quinta-feira, 10 de março de 2011

CAVAQUINHO, O CAVACO BRASILEIRO

Este instrumento musical teve a sua origem em Portugal, precisamente na cidade de Braga, sendo conhecido naquelas bandas como “Braquinha”, enquanto, no Brasil, é apelidado carinhosamente por “Cavaco”.

A sua escala é dividida em dezessete trastos, aqueles filetes de metal característicos dos instrumentos de cordas dedilháveis e, servem para dividir o ponto numa série de semitons e indicam o lugar dos dedos.

Ele é bem pequeno, menor que um violão, agora, possui uma enorme popularidade, imaginem, sem ele numa “Escola de Samba”, nem pensar! Chora Cavaco! Imaginem sem ele numa roda de “Choro”, nem pensar, também! E o choro continua! Pense sem ele num grupo de “Pagode”. Eta cavaquinho preguiçoso!

Para os iniciantes de instrumentos de cordas (cordofone), deve ser muito difícil tocar um violão, apesar da sua escala grande e de seis enormes cordas, agora, imaginem tocar um Cavaco, deve ser um martírio, o tocador deve ter o famoso “dedo de anjo”, pois a escala é diminuta, além de treinar muito para manipular apenas quatro pequenas cordas.

Até hoje não teve uma pessoa que superasse o Waldir Azevedo (Rio de Janeiro, 1923-1980), ele é considerado o pioneiro, tirou o cavaquinho como mero acompanhante no choro e o colocou em destaque como instrumento de solo. Compôs o famoso “Brasileirinho” (apenas poucos iluminados conseguem tocar direitinho), “Pedacinhos do Céu”, “Chiquitas” e “Vê Se Gostas”, na realidade, ele fez centenas de composições, todas famosas no Brasil e no exterior. Tenho um disco de vinil da dupla imbatível “Waldir Azevedo & Jacob do Bandolim”, deixado de lembrança do meu pai.

Aqui, em Manaus, encontramos muitas feras no Cavaco, existe um cara que foi muito amigo do meu saudoso pai, chama-se “Zé da Manola”, ele é um exímio tocador de cavaquinho, além do “Júnior do Cavaco”, o "Major da Rua Izabel", o “Junior Curubão”, dentro outros, todos eles podem ser encontrados dando o maior show no “Bar Caldeira”, “Bar Chão de Estrelas”, “Bar da Loura (ET Bar)”, no conjunto musical “Os Amigos do Som” e no “Bar da Gestina”.

O meu saudoso pai foi uma famoso “Luthier”, fez milhares de cavaquinhos, a grande maioria era de primeira qualidade, com o tampo em Marupá, lateral e fundo em Macacaúba” e o braço de Cedro, ele fazia um desenho em marchanteria na boca do cavaco, além da largura do cabo de acordo com o gosto do freguês, o som e a escala agradava aos “gregos e troianos”, fez também outros tantos, destinados aos nossos irmãos caboclos do interior.

Esse instrumento musical, muito popular, pode ser encontrado nas lojas do ramo, porém, quem desejar adquirir um de qualidade superior, deve procurar o mestre Rubens, da Escola de Lutheria da Amazônia, onde todos os instrumentos são confeccionados com madeiras certificadas e com o devido "selo verde".

E viva o Cavaco! E isso.

Postar um comentário