sábado, 3 de julho de 2010

BALBINA, A HIDRELÉTRICA DO CAOS

Artigo retirado da Revista Amazônia, editado pelo Jornal A Crítica.

Usina produz imagens de fim do mundo e é exemplo de ineficiência.

Dificilmente haverá no planeta um monumento à estupidez como a Usina Hidrelétrica de Balbina, localizada no município de Presidente Figueiredo. Idealizada na ditadura militar e terminada em 1989, ela custou, na época, US$ 1 BILHÃO. Inundou 2,6 mil quilômetros quadrados de riquíssimas florestas nativas, criando um dos maiores lagos artificiais do mundo. Os milhões de árvores que tiveram suas raízes submersas não foram retirados e transformados em madeira produtiva – estão lá apodrecendo. As águas do lago imenso produzem hoje apenas de 120 MW a 130 MW de energia; é a unidade de geração mais ineficiente entre as 113 hidrelétricas do País. E, para culminar a série de desastres, a vegetação inundada se tornou uma fonte gigantesca de emissão de gases de efeito estufa: emite 3,3 milhões de toneladas de carbono equivalente por ano, metade do que jogam na atmosfera os carros que circulam em São Paulo.

Os erros começam pela escolha do local – uma área extremamente plana, 180 quilômetros ao norte de Manaus. Na planície, as águas se espalham, rasas, por uma área imensa; há grandes trechos que podem ser percorridos com água na cintura, às vezes com a profundidade suficiente apenas para molhar os pés. A disparidade entre a área inundada e a capacidade de produção de energia é imensa. Para ficar na própria região amazônica, a usina de Tucuruí, no Pará, também alagou uma grande área; lá, o lago ocupa 2,4 mil km2, mas a água represada no Rio Tocantins tem força para tocar uma usina de 4.245 MW, 17 vezes superior a Balbina.

A comparação com Itaipu torna Balbina ainda mais absurda – Itaipu tem um lago de 1,3 mil km2, metade do da usina do Amazonas, e sua potência instalada é de 14 mil MW. A potência instalada de Balbina, já na época da sua inauguração, era de ridículos 250 MW. Mas a situação piora a cada ano: 18 anos depois, a capacidade instalada já não atinge nem esse limite baixo. Os equipamentos obsoletos, a baixa pressão da água e o acúmulo de sedimentos produzidos pelo apodrecimento das árvores largadas na área inundada continuam comprometendo o potencial de geração da hidrelétrica.

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