segunda-feira, 15 de março de 2010

O LIXO URBANO E AS NOSSAS ATITUDES

Nos finais de semana, tenho o hábito de passear pelo nosso Rio Negro, aproveito enquanto ainda ando com as minhas próprias pernas, pois a velhice já está chegando e, depender dos outros para sair de casa deve ser um martírio que terei de encarar num futuro próximo; mas o que me chamou atenção no retorno de Iranduba, na comunidade do Cacau Pereira, foi um grupo de pessoas que estavam tomando a sua cerveja domingueira, até ai tudo bem, mas os caras jogaram algumas latinhas dentro do rio, ainda ficaram rindo ao ver as mesmas boiando, acharam lindo aquele ato, neste momento, balancei a cabeça, como forma de reprovação dessa atitude tão odiosa.

Estava voltando em uma Balsa, chamada de Boto Navegador, uma homenagem ao governador Gilberto Mestrinho, fiquei revoltado com o desrespeito que as pessoas ainda teimam em cometer. A natureza nos dar um rio imenso, bonito, fornece uma grande paz para o nosso espírito, mas o bicho homem retribui com a muita agressão, jogando latas de cervejas e refrigerantes, paus de picolé, sacos plásticos, bagos de laranja, garras pet e o escambau.

Certa vez, estava também voltando do meu passeio dominical, quando caiu uma chuva torrencial em Manaus, estavam ancorados dois imensos navios europeus no Rodoway, quando de repente saíram pelas galerias de esgotos do porto, milhares e milhares de garrafas pets, fiquei avermelhado de vergonha, pois os turistas estavam fotografando aquele momento inusitado para eles, para nós é uma cena comum, imaginem a propaganda negativa que eles estão fazendo mundo afora do nosso povo.

Recebi dos meus pais uma educação rígida, aprendi a valorizar o ser humano, a família, a coisa alheia, os animais e as plantas, o meio ambiente, enfim, aprendi a conviver em sociedade, respeitando as regras para uma boa convivência; passei para os meus filhos esses ensinamentos, eles aprenderam desde pequenos a não jogarem lixo no chão, acredito que irão passar para os filhos deles, assim espero.

Espero também que os governantes apliquem parte da dinheirama, utilizada em propaganda dos seus atos, em campanha de conscientização da população com relação ao lixo. Lembram daquela propaganda do “sugismundo”, estava funcionando, os jovens ao verem alguém jogando qualquer objeto no chão, recebia de imediato o epíteto. Pouco tempo atrás, os governos estaduais e municipais fizeram uma geral nos igarapés que cortam Manaus, foram milhares de toneladas de lixos retirados, mas as lixeiras a céu aberto voltaram, simplesmente por que o povo não foi educado suficientemente, não houve uma maciça campanha de conscientização.

O prefeito Serafim Corrêa, mandou colocar lixeiras por toda a cidade, em menos de um ano estavam totalmente danificadas, certa vez, presenciei um jovem dando um chute numa lixeira, perguntei o porquê daquela revolta, ele respondeu que era uma forma de se vingar contra os desmandos e abusos dos homens públicos, falei que ele estava errado, que aquilo era um bem que estava ali para servir a todos, não era do Prefeito ou qualquer outro patife que estava no poder, mas o cara simplesmente fez aquele sinal com dedo médio e me mandou para aquele lugar.

Não tive a oportunidade de conhecer as cidades de Cabo Frio, no Rio de Janeiro e Curitiba, no Paraná, consideradas umas das mais limpas do Brasil, mas deve ser uma beleza andar e ver tudo bem limpo, um povo educado, com qualidade de vida, deve ser muito bom, será que Manaus poderá ser um dia uma cidade limpa? Creio que sim, tudo depende das nossas atitudes, incluindo o povo e os governantes, tudo é questão de esforço, educação, campanhas e principalmente de amor - quem ama a sua cidade não a suja de jeito nenhum!

Prefiro não comentar sobre a taxa do lixo do Amazonino, mas das nossas atitudes com relação a ele (o lixo e não ao Amazonino!). O primeiro passo é não mais jogar lixo no chão, mesmo jogando o lixo na lixeira, o lixo continuará existindo, para diminuir essa imensa produção, teremos que reduzir o desperdício, reutilizando sempre que possível e separando os materiais recicláveis para a coleta seletiva.

Para refletir: Para construirmos um mundo melhor no futuro, teremos que ser mais responsáveis no presente. É isso.
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