quarta-feira, 20 de junho de 2018

BLOGDOROCHA: A INAUGURAÇÃO DO BALNEÁRIO DO PARQUE DEZ DE NOVEMB...

BLOGDOROCHA: A INAUGURAÇÃO DO BALNEÁRIO DO PARQUE DEZ DE NOVEMB...:   A obra iniciou em 10/11/1938, na administração estadual do interventor Álvaro Maria, tendo como idealizador e iniciador dos trab...

BLOGDOROCHA: A INAUGURAÇÃO DO BALNEÁRIO DO PARQUE DEZ DE NOVEMB...

BLOGDOROCHA: A INAUGURAÇÃO DO BALNEÁRIO DO PARQUE DEZ DE NOVEMB...:   A obra iniciou em 10/11/1938, na administração estadual do interventor Álvaro Maria, tendo como idealizador e iniciador dos trab...

quarta-feira, 13 de junho de 2018

SECOS & MOLHADOS



CÉU DE BRIGADEIRO



Sei, não, acho que o verão amazônico está chegando!

Serão 42 graus na sombra.

O amazonense,fala- É quente, quente, quente! - três vezes



PONTE RIO NEGRO


Hoje, passei pela Ponte Rio Negro, A bordo do Amazonas Bus.

Uma maravilha! 

Falei para alguns turistas que, a ponte possuí três Km e trezentos de extensão, no entanto, foi mais cara que uma ponte de dez Km construída na China.

Os políticos Quibe do Azize e Cadeirudo, embolsaram + de meio bilhão e ainda foram inocentados pelo Esseteefe.

Dois santos!
Tamosfudidosemalpagos.

Quem manda votar neles!



BRASIL VERSUS SUÍÇA



No próximo domingo, o nosso Brasil jogará com a Suíça, na Copa do Mundo.

O que lembra esse país? 

Queijo, chocolate, relógio, alpes, canivete e, principalmente, o paraíso fiscal.

Por lá existem em torno de quatrocentos bancos, onde estão depositados 30% da renda mundial.

São contas numeradas, onde o dono não é identificado e não é exigido a origem. 

Em alguns casos, os bancos avisam as autoridades quando desconfiam da origem ilegal.

Muitos brasileiros políticos possuem muitos dólares depositados na Suíça.

Vamos torcer pelo Brasil e pela operação "Lava Jato" para repatriar o dinheiro roubado do povo brasileiro.




NOITE AGRADÁVEL NO LARGO DE SÃO SEBASTIÃO



Noite agradável no Largo de São Sebastião.

Tacaca da Ivete, depois, Sanduba no African House. 

Nada de cevada! 

Eu, hein!


BLOGDOPAULO ONOFRE



O administrador de empresa e historiador José Rocha, na Tribuna Popular do Movimento Ribeiro Junior nesta sexta feira dia 08, exortou a sociedade a fazer uma reflexão sobre os candidatos a reeleição para deputados federais e senadores, e gritou em alto e bom tom, mas próximas eleições, vamos tirar estes enganadores do povo da vida publica. 

Prosseguindo Rocha, disse meus amigos, a maioria destes senhores com mandatos que visitam semanalmente a câmara federal e o senado, votou a favor do projeto do Temer, que suprimir direitos dos trabalhadores.

Agora pasmem, fazem encenações mostrando que estão revoltados com seu líder Temer, por este com uma canetada, ter retido quase em sua totalidade os incentivos do nosso polo de concentrados das industrias de Manaus. 

A situação é grave, já vivemos uma crise terrível de desemprego, imaginem ainda se a previsão catastrófica se concretizar, fruto desta medida insana de Temer, que trará a perda de aproximadamente, 30 mil empregos diretos e indiretos dos trabalhadores amazonense. 

Serão, trinta mil chefe de famílias desempregados, o que envolve uma media de noventa mil pessoas prejudicadas, se partirmos do pressuposto que cada família tem três pessoas.

O que é ruim meus amigos, pode ficar pior ainda sentencia José Rocha. 

Finalizando Rocha, fez uma pedido a população, que na eleição de outubro, diga NÃO os políticos profissionais, e que é hora de renovarmos a politica, não somente Amazonas, mas a politica no Brasil.



PICUINHA POLÍTICA 

O presidente Jânio Quadros, sucedeu ao JK. Renunciou em favor do seu vice, o João Goulart. Ao ser questionado sobre o motivo que o levou a essa decisão, respondeu: 

- Fi-lo porque qui-lo.

Segundo os gramáticos, o correto seria: "Fi-lo, porque o quis".

O Jânio era gramático e professor de Língua Portuguesa, fica a hipótese de que foi mesmo "picuinha política", como ocorre em qualquer eleição cujo candidato desponta como favorito.



PARQUE RIO NEGRO



No beiradão do bairro de São Raimundo.

FOTOS DE MANAUS




                              Jacaré pegando sol, no poluído Igarapé dos Franceses

                             
                               Produtos regionais na Feira da Avenida Eduardo Ribeiro 

                                                   
        Costela de Tambaqui, almoço dos amazonenses 


                             Vista do Rio Negro, margem esquerda, Manaus


                    Festival de Ópera do Amazonas, no Teatro Amazonas



                       Rocha, torcedor do Boi Caprichoso de Parintins


                       Bar São Marcos, conhecido como Bar dos Cornos

               
 Largo da Matriz
                


Fotos: José Rocha

sexta-feira, 8 de junho de 2018

TRIBUTO (HOMENAGEM) AO TENENTE RIBEIRO JUNIOR




Passados quase cem anos do movimento tenentista liderado pelo militar Ribeiro Junior, os amazonidas atuais, não esqueceram aquele momento histórico, tanto que criaram o “Movimento Ribeiro Junior”, um grupo de pessoas oriundas das bases sindicais, líderes comunitários, políticos e representantes da sociedade constituída, liderado pelo Paulo Onofre, para dar vida e voz às pessoas menos favorecidas para reivindicar os seus direitos juntos aos governos municipal, estadual e federal – reunindo-se toda sexta-feira, no “Café do Pina”, na Praça Heliodoro Balbi (Praça da Polícia).

Mas, afinal, quem foi Ribeiro Junior?

Segundo historiadores, na década de vinte, a cidade Manaus vivia o colapso da economia da borracha, com violentas lutas entre grupos oligárquicos para controle do governo estadual.

Em 1924, o governo foi passado para o desembargador Cesar do Resende do Rego Monteiro, sendo considerado o pior administrador de todos os tempos.

Tentou vender 25% das terras do Amazonas para um grupo norte-americano, em troca de um empréstimo de 3 milhões de dólares, sendo que, a transação só não se concretizou, por intervenção direta do governo federal.

Praticou o mais descarado nepotismo, colocando filhos e parentes para as posições chave, além de atrasar o pagamento dos salários dos funcionários públicos e reprimir violentamente os seus opositores, provocando uma insatisfação popular muito grande.

Motivado por esses desmandos e pela determinação do governador em fazer o seu sucessor, para continuar o descalabro politico-administrativo, bem como, com base na rebelião tenentista que havia eclodido em São Paulo, o tenente do 27º Batalhão de Caçadores, Ribeiro Junior, liderou um movimento militar e civil, para derrubar o governo estadual.


O movimento dominou o Quartel da Polícia, os Correios e Telégrafos, um navio do Lloyd Brasileiro e o Palácio Rio Negro, derrubando o governador interino Turiano Meira, pois o governador Rego Monteiro encontrava-se viajando para Europa.

O Estado do Amazonas foi governado pelo Tenente Ribeiro Junior, no período de 23 de julho a 28 de agosto de 1924, instituindo o “Tributo da Redenção”, confiscando e vendendo bens roubados do nosso Estado, revertendo para pagamento dos salários atrasados dos funcionários e fornecedores, ganhando a estima de toda a população.

O governo federal envia uma força militar, o Destacamento do Norte, sob o comando do General João de Deus Mena Barreto, para sufocar a rebelião – o Ribeiro Junior não ofereceu resistência, sendo preso e julgado pela Justiça Militar.

Foi condenado a três anos e nove meses de prisão, transferido em 1926 para a prisão militar da ilha Grande, no litoral do Rio de Janeiro, foi solto em fevereiro de 1927 e, em julho seguinte, foi reincorporado ao 27º Batalhão de Caçadores. Anistiado após a vitória da Revolução de 1930 obteve sua promoção a capitão com validade retroativa a janeiro de 1926.

Conseguiu eleger-se, em outubro de 1934, Deputado Federal pelo Amazonas, exerceu o mandato de maio de 1935 a novembro de 1937, quando, com a instauração do Estado Novo, os órgãos legislativos do país foram suprimidos.

Retornou então ao serviço ativo do Exército, vindo a falecer em 29 de junho de 1938.

A sua filha mais nova, Eneida Ramos Ribeiro, contando a produção da historiadora amazonense Etelvina Garcia, escreveu, em 2016, o livro “Ribeiro Junior – Redentor do Amazonas – Memórias”, pela editora Norma, onde é possível conhecer com mais profundida a vida e o trabalho desse importante homem, para a história do nosso Estado do Amazonas.


O Movimento Ribeiro Junior, faz um importante trabalho de reconhecimento dessa figura histórica e, luta pelo prosseguimento dos seus ideais, de uma sociedade mais justa e solidária.


quarta-feira, 6 de junho de 2018

VIAGEM DE BARCO COM UM JAPONÊS PARA ASSISTIR AO FESTIVAL FOLCLÓRICO DE PARINTINS.




Para falar a verdade, já perdi a conta das vezes em que fui a Parintins, todas, sem exceção, para brincar de boi-bumbá, com a viagem sempre de barco regional, porém, a mais marcante, foi quando servi de cicerone para um “Sansei” (filho de filho de japonês), um legítimo paulistano do famoso bairro oriental da Liberdade.

Durante muito tempo os moradores do Conjunto dos Jornalistas, bairro da Chapada, foram servidos pelo Mercadinho União - a galera da birita fazia a concentração por lá todos os finais de semana; certo dia apareceu um sujeito vendendo passagens para o Festival Folclórico de Parintins, o caboco era bom de gogó, tanto que ele conseguiu vender para umas quinze pessoas, todos eram moradores do nosso conjunto.

Imaginem toda esse turma de amigos dentro de um mesmo barco, singrando o Rio Amazonas, para assistir aos bois de Parintins – os mais chegados, os amigos do peito era formada pelas seguintes figuras: Dr. Iracildo, Tony Biondo, Professor Zé, Mauro Mumu, Miguel Protético, “For Make Love”, Selma Goiana e Calcinha.

Eu trabalhava numa empresa japonesa, falei com o meu superior e solicitei cinco dias, compensado nas férias, para ir ao festival – dois dias antes, ele recebeu uma ligação de um amigo de infância, o cara queria ir para Parintins num barco regional, para conhecer as belezas da Amazônia, percorrendo o Rio Amazonas – não deu outra, fui escalado para acompanhar o “Japa”.

Fiquei um pouco receoso, pois iria com bando de cachaceiros e gozadores, com um japonês no meio daquela turma, todo metódico, certinho, não iria dar certo, além do mais, teria que me comportar ao máximo, pois ele poderia falar para o meu superior sobre as minhas peripécias durante a viagem, não seria nada bom.

O japonês chamava-se Genésio, credo-em-cruz, nunca tinha visto um descendente do povo do “Sol Nascente” com este nome – ainda bem que o cara ainda era jovem e um pouco descolado. Desde quando ele chegou, notei que ele tinha bastante “bala na agulha”, pois, rapidinho a empresa conseguiu uma casa em Parintins, para acomodar o sujeito, pois não havia mais vagas nos hotéis e pousadas na cidade, além de providenciarem lugar num Camarote, para ele assistir as três noites de festival, fui contemplado também, é claro, pois eu seria o guia do “Japoca”.

O barco saiu à noite no Porto de Manaus (Rodoway), consegui um pequeno espaço, deu para atar as nossas redes de dormir, guardamos as nossas bagagens e fui apresentá-lo a minha turma, todos já estavam na área de lazer, tomando água que passarinho não bebe – para minha surpresa, o Japonês foi logo se enturmando, começou a contar algumas piadas, estava solto, pena que ele somente tomava um “Chá Mugicha”, pois, segundo o mesmo, a sua religião não permitia nem pensar em bebida alcoólica. Sai pra lá Samurai!

Lá pelas tantas da noite, a turma já estava “Pra lá de Bagdá” – o japonês ficou colado numa cabocla, dando um amasso na cunhantã, de vez em quando dava altas gargalhadas – e pasmem, estava dançando um pouco desajeitado as “Toadas de Boi”, além de ter aberto a carteira e pagando todas – fiquei desconfiado daquele chá Mugicha, que ele tomava na boca de um longo cantil em couro, tipo Espanhol.

A minha missão era ficar na cola dele e cuidar da sua integridade física, fiquei cansado e fui dormir, deixei o Japonês, virando bicho na área de lazer do barco. Quando acordei lá pelas nove da manhã, olhei para o lado, imagine o que eu vi – o Japa estava dormindo juntinho com a cabocla, na mesma rede – pensei: - Esse não tem nada de tímido, bota é no toco!

Começou novamente a movimentação no Barco, era gente correndo para os banheiros, outros se acomodando nas imensas mesas para tomar o café da manhã; alguns já começavam os trabalhos no Bar do Zé Cutia; muitas mulheres já estavam a postos na área de lazer, para começar a pegar aquele bronze; o DJ Tubarão detonava uns “Flashbacks”, enquanto a Banda de Forró-Boi se preparava para mais um dia, enfim, o dia prometia muitas emoções.

Para quem não sabe - a viagem de barco regional para Parintins, dura em torno de dezoitos horas, com direito a café da manhã e almoço – o vendedor em Manaus falou que o café era com dez itens – fomos conferir, realmente, batia: pão, café, leite, manteiga, três bananas nanica e três pequenas fatias de mamão, tudo “nos estrinques” – depois de forrar a pança, fomos para a área de lazer, o Japa já tinha descartado a cabocla - começou a tomar o chá de Mugicha no cantil, ai foi graça de novo: deu em cima de uma “Raimunda”, feia de cara e boa de bumba, dava de vez um quando umas gargalhadas, dançava desajeitado o dois para lá e dois pra cá, abriu a carteira e começou a pagar cervejas para a negada – sei não, mas aquele chá de Mugicha estava me deixando novamente desconfiado.

Antes de servirem o almoço, fui até a cozinha, estavam preparando um “Cozidão de Carne”, deu até água na boca, pedi um copo com caldo, fui gentilmente atendido, porém, quando dei o primeiro gole, veio um cabelo grandão, como já tinha tomado todas, dei um grito: - Porra, se aqui no copo tem um cabelo, dentro da panela deve ter uma peruca! A cozinheira correu atrás de mim para me dá uma panelada! Fui proibido de almoçar.

Não falei nada para o Japoca sobre o ocorrido, ele desceu, sentou a mesa e almoçou numa boa, comeu que nem um lutador de Sumô - acho que ele engoliu alguns cabelos, na maior. Depois, continuou tomando aquele chá, ele estava com uma cara de quem estava “Pra lá de Hiroshima”, deitou na rede, roncou e soltou pum para todos os lados, parecia um Kamikaze, matando de ri todo mundo!

Como já estava desconfiado, resolvi dá uma cheirada no cantil do Samurai -, tomei o maior susto e gritei: - Caralho, isso aqui nunca foi um chá, tá parecendo um Saquê! Voltei para a minha galera, falei da bebida do Japoca e tudo o mais. Realmente, um cara muito diferente dos seus pares, era mulherengo, cara-de-pau, beberão e mão aberta.

Finalmente, chegamos à Terra dos Parintintins, a famosa Ilha Encantada, corri para acordar o Japoca: - Acorda, acorda, acorda Samurai do Saquê! Ele respondeu ainda meio sonolento: - A corda é minha e a rede também! Insisti: – Não é isso não, acorda, abre os olhos, Japoca, chegamos à Terra do Boi Bumbá. Ele deu um pulo, desatou a rede, arrumou tudo, estava prontinho para mais três dias de festa. Pensei cá com os meus botões: - O bicho vai pegar, vai ser uma loucura, eu e esse japonês vamos botar Parintins de cabeça para baixo!

Fomos bem recebidos em Parintins, um colega chamado Alexandre nos levou para a casa da irmã dele, a vereadora Valdete Pimentel, no Bairro da Francesa, ela é casada com o professor Zequinha e tem um casal de filhos. Ficamos numa suíte, com ar condicionado, duas camas, banheiros, com aparelhos de som, televisão e bastante mordomia, bem diferente dos anos anteriores em que eu ficava hospedado nos barcos, passando um sufoco danado.

O Prefeito da cidade era o Carlinho da Carbrás, um empresário maluco, o poder subiu a sua cabeça, foi um desastre a sua Administração, tanto que o seu mandato foi impugnado, sofrendo o famoso “impeachement” pelos vereadores. A Valdete estava há seis meses sem receber os seus salários na Câmara Municipal, simplesmente porque o doido do prefeito não repassava as verbas, por lei, para o Poder Municipal. Estava todo mundo sofrendo nas mãos daquele insensato.

O japonês Genesio tinha grana “saindo pelo ladrão”, tanto que resolveu bancar todas as despesas nos três dias em que ficamos hospedados, como forma de agradecimento pela estada e pela situação que estava bastante braba. Um detalhe: estava hospedado por lá, uma caboquinha linda, vinda da cidade de Juriti, no interior do Pará. O Japoca, como sempre, frágil no amor, ficou logo com uma paixoneta pela cunhã, tanto que o cara resolveu não tomar mais o seu famoso chazinho, mudou do saquê para a água, o que o amor não faz. Resolveu não andar mais comigo nem com os meus amigos, o negócio dele era tomar sorvetes e andar pela cidade de mãos dadas com a cunhaporanga (a mulher mais bonita da tribo) de Juriti.

Deixei o Japonês de lado, a caboquinha tornou-se o seu cicerone, inclusive, fui com a minha turma assistir a Festa dos Visitantes, no Clube Ilha Verde, também fui para as Arquibancadas na primeira noite do festival, apesar de ter credenciais para entrar em qualquer parte do Bumbódromo, resolvi também dormir na Sala de Estar da casa em que estávamos hospedados, para não atrapalhar as “lamparinadas” do Japoca.

Na segunda noite de festival, fui para o Camarote com o Japonês & Cia., o problema maior era que todo mundo que estava lá eram evangélicos, sem chances de tomar uma cerveja, até o Genésio e namorada estavam somente na água mineral, tive saudades da minha turma que estava lá nas arquibancadas.

Naquele ano existia uma grande rivalidade entre os “levantadores de toadas”, sendo o Arlindo Júnior no meu Boi Caprichoso e o Rei David Assayag, no Boi Garantido. Umas das toadas que eu mais gostei do festival foi o “Vento Norte”, do meu amigo Ariosto Braga e do José Cardoso, a letra é mais ou menos assim: O vento norte/Que seduz minha razão/Assobia, e me banha de emoção/O amor errante/Paixão distante/Azul é sempre cor de navegante/Vento que vem/Balançar canaranas no rio/Vento que traz/A saudade de quem já partiu. Do lado do Boi Garantido, sempre emocionou a toada “Vermelho”, do Chico da Silva, é assim: A cor do meu batuque/Tem o toque, tem o som/Da minha voz/Vermelho, vermelhaço/Vermelhusco,Vermelhante/Vermelhão/O velho comunista se aliançou/Ao rubro do rubor do meu coração/He Ho! He Ho!

No terceiro dia fomos visitar a Vila Amazonas, fica a vinte minutos de barco, o local é banhado pelo Rio Amazonas e pelo Paraná do Ramos, ficou conhecida pela imigração japonesa e a produção industrial de juta, uma fibra vegetal introduzido por Ryota Oyama; por lá foram instaladas em torno de  vinte famílias de koutakosei, infelizmente, foram expulsos do local em decorrência da segunda guerra mundial. Na realidade, encontramos somente um imponente prédio abandonado, que serviu de moradia para o mega empresário J. G. Araújo, nada mais lembra que ali moraram centenas de japoneses, tudo foi destruído pela insanidade da guerra.

À noite antes de irmos ao Bumbódromo, o Japonês me convidou para um jantar numa churrascaria, na realidade, ele queria desabafar um pouco. Ela falou que tentou ser igual, no comportamento, a mim e aos meus colegas, porém, ele era um japonês tímido, a sua criação foi muito rígida, teve que dar duro muito cedo, o seu pai chegou a ganhar muito dinheiro, eles possuem uma grande transportadora em São Paulo com varias filiais no Brasil. Falou que aquela experiência estava sendo bastante gratificante, sentia-se livre e em paz, orgulhava-se de ter conhecido a Amazônia e a sua gente.

Propôs me levar de avião para Manaus, seria o seu convidado para passar alguns dias no Tropical Hotel, recusei o seu convite, dei um abraço de despedidas no meu amigo e segui para o Bumbódromo para reencontrar com a minha turma do Conjunto dos Jornalistas.

Voltei de barco para Manaus, nunca mais vi o “Samurai do Saquê”, não tenho notícias dele, ficou somente as lembranças da melhor viagem de barco para Parintins. É isso ai.

sexta-feira, 1 de junho de 2018

EDIFÍCIO DO IAPETEC

EDIFÍCIO DO IAPETEC


Este prédio está situado na Avenida Sete de Setembro, bem em frente à Praça D. Pedro II, possui um grande valor histórico para Manaus, por ter sido o primeiro edifício construído na cidade.

Segundo os historiadores, nesta local, existiu o famoso “Éden Teatro”, a primeira casa de espetáculos de Manaus, onde recebeu as primeiras temporadas de óperas, entre os anos de 1890 e 1893, além do “Hotel Comércio”, na realidade, era um prostíbulo.

Essas casas foram demolidas depois da compra por parte do Estado, em 1907, no valor de trezentos contos, conforme consta no livro do Tombo nº 1, em poder dos arquivos públicos.

A construção do prédio se deu por volta de 1949 e, em decorrência do seu elevado porte, recebeu muitas críticas do povo. O jornal “A Crítica”, na época, foi contrária a sua construção, os editores achavam que havia outras prioridades para investimentos dos recursos públicos, publicando a seguinte manchete: “Em lugar de arranha-céu, casas para o povo!

O nome do edifício foi em decorrência do Decreto-Lei no. 651, de 26 de agosto de 1938, criador do Instituto de Aposentadorias e Pensões dos Empregados em Transportes e Cargas (IAPETEC), transformado, tempo depois, no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

Por ser um prédio de apartamentos, com dez andares, foi chamado, na gozação, do nosso “Empire State Building Baré”, por ser durante anos o mais alto da cidade; muita gente ia até lá, somente para “passear” nos elevadores, paravam nos andares mais altos e apreciavam a beleza da nossa cidade bucólica.

Consta que a Rádio Rio Mar, uma tradicional emissora de Manaus, foi inaugurada no dia 15 de Novembro de 1954, com o estúdio localizado no oitavo andar deste prédio, outro famoso, foi o Instituto de Pesquisas da Amazônia (INPA), fundado em 1954, permaneceu por um bom tempo no seu décimo andar.

Apesar de eu ser contrário a destruição do centro histórico de Manaus, para a construção de “espigões” em seu lugar, sou favorável a manutenção desse imóvel, pois ele é pura história da nossa cidade – segundo alguns bloqueiros, o prédio está em péssimas condições de uso, com ameaça de ruir.

Sei não, mas, se no futuro o IAPETEC for implodido, aconselho as autoridades construírem no local, o novo “Éden Teatro” e o “Hotel Comércio”, em novo estilo. É isso. 

Fotocolagem: J Martins Rocha (foto antiga do IBGE e atual do BLOG DO PAULO ONOFRE).

quarta-feira, 30 de maio de 2018

ABANDONO DO PRÉDIO HISTÓRICO DA BIBLIOTECA MUNICIPAL JOÃO BOSCO EVANGELISTA


A nossa Biblioteca Municipal, foi criada pela lei nº 971, de 02 de janeiro de 1967, e sancionada pelo decreto nº 27, de 12 março de 1975 – o prédio onde funcionava, situado na Rua Monsenhor Coutinho, 529, está fechado desde 08 de agosto de 2011 – estando provisoriamente, na Casa do Restauro, no Largo de São Sebastião – deixando aquele prédio histórico totalmente abandonado, sendo saqueado pelos vândalos,  servindo para moradia de desocupados, bandidos e viciados em drogas – motivo de revolta por parte dos estudantes e intelectuais da cidade de Manaus.

JOÃO BOSCO EVANGELISTA (7-3-1938 a 4-8-1973)
O  manauense  João  Bosco  Pantoja Evangelista graduou-se em Administração pela Escola Brasileira de Administração Pública da Fundação Getúlio Vargas, do Rio de Janeiro. Foi técnico da Comissão de Desenvolvimento do Estado do Amazonas – Codeama, professor de Ciências Políticas na Faculdade de Ciências Econômicas da Universidade do Amazonas e professor da Escola de Serviço Público do Estado do Amazonas – Espea. Escritor e poeta, foi um dos fundadores do Clube da Madrugada e presidiu a União Brasileira de Escritores – UBE, seção do Amazonas. Idealizou o jornal literário Nossos Dias, editado em 1956 na capital amazonense, e foi assessor especial do Governo do Amazonas, cargo que exercia na época de seu falecimento.
Imagem e texto retirados do livro Manaus, entre o passado e o presente do escritor Durango Duarte.



História

Devido à falta de documentos oficiais, estima-se que o prédio tenha sido construído por uma família portuguesa, em 1908, durante o período áureo da borracha - o local recebeu ainda um laboratório médico de pesquisas sobre febre amarela, e, da década de 1960 até meados dos anos 1980, abrigou uma sorveteria - após o estabelecimento ser fechado, o local voltou a ser abandonado.




A Prefeitura Municipal de Manaus, através da ManausCult, fez o projeto arquitetônico, com responsabilidade do arquiteto Marcel Reis Gusmão.

Em 2014, a biblioteca foi incluída nas ações de revitalização pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) Cidades Históricas. Entretanto, segundo a prefeitura, em 2015 e 2016, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) teve problemas para aprovação de projetos e liberação dos recursos, motivo pelo qual a obra ainda não pôde ser realizada. 




Lamento muito pelo descaso por parte do prefeito de Manaus – isso é um crime contra o patrimônio público, além de um grande desrespeito pela história da nossa cidade e, principalmente, pelos estudantes de Manaus e turistas. É isso ai.

Fotos:
1. Alex Pazuello
2. Acervo Roger Péres
3. Projeto Arquitetônico: PMM
4. Parcial (atual): José Rocha

quinta-feira, 24 de maio de 2018

O MEU DIA DE CABOCAO DA BEIRA DE RIO DE MANAUS


Hoje, começo de verão amazônico, com Sol dando na cara quem nem papeira, estava sem beira nem eira, na maior moleza, pregando prego no sabão, resolvi visitar os lugares da beira do rio, onde passei parte da minha infância e vida adultera.

Parei na Avenida Sete de Setembro, exatamente na Segunda Ponte (Ponte Romana II), para refletir sobre a minha vida de idos, lá se vão muitos anos – olhei para as casas que ainda restam da Rua Igarapé de Manaus, juro que senti vontade de voltar a morar naquele lugar de muitas recordações.

Quisera ter bala na agulha (grana) para comprar dois imóveis na Rua Huascar de Figueiredo – um foi onde morou o saudoso Senador Jeferson Peres e, outro, um estacionamento de uma faculdade, outrora, foi o Solar dos Bringel.

Caminhei pelo Parque Jéferson Perés, passei pelas duas pontes da minha infância, além do Palácio Rio Negro, um lugar magico, onde na minha infância, somente os poderosos podiam entrar, hoje, um parque aberto a todos.

Era quase meio-dia, a barriga começou a roncar, resolvi passar pelo Bar do Metal, onde exalava um cheiro gostoso de jaraqui frito, parei e, peguei o beco na hora, com preço de vinte e cinco reais pelo jaraca frito.

Resolvi caminhar até o templo do peixe, o Restaurante Galo Carijó, não tinha uma viva alma, pois o menor preco era do jaraqui com baião de dois, ao preço de vinte e cinco reais. To fora, mermao!

Peguei a tal Manaus Moderna (um aterro da nossa Veneza dos Trópicos), parei na Feira da Manaus Moderna, onde encontrei uma enfiada de jaraquis tamanho P (de parrudão) ao preço de vinte reais, ou seja, quatro reais a unidade – deixei para outro dia, onde pretendo fazer um escabeche.

Ao lado da feira, existe o Restaurante do Pé Sujo, com o jaraqui assado no espeto, ao preço de dez contos, com direito a jogar bilhar, tomar cachaça e comer em companhia de dezenas de moscas – ficou para outro dia, eu, hein!

O destino mesmo era o Mercado Adolpho Lisboa, onde tenho boas lembranças de tempos de então.

Para minha surpresa, encontrei o jaraca fritinho e completao, ao preço de quinze reais.

Pedi uma cerveja bem geladinha, enquanto esperava o meu manjar!

Tinha muitos turistas e  cabocada dando na cara que nem papeira.


Cadê o peixe que eu deixei aqui? O gato velho comeu!

Depois, sai para visitar os boxes de artesanatos, para minha surpresa, encontrei um que tocava músicas da minha juventude e só vendia água que passarinho não bebe!

Por lá fiquei por uma hora, onde pude conversar com um líder comunitário de Novo Airão, o  cara é virado no balde, faz artesanatos, líder comunitário, planta seringueiras (vai deixar para os netos) e açaizeiros, além de criar pirarucu em tanques.

Para completar, passeei pela orla, onde pude ver muitos barcos e dezenas de vendedores de viagens para o festival de Parintins. Saudades da ilha! 

Papo bom, mas, tava na hora de pegar o pego e entrar numa lan house e contar para vocês o meu dia de cabocao da beira do rio de Manaus. É isso ai.

DESEMBARGADOR ANSELMO CHíXARO





Jeitão de interiorano,  uma pessoa simples, brincalhão, muito ligado a sua família, adora a companhia dos amigos nos finais de semana e, sempre que possível visita alguns botecos da nossa Manaus antiga – quem o conhece pela primeira vez, jamais imaginará que aquele  senhor de aparência jovem,  é um Desembargador (Juiz de Segundo Grau) do Estado do Amazonas.

Ele é natural do município de Humaitá (distante 696 quilômetros de Manaus), foi batizado como Ernesto Anselmo Queiroz Chíxaro, está com 59 anos, é formado em Direito pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM) e tem mais de 23 anos de atuação na magistratura amazonense.

Iniciou a carreira nas Comarcas de Lábrea, Tapauá e Itacoatiara. Como juiz, também atuou na Vara Especializada em Crimes de Trânsito, além da 3ª Vara Criminal e Vara de Registros Públicos e Usucapião. Foi titular da 1ª Vara da Fazenda Pública Estadual, fez parte, ainda, da turma recursal do Juizado Especial do TJAM, foi juiz auxiliar da Corregedoria Geral de Justiça (CGJ) e desde 17 de fevereiro do ano passado vinha trabalhando como juiz convocado para atuar como desembargador.

Foi promovido ao cargo de Desembargador, pelo Ato nº 178/2017, de 18.04.17 – ao tomar posse, fez a seguinte declaração:

- Alegre de chegar a esse colegiado, com o apoio dos meus pares que me aclamaram, me sinto imbuído de grande responsabilidade para enaltecer ainda mais este Tribunal. Recebo esta indicação, sobretudo, com um senso muito apurado de responsabilidade. É uma nova missão com a qual temos que nos empenhar muito para oferecer uma prestação jurisdicional cada vez melhor para toda a população -  frisou o novo desembargador. 

O seu colega Jomar Sauders Fernandes, fez o seguinte discurso elogioso à sua trajetória:

- Anselmo atuou nas Comarcas de Lábrea, Tapauá e Itacoatiara, além de deixar firmemente marcado o seu trabalho, mostrou que um juiz não precisa se trancar em suas elucubrações e redomas para se mostrar sério, capaz e coerente, permitindo aos munícipes o acesso incondicional ao Judiciário, sabedor que era do sofrimento e das necessidades daqueles que o demandavam. De igual modo, não perdeu a sensibilidade ao ser promovido para Manaus onde atuou em diversas Varas, sendo admirado por todos aqueles que com ele tiveram a oportunidade do convívio. Ele vem compor um Tribunal que tem superado dificuldades e diferenças. Por ser um órgão colegiado é natural que seus membros tenham diferentes visões sobre as causas que lhes são submetidas, no entanto, essas discussões técnicas é que resultam em decisões coerentes que sempre visam a prática da melhor prestação jurisdicional. Com mais de 23 anos de experiência na magistratura, por certo, Ernesto Anselmo Chíxaro virá engrandecer essas discussões e consequentes decisões. - concluiu o desembargador Jomar Fernandes.

O Estado do Amazonas está recheado de casos de homens públicos e políticos humaitaenses, que migraram e fizeram história na cidade de Manaus. Exemplos: Plínio Ramos Coelho (governador e advogado), Álvaro Botelho Maia (governador, advogado, poeta e escritor), Ubiratan de Lemos (filho do barão da borracha Jovino de Lemos, foi o primeiro a ganhar o Prêmio Esso de Jornalismo), Raimundo Neves de Almeida (historiador, poeta e escritor), dentre outros.

O cantor e compositor Afonso Toscano, no seu CD intitulado “Enredo”, fez uma justa homenagem a esses bravos guerreiros, com a faixa seis “Menino de Humaitá”, incluindo o nosso Anselmo:

Letra da música:

Menino de Humaitá
Hoje de encontro aqui
Depois de tanta luta
Vim, vi e venci  (chegar, ver e vencer)
Sem medo de escuridão
Num rastro de um farol
Aqui com o pé no chão
Querendo chegar ao Sol
Menino de Humaitá
Hoje um homem cidadão
És a Estrela Guia de outros que virão
Cumprir a sua jornada repetindo a lição
Beber da taça de um fel e bater o pé no chão
Almino (Afonso, político)
Anselmo (nosso homenageado),        
Lino (Chíxaro, advogado e presidente da CIGÁS)
e CHICÃO (Procurador de Justiça) 
Tu respondes um sim
Se alguém de forças um não

Tive oportunidade de conversar várias vezes com ele, em suas horas de lazer, sempre se mostrando uma pessoa humilde, mesmo estando na qualidade de Juiz de Direito e, agora, Desembargador.

Certa vez, confidenciou que, em sua cidade natal, Humaitá, ele e seus conterrâneos que ocupam altos cargos no Amazonas, tiveram a rigidez nos estudos, graças aos padres salesianos.

Por ter descendência portuguesa, revelou que, em sua aposentadoria, pretende morar em Portugal, numa aldeia, casa típica com característica herdadas do meio rural – será uma volta ao passado dos seus ascendentes lusitanos.

O Desembargador estadual (Juiz de Segunda Instância), é  um cargo importantíssimo, pois é considerado como “sábio da justiça”, responsável em julgar as decisões de juízes mais novos (primeira instância).

Parabéns Anselmo Chíxaro!  Você merece!

terça-feira, 22 de maio de 2018

VIAGEM A MANAUS


Elmar Carvalho


1
Com a finalidade de visitar nosso filho João Miguel, que reside em Manaus, no domingo, dia 29 de abril, fomos a essa capital amazônica. Ao chegarmos ao aeroporto de Brasília, para a conexão, à boquinha da noite, mal me levantei da poltrona, fui abordado por uma senhora, que me fez uma pergunta casual, sobre o nosso destino ou sobre a conexão, não me lembro ao certo. Respondi-lhe que ia a Manaus, em visita a um filho; ela, então, me disse que seu pai, um português, fora dono de seringal no Amazonas.

Disse-lhe que, no auge da exploração da borracha, vários nordestinos, inclusive piauienses, foram para a Amazônia. Nosso rápido e circunstancial diálogo terminou aí. Depois, na continuação da viagem, lembrei-me de Humberto de Campos, que tentara melhor sorte na região amazônica. Humberto, embora maranhense de Miritiba, que hoje tem o seu nome, após o falecimento de seu pai, passou grande parte da infância em Parnaíba (PI), de onde saiu aos 13 anos de idade, com destino a São Luís.

No meu retorno a Teresina consultei o importante livro Humberto de Campos: evocações de uma vida, da autoria da amiga e confreira na Academia Parnaibana de Letras Amparo Coêlho, para refrescar-me a memória, e nele encontrei a informação de que esse escritor, memorialista e poeta foi capataz de um seringal, onde foi acometido de uma febre palustre, que lhe fez retornar a Belém. Chegou a redator-chefe do jornal A Província do Pará, cujo proprietário era Antônio Lemos, que foi eleito prefeito dessa capital. Foi designado secretário da Prefeitura. Com a deposição do alcaide, foi perseguido por causa de sua atuação jornalística, e teve que fugir para o Rio de Janeiro, a bordo de um navio da Lloyd.

O rápido diálogo, a que me referi, me fez lembrar que os avós maternos do poeta e escritor Alberto da Costa e Silva, filho de dona Creusa e de Antônio Francisco, o poeta maior do Piauí, de nome literário Da Costa e Silva, também moraram em Manaus. Soube disso através dos livros O espelho do Príncipe e Invenção do Desenho, da lavra de Alberto, ambos com o subtítulo “ficções da memória”, que nem por isso deixam de ser duas excelentes obras memorialísticas, que li com muito agrado, quase de um gole, como se costuma dizer. Fiz a leitura através de e-book, em meu aparelho Kindle.

Do cotejo deles, fiquei sabendo que seu avô materno possuíra cabedais na região amazônica, entre os quais fazenda e seringal, além de duas amantes, que, com sua morte, se apropriaram de quase tudo. Sua avó, Maria Adélia Fontenelle de Vasconcellos, conhecida como Aroca, ficou viúva com menos de quarenta anos de idade, e teve que retornar ao Ceará, sua terra natal. Fixou residência em Fortaleza e passou a usar luto fechado pelo resto da vida, conquanto não tenha se tornado uma pessoa melancólica, amarga ou depressiva. Ao contrário, tinha ânimo forte e positivo. Pertencia a importantes estirpes de Viçosa e Sobral. Recomendei-lhes a leitura ao historiador Vicente Miranda, que escreveu a mais importante obra sobre a genealogia e história da Ibiapaba e adjacências, inclusive Piauí, no intuito de lhe possibilitar eventuais enriquecimentos e acréscimos quando de uma anunciada segunda edição.  

Feito esse parêntese, que achei pertinente, retomo o tema central. Chegamos a Manaus por volta de meia noite, ou 23 horas no horário local. Após os abraços e cumprimentos de praxe, João Miguel nos levou ao seu apartamento, situado perto da avenida das torres. Torres de transmissão elétrica, esclareço. No dia seguinte, pude constatar que da varanda, para qualquer lado que pudesse alcançar, eu via, por entre ruas e casas, boas porções de florestas. Ao amanhecer, ouvi o canto alegre de aves. À noite, ouvi, muitas vezes, o canto rascante de cigarras e a sinfonia álacre dos batráquios.

Também, margeando algumas avenidas, víamos, amiúde ou quase sempre, generosas nesgas florestais, que adornavam a paisagem urbana. No meio de árvores imponentes e copadas, vi pequenas plantas e arbustos, de um verde vivo, luxuriante e diversificado, em que muitas vezes parecia haver esmeraldas esmaltadas, tal o brilho das cores da folhagem. O formato e o tamanho das folhas eram muito variados. Em caprichado paisagismo natural, digno talvez dos arranjos de um Burle Marx, víamos trepadeiras a se enroscar em suntuosas árvores.

Em dois shoppings, vi, através de paredes envidraçadas, verdadeiros parques florestais, que lhe ficavam contíguos, talvez como áreas de preservação ambiental. Dessa espécie de mirante ou posto de observação, vi plantas imensas, de enormes frondes. Algumas, suponho, eram mais altas do que um prédio de cinco ou seis andares. Fiz esse cálculo tomando por base o andar de onde eu as observava.

Mais uma vez verifiquei a diversidade de tamanho, formato, textura e flexibilidades dos arbustos e árvores. Fiquei a imaginar que algumas poderiam ter vários séculos, podendo remontar à descoberta do Brasil pelos portugueses, senão ainda anteriores. Havia ainda enormes e variadas palmeiras, que vi de perto e do alto, através das vidraças do centro comercial.


2

Ao conversar com João Miguel sobre o Teatro do Amazonas, que conheci em viagem anterior, disse-lhe que essa deslumbrante e faustosa casa de espetáculo fora concluída pelo governador Fileto Pires Ferreira, nascido no Piauí. Como ele tenha se admirado dessa informação, acrescentei que outro piauiense também governara o Amazonas: Gregório Thaumaturgo de Azevedo, que também foi o primeiro governador republicano de seu estado natal. Ambos são filhos de Barras, justamente cognominada Terra dos Governadores.

No texto Piauienses viraram ficção na Amazônia, de Dílson Lages Monteiro, colho o seguinte comentário: “Um é descrito como ‘magro, ágil, elétrico, homem de fino trato, olhar inteligente, meio romântico, ousado, impetuoso, um tanto ingênuo, elegante de espírito (...) bem-nascido, família abastada, dona do Norte do Piauí, a terra do gado’. O outro, como um combativo homem público de ampla atuação, a seu tempo, no Norte do País. Fileto Pires Ferreira e Thaumaturgo de Azevedo, piauienses que governaram o Amazonas, respectivamente, entre 1896-1898 e 1891-1892, são personagens do romance ‘Teatro do Amazonas’, de autoria do amazonense Rogel Samuel.”  

A família Pires Ferreira exerceu o protagonismo político no Piauí durante vastos anos, sobretudo sob a liderança dos barrenses Firmino Pires Ferreira (25-09-1848 – 21-07-1930) e Joaquim Pires Ferreira (15-07-1868 – 23-12-1958). O primeiro participou da Guerra do Paraguai, como voluntário, e se tornou herói em várias batalhas; era marechal do Exército nacional, e foi senador por mais de trinta anos; o segundo era advogado, foi deputado federal e senador da República por várias décadas e é epônimo de uma cidade piauiense.

Gregório Taumaturgo de Azevedo, filho de Manoel de Azevedo Moreira de Carvalho e Angélica Florinda Moreira de Carvalho, nasceu em Barras (PI), em 17-11-1853, e faleceu no Rio de Janeiro, em 29-08-1921. Fundou a cidade de Cruzeiro do Sul (Acre) e a Cruz Vermelha Brasileira, da qual foi presidente. Segundo o escritor e romancista Rogel Samuel, foi ele quem traçou o plano da cidade de Manaus. Encerrou sua carreira profissional como marechal do Exército Brasileiro.

Fileto Pires Ferreira, filho de Raimundo Carvalho Pires Ferreira e Lídia Santana, nasceu em Barras, em 16-03-1866, e faleceu no Rio de Janeiro (RJ), em 11-08-1917, tendo alcançado o posto de general. Esforçou-se em concluir as obras iniciadas por antecessores, inclusive o famoso Teatro do Amazonas. Embora considerado um grande governador, encontra-se imerso em injusto esquecimento. Ao se ausentar do estado, para tratamento de saúde na Europa, foi vítima de uma “armação” política de seus inimigos, que forjaram um falso pedido de renúncia, com a falsificação de sua assinatura, e lhe destituíram de seu cargo. Embora em vão, teve a hombridade de tentar reconquistar seu cargo de governador fraudulentamente usurpado.

Nas vezes em que percorri as ruas e avenidas manauaras, em automóvel conduzido por João Miguel, sem querer laborar em estereótipos e maniqueísmos, que sempre distorcem ou exageram a verdade, notei que os demais motoristas não eram excessivamente apressados, e cediam a preferência em cruzamentos e conversão de faixas, de sorte que não presenciei nenhum acidente de trânsito, como com frequência observo em Teresina, apesar de Manaus ter mais do dobro da população desta.

Quando pedi alguma informação, notei que a pessoa parava, fixava a atenção em mim, e com urbanidade e respeito dava a sua resposta. Mera coincidência ou não, só vi no noticiário local um crime de alta repercussão: o assassinato do advogado criminalista e ex-deputado estadual Armando Freitas. Ou os homicídios não ocorrem com tanta frequência ou não lhe atribuem a importância sensacionalista que lhe dão em outras paragens.

No domingo, 6 de maio, fomos conhecer o calçadão e praia de Ponta Negra. É um local de muita magia e beleza, com muita água espraiada e a presença aprazível de algumas nesgas de florestas, que me pareceram bem preservadas. A impressão geral que tive, embora possa estar enganado, é de que a cidade não entrou em processo de excessiva verticalização. O rio Negro parece formar nesse local uma espécie de baía ou de grande remanso. Em dia anterior, fomos conhecer a Praia do Japonês, que não se encontrava aberta. Mas o passeio não foi em vão, pois nos serviu para termos uma ideia do que seja a floresta amazônica, apesar de que não estávamos em mata fechada.

Fomos, em seguida, a um restaurante flutuante, onde nos encontramos com Higino Freitas, sobrinho da Fátima, e com o tenente Fernando Alves, paraibano, amigo e colega de meu filho. Nesse local, vimos a pujança e a beleza da floresta e do grande rio, perante o qual, sem ironia e sem menoscabo, o nosso Rio Grande do Tapuia, o nosso querido Parnaíba ou Velho Monge, como nos versos de Da Costa e Silva, torna-se quase um igarapé. Mas o Parnaíba, apesar das maldades que lhe fazem e da incúria dos governantes, é um rio forte e bravo; e resistente, insiste em não morrer.

O Gino e o João Miguel comemoravam seus aniversários, ocorridos, respectivamente, nos dias 4 e 5 de maio. O primeiro ficou muito emocionado com um vídeo que lhe foi enviado por seu irmão Nonato (Natim) Freitas, em que este proferiu belas palavras afetivas e fraternas. O Gino, entre outras iguarias, pediu o peixe jaraqui, por não ser conhecido no Piauí; para não sair da rima, repetiu o bordão: “Quem come jaraqui, não sai daqui”. E eu, fingindo um equívoco, continuei no mesmo refrão: “E quem come do jaracá, não sai de cá”. Com isso brindamos e encerramos essa tarde de encantamento, confraternização e beleza.

E, arrematando, para os estilistas esqueléticos, de pretensiosa contenção e rigor, que se autoproclamam avessos ao uso de adjetivos, direi: ao se falar de uma amazônica beleza, de amazônicos rios e florestas, não se pode deixar de usar muitos adjetivos. E aproveito para perguntar: se os adjetivos não devem ser usados, por que diabos teriam sido inventados?