quarta-feira, 16 de junho de 2010

A ATUAÇÃO DA FIFA NA COPA DO MUNDO

Por estarmos em plena Copa do Mundo, nada mais pertinente do que falarmos um pouco sobre a atuação da FIFA nos países onde sediam esta competição, particularmente, na África do Sul e, no Brasil em 2014.

A Federação Internacional de Futebol Associado, foi fundada no dia 21 de maio de 1904, com sede em Zurique, na Suíça, possui como membros em torno de 208 federações nacionais – o seu lema é “Pelo jogo. Pelo mundo”. Além da Copa do Mundo, ela coordena a Copa do Mundo de Clubes, Copa de Confederações, Copa do Mundo de Futebol Feminino, Mundial Sub-20, Mundial Sub-17, Copa do Mundo de Futsal e Copa do Mundo de Futebol de Areia. Alguns falam que a FIFA é o FMI do futebol – para termos uma ideia, ela está no centro de um mercado que movimenta anualmente a cifra de 250 bilhões de dólares; somente com a Copa da África do Sul, ganhou 3,8 bilhões de dólares.

Segundo a Revista Piauí 44 _ maio 10 “Um país que queira sediar a Copa do Mundo tem que aceitar todas as exigências listadas no chamado “Cadernos de Encargos” da FIFA. Se necessário, a legislação nacional é modificada. Obriga o anfitrião a conceder vistos de trabalho ao pessoal estrangeiro, dar isenções alfandegárias para todo o material relacionado ao evento, garantir livre transferência de divisas e bancar a infraestrutura necessária para transporte e telecomunicações. Exige que o país sede assine um termo reconhecendo o direito exclusivo da entidade para a exploração comercial dos jogos, o que inclui publicidade, marketing, licenciamento, direitos de transmissão e até o controle das vizinhanças dos estádios. A FIFA tem soberania no raio de um quilometro em volta do local dos jogos. Se um restaurante quiser exibir os jogos da Copa em televisões ou telões, terá que pagar direitos autorais à emissora que os transmite, a qual destina uma parte deles à FIFA, pagará também uma licença para a venda de bebidas alcoólicas – até um camelô que mencione a expressão “Copa do Mundo” na hora de vender os seus cacarecos corre o risco de ser preso pela polícia”.

Segundo a mesma revista, o governo da África do Sul argumentava que os jogos trariam crescimento econômico e orgulho nacional, deixando para trás séculos de conflitos e pobreza - em seis anos, foram construídos cinco estádios, com gastos superiores a seis bilhões de dólares, com o final da Copa em Julho, 150 mil operários estarão desempregados, pois os empregos são temporários, a cerveja à venda nos estádios não é sul-africana e muito menos os produtos licenciados, que são todos importados da China, de empresas que usam o trabalho escravo e de crianças.

A FIFA nunca perde dinheiro, mesmo que o evento seja um fracasso – neste ano, ela distribuirá 420 milhões de dólares em prêmios e ajudará aos 32 times do mundial; a seleção campeã ganhará 30 milhões e a vice, 24 milhões.

No Brasil, os investimentos serão astronómicos, a FIFA está preocupada com os prazos para construção e reformas de estádios e aeroportos. Para refletir: nos Jogos Pan-Americanos no Rio de Janeiro, foram gastos 3,7 bilhões, deixando como herança dois elefantes brancos, o Velódromo da Barra e o Parque Aquático Maria Lenk, somente ganharam os espertalhões de sempre: políticos, atravessadores e empreiteiros. É isso aí!
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