terça-feira, 31 de março de 2009

MANÁOS







sexta-feira, 27 de março de 2009

CHICO DA SILVA


Foi registrado como Francisco Ferreira da Silva, conhecidíssimo no Brasil afora como Chico da Silva, é compositor e cantor, nasceu em Parintins, no Amazonas; atingiu o auge do sucesso nacional na década de 80, algumas das suas composições foram interpretadas pela Alcione.
Curti alguns vinis do Chico, lembro de algumas músicas que marcaram a nossa época, tais como: Pandeiro É Meu Nome – Tempo Bom – Esquadrão do Samba – Deus Menino – É Preciso Muito Amor – Tudo Mudou – Convite A Roberto Carlos – O Barba Azul – Me Leva Contigo – Dinorá – A Solidão Inundou Esta Cidade – Festa Da Rezadeira – Por Trás do Pano – Sonhos De Amanhã.

O Chico é vermelho de coração, fez inúmeras toadas para o Boi Garantido: Vermelho – Boi de Carmo – Festa da Raça – Sonho de Liberdade – Um Beijo na Palma da Mão – Garantido 2000, depois foi para o Boi Caprichoso, compôs: Gavião Real – Paraponera – Azul – Bailarina - Mana Manaus – O Poeta e o Versador – Amor é o meu Nome – Sina de Caboclo. Pouco tempo depois, voltou para o seu boizinho do coração vermelho na testa.

A letra de Mana Manaus é mais ou menos assim:

Mana mana Manaus
Mana mana Manaus

No coração da hiléia
Tu és soberana cidade matriz

O rio Negro teu ciúme, teu costume
Abraça forte teu terraço fluvial
O rio Amazonas viageiro te paquera
Nesse manto florestal

Vila da Barra, tu és monumental
Entalhada pelos teus igarapés

Mana Manaus
Bela arte manauara
Os teus palácios, o teatro, a catedral
A relumear, sob o céu da Amazônia
Os teus poetas, tuas danças e bumbás

Mana manô
Minha fada, meu conto de amor
O orgulho e encanto do amazonense
E do Boi Caprichoso.

Conhecí o Chico quando fazia parte do conjunto "Os Amigos do Som", formado pelo Agnaldo do Samba, Mariolindo, Saci da Aparecida, Lúcio Bahia, Manoel Batera & Cia.
Teve alguns problemas de saúde, perdeu um pouco a voz, conseguiu recupera-la para a alegria do seu imenso fã clube; faz ainda muito sucesso nos clubes de Manaus.

O Chico é nosso irmão, as suas composições fazem parte dos bens imateriais do nosso patrimônio cultural. Valeu Chico!



quarta-feira, 25 de março de 2009

REINAUGURAÇÃO DO PALACETE PROVINCIAL E DA PRAÇA HELIODORO BALBI.



O governo do Estado do Amazonas, através da Secretaria de Cultura, na pessoa do Dr. Robério Braga, está de parabéns pela entrega à população de Manaus do complexo da antiga Praça da Polícia, consistindo do Palacete Provincial e das praças Heliodoro Balbi, Gonçalves Dias e Roosevelt.

No prédio, estão expostos os museus de Numismática (moedas), Tiradentes (roupas, armamentos e documentos da Polícia Militar), Esculturas (adquiridas do museu de Louvre, na França), Imagem e Som (450 peças de vídeos, fotos, slides, DVDs e CDs que contam a história do Amazonas), além do Atelier do Restauro, Gabinete do Comandante, Salas para Shows, Oficina de Arte e Exposições. No porão, encontramos o Bar São Jorge e o famosíssimo Café do Pina.

A praça voltou ao que era no tempo da Belle Époque, está uma maravilha! Iluminação perfeita, segurança 24 horas, chafariz, barracas no estilo neoclássico para a venda de livros antigos “sebo”, além de disponibilizar o sinal para Internet sem fio.

O meu amigo Celestino, foi o primeiro a colocar a sua banquinha de livros na Praça da Polícia, ficou durantes anos sob chuva e sol; merecidamente ganhou um novo lugar para expor os seus livros (foto) - Sebo O Alienista.

Com este trabalho de recuperação dos monumentos histórico de Manaus, sinto que agora vai, teremos de fato a revitalização da amada Manaus.

terça-feira, 24 de março de 2009

S. O. S. ENCONTRO DAS ÁGUAS



Fotos: José Martins Rocha
1. Manifestantes no Dia Mundial da Água;
2. O Encontro das Águas;
3. Jovem protestando contra a construção do Porto das Lajes.

segunda-feira, 23 de março de 2009

DIA MUNDIAL DA ÁGUA - COMEMORAÇÃO E PROTESTO EM MANAUS


No dia 23 do corrente foi comemorada O Dia Mundial da Água, criado pela ONU em 1993, através da Resolução nº A/RES/47/93, de acordo com com as recomendações da Conferencia das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente (Agenda 21).

Em Manaus, participei da comemoração do evento, juntamento com os membros do Grupo SOS Encontro das Águas e Amigos de Manaus – AMANA, a concentração foi na Bola do Aleixo; partimos em carreata até o Mirante do Encontro das Águas (projeto elaborado pelo Oscar Niemeyer, orçado em quinhentos mil reais, o valor foi pago mas as obras ainda não sairam do papel), onde ouvimos os pronunciamentos dos lideres comunitários e dos membros de vários segmentos da sociedade civil organizada.

Posteriormente, seguimos para a Colônia Antonio Aleixo, zone leste; paramos no flutuante 11 de Maio (local de diversão dos moradores), seguimos em três embarcações com destino ao Encontro das àguas (Rio Negro e Solimões).

No Encontra das Águas, a biológa Elisa Wandeli, liderou o movimento de comemoração ao dia da água e, do protesto contra a contrução do Porto das Lajes (empreedimento privado, orçado em R$ 220 milhoes, um mega projeto contestado por todos os moradores, pois irá acabar o Lago do Aleixo, além da degradação de todo o entorno do Encontro das Águas). Não me contive, deu uns pulos da embarção no encontro dos rios, foi uma sensação inesquecivel!

No retorno, fiz amizade com o Miguel Cruz, secretário do Partido Verde (PV), prometi visitar a sede partido e assinar a minha ficha de inscrição (será a minha primeira filiação a uma agremiação partidária).

Com a missão cumprida, catarolamos felizes a música do maestro Adelson Santos: Não mate a mata, não mate a mata, o negro não se mistura com o amarelo...

Fotos: José Martins Rocha
Protesto no Mirante do Encontra das Águas
Entrado do Lago do Aleixo
Manifestantes no Encontro das àguas

sábado, 21 de março de 2009

BAR DO BOI CAPRICHOSO E GARANTIDO EM MANAUS



Hoje é sábado, dia de brincadeira de boi! Parece coisa da nossa infância, mas não é!Começou a temporada bovina no Centro de Convenções em Manaus (complexo desportivo-cultural).
A festa começa às dez da noite e vai até as quatro da manhã de domingo. Passei por lá antes do show, tirei algumas fotos para postar no nosso blog. O palco é uma beleza, mostra a criatividade dos parintinense; ao fundo figura o grupo Canto da Mata na passagem do som; a outra foto é do pessoal da Marujada de Guerra, com destaque para o meu amigo Leônidas (quarenta anos de Caprichoso).
Esta festa consiste na apresentação dos levantadores (cantores), apresentando toadas (músicas) dos anos anteriores e os lançamentos para 2009, além dos itens oficiais para a nova temporada: pajé, cunhã-poranga, sinhazinha da fazenda, boi de pano, tribos indígenas, novos bailados (passos da dança), batucada e marujada de guerra, torcidas organizadas, etc. O objetivo maior é a arrecadação de recursos para a apresentação dos bois na cidade de Parintins (município do baixo Amazonas).
Os bois caprichoso (azul e branco) e garantido (vermelho e branco), revezam aos sábados, apresentando a cada semana um show temático, levando uma multidão às suas apresentações.
Frequento os currais faz quinze anos; comecei no clube da TVLANDIA (hoje é um grande centro de compras), mas a cada final de semana sinto uma emoção inigualável. As minhas duas filhas adoram e o velho aqui também!
Conheço várias pessoas, a maioria considerada “intelectual”, possuidora de um ódio mortal dessa manifestação popular; os argumentos são diversos: - alegam a carnavalização do evento, uso indevido da cultura indígena, alem da não representação fiel da nossa cultura. Respeito à opinião de todos, mas não embarco nesta onda, aliás, embarco mesmo é para Parintins.
A viagem é uma oportunidade impar de apreciar as inúmeras belezas da nossa Amazônia e, em terra firme comer Bodó com tucupi, passear de quadriciculo, fazer amizade com os nossos irmãos e irmãs caboclos, dormir em rede, tomar banhos nos igarapés, detonar todas as geladas, tirar fotos e assistir ao espetáculo grandioso na arena do Bumbodromo.

Chega de carnaval, forró, brega e etecetara e tal, o momento agora é curtir a nossa grande festa popular: dançar e brincar na festa de boi - Parintins, Caprichoso, Garantindo, Rio Amazonas, Bumbodromo, Bodó, Toada, Marujada, Batucada, Arlindo Júnior, David Assayag, Waldir Santana, Canto da Mata, Tony Medeiros, Fogos de Artifícios, Ritual, Geladas, Tacacá, tudo a ver!

MANAUS ANTIGA



sexta-feira, 20 de março de 2009

O GANSO DO CAPITÓLIO

Às vésperas do doutor Plínio Ramos Coêlho assumir o seu primeiro mandato de governador do Amazonas, o vespertino "A Tarde", do jornalista Aristophano Antony, publicava duas notas oficiais do Gabinete do governador em exercício, deputado Perseverando da Trindade Garcia. A primeira nota convidava "as autoridades civis, militares e eclesiásticas e o povo em geral" para a posse do novo governador, no dia 31 de janeiro de 1955. Dizia a segunda nota: "(...) de ordem do Exmo. Sr. Presidente da República dos Estados Unidos do Brasil, a partir de 0 hora do dia 29 do corrente a guarda do Palácio Rio Negro e a manutenção da ordem pública nesta capital ficarão sob as ordens do Exmo. Sr. Cel. Comte. da Guarnição Federal do Amazonas". Era semelhante o teor da nota oficial do Comando da Guarnição Federal do Amazonas, publicada na mesma edição do mesmo jornal: "(...) em cumprimento a uma ordem do Exmo. Sr. Presidente da República, a guarda do Palácio Rio Negro e a manutenção da ordem pública desta capital ficarão a cargo do Comte. da Guarnição Federal do Amazonas, a partir de 0 hora do dia 29 de janeiro de 1955".É possível que o destacamento de forças federais para garantir a ordem pública tenha sido uma demonstração desnecessária de zelo do presidente Café Filho, mas a verdade é que aquele era um momento político de grande tensão em Manaus. A recente eleição de Plínio Coêlho para o Governo estadual significava o rompimento da estrutura de poder que se consolidara no Amazonas a partir de 1930 com a liderança carismática de Álvaro Maia e se desintegrara no último governo do grande tuxaua, acumulando pesados débitos econômico-sociais. Plínio era uma esperança para o povo e uma ameaça para as elites. Acostumadas à sombra confortável do Poder, elas temiam a perda de status político-social, o confronto com o ideário nacionalista-trabalhista do novo governador – que favorecia naturalmente a ascensão das lideranças sindicais.O temor das elites não parecia ser tão infundado.Plínio Ramos Coêlho era o líder de maior importância entre os políticos amazonenses que se tinham revelado com a queda da ditadura getulista em 1945. Advogado, jornalista, ele levantava as massas com a sua oratória brilhante e a sua posição firme e vigilante em defesa dos interesses dos trabalhadores e da moralidade da administração pública – o que lhe valeu ser chamado de "o Ganso do Capitólio". Elegera-se sucessivamente deputado estadual constituinte em 1947 e deputado federal em 1950, quando apoiara a candidatura do doutor Álvaro Maia para o Governo estadual, mas não tardara a romper a aliança com o pessedismo e tornar-se o mais duro crítico do alvarismo. Assumira a liderança da oposição, comandando o seu partido, o Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), e acabava de ganhar as eleições de 3 de outubro de 1954, vencendo o candidato situacionista ao Governo, Ruy Araújo, e selando a derrota de Álvaro Maia, que se desincompatibilizara do Governo do estado para concorrer ao Senado.A consagração de Plínio Ramos Coêlho sinalizava o ocaso da longa trajetória política de Alvaro Botelho Maia.O perfil econômico-social do Amazonas era desanimador. Na débil estrutura de produção daqueles tempos, o capital era um fator muito escasso. Os municípios do interior estavam reduzidos a portos de lenha. Em Manaus, os grandes referenciais da riqueza da borracha ameaçavam desfazer-se. Os prédios públicos deterioravam-se. O sistema de energia elétrica estava em colapso. Os bondes sumiam dos trilhos, agravando a situação dos transportes coletivos. Os funcionários públicos faziam enormes filas à porta da Fazenda Pública para receber minguados salários com sete meses de atraso."A situação do Estado é a de u’a massa falida, (...) mas, ajudado pelo Capital privado, irei criar o clima de pleno emprêgo, a fim de que todos tenham trabalho conforme suas aptidões", dizia o doutor Plínio em sua primeira Mensagem à Assembléia Legislativa, 45 dias depois de tomar posse no Governo.O clima de pleno emprego era por certo uma utopia. Mas era possível governar produtivamente em tempos de muita pobreza. Plínio queria aumentar a participação do Estado na economia, expandindo a estrutura de serviços públicos e fomentando a industrialização. E perseguia obstinadamente os seus objetivos.No afã de privilegiar o interesse público, impor austeridade a uma estrutura de administração muito desgastada e gerar a credibilidade indispensável para atrair investimentos, Plínio contrariou interesses, plantou inimizades e certamente cometeu equívocos. Mas conseguiu executar boa parte de um programa de Governo muito ousado para o Amazonas daquele tempo, que incluía, entre outros itens, a profissionalização da administração estadual, o desenvolvimento de recursos humanos, o saneamento das finanças públicas, a reestruturação do sistema tributário estadual, a ampliação da infra-estrutura viária, e a criação de um leque de empresas de economia mista, com a finalidade de dinamizar serviços essenciais, como alimentação e transportes, fomentar a capacidade empreendedora, implantar projetos industriais dedicados ao aproveitamento de matéria-prima regional.Nesse cenário de mudanças, Plínio criou o Banco do Estado do Amazonas, a Transportamazon, a Alimentamazon, a Papelamazon, a Cimentamazon, a Faculdade de Ciências Econômicas, instituiu o sistema estadual de arrecadação tributária, assentou colonos japoneses na Estrada Manaus-Itaquatiara; comprou e instalou uma usina flutuante, tentando reverter o quadro de falência do sistema de energia elétrica.Plínio Ramos Coêlho governou até o último dia do seu mandato (31 de janeiro de 1959). Quatro anos depois voltou ao Poder, eleito mais uma vez pelo voto popular, mas governou pouco mais de um ano e dois meses. Foi deposto pelos militares na noite de 14 de junho de 1964, quando presidia o Festival Folclórico na extinta praça General Osório.O arbítrio sufocou a carreira política de Plínio Coêlho.Plínio foi cassado, preso, injustiçado.Amargurado, desencantado, Plínio recolheu-se ao convívio da família e de amigos fiéis. Dedicou-se à advocacia e ao magistério superior. Deixou-se ficar rodeado de livros – lendo, estudando, escrevendo, fazendo poesias.Plínio foi empurrado para longe do povo, mas o povo não o esqueceu.Como há quarenta e tantos anos, quando a cidade tinha cerca de 10% da população que tem hoje e o governador abria as portas do Palácio para receber os cidadãos em audiência pública, o povo foi ao encontro do doutor Plínio Coêlho na tarde e na noite de domingo, 5 de agosto de 2001, na madrugada e na manhã do dia seguinte.Aquelas pessoas anônimas foram chegando cheias de emoção. Simples, quase todas humildes, algumas já idosas, elas foram entrando sem cerimônia no Palácio Rio Negro, em busca do reencontro com o amigo querido que não viam há tanto tempo.Em silêncio, falaram de saudade.
(*) Etelvina Garcia é jornalista. E-mail: eng@argo.com.br
Fonte: Secretaria de Cultura do Estado do Amazonas: www.sec.am.gov.br

quinta-feira, 19 de março de 2009

ÔNIBUS ZEPELLIN PASSANDO EM FRENTE AO COLÉGIO ESTADUAL D. PEDRO II


Este estranho veículo era denominado de ZEPPELIN, segundo alguns historiadores paraenses, os ônibus foram construídos em São Luis, no Maranhão, na década de 40, posteriormente foram enviados para Belém e Manaus. A criação foi da Viação Sul Americana e construídos na São Jorge de Ribamar Ltda. A carroceria era de madeira, ferro e flandres, com pintura externa de alumínio. O interior era de couro alcochoado e tripulado por “Rodomoças” bem no estilo das Aeromoças das companhias de aviação.

MANAUS ANTIGA E A FOTO DO BLOB

Hélcio Tagliolatto
Bauru-SP


Rocha,
Vagando pela internet descobri seu blog. Uma grata surpresa ver alguém escrevendo sobre Manaus sem ranço regionalista e com visão de futuro!

Morei em Manaus de 1985 a 2000, e me dói ver o inacreditável patrimônio histórico dessa cidade dilapidado, em primeira instância pela expansão da época militarista e depois pelo descaso das autoridades locais que, com a complacência de um povo em sua maioria migrante recente, sem identificação com a terra, nem liga para destruição, destruição essa que ocorreu de 1990 para frente. Tomara que você consiga manter o blog aberto e atuante. Eu não encontrei onde deixar comentários, por isso mandei e-mail.

Se me permite, apenas para divulgação dos créditos, a foto que abre o blog, da avenida Eduardo Ribeiro, é de autoria de George Huebner, e foi colorizada por Libânio do Amaral, irmão de Crispin do Amaral, que decorou parte do teatro Amazonas. É uma das mais spetaculares daquela época.

Tenho também muita coisa de Manaus e inclusive alguns cartões comentados, da época do bombardeio, bastante interessantes, que posso lhe enviar. Acho muito legal que, ao colocar as fotos, você geralmente comenta sobre a cidade e os riscos que ela corre. Tem muita gente divulgando a cidade, mas de forma leviana, achando tudo lindo e maravilhoso, mas não toma posições firmes contra as elucubrações de governantes.

Seria triste se Manaus se tornasse apenas mais uma cidade grande brasileira: bagunçada, desorganizada. Mas creio que com gente se manifestando publicamente, como você faz (e eu vi que o blog é bastante visitado) há esperança de que a cidade não se perca na modernidade e esqueça seu passado. (sempre me emociono quando vejo as fotos, notadamente as do atelier de Huebner & Amaral (Photographia Allemã) e noto a cidade impecável.

Não conhecia a foto da avenida Eduardo Ribeiro, tirada do que penso ser o IEA e ainda com o casarão dos Miranda Correa: a cidade limpa, bela, sem fios, urbanização de primeira, a Paris das Selvas, caso único no mundo.

Uma vez eu estava fotografando o que sobrou de um dos mais antigos prédios de Manaus, uma das lojas atacadas pelo "turco-circuito" no início da Rua dos Andradas: um sujeito grande, quase não falava português, de barba, tentou me bater. Dá para você ver as verdadeiras intenções. Esse povo tinha de estar na cadeia.

quarta-feira, 18 de março de 2009

PERSONAGENS DE MANAUS: COCOTA E LAMEGO

O jornalista Orlando Farias, juntamente com o Mário Adolfo, Simão Pessoa e Marcos Gomes, publicaram o livro “Amor de Bica”, no ano de 2005, editado pelo Coletivo Gens da Selva, com o apoio da Secretaria de Cultura do Amazonas. Nas páginas 24, 25 e 26, comentam sobre duas figuras da cidade de Manaus: Cocota e Lamego. O título é bastante sugestivo: “Dois Fenômenos, Duas Lendas”, é mais ou menos assim:

(... A BICA respira mesmo ares muito civilizado. Dois casos são clássicos e reveladores da oxigenação do ambiente. O ex-fora da lei Euler Silva, o popular “Cocota”, e o policial Lamego, que se fez acompanhar durante muito tempo pela suspeita de matador e maligno.

Cocota é uma lenda da Praça São Sebastião (hoje Largo) e de seus arredores, tendo se envolvido com tráfico de drogas e outros pequenos ilícitos. Lamego foi objeto de muitas reportagens citado sempre como exterminador. A acusação ele sempre rechaçou “ - Na verdade, fui apenas duro no cumprimento da lei e no combate permanente com os bandidos”, ressalva hoje.

Lamego admite que deve muito a BICA e aos estudos, aos quais resolveu se debruçar após 30 anos, pela superação definitiva daquele triste drama. “Na BICA, eu me purifiquei bebendo na experiência de vida de muitos amigos”, conta Lamego. Diz que aprendeu boas doses de humanismo, de ética e de democracia. “Hoje eu sou muito mais ponderado, crítico e devoto uma importância grande aos estudos”, diz.

Lamego continua investigador de ponta da Policia Civil, mas tem um grande orgulho na vida, conseguiu concluir um curso superior e ser Psicólogo, profissão que já começa a exercer, ao mesmo tempo em que vai levando adiante os estudos de pós-graduação.

Cocota, por sua vez, aprontou tudo o que tinha direito. Foi morar na rua protegido por uma companhia lendária – a de uma cadela, cujo maior feito foi tê-lo esperado dois meses à porta do presídio Raimundo Vidal Pessoa. No dia em que de lá saiu, dois meses após um flagrante por levar consigo algumas trouxinhas de maconha, lá estava a cadela à sua espera.

Cocota jamais foi um homem perigoso à sociedade. Na verdade, naufragou sob o impacto das ondas ditadas pelas mazelas sociais e do banzeiro da mediocridade das estruturas do Estado, que não lhe permitiram, em detrimento da vida, ser um simples vagabundo.

A história de Cocota foi muito bem ilustrada pelo jornalista Inácio Oliveira, biqueiro, numa reportagem no jornal Amazonas em Tempo e legou um título inesquecível: “Admirável Vagabundo”. Mais recentemente, no ano de 2003, Cocota foi motivo novamente de uma reportagem levada a efeito pela assessoria de imprensa do Tribunal de Justiça do Amazonas. Ele foi identificado com um dos muitos casos de pessoas que não viraram reféns do crime, após entrar em seus subterrâneos e deles sair intacto.

Cocota foi se retirando dos submundos pela ação assistencial da igreja capuchinha de frei Fulgêncio Monacelli e com a ajuda de muitos biqueiros, com destaque para o psiquiatra Rogelio Casado e o delegado aposentado Trindade.

Reabilitado socialmente, sem dever nada à Justiça ou à sociedade, Cocota cumpre uma missão pra lá de louvável a qualquer ser vivente que habite esse planetinha azul tão açoitado por impactos das guerras, das revoluções industriais e tecnológicas que se sucedem e das devastadoras perdas impostas pela exploração criminosa das matérias-primas. Cocota coordena no Paricatuba (margem direita do rio Negro, em frente da cidade de Manaus) um projeto de reprodução de mudas nativas da Amazônia para reflorestar áreas degradadas da floresta...)

É isso ai, a história desses dois amigos é prá lá de interessante; o Lamego continua estudando, agora é acadêmico de Direito, futuramente será um Delegado de Polícia. O Cocota continua nas suas idas e vindas de Paricatuba; lá é hóspede cativo do Paulo Mamulengo, aqui em Manaus prefere ficar dormindo na Rua Marcílio Dias, em frente a Casa do Trabalhador! Continua sendo o nosso eterno admirável vagabundo.

terça-feira, 17 de março de 2009

CORONEL JORGE TEIXEIRA DE OLIVEIRA


O Coronel Jorge Teixeira, conhecido por "Teixeirão", figura como o primeiro da lista dos prefeitos de Manaus (top of mind) - pode perguntar em qualquer esquina, principalmente dos que já passaram dos cinquenta anos, será com certeza o mais lembrado!

Foi nomeado Prefeito de Manaus em 15 de Abril de 1975, pelo então governador Henock da Silva Reis,  recebendo a PMM pelas mãos do presidente da Câmara Municipal e Prefeito interino, Ruy Adriano de Araújo Jorge. Um dos marcos da sua administração foi a implantação do Plano de Desenvolvimento Local Integrado (PDLI), que foi logo transformando em lei e posto em execução.


O coronel Jorge Teixeira foi também o último governador do antigo Território Federal de Rondônia e o primeiro governador do novo Estado. Ele foi nomeado pelo Presidente da República João Baptista de Oliveira Figueiredo, assumindo o cargo em 10 de abril de 1979. Sua principal tarefa era transformar o Território Federal de Rondônia em Estado.

Jorge Teixeira de Oliveira nasceu em 03 de junho de 1921, na cidade de General Câmara, Rio Grande do Sul. Filho de Adamastor Teixeira de Oliveira e Durvalina Estibem de Oliveira. Tinha curso superior, formado pela Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN), na turma de 1947. Fez mestrado em Educação Física, na Universidade Federal do Rio de Janeiro, em 1963. Casou-se com dona Aida Fibiger de Oliveira,  teve dois filhos, Rui Guilherme Fibiger Teixeira de Oliveira e Tsuyoshi Myamoto (criação). Enquanto esteve no exército, foi o criador e primeiro comandante do Centro de Instrução de Guerra na Selva (CIGS) e primeiro comandante do Colégio Militar de Manaus (CMM).


A Avenida Djalma Batista, uma das principais vias de ligação dos bairros ao centro, foi umas das importantes obras do prefeito. Uma justa homenagem ao Teixeirão foi a criação do bairro Jorge Teixeira, pelo então prefeito Arthur Virgílio Neto, em 14 de março de 1989, com a distribuição de lotes para pessoas carentes, principalmente do bairro do São José.

SELVA! Este famoso brado é também devido a ele; ecoa por toda a Amazônia. Grande guerreiro, cumpriu a sua missão na terra, com bravura, honradez e amor para com o povo brasileiro e a sua pátria. Selva!

sexta-feira, 13 de março de 2009

SAPATEIROS E ENGRAXATES

Segundo a Wikipédia, a enciclopédia livre ; “a tradição remete ao ano de 1806 o nascimento do ofício de engraxate, quando um operário poliu em sinal de respeito às botas de um general francês e foi recompensado com uma moeda de ouro por isto. Durante a Segunda Guerra Mundial apareceram os “sciusciàs”, garotos que para ganhar qualquer coisa lustravam as botas dos militares, além de terem cópias de jornais, goma de mascar e doces. Após a imigração italiana aparece, por volta de 1877, na cidade de São Paulo, os primeiros engraxates. No início eram poucos, de 10 a 14 anos, todos italianos e percorriam as ruas, das 6 horas da manhã até a noite, com uma pequena caixa de madeira com suas latas, escovas e outros objetos”.

Ao escrever sobre a Rua Marechal Deodoro e o prédio do J. G. Araújo, lembrei dos sapateiros e engraxates que ficavam na Avenida Eduardo Ribeiro, ao lado Pag & Lev. Com o incêndio do prédio, foram deslocados para o Largo da Matriz, entre a Avenida Sete de Setembro até a entrada do antigo Aviaquário. Até com os engraxates praticamos a fidelidade; faz décadas que procuro os serviços de um senhor, nunca perguntei o seu nome; enquanto ele faz a meia-sola (coisa de pobre!) conversamos sobre diversos assuntos, sem saber o seu nome de batismo ou apelido!

O mais tradicional sapateiro de Manaus chamava-se Oscar, morador da Rua Igarapé de Manaus, executava os seus serviços na Rua Lobo Dàlmada, além de ser o bamba na sua profissão, era também um campeão de pesca de Tucunaré; uma vez o homem pegou até um Peixe-espada (Trichiurus lepturus), uma raridade no Rio Amazonas, pois é peixe de água salgada.

Um caso de chocou Manaus na década de 70, foi quando o empresário Figueiredo, proprietário da Pensão Maranhense e do lupanar Verônica (hoje Millennium Center), seviciou e matou o engraxate Walderglace.

Atualmente, os engraxates não são privilegio somente dos marmanjos, até as mulheres estão entrando no mercado de trabalho. Atendendo aos novos preceitos do marketing, encontramos jovens engraxates, vestidos de paletó e gravata, na Praça do Caranguejo, no Eldorado, zona centro sul de Manaus. Por sinal, o Sebrae/Am possui um projeto chamado “Pés com Sapatos Brilhantes”, ministrando cursos de Excelência em Liderança (ELI) para garotos que vivem em situação de risco social em Manaus.

Quem freqüenta o Largo de São Sebastião, conhece o engraxate Sebastião Queiroz, conhecido por Tim Maria, o cara é polivalente: além de polir o “pisante” dos bacanas, faz uns biscates no Bar do Armando e no Salão Brasil, vende pipocas, é gari da Tumpex, empresta money para muito nego surubim (liso, mas cheio de pinta!), além de ser considerado o engraxate oficial de alguns membros do judiciário.

Vai uma engraxada aí tio? Apenas um real! Com a crise que ora atravessamos, com certeza meia-sola não será mais coisa de pobre, a profissão estará em alta!

ENCONTRO DOS RIOS

E as águas se encontraram
negramente
café-com-leitemente

É um encontro
numa separação nítida
divisória

Parece ilusão mágica
esta drástica separação
o café puro
o puro leite
se torna creme

O universo treme e
se escoa
no mundo criador
de uma canoa

Um encontro ou desencontro?
encontro da lágrima
ou sorriso do pranto?
alegria do mito
ou tristeza do fato?
amor infinito
ou desamor caricato?

Negro-Solimões
barro em suspensão
solidez
negra
decomposição
divisória das águas
separação nítida e
coerente: - Sou café.
- Sou leite, minha gente!
O leite serpenteia,
invade a solidão negra
O negro serpenteia
repele a pálida invasão
e num sorriso
ácido-amarelo
fingem dar as mãos



João Bosco Seabra
9223-4855