terça-feira, 30 de março de 2010

NAVIO JUSTO CHERMONT


Este navio ficou famoso Brasil afora, em decorrência da publicação em 1930, do livro “A Selva”, do grande romancista português Ferreira de Castro (1898-1974). Foi o navio que o levou de Belém do Pará para Manaus e, depois para o Seringal Paraíso, em Humaitá, nos idos de 1911, onde passou quatro anos na semi-escravidão, porém serviu de base para escrever o seu famoso romance.

É um navio muito antigo, data de 1890, funcionava a vapor, com o casco em ferro e proa direita, pesando em torno de 10 toneladas; imaginem como era o barco no início do século passado: era todo iluminado, reservado o primeiro passadiço para os comerciantes e passageiros da 1ª. Classe, ficando os camarotes ao centro; existia uma grande mesa, ao meio, onde eram servidas as refeições dos “barões dos seringais”, funcionários do Estado e os ricos bolivianos (BAZE, Abrahim. Ferreira de Castro – um imigrante português na Amazônia. Manaus: Editora Valer, 2005.).

• Conseguiu chegar ao século XXI, graças à intervenção da Secretaria de Cultura do Estado do Amazonas – estava num estado deplorável, foi todo recuperado e serviu como cenário para o filme “A Selva”, rodado no Tarumã-mirim, nos arredores de Manaus – a sinopse do filme é a seguinte: Alberto (Diogo Morgado) é um jovem da monarquia portuguesa que, em 1912, está exilado em Belém. Com ajuda do tio, é contratado para trabalhar no seringal de Juca Tristão (Cláudio Marzo), na selva Amazônica. Alberto é colocado no armazém do seringal, onde convive com Juca Tristão, Velasco (Karra Elejalde) e Caetano (Roberto Bonfim) – os capatazes do patrão -, Guerreiro (Gracindo Júnior) – o gerente -, e sua bela mulher, Dona Yayá (Maitê Proença). Em pouco tempo, Alberto apaixona-se por Dona Yayá, envolvendo-se em um romance inesperado.

• Depois das filmagens, a SEC/AM mandou fazer uma sala de jantar/bar no deck superior, montou um cenário e o navio passou a fazer carreira entre o centro da cidade de Manaus até o Seringal Vila Paraíso (Igarapé São João – Afluente do Igarapé do Tarumã Mirim (Zona Rural), este local foi transformado em Eco Museu e Museu do Seringueiro (onde fica guardada toda a documentação de “A Selva”), o sitio http://www.culturamazonas.am.gov.br/programas mostra em suas páginas que o museu está na ativa e ofereçe os seguintes serviços: Visitas Guiadas, direcionadas a estudantes, pesquisadores, turistas e ao público em geral. Roteiro de visitação: Trapiche; Barracão de armazenamento das pelas de borracha; Casarão do seringalista; Barracão de aviamento; Capela de N. Sra da Conceição; Banho das mulheres; Trilha das seringueiras; Casa do seringueiro; Tapiri de defumação da borracha; Cemitério cenográfico; Estrebaria; Casa de farinha; Barracão dos seringueiros. Preço: Inteira: R$ 5,00; Estudante R$ 2,50. De terça a domingo, das 08h às 16h.E-mail: demus@culturamazonas.am.gov.br  - Telefone/Fax: (92) 3234-8755.

• O navio ficou ainda mais famoso quando rumou para Iquitos, na Colômbia, para entrar num filme sobre Che Guevara.

Passado todo o glamour, o navio Justo Chermont, encontra-se abandonado na “Manaus Moderna!” bem atrás do Mercado Municipal Adolpho Lisboa (abandonado também!), não sei qual o destino que irão dar ao famoso e agora esquecido navio; não pertence ao Estado; o custo de manutenção é muito grande e o atual proprietário o deixou "ao léu". Caso eu tivesse "bala na agulha" para poder comprá-lo, iria montar um museu amazônico em seu interior e, promover belíssimos passeios do Rodoway até o Encontro das Águas, atraindo turistas e moradores da nossa querida Manaus.

Deixar como está, abandonado, não é nada JUSTO com o Justo Chermont!

segunda-feira, 29 de março de 2010

PHAMACIA LOPES E OS MEDICOS AMAZONENSES

O anúncio publicitário, abaixo reproduzido, foi publicado originalmente no Jornal “O Acadêmico”, em 1926, faz exatamente 84 anos em 2010, mostra a “Pharmacia Lopes” e as suas múltiplas atividades.

A minha intenção é mostrar de uma maneira bem simples, como eram as práticas utilizadas pela medicina naquela época, bem como, o quanto já estávamos avançados em conhecimentos médicos, além de servir de base para alguns comentários sobre a medicina atual e dos profissionais desse ramo.

O que chama a atenção no anúncio, é uma farmácia executar pequenas e altas cirurgias, fazer consultas médicas, dispor de laboratórios e aviar para o interior até ambulâncias - era tudo em um!

O famoso médico Dr. Adriano Jorge, dava as suas consultas médicas naquele local, este grande profissional empresta o nome ao hospital referencia para a região norte, chamado Hospital Adriano Jorge, no bairro de Cachoeirinha.

Naquela época já tínhamos os Hospitais da Santa Casa de Misericórdia e a Beneficente Portuguesa, dotados dos mais modernos equipamentos e dos melhores médicos de Manáos. Assim como a Pharmacia Lopes, tinham uma política, voltada para atender também aos que possuíam uma baixíssima renda financeira.

Até hoje fico bastante sensibilizado, quando é ventilado que um médico famoso, faz trabalhos voluntários, humanitários, atende em seu consultório médico as pessoas mais carentes e sofridas do nosso Estado, sem nada cobrar; com exceção, por motivos óbvios, dos médicos-políticos ou dos que trabalham para eles.

Sempre vem a minha mente a figura do Dr. Conte Telles, um médico que atendia tanto a família rica, quanto a pobre, fazia questão de ir à casa do paciente, não se importando com o horário, podia ser de dia ou alta hora da madrugada, com chuva ou com sol, se a consulta ir ser paga na hora ou depois, na maioria das vezes não cobrava nada dos pobres e ainda dava os remédios – não conheço nenhum hospital com o nome deste grande médico amazonense – o governo do Amazonas, na inauguração do Policlínica da Getúlio Vargas, homenageou o político Gilberto Mestrinho, esqueceu do médico Conte Teles; o governador deveria ser lembrado para o nome da Ponte Manaus/Iranduba e não para nome de uma clínica ou hospital, estes devem ter o nome dos mais nobres profissionais da área médica!

Vamos lá ao material publicitário:

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A medicina atual deu um salto fenomenal, a cidade de Manaus não ficou para trás, está dotada dos mais avançados hospitais, clinicas de primeira linha, médicos altamente especializados, além de possuir centenas de “Pharmacias Lemos”; perde por pouco para os grandes centros do país; todo esse avanço tecnológico foi fruto de anos e anos de estudos e investimentos pesados dos particulares e do governo do Estado do Amazonas.

Temos agora as Faculdades de Medicina da UFAM e da UEA, devemos se orgulhar do professor Dr. João Bosco Botelho, além de ser um PHD em cabeça/pescoço, é um grande escritor. A nata dos médicos escritores faz parte da Academia Amazonense de Medicina, agora alojada no seu devido local, na Casa Museu de Eduardo Ribeiro, na Rua José Clemente.

Como o blog é saudosista e de resgate, além dos acima citados, jamais poderei esquecer o Pronto Socorro São José, na Rua 10 de Julho, do Hospital Dr. Fajardo, na Avenida Joaquim Nabuco, da Drogaria Rosas, na Rua Marechal Deodoro, e, dos médicos da nossa família, o Luiz Avelino e Arlindo Frota (pai). É isso.

sábado, 27 de março de 2010

A HISTÓRIA DO LUTHIER ROCHINHA


Publicado no Jornal Diario do Amazonas, edição de 26 de maio de 1985
Texto: Patrícia Bartolotti

José Rocha Martins. Poucos conhecem esse nome, mas “Seo Rochinha” é conhecido por muitos, principalmente por aqueles que se dedicam à música, não só os músicos amazonenses, como também cantores e compositores de fama nacional.

Na primeira casa à direita de quem sobe a travessa Huascar de Figueiredo, num porão cedido pelos proprietários, há 32 anos o “seu” Rochinha se dedica à difícil arte de fabricar manualmente instrumentos musicais como violão, bandolins e cavaquinhos, montado a Artesanato Amazonense Rochinha e vivendo exclusivamente dessa pequena oficina.

Hoje, aos 62 anos de idade, tendo sofrido há um mês atrás uma congestão que resultou num derrame, ficando com o lado direito do corpo totalmente paralisado, o “seu” Rochinha não consegue realizar o seu maior sonho: abrir uma escola onde pudesse ensinar a difícil arte da construção de instrumentos. Tendo alegrado a tantas pessoas através das musicas que foram tocadas em instrumentos fabricados por ele, vê, com tristeza, uma antiga previsão sua ir se concretizando: a de morrer e não deixar ninguém no seu lugar, para continuar a arte a que tanto amou e dedicou os melhores anos de sua vida.

O COMEÇO – José Rocha Martins descobriu a sua vocação por “um acaso”, como ele mesmo diz. Aos quinze anos de idade e com poucas opções de trabalho, pois na época as profissões que poderia ter escolhido se resumiam a alfaiate, carpinteiro ou pedreiro, foi trabalhar como boy numa fábrica que já não existe mais, localizada na Rua dos Barés e registrada pelo nome de “Bandolim Amazonense”. Com pouco tempo na firma, o patrão, um português, o “seo” Nascimento, notou a aptidão natural do rapaz para a arte e colocou como aprendiz. Com muita ânsia de aprender e cheio de entusiasmo, logo em seguida foi promovida a operário, continuando nesse cargo por 13 anos, sem nunca ter tirado férias. Um dia, o dono da fabrica chamou o rapaz a seu escritório e o convidou para fazer parte da sociedade, de onde tiraria todos os meses 2% da renda liquida, mas Rochinha que nesse época acabava de constituir família e era o braço direito do patrão, pediu que ele aumentasse um pouco a porcentagem, pois o oferecido não daria para sustentar a mulher e a criança que em breve deveria chegar. Um pouco chateado com a situação, pela primeira vez ele pediu férias, o que lhe daria um tempo para melhor pensar na proposta. O patrão negou as férias, o que causou profundo desgosto no rapaz. Então, como gosta de lembrar, “acabei saindo de férias na marra”.

Dessas férias, não voltou mais para a fabrica, pois um “comadre” lhe financiou 3 contos de réis, o que deu para montar a sua própria oficina, primeiramente tendo sido instalada em um flutuante e dali para o porão onde continua até hoje.“O patrão acabou tendo que fechar a oficina, porque não conseguiu ninguém para fazer os instrumentos”.

VIDA SACRIFICADA – com o passar dos anos, Rochinha foi conseguindo se firmar na sua pequena oficina, mas apesar de seu trabalho, nunca conseguiu ganhar dinheiro suficiente para guardar e realizar o seu maior sonho: o de ensinar tudo que sabia. “Naturalmente que a minha vida foi muito sacrificada, porque trabalho com musica. Só não estou realizado porque queria montar uma oficina de artesanato para ensinar e até hoje não consegui”. E continua: “encaro isso sem muito problema, pois a autoridades também têm os seus problemas e não podem se preocupar com todo mundo. Por isso nunca apelei diretamente a ninguém, faço apenas pedidos pelos jornais e televisões, na esperança de que antes de morrer possa ter esse sonho realizado, nem que seja por poucos dias”. Essas são as palavras de um homem que mesmo doente não de desespera e mantém a chama da esperança sempre acessa. Tendo se dedicado aos tantos anos à profissão que escolheu e amou não se sente amargurado ou frustrado e muito menos revoltado com o pouco reconhecimento que lhe foi dado.

O MÚSICO QUE NÃO TOCA
Diz-se de músico, a pessoa que tira melodias. Mas Rochinha é um músico diferente; pois, como confessou, nunca teve oportunidade de estudar música e nada entender de tocar os instrumentos que ele mesmo fabrica. Ele acha muita graça quando o chamam de músico e reponde que de músico não tem nada, no que foi firmemente contestado pelo famoso músico clássico Villa Verde que lhe disse “para ser músico é necessário ante de tudo ter muito sentimento. Você pode não tirar uma nota do instrumento, mas você o faz e com ele a musica, que mesmo não sendo tirada pelos seus dedos, é parte de você, então você é músico”.

Voltando ao passado, Rochinha lembra como foi aperfeiçoando a sua arte “No início, fiz muita bobagem, não conhecia violão nem cavaquinho e só depois e que fui aprendendo com os mestres. Por exemplo, eu não sabia que todos os instrumentos têm a clave de dó, um baixo, um médio e um alto. Quando descobri isso, fui aprender a “bater” violão, conhecer as escalas e tudo isso com os artistas”.

SITUAÇÃO FINANCEIRA – Ele não se importa em dizer que sua situação financeira não é boa e que nunca o foi porque a procura dos instrumentos sempre foi pequena, apensar de ser reconhecidamente um ótimo artesão, “A procura sempre foi um fracasso, detestei e detesto até hoje fazer serviço de carregação e principalmente naquela época. Só quem tinha capital de giro, como a Moto Importadora, é que vendia material de primeira. Como eu nunca fiz serviço barato e não podia competir com as lojas que tinham condições de vender por crediário, eram muito poucas encomendas que atendia. Então, o pouco dinheiro que ganhei foi reformando e consertando instrumentos. Poucos tinham dinheiro para comprar violão meu, a maioria vinham aqui para consertar.”

Atualmente, o violão mais barato fabricado pelo Rochinha, custa CR$ 400 mil cruzeiro e ele diz que sempre sai perdendo porque nas lojas existem uma grande quantidade de violões sendo vendidos até por 60 mil cruzeiros, por serem feitos em grande escala industrial, o que diminui consideravelmente os custos de produção.

Somente tem uma coisa que ele se orgulha muito, com o fruto de seu trabalho formou todos os seus filhos na faculdade e trabalham em suas profissões. “Os meus filhos, desde pequenos trabalhavam na plaina. Mas como o movimento era pouco e eu sabia que não teriam muito futuro nessa profissão, os afastei e mesmo com muito sacrifício conseguir que eles estudassem e se formassem na faculdade”.

MOMENTOS FELIZES – Como todas as pessoas, “seu” Rocha não teve apenas momentos de tristeza e sacrifício, preferindo lembrar-se dos momentos felizes quando de uma apresentação do famoso cantor Silvio Caldas que, lembra, era ídolo de sua geração, num show realizado aqui em Manaus no Olímpico Clube. “No meio do show, a tarraxa do violão de Silvio Caldas arrebentou, soltado a corda e então o Iran Caminha, que toca violão maravilhosamente, correu para mim e pediu o violão que sempre carregava comigo apesar de não tocar, então emprestei o violão para o Silvio. Ele adorou o meu violão e acabou vindo aqui para encomendar um para ele e disse também que eu era um grande artista”.

Não só o Silvio Caldas encomendou um violão a Rochinha, mas cantores tão mais ou menos famosos quanto ele, Gilberto Gil, Vando e outros menos famosos.

“O Villa Verde, não sei se você ouviu falar porque não é de sua geração, uma vez quando esteve aqui, me disse que o violão que eu fazia deveria ser vendido em dólar e que eu não sabia ganhar dinheiro. Perguntou também por que não mudava meu nome para um nome americano. “Aqui nesse País, Rocha, só ganha dinheiro quem tem nome estrangeiro” foi o que ele me disse”.

Rochinha diz que nunca sonhou alto e tampouco pretendeu mudar de nome, pois não pensava em montar uma indústria. Por não ter sonhado alto e mantido seu idealismo é que ele hoje não tem condições perfeitas para trabalhar. Mas nem por isso vive se queixando. Vai vivendo de um pequeno conserto aqui e outro ali. Cada dia mais perdendo a esperança de realizar o seu grande sonho.

Durante o tempo que durou a entrevista, apareceu um rapaz, amigo de seu filho, que queria trocar a pestana de seu violão, ainda não sabendo do problema de saúde do artesão. Mas Rochinha não deixou o rapaz voltar. Mesmo com o lado direito paralisado, com muita dificuldade e com a ajuda do rapaz, fez questão de trocar a peça, só fazendo um pequena observação melancólica “depois do derrame, um serviço que eu fazia em quinze minutos, como a troca de cavalete, passei a fazer em 2 horas e mesmo assim com a ajuda de outra pessoa, eu tive o propósito de trabalhar sempre, não desprezando um serviço sequer, não criando obstáculos, e sempre dando valor a arte. O meu ideal sempre foi trabalhar na arte que amo, tanto que não tenho dinheiro, nunca fiquei rico, mas ninguém saiu daqui de cara feia e essa foi a minha forma de contribuir para o mundo”.

Palavras de um homem que se realiza naquilo que escolheu, mesmo que daí não tenha tirado grandes recursos financeiros. Palavras de fé e coragem de um artista que nos seus últimos aos de vida, ainda tem a esperança de ter seu sonho realizado, passando para outras pessoas a bela arte de criar instrumentos e moldá-los com suas próprias mãos, consciente da importância que a musica tem para todos os seres humanos.

Nota do Blog: o meu saudoso pai faleceu aos 82 anos de idade, sem ter tido a oportunidade de realizar o seu grande sonho: formar novas gerações de Luthier. Foi ajudado pelo senador Arthur Virgilio Filho, na época prefeito de Manaus, com uma aposentaria especial de cinco salários mínimos, foi o suficiente para viver a sua velhice com bastante dignidade e em paz. Atualmente, existem inúmeros Luthier em Manaus, em sua grande maioria formados pela Escola de Lutheria da Amazônia, do mestre Rubens Gomes.

sexta-feira, 26 de março de 2010

A MANAUS DOS NOSSOS SONHOS


A bela Manaus do início do século passado, conhecido mundo afora como a “Paris dos Trópicos”, foi parcialmente destruída; pelas fotos antigas poderemos ter uma idéia do quanto era formosa, veja a foto aérea acima, uma beleza! Depois de muitos anos, começa a recuperação gradual dos espaços públicos e particulares, existem projetos governamentais para a revitalização total do centro antigo, isso será muito bom!

Cheguei a assistir a destruição desenfreada de grande parte do nosso patrimônio histórico, foram muitos casarões e palacetes jogados ao chão em nome do progresso, foi quase um século de destruição. Com a derrocada do tempo áureo da borracha, ocorrido em 1910, Manaus virou uma cidade fantasma, muitos faliram, os imóveis foram abandonados, ficaram a mercê das intempéries, sem nenhuma manutenção, foram anos difíceis para todos; com o advento da Zona Franca de Manaus, os imóveis começaram a valorizar o seu valor venal, muitos foram totalmente descaracterizados, foram divididos em inúmeros cubículos para abrigar os novos comerciantes de mercadorias importadas.

Aos poucos se nota a transformação da cidade, são revitalizações pontuais, porém, de grande impacto, sei que é pouco, mas vale aquela máxima de que é bem melhor tarde do que nunca.

O marco inicial foi a recuperação de várias casas da Avenida Sete de Setembro, sob a supervisão do professor Otoni Mesquita; recentemente, o próprio governo do Amazonas mandou destruir algumas delas, para fazer uma obra do Prosamin (Programa Social e Ambiental dos Igarapés de Manaus), teve que voltar atrás e recuperar a mais antiga.

O Largo de São Sebastião, foi um trabalho excepcional, foram dezenas de casas antigas recuperadas, parte do piso é original, o Monumento Comemorativo a Abertura dos Portos as Nações Amigas foi revitalizado; as crianças, os jovens e os velhos voltaram a freqüentar aquele lugar; os passarinhos cantam todo o dia nas árvores protegidas; o povo não joga lixo no lugar, existe segurança 24 horas, o espaço é um grande palco ao ar livre, com shows o ano todo, parte dos festivais de ópera e jazz são apresentados no Largo; o nosso povo, principalmente os jovens começaram a respeitar o espaço público revitalizado.


A Praça Heliodo Balbi voltou ao seu esplendor de outrora, tudo foi recuperado, inclusive o antigo Quartel da Polícia Militar, transformou-se no Palacete Provincial, com dezenas de museus, ficou uma beleza, faz gosto visitar aquele lugar; o chafariz jorra água ao som de músicas clássicas; o Coreto está perfeito, aos domingos existem apresentações de espetáculos musicais; tornou-se um ponto obrigatório de visitação turística; os estudantes, aposentados e os intelectuais voltaram a freqüentar a praça; a paz e a tranqüilidade voltaram a reinar no local.


Os Parques Manaus, Jeferson Péres e Mestre Chico, tornaram-se cartão postal, apesar de eu não concordar com os aterros dos igarapés, as obras foram bem elaboradas; as pessoas começaram a gostar e a amar esses logradouros públicos, começaram a fazer a sua caminha com toda a segurança, as crianças encontram dezenas de parquinhos para se divertirem, os jovens têm a sua disposição quadras de esportes, ciclovia e lanchonetes, os mais velhos encontraram a paz e a tranqüilidade.

Dezenas de casarões antigos foram recuperados, transformados em museus, bibliotecas e espaços culturais, estão abertos ao público a Casa Museu Eduardo Ribeiro,Casa de Artes, Casa da Música Ivete Ibiapina, Galeria do Largo, Centro de Artes Visuais, Palácio Rio Negro, Palácio da Justiça, Palácio Rio Branco, Usina Chaminé; além do Teatro Amazonas e do Teatro da Instalação, existem mais oito teatros, Bibliotecas: Pública, Emidio Vaz de Oliveira, Arthur Reis, Padre Agostin Martin Caballero, além de várias Salas e Gabinetes de Leitura, Pinacoteca Publica e mais oito museus; é muita coisa para uma cidade que não tinha quase nada há algum tempo atrás, estava tudo fechado, esquecido, quase em ruínas.

Brevemente teremos de volta a Praça da Saudade, o esplendor vai voltar ao lugar, tudo será como antigamente; as flores buganvílias voltarão a florir a Praça; o entorno será todo recuperado, a sede do Rio Negro Clube e a Escola da Magistratura serão pintados, além da recuperação de muitos prédios antigos.


A ordem é preparar a cidade para sediar alguns jogos da Copa de Mundo de 2014, existem inúmeros projetos em andamento, a grande maioria voltada para a recuperação do centro de Manaus; estou preocupado com o sistema de transporte chamado monotrilhos e ônibus de deslocamento rápidos, talvez resolva o problema da mobilidade urbana, porém irá poluir visualmente o centro antigo. A Prefeitura de Manaus e o governo do Estado irão reordenar o centro, com a retirada dos vendedores ambulantes, recuperação do passeio público, construção de estacionamentos, higienização dos espaços públicos, sinalização horizontal e vertical, instalação de câmera e vigilância 24 horas, recuperação das praças e monumentos públicos, construção uma Arena Poliesportiva e promover a revitalização total dos prédios antigos, etc.

Aos poucos as coisas vão acontecendo, o povo tem que cobrar mais, deve também colaborar e amar mais a sua cidade; os políticos têm o dever de elaborar leis exeqüíveis, visando ao bem comum, devem fazer o dever de casa, além de fiscalizar com mais rigor os governantes; o executivo não pode parar com este imenso projeto de uma nova Manaus, ninguém é o pai da criança, os sucessores têm o dever de continuar com este projeto; o Ministério Público Estadual e Federal tem que está mais presente, cumprindo de fato o seu papel de fiscal da lei; as Policias Civil, Metropolitana e Militar devem estar mais unidas, mais humanas, cuidar com mais carinho da segurança do cidadão, não devem dar mole para os pichadores e bandidos de toda natureza, o patrimônio publico deve ser resguardado dos vândalos; a sociedade civil organizada, os pesquisadores, os estudantes, os professores e os formadores de opinião têm que parar de somente criticar e voltar a contribuir para o progresso da nossa cidade.

O nosso blog faz denúncias e críticas aos nossos governantes, mas, sabe reconhecer e valorizar as decisões acertadas. Se as coisas continuarem no ritmo que está, sem recuos, contando com o apoio e colaboração de todos os membros da sociedade, com certeza, será muito bom para todos os manauenses, brasileiros, estrangeiros, enfim, para o planeta Terra! É Isso.


quinta-feira, 25 de março de 2010

O CALÇADÃO DA PRAÇA DE SÃO SEBASTIÃO E DA PRAIA DE COPACABANA

Dizem alguns amazonenses que os cariocas imitaram o calçadão da Praça de São Sebastião, em Manaus, ao construírem o calçadão da Praia de Copabacana, no Rio de Janeiro.

Alguns chegam até a afirmar que o desenho ondulado em preto e branco, foi um trabalho artístico, mostrando as ondas do Rio Negro e Rio Solimões, fazendo uma alusão ao Encontro das Águas.

Uma das fotos acima mostra a Praça Rossio, em Lisboa, com mesmo formato em ondas e cores alternadas, representando o Encontro das Águas do Rio Tejo com o Oceano Atlântico.

A outra foto mostra a orla de Copacabana, em 1910, sem o famoso calçadão. Sabe-se que  foi feito somente na década de 60, fruto do  trabalho do paisagístico Roberto Burle Marx.

A foto da nossa Praça de São Sebastião é do início do século passado, portanto, não fomos pioneiros, a origem é portuguesa, agora se os cariocas se inspiraram em Lisboa ou em Manaus, não sei afirmar.


Fonte:
http://www.amazonasinsampa.blogspot.com/

quarta-feira, 24 de março de 2010

A SOPA NOSSA DE CADA DIA

O clima de Manaus é quente é úmido, estamos bem na Linha do Equador, temos somente duas estações durante o ano todo, o verão de Saara e o inverno com muita chuva e calor intenso; com toda essa quentura, o normal seria termos uma alimentação bem leve, no entanto, o manauense gosta mesmo é de uma Sopa bem quente.

Lembro da minha infância, tinha a maior raiva de sopa, apanhei muito dos meus pais, forçavam eu tomar aquele caldo quente com carne; hoje, brigo e, se possível, vou até a guerra, para poder tomá-la.

Comecei a tomar gosto com a “Sopa da Tia Dica”, na Avenida Constantino Nery, a proprietária do estabelecimento fazia a melhor sopa de mocotó de Manaus; a casa era de madeira, uma vez fui com uma amiga, secretaria executiva de uma empresa do Distrito Industrial, ela toda bonitona e charmosa, pisou bem num buraco da tábua do chão da casa, o salto do sapato ficou preso e caiu com todo o corpão em cima da panela de sopa da Tia Dica, foi um micão daqueles! Com o falecimento da proprietária, o empreendimento foi tocado pelos filhos e netos, hoje é o “Sopão do Professor”, ainda dou uns pulos por lá.

Atualmente, temos sopa de todos os gostos e preços: carne, mocotó, caranguejo, russa, carne assada, beterraba, iogurte, canjinha com moela, músculo com espinafre, lentinha, cenoura, queijo, rabada com tucupi e até sopa de piranha (foto acima)! Existe até rodízio de sopa, além de delivery de sopa, é mole!

Encontramos sopa em qualquer buraco de Manaus, existe até o Rei da Sopa! Somente não a encontramos nos shopping Center da vida, pois o estilo é norte-americano, a cabocada não encontra por lá sopa, churrasquinho de gato e nem farinha.

Segundo os especialistas em gastronomia Baré, os manauenses são muitos festeiros, adoram frequentar as casas de Forró, Brega, Funk e Rock, além do Bar do Boi, bares, boates e o escambau, por isso, são os maiores bebedores de cervejas do Brasil – acabam tirando a ressaca com uma sopa bem quente na goela! É um santo remédio para repor as energias perdidas na night!

Não estão nem aí para a cidade ser quente, pois é um costume regional optar por produtos gordurosos, como o mocotó e a carne. Dizem que a dieta preferida do manauense é a “Dieta da Sopa”: deu sopa, ele come! É isso.

SENADOR EVANDRO DAS NEVES CARREIRA


Brasileiro, amazonense, advogado, estudou medicina até o 2º ano na velha Faculdade da Praia Vermelha, conquistou o título de melhor orador universitário do Brasil em 1957, representando a Faculdade de Direito do Amazonas, contra 46 outras Faculdades do Brasil, cuja banca julgadora fora presidida pelo magnífico Reitor Pedro Calmon.

Elegeu-se Vereador por Manaus em 1959, obtendo a 2ª. Melhor votação, reelegeu-se em 1963 e, em 1974 elegeu-se Senador da República pelo Amazonas.

Desde 1960 na Tribuna da Câmara Municipal de Manaus afirmou a VOCAÇÃO HIDROGRÁFICA e SOLAR DA AMAZÔNIA, valendo todos os corolários que decorrem deste AXIOMA, como soem ser as VOCAÇÕES ICTIOLÓGICAS, A AGRÍCOLA VARZEANA, a HIDROVIÁRIA, a RIBEIRINHA, a FOTOSSINTÉTICA, USINA de ALIMENTOS e FÁRMACOS, através de sua BIODIVERSIDADE.

Exigiu a única providencia inteligente e fundamental para decifrar a HIDROESFINGE AMAZÔNICA: O SEU INVENTARIO, ESVURMANDO, anatomizando, todas as suas ESPÉCIES, para saber QUEM É QUEM? QUEM AMA QUEM? QUEM ODEIA QUEM NA AMAZÔNIA, ISTO É, descobrir a sua HOMEOSTASIA.

“A AMAZÔNIA é a melhor grife, a melhor marca, a melhor propaganda do mundo. Nem a COCA-COLA empata com a AMAZÔNIA. Porém, a incompetência dos governantes do AMAZONAS e de MANAUS, do PARÁ e de BELÉM, nunca souberam aproveitar esse MARKETING”.

“CABOCLO! O QUE É DESENVOLVIMENTO? TENS CERTEZA MESMO QUE ÉS DONO DA AMAZÔNIA? Não achas que a AMAZÔNIA está nas mãos de grupos econômicos estrangeiros, e brasileiros, ligados a políticos vigaristas, corruptos, vendilhões-da-pátria... DONOS DE MINERADORAS, MADEIREIRAS, FAZENDAS DE GADO, LATIFÚNDIOS, INDÚSTRIAS DE APARAFUSAMENTO DE ELETRODOMÉSTICOS, das quais tu, quês és POVO, não és SÓCIO?”


Foto: J Martins Rocha - Na foto aparece na esquerda o Senador Evandro Carreira, foi prestar o seu irrestrito apoio ao Movimento SOS Encontro das Águas, no dia comemorativo ao Dia Mundial das Águas. 

terça-feira, 23 de março de 2010

PERSONAGENS ENGRAÇADAS DE MANAUS

O padre Nonato foi um religioso que bem cedo deixou a batina; a sua praia era mesmo a boemia e, dizem, eu não sei, que ele era também chegado a uma pederastia, era também um grande brigão; tomou todas nos bares de Manaus, porém, era respeitado pelos acadêmicos, o homem tinha uma vasta cultura, foi um grande literato; ouvi falar que ele tinha um assessor para assuntos aleatórios, era um caboquinho do interior, tinha como missão espinhosa, a busca e seleção de homens formosos e avantajados; certo dia, encontrou o Companheiro Inácio, tentou inúmeras vezes trazê-lo até a presença do padre, mas recebia sempre um grande e sonoro não; num belo dia, fez uma proposta indecente, irrecusável, o Companheiro Inácio era um jovem Surubim (liso, mas cheio de pinta!), aceitou a parada, primeiro teve que mostrar a “dita cuja” para o “assessor”, o cara ao ver a parada de sucesso, tremeu nas bases, saiu correndo para contar as boas novas ao padre:

– Sêo padre, o homem aceitou, mas ele tem uma tremenda lambedeira, mede um palmo e três dedos o mangará, parece até uma escora de carroça, tenho até pena do senhor! Passou a informação, no puro nervosismo.

- Não esquenta não, meu filho, vá lá e traga o bofe, e, seja o que Deus quiser! Respondeu na maior tranquilidade, fazendo o sinal da cruz.

Conheci o padre nos últimos anos da sua vida, andava bem arrumado, carregando sempre um guarda-chuva e uma bengala, parava em todos os bares do centro antigo de Manaus, era solitário, tomava a sua cervejinha, sempre lendo um livro ou jornal, não perturbava mais ninguém.

O Companheiro Inácio é um artista plástico muito famoso na região norte; na sua juventude aprontou poucas e boas, era um bonitão, detonou centenas de mulheres, o cara era um garanhão; gostava também de tomar umas e outras; certa vez, encontrou a mulher dos seus sonhos, uma gaúcha muito linda, ela era aeromoça da Varig-Cruzeiro, o Companheiro Inácio pediu ela em casamento, o pedido foi aceito, porém, na condição de ele parar de beber, aceitou a condição, para tanto, passou a frequentar a irmandade dos Alcoólicos Anônimos (AA do Porto de Manaus), seguiu direitinho os doze passos, por lá encontrou o Professor Lazáro, do Colégio Einstein, era o Presidente da instituição, o Companheiro Inácio foi muito dedicado, chegou até ser o Secretário Geral; num belo sábado caliente de Manaus, os dois amigos se encontraram no Canto do Fuxico (esquina da Avenida Eduardo Ribeiro e Rua Henrique Martins), o Companheiro Inácio propôs uma caminhada até a esquina da Rua José Clemente, chegando lá, resolveram pegar a esquerda e pararam em frente ao Bar Caldeira, resolveram tomar um guaraná Baré, papo vem, pago vai, pediram outro guaraná, papo vem, papo vai, tomaram o terceiro guaraná, o Companheiro Inácio propôs o seguinte:

- Companheiro Lázaro, está fazendo um calor danado, que tal tomarmos somente um copo de cerveja? Perguntou na brincadeirinha para o professor, se colar, colou.

- Companheiro Inácio, faz logo o pedido, aproveita e pede dois maços de Hollywood e Tira-Gosto de Queijo Bola com Salame, manda logo o Adriano separar uma dúzia de ampolas véu de noiva, eu não sou homem de tomar somente uma, estou até o pescoço com a porra desse guaraná, vamos secar o boteco, Companheiro Inácio! Respondeu na maior, quem manda cutucar Onça com vara curta.

- Paranananam, paranananam - Ó abre alas que eu quero passar, eu sou da lira não posso negar..! Vou-me embora para Pasárgada, lá sou amigo do rei, lá tenho a mulher que eu quero, na cama que escolherei..! Os dois companheiros passaram a tarde bebendo, cantando e declamando, estavam mais animados do que pinto na merda! Depois da bebedeira, os dois ainda foram abrir os trabalhos do AA, foram expulsos pelos estivadores, embaixo de socos e pontapés.

O Companheiro Inácio perdeu a noiva, ficou solitário até hoje, ainda toma umas e diversas, porém, ainda produz excelentes quadros, famosos no Brasil inteiro – O Companheiro Lázaro, foi proprietário de vários cursinhos pré-vestibular de Manaus, continua lecionado Literatura e Língua Portuguesa.

O Manoel Mormão é um “Espoca Konga”, é um dos moradores mais queridos da Ladeira da Tapajós, mora num terreno baldio, bem ao lado da antiga casa da família Bentes de Souza; acredito que pelo tempo que está no local já dá para pedir Usucapião. Quando era jovem, foi morar numa fazenda situada no bairro do D. Pedro II (o local virou depois uma casa de forró), ele era um exímio domador de cavalos, ficou responsável por um árabe puro sangue; nos finais de semana, gostava de passear à noite, montado no cavalo, sem a permissão do dono, visitava todos os botecos da Compensa, fazia o maior sucesso, andava a cavalo nos meios dos carros, trajava um chapéu cowboy e um facão na cintura; certa vez, parou no Bar Senadinho, pediu uma dose marítima, o dono do estabelecimento colou cachaça, querosene, pólvora e uma bala, tomou de uma só talagada e sem fazer careta, montou no cavalo e foi passear, depois voltou sem o cavalo, foi logo detonando:

- Faz outra dose marítima, pode colocar os ingredientes, sem a bala, pois na anterior, dei um pum e matei o cavalo! Fez o pedido na maior gozação.

O cara adora uma pura, todas as vezes que ele vai tomar uma dose, fecha o nariz para não sentir o cheiro da cachaça, se não, vai dá água na boca e misturar o mé! Todos os vasilhames de 51 ficam arrumados numa parede, no final de ano, ele faz uma árvore de natal de garrafas, a vizinhança entra com os piscas-piscas. O local aonde mora chama-se Sindicado do Mé, o presente preferido do Manoel Mormão é o Kit Pé Inchado: uma garrafa de cachaça 51, uma carteira de cigarros Derby e uma lata de Conserva de desfiar. Gosta sempre de cantarolar: - Manoel Mormão, Manoel Mormão, não deixa a cachaça cair pelo chão! Já fui menino levado, tocador de p..., só não fui "sãocristão" por que era levado da breca!  Assim vai levando a vida.

Existem várias outras figuras, comentarei em outras oportunidades. O importante é o reconhecimento, o resgate dessas pessoas, não pretendo desmerecê-las, mas, mostrar o lado bom e engraçado das suas vidas. Comento toda semana sobre a minha vida, sem nenhum problema, tudo na maior alegria. E isso aí!

segunda-feira, 22 de março de 2010

MOVIMENTO EM DEFESA DO ENCONTRO DAS ÁGUAS


Elaíze Farias - Da equipe de A CRÍTICA

Moradores do bairro Colônia Antônio Aleixo, na Zona Leste, artistas, intelectuais, políticos, e demais membros da sociedade civil, assinaram ontem, durante manifestação em Comemoração ao Dia Mundial da Água, um abaixo-assinado pedindo a transformação do entorno do Encontro das Águas em Unidade de Conservação de Uso Sustentável e de Área de Relevante Interesse Ecológico. O documento com as assinaturas serão entregues ao Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBIO), entidade vinculada ao Ministério do Meio Ambiente. O Dia Mundial da Água é comemorado hoje.

A manifestação de ontem reuniu cerca de 90 pessoas no Mirante do Encontro das Águas (antiga Embratel), na Colônia Antônio Aleixo, cuja paisagem privilegiada do fenômeno hidrológico foi pano de fundo de um show musical com o grupo Imbaúba, liderado por Celdo Braga, a dupla Candinho e Inês e o cantor Pereira.

Para a bióloga Elisa Wandelli, membro do movimento SOS Encontro das Águas, a criação da Unidade de Conservação vai fortalecer o processo de tombamento da área. “O tombamento dá um status cultural e ambiental, mas é preciso também adotarmos procedimentos administrativos para preservar o local. A lei de unidade de conservação estabelece que se faça um plano de gestão, de zoneamento e, de estudos de demandas sociais da área do Encontro das Águas”, disse Elisa.

Conforme a bióloga o encaminhamento do pedido dos manifestantes ao ICMBIO ocorre após a inúmeras tentativas frustradas de transformar o Encontro das Águas em Unidade de Conservação no âmbito estadual. “Todas as nossas manifestações foram ignoradas. O Estado não tomou providência. Por isso estamos tentando no âmbito federal agora”, disse Elisa.

A proposta do movimento SOS Encontro das Águas é que a unidade de conservação contemple as duas margens dos rios Negros e Solimões, desde a Ilha de Marapatá e a foz do rio Negro, além da Ilha de Xiborena, Lago Catalão, Sítio Geológico Ponta da Lajes, Lago do Aleixo, Lago dos Reis e Ilha de Terra Nova.

A manifestação pediu também agilidade no processo de tombamento cultural e paisagístico do Encontro das Águas. Atualmente, o processo encontra-se em análise no Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). O grupo espera ainda que o projeto Porto das Lajes, cujo pedido de licenciamento ambiental está em análise, não seja construído nas proximidades do Encontro das Águas, embora o Estudo de Impacto Ambiental (EIA) tenha sido constestado pelo Ministério Público Estadual (MPE).

Fotos: J Martins Rocha

sábado, 20 de março de 2010

SEBO O ALIENISTA NO CAMPUS DO ICHL/UFAM

O nosso blog é voltado para a publicação da cultura amazônica, dessa forma, estamos abertos para a divulgação de eventos focados nesta temática. Recebi o e-mail do nosso amigo Celestino Neto, proprietário do “Sebo O Alienista”, para o lançamento do “Desafio Caça-Livos”.

“A Estante Virtual estará mobilizando, no período de 22 a 26 de março, mais de 70 cidades em todo Brasil, com a promoção “Desafio Caça-Livros”, onde o leitor tentará descobrir em um minuto um livro que não esteja na Estante Virtual. Em Manaus, a campanha ocorrerá na UFAM, no campus do ICHL e o “Sebo O Alienista” representará o Amazonas no projeto e colocará parte de seu acervo à venda. Também haverá sorteios de brindes pela Estante Virtual.
Contamos com a presença de todos - Contato: (92) 88316698 / 3877-2408
Celestino Neto - SEBO O ALIENISTA”

Para conhecermos mais um pouco sobre a livraria sebo, vai aí a definição da Wikipédia:

“Sebo é o nome popular dado a livrarias que compram, vendem e trocam livros usados. Os preços dos livros vendidos em sebos são geralmente mais baixos, com exceção de livros raros, autografados, primeiras edições, os que levam encadernações de luxo, que podem ter um custo maior por seu valor histórico. Estas lojas de livros usados costumam ser bastante freqüentadas por curiosos, estudiosos e colecionadores. O objetivo de preservar o planeta, poluindo o mínimo possível, passa pela importância de reciclar os livros através dos sebos, ou seja, o sebo é uma empresa ecologimente correta. Os sebos também têm o grande mérito de disponibilizarem uma oferta muito mais ampla de autores do que as livrarias tradicionais, que estão cada vez mais restritas aos últimos lançamentos e aos best-sellers.”

Em Manaus, os sebos foram difundidos na antiga Praça Heliodoro Balbi (Praça da Polícia), por ser um local muito frequentado pelos intelectuais amazonenses, inclusive foi onde foi fundada o famoso Clube da Madrugada; com a reforma da praça, os livreiros foram reconhecidos pelo governo do Estado, ganharam barracas padronizadas e climatizadas.

Quando resolvi estudar "Direito", comprei num sebo a bíblia dos estudantes, o famoso Vade Mecum, aliás, fiz amizade com o Celestino, do Sebo O Alienista, onde troco e compro livros, principalmente os que versam sobre a Amazônia.

Em Manaus, poderemos encontrar os sebos nos seguintes endereços:

Arqueólogo Livraria
Endereço: Av. Getúlio Vargas, 766 (Altos), Centro (em frente ao Sheik Club).
Fone: (92) 3234-0965.
Livraria do Concurso Público
Endereço: Av. Getúlio Vargas, 840, Centro (a 100 m do Arqueólogo).
O Sebão de Manaus
Endereço: Rua Joaquim Sarmento, 201, Centro.
Fone: (92) 3082-7262/9621-9357.
A República
Endereço: Rua Joaquim Sarmento, 232, Centro (próximo ao sebo “O Alienista”).
O Alienista
Endereço: Rua Joaquim Sarmento, 232, Centro.
Fone: (92) 3084-9085/3234-1760.
Livraria Universitária
Endereço: Rua Henrique Martins, 445 (Altos), Centro (ao lado da livraria Record).
Fone: (92) 3232-1593.
Feira da “Praça da Polícia”
Enderço: Pça. Heliodoro Balbi (em frente ao Museu de Arqueologia).
Feira da Eduardo Ribeiro
Endereço: Av. Eduardo Ribeiro, Centro.
SoLer Revistaria
Endereço: Rua 10 de Julho, 637, Centro, Manaus/AM.
Fone: (92) 3637-6370.
Comunidades no ORKUT
1) Sebo On Line – Manaus:
http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=6138081

É isso aí macacada, como diz o meu amigo Celestino "LER É UMA LOUCURA!".

sexta-feira, 19 de março de 2010

SHOW DAS ÁGUAS - MANIFESTO PELA PRESERVAÇÃO DO ENCONTRO DAS ÁGUAS


Com a participação do Grupo imbaúba, Pereira e Candinho e Inês

Local: Mirante do Encontro das Águas (antiga Embratel), a 4 km após uma Escola Agrotécnica

Data: 21/03/2010 (domingo), 9:30 h

Ponto de Encontro: Gratuito ônibus e comboio de carros partirão às 9:00 h do Posto BR da Bola do Coroado, com retorno às 12:00 h. Contatos: 9198 0869, 92 339021, 9984 1256, 9114 2012

Venha se manifestar e escutar as mais belas músicas no mais majestoso cenário da Amazônia!

O Mirante Encontro das Águas situações-se na margem esquerda do Encontro das Águas, sobre uma falésia que emergem até 90 m acima do Rio Amazonas e que conjuntamente com um imenso afloramento arenítico constituí o Sitio Geológico Ponta das Lajes. Este belo fenômeno geológico recebeu o título de Patrimônio Geológico Brasileiro Devido sua raridade e Importância na Bacia Amazônica. Do Mirante, pode-se observar todo o entrelaçamento dos rios Negro e Solimões que Constituem o Encontro das Águas que formam o Rio Amazonas. Tem-se também uma visão da privilegiava-Ilha do Careiro da Várzea, da Ilha do Marapatá na Foz do Rio Negro, até a Ilha da Xiborena, Lago Catalão, e Lago dos Reis, que Juntamente com as Embarcações Regionais formam uma das paisagens mais paradisíacas da Amazônia.

Objetivos do Show das Águas --

Sensibilizar uma sociedade sobre a Importância da Preservação do Encontro das Águas e de seu tombamento como Patrimônio Cultural e Natural.

Denunciar os riscos socioambientais que o Porto das Lajes Representatividade ea degradação provocada por portos clandestinos, Estaleiros, esgotos e Indústrias do Distrito Industrial na região do Encontro das Águas e cobrar das Instituições competentes projetos de recuperação.

Produzir uma boa fotografia do movimento SOS Encontro das Águas tendão como fundo o majestoso Encontro das Águas dos Rios Negros e Solimões.

Propiciar uma agradável manhã com belo cenário, manifestações culturais e excelentes músicas dos artistas CELDO BRAGA e imbaúba Grupo, Pereira, Candinho e Inês.

Obs. Haverá venda de CDs e DVDs dos músicos que Estarão cantando voluntariamente pela preservação do Encontro das Águas.

Movimento "SOS Encontro das Águas"

MUSEU/CASA DE EDUARDO RIBEIRO


Finalmente, aconteceu a inauguração do Palacete Bretislau de Castro, o evento foi muito concorrido pelo pessoal das três esferas do poder, além de empresários, artistas, músicos, profissionais liberais, médicos, escritores, militares e curiosos (nesta classe eu me incluo).

Fiz a visita em companhia de dois amigos, confesso que nunca tinha colocado os pés naquele lugar, por isso, foi uma emoção muito grande em conhecer aquele prédio histórico.

No Palacete abriga o Museu Casa Eduardo Ribeiro, a Academia Amazonense de Medicina e Memória da Medicina, abaixo, farei um breve relato desses espaços, transcrito de um folder que foi distribuído no evento.

A Casa

Trata-se de um belo exemplar dos vários palacetes edificados, em Manaus, no período áureo da economia da borracha (1880-1914), no centro tradicional da cidade e em área bastante valorizada, especialmente pelo seu entorno que contava com as construções do Teatro Amazonas, Palácio da Justiça e do futuro Palácio do Governo cujas obras, embora iniciadas naqueles anos, não foram concluídas. Depois de ter sido uma das residências do governador Eduardo Ribeiro, de 1907 a 1961 foi propriedade e residência da família do engenheiro Bretislau de Castro e dona Maria Augusta Castro quando foi vendida para a União Federal, passou a sediar os serviços públicos de saúde. Edificada em alvenaria de pedra e tijolo, em três andares, em dois lotes de terrenos, medindo 20,90m de frente e 48m de fundos, devidamente restaurada no período de 2007 a 2009, está ambientada e reconstituída com objetos, utensílios e mobiliário da casa de residência do jornalista, militar e político Eduardo Gonçalves Ribeiro, com a recomposição da memória da família Bretislau de Castro e da medicina no Amazonas. Com mobiliário de época e exposições virtuais e interativas, acolhe no andar térreo a sede da Academia Amazonense de Medicina, e nos dois outros foram recomposta como residência. O imóvel foi cedido pela União Federal ao governo do Estado do Amazonas, por meio da Secretaria de Estado da Cultura, por portaria de nº 168, de 24 de abril de 2002, do Ministério de Estado do Planejamento, Orçamento e Gestão, incluindo a implantação de um museu digital sobre a história da medicina no Amazonas.

Eduardo Gonçalves Ribeiro

Militar, jornalista e engenheiro nascido no Maranhão em 1862, filho de Maria Florinda da Conceição. Estudou no Liceu Maranhense, na Escola Militar do Rio de Janeiro, graduando-se com oficial do exército e bacharel em ciências físicas e naturais e em engenharia. Em 1887 foi deslocado para Manaus, servindo em Belem por alguns meses. Na capital amazonense atuou nas obras públicas e na demarcação de terras, mas particularmente na político, tendo sido Vice-Governador, Governador de Estado, Deputado Estadual, presidente do poder legislativo em dois mandatos e Senador da República eleito, mas não reconhecido pelo senado. Atuou na imprensa maranhense, particularmente no jornal “O Pensador”, que ajudou a fundar, ainda bastante jovem. Era um jornal popular e contrário à igreja católica. Do nome do jornal veio o apelido com o qual ficou conhecido. Faleceu em situação misteriosa, em Manaus, em 14 de outubro de 1900.

Família Bretislau de Castro

O engenheiro Brelislau de Castro Júnior adquiriu o imóvel de Ana Botelho da Cunha Marinho, por carta de arrematação em 15 de maio de 1907, nele residiu durante muitos anos com a família. Seus herdeiros, Ruth Borges de Menezes Castro, Flávia de Castro Gurgel do Amaral, Maria Augusta Borges de Menezes Castro e Edith de Menezes Castro Batista, depois de sua morte, em razão de formal de partilha e por desapropriação pela União Federal levada a efeito em 1961, entregaram o imóvel para sede de serviços do governo federal na área de saúde pública. Corria o tempo do presidente Juscelino Kubitschek de Oliveira.

Ação Educativa

Visita monitorada e oficinas com teatro história sobre a paisagem urbana de Manaus no período áureo da borracha, e passagens da vida pessoal e política do ex-governador e dos antigos moradores do Palacete. Visitas programadas. Encontro e debates. Atividades lúdico-recreativas para o público infanto-juvenil.

Eventos

Esta área pode ser utilizada para visitação individual e de grupos, levada a efeito no horário regular de funcionamento ou agendada, especialmente por escolas e turistas interessados em conhecer parte da história do Amazonas; as transformações urbanas levadas a efeito em Manaus no período de 1892-1896; a vida e a obra do governador Eduardo Ribeiro e da importante família Bretislau de Castro, além de travar conhecimento com a história da medicina no Amazonas. Os acervos documentais e históricos são disponibilizados em meio digital para uso no local. No pequeno e agradável jardim da Casa há eventos artísticos como o teatro história e música com apresentações acústicas, conforme programação mensal.

Academia Amazonense de Medicina

Foi fundada em Manaus em 14 de março de 1980 com 20 cadeiras na Rua Ferreira Pena (antigo prédio da SEMSA), e reinstalado em 24 de março de 1999 no Centro Cultural Palácio Rio Negro com 60 cadeiras. Reúne profissionais da saúde, especialmente dedicados à produção cientifica e literária, e outras personalidades das letras e das ciências sociais.

Jardim Maria Augusta de Castro

Homenageia a senhora Maria Augusta de Menezes de Castro, esposa do engenheiro Bretislau Manoel de Castro Júnior, de “apurada educação e formação humanística e com amplo círculo de relações sociais” em Manaus, genitora do médico Flávio de Castro, do magistrado Mário de Castro, de Edith de Castro Batista e do doutor Edgar de Castro. A família residiu por muito tempo no prédio, desde poucos anos após a morte de Eduardo Ribeiro, precisamente de 1907 a 1961. Localizado na parte posterior da Casa, onde se localiza a garagem do carro do Governador, possivelmente puxado a parelhas, onde se realizavam encontros informais de estudantes, professores, pesquisadores, historiadores e médicos interessados na vida e obra de Eduardo Ribeiro, na historia da família Brestislau de Castro e da medicina amazonense, e saraus artísticos conforme calendário pré-fixado. Peças Importantes: Charrete de época correspondente ao período do governo de Eduardo Ribeiro (reprodução). Azaléia, Bromelias, Bugaville, Helicônia, Jasmim de Madagaska, Marta (jasmim laranjeira), Mini Rosas, Palmeira da Malásia, Timmbérgia e Xora Chinesa, expostas em caramanchão de ferro, em pérgula ou latada, coberto por trepadeiras, concede sombra e dá um ambiente acolhedor. Ao que se conhece a estrutura pergulada te origem em antiga vila romana, construindo um caminho protegido do calor, para permitir meditação. Esculturas em louça e em massa, correspondente a estações do ano, originarias da residência do comendador Emídio Vaz d´Oliveira, antigo cônsul de Portugal e cidadão benemérito do Amazonas. As peças de maior valor podem ser encontradas no Passeio Público, no Rio de Janeiro, as esculturas das Estações do Ano, desenhadas por Mathurin Moreau e fundidas em 1860 no Val D´Osne, que também enviou diversas obras para Manaus, algumas delas expostas nos jardins da Praça Heliodoro Balbi. Esculturas das Estações do Ano, também nos jardins do Palácio da Liberdade, em Belo Horizonte, Minas Gerais.

A Casa estará aberta de 9h às 17h, de segunda a sexta-feira, e domingo das 16h às 21h, fica na Rua José Clemente nº 322, centro histórico de Manaus, mais informações nos sítios:  http://www.culturadoam.blogspot.com/ http://www.eduardoribeiro.am.gov.br/


quinta-feira, 18 de março de 2010

ZÉ MUNDÃO NA QUARTA CULTURAL DE MANAUS

A quarta cultural do Zé Mundão estava prometendo desde cedo; o cara é antenado, não pode passar sem a Internet nem com nojo, apesar de não termos a banda larga, somente a banda podre, começou logo cedinho da manhã a blogar, twitar, abrir e-mail e atualizar as correspondências eletrônicas, visitar os blogs do Holanda, do Rocha, do Simão Pessoa, da Floresta e do escambau a quatro; começou a se preparar fisicamente e psicologicamente para as inaugurações da Casa Museu do Eduardo Ribeiro e do Parque Igarapé de Manaus; de repente a internet foi para o espaço sideral, o roteador da Embratel pifou - É agora, Zé Mundão? Sem a internet, começou a filosofar sobre a vida virtual: O desktop, o notebook, o palm da vida, o celular com wi-fi, o netbook e o resto das fuleiragens tecnológicas do mundo moderno, não tem a menor graça sem a bendita internet! Não se fez de rogado, correu para o Amazonas Shopping, na praça de alimentação a internet é aberta, porém é fechada para alguns sites, como estava com bala na agulha, resolveu ir ao Ciber Café InternetNow, pediu logo duas horas de internet, a funcionária cobrou o olho da cara, pediu na maior, a bagatela de seis reais a hora, Zé Mundão ficou puto, achou que era a hora mais cara do Brasil, pois no centro de Manaus é apenas 1 conto e cincoenta centavos, no shopping paga-se mais caro devido ao que eles chamam de “padrão shopping”, Zé Mundão não entendeu nem um pouco o que era aquela porra de padrão, mas, mesmo assim começou a fuçar a internet que nem um tarado, sai pra lá Zé Mundão, eu hein! Depois de algum tempo ficou entediado, não queria mais saber de internet e de shopping, teve vontade de jogar conversa fora, molhar o bico lá pelas bandas do Caldeira, pegou um buzinho chamado de Alternativo, pagou três contos, a outra alternativa é o Buzão da máfia dos paranaenses que se estalaram em Manaus, os pilantras fizerem um consorcio de empresas fantasmas, mandaram para Manaus toda uma frota capenga, mais rodada do que a Geni Foló (aquela que de vez em quando quebra o galho do Zé Mundão), e ainda cobram a tarifa mais cara do país; chegando em campo, mandou logo abrir umas ampolas véu de noiva, começou o preparo físico para visitar o prédio onde morou o governador Eduardo Ribeiro, pois o bar fica bem na ilharga; foi bater um pago com um amigo historiador e restaurador, papo vai e papo vem, o cara falou para o Zé Mundão que o governador nunca morou naquela casa, declarou na maior que o dito cujo era chegado a uma macaxeira e gostava também de tomar no cupuaçu, Zé Mundão já ficou invocado com as declarações do amigo, ficou mais puto quando falaram que a inauguração foi adiada mais uma vez; resolveu se mandar, passou pelo Largo de São Sebastião, o Tio Joaquim tinha autorizado a volta do Tacacá na Bossa, o Zé Mundão ainda assistiu ao show da gata Kátia Maria e do carrapicho Zezinho Corrêa; tava na hora do seu Mengo jogar, mas tinha que assistir a inauguração do Parque Igarapé de Manaus, resolveu matar os dois coelhos com uma só cajadada, foi assistir a peleja num bar de um antigo morador chamado Triunfo, bateu papo com as filhas do Goiaba Nacionalino, com Helio, Sérgio, Tico e Neno, antigos moradores do Igarapé de Manaus, ficou com um olho no jogo e outro no Palco Armado (era o palanque político do Omar e do Cadeirudo) na Major Gabriel; decepção total para o Zé Mundão, o Mengo tremeu mais do que um terremoto de 7,5 graus, pegou uma peia de um time do Chile, lamentou também do aterro que fizeram no Igarapé de Manaus, tava tudo bonitinho, cheio luzes, praças, quadras de futebol, mas acabaram com os igarapés do Zé Mundão - Será que chega por hoje, para o Zé Mundão? Que nada, o cara tem mais fôlego do gato siamês, foi à pé para o Bar do Armando, pois iria comemorar a aprovação pela Câmara Municipal de Manaus, de um projeto audacioso do vereador Carijó, que irá beneficiar toda a população de Manaus, foi aprovado por unanimidade “O Dia do DJ”, é mole, Zé Mundão! Chega de atividades culturais para o Zé Mundão, ele vai descansar e esperar pela próxima “Quarta Cultural do Zé Mundão!” Eu hein, Zé Mundão!

quarta-feira, 17 de março de 2010

A NOSSA VELHA FACULDADE DE ESTUDOS SOCIAIS DA UFAM


Resolvi assistir a tradicional novena da terça-feira, na Igreja de Nossa Senhora de Aparecida, rezei, ouvi a homília do padre, depois fui a Feira que fica estrategicamente ao lado da igreja, lanchei um Hamuraki com Garapa, na Pastelaria Paulista e, aproveitei para comprar queijo coalho e manteiga para o café da manhã seguinte

Resolvi caminhar pela Rua Monsenhor Coutinho, deparei com o prédio da minha antiga Faculdade de Estudos Sociais (FES/UFAM), de repente, viajei ao passando, lembrei do livro de Teoria Geral de Administração (TGA), do Idalberto Chiavenato e dos livros do Peter Drucker, veio a minha mente a figura do meu colega Aderson Conceição Melo, era bacharel em Direito e Delegado de Polícia Civil, duas vezes por semana caminhávamos até a Faculdade de Educação (hoje CAUA), na esquina da Rua Tapajós, para assistirmos as aulas de Administração Financeira, certo dia fui sozinho, ele resolveu ir depois, um pistoleiro o aguardava atrás de um pé de Benjaminzeiro, foi assassinado bem próximo a nossa faculdade; Deus o chamou muito cedo e repentinamente para a sua morada eterna.

Lembrei também dos funcionários de Departamento de Administração: Maria Carmem Itou, Rosemeire Sevalho e Rosilda Brito – do pessoal da biblioteca: Ana Lúcia Rayol, Cintia Espíndola, Ercília de Araújo e Antonio Jardim, além do porteiro Egberto Gonçalves.

Os mestres foram muitos, mas lembrei dos seguintes: Alci Aderi, Jeferson Péres, Anibal Mello, Carlos Alberto, Elizabeth Kolling, Emerson Pires, Felismino Soares, Haroldo Jatahy, Isa Assef, João Brito, José Sefárico, José Laredo, Luiz Aurélio, Nathan Benzecry, Nilton Lins, Onias Bento, Randolpho Bittencourt e Mancini.

A nossa formatura foi em 06 de agosto de 1983, no Teatro Amazonas e a festa foi na AABB, lembrei do juramento do Administador: “Prometo no exercício da profissão, cumprir os sagrados deveres inerentes ao meu grau, procurando estabelecer o equilíbrio dos interesses sócio-econômicos, sempre e cada vez mais relacionados, com os problemas da probidade e das ciências, para o bem estar do Brasil e da humanidade”.

Os formandos foram os seguintes: Adernael Sampaio, Alexandre Ale, Ana Virginia, Antônio Adalberto Martins, Antônio Câmara, Antônio Edivaldo, Augusto Cecílio, Carlos Lélio Lauria, Darcy Macena, Dernando Reis, Diva Oliveira, Edivaldo Mendonça, Erlita Jezine, Evanilson Cordeiro, Fátima Garcia, Flávio Montenegro, Floriano Ramos, Francisco Hermes, Georgina de Nazaré, Hildebrando Mendes, Idalina Gusmão, Israel Barbosa, João dos Santos Braga, João Sabino, Jorge Cantanhede, Josafá Silva, José Alves Gomes, José Martins (o próprio), Juscinei Machado, Maria Angela Gioia, Maria Lake, Maria Noemia Alcântara, Miguel Angelo, Oswaldo Leinthier, Oyama Cézar, Paulo Almeida, Raimundo Calado, Ramon Abrahim, Rejane Menezes, Ricardina Santos, Rita Desideri, Roseanne Lobo, Ruy Waber, Sávio Mendonça, Sérgio Kusbick, Socorro Ferreira, Suely Moraes, Sulemy Cavalcante, Vitor Cruz, Vivaldo Paula, Weimar Xaud, Wellington Souza, Yácara Egle e Yume Oka.

O nosso “canudo” foi feito de pergaminho animal e assinado pelo Francisco Ferreira Batista, Diretor do Departamento de Administração e do Octávio Hamilton Monteiro Mourão, Reitor da UFAM; acordei.

Voltei ao ano do nosso senhor de 2010, o prédio onde funcionava a nossa velha faculdade foi transformada na Escola Estadual Eunice Serrano Telles de Souza - a FES foi transferida faz muito tempo para o Campus da UFAM.

A Rua Monsenhor Coutinho continua bem arborizada e, escura, como sempre, pena que o Bar da esquina, que tirava a nossa sede, está fechado para sempre, encontra-se em ruínas.

A nossa velha faculdade é somente lembranças, mas, os ensinamentos que adquirimos nela, ficará por todo o tempo, enquanto estivermos no andar de embaixo. É isso ai.