domingo, 23 de maio de 2010

AS BRIGAS DE RUA DO ZÉ MUNDÃO DE MANAUS

O Zé é um manauara, olhos amendoados, sem barba, pereché, gosta de Caldeirada de Bodó e Jaraqui frito com farinha d’água, regado com suco de Cupuaçu, adora o Boi Caprichoso e curte muito a música popular amazonense, gosta das Praias da Lua, Tupé e de Paricatuba, curte viajar de barco regional pelo interior do Estado, além de apreciar muito uma “loira gelada”; nem precisa falar que ele é um “Cabocão”, realmente, ele é um cara muito maneiro, possui aquele jeitão de nortista, calmo, atrasado dois fusos horários em relação à Brasília, mas é somente a aparência, não pise no seu pé, senão o bicho vai pegar, possui uma ascendência paterna de origem nordestina, o seu sangue tem um pouco de cabra da peste; desde curumim que ele entra em confusão, apanha mais do que bate, esse Zé Mundão nunca tomou jeito, mas tem um bom coração, todos os burburinhos em que se meteu foram para repelir uma agressão ou defender os francos e oprimidos - Será mesmo, Zé? Sei não! Na sua infância, tinha um algoz, um moleque apelidado de “Cagão do Mato”, em decorrência de gostar de fazer as suas necessidades fisiológicas no matagal, o Zé gostava de gozar com o cara, bem de longe ficava apelidando o colega de rua – Cagão, Cagão, Cagão do Matoooo! Gritava o apelido e corria, quando era pego, apanhava o dia todo e ainda ficava amarrado num pé de Goiabeira para apanhar à noite; resolveu entrar numa “academia de rua”, recebeu uma aula básica de “TôComDor”, é isso mesmo, para aprender a lutar, teve primeiro de apanhar um bom bocado; depois de alguns treinos, achou que já estava preparado, partiu para cima do seu carrasco, não deu outra, apanhou novamente! Saí pra lá, Zé Mundão! Na adolescência, começou a paquerar as gatinhas das outras ruas, gostava de invadir o território inimigo - era comum a molecada de Manaus ter rixas entre as ruas ou bairros, por exemplo, o pau comia feio entre os jovens de São Raimundo, Aparecida, Gloria e Matinha; os da Rua Igarapé de Manaus brigavam com os da Rua Major Gabriel, por sua vez, brigavam com os jovens da Segunda Ponte e, assim por diante – o Zé invadia o ninho alheio e defendia o seu, era um guerreiro “de araque”! Ele tinha um colega da mesma laia dele, morador do bairro de São Raimundo, era o famoso galego “Bacurau”, outro brigador de rua, esse tem muitas historias para contar. Será que o Zé parou com as brigas, na juventude? Acho que não, ele aprontou muito nas festinhas que os jovens faziam em suas casas, onde rolava muito som de vinil e de fita cassete, batida de Leite de Tigre e cocotas até a tampa!Bastava acender o seu pavio curto, para o couro comer no centro; gostava de frequentar o Sheik Clube e o Bancrévia, para curtir o som dos Embaixadores e dos Pássaros Azuis, nesta época, já curtia, também, um pouco de Montila e muito dos “The Beatles”, além do “Sambão”, da União Esportiva Portuguesa, sempre tinha alguma desavença por causa de mulher. Na sua vida mais adúltera, ficou um pouco frouxo, pegou até um apelido de “The Flash”, na hora do vamos ver, o Zé saia correndo numa rapidez igual ao personagem do desenho animado, mas, segundo ele, ainda corre nas suas veias uma mistura de sangue de guerreiro Ajuricaba com o do cangaceiro Lampião - Tá bom, Zé Mundão, vou fingir que acredito! Uma vez ou outra entra numa confusão, falando, não adianta correr, tá no sangue! Certa vez, ao retornar à pé para a sua casa, tinha gastado em cevada até o dinheiro do táxi, um sujeito tentou roubar a sua carteira porta-cédula (por que não dizer porta-documento, pois o “dindin” é sempre raro), deu uma peia no meliante e levou duas peias e meia, foi caco de Zé Mundão para todo o lado! Depois descobriu que o pilantra era seu vizinho, ele veio na maior cara de pau falar para o Zé que não sabia que ele era da área, da próxima vez, ao retornar para a sua casa, o Zé coloca uma placa no peito “Por favor, não me bata, sou da área!” É mole, mas levanta! Entrando na melhor idade ou idade feliz, o Zé Mundão não esquenta mais, não está nem mais aí para as confusões ao seu redor, desde que não pise no se pé ou tirem onda com os seus amigos, senão o pau vai comer de novo! Sai pra lá, Zé Mundão! Eu, hein!  
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