha, não houve o meu consentimento, portanto, quando nascer o potro, será criado no meu terreno. O peão retrucou: - Conversa-fiada, de nada, já está decidido, o potro será do patrão, quando nascer, virei buscar, se houver resistência, a ordem é mandar bala, espere para ver! Coitada da velinha, não tinha ninguém para defendê-la, por outro lado, o fazendeiro tudo podia e todos a ele obedeciam; sabe como é a vida, dinheiro compra tudo, menos a consciência de poucos. Foi o caso do Dr. Papa Tudo, um rábula formado em “Direito” na “França”, um puteiro da Rua Mauá, no baixo meretrício do centro antigo de Manaus – o destino o levou a “advogar” causas perdidas, na cidade dos “Parintintins”. Pois é, mano velho, ele ficou sensibilizado com o caso, ficou puto de raiva, com a audácia do fazendeiro arrogante, resolveu defender a velhinha, sem cobrar o seu merecido honorário advocatício. O cara era fera, não tinha perdido nenhuma causa, ele sempre se preparava para defender os seus clientes, tomando cachaça nos botecos da “Baixa do São José”. O caso vai parar nas mãos de um Juiz de Paz – as partes foram chamadas, o fazendeiro contratou o melhor advogado de Parintins, o Dr. Enrolando Lero, um cara metido a besta, engomadinho, formado na Universidade Federal do Pará, com mestrado em Direito Civil, na Faculdade de Direito da USP – veio com um paletó de griffe, relógio Rolex e caneta Mont Blanc "fanta", ostentando também o seu anel de ouro, com pedra de Rubi, com o intuito de aparecer e intimidar a outra parte, pobre. Por outro lado, o Dr. Papa Tudo, era um cara que tinha somente um Paletó, surrado com o tempo, com uma gravata chamada de “Maestro”, por ser tão grande que uma ponta “tocava no seu órgão”, genital, é claro! Chegou no “Fórum” com a barba a fazer, com uma cara parecida com a do personagem global “Cana Brava”, cuspindo para todos os lados e dando “doses de mil” em todo mundo. O advogado do fazendeiro fez a sua defesa: - Meritíssimo, o meu cliente é um dos homens mais respeitados e ricos da cidade de Parintins, fazendeiro e criador de cavalos de puro-sangue, tem condições financeiras suficientes para criar o potro que vai nascer, será cuidado como um campeão, com todo o cuidado possível, por sinal, será contratado um veterinário da cidade de Manaus, somente para cuidar dele, por outro lado, a senhora dona da égua prenhe, não tem condições nem para consertar a cerca, o meu cliente foi quem providenciou tudo, ela é paupérrima, não cuida bem nem da égua, imagine cuidar de um potro, filho de um cavalo de raça, o melhor para todos, será o potro ficar sob os cuidados e a guarda do meu cliente! Depois, entrou em campo, o defensor dos fracos e oprimidos, o mais famoso advogado de porta de cadeia da cidade, foi logo direto no assunto: - Meritríssimo! O juiz ficou puto, já tinha também tomado umas doses de caninha 61, deu logo um ralho no rábula: - Me respeite, sou uma autoridade, não sou um filho de rapariga, não! O “advogado” botou logo no toco: - Desculpe-me, “meritríssimo”, mas, “supunhetamos” que o senhor seja uma égua no cio, eu um sou um cavalo puro-sangue, atrasado no balde, pulo a cerca, pego o senhor e boto até o tucupi! O juiz pulou da cadeira, já estava babando de raiva e, gritou: - Vai me pegar ó caralho, vá meter no rabo de outro, eu sou espada, me erre! Desculpe-me, novamente, meritríssimo, mas, estou apenas “supunhetando”; prosseguindo, o senhor depois de “arrolado”, fica prenhe, depois de alguns meses tem um potro, quando ele nascer, será de quem? de quem? de quem? O juiz já estava para ter um infarto do miocárdio, gritou em voz alta, deu para ouvir em toda a Ilha de Parintins: - É da Puta que o Pariu! Encerrado, acabado, fui! Pronto, foi dada a decisão judicial, o potro, ficaria com a “Égua da velhinha” e, o “Cavalo do fazendeiro” perdera a causa! A paz voltou a reinar no terreno da anciã e o rábula foi comemorar, no Comuna’s Bar. Égua! Sai pra lá, Cavalo!

Aviso aos navegantes:

1. Este causo (conto, história) foi contado muitos anos atrás, num show no Teatro Amazonas, pelo meu amigo Pedrinho Ribeiro, parintinense, cantor e compositor da melhor qualidade;
2. Juiz de Paz - Antiga autoridade incumbida de conciliar partes desavindas, processar e julgar cobranças de pouco valor, e praticar outros atos civis ou criminais de sua alçada, inclusive a realização de casamentos;
3. Parintins – Cidade do interior do Estado do Amazonas, onde se realiza o melhor e maior festival folclórico do Brasil;
4. Potro – Cavalo novo, até os quatro anos, não domado;
5. Rábula - Advogado de limitada cultura. Bras. Indivíduo que advoga sem possuir o diploma.
6. Parintintins – Tribo que deu origem a cidade de Parintins;
7. Baixa de São José – Local tradicional, onde moram os torcedores do Boi Garantido;
8. Comuna’s Bar – O bar pertence a um japonês, reduto dos “vermelhos” do Garantido. Um dos mais frequentados no Festival Folclórico de Parintins.

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

UM NATAL E ANO NOVO CHEIOS DE AGRADECIMENTOS


Ao chegar mais um final de ano, chega de pedir, o momento é de agradecer a Deus e aos homens de boa vontade.

Muitas coisas que eu programei para o ano de 2010 não foram realizadas, não me importo nem pouco, renovarei as esperanças para que aconteçam em 2011.

Ao acordar devemos agradecer todo dia por estarmos vivo, muitas pessoas pensam diferente, fazem as suas orações, pedindo, em vez de agradecer. O bem maior é a nossa vida, em segundo, vem a liberdade.

Muitos amigos e colegas meus estão aposentados, usufruindo, numa boa, do merecido descanso. Trabalhei durante anos e anos e, nos últimos vinte anos, exerço as minhas atividades profissionais como prestador de serviços na área de comércio exterior – nunca tirei férias e não penso em me aposentar, mesmo assim, não canso de agradecer, jamais, lamento da vida árdua que eu levo. O trabalho enobrece o homem – o ócio é a oficina do diabo!

Uma das coisas belas que aconteceram na minha vida foi ter decidido em montar um blog – por ser um amador, não ganhei nenhum bem material, porém, fiquei rico, espiritualmente. É uma alegria imensa receber e-mail das pessoas que gostam do que eu escrevo, por sinal, quero dar um imenso abraço, nos cento e trinta e dois seguidores do nosso blog, bem como, aos duzentos e setenta e nove mil pessoas que acessaram o “Blogdorocha”.

Apesar dos meus percalços na vida amorosa, quero agradecer a minha ex-companheira por ter compartilhado comigo a bela convivência com os nossos três filhos; agradecer também aos meus filhos pelo amor e amizade que eles têm por mim e, por eles terem me dado a alegria de ser pai avô, voltei a viver mais intensamente a vida.

Agradeço também aos meus amados pais que estão juntos lá no céu, aos meus irmãos, aos amigos e colegas – um beijo no coração de cada um deles.

A todos um Feliz Natal e Próspero Ano Novo - um abraço do tamanho da Amazônia!

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

A IGREJA DO MEU BATIZADO


Mais um final de ano chegando, está na hora de esvaziar a lixeira da nossa mente, além de jogar ou doar as coisas inservíveis para nós, mas, de muita utilidade para outras pessoas, comecei a fazer esta atividade, fui direto ao meu “Baú Velho”, revirei e descartei muitos documentos, para minha surpresa, encontrei um documento que talvez tenha visto umas cinco vezes em toda a minha vida, era a minha “Certidão de Batismo”, o que mais me chamou a atenção foi a data do meu batizado – um domingo de dezembro de 1956, quanto tempo, hein!

Sem falar que a igreja aonde fui tornado um cristão, continua linda e imponente, porém, nesses anos todos, nunca frequentei uma única missa; passei por lá milhares e milhares de vezes e nunca entrei uma única vez!

Segundo os historiadores, esta igreja foi construída em 1868, erguida sobre um cemitério indígena, foi tombada em 1988, como patrimônio histórico do Amazonas. Ela é rodeada por escadarias de pedras portuguesas de Lioz; na parte detrás, ainda aparecem os trilhos dos bondes (deixaram de circular em Manaus na década de 50) – ao seu lado fica a primeira Faculdade de Direito do Brasil, onde por lá passaram os estrelas Jefferson Péres, Plínio Coelho e Samuel Benchimol -, bem em frente  da "Velha Jaqueira”, ficava a banca da Dona Pátria, a melhor tacacazeira do Amazonas, tia amada do médico Rogélio Casado – nos seus arredores moraram a comunidade sírio-libanesa, além dos famosos: Milton Hatoum, o autor do livro “Dois Irmãos”, a Deputada Federal Beth Azize, os senadores Arthur Virgílio Filho e Arthur Virgílio Neto.

A sua frente tem uma praça, outrora esplendorosa, com um Cristo Redentor, abençoando os ribeirinhos e a Baía do Rio Negro. Antigamente tinha uma famosa escadaria, dava acesso a “Cidade Flutuante”. 

Na década de sessenta, um avião de pequeno porte teve uma pane, perdeu altura e foi bater exatamente na torre dessa igreja, graças a Deus que o piloto conseguiu contornar e evitou um grande acidente. 

Na lateral direita da igreja, morava um sujeito chamado Adalelmo Nascimento, era um mendigo rabugento, certo dia, o meu saudoso pai pediu para irmos visitá-lo, os dois conversaram muito, ele lembrou que o papai foi quem o levava para o Colégio Dom Bosco, pois ele era filho do patrão, o senhor Nascimento, da fábrica de violões “Bandolim Manauense”, ficava nos porões da Casa Alba. 

O tempo passou e, em dezembro de 2010, exatamente 54 anos depois do meu batizado, entrei pela segunda vez na referida igreja, sentei num banco, rezei um Pai Nosso e uma Ave Maria, abri o meu “batistério”, consta lá o nome dos meus padrinhos Nestor Rodrigues Rabelo e Diamantina de Jesus Rabelo, com a assinatura do cônego Pedro Mottais – lembrei-me do meu padrinho, ele tinha uma fábrica de carroceria de caminhão, na Rua Floriano Peixoto, ao lado do Edifício Garagem, todo mês recebia dele uma ajuda financeira, dava para a minha mãe, ele comprava roupas e me levava para o Cine Guarany. 

Fui até o Altar, coloquei uns trocados no Ofertório e me deparei com a “Pia Batismal” -, pensei: - será que era a mesma onde eu fui batizado? Acredito que sim, foi lá onde o padre colocou água benta na minha cabeça e fez o sinal da cruz na minha testa, com certeza! 

Pois é, mano velho, esta é a nossa Igreja Da Nossa Senhora dos Remédios. É isso ai.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

AMAZONENSES

Posted by PicasaVANESSA,ALEXANDRE COSTA,JUVENAL,TOSCANO,AMAZONAS SEFAZ,KATIA MARIA,ALTAMIRA,DELFIM,TEOFANI,NAZARE LACUTE,KINGLER,LUIZ MEDEIROS,NAYDE,JACARÉ,SACY,GUTERMAN,ARUEIRA,DR. MARIOLINO,PAULO PERUCA,ROCHINHA,EVANDRO CARREIRA,NAZARE LACUTE,CELESTINA,LAMEGO,JERSEY NAZARENO,NUBIA,CELESTINO E FILHO,ANCHIETA LINS,MOTA MENGO,DONA VANDA,DRA. GRAÇA,ROBERTO,JORGE PARENTE,ISADORA,MESTRE LOURO,JORGE PALHETA,CINCO ESTELAS,MESTRE ROCHA,AUGUSTO,CRUZ,KASMIN,PAPOULA,MARCIA,BOANERGES,PAULO MAMULENGO,MAMAE,JANIO LOBO,OLAVO,ROCHA,AMAZONAS DO EDUCANDOS,CABRAL,RODRIGO CARIOCA,AMANDA,ANNE ROCHA,ARMANDO,LUCIO BAHIA,ALBERTA AGUIAR,A,SAMUEL BENCHIMOL,LEOPOLDO BEZERA,ADRIANO,CARLINHO BRAGA,DR. CARLINHO, COMPANHEIRO INÁCIO,MONICA,BACURAU,ROSA,DONA LOURDES,AMERICO,JOSEVALDO,CRIS,CARLOS SIMÕES,PAULO SALSISHA,DR. TRINDADE,BIRA,ALUISIO,TOINHO FEDERAL,JOSEVALDO,NEIDINHA
 E OUTROS.


Foto Colagem: José Martins Rocha

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

A TOUCA DO NOEL (NESSE NATAL EMO)

Jorge Laborda

O natal sempre dá um bode preto. Toda pessoa que faz algum tipo de reflexão histórica, filosófica, empírica sobre a vida, acha o natal uma festa vazia, imposta por culturas alienígenas e completamente sem sentido. A cultura consumista que envolve a data é tão alienante que muita gente simplesmente odeia o natal. Eu sou um. Porém resolvi não mais me importar com isso. Resolvi que não vou mais me incomodar quando a povo elege de novo políticos corruptos, quando o juiz erra sempre pro time mais poderoso, tipo São Paulo, quando a coisa acaba quando a festa esquenta e quando a gostosa sai com o cara que tem a coisa, e principalmente me importar com datas chatas que enchem o saco, tipo, natal e dias dos namorados. A solução encontrada é cair na gandaia também, festejar como todo mundo. Só que do meu jeito. Então pensei em uma festa pré natalina chamada “A Touca do Noel”. Seria uma espécie de esquenta pro carnaval, onde só entra quem vai de touca de Papai Noel, solamente, mas sem a obrigatoriedade de ir solamente de touca. Convidaria o aniversariante para fazer as honras na porta, mas sem os pregos e a cruz, festas heavy metal são chatíssimas, o máximo que ele poderia trazer da sua triste indumentária seria seus panos de bunda. Também não teria guirlandas, pois não consigo imaginar nada mais cafona que guirlanda. Ohhhh coisa feia é guirlanda. Luzes pode. Luzes é legal. Tai uma coisa que gosto do natal. As luzes. Agora o que não vai ter mesmo são as musiquinhas de natal. Ahhhhhhh...essas nemmmmmmmmm. A música para saldar amigos é com certeza, um bom samba. Tai uma coisa que realmente não pode faltar em uma festa de natal das boas: samba e amigos. Os bons e velhos amigos. No mais, tudo é dispensável, inclusive o pior de todos os itens banalizantes do natal, o tal do presente. O natal, essa festa não festa, deveria ser tudo, menos presente. Natal é o passado e o futuro, não o “presente”. Portanto é uma data pra nêgo festejar os amigos do passado e tornar possível ter mais amigos futuros. No mais, o lance é ir pra Touca do Noel.

O autor é designer, escritor, astrólogo e tarologo.
http://www.cronicabipolar.blogspot.com/

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

A CIDADE DE MANAUS – PASSADO, PRESENTE E FUTURO.


Recebo muito elogios e algumas criticas por cultuar coisas antigas e atuais de Manaus; o meu “blog” tem vários objetivos e, um deles, é exatamente fazer esta ponte, entre o passado e o presente, para tanto, mostro como era a nossa cidade através de artigos de historiadores, publico fotos antigas e atuais, ouso em escrever sobre a minha infância e adolescência em Manaus, faço também parte de movimentos sociais voltados para a preservação e revitalização do nosso centro histórico, enfim, luto para ver a Manaus bela, limpa, respeitada e amada; os nossos antepassados tiveram esse privilégio, espero que a atual e a futura geração tenha o mesmo.

Para termos uma pequena ideia como era a nossa Manaus no inicio do século passado, empresto o que o escritor e professor amazonense Rogel Samuel, escreveu no seu belo livro chamado “O Amante das Amazonas”, da Editora Itatiaia, de Belo Horizonte:

A cotação da borracha amazonense sobe na Bolsa de Londres. O Amazonas, único produtor de látex do mundo, Manaus, rica, copia Paris. Comerciantes enriquecem. Ostenta o Teatro Amazonas e seus espelhos de cristal. Os milionários jogam cartas com anelados dedos pesados de diamantes, arriscando fortunas no Hotel Cassina, no Álcazar, no Éden, no Cassino Julieta. Telhas de Marselha ao luar na Rua dos Remédios, na Rua da Glória. Arquitetura art-nouveau do palácio de Ernest Scholtz – depois Palácio Rio Negro, sede do Governo. A la ville de Paris, Au bom marché, Quartier du temple, Damas do Gabinete Villeroy, Casa Louvre, Livraria Palais Royal, Livraria Universal, Agencia Freitas, Casa Sorbonne (dentro do Grande Hotel), a Confeitaria Bijou, a Padaria Progresso. A bela Villa Fany, o Cais dos Barés, a Biblioteca Provincial, o prédio dos Educandos Artífices, Amazon Steamship Navigation Co. A Alfandega, importada peça por peça, o Mercado Municipal, projeto do Gustavo Eiffel. Um Serviço Telefônico servia a cidade. A eletricidade ilumina as ruas de Manaus. Calçadas da Praça de São Sebastiao, com pedras portuguesas. Bondes elétricos da Manaus-traways. Bebe-se Veuve Clicquot. Truffes, Champignon. Huntley & Palmers, Cross & Blackwell. A Cork, a Pilsen, o Bordeaux, o fiambre, o Queijo da Serra da Estrella. Lagostas, a Goiabada Christalizada. Charteuse, Anizette. Champagne Duc de Reims. O Vermouth. Água de Vichy. Leite dos Alpes Suíços. Casacas inglesas, o H.J., o pongê, o filó. Bengalas de castão de ouro. Cartolas, luvas, perfumes franceses, lenços de seda. Pistolas de prata e cabo de marfim. Gramophones de Victor. Discos duplos de Caruso. Casas aviadoras. Manaus-Harbour, Tabuileiros de Xadrez. Óperas diariamente. Prostitutas importadas. A Cervejaria Miranda Correa. A Praça da Saudade. O Rodoway, o Trapiche. Sífilis. Malária. Vidros de Quinino Labarraque. Óleo de Fígado de Bacalhau. Vinho Silva Araújo. Regulador da Madre. Pílulas Rosadas. Café Beirão. Winchesters. Ponte da Imperatriz, Igarapé da Cachoeira Grande. A Serraria, no Igarapé do Espírito Santo. Banhos no Igarapé das Sete Cacimbas. Buritizal. Jogos, no Parque Amazonense. Muro do Leprosário do Aleixo. Visita da Bomba d’água. Viagens. Linhas. Manaus-Belém, Manaus-Santa Isabel, Manaus-Iquitos. Chalé da Vila Municipal. O Amazonas Comercial, O Imparcial, O Rio Negro, Jornal do Comércio. 126 navios trafegam no interior do Amazonas. Vaticanos, gaiolas e chatas.

É, mano velho, a vida era boa e farta naqueles tempos, alguns prédios citados pelo Rogel Samuel ainda estão de pé, outros tantos, foram demolidos para dar lugar ao “progresso” – roupas, bebidas e comidas importadas somente tinham acesso o pessoal da elite, hoje, com a Zona Franca, muitos podem usufruir dessas regalias.


A cidade foi parcialmente destruída, passou quase um século em total abandono, atualmente, alguns espaços estão sendo revitalizados, posso citar o Largo de São Sebastião, o Palácio da Justiça, a Praça da Saudade, a Casa de Eduardo Ribeiro, o Ideal Clube, a Praça Heliodoro Balbi, o Palacete Provincial, o Palácio Rio Branco, o Palácio Rio Negro, a Primeira, Segunda e Terceira Ponte, dezenas de casarões, dentre outras. Estão em processo de recuperação alguns logradouros, como o Paço da Liberdade, o Mercado Municipal Adolpho Lisboa, o Teatro Chaminé, a Praça D. Pedro II, a Biblioteca Pública e parte do Rodoway, a promessa dos governantes é a total recuperação da cidade até 2014, tendo em vista sermos escolhidos para sediar alguns jogos da Copa do Mundo de Futebol.

Estão estudando a viabilização da construção de Monotrilhos e Ônibus de Deslocamentos Rápidos, a expansão do Aeroporto Eduardo Gomes, a construção da Arena da Amazônia, termino da Ponte Manaus-Iranduba, consolidação da Região Metropolitana de Manaus, dentre outras.


Quem sabe daqui a um século, alguém irá escrever sobre as belezas da Manaus do início do XX e, do XXI, também. As coisas belas devem ser preservadas, chega de destruir agora e depois de um século, começar a reconstruir de novo! Vamos recuperar o que sobrou do século passado, conservar, cuidar, construir mais coisas belas, chegando Manaus a ostentar, assim esperamos, no próximo século, como a cidade mais bela do Brasil, como foi no início do século passado! É isso ai.



Observação: O livro “O Amante das Amazonas”, do Rogel Samuel, conforme a orelha -, é um romance, baseado em fatos reais, históricos, conta a saga da borracha, do apogeu e decadência. O autor é amazonense de Manaus, nasceu em 1943, filho de francês com brasileira. Seu avô alsaciano foi um rico comerciante de borracha. O Alberto Samuel, pai do Rogel, escreveu “Jaguareté, o guerreiro”; foi também um navegador por 40 anos na Amazônia, com quem conheceu a floresta.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

DETALHE DO MONUMENTO COMEMORATIVO A ABERTURA DOS PORTOS ÀS NAÇÕES AMIGAS


Inaugurado em 1900, fica localizado na Praça de São Sebastião, em Manaus, foi concebido pelo artista italiano Domenico de Angelis (faleceu antes da inauguração), foi erguido para comemorar a abertura dos portos do Rio Amazonas ao comércio exterior.

O detalhe da fotografia mostra uma parte toda em bronze, onde aparece uma mulher com os seios nus e vestes flutuantes, segurando uma tocha, dizem que é a Deusa da Liberdade, ao seu lado, numa posição de inferioridade está o mitológico Mercúrio, o Deus do Comércio, além de dois querubins e parte do brasão do Amazonas, com destaque para a águia amazonenses, a simbolizar grandeza e força.

Alguns estudiosos criticam os elementos desse monumento, pois não representam a cultura do nosso Estado, porém, constitui um dos lugares mais fotografados pelos turistas, além de ser muito admirado pelos amazonenses.  

Foto: J Martins Rocha

sábado, 11 de dezembro de 2010

OS BARCOS DO AMAZONAS



A Amazônia é entrecortada por rios, praticamente todas as cidades e comunidades são separadas por águas, em decorrência dessas particularidades, as estradas são os rios e os Barcos regionais substituem os automóveis – os barcos por ser um importante meio de transporte da região norte, principalmente, do Estado do Amazonas, merece todo o nosso respeito, consideração e admiração.

Observando as fotos do inicio do século passado, verificamos que os barcos eram fabricados em ferro, na época em que o dinheiro corria solto, resultado das vendas da borracha no mercado internacional, depois, com o fim desse monopólio, houve um empobrecimento total da nossa economia, os barcos passaram a ser fabricados de madeira, nos estaleiros de Manaus e Belém.

Os barcos construídos no Amazonas diferem dos do Pará, pois estes sofrem a influencia do mar, sendo adaptados a essa realidade. Os nossos barcos possuem as seguintes características: são feitos de madeiras, com os mais variados tamanhos e tipos recebem o nome de “Motor” ou “Recreio” dependendo da duração da viagem, são mistos, transportam cargas e passageiros.

Na enchente, viajam dia e noite, na vazante, somente durante o dia, pois o perigo é muito grande, existem muitas toras de madeiras nos rios, os bancos de areia aparecem em todo lugar, em alguns lugares existem as corredeiras, o perigo são as pedras.

Com a entrada em ação do Sistema de Proteção da Amazônia (Sipam), os traficantes de drogas trocaram os aviões pelos barcos, por conta disso, a fiscalização está sendo muito intensificada.

O problema maior dos nossos barcos são o excesso de passageiros e cargas e a falta de equipamentos obrigatórios, como o barco salva-vidas e coletes em quantidades. Para ser ter uma ideia, quando um barco vira, a lona serve como uma parede, impedindo a saída dos passageiros – os naufrágios são uma constante, apesar de toda a fiscalização da Marinha do Brasil.

Existe um segmento que utiliza muito os barcos regionais, são os chamados “Barcos de Turismo da Amazônia”, operando na área do Ecoturismo, Pesca Esportiva, Negócios e Eventos, Aventura e o Contemplativo. Segundo os empresários do setor “A Associação dos Operadores de Barcos de Turismo da Amazônia tem o compromisso com a sustentabilidade, que visa explorar as belezas naturais da Amazônia em conformidade com as necessidades de cada comunidade que nela e dela vive, bem como mantendo-a preservada para o mundo, além do prazer em dividir a paixão de nossas vidas; a maior maravilha selvagem deste planeta; a inesquecível fonte de cultura e natureza; esta acolhedora parte do mundo chamada Amazonas”.

Existe um politica governamental para incentivar a substituição dos barcos de madeira por aço, porém, será um processo muito lento, oneroso para os donos das embarcações, apesr de termos estaleiros para construir barcos de pequeno, médio e grande porte, porém, falta estrutura para acesso para inovações tecnologicas e linhas de creditos.

Ventila-se em formar um Pólo Naval em Manaus, com isto, será possivel comprar aço em larga escala, com preço mais competitivo, criação de padrão para embarcações mais seguras, capacitação de mão-de-obra, etc.  É isso ai.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

CARTÃO POSTAL DA MANAUS ANTIGA



1. Esta fotografia é do primeiro prédio do Cine Odeon, localizado na Avenida Eduardo Ribeiro com a Rua Saldanha Marinho, foi inaugurado em 1913, depois, mudaram a fachada, no estilo da década de 50. Foi colocado a baixo pelo progresso, no seu lugar construiram um prédio chamado "Shoping Center".

2. O  Pavilhão Universal é um dos belos exemplares da arquitetura neoclássica, foi construido, originalmente, na Praça Oswaldo Cruz, em 1912, foi retirado do local e colocado na Praça Tenreiro Aranha, está abandonado.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

DIA DA NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO


Hoje é feriado no nosso Estado, com a comemoração da nossa padroeira (santa protetora) do Amazonas, a Nossa Senhora da Conceição.


Esta santa é uma invocação a Maria, mãe de Jesus – é uma tradição brasileira montar a Árvore de Natal e enfeitar a casa no dia de hoje.

A Igreja Matriz Nossa Senhora da Conceição, fica no Largo da Matriz, no centro antigo de Manaus, segundo o historiador Abrahim Baze “Já em 1695, no entorno da Fortaleza de São José da Barra do Rio Negro, era a vez dos padres carmelitas construírem a Matriz de Manaus, naturalmente dedicada ao louvor a Nossa Senhora da Conceição. Construída no Largo da Trincheira, hoje Praça 15 de Novembro. Demolida em 1781 e erguida outra no mesmo local, embora não tenha sido concluída.Novamente demolida por ordem do governador Manuel da Gama Lobo de Almada, que reedificou outra maior no mesmo lugar. Tragédia do Incêndio - Ocorrido no dia 2 de Junho, o que a reduzia a cinzas, dessa forma foi nomeada uma comissão central, com agentes nas vilas e freguesias do interior para levantarem recursos para a nova construção. O surgimento da nova Igreja - foram iniciados em 10 de Julho de 1858, tendo sua pedra fundamental lançada às sete horas da manhã do dia 23 de Julho de 1858, era Presidente da Província Francisco José Furtado”.

Programação dos festejos: No dia da padroeira, sábado, os católicos poderão participar de missas às 7h30 e às 10h, na Catedral. Às 15h, acontece o ofício a Imaculada e, às 16h30, a procissão saindo da Avenida 7 de Setembro e percorrendo a Avenida Joaquim Nabuco, Rua 10 de Julho e Avenida Eduardo Ribeiro, no Centro, onde acontecerá uma missa campal celebrada pelo arcebispo Dom Luiz Soares Vieira.

Aproveito a oportunidade, para desejar muitas felicidades a minha mais antiga vizinha do Conjunto dos Jornalistas, a Dona Conceição, aniversariante do dia. Ela é uma católica fervorosa, coordenadora de um Grupo de Orações e da Novena de Natal em Família. Parabéns Conceição! Vida longa!

Viva Nossa Senhora da Conceição, Viva!

Abrahim Baze - Nasceu em Manaus, Estado do Amazonas, em 27 de Agosto de 1949, filho de Akil Ayub Baze e Jandira Sena Baze. Diretor do Instituto Cultural da Fundação Rede Amazônica, apresentador do Programa Literatura em Foco. Escritor com 17 obras publicadas, duas na Europa, formando em  História do Centro Universitário do Norte – UNINORTE (Portal Amazônia).

 

Foto: J Martins Rocha (Interior da Igreja Nossa Senhora da Conceição)

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

DEVO TORCER PELOS CLUBES LOCAIS, DO SUDESTE OU DE AMBOS?

Fiz uma postagem sobre diversos assuntos, chamado “OS DEZ CLASSIFICADOS”, um dos assuntos versava sobre a decisão do Campeonato Brasileiro, escrevi que torcia pelo Flamengo e dava parabéns ao Fluminense pela campanha. Um leitor anônimo, não gostou do eu escrevi, e fez o seguinte comentário:

“Boa noite Rocha! Não acho legal este negócio de ir ao Rio assistir ao Fluminense. Agora veja: Estamos lutando pra colocar um time na série C e você destina linhas no seu blog para revigorar este processo de colonização. Torcer por times do sudeste, só pode ser coisa de criança que fica assistindo TV e sendo colonizado o dia inteiro! Desculpe-me, mas entre qualquer time de fora e o daqui, eu sou o ARRANCA-TOCO F.C. Saudações Amazonenses!”.

O nosso leitor não quis se identificar, nem tampouco deixou o seu endereço eletrônico, mesmo assim, publiquei o seu comentário no Blog.

Antes de justificar a minha posição, confesso aos leitores que entendo muito pouco de futebol, não me interesso muito pelo assunto, dificilmente dou a minha opinião a respeito.

Como o nome diz, a disputa é do Campeonato Brasileiro, conhecido como “Brasileirão”, uma disputa dos clubes Top, chamado série A, definindo os clubes que irão disputar as competições sul-americanas.

Por se tratar de uma disputa nacional, não posso deixar de demonstrar as minhas preferências, pois caso um time amazonense estivesse nesta competição, com certeza, iria torcer de todo o meu coração por ele. Foi o caso do São Raimundo que chegou até a série B, torci muito e também sofri muito com o seu rebaixamento.

Quando o campeonato é estadual, evito me pronunciar sobre os clubes do sudeste ou de outras regiões do Brasil, por ser uma competição restrita aos Estados. Mesmo assim, respeito aqueles torcedores que somente gostam dos clubes do eixo sul-sudeste.

Por sinal, sempre dei a maior força para o meu querido Fast Clube, inclusive, ele já participou do campeonato brasileiro da primeira divisão. Na minha adolescência era fã dos irmãos Piola, cheguei até a frequentar o saudoso Parque Amazonense para assistir o “Rolo Compressor”  jogar, fui também centenas de vezes ao Vivaldo Lima - escrevi várias postagens conta a sua demolição.

Gosto muito da história do nosso futebol, tanto que coloquei na minha página o blog do “Baú Velho”, do Carlos Zamith, pode conferir.

Estou felicíssimo com a atuação do nosso América Futebol Clube -, com a chega à série C, ele irá representar o Amazonas, terá todo o apoio do governo do Estado, das empresas e dos torcedores amazonenses, vamos torcer muito para que ele suba para a B e, em 2013 chegue até a série A – sonhar, não custa nada!

Quero afirmar ao nobre leitor que me fez as críticas acima, que jamais, em tempo algum, irei torcer por time de fora, estando um time amazonense na disputa nacional, serei até o torcedor do Arranca-Toco F.C. caso ele venha representar a nossa terra.

Sou um ferrenho defensor do que é nosso, da nossa cultura, inclusive, ao ler as minhas postagens, pode conferir o quanto transmito o amor por nossa terra e a sua gente, porém, não posso chegar ao ponto de negar ou de não aceitar tudo o que vem além das nossas fronteiras.

Segundo o Dicionário do Aurélio, o termo bairrista ”Diz- se, ou pessoa que, levada por uma visão estreita do patriotismo, somente considera como sua pátria o estado natal e hostiliza ou menospreza tudo quanto se refere aos demais”. Isto acontece muito com os paraenses, cariocas, mineiros e gaúchos, não é possível mudá-los, pois eles agem culturalmente desse jeito, passando de geração a geração.

Para finalizar, peço desculpas ao nobre leitor por não ter escrito o suficiente para ele entender que não tenho mais idade para ficar assistindo TV o dia inteiro e ficar sendo “colonizado”, dando valor para os times do sudeste. Sou um manauense da gema, amo o meu Amazonas, adora a Amazônia e gosto de cantar: Eu sou brasileiro, com muito orgulho, com muito amooorrr! É isso ai.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

AS COMEMORAÇÕES DO NATAL E ANO NOVO.


Assim como o carnaval, as festas juninas, a copa do mundo de futebol e as eleições gerais que mexem muito com o nosso comportamento, o Natal e o Ano Novo também, porém, de uma forma mais acentuada.

Estamos em Dezembro, começam os preparativos para celebrar o nascimento de Jesus Cristo e a passagem para o Ano Novo. Tem um detalhe: a grande maioria esquece a figura principal, que é aquele que veio à Terra para nos salvar e se preocupa mais com os festejos e o consumismo exagerado.

Desde Outubro, observo as lojas comerciais, com um descarado apelo comercial em suas vitrines, com a colocação dos símbolos natalinos, no afã de atrair os consumidores dois meses antes da festa.

O apelo consumista é muito grande – com o décimo terceiro nos bolsos é o momento de renovar o nosso guarda-roupa, comprar presentes para os parentes e amigos, contribuir com a caixinha daqueles que nos atente durante o ano, tirar férias, colaborar com as instituições filantrópicas, doar cestas natalinas, enfim, comprar, vender, doar, usar e trocar bens materiais – o espiritual fica em segundo plano.

Não costumo entrar muito cedo no apelo comercial dos empresários, somente próximo ao evento é que vou mudando o meu comportamento, por exemplo, ainda não entrei no clima natalino, tanto que fui assistir a Festa das Luzes, no Largo de São Sebastião, foi uma festa caríssima, com queima de toneladas de fogos de artificio, mesmo assim, não tive nenhuma emoção com o evento.

Na minha casa já está montada a árvore de natal e os arranjos natalinos, porém, as luzinhas do pisca-pisca ainda não tocaram o meu coração, ainda não fazem sentido para mim.

Todo ano é assim, somente a partir do dia 22 é que vou entrando no clima das comemorações, o meu coração começa a ficar mole, os signos natalinos saltam aos olhos, fico a admirar a representação do estábulo de Belém, da manjedoura e das figuras que participaram do nascimento de Cristo.

Por ser um típico brasileiro, deixo tudo para a última hora, fico naquele corre-corre nas lojas, parece que todo mundo resolveu ir ao mesmo tempo; o preço do Bacalhau vai para as alturas, com filas intermináveis nos supermercados; os “coiffeur” (cabeleireiros profissionais) ficam entupidos de gente, além do trânsito ficar totalmente engarrafado, não se consegue ir para lugar nenhum, fica tudo travado. Quando estou no maior sufoco, fico me questionado por que não fiz tudo isso uma semana antes, mas, não adianta mais se lamentar, todo ano é a mesma coisa. 

Não aguento mais passar o natal nas casas dos outros, juro que vou ficar no meu cantinho, curtindo aquelas músicas natalinas da Simone(Então é Natal, pro enfermo e pro são/Pro rico e pro pobre, num só coração/Então bom Natal, pro branco e pro negro/Amarelo e vermelho, pra paz afinal/Então bom Natal, e um ano novo também/Que seja feliz quem, souber o que é o bem), tomando um vinho de quinta categoria, comendo Panetone, frutas e rabanadas. O momento principal será a Missa do Galo do Vaticano, com a transmissão direta da Basílica de São Pedro – aqueles cantos gregorianos fazem bem para a mente e o espírito.


No dia 31, o pessoal da Banda Independente da Confraria do Armando, a famosa BICA, manda ver uma festa para os frequentadores do Bar do Armando, com a famosa “Festa do Talco”, com direito a um carnaval com antigas marchinhas. Assitir também pela televisao, a Corrida Internacional de São Silvestre, em São Paulo - é uma boa pedida.

O réveillon em Manaus vai ser o bicho, a Praia da Ponta Negra está fechada para reformas, mesmo assim vão abrir uma parte para um show da Rita Lee, além de um grande evento na Zona Leste, haverá também shows no Sambódromo, com “Oz Bambaz, Levada e Mr. Catra” – quem tem mais posses pode curtir no Tropical Hotel ou nos Hotéis de Selva.

Gosto muito daquela movimentação na praia, com muita gente feliz, a contagem regressiva, os shows pirotécnicos, o brindar do champagne, o beijo na mulher amada e muito carnaval até o Sol raiar. Acordar somente ao meio-dia e comer aquele famoso RO (restos de ontem), curar a ressaca com mais cevadas e ouvir muita música de carnaval. 

Lembram daquela música manjada: Adeus, ano velho!/Feliz ano novo!/Que tudo se realize/No ano que vai nascer/Muito dinheiro no bolso/Saúde pra dar e vender/Para os solteiros, sorte no amor/Nenhuma esperança perdida/Para os casados, nenhuma briga/Paz e sossego na vida. Pois é, com certeza, iremos ouvir muito por aí.

Para falar a verdade, este ano irei somente à festa da BICA, depois, ficarei com a minha netinha Maria Eduarda – será bem melhor presenciar a passagem do ano em companhia dos familiares. Será? Ou irei direto para a praia? No momento, penso em ficar quieto, mas, eu me conheço. É isso ai.

sábado, 4 de dezembro de 2010

OS DEZ CLASSIFICADOS

1. Uma galera de amazonenses está no Rio de Janeiro, para assistirem a partida de futebol entre o Fluminense versus Palmeiras, eles fazem parte da torcida “Young Flu”, do bairro da Aparecida, em Manaus.

Um deles é o Gersey Nazareno, o “Naza” para os íntimos, ele é meu “brother”, grande jornalista e poeta, possui somente um pequeno defeito insanável: é Fluminense fanático! Brincadeirinha de Flamenguista. Por falar em Mengo, estamos mais por baixo do que “bunda de Arraia”. O Tricolor das Laranjeiras merece ser campeão.

2. A Farinha nossa de cada dia – o amazonense, principalmente o interiorano não consegue se alimentar se não tiver farinha por perto. Para quem não sabe, a farinha é um subproduto da Mandioca, um tubérculo rico em amido, conhecido por alguns como “aipim, maniva ou pão-de-pobre”. O seu consumo é cultural, não tem valor nutritivo, apenas enche o bucho e não alimenta – não consigo comer um peixe sem uma farinha de Uairini, pode até não alimentar, mas sem ela o peixe não entra, nem com nojo de pitiú de Bodó!

3. A Secretaria de Fazenda do Amazonas irá publicar a nova tabela do Imposto sobre Propriedade de Veículos Automotores (IPVA). Tem uma rádio em Manaus que veicula uma propaganda educativa intitulada “O Anta no Trânsito”, versando sobre os erros dos motoristas manauenses, uma delas diz que “Anta é quem paga o IPVA e não briga contra a buraqueira das ruas de Manaus” – ora, o imposto é uma atividade arrecadatória do Estado, independe de uma prestação de serviços específicos, ao contribuinte, pelo governo, portanto, a arrecadação do IPVA não é para tampar buracos das ruas  - E agora? Quem é mesmo uma Anta? Por falar em IPVA, existem em Manaus dois camaradas milionários que possuem o automóvel “Ferrari”, irão pagar a bagatela de Trinta mil reais de imposto, dava para comprar dois carros de pobre, o famoso 1.0. e também milhares de cestas básicas para os pobres da nossa cidade. Eles querem é aparecer, o pobre é que se exploda!

4. Os produtos mais desejados pelos consumidores manauenses: Ipad, Ipod, Notebook 3D, Celular Black Berry, Ar Condicionado Split Inverter, Game Playstation III e TV LED 3D. Tem aquela máxima: “Quem Ipad, Ipod, quem não Ipod, se sacode”. A nossa Zona Franca não tem nada Franca, é somente uma Zona de exigências fiscais! É uma burocracia total - tem fiscal da Receita Federal que mesmo ganhando quinze mil por mês ainda tem raiva do seu trabalho, fica dando coice em todo mundo, passa dez dias com um processo, procurando “cabelo em ovo”. Mesmo assim, conseguimos ficar na vanguarda dos lançamentos dos produtos top. Para ser ter uma ideia, as Lojas Mirai Panasonic, tinha nas suas prateleiras o Ipad apenas uma semana depois do seu lançamento pela Apple nos Estados Unidos. Somente ontem é que foi lançado oficialmente, em São Paulo, com a Fnac, no Shopping Morumbi. Foi um tremenda correria, tinha umas cincoenta pessoas disputando no tapa um único exemplar.

5. O nosso Teatro Amazonas está sendo cogitado para ser um patrimônio da humanidade, os técnicos da UNESCO estão em Manaus vistoriando este maravilhoso edifício, construído na época áurea da borracha. Coisa linda aconteceu esta semana, um grupo de idosos do Careiro e Manaquiri, interior do Amazonas, entraram ontem, pela primeira vez, no TA, ficaram fascinados. Para falar a verdade, muitos manauenses não conhecem a nossa casa de ópera, passam pelo Largo de São Sebastião, mas, não entram para conhecer ou assistir a uma peça teatral. O Governo do Estado tem o dever de incentivar a todos a tomarem gosto pela arte, bem como, conhecer os nossos espaços públicos.

6. Muito amazonenses adoram uma música brega. Estou doido para ouvir um CD do Billy Marcelo, ela tropeçava na língua portuguesa, falar inglês, nem pensar, mesmo assim cantava em inglês, era tudo decorado. Recentemente, lançou um disco chamado “Breguinglês”, é mole ou quer mais? As faixas são as seguintes: That´s Manaus – Rock da Teacher – Said Good Bye e outras pérolas mais. O Bylly comentou para um jornal local, que agora estuda inglês, Francês e espanhol, ele é um poliglota – o lançamento será no Bar da Tia Beta, no bairro de Santo Antônio, atrás da Colina – o CD poderá ser adquirido pelo fone 92 9141-6254.

7. Foi decretada a prisão preventiva da Antônia Lúcia (PSC-AC), eleita Deputada Federal pelo Acre, pela pratica de crime eleitoral, recepção e formação de quadrilha. Ela é esposa do Deputado Federal Silas Câmara (PSC-AM) (vixe!). No inicio de Setembro, a PF apreendeu R$ 500 mil, supostamente, tinha como destino a Rádio e Televisão Boas Novas, da qual ela é sócia. Sabe o que ela falou: - Já recebemos um avião como doação para a nossa igreja, quinhentos mil é um valor irrisório! É mole! Enquanto isso, estou dando um duro na vida, ando de buzão, estou mais liso do que o peixe "Surubim", ainda tenho que presenciar essas pessoas metendo a mão no dinheiro público e ficar gozado da nossa cara. Essa tem que pegar o beco do inferno!

8. O meu blog foi indicado ao Top Blog 2010, terminou a votação, recebi somente dois votos, um foi o meu, o outro, eu não sei de quem foi. Fiquei na lanterninha, em todo caso, graças ao Google e a boa vontade dos nossos leitores, cheguei a marca das duzentos e setenta mil visitas -, com a palavra mágica “Manaus antiga” muitos chegam até o meu endereço, bem sei que decepciono a muitas pessoas, pois não escrevo muito bem, não tenho um revisor, aliás, não tenho nada, também não sou historiador ou pesquisador, em todo caso, valeu a minha intenção em valorizar a nossa cultura amazônica. Estou também no Facebook, Twitter, MNS e outra redes sociais, muita audácia de uma cabocão de Manaus.

9. O que está acontecendo no Rio de Janeiro, com as forças armadas entrando em ação nos morros cariocas, a chamada “forças do bem” contra as “forças do mal” está acontecendo também nas grandes capitais brasileiras. Em Manaus, começou a ação no bairro da Matinha, coma prisão de diversos traficantes e apreensão de drogas, com a dita “pacificação” do lugar. Sempre digo que o combate ao crime deve ser feita na causa e não somente nas consequências.

Um jovem bem educado, alimentado, com saúde, com garantia de emprego e de renda, além de uma família estruturada, dificilmente irá descambar para o crime. O Estado arrecada uma infinidade de tributos, porém, tem o dever de oferecer uma educação pública de qualidade para todos, saneamento básico, saúde para o povo brasileiro, políticas públicas sérias, etc.

Está na hora de sermos um país sério, temos tudo para dar certo, acredito muito na nova geração de políticos – tenho fé em Deus e no povo brasileiro.

10. Manaus foi agraciada como sub-sede para a Copa de 2014, as obras estão em todo vapor na Arena da Amazônia; o meu querido Estádio Vivaldo Lima foi para o chão, ficou somente na lembrança. O desgraçado do Monotrilho ainda está na pauta para construção, esses caras não tomam jeito, todos nós sabemos que este projeto é caro, não deu certo em lugar algum, além do mais, irá acabar de vez com o centro antigo de Manaus. O governador está tendo problemas com o Ministério Público Federal, eles não aceitam os projetos apresentados, todos apresentam brechas para o desvio de dinheiro público. É muita safadeza de alguns! Vamos mudar essa forma de fazer política. A ações devem ser dirigidas para o bem comum, todos, indistintamente, merecem uma Manaus melhor. É isso ai. 


























sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

MANACÁ PURU, A FLOR MATIZADA DO SOLIMÕES.



Manacapuru é uma cidade do interior do Amazonas, teve o seu nome originado de uma belíssima flor - Manacá = flor e puru = matizada – chegou ao seu apogeu no auge da industrialização da fibra da Juta, tanto que era uma linda cidade, assim como foi a minha Manaus antiga, chegou a ser conhecida como a “Princesinha do Solimões”. Tenho uma relação toda especial com ela, pois viajei centenas de vezes para lá na minha juventude, passei poucas e boas nas minhas andanças, irei compartilhar um pouquinho com vocês, vamos nessa macacada.

As viagens

Durante uns cinco anos eu viajei todos os finais de semana para lá, sem exceção, podia fazer sol ou chuva, na enchente ou vazante, estando barão ou liso, de ônibus, carro ou de carona -, de asa dura, nem pensar - não importava ou meio ou a situação, sempre atravessava o Rio Negro, de Barco, Rabeta, Canoa ou Balsa, nunca fui a nado, pois era impossível. O que me motivava a ir pra lá? Simplesmente, gostava da cidade, dos clubes, da natureza, das pessoas, principalmente, da mulherada, é claro!

Viajava no sábado de manhã, almoçava na cidade, curtia à tarde, à noite e a manhã de domingo, existia somente um ônibus que saía no início da tarde – quando perdia o buzão, o jeito era voltar de Barco regional, com saída à meia noite, dormia em cima de cachos de bananas, sacos de farinhas, caixas de verduras e frutas - ou de qualquer outra coisa que desse para encostar a cabeça, não me importava nem um pouco; parava no Porto da Ceasa, pegava o primeiro ônibus da madrugada, chegava às cinco da manhã de segunda-feira, pegava no tranco às oito da manhã, sempre disposto para trabalhar a semana toda, no sábado começava tudo de novo. Ufa! Que gás eu tinha naqueles tempos bons de jovem.

O batizado

Dormi muito na Praça da Igreja, perdi as contas, certa vez amanheci dentro de um fusquinha, fui acordado por uma cabocla com um filhinho no colo, abri o vidro, ainda estava sonolento e dando aquele bafo de onça, ela me falou que era uma mãe solteira, da vida, porém, queria tornar o seu filho um cristão, pediu para eu ir até a Secretaria da Igreja e falar para o padre que eu era o pai da criança, pois somente assim ela poderia batizar o seu filho, ela chorava, o menino também, apesar da minha negativa, ela insistia.

O meu coração é mole, sem contar as consequências, aceitei fazer a encenação – cheguei à igreja, despenteado, a roupa toda suja da farra do dia anterior, os olhos de ressaca, dando aquela dose de mil no padre, ele me ouviu pacientemente, mas não entrou no meu papo fajuto; com a negativa do padre, a mulher começou a chorar, o menino também, fiquei todo desconcertado, ainda tive que pegar uns quinze minutos de sermão do padre, para completar, para a remissão dos meus pecados, o padre me mandou rezar uns cem “Pais Nossos” e umas duzentas “Aves Marias”.

Apesar de tudo, o padre entendeu a minha intenção, pois eu queria somente ajudar - já pensou no buraco em que eu iria me meter, poderia começar a pagar pensão alimentícia ainda muito novo, fui muito inocente. Mas, valeu, ele aceitou batizar o curumim no domingo seguinte. Ela ficou muito agradecida pelo meu gesto e me convidou para ser o padrinho, agradeci gentilmente o convite, falei que não era daquela cidade e que iria viajar para outro Estado, tirei pela tangente, chega de rolo pro meu lado. Eu, hein!

O enterro

Viajei muito em companhia dos meus irmãos Henrique e Graciete e dos amigos Mariza e Chiquinho, eles moravam na Matinha e tinham parentes no bairro da Terra Preta, num conjunto habitacional; uma vez e outra ficávamos hospedados por lá. O tio dos nossos amigos era um sujeito muito extrovertido, gostava de fazer pegadinhas e de contar piadas, ele tinha um Box no Mercado Municipal, era muito querido por todos os moradores da cidade.

Certo dia passou mal, foi levado para o Hospital Militar, em Manaus, ficou uma semana, fez uma cirurgia e estava passando bem, a família voltou para Manacapuru para tratar dos negócios do velho. Tínhamos acabado de voltar de Manacá, juntamente com a esposa dele e o filho mais velho, fomos todos fazer uma visita ao tio, para nossa triste surpresa, ele havia falecido no sábado, estava na pedra, a família não tinha sido avisada, foi um sufoco total.

Providenciamos a compra do caixão e a liberação do corpo para ser transladado para Manacapuru, alugamos uma Kombi velha para levar o caixão e a família, fui solidário e voltei com eles para Manacá; no inicio da estrada furou um pneu, foi trocado, mais adiante, furou outro, todos estavam “carecas” – E agora José? A família pegou um táxi, o “motora” da Kombi foi junto, levou os pneus para serem consertados na cidade, agora, imaginem quem ficou sozinho com o caixão no meio da estrada – o maluco que vos escreve - o corpo já estava exalando certo fedor, pois estava passando da hora de ser enterrado – pense numa situação complicada, além dos mais, já estava anoitecendo.

Forcei o carro e consegui colocá-lo bem no acostamento, pois poderia haver um acidente fatal, não bastasse o morto que estava na Kombi – fiquei com medo, que não ficaria, fui até a casa mais próxima, um senhor me serviu café e se prontificou em ficar comigo guardando o caixão e a Kombi. Lá pelas oito da noite chegou o socorro, veio uma Kombi, aparentemente, mais nova, colocamos o caixão no outro carro e seguimos viagem, faltavam somente oitenta quilômetros para chegar a Manacapuru, com a estrada parecendo uma “tábua de pirulito”.

Ao chegar à cidade, uma multidão estava aguardando o corpo, fomos direto para o Cemitério, para completar, quando estavam fazendo a despedida do morto, deu uma ventania e um forte trovão – a luz foi embora – imaginem a situação, era gente correndo para todos os lados, neguinho gritando de medo – eu fiquei estático, não sabia o que fazer, não via um palmo a minha frente, era uma escuridão total – me urinei todinho de medo, mas não corri - ainda bem que a luz voltou minutos depois, o enterro foi feito às pressas, pois ameaçava uma chuva torrencial.

Passei a noite na casa da família enlutada, quem disse que dava para dormir, era uma choradeira total. Lá pelas quatro da manhã fui avisado que um ônibus iria para Manaus, peguei o buzão na Rodoviária, estava totalmente lotado, segui viagem em pé, assim mesmo consegui dormir todo o percurso. Quando cheguei a minha casa, desmaiei de sono, fui trabalhar somente na terça-feira. É mole ou quer mais?

O empresário pilantra

Eu quero é mais, papai, então toma essa: – eu trabalhava numa grande empresa de revenda de eletroeletrônicos, certo dia, apareceu por lá um grande empresário de Manacapuru, ele fez uma enorme compra de camas, colchões, criados-mudos, ventiladores, ar condicionados, geladeiras tipo frigobar, abajures, espelhos e televisores – imaginem o que ele iria montar, é isso mesmo, um Motel – a felizarda foi uma vendedora gostosona, ele iria ganhar uma bolada de comissão; o empresário ganhou um bom desconto e ainda foi brindado com um financiamento para pagar em doze suaves duplicatas.

Como forma de agradecimento, convidou toda a galera para a inauguração do Hotel disfarçado, pois um motel nunca fora bem visto pelo pároco e pelos mais velhos moradores do interior. Segundo ele, seria servido um jantar especial – Guisado de Tracajá, Sarapatel e Pirarucu no leite da castanha da Amazônia - tudo seria por sua conta. A negada foi em peso, desde as duas da tarde que o “mé” rolava solto, depois, chegaram uns caboclos, se enturmaram e começaram a derrubar as ampolas, encheram a cara, foram embora sem pagar nenhuma, tudo bem, não tinha problema, pois tudo era “zero oitocentos”.

Notei que o velho estava afim da vendedora gostosona, mas ela não dava bola para o sujeito – ela começou a amostrar as asinhas para o meu lado, eu não dispensava nada, pegava até gripe. O velho ficou impaciente, serviu o jantar com uma cara feia e, no final fez as contas e detonou: - o “Traca” e o “Piraca” é por minha conta, vocês devem dez grades de cervejas. Tomei um puto do susto, quase que vomitava o bicho de casco na hora, peguei um pouco de folego e falei: - Mas, mas, o senhor não falou que tudo era por sua conta? Ele respondeu na maior cara-de-pau: - O jantar, meu filho, aqui é um comércio, quem é que vai dar bebidas de graça por ai, talvez em casamentos ou aniversários, não é o caso por aqui, quero agora a “babita” aqui na minha mão! E agora, José? O bicho pegou.

Fizemos a cota, quase deixa a negada na lisura, ainda bem que era final de mês, tínhamos recebido a nosso salário. Deu para pagar a conta, depois, fomos para o Clube do Flamengo, curti uns embalos de sábado à noite. Não engoli direito aquilo, foi uma pura sacanagem do velho, ele tinha um sotaque diferente, não era filho de Manacapuru, pois o povo de lá é gente boa - propus fazermos outra conta no domingo de manhã, primeiro, compramos as passagens de ônibus, deixamos toda arrumada as nossas bagagens, o lance era beber e comer até minutos antes da saída do ônibus e “sair à francesa” -, deu tudo certo.

Na terça-feira, bem cedinho, o velho apareceu para cobrar a conta, todos foram chamados a falas pelo Gerente Geral, até explicar que nariz de porco não servia para tomada, peguei uma baita chamada “no saco”, ainda tive que fazer um vale no financeiro para pagar a conta, o pior, o velho multiplicou a conta por dez, jurou de pés junto que nos consumimos tudo aquilo, somente para sacanear de novo.

O problema era a vendedora que deu um fora no malandro, inclusive, ele fez cena e ainda queria cancelar parte das compras, somente não foi efetivada, pois na última hora a coitada da vendedora aceitou jantar com ele. Outro detalhe: as doze duplicatas foram pagas somente com a pressão do advogado da empresa. Nas minhas andanças por Manacapuru, evitava passar pela frente do Motel daquele “efedepê”.

Tem muito mais, muitos causos em Manacá, a Flor Matizada do Solimões - fica para outra oportunidade. É isso ai.

Fotos: J Martins Rocha