sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

O BOMBARDEIO DE MANAUS EM 1910


 Ao passar pela Praça Antônio Bittencourt, mais conhecida por Praça do Congresso, parei para ler uma placa onde consta uma pequena biografia do homenageado - uma coisa que mais me chamou a atenção, foi a citação sobre um  bombardeio de Manaus, em 1910 – isto me motivou a pesquisar sobre este fato histórico.

O Deputado José Duarte, do Congresso do Amazonas (atual Assembleia Legislativa), com base no artigo 43 da Constituição do Estado, que proibia expressamente que o governador tomasse parte em qualquer empresa industrial ou comercial, como membro da administração ou como simples associado, propôs a perda do mandato do Governador Antônio Clemente Ribeiro Bittencourt (1853-1926).

O governador Coronel Antônio Bittencourt, fazia parte da empresa “Typographica do Amazonas”, ao qual mantinha transações avultadas com o governo do Estado e com os municípios, com o fornecimento de obras civis.

Este fato constitui-se no principal motivo para a mesa do Congresso do Amazonas em votar e declarar a perca do mandado do governador Antônio Bittencourt e, atribuindo ao Vice-Governador Antônio G. Pereira de Sá Peixoto o posto de governador.

O governador destituído não aceitou a decisão do legislativo e, com a resistência dele, houve hostilidades entre as forças estaduais e federais, com tiroteios, estragos, mortes e ferimentos.

O Antonio Bittencourt, de forma inconstitucional, expediu ordem de prisão ao vice-governador e a vários deputados estaduais, aos quais ficaram recolhidos (dentro) do Quartel do 46º Batalhão de Caçadores (obedientes ao Coronel) – o governador Antônio Sá Peixoto pediu proteção das tropas federais, não chegando a ser preso.

O coronel se recolhera ao quartel, depois, se dirigiu para bordo do navio capitânia “Comandante Freitas”, mantendo as tropas da polícia em pé de guerra e em tiroteios pela cidade - tentaram atacar o Quartel General, por outro lado, os militares da flotilha da marinha atiravam para terra, atacando as forças estaduais.

Na briga entre as força federais e estaduais foram computado o seguinte:

      Estragos: Palácio do Governo, Quartel General, Intrucção Pública, Gymnazio (Colégio Estadual D. Pedro II), Hospital Beneficente Portuguesa, Hospital Militar, Quartel de Polícia, Teatro Amazonas, Igreja dos Remédios, Cemitério S. João Batista, Mercado Adolpho Lisboa, além de várias casas populares das imediações do conflito armado, sendo a mais danificada a do Dr. Simplício Coelho de Rezende (Praça dos Remédios);

<   Mortes: Primeiro Tenente João Lins de Carvalho, Praça do exército João de Miranda Reis, Maria Pimentel (12 anos), ferida na casa do Dr. Francisco Magalhães (Rua Leonardo Malcher), dois praças (soldados) da polícia (bairro de São Raimundo), três populares, o arquiteto Emílio Tosi, foi atingindo por uma bala perdida quando almoçava no Café Avenida (Eduardo Ribeiro com a Saldanha Marinho);

<   Feridos: dezenas de pessoas.

No dia 08 de Outubro de 1910, foi distribuído o seguinte aviso a população de Manaus:

“Insistindo o Sr. Governador do Estado em não passar o executivo ao seu substituto legal, depois de ter perdido o mandato, em virtude do disposto  no art. 43 da Constituição do Estado, as  praças de terra e mar, solicitada pelo vice-governador em exercício, avisam  à população  que vão bombardear a cidade, a começar de 1 hora da tarde, afim de que todos tomem as devidas preocupações para garantia e segurança de suas vidas – Antônio G. Pereira de Sá Peixoto (vice-governador), Coronel Telles de Queiroz (Comandante da 1ª. Região Militar e Francisco da Costa Menezes (Comandante da Flotilha).

Depois de ler este aviso ameaçador, a população entrou em pânico, abandonando as suas casas e se afastando para os lugares mais distantes – umas quinhentas pessoas, todas civis, se apresentaram para pegar em armas e lutar ao lado das tropas federais.

O Coronel Antônio Bittencourt, refletindo, sem dúvida, sobre as consequências desse bombardeio à cidade, por cujas mortes seria o único responsável, estando também em perigo a sua própria família, conformou-se com a indicação aprovada pelo Poder Legislativo e, passou o exercício do governo ao Dr. Antônio de Sá Peixoto, restabelecendo a paz.

Como podem concluir, não houve de fato um bombardeio total a cidade de Manaus, apenas confrontos entre as forças estaduais e federais (polícia militar, exército e marinha de guerra) – caso o Coronel não tivesse tomada a decisão de passar o governo ao seu vice, com certeza, grande parte da cidade de Manaus estaria destruída.

Por ordem do Presidente da República, Nilo Peçanha, o Coronel Antônio Bittencourt (Partido Democrata) foi reconduzido ao cargo e, governou até 1912, apesar da insatisfação geral da população.

Desde a minha adolescência que olhava intrigado aquelas marcas na parte detrás do Mercado Adolpho Lisboa, somente depois de longos anos, descobri que foram provocadas pelas balas disparadas pela flotilha da marinha – a fotografia foi tirada recentemente e, os restauradores daquele espaço público, não podem, de forma alguma, tampá-las, pois é pura história da nossa cidade. É isso ai.

Foto: Rocha
Fonte: Jornal A Notícia (Biblioteca Pública do Estado do Amazonas)

Observações: Fiz a pesquisa no jornal A Notícia, dos dias 08 e 09 de Outubro de 1910, na Biblioteca Publica do Amazonas e, pelo que li,este jornal era de oposição ao governador, pode ser que tenham deturpado alguma coisa. A BPA não possui o Jornal do Commercio daquela data. Tentei pesquisar no Instituto Geográfico e Histórico, mas, eles somente abrirão a biblioteca após o carnaval. Em todo caso, não sou historiador, apenas fiz uma consulta em decorrência  da leitura de uma placa na Praça Antônio Bittencourt, onde constava que este fato ocorreu no governo daquele Coronel.
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