sábado, 26 de março de 2011

O ZÉ MUNDÃO PEGANDO TODAS

O Zé Mundão aprontou muito na sua juventude, certa vez, resolveu comprar um Fusquinha, somente para ir com os seus amigos para os lupanares de Manaus, sempre cobrava a da “gasosa”, é claro! O cara ficou fissurado por estes lugares, baixava por lá todas as sextas, sábados e feriados, respeitava somente a Semana Santa, quando não comia qualquer tipo de carne! Os lugares preferidos eram a “Maria das Patas”, “Piscina Club” e “Saramandaia” – o carro do Zé estava tão acostumado com a rota, bastava ligar o “piloto automático”, para ir direto para o puteiro! Numa bela noite de sábado de Manaus, o Zé Mundão estava numa lisura que fazia dó, ficou naquela ânsia, encontrou com o seu amigo Branco, no Bar do Gordo, tomaram umas geladas no fiado e ainda tiveram a cara-de-pau em pedir algum emprestado do dono bar, é mole! Seguiram direto para o “Saramandaia”; no caminho, colocou gasolina o suficiente para ir e voltar, o ponteiro nem se mexeu, cruz credo! Chegando lá, o Zé estava com uma cara de enterro, não era para menos, a grana dava somente para tomar quatro latinhas e nada mais, pegar as primas, nem pensar! O Zé chamou o Branco e propôs: - Branco, mano velho, vamos cair fora daqui, tudo é caro, vamos lá para o Posto Cinco, pelo menos a nossa grana vai dar para tomar umas oito, tudo bem? O Branco não tinha nada para argumentar, pois ele é sabedor que o carona depende do dono do carro, tinha mesmo que concordar. Chegando lá, tomaram as primeiras cervejas na maior manha – o Zé Mundão estava falando baixo, triste e puto da vida; quando a bexiga estava na tampa, foi ao WC, jogar pelo ralo o restinho de dinheiro que ainda tinha nos bolsos, na volta, deu uma bicuda num bolo de dinheiro, rapidamente colocou nos bolsos, ficou nervoso, chegou com o Branco e mandou ver: - Branco, encontrei um monte de grana no chão, vamos cair fora, não sei quanto tem, pode ser tudo de 1 ou de 50! Resolveram ir ao “Piscina Club”, ficaram num lugar reservado, o garçom chegou e perguntou ao Zé o que eles iam beber, o cara ainda estava meio assustado, falou bem baixinho: - O senhor me desculpe, a gente vai conversar um pouquinho e depois o chamamos, pode ser? Quanta educação do Zé, parecia um “gentleman” – começaram a contar a grana, o Zé ficou vermelho, deu um sorriso de orelha a orelha, pois tinha exatamente 860 pilas! Aí papai, a coisa toda muda, o cara deu um grito chamando o garçom, nem parecia àquele pobre coitado de cinco minutos atrás, a voz ficou empostada, ficou com aquela cara de rico boçal, detonou logo: - Pinguim, meu brother, pega duas garrafas de cerveja, uma Brahma e outra Antárctica, dois churrascos de peito de franco e duas primas escolhidas a dedo, pode deixar comigo, você ainda vai pegar uma boa gorjeta! O garçom ficou sem entender bem a mudança de comportamento do Zé. Depois do pedido, combinou logo com o amigo: - Ô Branco, toma cem contos, paga o quarto e detona a tua nega velha, deixa a despesa da mesa comigo, a noite vai ser uma loucura! Chegaram as beldades, o Zé Mundão tomou logo a iniciativa, puxou a mais gostosa para ele, o coitado do Branco só fazia rir, parecia um pinto na merda! Papo vai, cerveja vem e saindo direto Iscas de carne e de batata frita; uma delas notou que o Zé estava com bastante bala na agulha, propôs: - Vamos para a minha casa, poderemos ficar bem à vontade lá, tudo é de primeira, não é a fuleiragem desses quartos daqui, vocês podem ficar até amanhã de manhã, combinado? O Zé na sua gaiatice de sempre, sem consultar o amigo, respondeu na bucha: - Tudo bem princesa, topamos a parada, vai se preparando que o couro vai comer! E o Branco só fazia rir, parecia uma hiena, também pudera com cem corujinhas no bolso e a conta sendo paga pelo Zé Mundão, até eu, papai! O Branco resolveu chamar o Zé num canto e o aconselhou: - Ô Zé Mundão, acho melhor tu guardar a metade da grana embaixo do tapete do carro, essas duas podem achar que nos somos otários e filar o nosso capim! O Zé é doido, mas não é leso, aceitou o conselho do Branco. Passaram primeiro num posto de gasolina – aí foi graça para o Zé: – Aí gente fina, bota gasosa até no toco, quero ver é derramar o tanque! Rumaram com as gatas em direção a Zona Oeste da cidade, elas moravam num bairro barra pesada, a casa era de madeira, o quarto era fuleiro dez vezes mais do que os do “Saramandaia”, agora não adiantava mais chorar sobre o leite derramado, o Zé ficou no quarto e mandou o Branco se acomodar com a gata dele na sala de estar – o pagamento foi feito adiantado, é claro! O couro comeu, foi “lamparinada” até o Sol raiar! O Zé ainda deu um cochilo, acordou com alguém batendo bem forte a porta, a gata ficou aflita e falou bem baixinho: - Sujou a parada, chegou o meu macho, ele é matador, acorda rapidinho o teu amigo, corre pelos fundos e pula o muro, pega a rua detrás, dá um tempo e depois vem pegar o teu carro! A bronca foi feia para o Zé! O cara só se mete em rolo! Depois de fazer tudo como recomendado, o Zé Mundão pegou o seu carro e se mandou para o centro da cidade, pararam na Praça da Saudade e foram conferir a grana, não tinha um conto sequer na carteira dos dois otários, aquilo fora uma armação! Tudo bem, ainda tinha quatrocentos contos embaixo do tapete! O Zé Mundão ficou grato com o conselho do Branco e falou: - Valeu, Branco, toma mais cinquenta paus, vou ficar em manutenção durante a semana toda, na próxima sexta-feira iremos gastar o resto da grana lá na “Maria das Patas”, dessa vez vai ser no banho tcheco, nada mais de ir para a casa das barangas! E o Branco só fazia rir, também pudera, passou a noite toda bebendo, comendo, não gastou um conto sequer e, ainda ia voltar para casa com um galo no bolso! Assim foi a vida de solteiro do Zé Mundão, pegando todas, até chegar o seu casamento, a partir daí acabou a mamata, só pegava a patroa e nada mais, nem gripe da vizinha! Eu, hein, Zé Mundão!

Nota do Blog - O Zé Mundão é um personagem criado pelo blog – um cabocão manauense, ambientalista, gozador, enrolado até o cabelo, amante da cidade de Manaus, curtidor da vida social, cultural e etílica da sua cidade. Alguns leitores assíduos do blog gostam das peripécias do Zé Mundão, inclusive, confundem com a pessoa do editor do blogdorocha, mas não tem nada a ver, tudo é uma mistura do passado, com a realidade e ficção da vida de um típico manauense.
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