terça-feira, 1 de março de 2011

VELHOS CARNAVAIS NO SAMBÓDROMO DE MANAUS

O ponto máximo do carnaval amazonense é o desfile das Escolas de Samba no Sambódromo (Centro de Convenções de Manaus), adoro toda aquela movimentação, apesar de nunca ter desfilado oficialmente em nenhuma agremiação, mesmo assim, tenho boas recordações dos nossos velhos carnavais. Faz algum tempo, bote tempo nisso, sai de gaiato na última Escola a desfilar, fiz uma fantasia “arrumadinha” com os restos que ficavam ao longo da Avenida, foi o máximo ter ficado por muito tempo na concentração, desfilar e chegar à dispersão, com o Sol batendo na cara, foi um misto de alegria, cansaço e orgulho de ter desfilado pela primeira vez (ainda não teve a segunda) numa Escola de Samba. O que mais me chama a atenção nos desfiles carnavalescos é o carro “Abre-alas” e a “Bateria", além das mulatas, sambando, é claro! Certa vez, fui assistir aos desfiles com o meu irmão Rocha Filho, ele estava “Prá lá de Bagdá”, ficamos estacionados no esquenta da Bateria da Escola de Samba do Rio Unido da Liberdade, acredito que foi em 1999, ela estava fazendo uma justa homenagem ao Armando Brasileiro, proprietário do Bar Armando, reduto de intelectuais, jornalistas, universitários, juízes e artistas diversos -, pois bem, o meu querido irmão resolveu dormir em pé, segurando num pau de uma barraca de venda de bebidas, de repente, uns trezentos ritmistas começaram a tocar os seus instrumentos, pensei que ele iria acordar daquele sono profundo, mas, nada aconteceu, ele simplesmente, começou a roncar bem alto, os caras da bateria ficaram espantados, um deles bateu várias vezes o “Surdo de Primeira” bem próximo ao ouvido do meu brother e, nada! Ele somente acordou quando a Escola já estava no final da avenida. Credo em cruz! Tenho um amigo chamado Delfim, pense numa figura, o cara desfilava sempre na Escola de Samba Vitória Régia, da Praça 14 de Janeiro, a verde rosa que tem como madrinha a Mangueira, do Rio de Janeiro; um certo ano, não sei precisar, resolveram fazer um carro Abre-alas homenageando uma Balsa de travessia de Iranduba-Manaus, era chamada de “Boto Navegador”, uma homenagem ao governador Gilberto Mestrinho – o Delfim estava tomando um Johnnie Walker, um puro “dezoito anos” (assim ele se gabava) com gelo de água de côco, além de uns petiscos de primeira qualidade – é mole ou quer mais? Eu quero é mais, papai! Foi convidado pelo amigo para tomar umas pequenas doses, pois ele iria desfrutar de tal regalia no carro principal, ele estava fantasiado de Almirante, tudo nos trinques – quando a empilhadeira chegou, ele ficou cheio de pose, subiu uns cinco metros, acenava para todo mundo, era o próprio "bicho da Goiaba branca", - ficou acomodado lá dentro da cabine do Comandante, no entanto, ele cometeu um erro fatal: esqueceu do whisky 18 aninhos em minhas mãos, com o gelo e aqueles petiscos maravilhosos! Ai foi graça, quando ele deu falta, gritava que nem um maluco, eu não dava a mínima, ainda coloquei uma dose tamanho marítima com bastante gelo, levantava para ele ver e tomava numa boa, suavemente, ele babava de raiva e chamava palavrões “prá caralho”! Não dava pra fazer mais nada, ainda tentei convencer o empilhador para levar o “Reino da Escócia” até o Delfim, mas, o cara não dava à mínima e, ainda teve a cara-de-pau de pedir uma dose para ele e outra para o seu amigo. Onde nos encontramos, ele gosta de contar deste ocorrido, fala que desceu na maior secura, pior de tudo, de tão puto que estava, leu errado a “Carta Náutica”, ao invés de ir para Iranduba, foi parar no Careiro de Várzea!  Ainda tive que pagar diversos engradados de cervejas para ele, por conta do “dezoitão” que eu detonei. Essa é prá acabar! O Bar Caldeira, centro antigo de Manaus, foi homenageado em 2003, pela “GRES Mocidade Independente do Coroado, com o tema “Caldeira é Tradição, História e Carnaval”, geralmente uma Escola quando faz o seu enredo, procura um patrão forte para ser o “cara” que vai bancar parte das despesas para colocar o samba na Avenida. O Bar Caldeira entrou com a "cara e a coragem", mesmo assim, ainda fez uma quota com os frequentadores mais assíduos, dando uma modesta contribuição para a Escola. Tanto que o carro Abre-alas foi feito quase todo de papelão, jornais e isopor – lembro muito bem, fui com o meu amigo Amazonas, o famoso historiador do bairro de Educandos, o cara estava cheio da “manguaça”, ele iria ficar no carro principal, juntamente com o Adriano, Dona Maria, Roberto, Dra. Graça Silva, Miudinho e outros convidados especiais – ele foi avisado para não arredar o pé onde fora colocado, pois existiam somente algumas tábuas, o resto era imitação, pois bem, depois de entornar mais umas e diversas que estavam dentro de uma caixa de isopor, em plena Avenida, resolveu “verter água”, saiu da sua posição e caiu entre as ferragens, depois de algum tempo, deram pela falta do Amazonas, foram encontrar o bebum preso no chassi do carro alegórico, puxaram o pobre coitado pelos cabelos, ainda deu para voltar na maior, brincou o carnaval até o final. Como estava sem condições de dirigir o seu carro e também não lembrava onde o tinha deixado estacionado, deixou amanhecer o dia, tomou muita água, sucos e uma suculenta Sopa de Mocotó, deu uma melhorada geral, foi quando encontrou o seu veiculo e pode voltar numa boa para a sua casa. Ô louco, meu! Antes do horário do desfile oficial, marca a presença o “Bloco de Samba da Terceira Idade”, mudaram o nome para “A Melhor Idade” -, tenho um amigo aposentado, chamado de Dr. Fernando Português, ele sempre foi contra esta mudança. Ele fala o seguinte: - O cara que não pode mais trabalhar, vive tomando remédios, utiliza o Viagra para dar uma lenhada e que já está com o pé na cova, não pode dizer que está na “melhor idade”, um caralho, a melhor idade é quando somos jovens! Acho que ele deve começar a frequentar os “Clubes de Convivência dos Idosos”, com certeza, ele mudará de opinião, pois, fico feliz em ver aqueles senhores e senhoras todas fantasiadas, alegres, com muito samba no pé, eles voltam a ser crianças novamente, pode chover canivetes, mas, eles não arredam o pé da avenida do samba. Que bom, quem sabe daqui uns anos, poderei fazer parte dessa turma. Os profissionais da área de saúde gostam de sair com o “Bloco da Camisinha”, certa vez, saíram na avenida com uma “Mirantinga” de três metros de comprimento, parecia um antigo “Canhão de Guerra”, para divulgar o uso de preservativos nas relações sexuais, evitando, principalmente, pegar a AIDS, eles ficavam ensinando a galera como usar a camisinha, utilizando uma “piroca” tamanho “GG”, ainda fizeram a distribuição de milhares e milhares de peças, engraçado, o povo pegava as camisinhas, assopravam e faziam balões, não estavam nem aí para o objetivo maior da campanha do Bloco da Camisinha. Agora, mais engraçado, foi quando eles terminaram o desfile e voltaram correndo para a concentração, ficaram bem no meu meio dos velhinhos que iriam desfilar em seguida, o carro Abre-alas era aquele “Pirocão”, os idosos não estavam nem ai para aquele órgão copulador dos homens -, ficavam assoprando as camisinhas durante todo o desfile. É mole, mas sobe! É isso ai foliões! Se Deus permitir, irei mais um ano marcar presença do Sambódromo de Manaus, irei ficar de olho no lance, qualquer coisa engraçada que acontecer, contarei para vocês. Bom carnaval a todos os brasileiros! É isso.
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