quinta-feira, 15 de outubro de 2015

TRINDADE, UMA FIGURA DE MANAUS



Esta postagem foi publicada em 2011 e, republicada, hoje, em homenagem ao meu amigo Trindade, falecido, recentemente.


Ele é uma figura de pessoa, um homem polivalente, formado em Direito, foi policial civil, chegando ao posto de Delegado, onde conquistou a sua merecida aposentadoria; exerceu por muitos anos a função de "Tradutor Juramentado", o homem conhece muito bem as línguas francesa, inglesa e a espanhola; gostava e, ainda aprecia muito um boteco e as cunhantãs; ele é um gozador nato, tendo uma preferência muito grande para com o trocadilho.

Como sabemos, a figura do Delegado de Polícia Civil é a de uma pessoa que exerce as atividades de polícia judiciária e de apuração de infrações penais, geralmente utiliza um grande óculos escuro para disfarçar, anda armado e não dá bobeira na sua segurança pessoal, mas, o Trindade parecia um arremedo de policial, o cara nunca pegou numa arma, acho que nem sabia atirar direito ou torto.

Ele era sempre escalado para ser plantonista, ou seja, para resolver pequenas broncas acontecidas à noite, as coisas pesadas ficavam para o pessoal da manhã seguinte. Tinha um detalhe: ele gostava de “esticar a baladeira” (atar a rede de dormir) no próprio gabinete, somente levantava quando chegava um Advogado, mesmo assim, ele despachava se embalando na rede! Mas, nada desabonou a sua conduta, foi um policial íntegro e respeitado por todos.

A família Trindade é formada por intelectuais, muitos deles tornaram-se Despachantes Aduaneiros, são bastante conceituados na Praça de Manaus. O nosso Trindade trabalhou um bom tempo nesta função, colaborando com os seus irmãos. Por ser um poliglota, prestou bons serviços para os empresários do Distrito Industrial, na tradução de documentos para serem apresentados à Aduana brasileira.

O cara ficou famoso nos botecos de Manaus, não por brigas ou confusões, não é a praia dele, mas, pela sua irreverência extremada. Gosta de gritar alto: - Lucinda, Lucinda, Filha da P...! Au, au, au, que diabos de casa é essa, somente os cachorros que me esperam! Heeei, olha o Pajurá do racha, Jaca mole e Pupunha sem caroço! 

Para quem não sabe, a Lucinda era esposa de um vizinho do Trindade, o seu marido tomava todas, chegava de madrugada, gritava pela mulher e, ela não abria a porta, soltava somente os cachorros! Adotou o mote de um vendedor de frutas do bairro do São Raimundo, o caboclo dava um berro que assustava todo mundo, tudo para anunciar os seus produtos. Esse berro é ainda muito utilizado no Bar do Armando, deixando o lusitano puto da vida!

Não desejo entrar na vida particular do meu amigo Trindade, mas, todo notívago biriteiro tem os seus problemas com a “Dona Encrenca”, ele teve os seus, tanto que chegou a separar-se várias vezes e, para tirar o atraso da vida, dava com força em cima de uma cunhã (mulher jovem). Adora falar: - Todo cavalo velho gosta de um capim novo! Certa vez, uma coroa retrucou: - Toda porteira velha gosta de uma estaca nova! Sem chance, pois ele nunca foi de "rasgar uma velha!". Eu, hein, nem pensar!

Por ser um homem culto, gosta muito do trocadilho, para ele “O Trocadilho é do Trocaralho!”. A Paronomásia (o popular trocadilho) é uma figura estilística que utiliza as palavras parônimas (com sonoridade semelhante), muita utilizada em discursos humorísticos e publicitários – no caso do nosso amigo, ele utiliza na forma de cacofonia, com fins maliciosos ou obscenos. Trindade, a trilogia, a tríade e o terno, é verdade! Podes crer!

O Trindade é muito querido por todos, faz parte da Banda Independente da Confraria do Armando (BICA) e da Banda do Sete Estrelas, muito conhecido no meio etílico manauense. Ele depois que toma umas e outras, gosta de declarar: - Copo aqui, copular! Terapia alcoolpassional! Hoje o clima está pro piço!   

O Trindade é um amante da natureza, tanto que adquiriu um enorme sítio, na Vila de Paricatuba, em Iranduba, conservou-o durante anos, ele tinha um projeto para construir um “Redodrómo”, uma imensa casa onde os turistas ficariam alojados em redes de dormir! Parece que não deu certo, tanto que ele anuncia a venda do imóvel.

Gosta muito de viajar, passa temporadas no Nordeste, inclusive, comprou um apartamento em João Pessoa, assim como é querido em Manaus é também por lá.Certa vez, ele estava no Aeroporto Val-de-Cans, em Belém, estava aguardando um voo da madrugada para Manaus. Aproveitou o tempo vago para tomar umas geladas, quando entrou no avião ficou na última poltrona.

Quando todos estavam dormindo, com as luzes internas apagadas, ele gritou: - Lucinda, FDP! Todo mundo se acordou e as luzes foram acesas; quando voltavam a dormir, gritava novamente, fez isso uma dezena de  vezes, na décima segunda, ele apenas falava bem baixinho: - Lucindaa....! Os passageiros em coro respondiam bem alto e, em bom tom: - Filha da Puta! Até a tripulação entrou na brincadeira! Foi assim até o avião aterrissar no aeroporto de Manaus!

Esse é o nosso Trindade, uma figura de Manaus! É isso ai.

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

A CÚPULA DA IGREJA DE SÃO SEBASTIÃO

Aos doze anos de idade comecei a frequentar a Igreja de São Sebastiao - o que mais me chama atenção no seu interior, desde aqueles tempos idos, é exatamente a cúpula e o seu simbolismo, o que foi possível entendê-lo somente através do livro "Historia da Igreja de São Sebastião”, do Mário Ypiranga Monteiro.

História da igreja - A construção da Igreja de São Sebastião foi iniciada em 1859, pela Irmandade de São Sebastião, com frente para a antiga Rua do Conde D´Eu (Rua Monsenhor Coutinho). Em 1870, frei Jesualdo Macchetti deu início a uma capela com a frente para a Rua do Progresso (Rua Dez de Julho). A lateral esquerda foi construída para a Rua do Coronel Tapajós (Rua Tapajós). A inauguração foi em 15 de setembro de 1912 – possui um estilo neoclássico italiano e gótico, com somente uma torre (com relógio e sinos).

A abóbada (zimbório) com claraboia ou janela de luneta, com quatro evangelistas em suas pontas: São Lucas, São Mateus, São João (ao lado este tem um corvo que o alimentava com o pão todos os dias) e São Marcos.

Em seu livro “História de São Sebastião”, o escritor Mário Ypiranga Monteiro, define muito bem a abóbada e seu significado:

“Abóbada da Rotunda, onde está a alegria festiva dos anjos - Teologia mística, a “Magia Divina” – sugere a abóbada celeste – a ogdoádica, ou seja, a oitava esfera onde estão os ditos anjos, figurando os planetas do sistema solar ptolomaico ou geocêntrico. Acima, a “janela de luneta”, de vidros encairilhado, facilita a entrada da claridade e contamina as figuras angélicas de um sortilégio comovente – é a linha de preocupação de quem ensaiou aquela deliberada encenação teológica da oitava esfera ou o local   onde as potestades divinas recebem a alma, que conduzem ao céu”.

Segundo o mesmo autor “A Igreja de São Sebastião é o único templo de Manaus onde o silêncio apaziguante transfunde religiosidade e convida a reflexão”. 


É isso ai.

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

EXCELÊNCIA DE BIQUEIRO


Faz um bom tempo, um grupo de amigos, formado pelo Manoel Batera, Neide, Mestre Louro e este escriba, resolvemos promover uma grande festa para as crianças da Vila de Paricatuba (Iranduba).

Fazíamos parte da Banda da Confraria do Armando, a famosa BICA – conseguimos muitos brinquedos junto aos diretores da banda e frequentadores. Um detalhe, todos aqueles que frequentavam aquela famosa banda eram conhecidos como “Biqueiro”.

O Manoel Batera resolveu pedir uma colaboração do então presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas, o Deputado Estadual Lino Chíxaro (PPS), um assíduo frequentador do Bar do Armando e da BICA, desde a sua mocidade – foi feito um requerimento em nome da “BICA” e assinado pelo saudoso Armando Soares.

Pois bem, o Manoel Batera pegou um “chá de cadeira” daquelas, mas, conseguiu falar com o nobre parlamentar. O presidente leu o requerimento e, respondeu:

- Porra, Manoelzinho, você colocou aqui “Excelentíssimo Senhor Biqueiro Lino Chíxaro”, aqui eu não sou “biqueiro”, o tratamento deve ser apenas de excelência!

O Manoel Batera ficou injuriado, pegou o requerimento de volta, rascou e, falou com os seus botões:

- Excelência é o meu ovo esquerdo, esse cara não passa de um biqueiro!

Mesmo sem a ajuda do “Excelência de Biqueiro”, conseguimos fazer uma bonita festa em Paricatuba – com o apoio total da Dona Rosangela (Dona Rô), onde foram distribuídos muitos brinquedos, refrigerantes, doces e salgados para a petizada, além do Mestre Louro ter feito a festa vestido de Papel Noel.


O “Dia das Crianças” está chegando, sinto falta das distribuições de brinquedos que fazia juntamente com os meus amigos, principalmente, para as crianças pobres de Paricatuba. É isso ai.

terça-feira, 6 de outubro de 2015

ESCREVENDO EM LINHAS TORTAS


Na minha infância e adolescência sempre tive dificuldades em assimilar as aulas de Língua portuguesa - manuseava com pouca frequência a gramática, usei muito pouco os dicionários e li poucos livros, tinha tudo para ser péssimo em redação e, sou até os dias atuais.

Pois bem, com o passar do tempo, comecei a tomar gosto pela coisa, ousei em escrever para as mídias sociais, sendo o editor de um blog.

Em decorrência do meu parco preparo no ensino médio e fundamental, sinto muitas dificuldades para escrever “corretamente” a nossa língua mater.

Mesmo assim, possuo duas linhas ao escrever para o blog e no facebook, o que parece estranho para muitos leitores.

Uma dela é “da rede rasgada”, onde misturo “tu com você”, embolando gírias, amazonês e até pornografias!

Na outra, procuro de todas as formas utilizar a nossa língua culta, tentando obedecer a gramática; faço pesquisas em livros, jornais e internet; utilizo dicionários “on line”, além de editor de textos.

Recebo poucos elogios e muitas críticas sobre a minha forma de escrever – na realidade, sou uma pessoa muito observadora do dia a dia, gosto de ler sobre a história da minha cidade Manaus e tenho inspiração para escrever rápido e sem parar sobre esses assuntos.


Entendo que o mais importante é a mensagem e o conhecimento que é passado aos demais, apesar da forma de apresentação ser muito importante – por exemplo, esse texto está cheio de imperfeições, mas, vou escrevendo em linhas tortas. É isso ai.

sexta-feira, 2 de outubro de 2015

O BOI, MASCOTE DO CORAÇÃO


Ao morar no bairro da Cidade Nova, zona norte da cidade de Manaus, pude observar algumas cenas que, com o passar dos tempos, ficaram restritas a periferia e ao interior do nosso Estado do Amazonas – uma delas foi acompanhar um cidadão que criou um garrote (boi pequeno) até virar churrasco em grande festa em sua comunidade.

Ao lado do meu barraco existe um terreno baldio, onde crescem a vontade muitos capins, principalmente, do tipo canarana – foi exatamente neste local onde o dono de um garrote o deixou se alimentar até alcançar a sua vida adulta.

Depois de um ano, perguntei a um vizinho sobre aquele senhor e seu mascote, que criava como fosse seu filho.

Fui informado que o homem era um interiorano, um peão de fazenda do Baixo Amazonas (cidade de Parintins), onde passou grande parte de sua vida cuidando de gados e, aquele animal, fora ganho num torneio de futebol em uma comunidade rural de Manaus.

Por ter sido peão de fazenda, ficou responsável pela criação do animal até chegar a hora do abate.

O animal foi criado longe de outros bois, sendo domesticado pelo velho peão, aprendendo a mugir e a berrar com os humanos, o resto sendo puro instinto animal.

Durante dois anos fiquei a observar aquela cena entre o criador e o seu pupilo – os dois tinham uma linguagem própria, com muito afeto e interação.

As cinco da tarde, o animal ficava exaltado, mugia alto, era a hora de voltar para casa e dormir.

Quando o velho peão chegava, o boi balançava o rabo para lá e para cá, girava freneticamente a cabeça e mugia de alegria com a presença do seu dono.

As crianças e os jovens quando iram e vinham da escola, ficavam extasiados com aquele boi, pois somente tinham visto um animal daquele em açougues ou na forma de bifes, churrascos e picadinhos em suas mesas.

Certa vez, o boi e o velho deixaram de aparecer no terreno baldio, fazia uma semana – questionei um vizinho sobre o paradeiro dos dois:

- Vizinho, o boi foi para o abate ou o peão foi abatido e subiu para o andar de cima?

Ele respondeu:

- Meu Vizinho, o peão abateu o animal, vendeu três quartos e fez churrasco de um quarto na comunidade, na festa de São João.


Depois de algum tempo, notei que o velho peão voltava ao terreno baldio, ficava a observar os capins, talvez com saudades ou remorsos de ter abatido, vendido e comido o boi, o mascote do seu coração! É isso ai.

terça-feira, 29 de setembro de 2015

AU BON MARCHÉ


Au Bon Marché (Bom Mercado) - Os srs. Lifsitch & Russo, importadores e negociantes a retalho, de artigos para senhoras, são estabelecidos à Rua Municipal, 67. Os sócios da firma são os srs. Simon Lifsitch e Louis Russo, ambos nascidos na Rússia, mas que residem no Brasil há muitos anos. O sr. Russo acha-se em Paris, onde faz as compras para a firma; e o sr. Lifsitch dirige a casa em Manaus, a qual é uma das mais conhecidas nesta cidade, para confecções para senhoras e crianças, vestidos, modas, perfumes, maletas e sacos de viagem, binóculos, chapéus de sol, sobretudos etc.

Os sócios têm larga experiência do mercado parisiense, que visitam alternadamente todos os anos; e têm sempre em seu estabelecimento as últimas modas, editando um bom catálogo de seus artigos. A vitrina do estabelecimento, no canto das ruas Municipal e Joaquim Sarmento, ostenta sempre grande número de artigos finos e artisticamente dispostos, os quais são freqüentemente substituídos por outras novidades.
Os sócios falam fluentemente várias línguas; e no estabelecimento fala-se correntemente, além do português, o francês, o alemão e o russo.




Fonte:
http://www.novomilenio.inf.br/santos/h0300g47g41.htm

sábado, 26 de setembro de 2015

FLUTUANTES – ONTEM E HOJE


Nasci na Santa Casa de Misericórdia, o meu primeiro lar foi um flutuante (casa de madeira apoiada em enormes toras, próprias para flutuar na água), no igarapé de Manaus, onde passei parte da minha infância e carrego boas recordações daquele tempo bom – atualmente, os flutuantes estão restritos a “pontões” (posto de gasolina) e locais de lazer e prática de esportes.

O local onde morei era um braço do rio - parte de um conglomerado de residências, conhecido por Cidade Flutuante (com a maior concentração de casas situada detrás da Rua Barão de São Domingos). O processo de ocupação do leito do rio foi iniciado quando do declínio do fausto da borracha, que ocasionou a falência dos seringalistas, e levou uma multidão de seringueiros a ficarem sem eira nem beira.

Não tendo onde morar, a solução inicial foi a construção de casas sobre as águas da orla do rio Negro e, claramente, pelos igarapés que cortavam a cidade de Manaus. As habitações construídas sobre troncos submergíveis, tornando-as assim flutuantes, possuíam os assoalhos e os cômodos de madeira, tendo a cobertura, em grande maioria, feita de palha.

O sufoco era total, pois tinham que recorrer às lamparinas, candeeiros e lampiões para iluminação dos cômodos - um martírio, pois não podiam usar nenhum aparelho eletrodoméstico em casa. O café era torrado e pilado dentro da habitação e fervido num fogareiro à lenha; as roupas eram passadas com ferro de engomar a carvão e a comida era cozida num fogão a lenha, com tudo manual, típico de uma casa de ribeirinhos da Amazônia.

Na vazante, a família levava alguns meses para limpar toda a área externa, pois ficavam muito lixo espalhado pelo chão, como garrafas de vidro quebradas, latas enferrujadas, tábuas com pregos etc., por isso, o eu vivia sempre com cortes nos pés e muitas feridas pelo corpo.

Os banhos eram feitos em cacimbas ou camburões de metal, com água de beber sendo filtrada em potes, bilhas e filtros de barro. Existia uma grande vantagem: caso o caboco tivesse algum problema sério com o vizinho, bastava pegar o machado e cortar a corda principal que amarrava o flutuante à beira rio, ou colocar uma amarra num barco regional, pedir para ser puxado e mudar-se para o outro lado do rio. Como a minha família era benquista por todos os vizinhos, nunca precisamos sair do local onde morava.

Durante a enchente, o balneário ficava a altura da janela do nosso flutuante, bastava pular dentro do rio e tomar banho nas águas refrescantes, pois ainda não havia poluição em demasia, apesar dos moradores despejarem dejetos de privadas diretamente no igarapé.

Os barcos regionais ancoravam no flutuante, oferecendo a preço acessível peixe, leite, queijo, farinha e outros produtos regionais, além de tábuas e palhas para a manutenção da casa. O flutuante servia de base para muitos pescadores amadores e banhistas - alguns achavam que aquilo era um cancro, uma vergonha para os habitantes da terra firme, mas foi exatamente ali que passei de forma muito feliz a minha infância.

Atualmente, os flutuantes instalados na região do Tarumã, na orla de Manaus, servem de restaurantes, bares, para curtir o Rio Negro e prática de esportes, principalmente do Stand Up Paddle (SUP), uma modalidade similar ao surf, onde o praticante utiliza um remo.

Segundo dados da Capitania Fluvial da Amazônia Ocidental, existem 94 flutuantes cadastrados, sendo 61 deles de postos de gasolina (pontoes) – todos eles devem obedecer às normas de segurança e ao cumprimento das legislações ambientais.

Os proprietários dos flutuantes-restaurantes procuram convencer os clientes a não jogarem lixos no rio; fazem coleta seletiva, aproveitamento do óleo de cozinha, para o fabrico de sabões, além do tratamento de esgotos, filtrando a água dos banheiros através de biodigestores, com a tecnologia ultravioleta para a eliminação de bactérias.

Os flutuantes mais procurados são os seguintes: Peixe-Boi, Abaré, Da Tia, Sedutor e Vitória Régia, no Tarumã e, Flutuante do Leão, no Puraquequara - existem outros tantos, mas, diferentemente da minha infância, a preocupação ambiental é muito forte, pois a fiscalização é severa.

Nos que moramos em Manaus, temos o privilegio de ter um imenso e bonito rio passando no quintal das nossas casas, o majestoso Rio Negro – essa relação com o rio e a natureza sempre foi um constante - curtir muito os flutuantes de outrora, hoje, quem se deleita são os meus filhos e, no futuro, serão os meus netos. É isso ai.

Fontes:
Zé Mundão (projeto de um livro)

Jornal Diário do Amazonas, edição de 20 de Setembro de 2015.

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

AVENIDA GETÚLIO VARGAS


Localizada no centro de Manaus, com início na Rua Tarumã e término na Rua Floriano Peixoto, sendo considerada uma das mais bonitas da cidade.

Apesar da cidade de Manaus ser um pingo no “oceano” de mata da Amazônia, não é uma cidade muita arborizada, o que é muito lamentável, refletindo a falta de sensibilidade dos administradores públicos para com o meio ambiente.

Esta avenida, contrastando com as demais, possui o privilégio de esbanjar verde em toda a sua extensão – faz alguns anos, foi feito um estudo pelos técnicos da Prefeitura de Manaus, sobre o efeito da arborização no clima da cidade, foi constatado que há uma diminuição em torno de dois graus centígrados, inclusive beneficiando a Avenida Joaquim Nabuco.

O canteiro central foi, recentemente, totalmente reformado, foram colocados ladrilhos hidráulicos e uma iluminação especial em todas as árvores (prejudicando o sono dos passarinhos!) – muitos jovens e estudantes gostam de ficar sentados nos canteiros ao redor das árvores.

Esta  Avenida é a principal via de passagem dos milhares de ônibus, no sentido centro/bairros; apesar das toneladas de gás carbônico jogados pelas descargas dos veículos, o impacto é minimizado pelas dezenas de árvores do local.

Ainda muito jovem foi morar nesta avenida, na Vila Paraíso, ainda estão na minha memória os bailes do Sheik Clube e Bancrevia; os Bares Alex e Garfo de Ouro; os  cinemas Polytheama e Guarany; as brincadeiras de patinetes; a boate Porão; o prédio da CANTEL (a primeira empresa de telecomunicação de Manaus); o Tacacá da Dona Hilda; da Escola de Samba Unidos da Getúlio; da Escola Preparatória Dinâmico, do Nestor Nascimento e das peladas na quadra do Colégio Estadual.

Nesta avenida morou o ilustre Armando Soares (na foto do Portal A Crítica, aparece a viúva do Armando, a Dona Lourdes), proprietário do Bar do Armando; morou por lá o mais famoso Delegado de polícia de Manaus, chamado de Delegado do Diabo; encontramos o Bar Cinco Estrelas, do Charlie Stones; a Glacial, a melhor sorveteria de Manaus; a Policlínica Gilberto Mestrinho; vários restaurantes, com especial atenção ao Scarola, encontramos diversas cyber café e lan houses; pela proximidade do Largo de São Sebastião, existem diversos hotéis e agências de viagens; o SESI levantando a saúde para todos; lojas de confecções; lotéricas; lojas de fitness, enfim, encontramos de tudo por lá


Viva a nossa Avenida Getúlio Vargas! Viva! 

quarta-feira, 23 de setembro de 2015

BLOGDOROCHA: RIO NEGRO - DRAUZIO VARELLA

BLOGDOROCHA: RIO NEGRO - DRAUZIO VARELLA: Drauzio Varella Rio Negro - O rio Negro nasce na região pré-andina da Colômbia e corre ao encontro do Solimões, logo abaixo de Manaus, ...

terça-feira, 22 de setembro de 2015

HAJA CALOR, EM MANAUS, QUARENTA GRAUS!


Pois é, mano velho, dizem que a culpa é de um fenômeno denominado de El Nino (aquecimento do Pacifico, não permitindo a formação de ventos e chuvas na região da Amazônia). Imaginem o estrago que teremos quando esse menino crescer!

Quer mais? Então toma essa: ainda existe a tal da La Nina (diminuindo a temperatura do Oceano Pacifico), ocasionando resfriamento de 2 a 3 graus, BEM LONGE de Manaus!

Quer moleza? Vá encher uma laje, em pleno meio dia de Setembro!

Sou caboco de Manaus, do miolo derretido de tanto calor, pode me deixar lá no Deserto do Saara que não vai fazer nenhuma diferença!

Os meios de comunicação informaram que, ontem, foi o dia mais quente dos últimos noventa anos! É mermo, maninho? Não senti nadinha, ontem! Tudo normal para um caboco manauara!

Dizem que o clima em Manaus é de apenas duas estações: Verão (quente) e Inverno (chuva e quente). Sei, não. Acho que temos as quatro estações: Verão, Quente, Mormaço e Calorão!

O caboco e a cabocana estavam no “rala e rola”, em pleno mês de setembro, com o ventilador no máximo – ela fala: - Amorzinho, fala alguma coisa bem quente aqui no meu ouvido! Ele sussurrou: - Manaaauuus, Manaaauuus! O tesão acabou na hora!

Uma turista paulistana estava visitando o nosso Mercado Adolpho Lisboa, a mulher quase desmaia de tanto calor, pois estava fazendo 40 graus, na sombra! Correu para hotel, fechou a conta e, voltou para Sampa, chegando lá, estava fazendo 36 graus! Ele falou: - Troquei seis por meia dúzia! O Brasil está um inferno de quente, gente! 

O negócio é o seguinte: No mês de Setembro, em Manaus, o coitado do urubu voa com uma asa e se abana com a outra!

Outra coisa: O caboco que aprontou nessa e, for direto para o Inferno, não vai sentir nada, parente!

O bom de tudo isso é o seguinte: Chifre não se cria em Manaus: Derrete na hora!


A cidade de Manaus possui o maior per capita de consumo de cerveja do Brasil. Motivo: o calor que derrete os miolos, provoca secura na gargante, provocando muita sede, mas, muita sede na cabocada! Eu hein!

Charge: Rafael Froner

domingo, 20 de setembro de 2015

EDIFÍCIO DA LOBRAS


Existe, em Manaus, um prédio comercial que fez história na nossa cidade, conhecido, atualmente, como “Edifício da Lobras”, na esquina das avenidas Eduardo Ribeiro e Sete de Setembro.

No final de século dezenove, com o “boom” da borracha, os cofres públicos bamburravam com os impostos advindos da comercialização do “ouro branco” – sendo possível embelezar a cidade Manaus, com o aterramento do Igarapé do Espírito Santo e a criação da mais famosa artéria de Manaus, a Avenida Eduardo Ribeiro (uma homenagem ao Governador Eduardo Ribeiro).



No inicio do século vinte, foi construído uma bela casa no cruzamento da Rua Municipal (atual Avenida Sete de Setembro), para abrigar uma loja especializada em moda feminina, conhecida como “Madame Marie”, depois, substituída pela “Loja Adolfina”.

Tempos depois, inauguraram uma loja do tipo atual de “Tudo por 1,99”, era conhecida, naquela época, como “Loja 3.900” que depois “subiu” para “Loja 4.400”.




Na noite de 15 de Agosto de 1961, houve um grande incêndio, destruindo completamente a loja mais popular de Manaus, a “Loja 4.400”, afetando todo o quarteirão.




Em seu lugar, foi construído o prédio das “Lojas Brasileiras”, conhecida nacionalmente como “LOBRAS”, um empreendimento da família Goldfard de São Paulo, uma organização que chegou a ter 63 lojas espalhadas pelo país.

Com o fechamento do grupo “Mappin” nos anos 90, o mercado brasileiro de lojas de departamentos entrou em pânico – a família Goldfarb resolveu encerrar as atividades das Lojas Brasileiras, dedicando-se somente as “Lojas Marisa” – ao qual permanece até os dias atuais.

O Edifício Lobras é composto, atualmente, da Loja Mariza (térreo) e cinco andares com salas comerciais. É isso ai.

Fotos:



https://www.facebook.com/zeluizgonzaga - (poeta e escritor da empresa Banzeiro Poético)

BLOGDOROCHA: IMPORTADORA SOUZA ARNAUD

BLOGDOROCHA: IMPORTADORA SOUZA ARNAUD: Ao longo da minha vida profissional, passei até o momento por seis empresas, no entanto, a que mais marcou a minha vida foi a “Importadora ...

quarta-feira, 16 de setembro de 2015

segunda-feira, 14 de setembro de 2015

O COLECIONADOR DE RELÓGIOS DE PULSO


Tenho um amigo de longas datas – tive o privilegio de conhecê-lo no bairro da Gloria, na época da lisura, mesmo assim, sempre foi um cara extremamente elegante e, sempre adorou colecionar relógios de pulso, um hobby caro, porém, contentava-se, naquela época, com modelos baratos e réplicas - partindo tempos depois, para os mais caros, quando começou a melhorar de vida.

Na sua juventude, gostava dançar nas famosas “Manhã de Sol”, do Oberon Clube (Gloria) e São Raimundo Clube, vestido de camisa comprida de fio elani,  calça branca e sapato de couro bicolor, sempre ostentando um lindo relógio de pulso.

Muitos anos depois, tornou-se um empresário forte na área de alimentação, tendo uma excelente estabilidade financeira, tornando possível levar a frente o seu hobby juvenil: colecionador de relógios de pulso.

Chegou a possuir sessenta relógios em sua coleção, o suficiente para usar durante dois meses seguidos, com um relógio a cada dia, sem repetir um modelo.

Certa vez, ele mostrou-me um relógio (não sei se era réplica) que era ofertado pelo Hitler aos seus comandantes, com um fundo falso, onde era colocada uma capsula de cianureto, para eles se suicidarem caso perdessem a guerra.

Ele tinha também um relógio Cartier, avaliado em quinze mil reais – ele ganhou numa brincadeira – um famoso lutador amazonense (do bairro da Alvorada) é amigo do seu filho mais novo – ele falou que se ganhasse uma luta nos EUA, o relógio ficaria de presente e, caso perdesse, teria que pagar pelo valor avaliado – o colecionador aceitou e ganhou.

Houve um assalto em sua residência, os meliantes levaram todos os relógios de sua coleção, incluindo o que estava em seu pulso – foram momentos difíceis, mas, superado o trauma anos depois.

Como todo bom colecionador, voltou a adquirir novos relógios, pois viaja muito a negócio, o que o permite encontrar muitas lojas especializadas e contatos com outros colecionadores – compra também através de sites.

Na semana passada, tive um encontro com ele e, para minha surpresa, falou que tinha desistido de colecionar relógios de pulso, bem como, estava colocando a venda toda a sua coleção – não falou o motivo, mas uma coisa eu tenho certeza, ele está muito bem financeiramente e sua empresa vai “de vento em popa”.

Esse hábito de colecionar objetos remota à época pré-histórica, sempre esteve ligado a satisfação de juntar artigos que nos deliciam – com relação a relógios tem um duplo prazer: construir uma coleção agradável e poder perfeitamente usá-los.


Já fui colecionador de moedas antigas e até hoje lamento em ter vendido a minha coleção, dessa forma, acho muito difícil o meu amigo desistir de sua coleção de relógios de pulso. É isso ai. 

domingo, 13 de setembro de 2015

O ANIVERSÁRIO


Ao levantar de madrugada, para ir ao banheiro, abrir a minha página do Facebook e, para a minha surpresa, continha várias mensagens de aniversário na minha linha do tempo, um sinal de que o dia do meu aniversário prometia.


Tive alguns contratempos pela manhã e parte da tarde, porém, tudo mudou quando bati o ponto no Bar Caldeira "Oficial", centro antigo de Manaus, onde pude encontrar com os meus irmãos José Rocha Martins eHenrique Martins, além de muitos amigos de boteco, para celebrar o dia natalício.

Fiquei muito agradecido aos meus amigos Cruz (um forte empresário do ramo de panificação) e do Carbajal Gomes (administrador do Bar Caldeira), por não me deixarem pagar nenhuma “cevada”, ficando tudo por conta deles, incluindo também os tira-gostos. 

Lá pelas tantas, comecei com a gaiatice: - Meus braços, vocês estão fazendo, hoje, cincoenta e lá porrada de anos! Minhas pernas, vocês estão também fazendo, hoje, cinquenta e caqueradas de anos! E você, bilau, se não estivesse morto, estaria completando, hoje, cincoenta e lá vai um monte de anos!

O meu mano Henrique falou que assinava a minha ficha para entrar numa agremiação masculina, denominada “Clube da Azulzinha”, o famoso “VIAGRA” – andam falando por ai que foi lançado nos Estados Unidos a versão Plus, constando de duas pílulas, sendo uma para levantar a moral do velho, com a segunda para ele lembrar para que serve aquilo, pois o camarada vai esquecendo tudo com a idade avançada. Eu, hein!

Teve até os “Parabéns!", do Carequinha, tocado e cantado pelo meu amigo Papaco AmoreSambaPapaco – gostei daquela parte “Chegou a hora de apagar a velinha...” – assoprei as “SEXYgenárias” Celestina Mariae a Jumara Whitaker! Hehehehe

Fiquei feliz com uma caricatura feito por um profissional do ramo, que juntamente com mais outros dois, foram contratados pelo Carbajal para fazer o desenho dos frequentadores do bar - fiquei ainda mais feliz, quando o Carbajal mostrou-se um folheto do bar, onde consta o meu nome por ter escrito a história do Bar Caldeira.

Hoje, bem cedinho da manhã, fui “forrar o bucho”, tomei uma sopa de mocotó no mercado municipal da Avenida Djalma Batista, depois, passear com o cachorro Nino e com a minha Duda, além de muita água, guaraná e sucos, para curar os excessos do meu aniversário. É isso ai.

segunda-feira, 7 de setembro de 2015

D. PEDRO I E A INDEPENDÊNCIA DO BRASIL

As tropas do Napoleão Bonaparte ameaçavam invadir Portugal, por ter apoiado a Inglaterra – com medo, o rei D. João veio para o Brasil, com a sua família e muitos nobres, contando com a proteção armada dos navios ingleses.

Primeiro, desembarcou na Bahia, era o ano de 1808 - indo depois, para o Rio de Janeiro, onde ficou em definitivo, instalando a sede do seu governo.

Os ingleses forçaram o D. João a abrir os portos brasileiros a nações amigas – na realidade, abriu somente para a Inglaterra, que inundou o mercado brasileiro de produtos “Made in England”, acabando com o monopólio de Portugal.

Criou o Banco do Brasil, instalou tribunais de justiça, fundou a Academia Militar e da Marinha, o Jardim Botânico, a Biblioteca Nacional, dentre outros.

Em 1815, elevou o Brasil a Reino Unido a Portugal, passando de colônia para sede, uma situação incomum para os portugueses.

Em 1820, houve uma revolução vitoriosa em Portugal, onde foi criado a Cortes de Lisboa, com o objetivo de recolonizar o Brasil, reconquistando os antigos privilégios comerciais da burguesia portuguesa.

Em 1821, D. João VI foi obrigado a voltar a Portugal, para não perder o seu trono, deixando no Brasil, o seu filho D. Pedro, o herdeiro da Coroa.

As  Cortes tomaram varias medidas para enfraquecer a autoridade de D. Pedro, indo contra aos interesses econômicos de grandes empresários brasileiros – estes apoiaram o príncipe para que ele desobedecesse as ordens vinda de Portugal.

As Cortes desejavam que D. Pedro retornasse a Portugal, para acabar totalmente com a sua autoridade no Brasil e, em 9 de janeiro de 1822, D. Pedro declarou solene: Como é para o bem de todos e felicidade geral da nação, estou pronto: diga ao povo que fico.

Com essa decisão, nenhuma determinação de Lisboa seria executada sem que recebesse o “Cumpra-se” de D. Pedro.

As Cortes de Lisboa continuaram adotando medidas para enfraquecer D. Pedro, o que culminou com uma reação política a essas medidas, quando em 7 de Setembro de 1822, em São Paulo, foi proclamado por D. Pedro, a independência do Brasil.

Ao retornar a cidade do Rio de Janeiro, em 1 de Dezembro de 1822, D. Pedro foi aclamado imperador e coroado como D. Pedro I.

Fonte: História do Brasil – Um olhar crítico – Gilberto Cotrim – Editora Saraiva