domingo, 24 de abril de 2011

DROGARIA LEMOS, A MAIS ANTIGA DE MANAUS


Este prédio está localizado na Rua dos Barés, 115, centro antigo de Manaus, foi construído em 1851, portanto, com mais de um século e meio de existência, onde abriga a drogaria considerada a mais antiga da nossa cidade, o seu nome no passado era Phamarcia Lemos, com PH mesmo; chamando muito à atenção, a conservação da sua fachada, inclusive, aparece uma data de 1943, ano em que foi feita a primeira reforma do prédio, além de uma inscrição “premiada em diversas exposições”.

O imóvel é de herança, pertence à família dos descendentes libaneses Abrahim, eles são donos de diversos casarões antigos, todos com as fachadas bem conservadas, pois, eles possuem a sensibilidade e a boa vontade, coisa muita rara entre os empresários, fazem a sua parte e contribuem para a manutenção da história de Manaus. Parabéns à família Abrahim, inclusive, um deles, já foi Prefeito de Manaus, o Frank Abrahim, outro, é o nosso Secretário Estadual de Fazenda, o Isper Abrahim.

No prédio da Drogaria Lemos, foi mantida a arquitetura original pelos seus proprietários, um gesto louvável, eles não esperam pelo poder público, já pensou se grande parte dos empresários fizessem isso, com certeza, o centro de Manaus estaria muito bonito, atraente e mais humano.

Estive no local, conheci os funcionários, todos bem-humorados, além da simpaticíssima Rosimarie, apesar do nome francês, ela uma legítima descendente libanesa. Tirei várias fotografias, não deu para conversar muito, pois o movimento estava intenso.

Estamos no século vinte e um, porém, a “Drogaria Lemos” em nada mudou ao longo do tempo, e isto não foi ruim, pois eles mantêm viva a nossa história; o freguês ao entrar no estabelecimento tem a sensação de que voltou ao início do século passado, com balcões, prateleiras, ventiladores e vitrines antigas, ainda encontramos aquela velha balança, toda conservada e aferida.

Nas paredes internas, foram afixados quadros com as fotografias dos pioneiros libaneses da família Abrahim; dos diplomas dos títulos ganhos: Medalha de Prata, da exposição nacional de 1908, em comemoração ao 1º. Centenário da Abertura dos Portos do Brasil ao Comércio Internacional; Exposition Universalle de Bruxelles 1910 e Esposizione Internazionale Delle Industrie e Dell Lavoro Torino 1911.

Duas coisas chamam muito a atenção, primeiro, são quatro bustos, colocados na parede dos fundos, acredito que sejam todos de antigos gregos famosos, um deles eu sei que é de Hipócrates, o pai da Medicina. A segunda - mostra um quadro onde está um recorde de um jornal, aparecendo uma reportagem intitulada “De dona de casa à proprietária da primeira farmácia de Manaus”, trata-se da Dona Georgete Lima, na época, com 83 anos de idade, mesmo assim fazia questão de trabalhar todo santo dia.

Por estar localizada próximo aos portos de embarque e desembarque de pessoas e cargas para o interior do Estado, a sua grande clientela constitui-se dos interioranos. Lembra do Pó Sintético, Jalapa Pião, Leite de Rosa, Minancora, Sebo de Carneiro, Elixir Paregórico, Mamona e Sabonete Febo? Pois é, eles vendem os remédios tradicionais, nada de medicamentos caros, porém, revendem os famosos genéricos, com preços compatíveis com o bolso dos mais humildes.

Lembro da minha juventude, quando os meus pais compravam somente lá os remédios para piolhos, lombrigas, fortificantes e para limpar os intestinos, além daquelas injeções doloridas e dos curativos de ferimentos leves. Tinha um enfermeiro, acredito que o nome dele era Teomásio, prestou bons serviços por trinta anos, ele fazia até suturas, era muito conhecido na redondeza.

Parabéns à Drogaria Lemos, aos proprietários e colaboradores! É isso.
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