domingo, 7 de fevereiro de 2010

LUTHIER WANDLER CUNHA


*Wandler Cunha

Durante toda minha vida estive ligado diretamente à música. Antes de completar 10 anos, conheci o banjo e o violão. Mais tarde, com 11 anos, descobri um grupo de músicos que tocavam chorinho.

Zé Maria no violão dinâmico, Magalhães no cavaquinho, Orlando no violão de sete cordas e Manuel “Lambe Lasca” no pandeiro. Quando o Zé Maria e sua turma tocavam “Pedacinhos do Céu”, do Waldir Azevedo, eu morria e renascia por dentro, maravilhado com os timbres daqueles instrumentos.

Aos 16 anos, influenciado pelos Beatles, comecei a tocar violão e logo que aprendi alguns acordes mandei fazer um violão especial com o luthier Rochinha, de Manaus. Caí na besteira de emprestá-lo para um amigo de infância que o espatifou na cabeça de um desafeto. Em 1967, Zé Maria me convidou para integrar a banda, desde que eu conseguisse um baixo-elétrico. Com a ajuda do meu patrão na época, comprei um baixo Phelpa, uma imitação brasileira do Jazz Bass da Fender. Foi a glória. Eu tinha um baixo elétrico, mas não tinha amplificador. O Zé Maria fizera um curso de eletrônica por correspondência e resolveu o problema: montou um "ampli" a partir de um rádio velho. Foi com esse "ampli" que o "The Rights" tocou e ganhou dinheiro para comprar depois um aparelho de verdade.

Um ano depois, 1968, deixei a turma do "The Rights" e parti para montar “Os Embaixadores”, junto com meu amigo e parceiro José Dibo. Fiquei dois anos nessa banda fazendo guitarra-solo e cantando. Em 1969, passei para guitarra-base no “The Blue Birds”, onde fiquei apenas seis meses. Detalhe: Estas duas bandas ainda estão em atividade em Manaus. Nesse meio tempo, comecei a compor e participei de vários festivais de música. Num deles, em 1969, apresentei minha composição “Jogo de Calçada”, (com letra de Ilton Oliveira) à banda paulista “Os Mutantes”( da Rita Lee) que fizera o show de encerramento do festival. Meses depois “Jogo de Calçada” estava gravada e eternizada pela então melhor banda de rock brasileira.

Em 1970, a saudade apertou e voltei para os “Embaixadores” onde toquei mais dois anos. Depois, eu e José Dibo formamos outras bandas de baile, sempre privilegiando os vocais. Em 1977, já cursando Comunicação Social na Universidade Federal do Amazonas, fiz vários shows no Teatro Amazonas junto com os parceiros Torrinho, Aldísio Filgueiras, Flávio Cohen, Bernardo Lameiras, o baterista Almir e Adriano Giffoni. Em 1981, me formei em Jornalismo mas continuei fazendo “bicos musicais”. Em 1988, convoquei antigos parceiros e formamos o “Clube da Beatlemania”, uma banda cover dos Beatles, com Paulinho na guitarra-base, José Dibo no baixo-elétrico (depois Bernardo Lameiras) Carlinhos Teixeira na bateria e eu na guitarra-solo. A banda fez sucesso imediato, mas teve vida curta. Por motivos profissionais e para a felicidade da minha mulher Lêda, me transferi para Brasília em agosto de 1988. Uma vez instalado na capital federal, fiquei incentivando os amigos de Manaus para continuarem com a banda. Meses depois, surgia a “Máquina do Tempo”, interpretando Beatles e outros hits sessentões. O sucesso foi inevitável.

No início dos anos 90 conheci novos parceiros de música em Brasília e acabei formando uma banda de baile. Hoje, toco de vez em quando com uma turma de amigos interpretando aquelas canções que embalaram as gerações dos anos 60 e 70. Para minha alegria, tenho um filho músico, Marcelo Duarte, 21 anos, exímio baixista formado pela EMB-Escola de Música de Brasília e aluno da UnB- Universidade de Brasília, onde faz Educação Artística com especialização em Música. Ele toca jazz e bossa-nova como gente grande.

Yana Morena, minha filha de 12 anos, também tem veia musical, mas prefere desenhar seus personagens de “mangá”, os quadrinhos japoneses.

Em 2002 fiz um curso de luteria com o luthier Eduardo Brito, de Brasília, e construi meu primeiro violão. Hoje, com 60 anos, além da minha família, a minha grande paixão são os formões e outras ferramentas de corte que dão os contornos aos violões, guitarras e contra-baixos na minha oficina de luteria. Além de construir, também conserto, restauro e regulo instrumentos. Minha ambição? Quero aperfeiçoar meu trabalho, para um dia me tornar um luthier master. Nem que isso demore mais 60 anos.

*Musico, compositor, jornalista e luthier – http://www.wandlerluthier.com/
O Wandler é o primeiro da direita da foto acima.
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