quarta-feira, 25 de julho de 2007


O BOI DE PANO DO WALDIR

Na primeira metade dos anos 60 o boi-bumbá era a estrela do Festival Folclórico do Amazonas, realizado todos os anos no Estádio General Osório. Naquela época existia uma grande rivalidade entre os bois Corre Campo (Cachoeirinha) e Tira Prosa (Educandos), com torcidas também rivais.

Havia um sujeito que morava na Cachoeirinha, cujo apelido era "Terretifun" (até hoje não sei seu nome verdadeiro), que além de fazer parte do bumbá Corre Campo era fanático pelas toadas da época.

Apesar de morar na Cachoeirinha, Terretifun passava o tempo todo na Rua Igarapé de Manaus, cantarolando suas toadas.

Terretifun deu a idéia e o Waldir Viana concordou em fundar um boi na Rua Igarapé de Manaus.

O boi foi confeccionado no porão da casa do Sarto(nego mau), com ajuda do Rochinha do violão que forneceu a madeira leve e ajudou na compra das fantasias.O boi era bonito, com exceção da cabeça que mais parecia a cabeça de outro animal.

O boi vivia de donativos das famílias quando fazia suas apresentações. O bom de tudo é que além do donativo (venda da língua do boi), a dona da casa fornecia iguarias da época aos brincantes!!!!!

Certa vez, o boi se apresentava em uma casa na Rua Ipixuna, entre a Rua Major Gabriel e a Emílio Moreira, naquele dia a comida servida era pouca, e foi levada à mesa no meio da apresentação do boi.

A meninada dançando passava perto da mesa e enchia a boca e os bolsos de doces e salgados.

O Júlio Goiaba (filho do Goiaba nacionalino), por ser um exímio dançarino era o miolo (tripa) do boi, e não podia pegar nada para comer, pois estava embaixo dele e apenas olhava pela abertura lateral e gritava:
Deixem p!ra. mim!! deixem p!ra mim!!

Mesmo ouvindo os gritos do miolo ninguém obedeceu.

Terminada a apresentação não havia mais nada para o Júlio comer. Ele ficou indignado, jogou o boi no chão, foi para casa e saiu p. da vida falando que nunca mais ia ser miolo do boi. ah, ah, ah, ah, ah.

José Rocha Martins Filho


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