quarta-feira, 7 de maio de 2014

OS SOLDADOS DA BORRACHA



Na Segunda Guerra Mundial (1939-1945), o Presidente Getúlio Vargas foi forçado a ficar ao lado dos norte-americanos, por dois motivos principais: eles ameaçavam invadir o Nordeste brasileiro, caso optássemos pelo Eixo (Itália, Japão e Alemanha) e, pelos bombardeios de navios brasileiros, supostamente executados por submarinos alemães – para tanto, assinou o Acordo de Washington, na qual receberíamos cem milhões de dólares para implantar siderúrgicas e, em contrapartida, forneceríamos minérios, combatentes e borrachas para a indústria bélica dos Estados Unidos e aliados, pois tropas japonesas invadiram a Malásia determinando o bloqueio total dos produtos asiáticos, cortando totalmente o fornecimento.

Nesse jogo de interesses, entra inocentemente quase sessenta mil nordestinos, principalmente cearenses flagelados da grande seca de 1941-1942 – eles foram recrutados, selecionados e alistados para a guerra – tinham duas opções: primeira: ir para o front na Itália e, segunda: coletar o látex na Amazônia - a grande maioria não queria morrer lutando, preferiram viajar, tornado-se um soldado da borracha - dos vinte mil que foram para a Itália, morreram 454 e, dos sessenta mil que vieram para a Amazônia, quase a metade desapareceu na selva.

Receberam o kit de seringueiro, foram colocados nos navios do Loyd, com a promessa de recompensas financeiras e passagem de volta. Havia propagando enganosa: slogans “Borracha para a Vitória”, “Na Amazônia se junta dinheiro com o rodo” e “O paraíso perdido, a terra da fartura e da promissão, onde a floresta é sempre verde e a seca desconhecida”.

O treinamento de parte desses soldados deu-se em Manaus, no Seringal Mirim, um local onde existia mais de cem Seringueiras enfileiradas, plantadas desde 1913 pelo proprietário do terreno, o Sr. Cláudio Mesquita – davam aulas de extração racional do látex da Hévea.

Foram enganados, pois a grande maioria morreu em decorrência do transporte, alojamento, malária, febre amarela, alimentação precária, falta de atendimento médico, conflitos nos seringais e, outros tantos, ficaram devendo aos seringalistas e também não receberam as passagens para voltarem para as suas cidades de origem.

Os que conseguiram voltar para o Nordeste, embarcaram doentes e sem um tostão no bolso – uma grande parte resolveu fixar raízes no interior e na cidade de Manaus - em decorrência disso e do primeiro ciclo da borracha, grande parte dos amazonenses são descendentes de caboclas e de nordestinos.

Passados todos esses anos, somente em 1988, com a Carta Magna brasileira, os soldados da borracha foram amparados e, recentemente, o governo brasileiro na tentativa de reparar esses erros, editou a PEC 61/2013, na qual prevê a indenização de vinte e cinco mil reais aos soldados titulares ou pensionistas, além de pensão mensal vitalícia de dois salários mínimos (este valor já vinha sido recebido pela categoria).


Alguns poucos ganharam com a Segunda Guerra, com destinação de milhares de dólares para o Centro Oeste, com a criação da Companhia Siderúrgica Nacional e a Vale do Rio Doce, dando base para o estabelecimento da indústria automobilística no ABC paulista – por outro lado, os nordestinos “soldados da borracha” trabalharam feito escravos nas matas da Amazônia, dando o seu sangue para o lucro de poucos! É isso ai.
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