sábado, 3 de abril de 2010

O CASAMENTO DO ZÉ MUNDÃO

Pense num cabocão, jovem, universitário, surubim (liso, mas cheio de pinta!), dono de um harém de gatinhas, esse era o famoso Zé Mundão. Depois de algum tempo, ele resolveu seguir a carreira “solo”, no quesito namorada, jurou de pés juntos que nunca mais iria namorar outras gatas, somente a sua caboquinha Baré; seguiu o acertado e jurado, passou a namorar de porta, ia buscá-la no Colégio, passeava pela sua Manô de mil contrastes, sempre de mãos dadas, era unha e carne! Numa bela noite manauara, estava dando um amasso na sua amada, ela sentada no seu colo, numa cadeira de macarrão, quando o sogrão ficou observando aquela falta de respeito, dentro da sua própria casa, não contou outra, chamou o gaiato do Zé Mandão, para bater um papo sobre aquele namoro ousado. O sogrão estava preocupado, pois o futuro da sua filha estava em jogo, não via com bons olhos aqueles acochos, imaginava o que estaria acontecendo bem longe dos seus olhos, chamou o Zé na grande: - Ó Zé Mundão qual é a tua intenção com a minha filha? Perguntou demonstrando uma profunda preocupação. - São as melhores possíveis, pretendo namorar por mais dois anos, noivar durante um ano e, casar depois de formar na faculdade! Respondeu na maior tranqüilidade. - Quer dizer que daqui mais ou menos três anos e meio o casório vai sair? Inquiriu, não acreditando no Zé. - Com certeza, pois, depois de formado terei mais chances de encontrar um emprego melhor, ganhar mais grana, sabe como é que é! O Zé respondeu na bucha. - Tá bom Zé, acredito em você, mas veja muito bem o que vais fazer com a minha filha, caso pisares na bola, o bicho vai pegar pro teu lado! O sogrão alertou o Zé. - Pode ficar tranqüilo, sou um respeitador e cumpro sempre com o que prometo! O Zé jogou as últimas cartas para convencer o sogrão. Com o tempo, o namoro foi esquentando cada vez mais, no escurinho, dentro do carro, nos lugares cada vez mais afastados; a carne é fraca, Zé Mundão! Não deu outra, avançou o sinal, esqueceu das promessas que fez ao sogrão. Foi o maior lazer, o Zé fazia gol dia sim, dia também, não ficava nenhum dia em manutenção! Depois de meses de lamparinadas, a Maria Baré liga para o cabocão: – Zé, a minha menstruação está atrasada, estou ficando com medo, vou fazer o teste de gravidez, o que você acha? Falou demonstrando uma tremenda preocupação. – Faça logo, quem está preocupado agora sou eu! Respondeu, tremendo mais do que uma vara verde. Naquele dia, o Zé não conseguiu se concentrar no seu trabalho, nos estudos, nem dormir direito, foi um martírio para ele; no dia seguinte, a namorada liga novamente: – Zé Mundão, precisamos conversar, vamos nos encontrar lá no Largo de São Sebastião, não vou falar mais nada por telefone, tchau! Desligou na cara do Zé, ele não teve nem tempo de perguntar sobre o resultado do teste. Pense num cara preocupado, sabia que a Onça ia beber água e o bicho ia pegar, estava tão nervoso que deu até dor de barriga. No encontro, a Maria foi logo detonando um torpedo em cima do Zé: – Deu positivo! Jogando o teste na cara do Zé. - Ai meu Deus, tô na merda! É agora? O que vou fazer? E as promessas que eu fiz para o teu pai? Ele vai me matar, não, talvez ele me cape! O Zé estava cheio de perguntas sem respostas. O bicho pegou para ele, como é que ele vai encarar o Sogrão? O Zé é um cara católico, sempre foi contrario ao aborto, mas agora está passando na pele, neste momento as convicções ficam de lado, ficou a pensar: – Na masturbação, o cara mata milhões de pessoas, uma a mais ou uma a menos, não vai fazer a diferença, o que eu faço, não sei não, acho que vou ficar com remorsos para o resto da minha vida, será melhor evitar, pois neste caso houve a concepção, não posso propor o aborto, não posso, tenho então duas alternativas, a primeira, será eu me mandar para o interior, lá na Terra Nova, passar uns tempos na casa da vovó Maristela e, a outra, será casar de papel passado e tudo o mais, acho que é melhor a segunda opção, não vou deixar falarem que o meu filho é do boto, o jeito será casar! O Zé respirou fundo, tomou coragem e encarou a fera: - Sogrão, pensando bem naquele papo que levamos tempo atrás, resolvi casar com a sua filha! – Daqui a três anos? O velho respondeu na gozação. - Não, o casamento já está marcado para o mês que vem! Falou com firmeza. – O que? Ficaste doido de vez! Será que o bonitinho avançou o sinal e embarrigou a minha filha? O Sogrão estava tão puto de raiva que a perereca caiu no chão. – Não, não, não, quero dizer, sim, não, sim, sim, mas vou casar na igreja com o papel passado no cartório, vou bancar tudo, o senhor não vai gastar um conto sequer, pode ficar tranqüilo, vou trabalhar dobrado, a sua filha não vai passar nenhuma privação, cumprirei com as minhas obrigações, errei, terei que pagar! Conseguiu convencer o Sogrão. Zé Mundão comunicou também a sua família, falou para os amigos e colegas de trabalho e da faculdade; alugou uma kitinete na periferia, comprou alguns móveis “no estado”, emprestou o paletó de um amigo e alugou o vestido de noiva; os amigos fizeram uma quota e, deram a grana para ajudar o Zé na festa de casamento. O casamento e a recepção foram na Igreja de São Sebastião; houve um desencontro, quando a noiva chegou, o Zé ainda não tinha chegado, foi um chororô total, o noivo tinha passado o dia fazendo a mudança, montando móveis, correndo atrás de salgadinhos, doces, cervejas, champanhe, taças, etc. não teve nem tempo para limpar as unhas das mãos, foi quando correu para a Barbearia Brasil, na Rua Tapajós; estava tão cansado que nem atentou para o horário do casamento, quando entrou na igreja todos ficaram olhando para ele, sem nada entender, teve que chamar novamente o Frei Fulgêncio, ele voltou, porém, deu logo uma esculhambação no Zé: - Tu me fizeste esperar um tempão, deixaste a tua noiva chorando e esse povo todo revoltado, não vais receber o deposito que fizeste na Secretária da Paróquia! Foram acalmar a noiva, retocar a maquiagem, enfim, o casamento aconteceu; nunca vi um cara tão enrolado que nem esse Zé Mundão, até o fotógrafo Marquinhos Lambe-Lambe, teve problemas com a sua máquina Love, perdeu quase todas as fotos; ainda bem que a recepção foi dentro dos conformes, a negada bebeu e comeu do bom e do melhor, muitos sorrisos, abraços e tapinhas nas costas do noivo; lá pelas tantas o Sogrão chamou o Zé para uma conversa particular: - E aí Zé quanto você gastou para fazer o casamento? Perguntou bem sério. – Não sei precisar, mas gastei em torno de dez mil reais, incluindo não somente os gastos com a cerimônia do casamento, mas também com o aluguel adiantado, alguns móveis e outras coisas mais! O Zé respondeu fazendo uma cara de pobre coitado. – Não tem problema não, toma aqui cinco mil e na próxima semana darei os outros cinco mil, combinado? Fiz o teste com você, não movi uma palha, vi que você tem responsabilidade, cumpriu com a tua obrigação, você merece ser ressarcido de todos os gastos com o casamento da milha filha! O Zé ficou mais alegre do que pinto na merda, cobriu o Sogrão de abraços e beijos! A grana deu para curtir a lua de mel no Tropical Hotel Manaus, foram muitas mordomias, deu para passar uns três dias gastando a baba do Sogrão! Esse Zé que planejava um dia se casar, somente após a formatura da faculdade, tudo foi mudado em decorrência do avanço do sinal! Na sua formatura, levou o seu filho de três anos, o Zé Mundinho, para assistir a cerimônia no Teatro Amazonas. O casal foi feliz durante anos e anos, até que um dia o divórcio os separou para o todo e sempre. Depois da separação, passou um bom tempo solteiro, porém, cansou da putaria, está pensando novamente em se casar. Tu és doido Zé Mundão! Errar uma vez é humano, duas vezes é burrice! Ou será que ele merece uma segunda chance? Sei não, mas em todo caso, irei escrever um dia sobre “O II Casamento do Zé Mundão”! Eu hein!


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