segunda-feira, 24 de maio de 2010

REDE DE DORMIR

Foi um invento dos indígenas da América do Sul, no Brasil era conhecida por “Hamaka”, sendo a palavra “Rede” utilizada pela primeira vez pelo Pero Vaz de Caminha, em carta a Portugal, onde descrevendo a povoação dos Tupiniquins, seus hábitos e costumes, relata a maneira de dormir, daqueles indígenas.

Este é um hábito comum nas regiões norte e nordeste, faz parte da nossa cultura; uma grande maioria das pessoas ainda utilizam a Rede em substituição a Cama de dormir, além de servir de descanso nas casas de veraneio. Originalmente, era feita de cipó e lianas; no Brasil colônia era utilizada também para enterrar os mortos no meio rural, além de servir como meio de transporte, onde os escravos carregavam os colonos em passeios pela cidade.

As mulheres dos colonos portuguesas adaptaram as técnicas indígenas às suas varandas, passando a confeccionar as redes em algodão e enfeitando com franjas.

Existem muitos causos tendo como personagem principal a “Rede”, eis algumas:

Na minha adolescência, era comum entre a rapaziada de Manaus, o desejo de conhecer o Rio de Janeiro - quando alguém conseguia viajar pela primeira vez de avião, existia sempre aquela gozação: - Não adianta levar a rede, pois no avião não existe armador!

A nossa família era constituída pelo papai, mamãe, vovó, duas irmãs e três irmãos, com exceção dos meus pais, que utilizam a cama de casal, todos os outros usavam a rede de dormir, deixei de usá-la somente quando casei, após a separação, voltei para a querida rede de dormir.

Lembro, quando criança, os mais velhos falavam: – Além da mulher, a coisa melhor do mundo é a zoada da chuva no telhado de zinco, se embalar e coçar a frieira no punho da rede!

Tive um vizinho no Conjunto dos Jornalistas que, certo dia me revelou: – Ainda não deixei o hábito de usar a rede de dormir, mesmo após o casamento; ato a dita cuja bem cima da cama da mulher, somente desço para ir ao banheiro e dar uma “lamparinada” na velha, depois subo para dormir! É mole! Mas Sobe!

Tenho um amigo morador da Vila de Paricatuba, município de Iranduba, possui um belo terreno no Lago de Paricá, inspirado pelos “Bumbódromo e Sambódromos” da vida, resolveu fazer o “Redódromo” – um barracão com duzentas redes enfileiradas, para servir de pousada para os turistas mochileiros. Com o término da Ponte Manaus/Iranduba a moda vai pegar.

O caboclo preguiçoso estava se embalando, quando uma grande cobra começa a deslizar pela rede, morrendo de medo, bota a boca no trombone: - Mãe, a senhora tem remédio para picada de cobra? A velha responde: - Tem não, meu filho, por quê? Ele responde naquela manha: - É que tem uma no punho da minha rede! Preferindo ser picado ao sair da sua rede!

O Barco chegou ao destino, todos os passageiros saíram, ficou somente um dorminhoco, o comandante foi até e lá e começou a balançar a rede do caboclo: - Acorda, acorda, acorda! O cara meio sonolento deu um pulo e falou: - A corda é minha a rede eu não sei de quem é! Sai prá lá amigo do alheio!

Na Amazônia as estradas são os rios, para vencer qualquer lugar são utilizados os “Barcos Regionais”, dotados de alguns “Camarotes” para os mais abastados, a grande maioria utiliza-se das redes de dormir, ficam atadas (amaradas) pelos lados, por cima e por baixo, ficando sem espaços até mexer as pernas!

Por falar em Barco, irei comprar uma nova rede, com o desenho da Bandeira do Brasil – pretendo ir ao Festival Folclórico de Parintins; além de assistir as apresentações do Garantido e Caprichoso, assistirei aos jogos pela Oitava de Final, embalando na minha rede de dormir! É isso ai!

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