domingo, 3 de julho de 2011

FORTE DE SÃO JOSÉ DA BARRA DO RIO NEGRO

Este é um prospecto (vista de frente) e, constitui-se no único registro visual conhecido, data de 7 de Dezembro de 1754, feito pelo engenheiro alemão João André Schwebel, quando por aqui passou, fazendo parte da comitiva do governador e capitão-general Francisco Xavier de Mendonça Furtado, vindos de Belém em direção a Mariuá (Barcelos) - o local foi onde teve inicio a cidade Manaus, mostra o forte e algumas casas de palha ao seu redor, além de uma pequena igreja; com a seta da flexa para a direita (descida das águas) indicando que a cidade fica na margem esquerda do Rio Negro -, segundo os historiadores, ele recebeu várias denominações, foi chamado de Forte de São José da Barra do Rio Negro, Fortim de São José, Forte do Rio Negro, Fortaleza de São José do Rio Negro e Fortaleza do Rio Negro.

O Sargento-Mor Pedro da Costa Favela, um temido matador de índios, fez várias viagens pelo Rio Negro, chegando até o a aldeia dos Tarumãs - relatou a suas viagens ao governador do Maranhão e Grão-Pará, o Albuquerque Coelho de Carvalho – este ficou sensibilizado com os seus argumentos: era preciso controlar o movimento da mão-de-obra escrava (índios) e das drogas do sertão, atentar para os holandeses que estavam confinados em Suriname (ex-Guiana Holandesa), com os quais os índios do Rio Negro mantinham um relacionamento amistoso.

Os estudiosos afirmam que a data da sua construção foi em 1669, a obra foi erguida pelo capitão maranhense Francisco da Mota Falcão, com a sua morte, a empreitada foi concluída pelo seu filho Manuel da Mota Siqueira, em 1697 - o local escolhido foi na margem esquerda do Rio Negro e a sete milhas da sua foz, num local aprazível, numa elevação a 44,9 metros do nível do mar.

A planta do forte era no formato de um polígono quadrangular (figura que determina a forma geral de uma praça de guerra), sem fosso, estava artilhado com quatro peças de calibres 3 e 1, contando com uma guarnição de 270 homens, tendo como primeiro comandante o Capitão Ângelo de Barros - era muito pequeno e, segundo alguns, não merecia o nome pomposo de fortaleza.

Foi desarmado em 1783, perdeu importância tática e, em 1823 (154 anos depois), o vigário-geral José Maria Coelho descreveu a fortaleza como um quadrado quase perfeito, com paredes bastante grossas e de altura equivalente a dois homens, estava destituída de artilharia e tinha apenas duas peças de bronze e ferro.

No ano de 1875 foi abandonado, virou ruínas  dizem que parte do material foi destinado para a construção do Palácio do Governo (atual Paço da Liberdade, na Praça D. Pedro II), no seu lugar, foi construído o edifício da Tesouraria da Fazenda, o prédio permanece intacto até os dias de hoje, está sendo reformado para abrigar a "Casa de Leitura Thiago de Melo".

Recentemente, foram feitas escavações no local chamado “Casas da Boothline”, comenta-se que apareceram vestígios do forte e, que o IPHAN junto com outros órgãos federais, conseguiram embargar a obra, mandaram aterrar para evitar a presença de curiosos e depredações do que restou da nossa memória.

Com a revitalização daquele local, espera-se que parte do forte seja mostrado ao público (caso exista, realmente), afinal, naquela área é o berço da cidade de Manaus. É isso.


Fonte:
Garcia, Etelvina. Amazonas, Notícias da História: período colonial. – Manaus, Norma Ed. 2005.
Foto modificada: J. Martins Rocha
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