sexta-feira, 15 de julho de 2011

OS PINTORES DA POESIA – AFRÂNIO DE CASTRO


Texto extraído da Revista do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas/Publicação do IGHA/Fase III – Abril – Maio – Junho de 2002 – Ano I – no. 2 – Manaus: Editora Valer, 2002.


MACUMBA

Afrânio Araújo de Castro
Ocupou a Poltrona no. 5, do IGHA – Patrono: Alexandre Von Humbolt

Lua cheia
Floresta grávida de luar,
São Jorge Guerreiro galopa
nas pradarias silentes do Astral.
Árvores violadas pelos ventos
Arreganham o terreiro adormecido.
Há um simulacro místico – a natureza
Veste-se de roupagens faiscantes.
Acorda agogô o lamento negro
Narrando a saga primitiva da raça
Banzando um queixume esquecido do preto
na escravidão das senzalas.
Ao som do luar
Nasce a magia nostálgica
Das eras primevas – falam tantãs
e atabaques – a voz antiga de Xangô,
cantando, chorando, a desdita do povo africano.
A poeira evola do chão aquecido
Pelo suor da gente sofrida,
orixás e exus possuem pais-de-santo, -
os cavalos de Ogum.
O frenesi do fetiche do lundu
ululante
seduz dos iniciados ardendo cachaça
e catimba
os possessos em transe exortam
despachos
mandingas.
Lateja o batuque visões dos Palmares
na pele da noite tatuada de Dor...

Sobre o autor, o saudoso Ruy Alberto Costa Lins escreveu o seguinte:

Afrânio de Castro nasceu a 3 de agosto de 1931, em Janauacá, naquele tempo distrito de Manaus. Foi um poeta de bons dotes e uma magnífico pintor e escultor.

Passou pouco tempo entre nós, faleceu a 20 de Setembro de 1981, dias depois de completar 50 anos. Todos nós que conhecíamos e convivíamos com Afrânio aqui no IGHA, nos nossos sagrados encontros, sabíamos das suas inquietações e dos seus questionamentos, sempre severos, e sempre colocados com muita clareza e dureza, não importando o local e as pessoas que estivessem presentes.

Pretendemos interromper o silencia do IGHA para com o seu ilustrado sócio efetivo, colocando-o como um dos Pintores da Poesia, naquilo que ele mais amava. Primeiro, uma fotográfica quando dirigia a Pinacoteca Pública, na época órgão da Fundação Cultural e que funcionava nos altos da Biblioteca Pública; depois, a sua poesia “Macumba” com a sua bela ilustração.

Quando se comenta sobre Afrânio de Castro, estamos ligando automaticamente ao que melhor existe em termos de obra de arte. Sim, porque as pinturas de Afrânio são obras de arte. Belas e valiosas obras de arte. Em que pese todas as dificuldades que enfrentou, foi um vencedor – sabemos hoje!

Com relação ao nosso homenageado fiz uma postagem sobre ele no endereço http://jmartinsrocha.blogspot.com/2008/06/alegria-quadro-de-afrnio-de-castro.html  

O quadro “Cabocla”, está exposto no Bar São Marcos, conhecido por todos como “Bar dos Cornos”, centro antigo de Manaus, foi uma homenagem do Afrânio de Castro a “Alegria”, filha da Dona Maria e do Senhor Luiz Antônio, antigos proprietários do bar. É isso ai.


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