terça-feira, 4 de dezembro de 2018

LIVRO ‘AGORA EU CONTO... RETALHOS DO REBOTALHO”, MARCO GOMES




Marco Gomes, amazonense, escritor escorpiano como Garrincha, uns dos criadores do Movimento Poetatu, poeta e livre pensador – é assim que se define na contracapa do seu livro “Agora eu Conto... retalhos do rebotalho”,  lançado, recentemente, no Bar Galvez e Bar do Armando, em Manaus.

O livro, em suas páginas iniciais, faz uma homenagem aos amigos que já faleceram.

“In memoriam ao jornalista caboco Orlando Farias, patrão e amigo. Poeta Marceleudo Barros, parceiro de sonhos. Ao meu amigo Rogelio Casado. Meu querido poeta e jornalista Inácio Oliveira, cúmplice de carne e fantasia. Meu primo Jornalista Deocleciano Bentes de Souza, Presidente perpétuo da BICA. Meninos que partiram para a Terra do Nunca – Eternas saudades”.

A palavra Rebotalho tem um sentido pejorativo, significando ralé, refugo, restos – no entanto, o autor reitera que a palavra funciona como recurso poético que além da liga, dá a rima para Retalhos.

O autor é poeta, no entanto, afirma que a poesia tirou o clima da rima, preferindo, agora, busca o dedo de prosa, através de Contos e Crônicas.

O livro contem 23 Contos, iniciando com uma homenagem ao seu saudoso amigo Alvimar de Souza Arantes, conhecido como “Asa”.

Fez, também, uma bela homenagem ao empresário José Azevedo, um português que veio ainda muito jovem para Manaus, onde construiu um império comercial, o Grupo TV Lar – foi um grande empreendedor; católico devoto ajudou muito nas obras das igrejas da nossa cidade.

O Marco Gomes é um anarquista assumido, não tem “papas na língua” (sem rodear, diz tudo o que sabe e pensa), fala e escreve palavrão sem a menor cerimonia, tudo de uma forma irreverente e engraçada.

Uma das passagens do livro:

No final da década de oitenta, escreveu uns poemas (Apocalipse) para um concurso promovido pela Editora Shogum, da carioca Regina Oiticica, da esposa do famoso escritor Paulo Coelho – foi vencedor do concurso, sendo convidado para receber o premio na cidade do Rio de Janeiro.

Desprovido de proventos, foi ajudado pelos amigos para viagem e estada no Rio. Foi barrado no baile, pois o convite exigia o traje Passeio Elegante. Foi duro com o porteiro:

- Bem, a passeio eu estou, pois deixei Manaus e a elegância eu a trago do berço! - argumentou

- O senhor pode ser elegante, mas de jeans e casaco aqui na entra – berrou o porteiro.

- Porra que dizer que eu ganhei a merda deste concurso, vim lá da casa do caralho e vou ser barrado nesse clube chinfrim! – detonando o porteiro.

Foi salvo pela anfitriã, a Cristina Oiticica – foi levado direto para a mesa onde se encontrava o famoso Paulo Coelho – depois de terem tomado vários scotch, o Paulo o intimou:

- Daqui a pouco, quando a Sonia chamar, você sobe no palco e declama teu poema.

- Eu não vou subir ao palco, muito menos declamar minha poesia.

- Como não, e por quê?

- É que eu não sei de cor!

- Que merda de poeta é você que não lembra da própria poesia?

Para saber da resposta do Marco Gomes ao Paulo Coelho, tem de comprar e ler o livro “tintim por tintim” (com todas as minúcias e particularidades).

O Marco Gomes é um dos diretores da banda mais irreverente de Manaus, a Banda Independente do Armando – BICA, onde promoveu vários shows musicais.

Recentemente, passou por uma delicada cirurgia da próstata, pois foi diagnosticado com câncer.

Mesmo em fase de recuperação, buscou elevar a sua autoestima - o que levou a publicar o seu primeiro livro; voltar a escrever na mídias sociais, além de entrar pesado no lançamento do seu diário eletrônico "BLOGDOMARCOGOMES”, no endereço www.blogdomarcogomes.blogspot.com, em organização.

Para todos aqueles que desejarem colaborar com o Marco Gomes, adquirindo o seu livro, ao preço de trinta reais, basta entrar em contato através do Email: marcoantoniodacostagomes@gmail.com  ou pelo Celular: (92) 99314-8887.


É isso ai

quinta-feira, 29 de novembro de 2018

EXPOSIÇÃO INTERNACIONAL “ALEGRIA BRASILEIRA” E O CENTRO DE ARTES USINA CHAMINÉ



O Centro de Artes Usina Chaminé, situada a Avenida Lourenço Braga (Manaus Moderna), centro, abriga uma exposição internacional, denominada “Alegria Brasileira”, no período de 26 a 30 de novembro, com mostra de crianças do Brasil, Argentina, Chile, Paraguai, Haiti e Angola, com entrada gratuita, no horário de das 9 h às 16h.

A exposição tem apoio do Governo do Estado do Amazonas, por meio do Programa Espaço Aberto, da Secretaria de Estado de Cultura (SEC), administradora do espaço cultural Usina Chaminé.


Estive no estreia da programação, acompanhado da minha neta, a artista plástica mirim (nove anos) Maria Eduarda (Duda), pois foi uma das selecionadas pela equipe do Art Kids, para expor o seu quadro “Cachorros Shitzu de Manaus” – ela é aluna do Atelirê Criando e Brincando, da artista plástica Rejane Melo.


Anfitriã do projeto na capital amazonense, Rejane afirma que a exposição é uma forma de incentivar e prestigiar as crianças que participam do projeto. “É a primeira vez que Manaus recebe uma exposição internacional de arte infanto-juvenil. É uma oportunidade incrível par a valorizar e divulgar o trabalho que fazemos com esses talentos. Normalmente não há essa abertura para crianças”, comenta.


Foi a primeira vez em que estive naquele prédio histórico, apesar de ter passado milhares de vezes em sua frente  – ele foi construído para servir de tratamento de esgotos da cidade, com  inicio da sua construção  em 1910, tendo sido interrompido, em 1913, quando houve uma revolta popular contra os aumentos abusivos das taxas por parte dos ingleses, culminado com a destruição do escritório da empresa concessionaria “Manaos Improvments”.

Os ingleses resolvem abandonar a cidade de Manaus, deixando  inacabados os serviços sanitários e a usina nunca funcionou.



O prédio de características neo renascentistas, possui em seu lado direito uma chaminé de 24 metros, construída com tijolos refratários, coroada por um chapeló de ferro moldado, em decorrência disso, ficou conhecido como Chaminé – foi tombado pelo IPHAN em 1988, sendo completamente restaurado em 2002.


Parabéns  aos coordenadores da exposição internacional, a professora Rejane Melo,  instrutora da minha neta Duda, bem como, a Secretaria de Cultura do Amazonas, pela  restauração e conservação do Centro de Artes Usina Chaminé.

Fotos: José Rocha

quinta-feira, 15 de novembro de 2018

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segunda-feira, 8 de outubro de 2018

BLOGDOROCHA: A CÚPULA DO TEATRO AMAZONAS

BLOGDOROCHA: A CÚPULA DO TEATRO AMAZONAS: A cúpula do Teatro Amazonas fascina a todos que visitam o Largo de São Sebastião - dizem que ela é constituída com trinta e seis mil esca...

BLOGDOROCHA: A CÚPULA DO TEATRO AMAZONAS

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sexta-feira, 5 de outubro de 2018

TRINTA ANOS DA NOSSA CONSTITUIÇÃO FEDERAL



Hoje, cinco de outubro, comemora-se trinta anos da promulgação (tornada conhecida publicamente), mister se faz ser lembrada, afinal,  a nossa Carta Magna é a Lei Maior do nosso querido Brasil.

Muitos tentam e, conseguem deturpa-la, modifica-la em beneficio próprio e de grupos econômicos, no entanto, resistiu ao longo de três décadas.

Queiram ou não, existe um Supremo Tribunal Federal, para ser a sua guardiã, apesar de alguns de seus membros tomarem decisões, totalmente, contraria aos seus objetivos maiores.

Vale a pena lembra o preâmbulo da nossa Carta Mãe:  

“Nós, representantes do povo brasileiro, reunidos em Assembleia Nacional Constituinte para instituir um Estado Democrático, destinado a assegurar o exercício dos direitos sociais e individuais, a liberdade, a segurança, o bem-estar, o desenvolvimento, a igualdade e a justiça como valores supremos de uma sociedade fraterna, pluralista e sem preconceitos, fundada na harmonia social e comprometida, na ordem interna e internacional, com a solução pacífica das controvérsias, promulgamos, sob a proteção de Deus, a seguinte CONSTITUIÇÃO DA REPUBLICA FEDERATIVA DO BRASIL“.

Palmas para o professor português José Canotilho (Constituição Dirigente), com as suas ideias influenciaram a nossa Lei Maior, ao amazonense Bernardo Cabral, relator da Carta Politica e, ao Ulisses Guimarães, presidente da Assembleia Nacional Constituinte.

Alguns juristas pregam a elaboração de uma nova em substituição ao Vigente Texto Constitucional. 

A meu ver será trocar seis por meia dúzia, o que devemos mudar somos todos nós, o povo brasileiro!

Em todo caso, vale lembrar a trintona Carta da Republica.

É isso ai.

terça-feira, 2 de outubro de 2018

SECOS & MOLHADOS

1.       Uma parcela da população morre antes dos trintas anos de idade. Estão perdendo a vida para o consumo excessivo de drogas, tráfico, acidentes automobilísticos, violência urbana, AIDS, suicídios e outros.
Chega-se a conclusão que, envelhecer é um premio de vida, uma vitória.

2.       Sabemos que devemos votar com base em dois pilares: a vida pregressa e propostas do candidato.
Existe um candidato que possui um património invejável, adquirido, em grande parte, ao longo da sua carreira política.
O eleitor deve verificar se o candidato é ficha limpa ou um "pau de galinheiro".
Além, saber se prometeu e não cumpriu, se foi inexpressivo, se possui preparo intelectual e experiência, dentre outros.
Na atual campanha, o mesmo candidato tenta confundir o pobre eleitor, prometendo construir "mundos e fundos" e até asfaltar totalmente a BR319!
Um senador da república não possui essa competência.
Os chefes do executivo, sim.

3. Curiosidades:
1. A Marina Silva, na década de 60, morou no Morro da Liberdade, estudou no Colégio Santa Terezinha e adorava tomar banho nas águas límpidas do Igarapé do 40.
2. O General da Reserva Hamilton Mourão é filho de amazonenses.
3. O Ciro Gomes com aquele jeitão, sotaque e cabeça chata de cabra da peste, não é cearense! O homem é paulistano de Pindamonhangaba.

4. A pedra no sapato da Marina, no Amazonas, é a não autorização, enquanto Ministra do Meio Ambiente, para a reabertura da BR 319.
Ela se defende que não poderia autorizar por autorizar em troca de votos, sem estudos de impacto administrativo, ambiental e social.
Culpa, também, a fraca atuação do então ministro dos transportes Alfredo Nascimento e do ministro de Minas e Energia Eduardo Braga, por não terem feito nada em prol das viabilizações.
Pelo sim, pelo não, em 1980, a estrada estava um tapete.
Foi abandonada pelo poder público no decorrer do tempo.
Dizem as más línguas que, os empresários donos das balsas e empurradores que ganhavam rios de dinheiro, no transporte Manaus-Belém- Manaus, mandaram capangas destruir, aos poucos, parte da estrada até torna-la inviável, voltando para o velho, demorado e caro rodo fluvial.
Dizem, não posso afirmar que, os empresários que exploram esse segmento são laranjas de políticos amazonense.
A Marina é apenas um bode expiatório, não tem essa de preocupação com o meio-ambiente. Tudo balela.
O interesse é econômico por parte dos empresários- laranja do transporte fluvial, com interesse maior dos homens do poder.

5. Ninguém pode chegar e arrombar as portas da Assembleia, do Palácio e do Congresso, adentrar e tomar para si uma cadeira de representante do povo!
Isso é uma primazia dos eleitores!
Como, na grande maioria, caem no "Conto do Vigário", são eleitos e reeleitos as mesmas figuras carimbadas, prefiro abster-me.
Voto Nulo Neles!

6. PASSADO NA CASCA DO ALHO
Gosto de escrever, tanto que cheguei até ser um blogueiro amador . Grande coisa!
Não tenho um gênero literário único, pois, gosto de romance (escrevi um e-book e outro inédito).
No BLOGDOROCHA faço uma salada muito doida, incluindo trabalhos de pesquisas em livros de autores amazonenses e em jornais antigos, fico até sem jeito quando alguém fala que sou historiador (não tenho essa capacidade intelectual para tanto).
Certa vez, uma amiga falou-me que sou um contista.
Cara, fui pesquisar o que diabos é isso.
Contista: aquele camarada que escreve um texto narrativo breve, e de ficção, geralmente em prosa, que conta situações rotineiras, anedotas e até folclores.
Outra vez, um amigo falou que sou um cronista.
Fui, novamente, consultar os manuais de língua portuguesa.
Cronista: aquele caboco que escreve narrativas informal, breve, ligada à vida cotidiana, com linguagem coloquial, com um tom humorístico ou com um toque de crítica.
Sei, não! Não gosto de rótulos, escreve o que vem na telha, sem preocupações com géneros literários!
Recebo criticas por me intrometer na seara dos historiadores e por escrever sem obedecer a língua padrão e formal.
Fazer o quê?
Já estou velho e passado na casca do alho, não dá mais para mudar!


7. O novo presidente do STF, Dias Toffoli, falou que o Brasil não está em crise, mas, em transformação.

Eu e mais 30 milhões de brasileiros estamos em crise, sim, senhor!
Em transformação está passando ele, pois ganha mais de 30 mil reais por mês, além de altas mordomias e, uma das suas metas será aumentar o próprio salário. 
Falou, também, que os poderes Executivo, Judiciário e Legislativo não são mais ou menos maiores ou melhores um do outro!
Tem um detalhe, excelência, os outros poderes são eleitos pelo povo, enquanto os Ministros do STF são indicados pelo presidente do Executivo.







8. DOIS CASARÕES DA AVENIDA MAJOR GABRIEL

Um totalmente recuperado,
enquanto o outro,
abandonado
Um pintadinho
enquanto o outro,
desbotadinho
Um parecendo bem novinho,
enquanto o outro,
bem velhinho
O dono de um deles
respeita a nossa memória,
enquanto o outro
é desmemoriado

9. VIDAO

10. DOM CARIOCA - DO MEIER PARA MANAUS. COMEU JARAQUI E FICOU POR AQUI FAZ 40 ANOS


11. Minha amiga Gizelle Amora


Comentários
Ana Cláudia Soeiro Soares Uma querida.
Alto astral contagiante.
Gerenciar
Responder1 d
Jose Rocha Ela é uma jovem brilhante. Está se tornando PhD (doutora) em entomologia (estudos de insetos) pelo INPA..
Gerenciar
Responder1 d
Gizelle Amora Obrigada pelo carinho e amizade, Jose Rocha💕


quarta-feira, 19 de setembro de 2018

BLOGDOROCHA: RIO DE JANEIRO - 1977

BLOGDOROCHA: RIO DE JANEIRO - 1977: Numa bela tarde de agosto de 1977, sai pela primeira vez da minha aldeia, peguei um avião no Aeroporto Eduardo Gomes, de Manaus, num...

quinta-feira, 13 de setembro de 2018

BLOGDOROCHA: SHOWS DO VINÍCIUS DE MORAES EM MANAUS.

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BLOGDOROCHA: O ERRO DE CÁLCULO DE UM PILOTO DA FAB

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quarta-feira, 12 de setembro de 2018

O ANIVERSÁRIO DO ZÉ MUNDÃO DE MANAUS


Numa manhã de setembro, o Zé Mundão acordou cedo, levantou-se mais feliz que pinto no lixo, pois era seu aniversário, todavia, estava numa lisura que dava dó.
Resolveu, então, pedir um vale na empresa em que trabalhava, mas levou o sonoro não. Correu atrás dos amigos, e todos estavam mais duros que ele, finalmente, decidiu pedir ajuda ao seu querido pai. Sem sucesso, o “velho” estava na entressafra.
A solução foi partir para cima de seu cofrinho, ao jogar o dito cujo na parede foi caco para todos os lados, oferecendo-lhe uma pequena quantidade de moedas, que não dava nem para o começo.
O dia prometia para o Zé.
Resolveu fazer seu niver solito, nada de festinha, com rodadas de batida de leite de onça para o pessoal do Beco da Bosta (apelido do local onde ele morava).
Dirigiu-se ao supermercado, no Boulevard Amazonas, onde comprou uma latinha de castanha de caju torrada, um litro de Rum Montilla Carta Branca e uma garrafa de refrigerante, tipo Coca-Cola.
Naquela época, as embalagens dos supermercados eram de papel, assim, ao chegar próxima de sua casa, a sacola rasgou, a garrafa de rum foi ao chão, quebrando o gargalo na sarjeta. O aniversariante chamou tudo o que era de palavrão, ficou tão enraivecido que jogou o resto das compras num matagal, indo para sua casa numa tristeza geral.
Mas ele era insistente, pegou o resto das moedas e foi até a taberna do Aroeira, comprou um litro de veludo no gogó, a cachaça Cocal, pegou alguns limões, gelo e açúcar e preparou aquela caipirinha. Pegou um disco de vinil do Reiberto, colocou na vitrola Nivico hifi e pôs o fone de ouvido no volume máximo.
Após quatro doses na moleira, o Zé já estava com aquela cara de leso; deu uma vontade de beliscar alguma coisa, lembrou-se das compras que ele havia jogado fora, pegou uma lanterna e se embrenhou no matagal procurando a latinha de caju.
O local era de difícil acesso, por isso levou uma hora dentro do mato, do que resultou ter ficado arranhado por um capim bastante cortante, ainda pegou algumas ferroadas de formiga-de-fogo e de jiquitaia, rastejou pelo chão, procurou, procurou, mas nada encontrou!
O Zé estava mesmo azarado no seu aniversário. Voltou para a casa, todo ferrado, no sentido da palavra, tomou mais uns goles de batida, ouviu mais algumas músicas e, como não deu para se conter, abriu um grande berreiro. Suficiente para acordar seus pais.
O velho, quando viu aquela situação do pobre coitado, ficou tão sensibilizado que abriu mão daquela grana que estava guardada para as despesas do mês, deu tudo para o filho fazer a festa, afinal, era uma data muito importante.
A mulherada comemora os quinze anos e a macharada os dezoito. Pense num cara alegre, imagine a situação do Zé: de repente, saiu de uma lisura total para uma posição confortável, com muita bala na agulha.
Tomou um banho rápido, trocou a beca e passou uma mensagem na rádio cipó:
– Tá todo mundo convidado para a festa do Zé Mundão! O local de encontro será às dez da noite, no Bar do Gordo; tudo será de graça, não será necessário levar presentes! Basta ter bucho de leão para devorar tudo do bom e do melhor e gogó de aço para entornar todas de montão!
Esse tipo de convite se espalha numa progressão geométrica, antes do horário marcado o bar já estava entupido de gente; e agora, Zé Mundão? Este, ao chegar, sentiu que o bicho ia pegar, mas o cara era safo mesmo! Botou logo a boca no trombone:
– Escuta aqui macacada, dois pontos: vou pagar adiantado quatro caixas de cerveja, cinco garrafas de Rum Montilla, três galinhas Cláudia Barroso, um monte de fichas para o Jukebox e Fliperama e bastante refri para a mulherada!
Quando terminar, vou passar o chapéu, vai todo mundo inteirar para comprar mais ampolas! Tá feito, rapaziada? Nessa altura do campeonato, um dos convidados mandou ver:
 – Caramba, aniversário de pobre é sempre assim! Toda vez é servido vatapá com arroz, maionese e frango desfiado com farofa, ficando o caboco a mercê de pegar uma infecção intestinal. Ainda tem que entrar na cota para pagar o goró no final da festa! Tô fora, Zé Mundão!
Apesar de alguns contratempos, tudo saiu na perfeita harmonia, na festa de dezoitão do Zé Mundão!