quarta-feira, 3 de março de 2010

AS ÁGUAS DO TARUMÃ


* Bosco Saraiva
Quando eu era menino, lá no Morro da Liberdade, tive a alegria de desfrutar da beleza, dos encantos e dos banhos no Igarapé do Quarenta. Foram tempos de muita felicidade. A natureza nos ofereceu a sua divindade e nós oferecemos a nossa inocência e, juntos, formamos a Manaus “Cidade Sorriso” de outrora.

Com a implantação do Distrito Industrial, no início dos anos setenta, e a conseqüente ocupação da sua cabeceira, o Igarapé do Quarenta teve sua morte decretada numa velocidade feroz. Foi quando juntamente com meus amigos lá do Morro, despertei para aquele quadro de degradação social e ambiental que resistia sobre aquela palafita. “Botei a faca no dente” e resolvi lutar para recuperar as águas do Quarenta. Entrei na política partidária. A cada desfile de carnaval da Escola Reino Unido construímos uma favela em forma de alegoria para chamar a atenção do povo para a nossa situação e seguimos lutando sem parar. Fora, anos a fio a lutar.

Em janeiro de 2003 presidi uma comissão formada por um grupo de técnicos que foi ao Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), com sede em Washington DC, e conseguimos o financiamento de U$ 500.000.000,00 (quinhentos milhões de dólares) para as obras de recuperação social e ambiental das Bacias do Educandos e do São Raimundo, o PROSAMIM, que está em curso e já apresenta melhoras consideráveis nos locais de intervenção.

Nota Dez para o componente social. Nota Dez para o componente urbanístico. Nota Dez para o componente habitacional, mas não há nota para o componente ambiental, pois o esgotamento sanitário ainda não foi executado. Quando estiver concluído será um grande programa.

Agora, me volto para a Bacia do Tarumã. Uma das mais belas e ainda preservadas Bacias de Manaus está sofrendo um processo de ocupação desordenado e sua contaminação é certa. O Igarapé da Bolívia já morreu. Os igarapés do Leão, do Mariano e da Cachoeira do Tarumã, só para citar alguns, estão comprometidos por conta da ocupação a sua montante.

Corremos o risco de brevemente assistirmos na Bacia do Tarumã o que vimos acontecer com o Igarapé do 40 e o Mindú. Daí então, estaremos testemunhando a morte da foz do Tarumã, bem ao lado da Ponta Negra. Aí, será “babau Tia Chica”! Nem mais a Ponta Negra servirá para o banho de domingo, que ainda resiste para aqueles que se aventuram a mergulhar no Rio Negro.

Professores conceituados têm chamada atenção para a situação do Tarumã. É bom ouvi-los. Caso contrário, se permitirmos a perdas das águas do Igarapé do Tarumã pagaremos o preço de ver a morte de toda a Cidade de Manaus.

* O autor é Deputado Estadual e Presidente Regional do PRTB. O artigo foi publicado no Jornal Dez Minutos.
Fotos: José Martins Rocha, mostra parte do Igarapé do 40 (poluído), no Bairro de Educandos e a segunda mostra as belezas do Tarumã (ainda não poluído).
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