quarta-feira, 28 de julho de 2010

PRAÇA D. PEDRO II - MANAUS

Recebi um e-mail de uma leitora do nosso blog, solicitando que escrevesse sobre a Praça D. Pedro II, fiquei a conversar com os meus botões: como poderei escrever sobre a nossa Manaus antiga, pois não sou historiador, não chego nem aos pés do que escreve o Otoni Mesquita e nem a um quilômetro de distância do que escreveu o saudoso Mario Ypiranga Monteiro - mas, insisto em escrever, bebendo da fonte do material disponível na internet, apesar de odiar o famoso “Crtl + C e Crtl + V (copiar e colar) e de dispor de alguns livros conseguidos nos sebos da cidade de Manaus.

Vamos fazer o seguinte nobre leitor: irei escrever o resumo do resumo do que os historiadores e pesquisadores escreveram e, dando a minha impressão de como se encontra, atualmente, este importante espaço público.

Os nossos irmãos índios, já habitavam este lugar muito ante do invasor lusitano chegar; recentemente, na tentativa da reforma da Praça e do Paço da Liberdade, foi encontrada no local uma Urna indígena, tornando o local sagrado, pois ali fora um Cemitério Indígena. O sítio arqueológico daquela área, foi pesquisado por um alemão, chegando a conclusão que data entre 100 e 800 anos d.C.

Lá pelos anos de 1832, o local era conhecido como Largo do Pelourinho – era uma praça, onde existia uma coluna de madeira (pelourinho), servindo para castigar (açoites) os criminosos de penas leves.

Com o término do Pelourinho em 1855, o local recebeu diversas denominações, por último, era conhecido como Largo do Quartel, e, finalmente, Praça D. Pedro II, uma homenagem ao último imperador do Brasil, deposto em 1889 com a proclamação da República - foi remodelado nos anos de 1893/1895, na administração do governador Eduardo Ribeiro.

Segundo a historiadora e agente de viagem Thérése Aubreton, uma francesa que escreveu um livreto “Caminhando por Manaus”, na qual descreve os dois monumentos da Praça: “Chalet de Ferro – observa-se o belo coreto de ferro, fabricado pela firma inglesa Francis Morton & Co. Ltd. Liverpool, de acordo com a inscrição localizada na base quadrada das colunas. em estilo simples, foi edificado sobre uma base octogonal de alvenaria maciça. As grades de parapeito apresentam círculos e elipses com flores estilizadas. Oito esbeltas colunas sustentam ainda o teto, que no inicio do século era beirado por lambrequins (não existem mais). As colunas sustentam, ainda, arcos decorados muito elegantes, com rendilhado em ferro. Fonte de Bronze – rica em detalhes, a base de alvenaria dividi-se em quatro partes, por elementos de bronze pintados de verde. Em cada ângulo do conjunto vê-se graciosos meninos com cara de anjinho, segurando ânforas. Entre cada menino, acima de grandes conchas, vê-se casais de seres do mar segurando tridentes. Mais acima, uma grande bacia de bronze recebe águas vertidas através das bocas de máscaras antigas, na parte superior da fonte mostra quatro musas sentadas, cada uma segurando um objeto (lira, pergaminho, tridente e prancheta). No topo da fonte observa-se outra bacia e quatro golfinhos de bronze artisticamente segurando um globo”.

O grande historiador Mário Ypiranga escreveu que a fonte ornamental foi encomendada a John Birch @ Cia (Bohen & Birch), de Londres, instalada em 1893 – no mesmo ano, foi colocado na Praça um total de 48 bancos de madeira em armação de ferro, fornecidos por S. M. Santos.

Na época áurea da borracha, aquele lugar era freqüentado pela elite de Manaus, também pudera, a Praça era bonita, elegante, charmosa, passeavam em suas charretes, os barões freqüentavam o Hotel Cassina, acendiam os seus charutos com nota de quinhentos mil reis, no seu entorno tinha o Paço da Liberdade e o Palácio Rio Branco, tudo do bom e do melhor acontecia por lá – depois, veio a decadência, a crise da borracha, o local ficou esquecido, depredado, escuro, marginalizado.

Na década de sessenta, veio a redenção para a cidade de Manaus, foi criada a Zona Franca de Manaus, porém, o local continuava sendo uma Zona (puteiro, mesmo!). Houve uma tentativa de revitalização, o então prefeito Serafim Corrêa, conseguiu uma montanha de dinheiro do Projeto Monumenta, do Ministério da Cultura, infelizmente, tudo o que aquele alcaide começou, não terminou! O prefeito atual cruzou os braços, nada vez para ressurgir das cinzas aquele lugar. Recentemente, o governo estadual reformou totalmente o Palácio Rio Branco – palmas para o Robério Braga e vaias para o Serafim e o Amazonino Mendes!

Não aconselho ninguém passar por lá, na verdade, desejo sim, parece contradição, mas não é – apesar de estar abandonado e entregue as “meninas”, mendigos e vândalos, o local deve ser conhecido e valorizado e, aqueles de poderem escrever, gritar, forçar a barra, enfim, batalhar junto ao governo municipal, no sentido de dar prosseguimento ao programa de revitalização da nossa Praça D. Pedro II.

Para quem desejar se aprofundar sobre o assunto - foi disponibilizado na net um trabalho do Jhonathan Nogueira Martiniano, do Curso de Turismo da UFAM e da Elizabeth Filippini, professora doutora em História da UFAM - http://www.revistas.uea.edu.br/old/abore/comunicacao/comunicacao_pesq/Jhonathan%20Martiniano.pdf    
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