sábado, 3 de setembro de 2011

O ROUBO INGLÊS DAS SEMENTES DA SERINGUEIRA



Segundo os historiadores, o botânico inglês Henry Wickman aportou no Brasil em 1875, veio a serviço do Sir Josesp Hooker, Diretor do Jardim Botânico de Londres, tendo como missão roubar sementes da Hevea brasiliensis, outros tantos, afirmam que não foi bem assim, houve a conivência de muitos, incluindo empresários e o próprio governo.

No primeiro caso, dizem os estudiosos que o gringo chegou exatamente em Santarém (PA), no Rio Tapajós, com o disfarce de professor, depois de algum tempo, conseguiu na calada da noite embarcar em torno de 70.000 sementes, foram diretamente para Londres, posteriormente, enviadas para Malásia e Sri Lanka, colônias britânicas.

Nesses países o clima é quente e úmido, propício para o cultivo da árvore amazônica, foram feitos também uns melhoramentos genéticos e, plantados em fileiras, permitindo uma coleta do látex de forma racional, com a produção em larga escala e a baixos custos, o que não acontecia na Amazônia.

Deu tudo certo para os ingleses e suas colônias; para ter uma ideia, a maior produção da Amazônia foi de 42 mil toneladas/ano, enquanto a Malásia produziu, em 1913, um total de 48 mil ton/ano. Moral da história: houve uma oferta maior, com a queda do preço no mercado internacional, na época cotada em libra esterlina. Acabou para o Brasil, já era!

A outra versão é a seguinte: todo mundo sabia da presença do inglês Henry, sabiam que ele estava coletando as sementes da Seringueira, o Governo do Pará tinha essas informações e nada fez para impedir.

Dizem que os ingleses convidaram o Brasil para participar de um consórcio de empresas, com investimentos de doze milhões de libras para plantar 3,5 milhões de hectares de seringais na Malásia – os brasileiros não deram a mínima e, ainda acharam graça do projeto – para eles, plantar seringueira fora da Amazônia era loucura dos ingleses.

A própria ACA – Associação Comercial do Amazonas - lançou uma propaganda contra o plantio, difundiram que o látex da Malásia não teria a qualidade da seringueira nativa, desmotivando as pessoas plantarem a Hevea brasileira. Olha no que deu!

O Brasil até hoje não se mancou, continuamos colhendo o látex das seringueiras nativas. No Amazonas, foi implantada uma fábrica de beneficiamento do látex e outra de produção de pneus para motocicletas do Polo Industrial de Manaus. Toda a produção do Amazonas é comprada por essa empresa, mesmo assim, os empresários tem que recorrer à Malásia, pois a nossa produção não atende nem 50% de uma única fábrica. É mole!

Realmente, não houve roubo das sementes pelos ingleses, deixamo-los levarem à vontade, fomos demasiadamente arrogantes no passado e, continuamos pecando no presente. Caso não aparecer um louco para plantar a seringueira de forma racional como fizeram os ingleses, continuaremos a importar no futuro, o que já foi nosso um dia! É isso ai.

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