sábado, 16 de outubro de 2010

COCOTA, NOSSO ADMIRÁVEL VAGABUNDO!


Um dos objetivos do blogdorocha é divulgar o trabalho das pessoas que contribuiram para o nosso desenvolvimento cultural, social e econômico, nada mais justo do que mostrar “para o mundo ver” um amazonense que faz história na nossa cidade – o famoso Euler Cocota, o aniversariamente de hoje.

Atualmente, mora na Vila de Paricatuba, em Iranduba, promoveu uma bela Feijoada, para comemorar o seu niver – ele é citado no livro “Amor de Bica”, dos jornalistas Mário Adolfo e Orlando Farias, do escritor Simão Pessoa e do poeta Marcos Gomes. O texto é mais ou menos assim:

“O ex-fora da lei Euler Silva, o popular “Cocota”, é uma lenda da Praça São Sebastião (hoje Largo) e de seus arredores, tendo se envolvido com tráfico de drogas e outros pequenos ilícitos. Aprontou tudo o que tinha direito. Foi morar na rua protegido por uma companhia lendária – a de uma cadela, cujo maior feito foi tê-lo esperado dois meses à porta do presídio Raimundo Vidal Pessoa. No dia em que de lá saiu, dois meses após um flagrante por levar consigo algumas trouxinhas de maconha, lá estava a cadela à sua espera.

Cocota jamais foi um homem perigoso à sociedade. Na verdade, naufragou sob o impacto das ondas ditadas pelas mazelas sociais e do banzeiro da mediocridade das estruturas do Estado, que não lhe permitiram, em detrimento da vida, ser um simples vagabundo.

A história de Cocota foi muito bem ilustrada pelo jornalista Inácio Oliveira, biqueiro, numa reportagem no jornal Amazonas em Tempo e legou um título inesquecível: “Admirável Vagabundo”. Mais recentemente, no ano de 2003, Cocota foi motivo novamente de uma reportagem levada a efeito pela assessoria de imprensa do Tribunal de Justiça do Amazonas. Ele foi identificado com um dos muitos casos de pessoas que não viraram reféns do crime, após entrar em seus subterrâneos e deles sair intacto.

Cocota foi se retirando dos submundos pela ação assistencial da igreja capuchinha de frei Fulgêncio Monacelli e com a ajuda de muitos biqueiros, com destaque para o psiquiatra Rogelio Casado e o delegado aposentado Trindade.

Reabilitado socialmente, sem dever nada à Justiça ou à sociedade, Cocota cumpre uma missão pra lá de louvável a qualquer ser vivente que habite esse planetinha azul tão açoitado por impactos das guerras, das revoluções industriais e tecnológicas que se sucedem e das devastadoras perdas impostas pela exploração criminosa das matérias-primas. Cocota coordena no Paricatuba (margem direita do rio Negro, em frente da cidade de Manaus) um projeto de reprodução de mudas nativas da Amazônia para reflorestar áreas degradadas da floresta".

 

É isso ai, a história do meu amigo é pra lá de interessante; o Cocota continua nas suas idas e vindas de Paricatuba; lá é hóspede cativo do Paulo Mamulengo e da Dona Ro; aqui, em Manaus, prefere ficar dormindo na Rua Marcílio Dias, em frente a Casa do Trabalhador!

Continua sendo o nosso eterno admirável vagabundo. Atravessei o Rio Negro, somente para ir até Paricatuba e dar um abraço no Cocota, tirei algumas fotos do artista e montei a colagem acima. Feliz aniversário Cocota!




Obs.: A BICA significa Banda Independente da Confraria do Armando, faço parte dessa agremiação; todo ano é realizada a maior e mais bonita festa de Carnaval de rua, na Rua Dez de Julho, centro antigo de Manaus.
Ainda existem alguns exemplares do livro Amor de BICA, pode ser comprado no Bar do Armando.
Foto Colagem: J Martins Rocha
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