sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

A banda da Bica sairá dia 26 de janeiro. O tema será “A ARCA DA LAMBANÇA

Letra: Zequinha da Capri.
Música: Atair Sodré / Antônio Luiz.
Arranjo: Beto Beiçola /Armando Burejio.

O Carnaval do arromba
É só na minha Bica
E a arca da lambança balançar (Bis)
Mostrando que vai ter suruba
Na construção da ponte
Que vai lá pra Iranduba

Ai, ai minha Bica ai, ai
Quem pula nessa bica (Refrão)
Cante, grita, nunca saí!

Manaus ô Manaus
Do Sarafa ao Caderudo
Já perdeu a esperança da Belle Époque
Virou arca da lambança

Tem deputado lambanceiro
Tem cascateiro vereador
E é descarado o Zé Meloso
É muita abacaba na fala do governador

Armando disse e a Lurdes confirmou
O Prosamim que o Dudu fez alagou (Bis)
Mas na Bica todo mundo canta
Só um iceberg afunda a arca da lambança

Ai, ai minha Bica ai, ai
Quem pula nessa Bica
Canta, grita, nuca sai.
HISTÓRIA EM RUÍNAS - I PARTE

Fonte:
Revista Empório Cult
Por Alfredo Loureiro e Sebastião Reis
Fotos Fernanda Preto e arquivo Empório

Primeiro, a pesquisa minuciosa. Depois, a investigação em busca do que outrora foi a usina hidrelétrica da Cachoeira Grande, uma das primeiras do País. Descortinar a historia por entre amontoados de palafitas na Rua da Cachoeira, no bairro de São Jorge, em Manaus, é vislumbrar um passado da cidade que se perde diante da poluição. As ruínas imponentes do que restou do prédio, escondidas entre construções toscas que se equilibram sobre toras de madeira às margens do igarapé de águas fétidas, surgem insistindo em ficar.
O passado daquela obra magnífica pode nos ensinar como não construir o futuro. Nos últimos 140 anos, se destruiu de maneira irresponsável aproximadamente 140 quilômetros dos mananciais hídricos que serpenteavam Manaus, O primeiro igarapé a ser aterrado, o igarapé da Manaus Harbour, no centro da cidade. O desastre ambiental motivado pelo habito da população de jogar dejetos e cortar a mata ciliar dos igarapés para obter lenha para a cozinha gerou um problema de grandes proporções, que pode ser resumida na seguinte pergunta: Como dar de beber água para uma população crescente?
O rio Negro, em frente à cidade, nunca foi boa fonte potável pelo cheiro forte e tonalidade escura cor de mel ou, como diziam os antigos, alhambre. Procurou-se uma solução para abastecer de água nas nascentes dos igarapés de Manaus, Castelhana, Cachoeirinha e, por fim, foi escolhido o da Cachoeira Grande, por apresentar as seguintes características: estar próximo a Manaus três quilômetros, ter vazão na estação das chuvas de 80 milhões de litros de água e 8 milhões no tempo da estiagem, dissolver bem o sabão, cozer os legumes e não apresentar vestígios sensíveis de matérias orgânicas ou terrosas em dissolução.
O engenheiro Lauro Batista Bittencourt, projetista da obra, calculou a necessidade de Manaus em 500 mil litros diários. Sendo pouco considerável a queda d’água no lugar escolhido, foi conveniente eleva-la a uma altura suficiente para a distribuição na cidade. Por isso, projetou-se a construção de uma represa com 104,30 metros de comprimento, 3,50 na maior espessura e 3,80 metros na maior altura, em alvenaria de pedra e cimento,
Em um contrato minucioso, ficou prevista também a construção de uma caixa de distribuição, uma rede com encanamento de ferro fundido, aquisição de bombas, turbinas e reservatórios na Praça dos Remédios.
A pedra fundamental para o inicio da construção foi lançada em 1º de julho em 1883. Um ano depois, a barragem esta pronta. Antonio Lopes Mendes, viajante português, visitou o local. Deixou suas impressões no seguinte texto: “Hoje visitamos as obras hidráulicas em execução na Cachoeira Grande. A água é cristalina e potável. Tomamos a picada aberta através da floresta que fica ao norte da cidade e, de lá, avistamos um grande manancial. Ali vimos muitos portugueses que executavam diversos serviços. Estes nossos compatriotas ganham de 2.500 reis a seis mil reis, salário insignificante numa terra onde um ovo de galinha custa 240 reis, uma galinha, seis mil e, em caso de necessidade, 18 e 20 mil reis! E tudo o mais nesta proporção”.
No dia 20 de agosto de 1888 foi feita a primeira experiência com as turbinas, bombas e encanamento principal de nove polegadas, com excelente resultado. No dia 8 de dezembro, foi feita a experiência definitiva e, desde então, a cidade começou a ser abastecida regularmente 10 a 12 horas por dia, elevando até a altura do grande reservatório.
No esforço tecnológico para a construção desta memorável obra de engenharia, se utilizou trem de ferro até a localidade chamada Teju e britadeira para quebrar a pedra em tamanhos regulares para o concreto em cimento Portland. Essa obra foi o maior investimento feito na Região Norte no governo imperial de D. Pedro II.




O BONEQUEIRO PAULO MAMULENGO, ESTÁ 48 HORAS ESTÁ EM GREVE DE FOME, EM FRENTE A SECRETARIA DE SAÚDE DO MUNICÍPIO DE IRANDUBA; CONTINUA SEU PROTESTO PELO NÃO PAGAMENTO DE SEU SALÁRIO ATRASADO HÁ 10 MESES, PELA PREFEITURA MUNICIPAL DE IRANDUBA (PREFEITO NONATO LOPES) DO QUAL É FUNCIONÁRIO CONCURSADO, ONTEM EM ENTREVISTA A RADIO DIFUSORA DO AMAZONAS NO PROGRAMA DO SR. JOSUÉ FILHO, O PREFEITO DECLAROU QUE RESOLVERIA ESTE CASO ATÉ AS NOVE HORAS DA MANHÃ. ATÉ AGORA OS TRAMITES ESTÃO CADA VEZ MAIS ENROLADOS. A SECRETÁRIA DE SAÚDE, VICE-PREFEITA E PRESIDENTE DO PT NO MUNICÍPIO, ROSECLER EBERLY, SEQUER COMPARECE A SUA SECRETARIA.
PASSEM ADIANTE.
OBRIGADO

BOB MEDINA
ANO NOVO

Todos nós esperamos: Novas oportunidades, saúde, realizações, mais união, mais dinheiro, enfim, grandes sonhos, muita esperança e também muitas promessas de automudança.
O ANO SERÁ NOVO E VOCÊ? Seus pensamentos e atitudes serão novos? Sua coragem e determinação serão fortes o bastante, para perseverar e não desistir? Esperar sonhos realizarem passivamente, apenas pela mudança no calendário é como querer ganhar a mega sena acumulada sem jogar.
A chegada de um ano novo é como um portal, um ritual de passagem, fazendo chegar um novo ciclo, uma nova etapa de jornada a cumprir e a viver.
Mas, não basta atravessar o portal. NÃO É O DIA PRIMEIRO DE CADA ANO NOVO QUE MUDA A NOSSA VIDA.
A cada virada de ano festejamos, confraternizamos e pedimos ajuda divina.Alguns rezam, outros fazem rituais, solicitando ao céu, terra e mar, oportunidades e proteção, mas deveríamos pedir também CORAGEM, para mudar o que precisa.
Nos servimos das famosas e populares simpatias, para atrair prosperidade, utilizamos uma série de simbologias, para garantir felicidade.Porém o fundamental, o que não pode mais ser preterido e é o que menos fazemos, é ter convicção de que os grandes responsáveis por nossos destinos: SOMOS NÓS MESMOS.
Somos conseqüências de nossas ações e escolhas. Se você fica feliz em usar branco, amarelo, pular sete ondas, comer sete uvas e outras simpatias, brinque e se divirta, mas não esqueça: O QUE MUDA SUA VIDA SÃO SEUS PENSAMENTOS E ATITUDES E NÃO A COR DO QUE VOCÊ VESTE OU O CALENDÁRIO.
A grande força divina, SEMPRE esteve com você. O que talvez esteja faltando é ATITUDE, sem esperar passivamente soluções mágicas, trabalhar com mais administração ou mesmo, viver de uma forma mais otimista.
Obstáculos, problemas e tristezas, todos nós estamos sujeitos. O IMPORTANTE É COMO NÓS ENFRENTAMOS OS DESAFIOS. Os que falham todos os anos, os acomodados e fatalistas, acreditam ser falta de sorte ou mesmo armação de alguém. Estão sempre reclamando, NÃO PERCEBENDO SER, UMA CONSEQÜÊNCIA DE SUAS ATITUDES.
Pessoas otimistas, determinadas, com boa comunicação e interação com pessoas, enfrentam problemas como obstáculos a serem superados. Jamais desistem refazendo estratégias, não colocam sua felicidade nos braços de outra pessoa, não medem seu sucesso apenas pelo tamanho de sua conta bancária e muito menos, em quantas vezes esteve em evidência.
Trazem um imenso amor e respeito, à vida, as pessoas e ao Deus do seu coração, sem tolher e rotular as pessoas, por escolhas diferentes das suas.
Que a passagem do ano novo se repita diariamente na sua vida a cada manhã, trazendo um novo recomeço, com mais entusiasmo, com mais amor próprio, mais ativação, mais esperança e confiança em você e certamente, como conseqüência de tudo isso, mais saúde e mais alegrias.
Assim você não terá mais dúvidas, de que esta nova oportunidade de aprendizado que é viver, já é uma felicidade! Afinal somos eternos e aqui, é apenas mais uma etapa da infinita jornada da nossa evolução.
Feliz Ano Novo! Feliz passagem para novas atitudes e formas de pensar!
Lilia Barros
Lei de direitos autorais nº. 9610
PALESTRAS E CURSOS COMPORTAMENTAIS MOTIVACIONAIS.

PROGRAMA: TRÊS MINUTOS COM LILIA BARROS – AMAZONAS FM 101.5 / MANAUS - AM Segundas quartas e sextas: 6h35, 12h15 e 20h / Domingos: 9h50.
Horários podem sofrer variações de acordo com a programação e horário de verão
Edição: Ray Áureo e Sandro Abecassis
OFERECIMENTO: Centro de Estudos- Cursos e Palestras 9192 0979/9139 0979
Academia Atala - 3584 4747
Arenito – Arte em acessórios 9112 9402
Sane- Maxi – Controladora de Pragas Urbanas 3233 3666


Muito obrigado ao nosso Secretário de Cultura Robério Braga; parabéns pelo belíssimo Concerto de Natal, no Largo de São Sebastiao, em Manaus.

sábado, 15 de dezembro de 2007
















FELIZ ANIVERSÁRIO AMIGO TÉO!

O Telfanes Marques Pereira, o nosso querido amigo Téo, está chegando aos 70 anos de idade.

Reunirá com os amigos mais íntimos, na Bodega do Téo, para comemorar o seu aniversário.

Conheci o Téo no Bar Caldeira, centro antigo de Manaus. É uma pessoa muito simpática.



Conversar com ele é muito prazeroso, tem uma facilidade impar para tratar de qualquer assunto; as suas palavras são cheias de lirismos, amor e carinho para com todas as pessoas que estão ao seu redor.

Desejo muita paz, saúde e vida longa ao meu amigo Téo!

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

PRAÇA DA SAUDADE

Praça da Saudade

Poema de Carlos Simões

Viva a nossa praça
Que me fez recordar
Tempo de criança quando ia brincar
Na minha adolescência na praça
Sentado no banco com grande emoção
Dedilhar meu amigo violão a cantar
Com alegria e inspiração
Na noite linda iluminada de luar
Colegas em grupo inspirados adorar a canção
Muitos partiram, estão no céu
Com nosso senhor
Passaram-se os anos, a lembrança divina ficou
Colorida na mente, que amada oura vibração
A voz os versos eram uma prece de amor
No espaço vibrava o eco a caminhar
Praça que me faz relembrar os amores
E a primeira namorada que me fez amar
Ainda me lembro da antiga praça
As belas colunas com suas pérgulas
Cobertas com trepadeiras verdejantes a florar
As lidas buganvílias vermelhas a florear
A estatua de Terreiro Aranha reluzia
As cores enfeitavam e coloriam a sua imagem
Valorizando sua memória a contemplar
Praça dos namorados, e visitantes.
Que gostavam de passear
Contemplaram sua beleza a deliciar
Bando de pombos catando
No solo verde colorido
Os passarinhos a cantar
Canteiros, jardins todos enfeitados.
Com flores rosa perfumadas
Domingo tinha retreta
A orquestra vibrando a tocar
O povo alegre ostentoso
A meninada a gostar
A praça era tão linda
Colorida cheia de esplendor
Toda verde a florir
Que fazia sonhar o trovador
Agora só resta tristeza
Que saudade da antiga praça
Era linda de verdade
Sua empolgação, beleza destruída
Foi modificada, ultrajada
Que maldade que fizeram
Com patrimônio histórico
Que triste barbaridade, não pensaram.
Só seu nome não mudou
Foi uma honra histórica
Em seu louvor
Que saudade da gloriosa praça
Era um cartão postal
Que me fez reviver a sua graça
O grande evento
Que encantou com atento
A inspiração fortificou o pensamento
Praça da Saudade
Saudade, tudo é encantamento.
Quem sabe que um dia
Volte a encantar com flores rosa
O aroma das roseiras a perfumar
A minha querida Praça da Saudade
Poderá ser mimosa, graciosa.
Deus ouça ajude o meu lamento
Faça a praça deslumbrar novamente.




quinta-feira, 22 de novembro de 2007





REDE DE DORMIR

A nossa família era constituída pelo papai, mamãe, vovó, duas irmãs e três irmãos. Com exceção dos meus pais, que utilizam a cama de casal, todos os outros usavam a rede de dormir.

Deixei de usá-la somente quando casei, após a separação, voltei para a rede!

Este é um hábito comum na região norte, faz parte da nossa cultura. Na nossa adolescência era comum entre a rapaziada o desejo de conhecer o Rio de Janeiro; quando alguém conseguia viajar pela primeira vez de avião, existia sempre aquela gozação:
- Não adianta levar a rede, pois no avião não existe armador!

Lembro muito bem quando os mais velhos falavam:
– Além da mulher, a coisa melhor do mundo é a zoada da chuva no telhado de zinco, se embalar e coçar a frieira no punho da rede!

Tive um vizinho no Conjunto dos Jornalistas que, certo dia me revelou:
– Ainda não deixei o hábito de usar a rede de dormir, mesmo após o casamento; ato a dita cuja bem cima da cama da mulher, somente desço para ir ao banheiro e dar uma “lamparinada” na velha, depois subo para dormir! É mole! Mas Sobe!

Eis a história da rede:

"A hamaca, sendo rede é um invento dos indígenas da América do Sul, cujo nome de origem é denominada pelos indígenas do Brasil de ini. A palavra rede foi empregada pela primeira vez pelo escrivão da frota de Pedro Alvares Cabral — Pero Vaz de Caminha, em carta à Portugal, onde descrevendo a povoação dos Tupiniquins, seus hábitos e costumes, relata a maneira de dormir, daqueles indígenas: "Foram-se lá todos; e andaram entre eles. E segundo depois diziam, foram bem uma légua e meia a uma povoação, em que haveria nove ou dez casas, as quais diziam que eram tão compridas, cada uma, como esta nau capitaina. E eram de madeira, e das ilhargas de tábuas, e cobertas de palha, de razoável altura; e todas de um só espaço, sem repartição alguma, tinham de dentro muitos esteios; e de esteio a esteio uma rede atada com cabos em cada esteio, altas, em que dormiam". E foram as mulheres dos colonos portugueses que adaptaram a técnica indígena, substituíram o tucum pelo algodão (para render em um tecido mais compacto) e aplicaram varandas e franjas ornamentais. Sua difusão no Nordeste teve a colaboração ativa dos sacerdotes que, espalhando a técnica dos adventícios e entre as gerações que se sucederam tornaram hereditários o artesanato. A rede indígena é tecida em cipó e lianas; as mulheres dos colonos portugueses adaptaram a técnica indígena, passando a fazer redes em tecido compacto e com varandas e franjas ornamentais. A rede durante o Brasil Colônia, foi utilizada também como meio de transporte, sendo nelas, carregados por escravos, os colonos e suas famílias em passeios pela cidade e viagens. O folclorista nordestino Luís da Câmara Cascudo no seu ensaio "Rêde-de-Dormir" faz uma apologia a esta peça domésticas integrante da vida cotidiana das gentes do Norte e Nordeste brasileiros, comparando-a com o leito, e enaltecendo as vantagens da rede: "O leito obriga-nos a tomar seu costume, ajeitando-se nêle, procurando o repouso numa sucessão de posições. A rêde toma o nosso feito, contamina-se com os nossos hábitos, repete, dócil e macia a forma do nosso corpo. A cama é hirta, parada, definitiva. A rêde é acolhedora, compreensiva, coleante, acompanha, tépida e brandamente, todos os caprichos da nossa fadiga e as novidades imprevistas do nosso sossêgo. Desloca-se, encessantemente renovada, à solicitação física do cansaço. Entre ela e a cama, há a distância da solidariedade à resignação". O legado indígena, no que se refere a artefatos, foi de suma importância para a sobrevivência da sociedade brasileira nos primeiros anos do descobrimento e durante toda a época colonial. A bibliografia é bastante vasta a este respeito, mas nada melhor do que transcrever um trecho da obra de Sérgio Buarque de Holanda, Caminhos e Fronteiras, quando o autor revela a importância da rede na capitania de São Paulo no século dezesseis até hoje: "Ao visitar pela Segunda vez a capitania de São Paulo, tendo entrado pelo Registro da Mantiqueira, Saint-Hilaire impressionou-se com a presença de redes de dormir ou descansar em quase todas as habitações que orlavam o caminho. O apego a esse móvel (...) pareceu-lhe dos característicos notáveis da gente paulista, denunciando pronunciada influência dos índios outrora numerosos na região.(...) É sabido que o europeu recém-chegado ao Brasil aceitou o costume indígena sem relutância, e há razão para crer que, nos primeiros tempos, esses leitos maneáveis e portáteis constituiriam objeto de ativo intercâmbio com os naturais da terra.(...) Com as peças de serviço gentio da terra - tamoio, tupinaen, carijó... - introduziram-se também, nas casa paulistas, as cunhãs tecedeiras. E, com elas, os teares de tecer rede, onde a tradição indígena, pouco modificada neste caso, pela influência das técnicas adventícias, tem permanecido até nossos dias.(...) A importância que a rede assume para nossa população colonial prende-se, de algum modo, à própria modalidade dessa população. Em contraste com a cama e mesmo com o simples catre de madeira, trastes sedentários por natureza, e que simbolizam o repouso e a reclusão doméstica, ela pertence tanto ao recesso do lar quanto ao tumulto da praça pública, à morada da vila como ao sertão remoto e rude.(...) O fato é que as redes - redes de dormir ou de transportar - são peças obrigatórias em todos os antigos inventários feitos no sertão".Curioso observar que a rede copiada pelos europeus do século XVI seguiu padrões planos, tal como as camas onde se dorme no sentido do comprimento. na rede indígena, ao contrário, deita-se na diagonal. a rede deve ser frouxamente atada, para nela podermos deitar como se estivéssemos em uma suave bacia com a forma e tamanho do corpo. As linhas longitudinais da rede indígena têm o mesmo comprimento de punho a punho. Quando atamos a rede de maneira frouxa, determinamos uma elipse e uma elipsóide. Quando sentamos no meio da faixa mediana, fixaremos com o nosso peso, aquela faixa que terá a largura de nosso traseiro. Em seguida, se quisermos deitarmos na rede, isso só poderá ser feito com as pernas inclinadas para cima. Mas os dois lados da rede ainda estarão livres. Podemos então deslizar as pernas para um lado e o tórax para o outro, até alcançarmos com todo o corpo a superfície da elipsóide. A direção de repouso entre a crista central e a parede lateral da elipsóide forma um ângulo de aproximadamente 30 graus com relação ao plano vertical dos punhos. Em 1492 e nos anos seguintes os primeiros europeus na América tropical ficaram admirados com o costume indígena de dormir em redes suspensas. Antes da viagem de Colombo, a rede de dormir era desconhecida fora da América, onde reinava desde o México e das ilhas do Caribe até o Sul do Brasil e o Paraguai, da Colômbia a Pernambuco. No século XVI os europeus tiveram a idéia de usar rede de pesacar ou pedaço de lona para dormir, sem levar a sério as instruções práticas de uso e sem antender a qualquer princípio físico. Pensando em dormir no sentido do comprimento, começaram a efetuar os chamados melhoramentos. Muito antes de a palavra aruak humaca transformar-se, por uso popular, na palavra holandesa hangmat (esteira suspensa) ou na alemã Hangematte, a rede indígena oi deformada em esteira esticada, no sentido do comprimento, com as cordas de atar, e no sentido da largura, por duas traves de madeira. Nos navios europeus - e os armadores haviam descoberto que cabiam mais marinheiros por metro cúbico quando estes dormiam em redes - tentou-se de novo melhorar as redes sem resultado, pois ninguém teve a idéia de voltar ao modelo original em tudo superior. A rede de dormir jamais se popularizou nos outros continentes porque o modelo exportado foi o europeu. Na Àfrica levadas pelo português, as redes foram usadas apenas como macas, transportando pessoas doentes, ou durante a sesta. Á noite continuava-se a dormir em esteiras no chão duro, ao alcance de formigas, ratos e cobras. Câmara Cascudo nos dá mais detalhes: A rede dos Bakairi é feita de malhas bastante grossas e tem a forma de um retângulo comprido (2 1/3 m x 1 ¼ m). As linhas longitudinais são atravessadas, com intervalos irregulares (entre 2 e 3,5 cm) pelas transversais; nas malhas pode-se facilmente enfiar o dedo. O tecido é muito simples. Dois fios longitudinais, mas finos, de 1mm de espessura. Deste, em número de quatro, dois correm, ondulados, na frente dos longitudinais, e dois atrás dos mesmos, entre os quais se cruzam. De ambos os lados faz-se um nó com as extremidades dos fios transversais; assim encontram-se, em cada um dos lados compridos, uns 70 nós, feitos com as quatro pontas de fio. O laço que fica livre em cada toco, é enrolado, no meio, por um fio, de maneira a deixar de um lado uma colcheta para receber os cordões com que se pendura a rede. Do outro lado partem, deste ponto fixo – divergindo para a rede, quando esta é armada – os fios longitudinais ainda não cruzados pelos fios da trama numa extensão de 30 a 35 cm.Além desta rede típica, de algodão, existe outra, na qual os cadilhos são formados de cordel de fibra de buriti (Mauritia vinifera, Mart) e os fios da trama são de algodão. Estes fios transversais de algodão são às vezes muito escassos; os Mehinaku deixavam entre eles uma distância de dez a vinte centímetros. As redes de buriti são usadas sobretudo pelas tribos nu-aruak. Os Bakairi mansos do Paratinga também as possuíam; disseram-me que só foram introduzidas entre eles pelo velho Caetano, cacique da aldeia. As redes de fibra de palmeira tinham geralmente comprimento igual ou pouco maior (até 2 ¾ m) que as de algodão, mas uma largura inferior a um metro, de modo que quase não era possível nelas a posição diagonal cômoda, que, com razão, o brasileiro gosta de tomar.Uma terceira modalidade resultava de um emprego mais abundante do algodão. Vimos entre os Auetö todos os graus intermediários entre 6-7 cm, até 1-2 ou mesmo ½ cm de distância entre os fios transversais do algodão. Teciam-nas, finalmente, de modo a ficarem os fios de algodão tão juntos um do outro que encobrissem totalmente a fibra de tucum, constituindo um pano quase tão compacto quanto a lona. Nesse tecido a fibra longitudinal de tucum, com uma largura aproximada de 1,5 mm, era envolvida por dois pares de fios transversais de algodão os quais, entre aquela e o seguinte fio longitudinal, se cruzavam não uma, mas duas vezes. Os lados compridos da rede eram naturalmente orlados de grande número de nós próximos um do outro. Nos quatro cantos as extremidades das madeiras se prolongavam um pouco, terminando em borla. Muitas vezes observam-se nesses tecidos, listas transversais azul-pretas, obtidas, de 40 em 40 cm pela aplicação de algodão tinto. Aliás, todas as redes eram de cor parda. Tanto a de algodão como a de fibra de palmeira, que já por natureza é pardo-clara, tomavam uma cor parda suja pelo contato com o corpo ungido com o vermelho do urucum. As redes de algodão puro constituíam uma especialidade dos Bakairi; também eles já possuíam no Kulisehu, redes de buriti. O pano mais consistente era fabricado pelos Auetö. Eram singulares as redes que os Nahuquá tinham para crianças de pouca idade; consistiam simplesmente num feixe de palha amarrado nas duas extremidades.Essas formas muito variadas de redes estavam em vias de se uniformizarem. Entre os Suyá dominava ainda o antigo costume dos Gê, i. É., dormiam em grandes esteiras de folhas de palmeira; na época da nossa visita estavam começando a adotar a rede; tinham alguns exemplares e também já as fabricavam. Talvez a arte de tecê-las lhes tivesse sido transmitida pelas mulheres trumai que as possuíam. Já depois da viagem de 1884 chamei a atenção para o paralelismo existente entre a região do Xingu e a das Guianas, dizendo que tanto lá como aqui a rede de algodão parecia de origem caraíba, sendo proveniente dos Nuaruaque a de fibra de palmeira. Lembrei também que a essa concordância etnográfica corresponde exatamente a lingüística. Em ambos os casos a técnica nasce da arte de trançar, o que difere é só o material. Os mais atrasados eram os Bakairi, que não possuíam o tecido em forma de pano. Também é notável o fato de que os torçais destes, embora preenchessem completamente o seu fim, eram de confecção menos artística que os das outras tribos. Podia-se observar uma técnica dirigida em igual sentido numa espécie de esteira-crivo. As hastes eram envolvidas, mais ou menos cerradamente, com o fio de algodão, de modo a se obterem esteiras consistentes e rígidas, mas ao mesmo tempo muito movediças, entre as quais se compensava a massa de mandioca para espremer o líquido. Vimos também pedaços de pano empregados para o mesmo fim.



Fonte: http://www.bibvirt.futuro.usp.br/textos/humanas/educacao/tematica/cap15.html http://www.noolhar.com/opovo/delas/105363.html http://www.cce.ufsc.br/~nupill/literatura/carta.html http://www.instituto-camoes.pt/cvc/literaturaingles/litviagens.htm http://www.mre.gov.br/acs/diplomacia/images/foto131.jpg http://jangadabrasil.com.br/setembro13/pa13090b.htm http://jangadabrasil.com.br/novembro15/of15110a.htm acesso em março de 2003 Revista Ciência Hoje, SBPC, nov/dez 1992 página 104 envie seus comentários para abrantes@inpi.gov.br. Esta página não é uma publicação oficial da UNICAMP, seu conteúdo não foi examinado e/ou editado por esta instituição. A responsabilidade por seu conteúdo é exclusivamente do autor.

sábado, 17 de novembro de 2007

O blog do Rogelio - www.rogeliocasado.blogspot.com - publicou alguns artigos e filmes feitos pelos gringos, relacionados com a nossa Amazônia. Leia a perola abaixo e fique com a pulga atrás da orelha.
A AMAZÔNIA DEVE SER INTERNACIONALIZADA
A Amazônia é rica. Além de recursos tradicionais como madeira, produtos não-madeireiros, minérios e água, a região possui também recursos cujos valores ainda estamos aprendendo a apreciar. Como, por exemplo, o maior estoque de biodiversidade do mundo. Com cerca de 6.000.000 km² de extensão, ela abriga entre 10% e 20% de todas as espécies que vivem em nosso planeta.
A floresta remanescente brasileira representa a maior fonte de biodiversidade mundial. Só na Amazônia brasileira existem mais de 10 mil espécies de plantas possíveis de ser utilizadas como insumos em produtos para a saúde e a aplicação cosmética. Entretanto, hoje, a indústria de cosméticos utiliza apenas 135 espécies da Amazônia com princípios ativos ou constituintes.
O que há de errado? Simples. A Amazônia vem sendo tratada como um problema pelos países que a administram quando, na verdade, ela representa a solução para os problemas do mundo. A missão da Arkhos Biotech, além de mostrar os atributos e peculiaridades da Amazônia, é lutar para torná-la efetivamente um bem mundial, o que, na prática, ela sempre foi. Os primeiros produtos explorados na região, as chamadas drogas do sertão , eram para exportação. A Arkhos Biotech acredita que o mundo deve opinar sobre a gestão da Amazônia porque toda a humanidade vem sendo agraciada com seus bens e seus serviços. A Amazônia pode suprir o planeta e ainda assim ter estoque para as futuras gerações. Pode prover serviços e receber pagamento em royalties por regular o clima do mundo. Tudo isso vem sendo discutido mundialmente.
Está claro que, para países como o Brasil, a Amazônia é um fardo difícil de carregar - como demonstram sucessivamente as taxas de desmatamento da Amazônia brasileira. O Brasil sequer investe em pesquisa na Amazônia. Dos 0,65% do PIB brasileiro investido em pesquisa, apenas 2% são canalizados para a região Norte. Os institutos de pesquisa que surgiram nos últimos anos na Amazônia brasileira, a maioria ongs ou entidades sem fins lucrativos, são mantidos com dinheiro dos países desenvolvidos. Hoje, mais de dois terços da produção de conhecimentos sobre a Amazônia são originados em outros países. Além disso, 78% das pesquisas sobre a Amazônia são produzidas por pesquisadores estrangeiros. A internacionalização da Amazônia já é um fato consumado.
Empresas como a Arkhos Biotech estão ajudando a pensar e a fazer o futuro da Amazônia através da tecnologia, ferramenta capaz de garantir o uso racional dos recursos da região. Empresas que investem em pesquisa para o manejo sustentável de recursos, que alocam e transportam matéria-prima sem prejudicar o meio, que podem garantir a origem e o processo de extração de tudo o que comercializam, que fazem parceria com as comunidades locais gerando renda e melhorando a vida das pessoas. A utilização sustentável e sadia do potencial da Amazônia, seja como celeiro de biodiversidade, seja como depósito de carbono, é a única estratégia possível para salvá-la da extinção total.
O futuro do Homem sobre a Terra depende da Amazônia. Por isso, o objetivo da Arkhos Biotech é ajudar a humanidade a usar e a tomar conta da Amazônia.

terça-feira, 6 de novembro de 2007


PAÇO DA LIBERDADE

Após décadas relegadas ao ostracismo, o centro histórico mais antigo de Manaus passou a figurar nas pautas dos governos federal e municipal. Ancorados pelo programa “Monumenta”, que visa restaurar os centros históricos das principais capitais brasileiras, a ação – que em Manaus é executada pela prefeitura através da Manaustur – chegou a uma das belas relíquias da cidade: O Paço da Liberdade, que no século passado foi o antigo palácio provincial, depois palácio dos governadores da republica, câmara municipal e, finalmente, sede da prefeitura.
Construído entre 1874 e 1884, o Paço é um complexo predial que fica entre as ruas Bernardo Ramos e 7 de Setembro, do qual faz parte ainda a arborizada praça D. Pedro I. Executado em etapas, o monumento reúne dois séculos em um mesmo prédio, já que foi ampliado no século XX.
Com linhas sóbrias e elegantes, ele exibe em sua fachada toda a imponência das construções de uma Manaus rica e suntuosa. Possui escadaria e quatro colunas em estilo dórico que sustentam o frontão, ambos em mármore de carrara. Os janelões e porta de acesso são moldurados com o mesmo material. NO piso do vão de entrada, há um mosaico em malha portuguesa, evidenciando a mistura de estilos. No teto, telhas de barro que além de funcionais são esteticamente bonitas e adequadas com as linhas da construção.
Mas, se o Paço da Liberdade impressiona pelo estilo de sua fachada, é dentro dele, com a recuperação que está sendo executada, que o visitante tem uma idéia de como a arquitetura daquele período conjugava bom gosto e conforto. Com pé direito de 6,15m em média, seus ambientes não retêm temperatura e o forro é vazado para ajudar na ventilação; dado valioso quando o assunto é observar a evolução das construções da cidade.
Alem disso, o avançar da restauração está revelando outros detalhes preciosos. “Investigamos o estado atual de conservação e descobrimos aproximadamente quatro camadas de tinta; descobrimos que a cor original do prédio é ocre, igual ao da antiga Assembléia Legislativa do Estado”, informar a arquiteta Roseane Almeida, coordenadora do projeto de recuperação.
Ela também explica sobre a descoberta de diversas pinturas que adornavam o interior do Paço. “Aquela época, se fazia uma arquitetura contemplativa, mas, com o passar dos anos, o prédio foi tendo diversos usos e esses detalhes foram deixados à margem. Essas pinturas, assim como o forro – que era em papel marche – obedeciam a um padrão europeu; apesar do esforço, muita coisa está bastante deteriorada e não poderemos recuperar tudo”, lamente.
Como toda intervenção em patrimônio histórico apresenta curiosidades, no antigo palácio da província não poderia ser diferente. “Encontramos uma telha original daquele período que é chamada de catacanal; depois de uma avaliação técnica, fora, feitas copias nas olarias do Estado e elas estão de volta à cobertura do prédio”, comemora.
Obra-prima fincada no centro da cidade e na historia do Amazonas, o Paço da Liberdade merece o tratamento delicado que o Monumenta está realizando, afinal, é com “passos” como esses que Manaus pode preservar sua memória.

Mencius Melo
Especial para Em Tempo

sexta-feira, 2 de novembro de 2007






FUSQUINHA - MEU ETERNO AMOR!

Comecei a paquerar o meu fusca no ano de 1976, consegui casar em 1979 e, separei em 1989, foram 10 anos de uma bela convivência.

Trabalhei na empresa chamada “Importadora Souza Arnaud”, situada à Rua Marechal Deodoro; o fusquinha da minha paixão pertencia a minha colega Conceição Kramer; era da safra de 75; depois foi vendido para outro colega de trabalho, o contador José Antonio e, em 79 consegui comprá-lo, sendo uma parte à vista e outra financiada pelo Banco Safra, penei muito para pagar as prestações, por isso passei a chamá-lo de “Suado”.

A placa ZD-1307 serviu de inspiração para um vizinho ganhar uma vez a milhar no jogo do bicho. Foi uma década de grandes emoções a bordo do meu fusquinha; quando era solteiro fui dezenas de vezes para os lupanares “Saramandaia” e “Posto 5”, se o deixasse no piloto automático, com certeza iria direto para o bordel!

Trabalhava durante o dia e estuda a noite, serviu de condução para ir e vir da faculdade; namorei nos seus bancos; fui de Paletó e Gravata para o meu casamento, na Igreja de São Sebastião; fui de Beca para a minha formatura, no Teatro Amazonas; levava os meus filhos para passear nos finais de semana e tomar banho no Tarumã e na Ponte da Bolívia.

Na vida real de marido e mulher, as dificuldades financeiras atrapalham o relacionamento do casal; e o meu com o fusquinha foi inegavelmente afetado, não podia mais cuidar da sua aparência física e dos seus órgãos vitais - o motor e a caixa de marcha – fui obrigado a vendê-lo para o meu compradre Acácio, que o recuperou totalmente, trocaram até o numero da placa, em decorrência da inclusão de mais uma letra na sua composição; depois vendeu para um sujeito desconhecido e sumiu da minha vista.

Não sei se ainda roda ou se foi parar no cemitério dos carros, qualquer um dia desses irei contratar um detetive para desvendar o seu paradeiro.

Certa vez, fiquei muito emocionado, com o reencontro do Fusca JWJ-7694 com o seu primeiro amor, o médico Rogelio Casado, no Largo de São Sebastião, fiz até um curta de 1 minuto.

Estou com muitas saudades do meu fusquinha! Quem sabe num belo dia, ainda poderemos reatar o nosso casamento e curtirmos juntos a nossa aposentadoria, dando umas voltas pela nossa Manaus Antiga, estacionado uma vez e outra no Bar do Armando, para tomar uma cerveja, saborear um pernil e ouvir jazz de vinil na vitrola 3 em 1 do portuga, por sinal, outro apaixonado pelo seu Fusca azul celestial.


O FUSCA NO BRASIL

O primeiro Volkswagen brasileiro foi lançado em 1959, obedecendo, com poucas modificações, ao do projeto de Ferdinand Porsche, lançado na Alemanha vintes anos antes.

A origem do nome Fusca está relacionada com a pronúncia alemã da palavra Volkswagen. O nome da letra V em alemão é "fau" e o W é "vê". Ao abreviar a palavra Volkswagen para VW, os alemães falavam "fauvê". Logo que o Fusca foi lançado na Alemanha, ficou comum a frase "Isto é um VW" ("Das ist ein VW"). A abreviação alemã "fauvê" logo se transforma em "fulque" e "fulca". "Desde que começaram a circular os primeiros Volkswagens, em 1950. também apareceu a corruptela da palavra Volkswagen passando pela influência da colônia alemã",-- explica Alexander Gromow para o Jornal do Brasil de 7 de agosto de 1993 - "Em Curitiba se fala "fuqui" e em Porto Alegre é "fuca", acrescenta Gromow. "Mas em São Paulo, talvez por uma questão de fonética, acrescentaram o "S" na palavra e o Volkswagen virou Fusca."

Em 1967, a Volkswagen adota um motor de 1.3 no lugar do antigo 1.2. Nas propagandas, apareciam os carros com uma cauda de tigre saindo da traseira em alusão a maior potência (44cv contra os antigos 36cv).

Vale notar que durante esta época o Fusca gerou vários derivados no mercado nacional, tais como o Vw 1600, o TL, a Variant, o Karmann Ghia TC, o SP2, a Variant II, o Brasília e o Gol

Em 1973 foi o último ano dos fuscas com entrada de refrigeração atrás da janela traseira.

O fusca 1500 durou de 1970 até 1975. Em 1974 foi introduzido o "Bizorrão", o fusca 1600-S com carburação dupla e rodas aro 14.
Em 1979, há uma alteração no modelo e as lanternas traseiras passam a ser maiores, e passam a ser chamadas "Fafá", em alusão aos grandes seios da cantora Fafá de Belém.

Em 1983, a empresa resolveu rebatizar o modelo no Brasil, adotando o nome que se tornara popular, Fusca. Até então o automóvel era oficialmente denominado VW Sedan nos registros dos Detrans.
A Volkswagen desistiu de fabricá-lo em 1986, alegando que era um modelo muito obsoleto.

Em 1993, por sugestão do presidente Itamar Franco a empresa volta a fabricar o modelo. Itamar queria a fabricação de carros populares, e sugeriu que o Brasil precisava de um carro como o Fusca. Foi feita então a lei do carro popular, que previa isenções de impostos para os carros com motor 1.0, e o Fusca, embora fosse 1.6, foi incluído.

A empresa deixou de produzir o carro em 1996, com uma série especial denominada série ouro

quinta-feira, 1 de novembro de 2007

Solicito aos nobres leitores do meu blog, a gentileza de colaborarem com o ilustre estudante de Geografia da UFAM, abaixo citado, fornecendo material fotográfico do Igarapé de Manaus, para o seu trabalho de iniciação científica.


Levantamento bibliográfico!‏

De: Waldemir Rodrigues -
waldemir_rodrigues@yahoo.com.br

- Olá José Martins! Tomei ciência do seu blog na internet e gostaria de parabenizá-lo por ter essa iniciativa de se preocupar de uma certa forma em trazer para o presente fatos históricos que se remetem à cidade de Manaus. É interessante a forma como você se lembra dos tempos em que freqüentava os campeonatos de remos que ocorriam no igarapé de Manaus. Estou fazendo um projeto de Iniciação Científica e sou aluno do curso de Geografia da UFAM. Gostaria de saber se você tem ou conhece pessoas que possam ter fotografias antigas dos igarapés de Manaus. Essas imagens vão me ajudar bastante porque a pesquisa que estou desenvolvendo é sobre os igarapés de Manaus.
Certo de contar com a sua colaboração, desde já agradeço a sua compreensão!

sexta-feira, 10 de agosto de 2007

ANAVILHANAS


ANAVILHANAS

Localizado no rio Negro, o arquipélago das Anavilhanas é formado por cerca de 400 ilhas dispostas em forma de corrente abrigando complexos e delicados ecossistemas da Amazônia. A região é protegida pela legislação federal que criou a Estação Ecológica de Anavilhanas com 350 mil hectares. No período das cheias do rio Negro, entre novembro e abril, metade das ilhas fica submersa enquanto os animais se refugiam nas partes mais altas. Quando inicia a vazante das águas das ilhas revelam praias e canais que entrecortam toda a região com uma malha distribuída ao longo de aproximadamente 90 quilômetros. A região de Anavilhanas está situada próxima ao Parque Nacional do Jaú, a maior reserva florestas da América do Sul, com 2,27 milhões de hectares, também banhada pelo rio Negro. Possui fauna e flora riquíssima e animais ameaçados de extinção como o peixe-boi e a ariranha. A localidade mais próxima é a singela cidade de Novo Airão. Em todo o Estado existem outros parques nacionais, como o do Pico da Neblina e o Parque Nacional da Amazônia. Situado no extremo norte, o Parque do Pico da Neblina abriga um conjunto de montanhas e o mais alto ponto do país, com 3.014 metros de altura e possui 2,20 milhões de hectares. Já o Parque Nacional da Amazônia tem uma pequena fatia de terra no Estado e a sua beleza é proporcionada pelo rio Tapajós. Próximo a Manaus há o Parque Ecológico do Lago January.
SEC/AM.

sexta-feira, 3 de agosto de 2007

PRAÇA DO CONGRESSO

Esta Praça faz parte da minha infância, adolescência e adulta. Estudei no Colégio Divina Providencia, atual Uninorte; da janela da sala de aula presenciei a demolição do Palacete do empresário Maximino Corrêa, construíram no local um espigão com o mesmo nome; segundo relatos da minha saudosa mãe, o meu bisavo trabalhou como carpinteiro na confecção dos portas do Palacete. Acompanhei também a demolição do Prédio da Saúde, construíram um outro de mau gosto, para abrigar os Correios.

Alguns anos depois, fui estudar no Colégio Benjamim Constant, começaram as paqueras na praça e as rodadas de sorvetes no Pinguin; posteriormente fui estudar no Instituto de Educação do Amazonas, comecei a freqüentar o Bar Pinguin, nesta altura do campeonato, já rolava umas cervejas. Fiz o terceiro grau na Faculdade de Estudos Sociais, ficava próximo a praça.

Tudo girava no entormo da praça: nasci no Hospital da Santa Casa de Misericórdia; estudei em colégios e faculdade proximo da praça; divertia-me no Luso Sporting Club e no Clube Juvenil; bebericava e paquerava na praça; babava das festas promovidas pelos bacanas no Ideal Club; presenciava os desfiles de Carnaval, 7 de Setembro e Peladão; a minha formatura foi no Teatro Amazonas e casei na Igreja de São Sebastião.

quinta-feira, 2 de agosto de 2007

O QUINTAL DO DURAU

No final dos anos 50, iníco dos 60 existia um terreno bastante amplo na Rua Igarapé de Manaus, entre as ruas Lauro Cavalcante e Huascar de Figueiredo.

O mesmo pertencia a uma família de origem Síria, tendo como patriarca o Sr. Marcelino, comerciante de miudezas na Av. Joaquim Nabuco.

Para deleite da garotada da época, o terreno era tomado de árvores frutíferas: açaí, biribá, graviola, goiaba, pitomba, tucumã, tamarindo, pajurá, etc.. Mas o que chamava mais atenção eram as mangueiras!!

Havia mangas de várias espécies, tais como: manga rosa, manga espada, manga massa, manguita, etc.

A molecada ficava todas às tardes na espreita, tentando adentrar ao terreno para colher as mangas caídas, porém o mesmo era vigiado pelo Durau (filho do Marcelino, que nunca aprendeu a falar português), A Neide (filha) e por um cachorro bravo.

Quando a garotada entrava no terreno e era descoberto, além de devolver as frutas apanhava do Durau de galho de goiabeira!

Em vista disso a molecada montou uma estratégia para roubar as mangas: entravam no terreno à noite, quando todos dormiam!

A farra acabou quando descobriram que à noite, no local, aparecia uma visagem (alma), da finada Dundum, ex-mulher do Marcelino.

Todos ficaram apavorados com a história da visagem, e nuca mais entraram lá à noite.

Tempos depois se soube que a alma fora uma invenção dos moradores mais velhos, que pela manhã bem cedo, iam ao terreno e enchiam as cestas de mangas!
José Rocha Martins Filho

quinta-feira, 26 de julho de 2007


A MINHA PONTE
A minha ponte fica na Sete de Setembro, a famosa 1ª Ponte, possui o nome oficial de Ponte Romana I.

Aos domingos, a meninada da Rua Igarapés de Manaus, pulava da ponte; alguns se atreviam em pular de cabeça, certa vez tentei fazer igual aos outros, porem caí de peito, nunca mais tentei.

Na enchente, ficávamos brincando de bóia (tora de madeira), parávamos sempre embaixo da ponte, para escrever algumas coisas no teto; na vazante, ficávamos a observar lá de baixo o que tínhamos escritos, sempre acontecia alguma briga, pois os registros eram sempre zombando de alguém da rua.

A nossa brincadeira parava somente ao meio-dia, pois chegava a hora do almoço e de correr para assistir aos filmes no inesquecível Cine Guarani.

A minha ponte era famosa, até a década de 50 eram realizadas competições de remo, não alcancei esse tempo, conheci somente o Flutuante Clube do Remo; os Bondes passavam por lá, também não o conheci, somente os trilhos. O Palácio Rio Negro, a sede do governo estadual ficava lá, permitiam entrar somente no Dia das Crianças e no aniversario do governador.

A minha ponte está abandonada, não existe mais enchente, fizeram uma barragem lá na margem do Rio Negro, chamam de Manaus Moderna, acabaram com a Veneza dos Trópicos, restou somente um esgoto a céu aberto, desmontaram até a casa da Gaivota (uma senhora solitária que construiu uma obra-prima da engenharia, toda de material reciclado), ficava bem no meio do igarapé. Outro que se mandou foi o governador, foi lá pras bandas do Tarumã, o Palacete virou Centro Cultural.

Falar para os nossos filhos e netos que ali já foi um balneário aprazível, com certeza irão lamentar muito, pois o mais próximo (sem poluição) fica lá na outra margem do Rio Negro.

A minha Ponte, continua sendo a minha Ponte, a Ponte da minha infância, das minhas brincadeiras, das minhas ilusões!

quarta-feira, 25 de julho de 2007


O BOI DE PANO DO WALDIR

Na primeira metade dos anos 60 o boi-bumbá era a estrela do Festival Folclórico do Amazonas, realizado todos os anos no Estádio General Osório. Naquela época existia uma grande rivalidade entre os bois Corre Campo (Cachoeirinha) e Tira Prosa (Educandos), com torcidas também rivais.

Havia um sujeito que morava na Cachoeirinha, cujo apelido era "Terretifun" (até hoje não sei seu nome verdadeiro), que além de fazer parte do bumbá Corre Campo era fanático pelas toadas da época.

Apesar de morar na Cachoeirinha, Terretifun passava o tempo todo na Rua Igarapé de Manaus, cantarolando suas toadas.

Terretifun deu a idéia e o Waldir Viana concordou em fundar um boi na Rua Igarapé de Manaus.

O boi foi confeccionado no porão da casa do Sarto(nego mau), com ajuda do Rochinha do violão que forneceu a madeira leve e ajudou na compra das fantasias.O boi era bonito, com exceção da cabeça que mais parecia a cabeça de outro animal.

O boi vivia de donativos das famílias quando fazia suas apresentações. O bom de tudo é que além do donativo (venda da língua do boi), a dona da casa fornecia iguarias da época aos brincantes!!!!!

Certa vez, o boi se apresentava em uma casa na Rua Ipixuna, entre a Rua Major Gabriel e a Emílio Moreira, naquele dia a comida servida era pouca, e foi levada à mesa no meio da apresentação do boi.

A meninada dançando passava perto da mesa e enchia a boca e os bolsos de doces e salgados.

O Júlio Goiaba (filho do Goiaba nacionalino), por ser um exímio dançarino era o miolo (tripa) do boi, e não podia pegar nada para comer, pois estava embaixo dele e apenas olhava pela abertura lateral e gritava:
Deixem p!ra. mim!! deixem p!ra mim!!

Mesmo ouvindo os gritos do miolo ninguém obedeceu.

Terminada a apresentação não havia mais nada para o Júlio comer. Ele ficou indignado, jogou o boi no chão, foi para casa e saiu p. da vida falando que nunca mais ia ser miolo do boi. ah, ah, ah, ah, ah.

José Rocha Martins Filho


segunda-feira, 23 de julho de 2007






Aos domingos, uma turma se reune no Bar Caldeira, Centro de Manaus, para bebericar, tocar, cantar e comemorar aniversários . Ontem recebí do cantor Carlos Simões, uma xerocópia de uma matéria publicada no Diário da Tarde, ao qual reproduzo abaixo:

NOITADA ALEGRE NA DIFUSORA

Publicado no Diário da Tarde (Administração e Oficina na Avenida Eduardo Ribeiro, 556, Direção de Aguinaldo Archer Pinto), Manaus – Sábado, 4 de março de 1950.

Reinicio das audições de “Tem Gato na Tuba”, o mais alegre programa do radio caboclo.
· Divertimento e bom humor;
· Desfile de valores do quadro da “mais poderosa”;
· Distribuição de brindes;
· Um prêmio de cem cruzeiros para o calouro colocado em primeiro lugar;


Apresentação dos seguintes astros e estrelas da S-8:


. Orsine Marques
· Isinha Toscano
· Anízio Silva
· Neuza Ignez
· Carlos Simões
· Grace Moema
· Cancioneiros da Lua
· Regional Mariuá com Toinho e ritmo.

Dentro de mais algumas horas, o público amazonense terá para seu bom gosto, o reinicio do mais alegre programa do rádio caboclo, que é sem dúvida alguma. “TEM GATO NA TUBA” o popular cartaz da emissora cabocla, para selecionar novos valores, que integrarão o quadro da emissora da Rua Joaquim Sarmento. Os dirigentes da ZYS-8, tudo tem feito, a fim de proporcionar aos seus milhares de ouvintes e freqüentadores do seu auditório, audições bastante movimentadas, para o bom gosto de todos. Assim sendo, hoje, a partir das 21 horas e 30 minutos, assistiremos a primeira apresentação, nessa nova fase, dos programas “Tem Gato na Tuba”, como sempre, alegre e divertida. Antes do desfile dos calouros, teremos uma brilhante parada de “astros” e “estrelas” da “constelação” S-8. Os acompanhamentos estarão a cargo do famoso Regional Mariuá com Toinho e ritmo. Para o calouro colocado em primeiro lugar será conferido um premio de cem cruzeiros e para os demais colocados, brindes, gentileza de importantes firmas da praça, que colaboram para o maior brilhantismo da noite de hoje, na Radio Difusora, os ingressos são numerados e estão a venda nos escritórios da Difusora a rua Joaquim Nabuco.

sexta-feira, 20 de julho de 2007

A Secretaria Municipal de Cultura, da PMM, lançou um Edital contendo um concurso para premiar o melhor trabalho sobre os bairros de Manaus. Infelizmente não irei participar, pois sempre morei no centro de Manaus e, somente conheço um pouco da historia das Ruas Igarapé de Manaus, Huascar de Figueiredo, Lauro Cavalcante, Ipixuna, Major Gabriel e Sete de Setembro; de qualquer forma, irei contar as historias dessas ruas, contando com a colaboração de vários colegas de rua, citarei alguns: Rochinha Galinha Preta, José Bombom Negrita, Henrique Pacu, Rogério Dias Português, Beto Carro Velho, Sarto Nego Mau, Pingo, Mal Feito a Martelo, Tico, Neno, Waldir Perna Torta, Zeca Pagodinho, Firmino Bolero e Gilson. Iremos comentar sobre As Bolachas, Dona Uchoa, Zé Inácio, Sr. Artur, Forró da Maria Belém, Casa da Gaivota, Sr. Goiaba Nacionalino Doente ,O Misterioso Dural, Os Circos do Sarto e do Aluisio, As 3 Pontes da 7, Banhos de Igarapé, Os Carroceiros, Rocha do Violão , Dona Pátria, Futebol na Várzea, Brigas Igarapé X Major Gabriel, etc. A primeira contribuição vem do Rochinha, vamos voltar a década de 60!




AS CARROÇAS E OS CARROCEIROS

José Rocha Martins Filho *


No início dos anos 60 havia um meio de transporte em Manaus denominado CARROÇA.

Conheci alguns carroceiros da época que moravam no igarapé de Manaus. Todos vieram do Nordeste, principalmente do Rio Grande Norte.

Como não tinham qualificação e, mesmo naquela época não havia oportunidades de trabalho, optaram pela carroça.

O Transporte era feito de restos de camionete ou pequenos caminhões, principalmente das rodas e o eixo, onde assentavam uma caixa de madeira para as cargas de mercadorias ou pessoas.

às 5 da tarde eles chegavam no Igarapé de Manaus, vindo pela Rua Lauro Cavalcante, depois de um dia de trabalho no Mercadão Adolpho Lisboa, eles vinham um após outro : Manoel Hilário, João Batista e Expedito.

A garotada corria para morcegar (pegar carona) das carroças. Era uma festa. Quando os carroceiros faziam um trocado bom no dia, vinham todos sorridentes e deixavam a molecada toda morcegar. Enchiam a carroça de meninos desde a Rua Lauro Cavalcante até a estribaria, situado em um terreno baldio, próximo a Rua Huascar de Figueiredo. Porém quando o apurado era ruim eles chegavam de mau humor, e quem se atrevesse em morcegar era açoitado pelo chicote deles. Ah! ah! ah! ah!


(*) O autor nasceu em Manaus, na Rua Igarapé de Manaus; formado pela UFAM em Ciências Contábeis.

quarta-feira, 18 de julho de 2007

Praca da Saudade, Portal Amazonia



Batizada pelo povo de Saudade, a praça 5 de Setembro data do início do século passado. Construída na quadra formada pelas ruas Ferreira Pena, Ramos Ferreira, Simão Bolívar e avenida Epaminondas, em plena área central da cidade. Conforme a Carta Cadastral da cidade, a área ocupada pela praça era bem mais ampla, à época do governo Eduardo Ribeiro, desde o antigo cemitério velho chamado de São José (nome também do primeiro bairro de Manaus) - localizado onde atualmente é a sede do Atlético Rio Negro Clube até o Instituto de Educação do Amazonas (local onde seria construído o palácio do governo).Um dado curioso da praça registra que na época do governo provincial do Presidente Francisco José Furtado em 1858, o cemitério foi cercado, a praça não passava de um largo com pouca arborização. Então em 1865, foi proposta pela Câmara Municipal a construção da praça e a proposta de se oficializar o nome de praça da Saudade. Não existe nenhum documento que comprove se foi ou não aprovado o nome. O que se sabe é que o povo acabou consagrando o lugar com o nome de Saudade.Outro fato ligado a praça diz respeito à construção do monumento em homenagem a Tenreiro Aranha. A construção do monumento foi uma proposta do vereador Silvério Nery, em 11 de maio de 1883, na época o Presidente da Província era José Lustosa da Cunha Paranaguá. De acordo com registros documentais, a praça veio somente a adquirir corpo e forma em 1932, na gestão de Emmanuel Morais com a construção de jardins. O cemitério nesta época já havia sido fechado. Após a demolição, os restos mortais que haviam no local foram transferidos para o São João Batista. O projeto para a nova obra era a construção do horto municipal com exemplares de todas as palmeiras do vale amazônico. O nome de Largo ou praça da Saudade foi batizado pelo povo talvez por está localizada bem em frente ao cemitério de São José, que também emprestava nome ao bairro. A praça foi aberta em 1865, bem depois da construção do cemitério. De acordo com pesquisas do historiador Mário Ypiranga, o nome da praça pode ter sido também devido a presença de um espanhol de sobrenome “Saudade” ou de um negro que viveu por volta de 1837, morador da área vizinha à praça, de nome José Pedro Saudade. O negro devia ser um escravo de forro, devido aos bens que possuía. O nome oficial de praça 5 de Setembro, portanto é em homenagem a data da elevação do Amazonas à categoria de Província e uma homenagem a Tenreiro Aranha que tanto lutou pela emancipação do Grão-Pará. Portanto, o nome oficial nunca se tornou popular.O certo é que mesmo o nome oficial estando inscrito na placa da estátua de Tenreiro Aranha, o manauense a conhece apenas por praça da Saudade.Portal Amazônia12.01.2006-GC




Atlético Rio Negro Clube (Manaus)

Alcunha
Barriga Preta

Fundação
13 de Novembro de 1913

Presidente
Eymar Gondim Pereira
treinador = Luiz Carlos Martins (Juniores) liga =
Campeonato Amazonense


Atlético Rio Negro Clube é um clube de futebol da cidade de Manaus (Amazonas). Seu apelido é “Barriga Preta”, em alusão ao seu uniforme número 1: camisa branca com uma faixa horizontal preta .Seu mascote é um galo carijó. A sede do clube fica na Avenida Epaminondas, 570, Centro.Ocupa a 70ª colocação no Ranking Oficial da CBF. É o clube mais tradicional do Amazonas, fundado em 13 de novembro de 1913, o Rio Negro é o clube símbolo da aristocracia manauara, dono da segunda maior torcida do Amazonas, e o segundo maior vencedor do Campeonato amazonense em toda a história. A diferença entre o Rio Negro e o seu rival é que seus títulos jamais foram contestados judicialmente, sempre foram ganhos dentro de campo ao contrário do rival que chegou a não ir a campo em 1982 pra tentar conquistar o título nos tribunais. O Rio Negro é uma das três equipes amazonense que já jogaram na principal divisão do futebol brasileiro. O único clube amazonense que possui títulos em todas as modalidades esportivas. Possui uma conquista internacional, a Taça Guiana Inglesa, disputada em Georgetown.


Títulos Estaduais
Campeonato Amazonense: 16 vezes (1921, 1927, 1931, 1932, 1938, 1940, 1943, 1962, 1965, 1975, 1982, 1987, 1988, 1989, 1990 e 2001).
Vice-Campeonato Amazonense: 1966, 1973, 1974, 1976, 1979, 1980, 1983, 1984, 1985, 1986, 1992, 1998, 1999 e 2003.
Torneio Início: 11 vezes (
1933, 1966, 1968, 1969, 1979, 1980, 1982, 1983, 1990, 1995 e 2002).
Outras Conquistas
Categorias de Base
Campeonato Amazonense Sub-20: 1999, 2000 e 2001.
Vice Campeão Brasileiro de futebol feminino
Campeão da taça Guiana Inglesa - Georgetown
Ranking da CBF
Posição: 72º
Pontuação: 183 pontos
Ranking criado pela
Confederação Brasileira de Futebol que pontua todos os times do Brasil.


Federação Amazonense de Futebol Clubes Amazonenses Campeonato Amazonense de Futebol
Primeira Divisão 2007: América Fast Clube Libermorro Nacional Princesa do Solimões Rio Negro São Raimundo Sul América
Principais Estádios: Vivaldão Colina Gilbertão



CAPRICHOSO - O ELDORADO É AQUI. CAMPEAO 2007.

terça-feira, 26 de junho de 2007


AVISO AOS NAVEGANTES

O rio é um recurso natural encontrado em grande quantidade na região Amazônica, no entanto, está sendo poluído pelo lixo fluvial lançado por passageiros e tripulantes das embarcações.

Com base nestes fatos a Sociedade de Pesquisa e Preservação da Amazônia – S.P.P.A. realizou a pesquisa “O Lixo Descartável / Reciclável nos rios da Amazônia”, no trecho compreendido Belém-Manaus e Belém-Macapá e está realizando a 2ª. Fase da campanha “VAMOS PRESERVAR OS NOSSOS RIOS”, que pretende sensibilizar os donos das embarcações, tripulantes e VOCÊ usuário, para não jogar lixos descartáveis nos rios, tais como: latas, copos, garrafas plásticas, vidros, talheres, pratos, sacos e outros.

Seja Caprichoso, só depende de você manter Garantido o nosso rio limpo.

LIXO FLUVIAL

O que é isso?

É o lixo composto, entre outros, por objetos lançados nos rios pelas embarcações de transportes de passageiros.

O lixo, quando acumulado nos rios, impede a passagem das águas, causando entupimentos, assoreamento e inundações, nos períodos de chuva.

Composição do lixo fluvial, segundo Pesquisa realizada pela S.P.P.A.:


· PLÁSTICOS: (75% do total) copos, refrigerantes, pratos, talheres, canudinhos, sacos e outros.


· ALUMÍNIO: (22% do total) latas e outros.

· VIDRO: (3% do total) refrigerantes, copos, pratos e outros.

Obs.: Os objetos descartáveis representam 95% do lixo fluvial.


COM VOCÊ PODE
COLABORAR E
PARTICIPAR DESTA
CAMPANHA PARA
PRESERVAR NOSSOS RIOS.


· Durante a sua viagem de barco, não jogue nos rios as embalagens descartáveis dos produtos que você consumir PROCURE A LIXEIRA MAIS PRÓXIMA.
·
· Converse com seus acompanhantes para agirem da mesma forma.
·
· No caso da embarcação não possui lixeiras solicite aos tripulantes sacos para recolher as embalagens e reivindique a colocação de lixeiras.
·
· A tripulação pode recolher todo o lixo a bordo e depositar nos coletores apropriados para o lixo fluvial instalados no porto onde a embarcação pára.


OS OLHOS NÃO VÊEM
MAS OS RIOS SENTEM!


NÃO JOGUE LIXO NOS RIOS!




sábado, 26 de maio de 2007

TACACAZEIRAS DA AMAZÔNIA
Adriano Aguiar – Geovane Bastos – CD Caprichoso 2007

É dia de feira, mulher guerreira
Que cedo levanta
Com a certeza de lutar

Escolhe o melhor tucupi
Cheiro-verde, tapioca, jambú
Camarão e pimenta murupí
Tem chicória e cebolhinha
Tem a cuia com a cestinha
Pra comprar
Ferve a goma na panela
Fundo preto
Pega abano, braço forte
No fogareiro a brasa a queimar
É fim de tarde, toalha de mesa
Arruma a banca traz cadeira
Que hoje tem cuia de tacacá
Pra tomar
Um cheiro!
Que o vento sopra
E leva distante
Que envolve o visitante
Fazendo provar
E nunca mais esquecerá
Desse sabor, basta provar
Meu tacacá é feito com amor

É mês de junho
Minha ilha está em festa
Bem no meio da floresta
Brilha a estrela
Do meu boi, Caprichoso

sexta-feira, 25 de maio de 2007

Obras de Arnaldo Garcez


ARNALDO GARCEZ, músico instrumentista, compositor, artista plástico é o que pode chamar multimídia. Flutua por vários estilos, tanto nas artes plásticas quanto na música, navegando entre as tendências com todo os despudor que a arte exige.




quinta-feira, 17 de maio de 2007

BALNEARIO DO PARQUE DEZ DE NOVEMBRO


BALNEÁRIO DO PARQUE DEZ

Certo dia estava num engarrafamento infernal na Avenida Efigênio Sales com a Rua Recife, em direção ao bairro do Aleixo, por conta da construção de um viaduto; encontrava-me no limite da paciência, quando olhei para o lado direito e avistei parte do prédio, onde funcionava o restaurante e o clube dançante do balneário do Parque Dez. Num passe de mágica, voltei ao passado, expulsei todos os capetinhas que estavam rondando a minha cabeça.

O meu pai me acordava às 05 da manhã de domingo para irmos ao Mercado Municipal e, depois das compras rumávamos para o “banho do Parque Dez”, o principal problema era o transporte, pouquíssimos ônibus ( de madeira) circulavam em Manaus; o infortúnio da viagem (era uma eternidade o trajeto do centro para o bairro) compensava logo na chegada, era uma maravilha o meu Parque Dez! Passávamos o dia todo no maior lazer.

O balneário do Parque Dez foi estruturado para receber as famílias amazonenses em sua piscina natural, abastecida pelas águas límpidas do igarapé do Mindu, em vasta área verde, com zoológico e um restaurante para a satisfação gastronômica dos freqüentadores. O acesso ao balneário se dava pela rua Recife, que descia do bairro de Adrianópolis, em pista pavimentada de cimento, até o Parque Dez. Nas imediações, onde hoje está aberta a avenida Efigênio Sales, uma vereda, antigamente conhecida por V-8, levava a inúmeras chácaras, todas tendo ao fundo o igarapé do Mindu, formando banhos particulares. O bairro estava nos limites extremos de Manaus e, ao atravessar o igarapé, a floresta predominava em toda sua extensão. O local permaneceu por muito tempo como enorme área de lazer, onde os manauaras se refrescavam dos dias quentes e se esqueciam do mormaço econômico que insistia em medrar na capital do Amazonas.

Após essa maravilhosa viagem, acordei; rumei feliz em direção ao meu destino, não senti mais nenhum estresse com os outros engarrafamentos que encontrei pela frente.

sexta-feira, 4 de maio de 2007


O prefeito e a cangula pensa
Rua dos Andradas. Aos fundos, na rua Floriano Peixoto, o decadente prédio onde outrora funcionou o glamuroso Hotel Amazonas, que hospedou ilustres personalidades da república. Estamos no centro histórico da cidade de Manaus - a capital dos operários eletrônicos da Amazônia - em sua área mais degradada. São quase 8 horas da noite. O comércio local há muito fechou a porta das dezenas de estabelecimentos de miudezas e outras quinquilharias. O lixo, devidamente ensacado, foi depositado na frente das lojas à espera do caminhão de coleta, o que só acontecerá bem mais tarde. Justamente nesse período de tempo, o cenário será inteiramente modificado, no trecho entre os fundos da Igreja Nossa Senhora dos Remédios e a rua Mundurucus, única rua do centro da cidade a desembocar numa bucólica escadaria, hoje soterrada por um aterro com grossas camadas irregulares de asfalto, fruto da insanidade urbanística que há quase trinta anos desfigura, dia-a-dia, o patrimônio histórico e paisagístico de Manaus.Os desavisados que ali passassem e pousassem os olhos nesta cena - captada pela minha câmera fotográfica - imaginaria tratar-se de puro ato de vandalismo. Lêdo engano! Trata-se de um outro fenômeno social: anônimos cidadãos, ao tentar se incluir, informalmente, na economia da cidade no setor dos reciclados, deixam um rastro de sujeira, que só os analfabetos políticos poderiam imputar como total ausência de regras de conduta. Papel, papelão são os objetos desse desejo. Mulheres com criança de colo, crianças e adultos, jovens e mais velhos, são os protagonistas dessa obscenidade que diuturnamente atinge aquele trecho, logo após o lusco-fusco do anoitecer que banha a capital da Zona Franca, essa cidade morena que ostenta o título de quarto PIB brasileiro.Eis que o prefeito Serafim Côrrea, há dois anos do encerramento do seu mandato, resolveu por fim à escandolosa proteção de abastados setores da cidade na cobrança do IPTU. Há pelo menos duas décadas os reajustes eram irrisórios, cabendo às classes médias e à população mais pobre o ônus de manter esse mecanismo classista de privilégio de muito poucos. Mais do que uma peça publicitária, a divulgação da decisão política do prefeito encerra princípios inegáveis de justiça social contra a desigualdade alimentada pelos suseranos encastelados no poder: "paga mais quem pode; paga menos quem não pode; e não paga nada quem não tem com o que pagar".Entretanto, uma lógica anti-dialética insiste em defender a tese classista de sempre: "paga quem pode; quem não pode se sacode". Eis o retrato acabado de uma cangula pensa; e, pensa para a direita, meus prezados.
No quesito IPTU, tô nessa barca com o Sarafa! Um IPTU justo poderia evitar a constrangedora cena da imundície reinante em algumas áreas do centro histórico da cidade, livrando-nos da falta de fiscalização a que estão submetidas as áreas degradadas que ainda não foram objeto de revitalização pelo poder público.Evidentemente que a questão da inclusão social, que está por trás da sujeira provocada pelos que tentam se incluir na vida social e econômica da cidade, há muito reclama por uma discussão mais aprofundada sobre o modelo Zona Franca, que, se retirou o Estado da indigência do pós-ciclo da borracha, gerou uma concentração de renda perversa, haja vista a pobreza da nossa periferia. Um desafio para todos, especialmente para a esquerda política, outrora mais crítica quanto aos limites do modelo econômico baseado em incentivos fiscais e na abolição de alguns impostos. Eis o desafio intelectual de hoje, se não quisermos que o cérebro vire tacacá nos verões que se anunciam com o degelo próximo.
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NOTA1: Cangula - papagaio ou pipa grande e que não imbica.
NOTA2: Penso - gíria de empinador de papagaio que se refere ao papagaio que tende a inclinar para o único lado.
Fonte: O manaura - Leôncio Oliveira, Manaus: Edições Kintaw, 2005.
Curiosidade: Até o presente momento, a obra de Leôncio Oliveira é única. Apesar de algumas irregularidades (como a grafia de picica, com dois esses, que mereceu uma crítica de Zefofinho de Ogum, consultor e conselheiro espiritual do site
PICICA - Observatório dos Sobreviventes), é leitura obrigatória para quem aprecia a erudição cabocla, ou o caboquês, segundo o filólogo amador Joaquim Marinho, que escreve a orelha do livro.
Rogelio Casado

quinta-feira, 3 de maio de 2007

O nosso velho e querido "Mercadão" está sendo revitalizado pela Prefeitura Municipal de Manaus. Dizem que todo mercado central é a cara da cidade; realmente é uma verdade, basta visitá-lo para encontrar a culinária amazonica, o nosso artesanato indigena, a nossa gente (caboclos, com muito orgulho!).
Iamos todos os domingos ao mercado; chegavamos bem cedo, papai e os meus treis irmãos tomavamos aquele famoso café regional (café com leite, queijo qualho, mingau de milho e banana, pamonha, pé de moleque, cuscuz, etc.), depois íamos às compras, era o único dia da semana em que consumíamos carne vermelha; nos demais, somente frango e peixes.
O meu genitor fabricava e consertava violões de corda, hoje chamam a profissão de luthier; a nossa cola era feita do "bucho" do tambaqui. Tinha uma missão árdua de coletar as vísceras do peixe; as pessoas que por lá passavam, ficam com dó no coração ao ver um menino, abaixado e catando os restos, a grande maioria se ofereciam para ajudar-me, mas eu sempre recusava, pois apesar da nossa família ser de origem pobre, nunca faltou alimentos em nossa casa.
Nunca deixei de visitar o mercado, vou pelos menos duas vezes ao mês. Estou aguardando com grande ansiedade a sua reabertura.
Abaixo transcrevo um trabalho da professora Arminda.


Mercado Municipal Adolpho Lisboa ( Arminda Mendonça de Souza )
A evolução de Manaus e o aumento da população nos idos de 1855, concorreram para a criação da “Ribeira dos Comestíveis”, sob a egide do 1º. Vice-Presidente da Província, o Bacharel Manoel Gomes Correa de Miranda, que a instalou nas proximidades do local, onde posteriormente foi edificado o primeiro Mercado Municipal. Essa “feira”, a “Ribeira dos Comestíveis”, que vendia carne verde, pirarucu, mixira, arroz, feijão, farinha, frutas e legumes, foi, posteriormente, autorizada a se transferir para a Praça da Imperatriz, atualmente Praça Osvaldo Cruz, pelo então Presidente da Província, João Wilkens de Mattos, Barão de Mariuá, através da Lei nº 191 de 25.05.1869. Alguns anos depois, nova construção foi edificada à margem esquerda do Rio Negro, à Rua dos Barés, antigo Bairro dos Remédios. As obras desse novo Mercado, foram contratadas em 23 de outubro de 1880, mas somente dois anos depois, em agosto de 1882, é que tiveram início, originalmente ocupando uma área de 5.400m2.A firma construtora Bakus & Brisbin (de Belém), entregou provisoriamente o prédio construído, a 14.07.1883, constando de um pavilhão de ferro, com 45m de comprimento por 42m de largura. Na realidade, o grande edifício de ferro não passava de um simples galpão, em duas águas, sem nenhuma estética conforme comprovam fotos e documentos da época.Quanto à data de sua inauguração, existem divergências, pois alguns afirmam que ocorreu a 15 de julho de 1883, enquanto outros, ter sido a 15 de agosto, desse mesmo ano, mas certo é que a renda do Mercado foi transferida para O Município, no dia 4 de agosto, donde se conclui que a data mais provável é a primeira. O grande edifício em ferro, com o “tecto sustentado por 28 colunas desse metal”, onde se encontra gravado em seus fustes (peça principal da coluna entre o capítel e a base) o nome de “Francisc Morton, Engineers, Liverpool”, nos dão a certeza da sua origem inglesa. O calçamento do pavimento é de laje de cantaria de forma retangular e a rua central é calcetada com paralelepípedos. Fora as duas salas principais, foram construídos 20 stands separados entre si por grades de ferro e guarnecidos de balcões de madeira com o tampo superior em mármore, onde são dispostos os produtos para vendagem. A fachada voltada para o Rio Negro era muito mais elaborada, com a finalidade de impressionar, todos aqueles que chegavam a Manaus pela única via de acesso - o rio, possuindo uma estrada e duas edificações em alvenaria de tijolos. No decorrer de 1890, face ao crescimento da cidade, o Mercado sofreu ampliação com a construção de dois galpões iguais e abertos, nas laterais, com estrutura de madeira e recobertos com telhas de zinco. Poucos anos depois, 1897, o Mercado Público, não mais dispunha das condições higiênicas necessárias a um estabelecimento dessa natureza e o Sr. Intendente Municipal da Capital, determinou por ordem verbal ao engenheiro municipal interino, Dr. João Carlos Antony, para que fizesse uma perícia naquele estabelecimento e as conclusões apontadas pelo referido engenheiro, foram as seguintes: “achei este edifício em estado lastimoso quer pelo lado de conservação quer pelo lado da hygiene... Ao primitivo edifício foram-se acrescentando sucessivamente construções sem gosto artístico e em completa desarmonia com os comesinios preceitos de hygiene. Às duas alas acrescentadas..., posteriormente, ainda se acrescentaram, outras pequenas e imundas construções destinadas a diversos e disparatados mysteres, tornando-se assim a construção antiga imprópria ao uso que se destinava...” Para efetuar os trabalhos de reforma, foi contratado o engenheiro Filintho Santoro, que deu início às obras, construindo a fachada da Rua dos Barés em alvenaria de tijolos, no entanto estas melhorias só vieram a ser concluídas pelo empreiteiro Affonso Campora, nos idos de 1906, ou seja, quase no final do mandato de Adolpho Lisboa. Um ano antes de ser concluída a reforma, 1905, foi o Mercado arrendado para o cidadão Alfredo de Azevedo Alves, tendo este fato sido motivo de ação judicial que se estendeu por mais de duas décadas e graças a isso, foi possível resgatar muito da história sobre a construção desse prédio. Após esses problemas, Alfredo de Azevedo Alves cedeu seus direitos à firma inglesa, “The Manaos Markets and Slaughterhouse Limited” que teria a finalidade exclusiva de fazer cumprir o contrato anterior, ou seja, reforma ou ampliação de acordo com os projetos da Superintendência, além de construírem um Matadouro e realizarem melhoramentos na cidade, em troca receberiam o direito à exploração de Mercado, pelo prazo de 50 anos. Só que o acordo estabelecido não foi cumprido e em 1907, com obras de ampliação não prescritas no acordo com a Superintendência, foi o contrato rompido, tendo esse fato, sido alegado como uma das causa principais. Além de pesarem suspeitas da participação de elementos da administração pública na referida firma, caracterizando má fé e má destinação do erário público. Nesse mesmo período, foram montados os dois pavilhões de ferro com 360m2 de área útil, afora as projeções dos beirais abertos, encimados por arcos de ferro e recobertos de zinco estampado, sustentados por colunas de ferro, no lado oriental e ocidental do primitivo pavilhão central, onde eram efetivadas as vendas dos já referidos produtos alimentícios. Estas fachadas possuem frontões curvos que acompanham as formas dos arcos da cobertura e ostentam ornatos filigranados, em ferro fundido, com vidros coloridos. Os pavilhões possuem parapeitos de alvenaria em pedra até 1m de altura e sobre estes, sem nenhuma pretensão estética ou mesmo plástica, colunas de ferro, onde é possível ler “Walter Marcfarlane Glasgow” inscrito e que são atestatórios de sua origem escocesa. Outro pavilhão de mesma procedência, porém de componentes arquiteturiais totalmente diversos, fora construído para a venda de tartarugas (comércio hoje extinto), e fechado por chapas de ferro, possuindo venezianas também de ferro e vidro, com a cobertura de chapas onduladas, em quatro águas, desdobradas, formando um pequeno frontão decorado com ferro fundido e vidro colorido. Além do corpo principal do prédio, existiam dois pequenos pavilhões de planta octogonal, nas extremidades do “Pavilhão das Tartarugas” que se presume, seja também de origem escocesa, apesar de não se encontrar nenhuma inscrição visível, em qualquer das chapas ou mesmo nas colunas de ferro, que confirmem sua procedência, no entanto, a comparação com outros trabalhos dessa firma, publicados em catálogos, levaram os estudiosos a comprovarem a sua origem. O primeiro desses pavilhões era destinado ao Fisco, que se encarregava da cobrança dos tributos sobre os produtos oriundos do interior do Estado. Mais tarde esses dois pavilhões (Pará e Amazonas) transformaram-se em “café e botequim”. Outra peça importante é o velho relógio do frontão da fachada dos Barés, que anteriormente estava localizado na fachada voltada para o Rio Negro, e que continua a regular as atividades do velho mercado. De modo geral, podemos dizer que a justaposição de construções criou um ecletismo característico da época que, apesar de não se integrarem plasticamente, não seguindo nenhum projeto arquitetônico, não destoam entre si e o mais louvável é que o Mercado Adolpho Lisboa, mantém a finalidade para o qual foi criado, apesar de várias vezes surgirem sugestões para que o mesmo seja transformado em loja de artesanato regional. A evolução de Manaus e o aumento da população, nos idos de 1855, concorreram para a criação da “Ribeira dos Comestíveis”, sob a egide do 1º. Vice-Presidente da Província, o Bacharel Manoel Gomes Correa de Miranda, que a instalou nas proximidades do local, onde posteriormente foi edificado o primeiro Mercado Municipal. Essa “feira”, a “Ribeira dos Comestíveis”, que vendia carne verde, pirarucu, mixira, arroz, feijão, farinha, frutas e legumes, foi, posteriormente, autorizada a se transferir para a Praça da Imperatriz, atualmente Praça Osvaldo Cruz, pelo então Presidente da Província, João Wilkens de Mattos, Barão de Mariuá, através da Lei nº 191 de 25.05.1869. Alguns anos depois, nova construção foi edificada à margem esquerda do Rio Negro, à Rua dos Barés, antigo Bairro dos Remédios. As obras desse novo Mercado, foram contratadas em 23 de outubro de 1880, mas somente dois anos depois, em agosto de 1882, é que tiveram início, originalmente ocupando uma área de 5.400m2. A firma construtora Bakus & Brisbin (de Belém), entregou provisoriamente o prédio construído, a 14.07.1883, constando de um pavilhão de ferro, com 45m de comprimento por 42m de largura. Na realidade, o grande edifício de ferro não passava de um simples galpão, em duas águas, sem nenhuma estética conforme comprovam fotos e documentos da época. Quanto à data de sua inauguração, existem divergências, pois alguns afirmam que ocorreu a 15 de julho de 1883, enquanto que outros, ter sido a 15 de agosto, desse mesmo ano, mas certo é, que a renda do Mercado foi transferida para O Município, no dia 4 de agosto, donde se conclui que a data mais provável é a primeira. O grande edifício em ferro, com o “tecto sustentado por 28 colunas desse metal”, onde se encontra gravado em seus fustes (peça principal da coluna entre o capítel e a base) o nome de “Francisc Morton, Engineers, Liverpool”, nos dão a certeza da sua origem inglesa. O calçamento do pavimento é de laje de cantaria de forma retangular e a rua central é calcetada com paralelepípedos. Fora as duas salas principais, foram construídos 20 stands separados entre si por grades de ferro e guarnecidos de balcões de madeira com o tampo superior em mármore, onde são dispostos os produtos para vendagem. A fachada voltada para o Rio Negro era muito mais elaborada, com a finalidade de impressionar, todos aqueles que chegavam a Manaus pela única via de acesso - o rio, possuindo uma estrada e duas edificações em alvenaria de tijolos. No decorrer de 1890, face ao crescimento da cidade, o Mercado sofreu ampliação com a construção de dois galpões iguais e abertos, nas laterais, com estrutura de madeira e recobertos com telhas de zinco. Poucos anos depois, 1897, o Mercado Público, não mais dispunha das condições higiênicas necessárias a um estabelecimento dessa natureza e o Sr. Intendente Municipal da Capital, determinou por ordem verbal ao engenheiro municipal interino, Dr. João Carlos Antony, para que fizesse uma perícia naquele estabelecimento e as conclusões apontadas pelo referido engenheiro, são as seguintes: “achei este edifício em estado lastimoso quer pelo lado de conservação quer pelo lado da hygiene... Ao primitivo edifício foram-se acrescentando sucessivamente construções sem gosto artístico e em completa desarmonia com os comesinios preceitos de hygiene. Às duas alas acrescentadas..., posteriormente, ainda se acrescentaram, outras pequenas e imundas construções destinadas a diversos e disparatados mysteres, tornando-se assim a construção antiga imprópria ao uso que se destinava...” Para efetuar os trabalhos de reforma, foi contratado o engenheiro Filintho Santoro, que deu início às obras, construindo a fachada da Rua dos Barés em alvenaria de tijolos, no entanto estas melhorias só vieram a ser concluídas pelo empreiteiro Affonso Campora, nos idos de 1906, ou seja, quase no final do mandato de Adolpho Lisboa. Um ano antes de ser concluída a reforma, 1905, foi o Mercado arrendado para o cidadão Alfredo de Azevedo Alves, tendo este fato sido motivo de ação judicial que se estendeu por mais de duas décadas e graças a isso, foi possível resgatar muito da história sobre a construção desse prédio. Após esses problemas, Alfredo de Azevedo Alves cedeu seus direitos à firma inglesa, “The Manaos Markets and Slaughterhouse Limited” que teria a finalidade exclusiva de fazer cumprir o contrato anterior, ou seja, reforma ou ampliação de acordo com os projetos da Superintendência, além de construírem um Matadouro e realizarem melhoramentos na cidade, em troca receberiam o direito à exploração de Mercado, pelo prazo de 50 anos. Só que o acordo estabelecido não foi cumprido e em 1907, com obras de ampliação não prescritas no acordo com a Superintendência, foi o contrato rompido, tendo esse fato, sido alegado como uma das causa principais. Além de pesarem suspeitas da participação de elementos da administração pública na referida firma, caracterizando má fé e má destinação do erário público. Nesse mesmo período, foram montados os dois pavilhões de ferro com 360m2 de área útil, afora as projeções dos beirais abertos, encimados por arcos de ferro e recobertos de zinco estampado, sustentados por colunas de ferro, no lado oriental e ocidental do primitivo pavilhão central, onde eram efetivadas as vendas dos já referidos produtos alimentícios. Estas fachadas possuem frontões curvos que acompanham as formas dos arcos da cobertura e ostentam ornatos filigranados, em ferro fundido, com vidros coloridos. Os pavilhões possuem parapeitos de alvenaria em pedra até 1m de altura e sobre estes, sem nenhuma pretensão estética ou mesmo plástica, colunas de ferro, onde e possível ler “Walter Marcfarlane Glasgow” inscrito e que são atestatórios de sua origem escocesa. Outro pavilhão de mesma procedência, porém de componentes arquiteturiais totalmente diversos e que fora construído para a venda de tartarugas (comércio hoje extinto), e fechado por chapas de ferro, possuindo venezianas também de ferro e vidro, com a cobertura de chapas onduladas, em quatro águas, desdobradas, formando um pequeno frontão decorado com ferro fundido e vidro colorido. Além do corpo principal do prédio, existiam dois pequenos pavilhões de planta octogonal, nas extremidades do “Pavilhão das Tartarugas” e que se presume, seja também de origem escocesa, apesar de não se encontrar nenhuma inscrição visível, em qualquer das chapas ou mesmo nas colunas de ferro, que confirmem sua procedência, no entanto, a comparação com outros trabalhos dessa firma, publicados em catálogos, levaram os estudiosos a comprovarem a sua origem. O primeiro desses pavilhões era destinado ao Fisco, que se encarregava da cobrança dos tributos sobre os produtos oriundos do interior do Estado. Mais tarde esses dois pavilhões (Pará e Amazonas) transformaram-se em “café e botequim”. Outra peça importante é o velho relógio do frontão da fachada dos Barés, que anteriormente estava localizado na fachada voltada para o Rio Negro, e que continua a regular as atividades do velho mercado. De modo geral, podemos dizer que a justaposição de construções criou um ecletismo característico da época que, apesar de não se integrarem plasticamente, não seguindo nenhum projeto arquitetônico, não destoam entre si e o mais louvável é que o Mercado Adolpho Lisboa, mantém a finalidade para o qual foi criado, apesar de várias vezes surgirem sugestões para que o mesmo seja transformado em loja de artesanato regional. Fontes:1. Relatório apresentado ao Exmo. Sr. Dr. Fileto Pires Firmino. Governador do Estado, pelo Secretário dos Negócios do Interior, 5 de janeiro de 1898, 211 p. Anexos.2. Relatório do Superintendente Municipal de Manaus, Adolpho Lisboa, 1902-1907, Livraria e Tipografia Universal. p.19 a 26. Do original da CEDEAM.3. SILVA, Geraldo Gomes da. Arquitetura de Ferro no Brasil. Disertação de Mestrado apresentada à Faculdade de Arquiterura e Urbanismo de São Paulo. Texto datilografado. p 240 a 254.