segunda-feira, 14 de setembro de 2015

O COLECIONADOR DE RELÓGIOS DE PULSO


Tenho um amigo de longas datas – tive o privilegio de conhecê-lo no bairro da Gloria, na época da lisura, mesmo assim, sempre foi um cara extremamente elegante e, sempre adorou colecionar relógios de pulso, um hobby caro, porém, contentava-se, naquela época, com modelos baratos e réplicas - partindo tempos depois, para os mais caros, quando começou a melhorar de vida.

Na sua juventude, gostava dançar nas famosas “Manhã de Sol”, do Oberon Clube (Gloria) e São Raimundo Clube, vestido de camisa comprida de fio elani,  calça branca e sapato de couro bicolor, sempre ostentando um lindo relógio de pulso.

Muitos anos depois, tornou-se um empresário forte na área de alimentação, tendo uma excelente estabilidade financeira, tornando possível levar a frente o seu hobby juvenil: colecionador de relógios de pulso.

Chegou a possuir sessenta relógios em sua coleção, o suficiente para usar durante dois meses seguidos, com um relógio a cada dia, sem repetir um modelo.

Certa vez, ele mostrou-me um relógio (não sei se era réplica) que era ofertado pelo Hitler aos seus comandantes, com um fundo falso, onde era colocada uma capsula de cianureto, para eles se suicidarem caso perdessem a guerra.

Ele tinha também um relógio Cartier, avaliado em quinze mil reais – ele ganhou numa brincadeira – um famoso lutador amazonense (do bairro da Alvorada) é amigo do seu filho mais novo – ele falou que se ganhasse uma luta nos EUA, o relógio ficaria de presente e, caso perdesse, teria que pagar pelo valor avaliado – o colecionador aceitou e ganhou.

Houve um assalto em sua residência, os meliantes levaram todos os relógios de sua coleção, incluindo o que estava em seu pulso – foram momentos difíceis, mas, superado o trauma anos depois.

Como todo bom colecionador, voltou a adquirir novos relógios, pois viaja muito a negócio, o que o permite encontrar muitas lojas especializadas e contatos com outros colecionadores – compra também através de sites.

Na semana passada, tive um encontro com ele e, para minha surpresa, falou que tinha desistido de colecionar relógios de pulso, bem como, estava colocando a venda toda a sua coleção – não falou o motivo, mas uma coisa eu tenho certeza, ele está muito bem financeiramente e sua empresa vai “de vento em popa”.

Esse hábito de colecionar objetos remota à época pré-histórica, sempre esteve ligado a satisfação de juntar artigos que nos deliciam – com relação a relógios tem um duplo prazer: construir uma coleção agradável e poder perfeitamente usá-los.


Já fui colecionador de moedas antigas e até hoje lamento em ter vendido a minha coleção, dessa forma, acho muito difícil o meu amigo desistir de sua coleção de relógios de pulso. É isso ai. 
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