sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

OS LUPANARES DE MANAUS AO LONGO DO TEMPO

A pacata cidade de Manaus, do final do século dezenove e início do século vinte, quando o dinheiro rolava solto, os ricaços da “belle époque” mandava ver nas prostitutas polacas, pagavam muitos contos de réis para detonar uma europeia, tudo era do bem e do melhor, com direito a champagne, caviar e charutos dos bons; o local da furnicação era nos hotéis e pensões de classe A, naquele tempo, eram chamados de "bordéis"; os pobres mortais, os lisos, tinham que se contentar em afogar o ganso com as próprias mãos ou casar, pois naquele tempo a mulherada somente abria as pernas depois da aliança no dedo  esquerdo, antes disso, nem pensar! Algum tempo depois, veio a decadência, as importadas foram dar em outros lugares, a cidade de Manaus virou ruínas, escura, esquecida por tudo e por todos, a negada tirava o atraso nas primas que frequentavam o entorno do “Cabaré Chinelo”, muitos preferiam uma “chofer de fogão”, a relação amorosa na maioria das vezes se dava num “Motel Calango”. Tempo depois, aparecem em Manaus os famosos “puteiros”, aos poucos foram se instalando nos lugares mais afastados do centro de cidade, os mais conhecidos eram assim conhecidos: Insinuante, Acapulco Clube, Guaraciaba, Quitandinha, Cananga do Japão, Saramandaia, Tia Chica, Lá Hoje, Maria das Patas, Ângelus, Verônica, Selvagem, Alonso´s Bar, Rosa de Maio, Piscina Club, Chica Bobó, Shangrila, Patrícia Bar, Tia Raí e Poço de Caldas. Lembro da Maria das Patas, ficava no bairro de São Francisco, a dona do puteiro criava patos, patas e putas, tudo misturado, era um pardieiro fedido a merda por todos os lados, no entanto, muito neguinho começou a primeira relação sexual naquele lugar, conheço um que declarou certa vez que, a primeira “trepada” foi com uma dama de quarenta e poucos anos, a mulher estava com a quilometragem zerada por duas vezes, ele falou que meteu no vácuo, não sentiu nada, foi uma péssima experiência, depois, ele saiu com uma “zero bala” (vou acreditar!), passou a ser frequentador assíduo daquele lupanar – num belo dia, a cafetina (a responsável pelas meninas) resolveu fechar o puteiro, foi um Deus nos acuda, não teve jeito, ela cansou dessa vida, resolveu ser uma católica praticante, fez do local um clube da paróquia do bairro, certa dia, alugou as dependências para o pessoal da Central Única dos Trabalhadores (CUT) – quem tem CUT tem medo – os militantes da central fizeram a maior faxina, pois iam utilizar o local para reuniões e ministrar Cursos (o tempo dos Cus já tinha passado) para as pessoas carentes do bairro, com aquela movimentação toda, começaram a aparecer dezenas de taxistas, correu na boca baixa que o puteiro ira ser reaberto, era uma tremenda sexta-feira de um final de mês, todo mundo com a bala na agulha, toda a negada do bairro foi avisada pela “Rádio Cipó”, começaram a se aglomerar em frente ao estabelecimento, foi muito difícil para a companheira Socorro Papoula (militante e fundadora do PT), convencer os tarados que ali não iria mais ser um puteiro, quase que ia tendo um quebra-quebra geral, até explicar que nariz de porco não serve para tomada, foi um sufoco. No bairro do Educandos, um cearense “cabra da peste”, começou a ganhar dinheiro vendendo botijas de gás, o cara tinha uma grande visão empresarial, conforme ia amealhando grana ia construindo uns quartinhos de alta rotação, foi o embrião dos Motéis de Manaus, quando completou a empreitada já tinha em torno de vinte cômodos, no dia da inauguração, mandou colocar uma placa enorme, foi pregada numa imensa mangueira, continha os seguintes dizeres “VENDE-SE GÁS E FODE-SE ATRÁS”, tudo estava rimando, mas, serviu de chacota por muito tempo. O tempo passa ,o  tempo muda, acabaram os puteiros, sugiram os Motéis, alguns disfarçam e põe o nome de Hotel – na década de setenta, dois grandes amigos meu, estavam a fim de pegar duas colegas de trabalho, eles planejaram tudo, o lance era o seguinte: deram um polimento caprichado no Opala, compraram uma beca nova, ficaram bonito na foto, a intenção era levá-las para jantar uma carne de sol no “ Rip Restaurante”, homónimo do “Rip Motel”, pois bem, este restaurante estava na moda, o lance era jantar por lá, era frequentado pela fina flor da sociedade manauense (o dono era um bicheiro, tinha também motéis e casas de jogos de azar); pretendiam depois de forrar a pança, dançar os esqueletos no “Clube Nostalgia”, no bairro da Cachoeirinha, o plano era partir para o ataque depois da meianoite, pois as meninas já teriam tomado todas, ficaria mais fácil convencê-las a irem para um motel – quando encontraram as lebres, um deles deu a sugestão: - Vamos ao Rip? Uma delas, imediatamente, respondeu: - Acho melhor irmos para o “Cobra´s”, lá é bem melhor, tem piscina, comida e bebida da melhor qualidade, é hoje o point da trepação! Não deu outra, o motorista olhou pelo retrovisor interno, deu uma piscada para o outro amigo, rumou para o motel sugerido, não foi necessário gastar dinheiro com um jantar caro, pagar entrada no clube e gastar grana com bebidas e tira-gostos, que coisa boa esta mancada da guria, as duas entraram na vara madrugada adentro. Os motéis continuam em voga, ainda temos muito “pé sujo”, porém, a cidade dispõe de outros de padrão internacional. Conheci uma figura que acertou “bater o bife” com uma amiga, ela era muito exigente, assim mesmo ele propôs levá-la ao “Motel Xavante”, ela chutou o pau da barraca: - Tu estás pensando o quê, eu lá sou mulher de trepar em motéis de quinta categoria, me respeite, topo somente a parada no “Motel Nirvana”, na Estrada do Turismo, e olhe lá! O cara para não ficar com a auto intitulada “um palmo e três dedos” nas costas, topou a parada, pegou um taxi, do centro para a Estrada do Tarumã, na bandeira dois, teve que desembolsar oitenta reais, mesmo assim, ela não teve pena do parceiro, escolheu uma suíte Triplex, equipada com ar condicionado split, televisão 32'' LCD, com 2 canais eróticos, aparelho de som com CD player, Home DVD, frigobar, secador de cabelos e o escambou a quatro -, moral da história: ele alisou, tiveram que seguir à pé até a Ponta Negra, esperaram o primeiro ônibus da manhã, ele passou a maior vergonha da vida, serviu de experiência, ela jurou que nunca mais ia querer saber do motel de luxo, muito menos andar com liso. Com toda as facilidades de hoje em dia para a “pratica do amor”, um colega meu sentiu saudades do antigos puteiros de Manaus, tanto que ele tomou umas cervejas no “Bar Caldeira”, chamou um taxi e mandou ver: - Amigo, boa noite, me leva, por favor , ao  puteiro “Veronica”! O motora tomou o maior susto e respondeu: - Meu senhor, o puteiro “Veronica” não existe mais, faz mais de trinta anos que foi desativado! Ai o bonitinho, retrucou: - Existe sim, os jovens é que chamam de “Millenium” (referindo-se a um grande shopping de Manaus, no mesmo local funcionava um lupanar), continua o mesmo puteiro, agente vá lá e come do bom e do melhor e eles metem a mão nos nossos bolsos, botam fudendo na gente! É mole ou quer mais? Brincadeiras a parte, este tema escrito de uma forma bem divertida e escrachada, faz parte da nossa história, consequetemente, da nossa cultura! É isso ai.
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