terça-feira, 20 de julho de 2010

ARTISTA PLÁSTICO ÁLVARO PÁSCOA

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Nasceu em Oliveira do Bairro, distrito de Aveiro (Portugal), em 1920, faleceu na cidade de Manaus, Estado do Amazonas (Brasil), em 1997. Considerado como um dos maiores representantes ilustres da classe dos artistas plásticos da cidade Manaus.

Segundo o site da Biblioteca Virtual do Amazonas/Pinacoteca http://www.bv.am.gov.br/portal/conteudo/pinacoteca/  “Em sua terra natal participava de militâncias socialistas e grupos de teatro experimental. Era um autodidata. Aprendeu as técnicas de entalhe, xilogravura e escultura observando os grandes artistas plásticos. Mudou-se para o Brasil em 1958, vindo a residir em Manaus onde rapidamente integrou-se aos movimentos culturais da época, um deles, o Clube da Madrugada, por meio do qual participou de diversas exposições com obras em técnicas variadas: esculturas, gravuras, entalhes e desenhos. Sua gravura era de cunho social, expressionista. Nos anos 60 fez xilogravuras e bico de pena para ilustrar livros de escritores e poetas. Suas obras fazem parte do acervo de diversos museus e de coleções particulares: Museu do Vaticano (Roma), Museu do Porto de Manaus e Pinacoteca do Estado do Amazonas, da qual foi um de seus diretores. A tendência de sua pintura era de uma constante busca pela liberdade, tal qual seu espírito”.

A seguir matéria publicada pela Universidade Estadual do Amazonas: "Tese estuda contribuição de Álvaro Páscoa para o ambiente artístico de Manaus.

Artista plástico, que integrou o Movimento Clube da Madrugada, Álvaro Páscoa (1920 - 1997) foi um dos expoentes de uma geração inquieta que encontrou na arte um caminho de libertação e contestação, nas décadas de 60 e 70. Suas obras, que se encontram expostas no Museu do Vaticano, Museu do Porto de Manaus e Pinacoteca do Estado do Amazonas, além de fazerem parte de coleções particulares no Brasil e no exterior, podem ser reconhecidas agora como pioneiras, no Amazonas, no que se refere a técnicas e estéticas. É o que indica recente pesquisa apresentada pela professora da Universidade do Estado do Amazonas, Luciane Páscoa, que buscou traçar relações culturais e artísticas entre Porto e Manaus, a partir da obra do artista. A pesquisa revela que Álvaro foi responsável pela introdução de técnicas e estéticas no ambiente artístico de Manaus, trazidas por ele do Porto, local onde obteve sua formação cultural. Luciane considerou o contexto majoritário de Brasil e Portugal em meados do século XX, bem como alguns aspectos específicos de ambas as cidades, que contribuíram para sua formação e atuação ideológica. Foram para isso arroladas fontes diversas que compreenderam acervos nos dois países. A documentação pertencente ao espólio pessoal do artista que, além disso, atuou como educador e agente responsável pela política cultural do Amazonas, também foi fonte de pesquisa.A tese doutoral foi defendida na Faculdade de Letras da Universidade do Porto, na área de História Cultural, com o trabalho "Relações culturais e artísticas entre Porto e Manaus através da obra de Álvaro Páscoa em meados do século XX ", cuja orientação ficou sob responsabilidade do Professor Doutor Eugénio Francisco dos Santos. O júri que avaliou a tese foi composto pela Profª. Dra. Fátima Nunes (Universidade de Évora), Profª. Dra. Maria Manuela Tavares Ribeiro (Universidade de Coimbra), Prof. Dr. Eugênio Francisco dos Santos, Prof. Dr. Jorge Alves, Prof. Dr. Aurélio Oliveira e Profª. Dra. Maria da Conceição Meireles Pereira, estes pertencentes à Universidade do Porto."

Quem desejar se aprofundar na tese de doutorado da Luciane Viana Barros Páscoa, basta fazer o download do material (são 385 páginas no formato PDF) no seguinte endereço:


O artista plástico Sérgio Moura (http://www.aartedesergiomoura.com.br/) , manauense, teve a sua formação inicial na Pinacoteca do Estado do Amazonas, atualmente, residindo no Paraná, foi um dos discípulos do Álvaro Páscoa, fez os seguintes comentários sobre o seu grande mestre: “Fui seu aluno na Pinacoteca de 1967a 1968. Embora acadêmico e conservador, com ele aprendi muito. Valorizava o bom desenho e me mostrou como abstrair a FORMA partindo de um objeto ou de uma figura humana. Ele dizia: "construo e depois destruo" no momento em que demonstrava pelo desenho ao vivo a transformação da imagem. Era tempo de negar o figurativo e eu já estava focado na arte abstrata. Aquela demonstração caiu como uma luva justa na minha mão. Ele era sincero e honesto no que fazia. Em outra ocasião, eu estava cortando o cedro (madeira macia adequada à confecção de matriz para xilogravura), e cortando de modo insuficiente, pois não conseguia ainda produzir o corte que deixasse a borda afiada, que promovesse consequentemente a impressão bem definida do traço gráfico. o Mestre falou: Sergio, "o corte tem de ser firme, fundo, violento da goiva", frase que eu jamais esqueci. Eu fui pra casa pensando na observação e aprendi para o resto da vida, pois sempre que se pretende obter, em artes gráficas, um traço bem definido, com qualidade de resolução é exatamente aquilo que tem de ser feito. Eu nunca faltava às atividades na Pinacoteca, pois aquele compromisso era sagrado para mim. E era tão pontual que muitas vezes cheguei junto com o Prof. Álvaro, sentindo de longe o aroma de seu cachimbo no ar da entrada do prédio. Paciente, ajudava-o a subir as escadas, ora segurando algum dos seus apoios, ora ele me dando o braço. Ali mesmo, já dávamos início a uma conversa que se prolongava pela tarde afora. A matéria era sempre desenho, Pintura, e Gravura. Eu sabia que tinha muito o que aprender com ele pois sentia que meu tempo na cidade duraria pouco até porque eu já tinha descoberto que o campo de nosso interesse era amplo e infinito”.

Conheci o Sr. Álvaro Páscoa na década de 70, todos os sábados ele visitava o meu papai, na Oficina de Violões “Bandolim Manauense”, na Rua Huascar de Figueiredo, centro de Manaus, foram grandes amigos e fizeram muitos trabalhos juntos, o meu pai era Luthier, o trabalho em madeira era o forte dos dois. Eu era apenas um adolescente na época e, aproveitava para lavar o seu automóvel Citroen, anos 60, ganhava sempre uns trocados para ir ao cinema aos domingos; a sua imagem e o aroma do seu cachimbo ainda estão guardados no fundo da minha memória! 

No final da sua vida, fomos visitá-lo em sua residência, situada no conjunto Jardim Paulista - o meu pai também se encontrava bastante enfermo - fez questão de fazer certa doação ao meu pai, foi uma forma de demonstrar a sua gratidão e  amizade que eles cultivaram por longos anos. Os dois amigos já partiram para o andar de cima, mas, as suas obras ficaram marcadas para o todo e sempre. Amém!

Viva o artista plástico Álvaro Páscoa! Viva!

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