sexta-feira, 5 de março de 2010

A HISTÓRIA DO AMAZONAS NA RUAS DE MANAUS


O escritor Luiz Carlos Carvalho, cearense, radicado em Manaus, desde 1977, conhece a história
dos nomes das ruas de Manaus muito mais do que muitos manauenses. O livro Ruas de Manaus, foi editado pela BK Editora, em 1995.

Sobre o assunto, o autor escreveu o seguinte “As Ruas de uma cidade, procuram mostrar seus nomes ilustres, como colocamos em nossa casa, o retrato de nossos pais e avós. Para que a geração futura não se esqueça daqueles que muito fizeram em benefício à terra. Nossa geração, está acostumada a ver políticos colocarem nomes de seus parentes em ruas, mesmo o que estes nada tenham contribuído pela a história da cidade e, terminam não valorizando os que realmente fizeram por merecer. Conhecemos também, muitos nomes ilustres que emprestam seus nomes às nossas ruas e terminam sendo esquecidos por não existir nenhuma ou pouca literatura sobre suas biografias. Uma curiosidade, não encontrei nenhuma rua com nome feminino importante para a história do Amazonas. No meio dos nomes célebres do Amazonas, sito aqui dois que ainda não são nomes de rua: Vivaldo Lima, que hoje empresta seu nome ao nosso principal estádio de futebol (será implodido em março de 2010) e Gilberto Figueiredo, em homenagem ao grande sertanista, adorado pelos índios e que deu sua vida pela causa indígena”.

Vamos conhecer um pouco mais:

ALEXANDRE AMORIM - Rua – Localiza-se no Bairro de Aparecida, inicia na Rua Coronel Salgado e termina na Ponte Fábio Lucena. Alexandre de Paula de Brito Amorim, português, nasceu em 15 de outubro de 1831 em Arco de Vez, Portugal, filho de Francisco Amorim. Chegou ao Brasil a 14 de julho de 1849 e veio para o Amazonas em novembro de 1851. Em Manaus estabeleceu-se como comerciante, fundando a firma AMORIM & CIA. Foi Cônsul de Portugal, de 1953 a 1873, foi agraciado por D. Pedro II, como Cavaleiro da Ordem de Cristo, em 1871, e depois Comendador. Alexandre Amorim faleceu em 20 de junho de 1881 em Manaus.

CARVALHO LERAL – Avenida – Situa-se no bairro da Cachoeirinha. Alexandre Carvalho Leal, nasceu em Manaus em 13 de janeiro de 1890, filho de Domingos Theóphilo de Carvalho Leal e de Maria José Fernandes Leal, grande político, tendo sido Governador do Amazonas, no período de 21 de novembro de 1889 a 14 de janeiro de 1890.

COMENDADOR CLEMENTINO – Rua – Situa-se no Centro, iniciando na Rua Tarumã, terminando na Avenida Álvaro Maria. Clementino José Pereira Guimarães, O Barão de Manaus, nasceu em Belém, em 14 de novembro de 1838, filho do Capitão Marcelo Pereira Guimarães. Foi agraciado com o título de Oficial da Ordem da Rosa. Político de grande projeção em Manaus, líder do Partido Conservador do Amazonas. Foi Deputado Provincial no biênio 1874/1875, foi nomeado 3º Vice-Presidente da Província do Amazonas, no dia 22 de agosto de 1865, tendo assumido a Presidência por duas vezes. Como jornalista, foi colaborador do Jornal “Estrela do Amazonas”. Capitão, Major e depois Tenente-Coronel da Guarda Nacional, ocupou os cargos de Procurador Fiscal da Fazenda e Promotor Público.

CONSTANTINO NERY – Avenida – Antiga João Coelho, uma das maiores avenidas em extensão de Manaus, atravessa vários bairros, iniciando no Centro e terminando na Estrada Torquato Tapajós. Antônio Constantino Nery nasceu em Manaus, filho do Major do Exército e Governador do Amazonas, Silvério José Nery e Maria Antony Nery. Foi Major do Exército e Secretário Assistente do Ajudante General do Exército, no governo do Marechal Floriano Peixoto. Filho de família política influente no Amazonas, seu pai Silvério Nery e seu irmão Abílio Nery, foram também governadores do Estado, participou intensamente da política local, onde foi Governador do Amazonas em 1907.

DJALMA BATISTA – Avenida – Antiga João Alfredo, que foi o 1º Ministro, no período de 10 de março de 1888. Hoje a mais importante Avenida de Manaus. Inicia na Avenida Álvaro Maia, no bairro Nossa Senhora das Graças e termina na Rua Recife, no Parque Dez. Djalma da Cunha Batista, nas no Acre no dia 20 de fevereiro de 1916, filho de Gualter Marques Batista e Francisca Acioli da Cunha Batista. Formou-se em medicina na Bahia, casou-se com Gilda Limongi Batista. Foi Diretor do Sanatório “Adriano Jorge” e do Departamento de Educação e Cultura do Amazonas. Escreveu vários trabalhos, entre eles destacamos: Paludismo no Amazonas, O Complexo da Amazônia, Codájas: Comunidade Amazônica, Letra da Amazônia, Aspectos Econômicos e Sociais da Tuberculose no Amazonas, Apóstolo e Santo Moderno. Foi fundador do Instituto de Pesquisa da Amazônia (INPA) e seu primeiro diretor, pertenceu ao Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA) e da União Brasileira dos Escritores da Amazônia (UBEA).

LEONARDO MALCHER – Rua – Inicia-se no bairro de Aparecida, passa pelo Centro, Praça 14 e termina no bairro da Cachoeirinha, na Avenida Carvalho Leal. Leonardo Antônio Malcher foi engenheiro, contratado para construir o prédio da Prefeitura de Manaus, em 1874, construiu a Igreja de São Sebastião, em 1888. Major, participou em 14 de janeiro de 1892, de um grupo que organizou a deposição do governo do Dr. Thamaturgo, foi junto com Almino Afonso e Lima Bacuri, tentar convencer o governador a deixar o Palácio e aceitar a Junta Provisória, que assumiria o governo até a chegada de Eduardo Ribeiro, eleito pelo grupo como Governador Provisório, o governador os recebeu com agressões, saindo Almino e Lima Bacuri feridos a bala e Leonardo Malcher com escoriações, depois foi preso e deportado para o lugar Carvoeiro.

Faremos outras postagens sobre as Rua de Manaus.
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