sexta-feira, 7 de outubro de 2011

BOIUNA, A COBRA GRANDE DA AMAZÔNIA.


A palavra “boiuna” vem do tupi (boídeos = família de grandes ofídios escamados, que matam as presas por constrição / una = preto), significando uma grande cobra com manchas pretas. No folclore da região amazônica representa a figura mitológica indígena, temida pela sua maldade, tomada pela forma de cobra, que faz virar as embarcações, levando os náufragos para o fundo do rio – também conhecida como cobra-grande, mãe-do-rio, sucuri, boiaçu e senhora-das-águas.

A Lenda da Cobra Grande (Boiuna) é conhecida por todos os caboclos da nossa Amazônia – ela é contada de pai para filho, ficando no imaginário popular.
Segundo a lenda, existia numa das tribos do Amazonas, uma índia cruel que infernizava a todos, inclusive devorava até as criancinhas, para livrar-se dela, os membros da tribo jogaram-na no fundo do rio com a intenção de afogá-la.
O Anhangá, o gênio do mal, não a deixou morrer, os dois se casaram e tiveram um filho, que foi transformado em cobra para viver dentro do rio. Ela cresceu muito, o rio ficou pequeno e devorou todos os peixes. Começou a vagar pelas praias, com os olhos em forma de faróis, espreitando as suas presas e os homens, a tribo ficou aterrorizada e deram o nome de Cobra Grande.
No dia da morte da sua mãe, ela transformou a sua dor em ódio mortal, saindo dos seus olhos flechas de fogo que eram lançadas para o céu e para a escuridão.
No dia seguinte, ela se recolheu, dizem que vive adormecida debaixo de muitas cidades, acorda somente para anunciar o verão em forma de serpentário, ou em grandes tempestades para assustar com a luz dos relâmpagos, as tribos apavoradas.
As pessoas mais antigas de Manaus, contam que existe uma Cobra Grande na cidade, ela está com a boca no Rodoway (Porto Flutuante) e o rabo no Largo de São Sebastião, quando sentimos algum tremor de terra, eles dizem que ela está de mexendo.
Na nossa cultura popular, a Boiuna aparece nos momentos de ritual nas apresentações folclóricas dos Bois Garantido e Caprichoso de Parintins, nas Cirandas de Manacapuru, bem como, na maioria das danças dos festejos juninos da Amazônia.
O Boi Caprichoso lançou uma Toada chamada “Boitatá” (cobra de fogo), uma composição do Ronaldo Barbosa:
Um brilho no rio
Em noite escura é fogo fátuo
Gênio protetor dos campos e das águas
Cobra grande Boiaçú
Boiuna, boiuna, Sucuriju
A fera que surge do nada
Corre no corpo um arrepio
O sangue nas veias fica frio
O fogo que água não apaga
Um facho de luz ilumina a escuridão
Seus olhos de fogo encandeiam
Tapando furos singrando rios
A dona da noite a boca da noite
A dona da noite vai chegar
Boitatá boitatá
Fogo no ar fogo no ar

Cobra de fogo boiaçu
Boiuna boiúna flutua
Boitatá boitatá
Fogo no ar fogo no ar
Cobra de fogo boiaçu
Boiuna boiuna flutua

A foto acima foi tirada do portal do “Boi Manaus 2010”, um evento que acontece todo dia 24 de Outubro, em homenagem ao aniversário da cidade. Isto dar uma ideia do quanto o povo da Amazônia venera e, ao mesmo tempo sente medo da Boiuna, a Cobra Grande. É isso ai.
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