terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

MUSEU DE CIÊNCIAS NATURAIS DA AMAZÔNIA

Está localizado na Rua Cachoeira de São Gabriel, s/nº, na Cachoeira Grande, bairro da Cidade Nova, telefone para contatos 92 3644-2799, fica numa área de 2 hectares (em anexo 3,5 hectares de bosque naturais), com uma área construída de 600m2.

Tem como objetivo a educação sobre a natureza às crianças brasileiras. Orientação aos estrangeiros que visitam Manaus. Exibe mais de 120 espécimes de peixes, com 1 aquário de 200t (com exemplares vivos de Pirarucu), 6 aquários de 2t e mais de 120 espécimes de insetos e mais de 50 itens de outras espécimes.

Segundo o site http://amazontower.net/po/museuinf.html  apresenta uma mensagem do Diretor Shoji Hashimoto:

“Tendo muito interesse em insetos, principalmente em borboletas, desde a infância, cheguei a Manaus como um imigrante japonês em 1975. Na época, com cerca de 600 mil habitantes, um terço da população atual, Manaus já demonstrava indícios de grande desenvolvimento em diversos pontos, baseado na política de Zona Franca adotada pelo governo federal do Brasil.Todavia, a urbanização e o desenvolvimento das áreas periféricas da cidade não trazem somente benefícios. O rápido desenvolvimento econômico pós-guerra no Japão destruiu a natureza da minha terra natal, transformando o ambiente natural onde passei a minha infância em campos de golfe, poluindo os lindos riachos, e exterminando a biodiversidade com uso descontrolado de agrotóxicos. Temendo que no futuro próximo aconteça o mesmo em Manaus, decidi construir o Museu de Ciências Naturais, realizando o sonho de muitos anos.Em junho de 1988, no mês e ano em que comemorava os 80 anos da Imigração Japonesa no Brasil, inauguramos este Museu de Ciências Naturais da Amazônia. No dia 22, no dia de sua abertura, tivemos a presença do Príncipe Akishino, o neto do Imperador Hirohito, da época, quando pudemos apresentar-lhe com grande honra, os espécimes que eu mesmo colhi da natureza local e preparei. (na foto acima, à direita, o Príncipe Akishino e o Diretor Hashimoto, ao centro).O principal objetivo da construção deste museu foi de proporcionar às crianças amazônicas a possibilidade de conhecer melhor o ambiente natural desta região. Tinha a convicção de que não haveria o futuro para a Amazônia, sem que as crianças locais tivessem o interesse pela preservação desta maravilhosa natureza. Mesmo em Manaus, onde o desenvolvimento econômico colocava as crianças no meio da “guerra educacional”. As crianças começavam a preferir os vídeos-game que os insetos da natureza. Hoje restam apenas poucos bosques naturais, incluindo o do meu museu e alguns poucos parques municipais, que era abundante na época em que cheguei aqui.Felizmente, em 1980 consegui adquirir o terreno por um valor bastante acessível, e dois amigos do Japão, Sr. Masanori Mizuno e Sr. Yuji Shiraishi, nos apoiaram muito. Estes senhores, embora tivessem muitos interesses em insetos da Amazônia, tiveram que continuar tocando os negócios herdados de seus pais. Disseram-me: “Você vá atrás do seu sonho, que também é nosso!”, oferecendo a ajuda financeira para a construção do museu. O sucesso deste museu tornou-se minha obrigação, perante a “AMIZADE” de muitas pessoas que me apoiaram, como o Sr. Susumu Horibe, o idealizador da torre de observação Amazon Tower, e muitos outros.Com a autorização concedida pelo IBDF (Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Florestal), o Museu recebeu nestes treze anos de seu funcionamento mais de 150 mil visitantes, um fato que me orgulha muito, por nossa contribuição na divulgação da natureza amazônica ao mundo.Desejo retribuir à geração do futuro, em sinal de gratidão, pelo que a Amazônia e o Brasil proporcionaram para mim esta oportunidade de conhecer as maravilhas desta terra. É um modesto museu com a exibição de apenas 2,5 % da biodiversidade, entre peixes e insetos. Entretanto, mesmo com apenas 2,5%, é possível mostrar uma pequena amostra da rica diversidade da fauna amazônica, através da qual, os visitantes brasileiros e turistas estrangeiros possam marcar na sua lembrança a importância da preservação desta natureza”.

Passados mais de duas décadas da inauguração do museu, o sonho do Sr. Shoji Hashimoto vai acabar, brevemente, infelizmente, pois a instituição está dois anos no vermelho, não tendo mais condições financeiras para manter-se aberto à visitação pública, irá fechar no final de março deste ano.

A idéia dos administradores do museu será de embalar todo o material, secar os tanques, soltar os Pirarucus num lago (irão morrer de fome, pois, eles não sabem mais procurar o seu alimento, em decorrência de estarem muito tempo em cativeiro). Eles pensam em reabri-lo próximo a Copa do Mundo de 2014, em decorrência do grande fluxo de turistas estrangeiros que virão para Manaus; acho que será muito improvável isso acontecer, pois eles não tem o dinheiro suficiente para manter aberto agora, imaginem, conseguir um grande aporte financeiro para começar tudo de novo em 2013, mas, tudo é possivel. 

Talvez, pela sua formação e origem japonesa, eles não gostam de pedir ajuda, preferiram manter o museu com a colaboração da colônia japonesa e com a cobrança de ingressos - resistiram até o fim. Se houvesse um pouco de sensibilidade do Prefeito Manaus ou do Governador do Amazonas, poderiam muito bem fazer um convênio, dando um suporte financeiro para manter o museu aberto.

Para os senhores terem uma ideia, o governo do Amazonas fez no ano passado (ano de eleições), uma doação milionária para as ONG´s e OSCIP´s ligadas à políticos da situação, enquanto isso, muitas criancinhas passam fome em Manaus e no interior do Estado. Com certeza, os homens do governo não estão nem ai se o museu vai fechar ou não!

Os próprios moradores da nossa cidade poderiam ajudar, fazendo campanhas para manter aberto o museu, incentivando as pessoas a visitarem o local, bem como, os empresários do Distrito Industrial poderiam muito bem dar a sua contribuição.

Vamos todos ajudar o museu de ciências naturais, manter vivo o sonho do Sr. Shoji. Um museu jamais poderá ser fechado, assim como uma escola, uma faculdade, um hospital, dentre outros estabelecimentos importantes para a sociedade. É isso.
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