sábado, 15 de maio de 2010

JORGE TUFIC - CLASSIFICADOS




Colombovo

Era um robe, mas também um agradável exercício, a mania que sempre tive de por ovos de galinha na posição horizontal. A par disso, talvez por mera vaidade, sem a menor preocupação de explicar que jamais fora possível colocá-los nessa posição unicamente com o auxílio das mãos, quando isto só contribui para o desequilíbrio do corpo em movimento. O “segredo”, afinal, consiste em dar-lhes, com as mãos, o devido apoio mecânico para que possam encontrar o seu exato eixo gravitacional; e, assim, como por mágica, ficarem de pé em qualquer superfície plana, até mesmo no vidro ou na mica de um relógio. Quando passei isso a alguns jovens do bairro de Santo Antonio, em Manaus, todos eles obtiveram sucesso.

Leituralem

Leitura não é só de letras. Também de mundo, é. O olhar tem brilhos capazes de penetrar nos abismos, quer das palavras ainda em busca de sentido, quer das coisas. Leia-se um pouco de Sartre, tome-se a carona dos vastos paineis de Fernando Pessoa. Isto é leitura. Ainda mais quando letras e labirintos possam franquear os limites da sedução pelo mito. Com efeito, o mito é a leitura de todos os fenômenos que cercam as possibilidades de um clarão a mais em nossas deambulações metafísicas, aqui onde se toca o mistério, a esperança e a renúncia ao que se mostra fácil e monótono.



O sebo dos mortos-vivos

Precisando adquirir um exemplar de meu livro, publicado em 1999, sob o título de Quando as Noites Voavam, estive numa livraria de Manaus, e ali me disseram que o preço do mesmo era de 35 reais.

- E o autor, tem desconto presumível?

- Acho que não.

Idêntica parada aconteceu-me em Fortaleza: encontrei meu Curso de Arte Poética ao preço de 35 reais, estando fora de questão a hipótese de qualquer abatimento para o autor da obra.

E não ficou poraí. Já em São Paulo, encontrei num sebo da Paulista um exemplar de meu livro intitulado Retrato de Mãe, ao preço de raridade: 60 reais.

Desisti das andanças, vivamente preocupado com o fato de já estar morto há mais de cinquenta anos, e, portanto, sem direito a um desconto de, no mínimo, 20% na compra de meus próprios livros.
 
Jorge Tufic, (Sena Madureira, Acre, 13 de agosto de 1930), é um poeta e jornalista brasileiro.

Tufic iniciou sua educação em sua cidade de origem, transferindo-se posteriormente para Manaus, onde concluiu os estudos. Em 1976, foi agraciado com o diploma "O poeta do ano", prêmio concedido pelo Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Amazonas, em reconhecimento à sua vasta e intensa atividade literária. Tem seu nome inserido em várias antologias, entre as quais destacam-se "A Nova Poesia Brasileira", organizada em Portugal por Alberto da Costa e Silva, e "A novíssima Poesia Brasileira", que Walmir Ayala lançou na Livraria São José, no Rio de Janeiro, em 1965. É sócio-fundador da Academia Internacional Pré-Andina de Letras, com sede em Tabatinga, no estado do Amazonas. Fez várias conferências literárias e é membro efetivo de algumas entidades culturais, tais como: Clube da Madrugada, Academia Amazonense de Letras, União Brasileira de Escritores (Seção do Amazonas) e Conselho Estadual de Cultura. Pertenceu à equipe da página artística do Clube da Madrugada, "O Jornal" e do "Jornal da Cultura", da Fundação Cultura do Amazonas. Colabora em vários órgãos de imprensa, com especialidade no Suplemento Literário de Minas Gerais. Jorge Tufic é o autor da letra do Hino do Amazonas, contemplado que foi com o primeiro lugar em concurso nacional promovido pelo governo daquele estado. E-MAIL: jorgetufic@hotmail.com  

Fonte: Revista Literaria. Evaldo Ferreira - evaldo.am@hotmail.com
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