quarta-feira, 13 de julho de 2011

STRESSO 171

Levando na esteira do “bafafá” da queda do ex-ministro Alfredo Nascimento, fui buscar alguns comentários sobre ele, no livro “Amor de Bica – A História e as histórias da Banda Carnavalesca mais debochada de Manaus”, na qual os “biqueiros” mandaram bala sobre um episódio da sua administração, quando foi prefeito de Manaus de 1997 a 2004.

Todo ano a “BICA” homenageia um político ou “otoridade” para malhar no carnaval de rua, no ano de 2003 o felizardo foi o Alfredo Nascimento (na lisura era conhecido como “Cabo Pereira”), com o tema “Stresso 171”, fazendo uma referência ao “Expresso 222”, do Gilberto Gil.

Segundo o autores da Marcha-enredo da BICA, o nosso sistema de transporte “expresso” ficou apelidado pela população como “extresso” e, foi feito na base do famosíssimo artigo 171, do Código Penal (estelionato).

O livro ao lado, foi escrito em 2005, por Mário Adolfo, Orlando Farias, Simão Pessoa e Marco Gomes – na página 227 eles mandaram ver:

“Em matéria publicada na revista Cidades do Brasil, de Abril de 2001, o então prefeito de Manaus, Alfredo Nascimento, atual ministro dos Transportes, afirmava que daria uma solução definitiva ao problema do transporte coletivo que atanazava a vida dos manauenses: Até o final deste ano, Manaus, capital do Amazonas, terá um sistema de transporte de Primeiro Mundo. A prefeitura irá implantar na cidade um dos mais modernos sistemas de transportes urbanos de passageiros, perfeitamente adequado às suas condições típicas de metrópole tropical.

As características dos novos ônibus articulados, com câmbio automático, arcondicionado e suspensão a ar, são fundamentais para uma cidade de clima tropical, que registra temperatura de 40 graus no verão. Orçado em R$ 40 milhões (Prefeitura e BNDES) e R$ 70 milhões de financiamento privado; o Expresso de Manaus foi considerado referencial de solução viária mais atualizada para as grandes metrópoles.

Dois anos depois dessas lambanças do prefeito potiguar, que ficaram apenas no plano das ideias bem-intencionadas, a implantação inadequada do tal Expresso não só esculhambara de vez como o já caótico trânsito da cidade, como também se transformou no pior pesadelo dos manauenses.

Some-se a isso a arborização das ruas de Manaus com palmeiras-imperiais importadas a peso de ouro de Santa Catarina e o cenário estava pronto. A BICA sentou o malho:

Marcha-enredo

Autores: Little Box, Paulinho de Deus, Elaine Ramos, Metralha, José Fernandes e Hiram Caminha

Ai, Alfredo Nascimento
O teu expresso é pior do que jumento!
É o tal do Stresso 171
Vai da casa do Carvalho pra lugar nenhum! (bis)
Se estou dentro não sai,
Se estou na fila não vem
E o trocador nunca tem troco pra ninguém.
Se para o Centro não vai,
Pra Zona Leste não vem,
Pra quê que serve então a merda desse trem?...
Ai, Alfredo, que estresse,
Lá em Natal o metrô se chama jegue
Ministério Lula é puro engano
Vou mais ligeiro no fusquinha do Armando
Teu social levado a sério não colou
Cadê a porra da babita do metrô?
A Lourdes disse, ô pá,
Armando, ó pá, confirmou:
É português o engenheiro do metrô.
Se o cabo velho gastou
Com palmeirinha a babita
Manaus inteira agora vai entrar na BICA!
Ai, Alfredo!”

É isso mesmo senhoras e senhores do meu Brasil varonil, o sistema de transportes coletivo somente funcionou em Manaus, no inicio do século passado, com a implantação dos bondes, depois, foi tudo lorota, conversa para boi dormir e, nada mais.

Estão querendo implantar na marra o “Monotrilho” e o BRT (Bus Transit Rapid), orçado em R$ 800 milhões, com recursos do PAC, tendo em vista a realização da Copa de 2014.

Não quero ser pessimista, mas, a turma da BICA vai ter um bom tema em 2014 para esculhambar novamente com os “extressos MONO & BR da vida”. É isso.



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