quinta-feira, 27 de outubro de 2011

OS BALNEÁRIOS DE MANAUS

A leitora Darling Daniele, acadêmica de Turismo, mandou-me um e-mail solicitando informações sobre os balneários existentes em Manaus e os que já existiram.

Respondi o seguinte:

Parabéns por ter escolhido estudar Turismo, com certeza, você colherá muitos frutos no futuro. Com relação a tua pergunta, sabemos que o termo "balneário" significa um recinto público destinado a banhos, faz parte da cultura do amazonense, uma alternativa de lazer, principalmente para a população de baixa renda - os que existiam em Manaus, pelos menos os em que tive a oportunidade de conhecer e frequentar foram os seguintes:

Parque 10 de Novembro - O balneário do Parque 10 de Novembro ficava no entroncamento da Avenida Recife (atual Avenida Mário Ypiranga Monteiro) com a Avenida Darcy Vargas – o meu saudoso pai me levava todo final de semana, para curtir as águas límpidas do Igarapé do Mindu – com o progresso, as águas ficaram turvas, impróprias para tomar banhos, o local foi pouco a pouco sendo abandonado, restando somente um prédio de estilo eclético (que tem atualmente cerca de 80 anos e é considerado histórico), era utilizado como Bar, Restaurante e Salão de Festas. Na administração do alcaide Sefarim Corrêa, o prédio serviu como sede da Secretaria de Cultura, na gestão do Sebastião Assante, e, da Fundação Villa-Lobos. Até janeiro de 2009, funcionava no local a Orquestra Sinfônica Municipal (OSM), foi desativada pela filha do atual Prefeito de Manaus - Sra. Lívia Mendes, presidente da ManausCult, deixando mais de 80 jovens músicos na rua da amargura. O local ficou abandonado, servindo de abrigo para moradores de rua e usuários de drogas. Foram roubados os fios elétricos, tábuas do assoalho e as telhas, além do sumiço de sete lustres de cristal com mais de 70 anos, bem como, mais de 200 peças de instrumentos musicais (doados pela Orquestra Nacional de Brasília e pelo Instituto Baccarelli, de São Paulo).

Ponte da Bolívia – O nome não foi em homenagem ao país vizinho, mas a primeira moradora naquele lugar, a Dona Bolívia - ficava próximo a Barreira Policial da BR-174 e AM-010. Faz parte da Bacia do Tarumã-Açu tendo a nascente na Reserva Ducke – serviu a população até a década de oitenta, depois, virou um esgoto a céu aberto, em decorrência do desmatamento, implantação de novos bairros, abertura de ramais e utilização inadequada dos cursos d água.

Tarumanzinho – Fica dentro do bairro do Tarumã, tinha águas límpidas e cristalinas, era muito frequentado pelos manauenses, que gostavam de tomar banhos e degustar da nossa culinária em dois grandes restaurantes; existia uma pequena cachoeira em que era encoberta na época da cheia do Rio Negro. Foi engolido pelo progresso, virou esgoto! As águas que banham este balneário somente podem ser aproveitadas na altura do quilometro 12 da BR-174, onde ainda está preservada pela mata fechada.

Existem outros igarapés que serviram de balneários antigamente:

Igarapé do Mindú – principal tributário do S. Raimundo- tem uma de suas nascentes localizada no bairro Jorge Teixeira, na Zona Leste, próximo ao Jardim Botânico da Reserva Ducke. Cruza a cidade no sentido nordeste-sudoeste, percorrendo e delimitando inúmeros bairros, como Jorge Teixeira, Tancredo Neves, Cidade Nova, Aleixo, Parque 10 de Novembro, N. S. das Graças e S. Geraldo.

Igarapé dos Franceses – localizado na Zona Centro-oeste, é um dos principais contribuintes da bacia. Drena os bairros de Alvorada I, Alvorada II, D. Pedro I e D. Pedro II;

Igarapé do Binda – nasce na Zona Norte e percorre os bairros de Cidade Nova, Parque Dez e União;

Igarapé de Manaus – localizado próximo à área central de Manaus, corta importantes vias de acesso ao centro e, a exemplo do ocorre com os igarapés da Cachoeirinha e do Mestre Chico, sofre as consequências das cheias dos rios Negro e Amazonas.

Igarapé do Quarenta – é o principal tributário da Bacia do Educandos e sua nascente está localizada no bairro Armando Mendes, na Zona Leste da cidade. Percorre áreas urbanas ocupadas, como o Distrito Industrial da SUFRAMA e os bairros do Coroado e Japiim.

Igarapé da Cachoeirinha - abrange os bairros da Cachoeirinha, Petrópolis, Raiz e São Francisco. O igarapé atravessa vales que estão sujeitos à inundação, principalmente nos meses dejaneiro a junho;

Igarapé do Mestre Chico – localizado próximo à área central de Manaus abrange parte do bairro da Cachoeirinha e cruza vias importantes de acesso ao centro da cidade até desaguar no Educandos. Por suas características, também está sujeito a inundações.

Igarapé Leão – nasce ao norte da Reserva Ducke e seu percurso corresponde a um trecho do limite setentrional da Área de Transição, definida pelo novo perímetro urbano de Manaus;

Igarapé do Mariano – tem algumas de suas nascentes localizadas dentro da Reserva Ducke, entre a Reserva e sua embocadura, constitui o limite Norte da Área Urbana e do Bairro do Tarumã.

Com a poluição causada pelo progresso, onde ficava mais fácil jogar os esgotos para dentro do rio, todos os balneários foram fechados e esquecidos - até a Praia da Ponta Negra está poluída -, a Praia do Amarelinho (Educandos) é imprópria para o banho, mesmo estando no Rio Negro. Muitos dos igarapés acima citados, foram aterrados e construiram no local Parques e apartamentos do PROSAMIN.

Por incrível que pareça, existe um balneário em frente ao Cemitério Parque Tarumã que ainda não está poluído, pertence aos servidores do INSS, mas fica aberto ao público, desde que pague uma taxa pelo estacionamento do automóvel.

Ainda pode-se tomar banho na Praia da Lua, Praia do Tupé, Praia de Paricatuba, Cachoeira de Paricatuba (Iranduba), nos balneários ao longo da BR-174 - a grande maioria ainda não está poluída, mas estão com os seus dias contados.

Com a construção da Ponte Rio Negro, ligando Manaus a Iranduba, está atiçando a especulação imobiliária, isto irá desencadear um progresso devastador em Iranduba, Manacapuru e Novo Airão – os balneários irão virar esgotos a céu aberto como aconteceram no centro de Manaus. É isso ai.

Fotografia: Balneário da Voinha & Voinho - KM 12 da BR-174, entrar no Ramal do Pau Rosa, percorrer mais 20 Km para chegar a este paraíso.
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