segunda-feira, 19 de março de 2012

CENTENÁRIO DA RESIDÊNCIA DA DONA CHLOÉ LOUREIRO


Recebi um e-mail de uma leitora anônima do nosso blog, versa sobre um belo imóvel que fica na Avenida Eduardo Ribeiro: “Olá Rocha, este ano, uma antiga casa que fica na Avenida Eduardo Ribeiro, com entrada pela Rua 10 de Julho, irá completar 100 anos, esta residência morou o nosso ex-governador Aristides Rocha, após sua morte, fora comprada pela família do Dr. Thales Loureiro e sua esposa Chloé Ferreira Souto Loureiro. É uma belíssima residência que está fechada, sendo mantida apenas por um caseiro; da época de Aristides Rocha esta casa deve ter muito a contribuir com a história. Fica a dica”.


Realmente, o imóvel é belíssimo, muito imponente, está bem conservado, com os jardins bem cuidados, possui dois pavimentos, com escadas na lateral direita  e, garagem com detalhes em madeira, saída pela Rua 10 de Julho - imagine como deve  ser o interior, com certeza, deve ser uma maravilha!

O entorno é muito arborizado, dizem que as árvores que ficam bem em frente ao prédio foram plantadas pela Dona Chloé, sendo que uma delas foi envenenada recentemente, teve que ser cortada pelo Corpo de Bombeiros.

Faz gosto passar pela Avenida Eduardo Ribeiro e, ficar admirando aquela obra de arte tão bem conservada pela família Loureiro, pois as fachadas das residências no inicio do século passado eram trabalhadas com esmero, faziam um trabalho artístico nos seus frontispícios, ficava, realmente, uma obra de arte.

 Não conheço a história daquele imóvel, mas, conforme a dica da leitora, ele pertenceu ao governador Aristides Rocha. Segundo os historiadores, ele foi um político que, nas eleições de 1924, foi lançado ao governo para dar continuidade ao domínio oligárquico do Rego Monteiro; venceu as eleições utilizando a máquina estatal e as velhas práticas comuns a essa época (nada mudou até agora!); após as eleições, o governador pediu licença médica e afastou-se do cargo, em seu lugar, ficou o seu genro Turiano Meira, culminando com um movimento nacional denominado de “Tenentismo” (insatisfação dos militares), assumindo o poder local o Tenente Ribeiro Júnior. 

 A Dona Chloé Loureiro, matriarca de uma das famílias mais tradicionais de Manaus, foi fundadora da Academia de Letras, Ciências e Artes do Amazonas (ALCEAR), escritora de mão cheia, faz muito sucesso com as suas receitas de bolos e quitutes. Os seus filhos sempre primaram em conservar os imóveis da família, inclusive, mantiveram as fachadas dos antigos prédios comerciais de sua propriedade, apesar de todo o apelo comercial reinante entre a maioria dos empresários do centro antigo de Manaus que, fazem uma verdadeira poluição visual no local.


Com o projeto do governo do Estado, sob a supervisão da Secretaria de Cultura, para revitalização de toda a extensão da Avenida Eduardo Ribeiro, com certeza, não terão nenhum trabalho com o imóvel da Dona Chloé Loureiro, aliás, ele servirá de exemplo para os proprietários dos demais prédios, pois vai fazer cem anos e, continua bonito e muito bem conservado.


Parabéns a família Loureiro, em especial a Dona Chloé, pela conservação do seu belíssimo imóvel que completa cem anos e, pelo exemplo de amor a sua cidade Manaus. É isso ai.

Errata (enviado pela leitora anônima):
 
Aristides Rocha foi senador e não governador, assim que terminou o Tenentismo (em 28 de agosto de 1924) iniciaram-se várias disputas pelo controle político do Estado entre grupos e facções. Com isso Aristides apresentou ao senado federal um projeto pedindo a intervenção Federal no Amazonas, alegando ausência dos poderes Executivo e Legislativo no Estado. O pedido foi aceito, e o mineiro Alfredo Sá foi nomeado ao governo com a missão de acalmar as disputas políticas, feito que conseguiu através da unificação partidária.Outro erro que cometi foi o nome de dona CHLOÉ SOUTO LOUREIRO, o Ferreira foi erro de digitação.

Fotos: J Martins Rocha

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