sexta-feira, 25 de junho de 2010

RODRIGO - O CARIOCA CABOCLO DE MANAUS

Nasceu na cidade de Três Rios, interior do Rio de Janeiro, veio para um acaso para Manaus e, fixou residência na nossa cidade faz 35 anos, tornou-se um carioca caboclo.

Bem novinho foi morar no bairro da Lapa, reduto dos boêmios cariocas, próximo ao Arcos da Lapa (aqueduto do Brasil colonial e atualmente serve como via para os bondinhos que sobem o Morro de Santa Teresa).

O Rodrigo possui um “gogó de ouro”, canta e encanta, caso tivesse ficado no Rio, seria reconhecido nacionalmente, em decorrencia do seu excepcional talento musical – foi criado junto com os amantes da vida noturna, bem no meio dos intelectuais, políticos e músicos – a sua praia sempre foi o samba, curtiu muito os Bares cariocas como o Belmonte, Taberna e Buteko do Juca, Antonio´s e Arcos Irís.

Ele é apaixonado pelo Flamengo, a cerveja Brahma e pela Escola de Samba Mangueira – a sua marca registrada é a “Exaltação à Mangueira”, um samba/carnaval, criado em 1956 por Enéas Brites e Aluísio Costa – tornou-se um hino, quando o Rodrigo canta os primeiros refrões, todos ficam em silêncio para ouvi-lo:
“Mangueira teu cenário é uma beleza
Que a natureza criou, ô...ô...
O morro com teus barracões de zinco,
Quando amanhece, que esplendor,
Todo o mundo te conhece ao longe,
Pelo som teus tamborins
E o rufar do teu tambor, Chegou, ô... ô...
A mangueira chegou, ô... ô...”

Sempre foi um frágil no amor, fica logo apaixonado, certa vez arranjou uma nega velha, ela estava afim de segurar o Rodrigo – fez altos investimentos em bebidas, montou um Bar no AP e o convidou para comemorar o evento:

- Meu amor, olha que lindo bar que eu mandei  construir somente para você, aqui tem todo tipo de bebidas, gastei uma grana, não quero mais ver você nos bares da Lapa. O argumento foi forte, mas o Rodrigo não caiu no papo.

- Beleza, meu amor, só tem um probleminha: você sabe muito bem que eu sou Brahmeiro, vou descer e comprar umas ampolas. Desceu e nunca mais voltou!

Certa dia, resolveu pegar um avião e ir até Manaus, foi executar uns serviços contábeis para uma agência bancaria. No primeiro dia da sua estada em Manaus, foi ao Bar Caldeira tomar a sua “loira gelada” - da Brahma, é claro! Deu de cara com uma turma da velha guarda boémia de Manaus – foi amor a primeira vista, resolveu que não iria mais sair de Manaus.

Depois de vinte anos voltou ao Rio, não encontrou mais os velhos amigos, ficou deslocado na sua própria cidade, voltou imediatamente para a sua cidade do coração – a Manaus amada e que o aceitou como fosse um filho seu!

O Rodrigo já está chegando a casa dos oitenta anos, ainda continua trabalhando muito, tomando a sua Brahma, cantando o seu amor a Mangueira e ao Mengo e, convivendo maravilhosamente bem com os seus amigos manauaras. É isso ai!

Fotos: Rodrigo, Arcos da Lapa, Cristo Flamenguista, Pavilhão da Mangueira e a antiga fábrica da Brahma de Manaus.
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