sexta-feira, 23 de setembro de 2016

CONJUNTO DE ESTUFADOS COLONIAL


Em 1980, ainda muito jovem, fui obrigado a casar, pois tinha avançado o sinal – na época, trabalhava numa empresa de revenda de móveis e linha branca (fogão, geladeira, etc.) – comprei o básico “no estado” (com pequenos defeitos) para a formação do novo lar e a espera do bebê – estava na moda o estilo colonial (era caríssimo) – metido a besta, comprei um conjunto de estofados (com três peças) “top” todo em madeira de primeira, acredito que era de mogno, feito para durar “a vida inteira”, sendo necessário, vez e outra, somente mudar apenas o tecido do assento – esse móvel fez história.

Fui morar com a mulher em uma das casas do meu sogro, no bairro da Glória, onde o estufado reinava numa imensa sala de estar – todos admiram aquelas belas peças, pois era grande, ergométrico, proporcionado um total conforto para as visitas e, para o pobre mortal aqui assistir aos meus programas favoritos de televisão.

Em 1982, foi morar no Conjunto dos Jornalistas, na Avenida Constantino Nery – as peças de estofados tomavam quase toda a sala de estar do apartamento, tornando-se incompatível com aquele minúsculo lugar, mesmo assim, ficamos com ele por uns quatro anos.

Nessa altura do campeonato, já tínhamos um casal de filhos sapecas – os curumins riscavam as paredes, quebrando tudo o que encontravam pela frente e, adoravam fazer xixi, riscar de canetas e de lápis coloridos o ex-bonitão conjunto de estufados colonial! Sem chance de ser feliz.

Muito a contragosto, o estufado colonial foi vendido a “preço de banana” para um casal de amigos moradores da Glória, a Ninita (hoje, uma policial civil aposentada) e o Bento (aposentado e dono de uma bar/peixaria, antigo Bar do Quixito, no Conjunto Tocantins).

O casal ficou por mais de vinte anos com o estufado, mesmo morando em apartamento - segundo o meu compadre Bento, o móvel foi cedido a uma prima, pois foi obrigado a comprar um estufado tipo cama, para evitar de uma vez por todas dar o famoso “bafo de Onça” e ouvir os ralhos da Dona Encrenca (quando chegava em casa cheio da birita), resolvendo o problema dormindo na sala de estar.

Passados trinta e seis anos da compra do móvel, o conjunto de estufados colonial voltou a brilhar – uma vizinha da prima do Bento, falou para um amigo arquiteto e, este, muito esperto, ofereceu o móvel para um velho empresário que estava ávido em compor em sua casa de campo com móveis da década de oitenta (somente do estilo colonial).

O Bento foi consultado pela prima sobre o interesse do profissional na aquisição do estufado – na brincadeira, o compadre falou para vender por dois mil reais, que seria dividido meio a meio.

A prima do Bento falou para o cidadão sobre o valor, o marmanjo não falou que sim, nem que não, foi logo tirando a “pacoteira” do bolso da calça e pagou com vinte notas de cem reais.

Na semana passada, encontrei com o Bento lá no Conjunto Tocantins II, na Praça de Alimentação, no Box da Dona Terezinha (ela é minha cliente) – falou-me, todo sorridente, sobre a venda do móvel – disse que iria “torar” os mil reais nas praias do Rio de Janeiro (vai viajar em férias em outubro).

Pelo lucro da venda, o Bento falou-me que eu teria direito a comer diversos peixes fritos regados a ampolas de “bramitas véu de noiva”, tudo 0800.

Ontem, falei com um amigo sobre essa história do conjunto de estofados colonial – o cara é do ramo – falou e disse que o móvel vale a bagatela de seis a dez mil reais.


E agora, José? Como irei falar para o Bento sobre o real valor do móvel? Acho melhor ficar calado, pois ele pode ficar injuriado, atrapalhar as suas férias e, posso até perder o peixe frito e as cervejotas! Eu, hein!  

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

SOU PATRIOTA


Certa vez, postei em minha página do Facebook, uma foto em que apareço com uma camiseta estilizada da nossa bandeira brasileira – vários amigos virtuais gostaram e, um deles chamou-se de patriota, o que me deixou muito feliz, pois amo a minha pátria e procuro servi-la da melhor forma possível.

O patriotismo é o amor a nossa pátria, a consciência dos deveres cívicos e admiração pelas coisas do nosso país – os símbolos patrióticos como a bandeira e o hino nacional expressam essa devoção à pátria.

Acredito que houve um aumento do patriotismo por parte dos brasileiros, com o advento das Olimpíadas em nosso país, onde a grande maioria vestiu-se de amarelo, verde, azul e branco, além de cantarem alegres e satisfeitos o nosso hino nacional.

Tenho um amigo que sabe de cor e salteado o hino francês, porém, não sabe o nosso - vejo muitos jovens com camisas da seleção alemã e até da Argentina – esses caras geralmente falam mal do nosso país e lamentam ter nascido nesse torrão – uma pena, pois o Brasil é o melhor país do mundo e Deus é brasileiro!

Considero-me um patriota e, apesar de ter acabado de entrar na idade feliz, estarei disposto até ir à guerra para defender o nosso país de uma invasão da Amazônia brasileira.

Tenho uma vontade enorme de viajar pelo nosso imenso país, conhecer ainda um pouco mais o interior do meu Estado do Amazonas, depois, as principais cidades das regiões norte e nordeste e, para finalizar, o sul do país.

Adoro o meu país – as nossas tradições; a música popular brasileira; as danças característica de cada região (carimbó, boi bumbá, roda de samba, etc.); as paisagens paradisíacas e, principalmente, a alegria e o bom humor do   povo brasileiro.

Acho o máximo quando a torcida canta nos estádios o grito de guerra: “Eu sou brasileiro, com muito orgulho, com muito amooorrr” – emocionando a todos, mostrando o quanto o brasileiro ama o seu país, apesar dos pesares em que passa, em decorrência da má atuação da maioria dos políticos e dos atuais gestores públicos.

Respeito e boto fé nos jovens brasileiros – espero que eles possam nos orgulhar no futuro, ao colocar nos eixos a coisa pública, o desenvolvimento sustentável,  formando uma sociedade fraterna, pluralista e sem preconceitos e com harmonia social.



É por essa e por outras mais que, bato no peito e digo a todos: Sou Patriota! É isso ai. 

Foto: Maria Eduarda (Duda)

segunda-feira, 12 de setembro de 2016

12 DE SETEMBRO



Era 12 de setembro de 1956, vim ao mundo às 12h45min da madrugada, no Hospital da Santa Casa de Misericórdia, centro antigo de Manaus – a minha saudosa mãezinha, a Dona Nely Soares Fernandes, contou-me certa vez que, ouviu o meu primeiro choro e os badalar dos sinos da Igreja de São Sebastião, onde irei daqui a pouco rezar e agradecer a Deus pela sexagésima passagem natalícia.

Logo ao acordar, olhei para um imenso crucifixo que está na parede do meu quarto de dormir, fiz o sinal da cruz e, por ser católico, rezei o Pai Nosso – ao pisar no chão, agradeci a Deus por estar vivo.

Ao abrir a porta que dá acesso a um pequeno jardim, recebi de presente de aniversário uma dúzia de flores, dado pela mãe natureza (foto). Que bom!

Lembre-me daquela musica “Eu Nasci Há Dez Mil anos Atrás”, do maluco beleza Raul Seixas, pois sou da época em que Manaus terminava no bairro da Chapada.

Tomei banhos no Igarapé de Manaus, Ponte da Bolívia, Cachoeira do Tarumã, Tarumazinho, Ponta Negra e Parque Dez; pulava da Primeira e Segunda Ponte; assistia a filmes nos cines Guarany, Politheama, Avenida e Odeon.

Assiti aos desfiles de carnaval, militar e da abertura do Peladão, na Avenida Eduardo Ribeiro, onde tudo acontecia, pois era a mais charmosa rua de Manaus – onde também admirava os prédios e lugares antigos, como o Ideal Clube, Palacete Miranda Corrêa, Prédio da Saúde, Praça do Congresso, Instituto de Educação, Tribunal de Justiça, Teatro Amazonas, Cine Odeon, Lanchonete A Gogo, Cine Avenida, Loja Credilar Teatro, Jornal dos Acher Pinto, Relógio Municipal, Largo da Matriz, Alfândega, Roadway, Lobrás, Canto do Fuxico, J.G. Araújo, dentre outros.

Na minha infância, não sabia o que era Revolução ou Intervenção Militar, mas, presenciei assustado, a invasão dos militares na residência do governador Plinio Coelho, na Rua Huascar de Figueiredo – tempos depois, na faculdade, foi obrigado a estudar Organização Social Brasileira, ministrada pelos militares – vivi a época da Ditadura Militar.

A minha família era católica, sou filho da Dona Nely e Senhor Rocha (luthier), tenho quatro irmãos, Graciete, Henrique, Rocha Filho e a Kelva - fui batizado na Igreja dos Remédios – fiz a Primeira Comunhão e casei na Igreja de São Sebastião, onde participei de um clube de jovens, a Juventude Franciscana do Amazonas.

Casei e descasei, tendo como fruto desse casamento três filhos, Amanda, Adriana e o Alexandre, que já me deram dois netos, a Maria Eduardo e o Victor Alexandre.

Morei no Igarapé de Manaus, dentro de um flutuante, depois em terra – mudei com a minha família para a Vila Paraíso, entre a Rua Tapajós e a Avenida Getúlio Vargas – ao casar, morei no bairro da Glória e no Conjunto dos Jornalistas, onde ainda mora a minha ex-mulher, uma filha e uma neta – por todos esses lugares conquistei a simpatia e a amizade de centenas de vizinhos, onde tenho um bom relacionamento até hoje.

Trabalhei em várias empresas: Central de Ferragens, Braga & Cia, Importadora Souza Arnaud, Orient Relógios, Casas dos óleos e Mirai Panasonic – todos os meus colegas de trabalho são meus amigos e tenho me relacionado muito bem com muitos deles até hoje.

Estudei nos Colégios Barão do Rio Branco, Divina Providência, Benjamin Constant, IEA e Solón de Lucena, depois, fiz Administração na Universidade Federal do Amazonas – pretendo, ainda, voltar a estudar e concluir o meu Curso de Direito - todos os meus colegas, também, tornaram-se meus amigos e festejamos muito quando nos encontramos.

Vivi e vivo intensamente a minha cidade, tornei-me um boêmio, frequentando os bares e botecos do centro antigo, o Bar do Armando, Bar Caldeira, Jangadeiro, Bar dos Cornos (fechado), Cipriano, Chão de Estrelas, ET-Bar (Bar da Loura) - curto a Banda Independente da Confraria do Armando (BICA) e as escolas de samba de Manaus, principalmente a Aparecida e o Reino Unido.

Adoro as musicas antigas da MPB e dos artistas locais; curto o teatro e as obras de arte dos nossos artistas plásticos; participo dos movimentos sociais (Projeto Jaraqui, SOS Encontro das Águas, dentre outros), além de tirar fotografias, ler jornais antigos e escrever no BLOGDOROCHA.

Tomei todas e ainda tomo algumas cervejas pelos botecos de Manaus - parei de fumar faz anos e, fico feliz por nunca ter provado nenhuma outra droga ilícita, apesar dos meus olhos estarem sempre avermelhados.

Moro, atualmente, na Cidade Nova, próximo a residência do meu filho mais velho, o Alexandre – gosto do bairro, sinto-me como estivesse no interior, onde todos ainda se conhecem pelo nome e se chamam de vizinho (coisa antiga) – faço caminhadas no Centro de Convivência da Família e tenho uma qualidade de vida melhor – pretendo morar em Iranduba, bem próximo a mata amazônica e ao Rio Negro, voltar para as condições bem agradáveis da natureza, parecidas com as da minha infância no Igarapé de Manaus.

Aproveito o momento para fazer um desabafo:

Trabalhei durante vinte anos na empresa Mirai Panasonic, sendo apenas dois com carteira assinada – eles usaram um subterfúgio para driblar a legislação trabalhista e, depois de muitos anos, fui despedido sem direito a nada, sendo forçado a buscar reparação na justiça trabalhista.

Fiz um acordo, porém, o INSS não o reconheceu, negando o meu direito de aposentadoria – recorri à justiça federal, onde perdi por duas vezes, pois o pacto trabalhista foi prejudicial a mim, segundo o meu atual advogado – o jeito foi começar a recolher as contribuições, voltar a trabalhar por conta própria e adiar a merecida aposentadoria para daqui a cinco anos, caso não for mudada a legislação (o governo quebrou a Previdência Social e os trabalhadores é que irão pagar o pato!).

No sábado passado, comemorei antecipadamente o meu aniversário sem falar nada para ninguém (hoje, segunda-feira, é o Dias das Almas, não gosto de “bebemorações”) – encontrei com os velhos amigos no Bar Aroeira, na entrada da Vila Paraíso, depois, fui ao Bar Caldeira, onde ouvi muito chorinho e samba de qualidade, para finalizar, passei no Bar do Armando – no domingo, comemorei em família, onde fiz uma Caldeirada de Tucunaré para os minhas filhas Amanda e Adriana e a neta Duda.

Já plantei várias árvores, contribui para colocar três filhos no mundo e, no futuro próximo, irei publicar dois livros.

Enquanto isso “Deixa a Vida me Levar (vida leva eu!)” – vou me aquietando, deixando um pouco de lado a boemia, a vida agitada da cidade e me preparando para curtir a terceira e última fase: a idade feliz!



É isso ai.


sexta-feira, 9 de setembro de 2016

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sexta-feira, 2 de setembro de 2016

domingo, 28 de agosto de 2016

ZÉ MUNDÃO - TIRANDO A VIRGINIDADE A DOIS


Deveria estar com os seus dezessetes ou dezoitos anos de idade – com os hormônios a flor da pele, impulsionando-o a procurar uma fêmea para plantar uma sementinha e, povoar o mundo – foram momentos difíceis para o Zé Mundão, em decorrência da sua timidez – porém tudo tem a sua primeira vez!

Foi estudar, pela parte da noite, no Colégio Sólon de Lucena, onde teve a oportunidade de conhecer o Klinger, conhecido pela alcunha de Peninha – o cara dominava a língua inglesa; trabalhava no London Bank; tinha um carro velho e grana para o gasto, além de ter um papo de derrubar avião – foi o professor do Zé na arte da sedução da mulherada.

Apesar do apoio do nobre colega, conseguia apenas uns “acochos” e uns beijinhos na bocas das colegas do colégio – não era o suficiente para ele, pois queria ir muito mais além!

Participou de inúmeras festinhas onde os jovens gostavam de fazer em suas residências, com muitas “batidas de leite de tigre”, rock de vinil maneiro e algumas musicas românticas, sendo possível dançar agarradinho com as gatinhas – o safado do “bilau”  do Zé o deixava todo desconcertado!

Ia ao Sheik Club, Banchevia Clube e União Esportiva (Sambão) – dançava, bebia e acochava as cabloquinhas, porém, faltava alguma coisa: sexo! Como é que phode?

Os mais velhos falavam dos “puteiros” – ficavam bem distantes do centro da cidade - onde existiam mulheres bonitas, fogosas e que faziam sexo por dinheiro – se imaginava naquele lugar e, isso o excitava, porém, ficava triste, por não ter dinheiro suficiente para chegar a esses locais de fornicação.

Nesse interim, conseguiu o seu primeiro emprego – o chefe era casado, mas, gostava de “pular o muro” – certa vez, numa sexta-feira à tarde, em pleno expediente, levou-o a um lupanar para tirar a sua virgindade – tomou algumas cevadas e, depois, foi apresentado a umas belas mulheres – o “tesão” do Zé foi a mil RPM, porém, ainda não estava preparado, pois a sua timidez dominou o tempo todo.

Meses depois, guardou uma grana do seu mísero salário de office-boy – o suficiente para o seu objetivo maior: pegar uma ex-donzela; fazer a conjunção carnal; botar o bloco na rua e, tirar a virgindade, não importava o tipo de mulher, podia até ser uma prostituta, tanto faz, como tanto fez!
                                         
Falaram-lhe que existia um prostíbulo conhecido como “Maria Das Patas”, no bairro de São Francisco – numa sexta-feira à noite, rumou para “furar o couro” – chegando lá, encontrou um colega de trabalho – ficaram afim duma bela garçonete, um mulherão, a Rosa Dos Prazeres – o camarada era bom de bom de papo e, conseguiu marcar para o final de expediente com a gata, deixando o Zé de escanteio.

Grudou os olhos em uma jovem baixinha, gordinha e gostosinha, tipo “Raimunda” – no entanto, um cara mais experto, levou-a para fora do clube – ficou desconsolado – o jeito foi partir para uma mulher mais velha, bastante gorda, com a dentadura a mostra, cheia de batom, ruge e pó de arroz – pensem num sufoco do Zé na tentativa da sua primeira vez!

Foi abraçado e beijado na boca, na marra – queria fugir, mas, não tinha escapatória, estava preso em seus imensos braços e peitaços!

Disse que era virgem - nessa, a dona começou a rir e a gozar, literalmente, da cara do Zé - falando alto para todos ouvir, pois era motivo de graça e comemoração tirar a virgindade de um mancebo!

Entrou num minúsculo quarto, apenas com um pequeno luzir de uma lâmpada roxa; cama de solteiro e um balde de água, conhecido com “tcheco-tcheco” – ela apagou o bico de luz, ficando numa escuridão total – somente o Zé e ela, na sua primeira vez!

O Zé ficou injuriado, achou que aquela mulher tinha mais “hora de cama do que urubu de voo” – parecia uma câmara de vácuo, do tipo “foló”, pois apesar do desconhecido para ele, achava que estava navegando bem no meio do Rio Amazonas! Sem chance, para o Zé Mundão!

Depois do martírio “da primeira vez”, estava suado, quase liso e enojado - voltou ao “saloon da putarada” – onde encontrou, novamente, com a gatinha que tinha fugido com um desconhecido.

Sento-se ao seu lado – ela falou que estava chateada por te-lo visto sair do “quarto” com uma velha – o Zé respondeu que estava muito mais injuriado, por ter presenciado sair com um cara.

Ela abaixou a sua cabeça e, sussurrou nos seus ouvidos:

- Na realidade, o fuleiro me levou para tomar uma cerveja bem aqui ao lado da Maria das Patas, fui no papo dele, mas, passei o tempo todo pensando em você e, deixei ele lá – não sou prostituta, essa é a primeira vez em que venho aqui, tô afim mesmo é de tirar a minha virgindade, não aguento mais, o escolhido foi você!

- Caramba, a experiência com aquela mulher não valeu porra nenhuma, pois continuo virgem, também! – respondeu com um sorriso de orelha a orelha.


E assim foi a noite toda até o amanhecer, tirando a virgindade a dois! 

sábado, 20 de agosto de 2016

ZÉ MUNDÃO NO RIO DE JANEIRO EM MIL NOVECENTOS E ANTIGAMENTE (EM HOMENAGEM AS OLIMPÍADAS RIO 2016).


O Zé Mundão teve uma oportunidade ímpar em conhecer lugares mais distantes – saiu pela primeira vez da Amazônia, pegou um avião no Aeroporto Eduardo Gomes e, seguiu para o Rio de Janeiro, com escala em Brasília, era a sua primeira viagem a aquela cidade querida e admirada pelos brasileiros e, em especial, pelos manauaras.

Antes de pouso e, sobrevoando o Rio, lembrou-se daquela musica genial do Tom Jobim, a famosa “Samba do Avião” – “Minha alma canta/Vejo o Rio de Janeiro/Estou morrendo de saudades/Rio, seu mar/Praia sem fim...

O Aeroporto do Galeão (depois,Tom Jobim), na Ilha do Governador, tinha acabado de ser inaugurado, estava novinho em folha
                           

Passou alguns dias no apartamento de uns amigos da sua família, a Norma, Betinha, Dona Antonina, Titá e Miroco - no pé do Morro de Santa Tereza, onde teve a felicidade ímpar de rever os seus amigos amazonenses que estavam morando por lá fazia alguns anos.

Fez os primeiros passeios pela cidade, com a companhia do seu conterrâneo, o Miroco – conheceu algumas ruas do centro, visitou a Central do Brasil; andou em um trem, conhecido como “Trem Japonês”; passou pela Igreja da Penha, situada num penhasco, no Largo da Penha.

No dia seguinte, foi sozinho, conhecer o Cristo Redentor, no Morro do Corcovado – pegou um bondinho, depois, um ônibus, quando chegou lá, a linha férrea do Cosme Velho estava em manutenção, não ficou desanimado, se entrosou com um grupo de jovens e, seguiram a pé até o mirante da estátua.

Gostava de passear pela Praça 15, um lugar histórico da cidade, vez e outra, pegava a
barca Rio/Niterói e, ficava naquela cidade curtindo as suas praias. Certa vez, foi mais longe, pegou um ônibus até o Santuário Porto das Caixas, em Itaboraí, onde rezou e fez uma promessa – efetuou algumas compras, incluindo um imenso crucifixo de madeira para presentear a sua mãe.

Depois de algum tempo, o seu irmão, o Zé Pacú, veio de São Paulo e, foram morar no
apartamento de outra família de amazonenses: Senhor Carlito, Dona Nazaré, Jordan, Mário, Marcos, Junior, Dora e Carlinho, no centro da cidade.

Na realidade, o Zé Mundão não foi ao Rio para fazer turismo, mas, a procura de um tratamento para uma otite média perfurada, em decorrência dos pulos da Ponte Romana I e dos banhos diários no Igarapé de Manaus.

Ficou revoltado com os primeiros atendimentos médicos naquela cidade e, desabafou numa conversa telefônica com os familiares de Manaus:

– Fiz uma consulta com um médico otorrino, ele me aconselhou na maior cara de pau a voltar para a minha taba, pois, segundo ele, o meu caso não tinha jeito. Não desisti, procurei outro médico, o segundo, achou que o meu problema era em decorrência da inflamação da minha amídala, fui hospitalizado e detonaram a do lado esquerdo – não tinha nada ver, pois continuo com o mesmo problema! Depois, fui a uma clinica muito conceituada aqui no Rio, a do Professor Kós, eles fizeram uma bateria de exames e me aconselharam fazer uma urgente cirurgia no ouvido, terei que voltar a Manaus para
conseguir verba suficiente e retornar ao Rio para fazer a tal cirurgia. Mesmo assim, ainda vou dar um tempo por aqui.

O local onde o Zé Mundão morava no centro era considerado a rua onde o “Jogo do Bicho” corria mais solto no Rio - ele ficava olhando da janela do seu apartamento toda aquela movimentação – inclusive, fez amizade com o “olheiro”, um sujeito que ficava com um olho na banca e a outra na polícia, mas, todo dia ele era preso e, solto no mesmo dia, a peso de muita grana.

Tinha por lá um mendigo que morava dentro de uma Kombi velha, aos domingos reunia a rapaziada da rua para jogar “Placa de Carro” (faziam uma linha na rua e cada um apostava nos números de zero a nove, o final da placa que passasse por lá era quem ganhava a grana dos outros), o “kombeiro” ganhava todas, deixando sempre o Zé Mundão liso!

O outro morador de rua era um sujeito conhecido por “Galo”, ele tinha um vozeirão e quando tomava todas, gostava de soltar a voz somente ao amanhecer, acordando todos os moradores com a sua poderosa voz, o apelido dele foi em decorrência desse hábito - o Zé não gostava nem um pouco, pois dormia tarde da noite e, gostava de dormir um pouco mais pela manhã, mas, o Galo não deixava.

Quase todos os seus conterrâneos trabalhavam – o Zé Mundão não fazia nada, graças a uma ajuda financeira que todo mês caia na sua conta bancária, depositada por familiares - aproveitava a sua estada para conhecer a cidade e a sua gente.

Certo dia ficou olhando os aposentados jogarem carteado, na Praça da Cruz Vermelha, em frente ao Hospital do Câncer – entrou no jogo, somente levantando quando ficou liso, indo embora toda a grana que tinha retirado do banco.

Pela parte noite falou com o seu irmão:
- Mano, hoje, fiz a maior besteira, entrei num jogo de cartas com uma velharada que fica o dia todo na praça, pensava que ia ganhar deles, pura enganação, os caras são viciados e acho que usam cartas marcadas para ganhar dos otários que nem eu!

O seu irmão, o Zé Pacú, com cinco anos de praia no Rio, deu o conselho:

- Poxa, esqueci-me de falar para você não entrar em nenhum jogo por aqui, pois é tudo malandragem, tudo combinado, passa bem longe deles, nada de placa de carros, jogo do bicho, carteado nas ruas, nem jogo de dados nas barcaças!

Os conterrâneos do Zé falavam o “carioquês”, muita gíria, usavam roupas da moda carioca e, ele, falava somente o “amazonês” e não estava nem ai para a moda.

Os seus amigos o policiavam para não dar bobeira nem vacilada, para não ser chamado de Zé Mané ou Paraíba, mas, por falar “pelos cotovelos”, não tinha jeito, era uma mancada atrás da outra!

Numa sexta-feira à noite, foram passear em Ipanema, ao pararem em uma lanchonete, o Zé Mundão saiu com a seguinte pérola que matou de vergonha os seus colegas:

- Mano, prepara rapidinho prá mim um Kikão e um suco parrudão de cupuaçu que estou brocadão!

- Cumo é qui é, gente fina? – o garçom questionou, pois não entendeu nada.

Foi o suficiente para os seus amigos manauaras saírem em debandada, deixando o Zé Mundão falando sozinho!

O Zé sempre respeitava o modo de ser do carioca, porém, não permitia que alguém tentasse mudar o seu comportamento de caboclo baré.

Num domingo ensolarado foram à praia – a onda era pegar o ônibus, descalços, de sunga, sem camisa, com uma toalha nos ombros.
Os seus amigos ficavam chateados com o Zé, pois ele não se trajava de forma alguma
daquele jeito - todos se comportavam igual aos cariocas, enquanto ele calçava tênis com soquete, vestia bermudão e camisa tipo polo, além de ficar falando alto um monte de besteiras dentro do ônibus!

Com o passar do tempo, foi fazendo muitas amizades, começou a assimilar o jeito carioca de ser, já estava perdendo o seu jeitão de caboclo da Amazônia e, aprendendo a falar o carioquês, gírias e se vestindo conforme a moda, mas, estava chegando a hora de voltar para a sua terrinha, caso tivesse ficado mais um pouco por lá teria perdido a sua identidade cultural.

Fizeram um bota fora para o Zé Mundão, a despedida foi num boteco da rua em que morava, os seus amigos cariocas já estavam acostumados com ele e lamentavam muito a sua partida. Fez um brinde e um pequeno discurso:

- Volto para a minha cidade com o coração partido, vou guardar para sempre as lembranças do Rio, dos lugares fantásticos que conheci, das lindas praias e da alegria contagiante dos cariocas. Não dou muita atenção ao noticiário que mostra somente a violência que acontece aqui – a mesma coisa é com relação à Amazônia, somente somos notícia na mídia  , quando um barco vai a pique, com dezenas mortes ou quando o assunto é desmatamento e grandes enchentes e vazantes. O que acontece de bom no Rio e em Manaus não é muito mostrado, pois não dá ibope!
Qualquer um dia desses irei voltar, para matar a saudade de vocês, do Maracanã, da Igreja da Candelária, dos Arcos da Lapa e dos Bondinhos, da Biblioteca Nacional, do Teatro Municipal, da Quinta da Boavista, da Lagoa Rodrigo de Freitas, do Aterro do Flamengo, das praias de Ipanema, Prainha, Vermelha e de Copacabana, do Cristo Redentor e do Pão de Açúcar. Um brinde para os meus amigos manauaras e cariocas!


quarta-feira, 17 de agosto de 2016

BLOGDOROCHA: CACHOEIRA ALTA DO TARUMÃ

BLOGDOROCHA: CACHOEIRA ALTA DO TARUMÃ: Os manauaras que já passam dos cinquenta anos, lembram com saudades desse aprazível lugar – onde famílias iam passar os finais de seman...

sábado, 13 de agosto de 2016

SECOS E MOLHADOS


RASTEIRA GERAL - O Arthur (PSDB) é índio,mas não é bobo, não! Pois é, ele sabe de cor e salteado as dicas contidas no livro "O Príncipe", do Maquiavel, principalmente, daquela que não se deve se unir ao seu inimigo (no caso, o Praga do PMDB), mas, semear intrigas para enfraquecê-lo. 
Contrariando a tudo e a todos, foi pedir benção do Príncipe Quem Não Deve Não Temer (PMDB), para selar uma união, deixando o Cadeirudo sem forcas políticas. Nas ultimas pesquisas, o Rotta Exija Seus Direitos (PMDB), apareceu empatado com o alcaide. Nessa, chamou o camarada para uma conversa:
- Meu jovem Rotta, não adianta brigarmos separados pelo comando da Prefeitura - vamos ficar juntos, pois tenho grana saindo pelo ladrão e a maquina do município em minhas mãos. Sai da aba do Dudu! Tem mais: você fica dois anos como vice-prefeito e, em 2018, sairei para governador do nosso Estado, ficando você prefeito por mais dois anos. Topa a parada?
- Na hora, to dentro, meu Rei Arthur! - respondendo o Rotta Pizza BNDES.
Não vai ter para ninguém, mesmo contrariando o turco, o senador Kibe do Aziz (PSD) e o governador Melo Balança Mas Não Cai (PROS).
Agora só falta combinar com o povo (eleitores), pois a rasteira geral já foi dada!

TRISTE A SITUAÇÃO DOS VENEZUELANOS - Estão passando por um desabastecimento total, tudo ocasionado pela política desastrosa do presidente Maduro. Para domar a inflação, aplicou o “controle de preços” - quando beirou o custo de produção ou de compra, as mercadorias sumiram – depois, prendeu os empresários e tentou assumir o comando das indústrias, alegando que estavam sabotando o país. 
A lógica do mercado é vender com lucros, não tem jeito! Ele alega a queda dos preços do barril de petróleo no mercado internacional (o país recebeu trilhões de dólares nos últimos 17 anos) e um golpe de estado orquestrado pelas potências internacionais (papo furado, para enganar os otários). 
Os venezuelanos, famintos, estão invadindo o município roraimense de Pacaraima, para comprar itens básicos. 
Esse Maduro está na corda bamba, pois quando a fome generalizar, ele vai cair de podre! Tem mais: ele é o presidente do MERCOSUL! Se não sabe administrar o seu próprio país, imaginem comandar o bloco sul-americano! 
Apesar de tudo, ainda existem grupos de seguidores desse ditador lá e, também, aqui no Brasil!

REI PELÉ  - O Rei Pele não esta com frescura, não! Ele foi convidado para acender a Pira Olímpica, porem, não tem mais poder para decidir se aceita ou não! 
O nosso astro esta preso a contratos de imagem com a MasterCard, Coca-Cola e outras empresas dos USA. Não houve autorização deles! 
O homem é bilionário, mas, perdeu o poder de livre arbítrio de usar a sua imagem Pele! 
É o poder da grana dominando tudo e a todos!

PRÉ-OLIMPÍADA - Diariamente, o Rio de Janeiro, se expõe as falhas estruturais e de segurança no Rio 2016. 
As Olimpíadas não é do Rio, mas sim, do Brasil, consequentemente, expondo um vexame a todo o nosso pais! 
No entanto, apesar do erro em termos aceitado essa monstruosa empreitada, acredito no sucesso do evento. 
Tem mais, acredito na superação do Rio e do povo brasileiro, pois somos inteligentes, capazes, temos recursos naturais abundantes e, forca para mudar radicalmente os nossos representantes nas próximas eleições!

ALTOS E BAIXOS – Cara,  passei três semanas de pura turbulência, com altos e baixos, sem condições mentais de atualizar o blogdorocha. Hoje, sexta-feira, as coisas começaram a entrar nos trilhos. 
Depois do segundo litrao, voltei a escrever as minhas leseiras para o blog. 
Tudo é uma união: estado de espírito positivo, pesquisas no fundo do baú da memória, motivação e inspiração. Amanha irei postar: As Luzes da Minha Cidade - onde escrevo na introdução de duas laudas: 
"Na minha infância, em Manaus, a cidade era muito escura, em decorrência da deficiência da iluminação publica - chegando a adolescia, comecei a admirar as luzes distantes da Cidade Alta - na a vida adulta, acompanhei o crescimento vertiginoso da cidade, com luminosidades diversas - atualmente, tenho a oportunidade de presenciar o nascer e o por do Sol, as fases da Lua e as luzinhas das residências distantes da zona leste" 
Essa postagem será dedicada aos meus irmãos, netinhos, amigos de rua e a todos os manauaras! 
Depois de publicado no blog, irei disponibilizar no face. Peco desculpas a voces por ser longo em meus comentários no Face! Abraço e um Ótimo Final de Semana!

COISAS DO BRASIL – Em Jutaí, interior do Amazonas, a prefeitura contratou por meio milhão, os chorões Zezé Di Camargo & Luciano, os funcionários públicos botaram para chorar na festa, por estarem com os seus salários atrasados.
Em Brasilia, os Deputados e Senadores irão trabalhar, em agosto, somente 12 dias, recebendo 3 mil por dia, alem de acesso gratuito aos Jogos Olímpicos, podendo levar suas esposas e, amantes. Tudo grátis! 
Em Coari, interior do Amazonas, grande produtor de gás e petróleo, falta combustível para rodar os veículos da prefeitura, por falta de grana, mesmo assim, o alcaide queria comemorar o aniversário da cidade com show pirotécnico e a contratação milionária da dupla caipira Simone & Simaria.
Pensem numa fuleiragem!

EM GREVE! - Trabalhei durante anos liberando mercadorias estrangeiras. O algoz dos despachantes sempre foi o fiscal da RF. 
A grande maioria vem de outros Estados, eles não gostam do calor e da cidade, tratam todo mundo com indiferença; adoram multar as empresas por ínfimos erros, liberam no ultimo dia estipulado na legislação. 
Ganham uma grana preta de salários e, vivem o tempo todo reclamando de tudo e de todos. Para completar, estão em greve!




CLASSIFICADOS
Vendo duas pequenas grandes obras de artistas plásticos amazonenses: Jorge Palheta & Ignácio Evangelista.
BARCO REGIONAL - Óleo sobre tela, 58x70, Ignácio, 2013;
ESOTÉRICO AMAZÔNICO - cartolina, 47x66, Palhetta, 2013.
Os interessados, favor informarem o valor que estão dispostos a adquiri-los. Podem, também, entrar em contato pelo e-mail jmsblogdorocha@gmail.com
São duas pequenas grandes obras - possuem grande valor sentimental, mas, estou disposto a me desfazer por um bom motivo!

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

O RETORNO DAS PASTORINHAS DO LUSO


Fiquei sabendo através do meu amigo José Luiz Silva, Diretor da Via Conta Serviços Contábeis, que o atual Presidente do Luso Sporting Club, o Flávio Vilhena, pretende viabilizar o retorno, em 2017, das Pastorinhas do Luso, em comemoração aos cem anos daquela peça teatral.


O Luso Sporting Club é uma agremiação de portugueses, fundada em 1912 (na Rua Saldanha Marinho), localizada na esquina das ruas Monsenhor Coutinho e Tapajós, centro antigo de Manaus - um bonito casarão remanescente da Belle Époque - pertencia ao seu fundador, o comerciante português Francisco Gomes Rodrigues (segundo os historiadores, foi destruído por uma grande incêndio e, o atual, foi reconstruído em 1936).

 Era de caráter desportivo, disputando o futebol amador manauara, no Parque Amazonense, encerrando a sua participação futebolística em 1934, passando. doravante, a exercer somente atividades sociais para os portugueses radicados em Manaus.  

Em 1917, iniciou uma atividade teatral, conhecidas como “As Pastorinhas do Luso”, uma encenação representando o Auto do Natal, iniciava em dezembro e ia até março do ano seguinte.

No início da minha adolescência, fui morar na Baixada da Vila Paraíso, entre a Avenida Getúlio Vargas e Rua Tapajós, onde tive a oportunidade de frequentar, regularmente, o Teatro Amazonas, Teatro Juvenil e Luso Club.

Não tinha a menor vocação para a encenação teatral, mas, fazia parte dos bastidores das “Pastorinhas do Luso”, na qualidade de ajudante do “Cão do Luso”, fazendo um trabalho pesado, apesar de ser franzino.

Ajudava na alavanca que impulsionava os capetas na saída de alçapão para entrarem em cena – além de colaborar com o enchimento de um cachimbão com pólvoras, onde eram jogados labaredas (língua de fogo) e, também, batendo nos pratos de bateria – era o momento mágico e aterrorizante para o público infantil, que se assustava e se abraçava fortemente nos braços de seus pais.

Segundo o livro “Manaus (1944-1968). Selda Vale da Costa e Ediney Azancoth. – Manaus: Editora Valer/Governo do Amazonas, 2001”, em agosto de 1917 o Teatro do Luso já apresentava as famosas “Pastorinhas”, inclusive, construíram uma escola chamada “João de Deus”, onde era formada a maioria dos artistas.

Um Folheto Informativo denominado “Movimento Luso 2000, lançado em 1997, publicado no citado livro, fazia o seguinte comentário:

” As Pastorinhas, ou Auto do Natal, do Luso, tomava conta do sentimento da cidade. Não havia uma só família que não levasse suas crianças para assistirem ao espetáculo. O anúncio das Pastorinhas era feito pelas próprias personagens que desfilavam pela pacata cidade em cima de um velho caminhão, todo enfeitado, como se fora um palco. As batidas dos pratos de metal despertavam atenção e alvoraçaram a população, mas a personagem que mais se destacava era Lúcifer. O famoso Cão do Luso, todo vermelho, com enorme garfo preto, fez muita criança correr em disparada buscando abrigo no colo dos adultos. Metia medo e sedução”.

Existiam vários atos, porém, o que mais me chamava à atenção era os que tinham a participação do Cão do Luso, por ser a parte mais divertida e aterrorizante!

Dois deles eram assim (conforme o livro da Selda e do Ediney):

A pastora perdida e Lusbel (o Cão do Luso).

A cena representava uma floresta fechada. O Diabo surge do alçapão numa gargalhada satânica.

LUSBEL – Há... Há... Há... Eis-me novamente em campo, prosseguindo no meu intento de em tudo contrariar esse Deus. (Grita para dentro do alçapão): Trinca Ferro!
TRINCA-FERRO (saltando) Pronto! Que ordenais?
LUSBEL – Come-Fogo!
COME-FOGO (saltando): Aqui estou!
LUSBEL – Feiticeiro!
FEITICEIRO – Hi... Hi... Hi...
LUSBEL – Gigantes-das-Trevas Que é isto? Estais amarelo?
TODOS – Nós, amarelos? Nunca!
LUSBEL – Nada de vacilações!
LUSBEL (canta):
No meu reino sou invencível
Lutarei até vencer
Contra Deus e contra tudo,
Far-me-ei obedecer.
TODOS (coro):
Não temer nem recuar.
O inferno nos protege
Em tudo vamos ganhar
LUSBEL:
Do inferno imperador
De minha grei rodeado
Serei sempre insubmisso
Mas não serei humilhado
(Ouve-se ao longe o canto da Pastora Perdida. Os diabos escutam, ocultando-se em seguida)
PASTORA PERDIDA:
Perdida eu vivo nesta solidão
Entregue somente às leis desta sorte
É minha sina. Ó, Deus, tem compaixão
Dá-me forças precisas para enfrentar a morte
Deus do Céu, enviai, por amor de Maria
Um anjo celeste e protetor, que me sirva de guia.
LUSBEL:
Pastora perdida, eu te guiarei
Por lindas estradas
Que meu reino tem
Se queres ser rainha
Diz-me que és minha
Possuo riqueza, sou homem de bem
PASTORA PERDIDA:
Não quero riqueza, nem tua bondade
Quero o meu pastor
Da minha igualdade. Vivo na pobreza
Abandono a riqueza
Eu só queria um guia
Que tivesse piedade.
LUSBEL:
Pois já que me recursas e me fazes sofrer, no reino do inferno tu vais padecer (chamando os infernais):
- Infernais! Amarrem-na e levem-na para o meu reinado para alegrar o nosso festim de hoje. Há... Há... Há... (Desaparece no alçapão).
PASTORA PERDIDA:
- Valei-me, São Miguel!
(São Miguel aparece de espada em punho)
SÃO MIGUEL – Para trás, espíritos infernais
 (São Miguel derrota os diabos e castiga Lusbel)
SÃO MIGUEL – A Cruz Divina quebrará o teu poder e te obrigará a rogar-te no chão (mostra a cruz)...
Agora, sobe ao teu trono para seres castigado e seres transformado em dragão.

As Pastorinhas ficaram em cena por cinquenta anos, os demônios eram encenados pelos portugueses (um deles, foi o José Azevedo, dono das lojas TV Lar), deveria ser muito engraçado a interpretação do “Cão do Luso” com sotaque lusitano - na minha época, todos os atores e atrizes eram brasileiros, dentre eles, o Lapinha e o Lapão (Belisca Lua), o Chaquinha, Walder e Batoré (Soldados Romanos) – esses eram meus vizinhos, além da Nossa Senhora, uma linda atriz que morava no bairro da Matinha.

Todos os atuais sexagenários que moravam nas proximidades do Luso Club, lembram-se daquele momento bonito e marcante - quando encontro com o meu irmão Rocha Filho e os amigos Julinho da Receita, Delfim, Sacy da Pareca, Faraó, dentre outros, sempre lembramos com carinho, respeito e saudade das Pastorinhas do Luso!

Ficarei na expectativa pela volta da peça teatral, pois além de poder frequentar o clube da minha adolescência, levarei os meus netos para assistiram as Pastorinhas do Luso. É isso ai.

Obs. Para conhecer mais sobre as pastorinhas, os interessados devem ler a Dissertação de Mestrado, da Elma Nascimento de Souza: