segunda-feira, 3 de maio de 2010

ILHA DE MARAPATÁ



Existe uma ilha fantástica no Amazonas, localizada bem na entrada de Manaus, chama-se Ilha de Marapatá, alguns estudiosos dizem que este nome significa na língua Macua (tribo africana) alpendre (espaço coberto, reentrante, e aberto na fachada de uma casa, que dá acesso ao interior).





Este lugar é tema para muitos estudiosos do comportamento humana e de escritores, no que diz respeito a ética - falam que o interiorano com a sua peculiar “pureza” ou o forasteiro, antes de aportar em Manaus, deixa a sua vergonha na Ilha de Marapatá, tornando a cidade um lugar ideal para trapaças e crimes. Por exemplo: os empresários que teimam em construir o Porto das Lajes, deixaram as suas consciências (honradez, retidão e probidade) enterradas na Ilha, aliás desejam fincar os seus negócios bem na “ilharga” da ilha – no Encontra das Águas!



O escritor Euclides da Cunha, no seu livro "Terra Sem História", relata o seguinte “..À entrada de Manaus existe uma ilha, de Marapatá, que é o mais original dos lazarentos (que, ou aquele que tem pústulas, chagas) um lazarento de almas! Ali, dizem, o recém-vindo deixa a consciência...”.


 O também famoso Mário de Andrade, ao escrever "Macunaíma", refere-se a ilha ”... No outro dia Macunaíma pulou cedo na ubá (canoa indígena) e deu uma chegada até a foz do rio Negro pra deixar a consciência na ilha de Marapatá, deixou-a bem na ponta dum mandacaru de dez metros, pra não ser comida pelas saúvas, voltou pro lugar onde os manos esperavam e no pino do dia os três rumaram pra margem esquerda do Sol”.


 O genial escritor José Ribamar Bessa Freire, escreveu numas da suas crônicas: 
"- Ulha lá, Marapatá! – ela apontou no mapa. É aqui que eu vou faturar, porque em Manaus, os bons sempre perdem, os malvados sempre ganham. Aqui, os bons é que são castigados e os maus é que recebem medalhas. Em Manaus, a Fábrica de Celulose Fontini pode poluir o meio-ambiente, pode trancar ruas, pode cometer danos ambientais, que receberá prêmios por contribuir para o progresso. Quem protesta em defesa do meio ambiente, é que é condenado a indenizar os criminosos”.



O cantor e compositor Armando de Paula e o saudoso poeta Anibal Beça, escreveram e musicaram uma linda canção chamada “Marapatá”, a letra é assim:


Que doce mistério/Abriga teu dorso/De ilha afogada/No curso das mágoas?/O Velho Bahira/Se mira nas águas/Espelho da lua/Narciso nheengara/



É Marapatá, porta de Manaus/É Marapatá, patati patatá/



Que mana maninha/Que dança sozinha/Savana de seda/Pavana de cio/Campim canarana/Bubuia banzando/Canção enrugada/Banzeiro de rio/



Vá logo deixando/Senhor forasteiro/A sua vergonha/Em Marapatá/Vergonha se verga/Na cuia do ventre/No V da ilhargas/Vincando por lá/



Cunhã se arretando/Tesão de mormaço/Abrindo as entranhas/A flor do tajá/E o macho fungando/Flechando, fisgando/Mordendo a leseira/Dizendo: "Ulha já!"




É isso aí, manos e manas da nossa aldeia! Vamos mudar, tá?
 Não vamos mais deixar a nossa consciência na Ilha de Marapatá!

Vamos fazer uma bela Manaus, com homens  probos e retos, visando sempre ao bem comum e o respeito pela mãe natureza, tá?
Pois do jeito que está, não dá mais para ser feliz, na Ilha de Marapatá! 



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