sábado, 31 de julho de 2010

AS FORÇAS ARMADAS BRASILEIRA NA AMAZÔNIA

Os brasileiros que viveram o terror da ditadura, não querem nem ouvir falar sobre as forças armadas, talvez se lembrem daquele ditado “gato escaldado tem medo de água fria”, pois é mano velho, mas, na hora do “Pegar Pra Capar” quem é que vai nos defender de uma invasão internacional - serão eles, os nossos bravos soldados brasileiros. Podes crer, dou o maior valor à atuação dos militares brasileiros, principalmente aos que servem na nossa Amazônia.

O exército brasileiro além de estar presente em toda a faixa da fronteira da Amazônia, faz também o papel do governo federal (muito omisso), dando assistência médica e educacional aos povos da floresta, abrem estradas, constroem aeroportos, fornecem o apoio logístico às populações que vivem neste mundo de meu Deus (abandonados pelo Poder Público) – a Marinha faz missões de fiscalização e apoio aos ribeirinhos, além da FAB fazendo todo o controle aéreo da Amazônia.

A nossa Amazônia sempre foi e sempre será cobiçada pelos gringos – os ingleses e holandeses já andaram por estas plagas, tanto que fomos forçados a construir varias fortificações, lembram-se do Forte de São José, onde foi criada a cidade de Manaus, bem como, o Forte do Presépio, dando origem a cidade de Belém, pois é meu irmão, naquele tempo já éramos ameaçados, imaginem no século XXI – é uma realidade, os outros países ditos desenvolvidos já desmataram quase todas as suas florestas, dizimaram com toda a sua população indígena, estão acabando com as fontes de água potável e com os recursos naturais – é agora papai? Com certeza, podem escrever, eles estão de olho na última fronteira do planeta Terra, aonde a mata está praticamente intacta (apesar das queimadas),  tem água em abundância (no século XXII as guerras serão motivadas por água e não por petroléo)  e uma imensa fonte de recursos minerais – a nossa Amazônia brasileira. E no século XXII, tentem imaginar como será a pressão. Talvez os nossos tataranetos terão que morar numa Estação Orbital, no espaço sideral,  pois pelo andar da carruaguem, estamos partindo em direção  da autodestruição do planeta azul, espero estar errado, mas, quem avisa amigo é, já dizia o ditado popular!

O exército brasileiro sabe muito bem disso, tanto que eles fazem diariamente operações na selva, dotaram a Amazônia de um sistema de defesa muito grande, além de aceitarem em suas tropas os nossos irmãos indígenas (a floresta é a sua casa), estão comprando aviões e equipamentos de tecnologia de ponta, além trazerem militares do sul e sudeste para aprenderem a lutar na selva amazônica. Os  guerrilheiros colombianos já tentaram invadir parte da Amazônia, o exército brasileiro prontamente foi para o fronte e mandou os caras correrem. Caso um dia a Constituição permitir e, o exército aceitar treinar os  civis para repelir uma eventual invasao da Amazônia, podem contar comigo - serei também um guerreiro da selva!.

Na realidade, conhecemos muito pouco sobre a atuação dos militares, eles são muito fechados com relação à sociedade civil, pode ser que este assunto seja de segurança nacional – sendo ou não, o importante é darmos todo o apoio ao exército, marinha e força aérea brasileira.

o próximo presidente do Brasil tem o dever de dotar de todos os recursos necessários para o reaparelhamento das nossas forcas armadas.  Preservar o meio ambiente, requer também a proteçao da Amazônia - as forças armadas brasileira tem esta missão!

SELVA GUERREIROS DA AMAZÔNIA!



quinta-feira, 29 de julho de 2010

AMAZONENSES & PARAENSES


E éramos todos paraenses, não adianta aquela velha briguinha entre os amazonenses e paraenses – estava todo mundo dentro do mesmo saco! É isso mesmo, meu irmão! Quando a Coroa portuguesa resolveu dividir o Brasil em Capitanias (divisão administrativa que originou as províncias e os Estados de hoje), formando em 1737 a Capitania do Grão-Pará, com capital em Belém do Pará – era formado pelo Amazonas, Pará, Roraima, Maranhão e Piauí.

Ficamos 18 anos sob o domínio dos paraenses, pois somente em três de março de 1755 é que o Amazonas e o atual Estado de Roraima foram desmembrados, com a formação da Capitania de São José do Rio Negro, com a capital na Vila de Mariuá (atual Barcelos).

Com a Independência do Brasil, ocorrido em 7 de Setembro de 1822, as Capitanias viraram Províncias, e, em 15 de Agosto de 1823 voltamos novamente à submissão dos paraenses, com a formação da Província do Grão-Pará, com a capital em Belém. 


Na semana da pátria e do Amazonas, comemora-se no dia 05 de Setembro, a elevação do Amazonas à categoria  de Província (1850), ou seja, a data da nossa autonomia política.

Este processo histórico de submissão levou os nativos dos dois Estados a certa discórdia, um fica zombando do outro e, não bebem Tacacá na mesma cuia - tornou-se uma coisa cultural, igual aos brasileiros em relação aos portugueses, cariocas e paulistas, brasileiros e argentinos etc.

Quando alguém nascido em outras plagas, principalmente os nossos vizinhos paraenses, desejosos em ridicularizar algumas ações ou tomada de posição dos amazonenses, falam dessa forma: 


- É por isso que o Amazonas não passa de uma província! Utilizam este termo de uma forma pejorativa, com conotação de atrasado ou superado. 


Ainda existem outros tantos que quando querem sacanear a cidade de Manaus, falam assim:


- Esta cidade não passa mesmo de um Porto de Lenha! No sentido de cidade pequena e atrasada, mas, por incrível que pareça a canção mais adorada pelos manauenses é aquela composição do Torrinho e do Aldísio, chamada “Porto de Lenha - Tu nunca serás Liverpool, com a cara sardenta e olhos azuis...”


Alguns dizem: - Ao chover o amazonense não sai de casa nem com nojo, êta povo preguiçoso! Ou do tipo: - Amazonense só come Jaraqui com Farinha! E por aí vai!

Por outro lado, os amazonenses adoram fazer piadinhas com relação aos paraenses.


Dizem que o curimim paraense quando quer comer, abre o choro e manda ver:


- Maaaenhê eu quelo cici com queié!  - se referindo ao Açai com Jacaré, a broca preferida dos paraenses. 


Outras fazem piadinhas de mau gosto, sempre enfatizando que o paraense é chegado a um objeto alheio. Um carioca gozador sabendo dessa “onda” entre os dois vizinhos - fez a seguinte piada: - Um paraense foi morar em Manaus, passou mal e precisou fazer uma transfusão de sangue (de amazonense, é claro!), depois de restabelecido, o paraense detonou: “Estou com uma vontade de roubar, mas me dá uma preguiça da porra! Não sei o que está acontecendo comigo!


Outros falam assim: - Eu não sou racista, só não gosto de paraense (macho), mas uma paraense (fêmea) tô dentro! E por aí vai!

Esta divergência por ser cultural, não vai acabar nunca, no entanto, deveremos “aparar as arestas” e entender que a cultura do povo Baré e Tupinambá, representando pelos amazonenses e paraenses, possuem uma afinidade muito grande. As cidades de Manaus e Belém são muitas parecidas, assim como, o folclore, as tradições, a música e a gastronomia. 


Senão vejamos:

Manaus, Belém, Mercado Adolpho Lisboa, Mercado Ver-o-Peso, Igreja Matriz da Nossa Senhora da Conceição, Basílica de Nazaré, Porto Rodoway, Porto de Belém, Teatro Amazonas, Teatro da Paz, INPA, Museu Emilio Goeldi, Jaraqui, Jacaré, Tacacá, Maniçoba, Pato no Tucupi, Caldeirada de Tambaqui, Sopa de Piranha, Toada de Boi, Carimbó, Quermesse de São Sebastião, Círio de Nazaré, Boto Tucuxi, Mapinguari, Festival de Parintins, Çairé, Essência de Pau Rosa, Patixuli, Mano!, Pai d´egua! Cerveja XPTO, Cerveja Cerpa, Praias de Maués, Praias de Alter do Chão, David Assayag, Célio Cruz, Nilson Chaves, Pinduca, Tucumã, Açaí, Artesanato Indígena, Artesanato Marajoara, Vilvadão, Mangueirão, Nacional, Paissandu, Aeroporto Eduardo Gomes, Aeroporto Val de Cans, por aí vai...

Aviso aos navegantes: amazonenses e paraenses - fazemos parte da mesma aldeia, a cultura é a mesma, somos irmãos, guerreiros e defensores da Amazônia e do seu povo. 

Foto Colagem: J. Martins Rocha

MANAUS ANTIGA - CARTÃO POSTAL

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quarta-feira, 28 de julho de 2010

PRAÇA D. PEDRO II - MANAUS

Recebi um e-mail de uma leitora do nosso blog, solicitando que escrevesse sobre a Praça D. Pedro II, fiquei a conversar com os meus botões: como poderei escrever sobre a nossa Manaus antiga, pois não sou historiador, não chego nem aos pés do que escreve o Otoni Mesquita e nem a um quilômetro de distância do que escreveu o saudoso Mario Ypiranga Monteiro - mas, insisto em escrever, bebendo da fonte do material disponível na internet, apesar de odiar o famoso “Crtl + C e Crtl + V (copiar e colar) e de dispor de alguns livros conseguidos nos sebos da cidade de Manaus.

Vamos fazer o seguinte nobre leitor: irei escrever o resumo do resumo do que os historiadores e pesquisadores escreveram e, dando a minha impressão de como se encontra, atualmente, este importante espaço público.

Os nossos irmãos índios, já habitavam este lugar muito ante do invasor lusitano chegar; recentemente, na tentativa da reforma da Praça e do Paço da Liberdade, foi encontrada no local uma Urna indígena, tornando o local sagrado, pois ali fora um Cemitério Indígena. O sítio arqueológico daquela área, foi pesquisado por um alemão, chegando a conclusão que data entre 100 e 800 anos d.C.

Lá pelos anos de 1832, o local era conhecido como Largo do Pelourinho – era uma praça, onde existia uma coluna de madeira (pelourinho), servindo para castigar (açoites) os criminosos de penas leves.

Com o término do Pelourinho em 1855, o local recebeu diversas denominações, por último, era conhecido como Largo do Quartel, e, finalmente, Praça D. Pedro II, uma homenagem ao último imperador do Brasil, deposto em 1889 com a proclamação da República - foi remodelado nos anos de 1893/1895, na administração do governador Eduardo Ribeiro.

Segundo a historiadora e agente de viagem Thérése Aubreton, uma francesa que escreveu um livreto “Caminhando por Manaus”, na qual descreve os dois monumentos da Praça: “Chalet de Ferro – observa-se o belo coreto de ferro, fabricado pela firma inglesa Francis Morton & Co. Ltd. Liverpool, de acordo com a inscrição localizada na base quadrada das colunas. em estilo simples, foi edificado sobre uma base octogonal de alvenaria maciça. As grades de parapeito apresentam círculos e elipses com flores estilizadas. Oito esbeltas colunas sustentam ainda o teto, que no inicio do século era beirado por lambrequins (não existem mais). As colunas sustentam, ainda, arcos decorados muito elegantes, com rendilhado em ferro. Fonte de Bronze – rica em detalhes, a base de alvenaria dividi-se em quatro partes, por elementos de bronze pintados de verde. Em cada ângulo do conjunto vê-se graciosos meninos com cara de anjinho, segurando ânforas. Entre cada menino, acima de grandes conchas, vê-se casais de seres do mar segurando tridentes. Mais acima, uma grande bacia de bronze recebe águas vertidas através das bocas de máscaras antigas, na parte superior da fonte mostra quatro musas sentadas, cada uma segurando um objeto (lira, pergaminho, tridente e prancheta). No topo da fonte observa-se outra bacia e quatro golfinhos de bronze artisticamente segurando um globo”.

O grande historiador Mário Ypiranga escreveu que a fonte ornamental foi encomendada a John Birch @ Cia (Bohen & Birch), de Londres, instalada em 1893 – no mesmo ano, foi colocado na Praça um total de 48 bancos de madeira em armação de ferro, fornecidos por S. M. Santos.

Na época áurea da borracha, aquele lugar era freqüentado pela elite de Manaus, também pudera, a Praça era bonita, elegante, charmosa, passeavam em suas charretes, os barões freqüentavam o Hotel Cassina, acendiam os seus charutos com nota de quinhentos mil reis, no seu entorno tinha o Paço da Liberdade e o Palácio Rio Branco, tudo do bom e do melhor acontecia por lá – depois, veio a decadência, a crise da borracha, o local ficou esquecido, depredado, escuro, marginalizado.

Na década de sessenta, veio a redenção para a cidade de Manaus, foi criada a Zona Franca de Manaus, porém, o local continuava sendo uma Zona (puteiro, mesmo!). Houve uma tentativa de revitalização, o então prefeito Serafim Corrêa, conseguiu uma montanha de dinheiro do Projeto Monumenta, do Ministério da Cultura, infelizmente, tudo o que aquele alcaide começou, não terminou! O prefeito atual cruzou os braços, nada vez para ressurgir das cinzas aquele lugar. Recentemente, o governo estadual reformou totalmente o Palácio Rio Branco – palmas para o Robério Braga e vaias para o Serafim e o Amazonino Mendes!

Não aconselho ninguém passar por lá, na verdade, desejo sim, parece contradição, mas não é – apesar de estar abandonado e entregue as “meninas”, mendigos e vândalos, o local deve ser conhecido e valorizado e, aqueles de poderem escrever, gritar, forçar a barra, enfim, batalhar junto ao governo municipal, no sentido de dar prosseguimento ao programa de revitalização da nossa Praça D. Pedro II.

Para quem desejar se aprofundar sobre o assunto - foi disponibilizado na net um trabalho do Jhonathan Nogueira Martiniano, do Curso de Turismo da UFAM e da Elizabeth Filippini, professora doutora em História da UFAM - http://www.revistas.uea.edu.br/old/abore/comunicacao/comunicacao_pesq/Jhonathan%20Martiniano.pdf    

terça-feira, 27 de julho de 2010

AVENIDA JOAQUIM NABUCO

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É considerada como uma das mais extensas de Manaus, com início na margem esquerda do Rio Negro, na “Manaus Moderna” e termina na Avenida Airão, cortando todo o centro antigo.


O nome da avenida foi em homenagem ao pernambucano Joaquim Aurélio Barreto Nabuco de Araújo, político, diplomata, historiador, jurista, jornalista e um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras.

Foi considerada uma das mais belas de Manaus - na época áurea de borracha - os barões construíram casas de alto padrão, como exemplos, temos o Palacete dos Nery, um dos mais bonitos da cidade, encontra-se abandonado pelos proprietários e pelo poder público e, o prédio da Beneficente Portuguesa, felizmente, todo restaurado, pintado, uma beleza!

A Joaquim Nabuco juntamente com a Getúlio Vargas, Sete de Setembro, Eduardo Ribeiro, Ramos Ferreira, Leonardo Malcher, Boulevard Álvaro Maia, Saldanha Marinho, Epaminondas e João Coelho (parte da atual Constantino Nery), constituem as principais ruas e avenidas do centro antigo de Manaus, fazem parte da infância e adolescência dos manauaras das décadas de 40, 50 e 60, pois a nossa cidade era muito pequena e tudo girava em torno desses locais. Todo mundo conhecia todo mundo! Que tempo bom!

Por lá existia a Padaria Frankfort, demoliram e virou estacionamento dos donos do CO; a Fábrica de Guaraná Andrade, o prédio abriga várias lojas do ramo de refrigeração; a Casa Renascença, o dono era o Sr. Armindo, virou um restaurante popular; Bar Janela, na esquina com a Rua Huascar de Figueiredo, foi ao chão, virou estacionamento da Uninorte.

Abro o espaço para fazer uma denúncia e mostrar a minha indignação: um dos maiores destruidores das casas centenárias da Avenida Joaquim Nabuco chama-se Uninorte, na pessoa do seu fundador, o professor Waldery Areosa, mesmo assim, ainda foi homenageada pela Câmara Municipal de Manaus, com a medalha de Ouro Rodolpho Valle, pelos relevantes serviços prestados na área educacional – para se ter uma ideia, o homem destruiu vários quarteirões, desde a Rua Huascar de Figueiredo até a Avenida Ramos Ferreira, para construir as suas faculdades.

Apesar de tudo de ruim que fizeram com a nossa Avenida Joaquim Nabuco, não dá para esquecer o Russo, um famoso fabricante de Papagaios de Papel; dos meus colegas e professores do Colégio Barão do Rio Branco; da Escola de Música da UFAM, hoje DCE, onde levava os instrumentos de cordas consertados pelo meu saudoso pai; do pão nosso de cada dia das padarias Modelo e Frankfort, das Mangas Rosa e dos curativos feitos na Beneficente; da trágica morte do meu coleguinha Rofe, na esquina da Huascar de Figueiredo com a Joaquim Nabuco; das caixas (de pinho) de bacalhau, utilizados nos tampos do violões e, dos ranchos fiado feitos na Renascença, naquele tempo era muito comum usar uma “Caderneta de Crédito”; da loja onde comprava as minhas moedas antigas; dos ranchos que a vovó pegava lá na LBA; dos ônibus de madeira que circulavam por lá, das matinês no Cine Popular, apelidado de Cine Poeira, enfim, tenho muitas lembranças da Avenida Joaquim Nabuco.

Ainda resistem no tempo a Casa Bolo Confeitado, Ferro de Engomar, Cine Popular, Colégio Barão do Rio Branco (onde fui alfabetizado), Colégio Nilo Peçanha, Colégio Santa Doroteia, Hospital Beneficente Portuguesa, Legião Brasileira de Assistência (atual Tribunal de Contas de União), Padaria Modelo, Canto do Quintela, Hotel Sombra; Arquidiocese de Manaus; Residência do Sr. J. Cruz, fundador do Guaraná Magistral; a Residência do saudoso Anísio Mello; a Fábrica de Velas (virou um a loja de material de construção); O Prédio da Búfalo; Hospital da Criança e, muitos casarões, apesar das descaracterizações das fachadas.

Esta avenida, outrora, uma beleza, está, atualmente, com uma boa parte descaracterizada, com alguns prédios abandonados e, uma parte dela, ainda prolifera a prostituição, motéis e drogas, apesar disto, o comércio ainda é intenso, principalmente na área de refrigeração, construção civil e material elétrico; existem muitos colégios e faculdades; clínicas médicas, drogarias e hospitais; muitas famílias ainda moram em toda a sua extensão.

Vamos torcer para que os proprietários dos imóveis e o Poder Público façam um trabalho de revitalização em toda aquela artéria, ainda é possível recuperar muito coisa.

Nunca será tarde para restaurar! As famílias devem também recuperar a sua autoestima e, voltarem a amar e a morar no centro antigo de Manaus!

Espero um dia olhar,
a nossa Avenida Joaquim Nabuco,
voltando a brilhar!

É isso ai!

Fotos/Colagem: J. Martins Rocha (foram tiradas domingo, na maior tranquilidade, pois de segunda a sexta-feira é uma loucura aquela Avenida).

segunda-feira, 26 de julho de 2010

JOVENS TARDES DE DOMINGO EM MANAUS


O Rei Roberto Carlos assim canta: “Hoje os meus domingos/São doces recordações/Daquelas tardes de guitarras/Sonhos e emoções/O que foi felicidade/Me mata agora de saudade/Velhos tempos/Belos dias...”. Apesar do saudosismo que sinto das minhas antigas tardes de domingo, confesso a vocês que, neste último domingo não senti nenhum gostinho do passado – foram muitas emoções nas “jovens tardes de domingo” da Manaus atual!

A Avenida Eduardo Ribeiro estava em festa, foram comemorados os dez anos da Feira de Artesanato, com shows de bandas locais, desfiles de modas, sorteios de brindes e outras “cosas mas”, contou com a presença de muitos turistas e das famílias manauenses; aproveitei para jogar conversa fora com o meu amigo Celestino, da banca de sebo “O Alienista”; visitei várias outras barracas, tomei o meu saboroso Suco de Guaraná com Mel e Amendoim, comprei o jornal Amazonas em Tempo – aproveitei para parabenizar a minha amiga Socorro Papoula (funcionária da PMM), pela organização do evento – foi show de bola!

Fiz questão de ler o meu jornal em dois lugares muito legais: no banco da Praça da Igreja Matriz e no Rodoway – o primeiro, é um lugar tranquilo, com poucas pessoas, muito arborizado, os pássaros cantam direto, dá até um pouco de sonolência, aproveitei, também, para caminhar pelo largo, não me canso de olhar para as árvores, os bancos, a imponente igreja da Nossa Senhora da Conceição, o antigo Aviaquário de Manaus e do Chafariz – o segundo, é um dos nossos cartões postal - ler o jornal dando uma olhada para o Rio Negro, para os barcos e a movimentação das pessoas indo e vindo do interior, fico pasmo com a “cabocaba” bebendo, a cerveja é servida em “tubo de ensaio” de um metro de altura – podes crer que é muito bom!

Depois fiz algumas compras na Feira da Banana e na Manaus Moderna – o dia era para apreciar, curtir, visitar os boxes, tomar água de coco, olhar os barcos regionais, enfim, ver tudo pelo lado bom, deixar um pouco de lado as criticas – encontrei velhos amigos, o Tony, seu filho mais novo e o avô Alberto Biondo; acertamos contatar com toda a galera dos velhos tempos do Mercadinho União, no Conjunto dos Jornalistas, para o nosso encontro em Agosto próximo – foi muito bom!

E a família como é que fica? Os meus pais já faleceram, os meus irmãos pegaram o beco, as assas dos meus filhos cresceram, voaram e fizeram os seus ninhos, sobrou somente para o meu xodó, a pequenina Duda, a minha caboquinha – ela adora olhar para o meu rosto já puído pelo tempo e eu adoro olhar para o seu rosto angelical – foi muito legal!

A tarde de domingo só estava começando, foi a vez de encontrar com os boêmios do Bar Caldeira, centro antigo de Manaus - até as três horas tem vez os tocadores “amadores”, os contadores de piadas e os “doidos” de Manaus – depois, chegam os “profissionais”, a caixa de som é ligada, toma vez quem está na vez, o bar fica apinhado de gente daqui e outras plagas, o fuzuê vai até as seis da tarde – pense num lugar pai d´egua!

Tá pensando que o show terminou? Ledo Engano! Foi a vez do encerramento do 5º. Festival Amazonas Jazz 2010, com o tema “A Selva Arde em Jazz” – o Largo de São Sebastião estava muito bonito, cadeiras para todos, palco giratório, telões para todos os lados, a comunidade pernambucana residente em Manaus estava em peso, pois foi o máximo o show do “MAESTRO FORRÓ E A ORQUESTRA POPULAR DA BOMBA DO Hemetério de Recife”, foram muitas machinhas, frevos e maracatu, lembrei da Banda da Bica de Manaus – Êta show arretado! Aproveitei para "matar a broca" no antigo "Kikão" (atual African House), bati um papo com o Tim Maia, com a Maria, Rosa e Joaquim do Tacacá e com o Chiquinho Pipoqueiro Marqueteiro. - É isso ai!

Chega mano velho! A tarde jovem de domingo de Manaus foi o bicho da goiaba verde! O sono veio e, o “véio” teve que “esticar a baladeira”, e, dormir o sono mais profundo. Domingo tem mais! Eu, hein!

sábado, 24 de julho de 2010

FEIRA DE ARTESANATO DA AVENIDA EDUARDO RIBEIRO

Esta feira foi fundada em julho de 2000, portanto, está completando dez anos de existência – a sua criação foi em decorrência da parceria do SEBRAE/AM e da Câmara dos Dirigentes Lojistas de Manaus/CDL, com o objetivo de criar um espaço turístico e formação de empreendedores. Foi também, uma forma de reunir os artesãos em um local apropriado para venderem os seus produtos diretamente aos consumidores.

Atualmente, a feira é administrada pela AFAPA - Associação de Feiras de Artesanato do Amazonas, uma entidade sem fins lucrativos que presta serviços a comunidade de Manaus. Conta também com o apoio da FAPEAM, que fornece financiamentos para aquisição de stand e capital de giro.

O local é na principal avenida do centro antigo de Manaus - a Avenida Eduardo Ribeiro; tornou-se o "point" das famílias manauenses para tomarem o seu café da manhã aos domingos e efetuarem as suas compras, além de ser mais um atrativo para os turistas.

Encontramos uma enorme variedade de produtos: artesanato indígena, sebos (livros, discos, etc.), quadros, bijuterias indígenas, doces regionais, colares, miniaturas de animais, artes com vidros espelho, cestas, bolsas, sabonetes artificiais, roupas com estampas amazônicas, ervas medicinais, livros, velas, sapatos, luminárias de decoração, itens de decoração para casamento.

O local é também preferido pelos artistas para fazerem as suas apresentações, encontramos palhaços, malabaristas, cover do Michael Jackson, Homem Estátua, além da roda de Capoeira e músicos andinos; na parte próxima ao Teatro Amazonas é o local preferido para as exposições – forças armadas, fotográficas, evangélicas, institucionais, etc.

A feira funciona somente aos domingos, no horário das 7h às 14h, contando com mais de 400 barracas, divididas em blocos: alimentação, vestuário e artesanatos. Vale à pena conferir!

O DESAFIO DE PRESERVAR O ENCONTRO DAS ÁGUAS

Os verdadeiros amazonenses, aqueles que amam esta terra e não medem esforços para defendê-la - estão de parabéns! Mais uma batalha foi vencida, contra a estupidez de um grupo empresários inescrupulosos, liderados nacionalmente pela Vale do Rio Doce e Bovespa (70%) e, regionalmente, pela Juma Participações S.A. (30%), empresa acionista do Grupo Simões (Coca-Cola), apoiados pelo ex-governador Eduardo Braga (candidato ao Senado da República) e pela Superintendência da Zona Franca de Manaus (SUFRAMA).

A mídia nacional, através do jornal O Estado de São Paulo, na figura do jornalista Washington Novaes, publicou um artigo se posicionando contra a idéia insana de construir o famigerado “Porto das Lajes” bem no meio do Encontro das Águas dos Rios Solimões e Rio Negro (um patrimônio paisagístico da humanidade). Abaixo, transcreve o referido artigo:

O DESAFIO DE PRESERVAR O ENCONTRO DAS ÁGUAS

Washington Novaes (*)

O Estado de S.Paulo

Que pensariam os norte-americanos e canadenses se, a pretexto de uma crise energética, se resolvesse desviar as águas do rio e, com isso, deixassem de existir as cataratas do Niagara? Que achariam japoneses se, com a descoberta de uma jazida de um metal precioso, se resolvesse implantar um grande projeto de mineração no sopé do Monte Fuji e de suas neves deslumbrantes? O escritor Ernest Hemingway poderia levantar-se indignado do túmulo se, com igual motivo, se decidisse escavar sob o Monte Kilimanjaro, na África, tema de seus escritos. Pois é com indignação que o poeta amazonense Thiago de Mello brada aos ventos contra o projeto de implantação de um terminal portuário ao lado do majestoso Encontro das Águas do Rio Negro com as do Solimões, que dá origem ao Rio Amazonas. Já há um forte movimento em Manaus para impedir que o projeto vá em frente (os defensores da obra argumentam com a "importância econômica" e a geração de empregos). E da oposição participa boa parte da comunidade acadêmica, que tem seus argumentos consolidados pelo professor Ademir Ramos, da Universidade Federal do Amazonas - que lembra também a importância histórica e científica dos sítios paleontológicos identificados na área.

O majestoso Encontro das Águas fascina brasileiros e turistas de outros países que vêm conhecê-lo (isso não é "importância econômica"?). O escritor Fernando Sabino escreveu (O Encontro das Águas, Editora Record, 1977): "Tudo aqui parece encerrar um sentido simbólico; os rios, as florestas, os animais e as plantas, os próprios homens. Aqui a natureza nos dá a sensação vertiginosa de que um dia fomos deuses. Aqui a alma se expande até perder-se no vazio onde o espaço e o tempo se confundem, para reencontrar-se numa vida além da vida, em que tudo se harmoniza - tempo e espaço, civilização e natureza, homens e deuses - numa perfeita integração."

Pois é nas proximidades desse fenômeno e em área de propriedade da União que se quer levar adiante um projeto de R$ 220 milhões, bancado por duas grandes empresas, com forte apoio em áreas políticas locais.

A Secretaria do Patrimônio da União, em Brasília, deu parecer contrário, mas a Gerência Regional no Amazonas opinou a favor do empreendimento e com isso liberou a regularização de "faixa de terreno marginal do rio federal" (Amazonas). O Ministério Público Federal conseguiu na Justiça, em Manaus, medida liminar sustando o licenciamento - mas ela foi revogada em Brasília pela Justiça Federal. Agora o Ministério Público estadual tenta reverter o quadro.

Segundo a proposta apresentada, o "cais de flutuantes será composto de 4 flutuantes de 65 metros de comprimento, 30 metros de largura (boca) e 4 metros de altura (pontal) cada um, perfazendo uma extensão total de 260 metros", à margem frontal ao Encontro das Águas. E tudo isso ocorre num momento em que se afirma universalmente a necessidade de reavaliar enfoques humanos diante de questões como mudanças climáticas, insustentabilidade de padrões de produção e consumo no mundo.

O próprio Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) está propondo implantar um novo índice que inclua o valor monetário dos serviços prestados gratuitamente pela natureza (fertilidade natural dos solos, regulação do clima e dos recursos hídricos, importância da biodiversidade para a criação de fármacos, etc.). E é com visões dessa natureza que precisam ser confrontados projetos que põem em risco patrimônios naturais e da biodiversidade. Neste momento mesmo estão no meio de polêmicas vários projetos de portos que implicariam esses riscos - em Santarém (PA), no litoral baiano, em Santa Catarina, no litoral norte de São Paulo.

Da mesma forma, o projeto considerado ameaçador para o Encontro das Águas que formam o Amazonas. Neste caso, precisa ser considerado também o patrimônio representado pelas visões da cultura popular amazônida - sempre tão desprezada. Segundo o escritor Márcio de Souza, ela só aparece como folclore "e depois que passa a polícia".

Mas quem viaja pelos rios da Amazônia vai descobrir de repente - como o autor destas linhas -, no Rio Nhamundá, no Lago da Serra do Espelho da Lua (que nome!), que a lenda das amazonas, para os moradores da região, não é uma lenda. É História, com H maiúsculo: elas habitavam a região, sequestravam homens para ter relações sexuais e a eles entregavam os recém-nascidos, se fossem do sexo masculino; com a aproximação dos colonizadores europeus, "elas foram fugindo para o norte, até depois da última cachoeira, em Roraima". Poderá descobrir que a "democracia do consenso" de que fala o antropólogo Pierre Clastres está em pleno vigor entre os índios maués, à beira dos Rios Andirá e Marau. A eles devemos, entre outras coisas, a descoberta das propriedades energéticas do guaraná, reveladas por seu herói criador. E muito mais.

É preciso abrir ouvidos aos poetas, aos artistas, que conseguem incorporar a importância dessas culturas. Como o próprio Thiago: "Vem ver comigo o rio e suas leis./ Vem aprender a ciência dos rebojos,/ vem escutar os cânticos noturnos/ no mágico silêncio do igapó /coberto por estrelas de esmeralda" (Outros Poemas, Global Editora, 2007). Porque, diz ele, "de caminho de barcos sabe o mar. Os ventos é que sabem dos destinos".

Os ventos populares, com certeza, desaconselham a rota que põe em risco o Encontro das Águas. Então, convém ouvir de novo Fernando Sabino, ao visitar esse lugar: "Aqueles que se encontram na fase de industrialização estão correndo constantemente o risco de empobrecerem e de se desnortearem em vários rumos. Talvez amanhã a riqueza de um povo seja medida pelos seus esforços a favor da conservação da Natureza, do seu ambiente natural, ou seja, pela capacidade de conseguir preservar a sua própria alma." E, como sentencia ele, "não se desafia em vão a natureza".

(*) O artigo do jornalista foi publicado nesta sexta-feira (23/7/10) pelo O Estado de S. Paulo http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20100723/not_imp585067,0.php    

Contato: e-mail wlrnovaes@uol.com.br

sexta-feira, 23 de julho de 2010

RELÓGIO MUNICIPAL DE MANAUS

Foi inaugurado em 1927, na administração do prefeito nomeado José Francisco de Araújo Lima (autor de Amazônia – A Terra e o Homem), fica na Avenida Eduardo Ribeiro e sua visitaçao faz parte do roteiro turístico da cidade Manaus.

O mecanismo foi importado da Suíça e montado, em base de pedra, sendo revisado e montado pela firma Pelosi & Roberti, localizada na Rua Municipal, atual Avenida Sete de Setembro, ao lado da Loja 4.400 (Loja Marisa). A loja era de italianos, por pouco não foi incendiada na segunda guerra mundial, porém a residência do Sr. Giulio Roberti, não teve a mesma sorte.

A cada hora, o relógio emite um som cativante, apelidado carinhosamente pelos manauenses de “Big Ben”, uma alusão ao famoso relógio inglês. A peça que produz a “batida” está quebrada; o conserto está a cargo da família Sahdo, permissionária de uma loja de venda e consertos de jóias e relógios, estabelecidos no local faz algumas décadas.

Existe uma inscrição em latin Vulnerant Omnes, Ultima Necat (Todas ferem, a última mata) – velha inscrição latina, alusiva às horas, significando que a cada hora fere a nossa vida até que a derradeira a roube. Este registro permaneceu durante anos na minha mente, era intrigante, não sabia o seu significado; os anos se passaram, somente agora surgiu o interesse em pesquisar e entender.

O Relógio continua "mudo" é uma pena! Foram tantos esforços dos nossos antepassados, no sentido de dotarem a nossa cidade do melhor e maior relógio público da região norte, deixaram um maravilhoso exemplar para ser admirado até hoje, porém, o atual alcaide da cidade nada faz para mandar consertar a tal peça defeituosa, a responsabilidade não é da família Sahdo, mas sim, do poder público municipal, pois o relógio é público, pertence a todos os manauenses.

Continuarei pesquisando sobre o nosso Relógio Municipal, tirando fotos e escrevendo a respeito - até a última hora da minha vida! É isso ai!

quinta-feira, 22 de julho de 2010

CENSO 2010 IBGE


Em 2010, o IBGE realizará o XII Censo Demográfico, que se constituirá no grande retrato em extensão e profundidade da população brasileira e das suas características sócio-econômicas e, ao mesmo tempo, na base sobre a qual deverá se assentar todo o planejamento público e privado da próxima década.

O Censo 2010 será um retrato de corpo inteiro do país com o perfil da população e as características de seus domicílios, ou seja, ele nos dirá como somos, onde estamos e como vivemos.

A fase preparatória da operação censitária teve início em 2007 e seus trabalhos foram intensificados a partir de 2008. A coleta está fixada para começar em 1º de agosto de 2010 e o início da divulgação dos resultados em dezembro do mesmo ano.

Nesta página, um dos canais de divulgação do Censo 2010, você encontrará as principais informações sobre o andamento da pesquisa.

Percorrer por inteiro um país como o Brasil, de dimensões continentais, com cerca de 8 milhões de km2 de um território heterogêneo e, muitas vezes, de difícil acesso, é uma tarefa que envolve grandes números. Veja, a seguir, os números que mostram as dimensões do Censo 2010.

• Universo a ser recenseado: todo o Território Nacional
• Número de municípios: 5.565 municípios
• Número de domicílios: aproximadamente 58 milhões de domicílios
• Número de setores censitários: 314.018 setores censitários
• Pessoal a ser contratado e treinado: cerca de 240 mil pessoas (coleta, supervisão, apoio e administrativo)
• Orçamento previsto: R$ 1,4 bilhão
• Tecnologia: centenas de computadores em rede nacional, rede de comunicação em banda larga e 220 mil computadores de mão equipados com receptores de GPS
• Unidades executoras: 27 unidades estaduais, cerca de 7 mil postos de coleta informatizados e 1.200 Coordenações de Subárea

Seja bem-vindo ao Censo 2010! www.ibge.gov.br/censo2010

quarta-feira, 21 de julho de 2010

MANÁOS - LUGAR DA MÃE DOS DEUSES



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Dr.Geraldo Mendes dos Santos ( * )

Em 1669 (exatos 332 anos atrás), na parte central da Amazônia, próxima à confluência do rio Negro com o Solimões, os portugueses construíram um forte, denominado São José do Rio Negro, com a missão de combater os invasores, sobretudo, espanhóis e holandeses. De acordo com os relatos históricos, ao redor deste forte desenvolveu-se um vilarejo de índios, missionários e aventureiros, denominado Lugar e mais tarde, Barra do Rio Negro. Cerca de dois séculos depois, o lugar passou à categoria de Vila e daí à capital da província do Amazonas, recebendo o nome de Manaus, uma homenagem aos índios Manáos, que habitavam a região e cujo nome tem o significado de "lugar da mãe dos deuses". Deixemos a história de lado e voltemos ao presente, para uma reflexão sobre este lugar e sua gente.

Primeiro fato, a ser destacado em letras garrafais: Manaus é linda! Espraiando-se nos baixios, nas bordas de igarapés (infelizmente, muitos deles já transformados em esgotos) ou nos platôs argilosos e emoldurada pela floresta de um lado e de outro, pelos rios Negro e Solimões, a cidade é realmente maravilhosa e nos faz lembrar as divindades, como nos lembram os índios.

Segundo fato: Manaus possui o povo mais hospitaleiro do mundo! Talvez aculturados sob a prodigalidade da natureza e sob pressão do isolamento geográfico, o caboclo aprendeu desde cedo que cooperar é melhor que competir e por isso seu senso de fraternidade e benquerença foi aquilatado ao máximo, ao longo do tempo.

Terceiro fato: Manaus é uma cidade-estado! Ela possui uma área de 143.337Km2, aproximadamente o tamanho do Pantanal mato-grossense e detém cerca de 90% da arrecadação e 50% da população do Amazonas. Fruto de um desenvolvimento acelerado, primeiramente por causa da borracha, entre 1870 e 1913 e depois por causa da Zona Franca, a partir da década de 60, a cidade adquiriu os piores vícios das metrópoles e já conta com uma população imensa, aproximadamente um milhão e seiscentas pessoas. A conseqüência mais imediata e drástica é aquilo que todos conhecem nas grandes cidades brasileiras: muita poluição ambiental, uma pequena casta burguesa boiando na ostentação e um imenso contingente de miseráveis imersos na mais absoluta pobreza. Para qualquer cidadão minimamente civilizado e sob orientação de elementares princípios éticos, essa situação produz um quadro tenebroso e desumano, com níveis econômicos desequilibrados e discriminantes. Ainda como causa ou conseqüência (ou talvez, as duas juntas), observa-se um certo abuso e descuido com as coisas públicas e os recursos da natureza: o lixo e a sujeira se acumulam por todos os cantos. No caso de Manaus, as balsas e os portos fluviais que ligam esta cidade à mesopotâmia e onde se encontram os melhores pontos turísticos, abrangendo os municípios de Iranduba, Manacapuru e Nova Ayrão, a imundície campeia: copos, garrafas e sacos plásticos se espalham por todos os lados. É uma vergonha!

Quarto fato: Manaus, como qualquer outra cidade do mundo, é produto da vivência, das atitudes, das ações e dos valores de seus cidadãos! Nós construímos as cidades e somos por ela construídos. Portanto, suas mazelas não podem ser atribuídas unicamente aos políticos. Todos somos responsáveis pelo quadro de nossas cidades e, portanto, para melhorar a situação é preciso um esforço conjunto, um ajuri, na linguagem do caboclo. É preciso um trabalho constante para a mudança de mentalidade, ainda muito vinculada ao desperdício e ao descuido com o meio ambiente. Precisamos cuidar dos nossos carros, nossos quintais, nossas ruas. Cada um fazendo sua parte de modo consciente, chega-se ao todo, mais saudável e harmônico. Em escala maior e numa visão holística, precisamos trabalhar para um equilíbrio responsável e inteligente, compatibilizando as realizações humanas, muito espalhafatosas e afeitas ao lucro com as belezas naturais, sempre muito discretas e ofertadas gratuitamente.

* ) Dr.Geraldo Mendes dos Santos, pesquisador
Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia -INPA
Coordenação de Pesquisas em Biologia Aquática-CPBA
Av.André Araújo, 2936, Cx.P.478, Bairro Petrópolis Manaus- AM 69060-001




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terça-feira, 20 de julho de 2010

ARTISTA PLÁSTICO ÁLVARO PÁSCOA

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Nasceu em Oliveira do Bairro, distrito de Aveiro (Portugal), em 1920, faleceu na cidade de Manaus, Estado do Amazonas (Brasil), em 1997. Considerado como um dos maiores representantes ilustres da classe dos artistas plásticos da cidade Manaus.

Segundo o site da Biblioteca Virtual do Amazonas/Pinacoteca http://www.bv.am.gov.br/portal/conteudo/pinacoteca/  “Em sua terra natal participava de militâncias socialistas e grupos de teatro experimental. Era um autodidata. Aprendeu as técnicas de entalhe, xilogravura e escultura observando os grandes artistas plásticos. Mudou-se para o Brasil em 1958, vindo a residir em Manaus onde rapidamente integrou-se aos movimentos culturais da época, um deles, o Clube da Madrugada, por meio do qual participou de diversas exposições com obras em técnicas variadas: esculturas, gravuras, entalhes e desenhos. Sua gravura era de cunho social, expressionista. Nos anos 60 fez xilogravuras e bico de pena para ilustrar livros de escritores e poetas. Suas obras fazem parte do acervo de diversos museus e de coleções particulares: Museu do Vaticano (Roma), Museu do Porto de Manaus e Pinacoteca do Estado do Amazonas, da qual foi um de seus diretores. A tendência de sua pintura era de uma constante busca pela liberdade, tal qual seu espírito”.

A seguir matéria publicada pela Universidade Estadual do Amazonas: "Tese estuda contribuição de Álvaro Páscoa para o ambiente artístico de Manaus.

Artista plástico, que integrou o Movimento Clube da Madrugada, Álvaro Páscoa (1920 - 1997) foi um dos expoentes de uma geração inquieta que encontrou na arte um caminho de libertação e contestação, nas décadas de 60 e 70. Suas obras, que se encontram expostas no Museu do Vaticano, Museu do Porto de Manaus e Pinacoteca do Estado do Amazonas, além de fazerem parte de coleções particulares no Brasil e no exterior, podem ser reconhecidas agora como pioneiras, no Amazonas, no que se refere a técnicas e estéticas. É o que indica recente pesquisa apresentada pela professora da Universidade do Estado do Amazonas, Luciane Páscoa, que buscou traçar relações culturais e artísticas entre Porto e Manaus, a partir da obra do artista. A pesquisa revela que Álvaro foi responsável pela introdução de técnicas e estéticas no ambiente artístico de Manaus, trazidas por ele do Porto, local onde obteve sua formação cultural. Luciane considerou o contexto majoritário de Brasil e Portugal em meados do século XX, bem como alguns aspectos específicos de ambas as cidades, que contribuíram para sua formação e atuação ideológica. Foram para isso arroladas fontes diversas que compreenderam acervos nos dois países. A documentação pertencente ao espólio pessoal do artista que, além disso, atuou como educador e agente responsável pela política cultural do Amazonas, também foi fonte de pesquisa.A tese doutoral foi defendida na Faculdade de Letras da Universidade do Porto, na área de História Cultural, com o trabalho "Relações culturais e artísticas entre Porto e Manaus através da obra de Álvaro Páscoa em meados do século XX ", cuja orientação ficou sob responsabilidade do Professor Doutor Eugénio Francisco dos Santos. O júri que avaliou a tese foi composto pela Profª. Dra. Fátima Nunes (Universidade de Évora), Profª. Dra. Maria Manuela Tavares Ribeiro (Universidade de Coimbra), Prof. Dr. Eugênio Francisco dos Santos, Prof. Dr. Jorge Alves, Prof. Dr. Aurélio Oliveira e Profª. Dra. Maria da Conceição Meireles Pereira, estes pertencentes à Universidade do Porto."

Quem desejar se aprofundar na tese de doutorado da Luciane Viana Barros Páscoa, basta fazer o download do material (são 385 páginas no formato PDF) no seguinte endereço:


O artista plástico Sérgio Moura (http://www.aartedesergiomoura.com.br/) , manauense, teve a sua formação inicial na Pinacoteca do Estado do Amazonas, atualmente, residindo no Paraná, foi um dos discípulos do Álvaro Páscoa, fez os seguintes comentários sobre o seu grande mestre: “Fui seu aluno na Pinacoteca de 1967a 1968. Embora acadêmico e conservador, com ele aprendi muito. Valorizava o bom desenho e me mostrou como abstrair a FORMA partindo de um objeto ou de uma figura humana. Ele dizia: "construo e depois destruo" no momento em que demonstrava pelo desenho ao vivo a transformação da imagem. Era tempo de negar o figurativo e eu já estava focado na arte abstrata. Aquela demonstração caiu como uma luva justa na minha mão. Ele era sincero e honesto no que fazia. Em outra ocasião, eu estava cortando o cedro (madeira macia adequada à confecção de matriz para xilogravura), e cortando de modo insuficiente, pois não conseguia ainda produzir o corte que deixasse a borda afiada, que promovesse consequentemente a impressão bem definida do traço gráfico. o Mestre falou: Sergio, "o corte tem de ser firme, fundo, violento da goiva", frase que eu jamais esqueci. Eu fui pra casa pensando na observação e aprendi para o resto da vida, pois sempre que se pretende obter, em artes gráficas, um traço bem definido, com qualidade de resolução é exatamente aquilo que tem de ser feito. Eu nunca faltava às atividades na Pinacoteca, pois aquele compromisso era sagrado para mim. E era tão pontual que muitas vezes cheguei junto com o Prof. Álvaro, sentindo de longe o aroma de seu cachimbo no ar da entrada do prédio. Paciente, ajudava-o a subir as escadas, ora segurando algum dos seus apoios, ora ele me dando o braço. Ali mesmo, já dávamos início a uma conversa que se prolongava pela tarde afora. A matéria era sempre desenho, Pintura, e Gravura. Eu sabia que tinha muito o que aprender com ele pois sentia que meu tempo na cidade duraria pouco até porque eu já tinha descoberto que o campo de nosso interesse era amplo e infinito”.

Conheci o Sr. Álvaro Páscoa na década de 70, todos os sábados ele visitava o meu papai, na Oficina de Violões “Bandolim Manauense”, na Rua Huascar de Figueiredo, centro de Manaus, foram grandes amigos e fizeram muitos trabalhos juntos, o meu pai era Luthier, o trabalho em madeira era o forte dos dois. Eu era apenas um adolescente na época e, aproveitava para lavar o seu automóvel Citroen, anos 60, ganhava sempre uns trocados para ir ao cinema aos domingos; a sua imagem e o aroma do seu cachimbo ainda estão guardados no fundo da minha memória! 

No final da sua vida, fomos visitá-lo em sua residência, situada no conjunto Jardim Paulista - o meu pai também se encontrava bastante enfermo - fez questão de fazer certa doação ao meu pai, foi uma forma de demonstrar a sua gratidão e  amizade que eles cultivaram por longos anos. Os dois amigos já partiram para o andar de cima, mas, as suas obras ficaram marcadas para o todo e sempre. Amém!

Viva o artista plástico Álvaro Páscoa! Viva!

segunda-feira, 19 de julho de 2010

A CERVEJA XPTO E A FAMÍLIA DOS MIRANDA CORRÊA

Fiz algumas postagens sobre o tema, com base nos relatos do Abraim Baze (livro “Miranda Corrêa, Histórias e Memória”) e da Ana Maria Daou (livro “A Belle Époque Amazônia”) - um dos descendentes da família Miranda Corrêa leu um dos post e me enviou um e-mail sobre a sua família. Leia na íntegra (com a devida permissão da Zélia):

“Primeiramente, quero me apresentar: sou Zélia de Miranda Corrêa, filha de Antonio Carlos de Miranda Corrêa Júnior, sobrinho de Maximino de Miranda Corrêa. Conheço muito pouco da história da família Miranda Corrêa, alguma coisa meu pai nos contou, mas ele morreu aos 67 anos, tivemos somente 17 anos de convivência. Ele se desgarrou da família, desde que foi morar no Rio de Janeiro; foi militar de Escola e veio servir como Major em Ponta Porã em 1938, hoje Mato Grosso do Sul e aqui conheceu a minha mãe, de origem gaúcha e, em 1941 foi transferido para o Rio Grande do Sul, onde nasceu a minha irmã mais velha (falecida), ele foi Cônsul do Brasil no Paraguai, durante 19 anos, onde nasceu meu irmão José Carlos de Miranda Corrêa e eu; entrou para a reserva e voltaram para cá (Mato Grosso do Sul). Meus pais se separaram e meu pai já doente, foi morar com a minha meia irmã, fruto do seu primeiro casamento, no Rio de Janeiro, onde faleceu em 1972. Já tentei fazer contatos com os de Miranda Corrêa de Manaus, mas não obtive respostas. Fiquei feliz por encontrado o seu blog e ler sua reportagem sobre a cervejaria. Papai me contava sobre ela - quando era pequeno, acompanhava seu pai ao trabalho, temos uma foto da cervejaria. Ele morreu com o sonho de um dia nos levar até Manaus, pegando um Navio em Santos, passear pela costa brasileira e subir o Rio Amazonas. Mas, eu quero um dia fazer essa viagem! Quando fui estudar no Rio de Janeiro, conheci três irmãs da família Daou de Manaus, e elas me contaram que meu tio avô era músico, e me trouxeram uma partitura de sua autoria, o nome da música é “Travessuras”, toco até hoje - é uma linda melodia – através do Orkut, também tive contato com uma pessoa, que fazia parte da comunidade da Escola Bennett, e vendo meu sobrenome, me disse ser amigo de Dioclecio de Miranda Corrêa, ele trabalhava na Brahma e foi transferido um tempo para Manaus. Disse que ficou estupefato com a estrutura da Cervejaria, que até hoje continua sendo contemporânea. Não quero mais ocupar o seu tempo, mas fiquei muito feliz em conhecer um pouco da história da família de meu pai, na verdade, eu gostaria de saber através da família que mora em Manaus, não só sobre a cervejaria, mas também um pouco do meu avô, que segundo meu pai, faleceu muito jovem”. E-mail: zelfla@terra.com.br  

Lendo o jornal “Amazonas Em Tempo”, edição de 18 do corrente, deparei com uma excelente trabalho do escritor Evaldo Ferreira, comentando sobre o assunto – transcrevo a seguir alguns trechos:

“XPTO, A CERVEJA CABOCLA – A Fábrica de Cerveja Miranda Corrêa, cuja pedra fundamental foi assentada em 20 de fevereiro de 1910 e inaugurada em 10 de outubro de 1912 pelos irmãos Miranda Corrêa (Luís Maximino e Antonino Carlos, engenheiros, Altino Flávio, almirante, e Deocleto Clarivaldo, médico), com o início da produção de cerveja e chope em barris, que faria fama entre os manauenses. A XPTO sobreviveu aos seus criadores, continuando a ser fabricada por mais de 50 anos. Ganharam o mundo, pois eram servidas nos navios que saiam de Manaus rumo à Europa. XPTO, que a primeira vista é uma sigla, na realidade é abreviatura do nome de Cristo em grego (Christós: X (qui), P (ró), T (tau) e O (omicron). O historiador Antonio Loureiro, descobriu que XPTO é uma gíria usada em Portugal desde o século 20 e falada até hoje e significa “OK, é o máximo”. O prédio da empresa, projetado na França, no estilo de um castelo bávaro. A pincha (ou tampinha) que fechava a garrafa tinha desenhado o mapa do Amazonas e seus rios, circundado pela inscrição Cervejaria Miranda Corrêa. O rótulo apresentava uma águia entrelaçada com o nome XPTO. Uma cópia de um anúncio visto na Times Square, em Nova York, por Antonio quando esteve lá. Quando a XPTO deixou de ser fabricada, em 1970, o historiador Ed Lincon Barros tinha apenas um ano de idade, mas ele descobriu que a empresa J. Macedo comprou o controle acionário da Cervejaria Miranda Corrêa e começou a fabricar a Brahma, em 1972, com novos e modernos equipamentos, aumentaram a produção, talvez não visse sentido em produzir duas marcas de cervejas ou mesmo a Brahma não permitisse que eles produzissem outra”.

Desejo parabenizar a todos que contribuíram com esta postagem, em especial, a Zélia de Miranda Corrêa, torço para que ela realize o seu sonho de um dia embarcar num navio no Porto de Santos (SP), viajar pela costa brasileira, subir o Rio Amazonas, chegar a Manaus e reencontrar com as suas raízes: a família manauense dos Miranda Corrêa e visitar o imponente castelo da Cervejaria Miranda Corrêa, andar por onde andou o seu saudoso pai quando era criança. É isso ai!

Fotografia: está disponível na internet e, pertence a antiga empresa de Manaus "A. Favorita".

sábado, 17 de julho de 2010

EVANDRO DAS NEVES CARREIRA



Brasileiro, amazonense, nasceu em Alvarães no dia 24 de agosto de 1927, advogado e professor, fez o secundário no Colégio Dom Bosco, fez medicina até o 2º ano na velha Faculdade da Praia Vermelha, no Rio de Janeiro,  conquistou o título de melhor orador universitário do Brasil em 1957, representando a Faculdade de Direito do Amazonas, contra 46 outras Faculdades do Brasil, cuja banca julgadora fora presidida pelo magnífico Reitor Pedro Calmon.


Elegeu-se Vereador por Manaus em 1959, obtendo a 2ª. Melhor votação  -  reelegeu-se em 1963 e, em 1974 elegeu-se Senador da República pelo Amazonas.
Desde 1960 na Tribuna da Câmara Municipal de Manaus vem afirmando: "A VOCAÇÃO HIDROGRÁFICA e SOLAR DA AMAZÔNIA, valendo todos os corolários que decorrem deste AXIOMA, como soem ser as VOCAÇÕES ICTIOLÓGICAS, A AGRÍCOLA VARZEANA, a HIDROVIÁRIA, a RIBEIRINHA, a FOTOSSINTÉTICA, USINA de ALIMENTOS e FÁRMACOS, através de sua BIODIVERSIDADE"

Exigiu a única providencia inteligente e fundamental para decifrar a HIDROESFINGE AMAZÔNICA: "O SEU INVENTARIO, ESVURMANDO, anatomizando, todas as suas ESPÉCIES, para saber QUEM É QUEM? QUEM AMA QUEM? QUEM ODEIA QUEM NA AMAZÔNIA, ISTO É, descobrir a sua HOMEOSTASIA.  
A AMAZÔNIA é a melhor grife, a melhor marca, a melhor propaganda do mundo. Nem a COCA-COLA empata com a AMAZÔNIA. Porém, a incompetência dos governantes do AMAZONAS e de MANAUS, do PARÁ e de BELÉM, nunca souberam aproveitar esse MARKETING.

CABOCLO! O QUE É DESENVOLVIMENTO? TENS CERTEZA MESMO QUE ÉS DONO DA AMAZÔNIA? Não achas que a AMAZÔNIA está nas mãos de grupos econômicos estrangeiros, e brasileiros, ligados a políticos vigaristas, corruptos, vendilhões-da-pátria... DONOS DE MINERADORAS, MADEIREIRAS, FAZENDAS DE GADO, LATIFÚNDIOS, INDÚSTRIAS DE APARAFUSAMENTO DE ELETRODOMÉSTICOS, das quais tu, quês és POVO, não és SÓCIO?”

É uma máquina de produção de trabalhos científicos, a grande maioria voltada para o estudo da Amazônia, confira:
- Amazônia : usina de alimentos para o terceiro milênio = Amazônia : food source for the   third millenium. Brasília : Senado Federal, Centro Gráfico, 1985. 64 p.
  - A biota amazônica e a energia nuclear. Brasília : Senado Federal , Centro Gráfico, 1978. 26 p.
  - A cidade é antropógafa. Brasília : Senado Federal, 1977. 32 p.
  - A consciência cósmica do índio. Brasília : Senado Federal, Centro Gráfico, 1978. 15 p.
  - Contra a venda da floresta amazônica. Brasília : Senado Federal, Centro Gráfico, 1979. 36 p.
  - A crise estudantil. Brasília : Senado Federal, 1977. 4 p.
  - Ecologia : meio-ambiente é o grande problema? Brasília : Senado Federal, Centro Gráfico, 1979. 26 p.
  - O extrativismo preservou a Amazônia. Brasília : Senado Federal, 1978. 18 p.
  - A grande farsa. Brasília : Senado Federal, Centro Gráfico, 1978. 39 p.
  - A idéia-força dos direitos humanos. Brasília : Senado Federal, 1977. 23 p.
  - A igreja e a ecologia. Brasília : Senado Federal, Centro Gráfico, 1982. 14 p.
  - Mística nuclear. Brasília : Senado Federal, 1976. 7 p.
  - A morte do legislativo. Brasília : Senado Federal, Centro Gráfico, 1981. 10 p.
  - Multinacionais cobiçam Amazônia - projeto jari, ponta de lança internacional. Brasília : Senado Federal, 1975. 21
  - Ocupação da Amazônia : preço sedutor para a borracha. Brasília : Senado Federal, 1975. 13 p.
  - Olho no olho : a economicidade da Amazônia está no peixe. Brasília : Senado Federal, Centro Gráfico. 1979. 28 p.
  - Pecuária, câncer da Amazônia. Brasília : Senado Federal, Centro Gráfico, 1981. 10 p.
   - Planejamento familiar. Brasília : Senado Federal, Centro Gráfico, 1981. 10 p.
   - Preço do quilo de borracha, igual ao preço do quilo de café moído dentro do seringal. Brasília : Senado Federal,      Centro Gráfico, 1981. 13 p.
  - Recado amazônico. Brasília : Senado Federal, Centro Gráfico, 1975-. v. il.
  - A revolução, a droga e a subversão. Brasília : Senado Federal, Centro Gráfico, 1978. 32 p.
  - O terrorismo é filho da sociedade antropofágica. Brasília : Senado Federal, Centro Gráfico, 1978. 15 p.
  - Tóxico e a morte de Deus. Brasília : Senado Federal, 1977. 77 p.


O vereador MárioFrota, lider do PDT na Camara Municipal de Manaus, escreveu o seguinte : “ Medalha de Ouro esquecida - O ex-senador Evandro Carreira foi agraciado com a Medalha de Ouro Cidade de Manaus, por intermédio de uma propositura de autoria do vereador Massami Miki, ‘em reconhecimento aos relevantes serviços prestados à causa bioecológica da Amazônia e ao despertar da consciência ambiental no Município de Manaus’. A promulgação do Projeto de Decreto Legislativo foi publicada no Diário Oficial do Município, do dia 14 de novembro de 2007 e assinada pelo então presidente da Câmara Municipal de Manaus (CMM), Leonel Feitoza.
Acontece que até a presente data, depois de quase três anos, o agraciado ainda não foi chamado à sede do Poder Legislativo Municipal para receber a sua justa homenagem. O eternamente senador Evandro Carreira tem 83 anos e seria muito importante que fosse condecorado pelos vereadores de Manaus, pois ele é um cidadão do mundo, estudado e reconhecido pelas classes acadêmicas, tendo participado do filme ‘Terceiro Milênio’, realizado pela Televisão Alemã e traduzido em 26 idiomas – em português, pela Vídeo Globo.
Amazonólogo, expositor e conferencista sobre a temática amazônica em seminários, ciclos de debates, conferências e simpósios em Universidades, Diretórios Estudantis e outros organismos. Em 1981 proferiu palestras na Escola Superior de Guerra dos E.U.A., National Defense University e National War College - Forte Mc Mer, Washington, D.C.
De acordo com a justificativa que acompanha o projeto de Massami Miki, há 40 anos, antes da onda ecológica, Evandro Carreira condenou a implantação de modelos convencionais de desenvolvimento e preconizou a adoção de outro, diferente, respeitador do meio ambiente e adaptado às nossas condições naturais. À época, a tese soava estapafúrdia, porque na cabeça de quase todos, aqui o interior se desenvolveria com a substituição da floresta pela agropecuária de grande porte.
Portanto, quando ainda não se falava em ecologia, Evandro Carreira já defendia essa tese. Ele estava quase meio século à frente das pessoas normais porque enxergava o futuro com sua visão privilegiada pela natureza e abençoada por Deus. É por isso que o nosso povo tem o maior carinho e respeito por este ‘ícone da floresta’ que luta em defesa da biodiversidade amazônica. O seu reconhecimento com a Medalha de Ouro por parte deste Legislativo é uma questão de justiça, pois ele é a prata da casa que o mundo reverencia”.
Para conhecer mais sobre Evandro Carreira:

sexta-feira, 16 de julho de 2010

A FESTA DE ANIVERSÁRIO DE DEZOITOS ANOS DO ZÉ MUNDÃO

O Zé estava revirando o seu velho baú, parou para dar uma olhada numa velha foto tirada com uma máquina descartável “Love”, era a festa dos seus dezoitos anos de idade, naquele tempo ainda vigorava o Código Civil de 1916, portanto, o Zé ainda era menor de idade, porém, já aprontava muito: bebia, fumava e gostava de visitar o lupanar “Maria das Patas”, lembrou daquele dia como se ainda fosse hoje – acordou numa manhã de setembro, o cara era Virgem no signo, levantou mais alegre do pinto na merda, porém, tava numa lisura que dava dó, resolveu pedir um vale na empresa em que trabalhava, levou o sonoro não, correu atrás dos amigos, todos estavam mais duro do que ele, finalmente, foi pedir ajuda do seu querido pai, sem sucesso, o velho estava na entressafra – é agora, Zé Mundão? Partiu para cima do seu cofrinho, jogou o dito cujo na parede, foi caco para todos os lados e uma pequena mereca em moedas, não dava nem para o começo, o dia prometia para o Zé – resolveu fazer o niver solamente, nada de festinha com rodadas de batidas de “Tigre de Onça” para o pessoal do Bodozal (era o local onde ele morava) – foi ao Supermercado Casas dos Óleos, no Boulevard Amazonas, comprou uma latinha de Castanha de Caju Torrada, um litro de Run Montilla Carta Branca e uma garrafa de Coca-Cola, naquela época as embalagens dos supermercados eram de papel, ao chegar próxima da sua casa, a sacola rasgou, a garrafa de Run caiu no chão e quebrou o gargalo na sarjeta, o Zé chamou tudo o que era de palavrão, ficou tão puto que jogou o resto das compras num matagal, foi para a sua casa triste que fazia pena – e agora, Zé Mundão! Mas o cara era insistente, pegou o resto das moedas e foi na Taberna do “Aroeira”, comprou um litro da Cachaça Cocal (era um veludo no gogó!), pegou alguns limões, gelo e açúcar e fez aquela Caipirinha, pegou um disco de vinil do Roberto Carlos e colocou o som “no toco” na sua vitrola Nivico Hi-Fi; depois de quatro doses na moleira, o Zé já estava aquela cara de leso, deu uma vontade de beliscar alguma coisa, lembrou das compras que ele havia jogado fora, pegou uma lanterna e se embrenhou no matagal procurando a latinha de Caju – o local era de difícil acesso, mas o cara era que nem o bicho da goiaba verde, passou uma hora dentro do mato, ficou todo cortado por um capim escroto que corta até a alma do caboclo, pegou algumas ferroadas de Formiga-de-fogo e de Giguitaia, rastejou pelo chão, procurou, procurou e não encontrou nada! – o Zé estava muito azarado no dia do seu aniversário! Voltou para a sua casa todo “ferrado” no sentido da palavra, tomou mais uns goles de batida de limão, ouviu mais algumas músicas, não deu para se conter, abriu um grande berreiro, foi o suficiente para acordar os pais do Zé; o velho quando viu aquela situação do pobre coitado, ficou sensibilizado, abriu mão daquela grana que estava guardada para as despesas do mês, deu tudo para o Zé fazer a festa, afinal, era uma data muito importante, a mulherada comemora aos quinze anos e a macharada aos dezoitos anos – pense num cara alegre, imaginem a situação do Zé: saiu de repente de uma lisura total para uma posição confortante, com muita bala na agulha. Tomou um banho rápido, trocou a beca e passou uma mensagem na “Rádio Cipó”: - Tá todo mundo convidado para a festa do Zé Mundão! O local de encontro será às dez horas no Bar do Gordo, tudo será de graça, não será necessário levar presentes! Basta ter bucho de Leão e Gogó de aço para entornar todas! Este tipo de convite se espalha numa progressão geométrica, antes do horário marcado o Bar já estava todo entupido de gente – e agora, Zé Mundão? Ao chegar ao local, sentiu que o bicho ia pegar, mas o cara era “safo” mesmo! Botou logo a boca no Trombone: - Escuta aqui macacada, dois pontos - vou pagar adiantado quatro caixas de cervejas, cinco garrafas de Run Montilla, três galinhas “Cláudia Barroso”, uma porrada de fichas para o Jukebox e Fliperama e bastante “Refi” para a mulherada! Quando terminar, vou passar o chapéu, vai todo mundo inteirar para comprar mais ampolas! Tá feito, rapaziada? Nessa altura do campeonato um dos convidados mandou ver: - Porra, aniversário de pobre é uma merda, sempre sobra para os convidados, toda vez é servido Vatapá com Arroz, Maionese e Frango Desfiado com Farofa, depois o cara ainda tem que pagar o goró e ainda sai com uma puta infecção intestinal! Apesar dos pesares, tudo correu na perfeita harmonia, a festa do aniversário do Zé Mundão foi um sucesso! De volta ao presente, o Zé guarda a fotografia no Baú, respira fundo e acha muita graça daqueles tempos bons, ele era feliz e não sabia! Por falar nisso, será que o Zé vai comemorar este ano o aniversário dele? Sei não, mas se o fizer, irei contar aos mínimos detalhes o auê da festa, pois ele ainda continua gaiato e cheio de onda - farei questão dar um abração no meu brother Zé Mundão, ele merece!