terça-feira, 21 de dezembro de 2010

A IGREJA DO MEU BATIZADO


Mais um final de ano chegando, está na hora de esvaziar a lixeira da nossa mente, além de jogar ou doar as coisas inservíveis para nós, mas, de muita utilidade para outras pessoas, comecei a fazer esta atividade, fui direto ao meu “Baú Velho”, revirei e descartei muitos documentos, para minha surpresa, encontrei um documento que talvez tenha visto umas cinco vezes em toda a minha vida, era a minha “Certidão de Batismo”, o que mais me chamou a atenção foi a data do meu batizado – um domingo de dezembro de 1956, quanto tempo, hein!

Sem falar que a igreja aonde fui tornado um cristão, continua linda e imponente, porém, nesses anos todos, nunca frequentei uma única missa; passei por lá milhares e milhares de vezes e nunca entrei uma única vez!

Segundo os historiadores, esta igreja foi construída em 1868, erguida sobre um cemitério indígena, foi tombada em 1988, como patrimônio histórico do Amazonas. Ela é rodeada por escadarias de pedras portuguesas de Lioz; na parte detrás, ainda aparecem os trilhos dos bondes (deixaram de circular em Manaus na década de 50) – ao seu lado fica a primeira Faculdade de Direito do Brasil, onde por lá passaram os estrelas Jefferson Péres, Plínio Coelho e Samuel Benchimol -, bem em frente  da "Velha Jaqueira”, ficava a banca da Dona Pátria, a melhor tacacazeira do Amazonas, tia amada do médico Rogélio Casado – nos seus arredores moraram a comunidade sírio-libanesa, além dos famosos: Milton Hatoum, o autor do livro “Dois Irmãos”, a Deputada Federal Beth Azize, os senadores Arthur Virgílio Filho e Arthur Virgílio Neto.

A sua frente tem uma praça, outrora esplendorosa, com um Cristo Redentor, abençoando os ribeirinhos e a Baía do Rio Negro. Antigamente tinha uma famosa escadaria, dava acesso a “Cidade Flutuante”. 

Na década de sessenta, um avião de pequeno porte teve uma pane, perdeu altura e foi bater exatamente na torre dessa igreja, graças a Deus que o piloto conseguiu contornar e evitou um grande acidente. 

Na lateral direita da igreja, morava um sujeito chamado Adalelmo Nascimento, era um mendigo rabugento, certo dia, o meu saudoso pai pediu para irmos visitá-lo, os dois conversaram muito, ele lembrou que o papai foi quem o levava para o Colégio Dom Bosco, pois ele era filho do patrão, o senhor Nascimento, da fábrica de violões “Bandolim Manauense”, ficava nos porões da Casa Alba. 

O tempo passou e, em dezembro de 2010, exatamente 54 anos depois do meu batizado, entrei pela segunda vez na referida igreja, sentei num banco, rezei um Pai Nosso e uma Ave Maria, abri o meu “batistério”, consta lá o nome dos meus padrinhos Nestor Rodrigues Rabelo e Diamantina de Jesus Rabelo, com a assinatura do cônego Pedro Mottais – lembrei-me do meu padrinho, ele tinha uma fábrica de carroceria de caminhão, na Rua Floriano Peixoto, ao lado do Edifício Garagem, todo mês recebia dele uma ajuda financeira, dava para a minha mãe, ele comprava roupas e me levava para o Cine Guarany. 

Fui até o Altar, coloquei uns trocados no Ofertório e me deparei com a “Pia Batismal” -, pensei: - será que era a mesma onde eu fui batizado? Acredito que sim, foi lá onde o padre colocou água benta na minha cabeça e fez o sinal da cruz na minha testa, com certeza! 

Pois é, mano velho, esta é a nossa Igreja Da Nossa Senhora dos Remédios. É isso ai.

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